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Gravidez na adolescência tem queda de 17% no Brasil, diz pesquisa

A gravidez na adolescência teve uma queda de 17% no Brasil segundo dados preliminares do Sinasc (Sistema de Informação sobre Nascidos Vivos) do Ministério da Saúde. Em números absolutos a redução foi de 661.290 nascidos vivos de mães entre 10 e 19 anos em 2004 para 546.529 em 2015. A região com mais filhos de mães adolescentes é o Nordeste (180.072 – 32%), seguido da região Sudeste (179.213 – 32%). A região Norte vem em terceiro lugar com 81.427 (14%) nascidos vivos de mães entre 10 e 19 anos, seguido da região Sul (62.475 – 11%) e Centro Oeste (43.342 – 8%).

A queda no número de adolescentes grávidas está relacionada a vários fatores como, “expansão do programa Saúde da Família, que aproxima os adolescentes dos profissionais de saúde, mais acesso a métodos contraceptivos e ao programa Saúde na Escola que oferece informação de educação em saúde”, destacou a diretora do Departamento de Ações Programáticas Estratégicas (DAPES), Thereza de Lamare.

O número de crianças nascidas, de mães adolescentes nessa faixa etária, representa 18% dos 3 milhões de nascidos vivos no país em 2015. O Ministério da Saúde tem implementado ações para reduzir ainda mais esse percentual, com a divulgação de ações em educação sexual e direitos reprodutivos. Hoje 66% das gravidezes em adolescentes são indesejadas. Para reduzir os casos de gravidez não planejada, o Ministério da Saúde investe em políticas de educação em saúde e em ações para o planejamento reprodutivo. Uma das iniciativas é a distribuição das Caderneta de Saúde de Adolescentes (CSA), com as versões masculina e feminina. A caderneta contém os subsídios que orientam o atendimento integral dos jovens, com linguagem acessível, possibilitando ao adolescente ser o protagonista do seu desenvolvimento.

Para prevenção da gravidez, o Ministério da Saúde distribui a Pílula Combinada, Anticoncepção de Emergência, mini-pílula, anticoncepcional injetável mensal e trimestral, e diafragma, assim como preservativo feminino e masculino. Recentemente, a pasta anunciou a oferta de DIU de Cobre em todas as maternidades brasileiras, o que inclui as adolescentes dentro desse público a ser beneficiado. Pois é uma alternativa a mais para a adolescente que já teve uma gravidez precoce. “O DIU é um método que dura 10 anos, de longa duração e não precisa da adolescente ficar lembrando, o que é um fator importante para evitar a gravidez”, explica Thereza de Lamare.

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Gravidez, grito, crack, fotos e saber de traição ‘motivam’ mortes de mulheres

 (Foto: Krystine Carneiro/G1)
(Foto: Krystine Carneiro/G1)

Morreram porque engravidaram, gritaram, sabiam de traição, tiraram fotos com outro homem, reconheceram estupradores, ou até porque alguém precisava consumir crack. Essa foi a realidade para algumas das mulheres vítimas de violência na Paraíba. Na Semana da Mulher, o G1 relembra casos marcantes de mulheres que morreram por “motivos” banais.

Com a atuação da polícia e ajuda de mobilizações sociais, é possível ver Justiça sendo feita. Os assassinatos de Briggida Lourenço, Aryane Thais, Fernanda Ellen e das mulheres de Queimadas, por exemplo, foram desvendados e os autores estão presos. Outros casos, como as mortes de Vivianny Crisley e Rebeca Cristina, ainda estão em andamento, mas com os acusados presos, aguardando julgamento.

Briggida Lourenço foi morta pelo ex-marido, em João Pessoa (Foto: Reprodução/Facebook)Briggida Lourenço foi morta pelo ex-marido, em João Pessoa (Foto: Reprodução/Facebook)

Briggida, morta porque tirou fotos com um homem
A professora Briggida Rosely, de 28 anos, foi encontrada morta dentro do próprio apartamento, em João Pessoa, em junho de 2012. Ela foi achada por vizinhos com sinais de estrangulamento. O ex-marido dela, o fotógrafo Gilberto Stuckert, foi condenado por homicídio qualificado a 17 anos e seis meses de prisão e cumpre pena em regime fechado no Presídio Sílvio Porto.

Durante o julgamento, ele assumiu ter cometido o crime e disse estar arrependido. Gilberto disse que amava Briggida e que perdeu a cabeça por ter visto um álbum de fotografias dela com outro homem, no dia em que foi procurá-la. Eles tinham passado oito anos casados e o ex-marido não aceitava o fim do relacionamento.

De acordo com o depoimento do réu, o casal brigou, trocou xingamentos, ela bateu nele e ele revidou. De acordo com os autos, Gilberto Stuckert asfixiou Briggida por ação mecânica, sem lhe dar qualquer chance de defesa.

Aryane Thais foi encontrada morta em 2011, em João Pessoa (Foto: Arquivo Pessoal)Aryane Thais foi encontrada morta em 2011, em João Pessoa (Foto: Arquivo Pessoal)

Aryane Thais, morta porque estava grávida
Mais de seis anos depois do crime, o bacharel em Direito Luiz Paes de Araújo Neto foi preso, em junho de 2016, pela morte da jovem Aryane Thais, que tinha 22 anos quando foi assassinada.

O corpo seminu da vítima foi encontrado às margens da BR-230, em João Pessoa. Segundo a perícia, Aryane estava grávida e o pai do bebê seria Luiz Paes. O exame foi encontrado no bolso da vítima. Para o Ministério Público, Paes matou Aryane porque não queria assumir a paternidade e simulou uma cena de crime sexual para confundir a polícia.

Luiz Paes foi condenado a 17 anos e seis meses em regime fechado pelo assassinato de Aryane Thais. A condenação aconteceu em setembro de 2013, mas, durante cerca de três anos, ele recorreu da sentença nos tribunais paraibanos e em Brasília, mas teve todos os pedidos negados. Em junho de 2016, ele se entregou à Justiça e desde então cumpre pena em regime fechado no Presídio Sílvio Porto, em João Pessoa.

Corpo de Fernanda Ellen foi encontrado enterrado no quintal do vizinho (Foto: Divulgação/Arquivo Pessoal)Corpo de Fernanda Ellen foi encontrado enterrado no quintal do vizinho (Foto: Divulgação/Arquivo Pessoal)

Fernanda Ellen, morta por cinco pedras de crack
A estudante Fernanda Ellen, de 11 anos, passou três meses desaparecida, de janeiro a abril de 2013. O corpo dela foi encontrado enterrado no quintal do vizinho da família, Jefferson Soares, no Alto do Mateus, em João Pessoa. A polícia chegou até o assassino a partir da identificação do destino do celular da menina, que foi trocado por cinco pedras de crack dias depois de ter sido roubado.

A juíza Anna Carla Falcão entendeu que Jeferson matou a estudante para roubar o celular dela e, por esse motivo, ele não foi a júri popular, como acontece nos casos de homicídio. A menina foi morta por asfixia, em consequência de um estrangulamento. Depois do crime, ele enterrou o corpo para que ninguém descobrisse que ela estava morta.

Assassino confesso, Jefferson Luís Oliveira Soares  foi condenado a 31 anos de prisão pela morte de Fernanda Ellen e segue preso em regime fechado no Presídio PB1.

Izabella Monteiro e Michelle Domingues morreram após estupro coletivo em Queimadas (Foto: Arquivo Pessoal)Izabella Monteiro e Michelle Domingues morreram após estupro coletivo em Queimadas (Foto: Arquivo Pessoal)

Izabella e Michelle, mortas porque reconheceram estupradores
No crime conhecido como a “Barbárie de Queimadas”, cinco mulheres foram estupradas e duas delas mortas porque reconheceram os agressores, que eram supostos amigos das vítimas. O crime aconteceu em fevereiro de 2012, no município de Queimadas, no Agreste paraibano. As mulheres foram chamadas para uma festa de aniversário e lá, durante o que seria uma comemoração, foram estupradas pelos “amigos” que simularam uma assalto e usaram máscaras para não serem reconhecidos. O estupro coletivo seria um “presente” para o aniversariante.

Izabella Monteiro, de 27 anos, e Michelle Domingues, de 29, no entanto, os reconheceram. Uma delas foi morta com quatro tiros em uma rua central da cidade e a outra foi assassinada com três tiros na estrada para Campina Grande.

Os autores do crime foram presos quando acompanhavam o cortejo dos caixões para o cemitério. Três adolescentes foram condenados a cumprir medidas socioeducativas, e seis dos réus foram condenados pelos crimes de cárcere privado, formação de quadrilha e estupro.

O mentor da barbárie, Eduardo dos Santos Pereira, só foi condenado dois anos depois, em júri popular, a 108 anos e dois meses de prisão. Ele foi considerado culpado por dois homicídios, formação de quadrilha, cárcere privado, corrupção de menores, porte ilegal de arma e cinco estupros, além de lesão corporal contra um dos adolescentes envolvidos no crime.

Com exceção dos adolescentes, que já cumpriram três anos de internação no Lar do Garoto e foram soltos em 2015, todos os outros envolvidos permanecem presos em regime fechado no Complexo Penitenciário de Segurança Máxima Romeu Gonçalves de Abrantes, o PB1. Eduardo vai cumprir a pena em regime fechado até que ela seja extinta, uma vez que o período para progressão para o semiaberto, com base nos 108 anos aos quais ele foi condenado, é de mais de 40 anos, enquanto que a de extinção da pena é de 30.

Vivianny Crisley estava desaparecida após festa em boate de João Pessoa, Paraíba (Foto: Reprodução/TV Cabo Branco)Vivianny Crisley ficou desaparecida após festa, em João Pessoa (Foto: Reprodução/TV Cabo Branco)

Vivianny Crisley, morta porque gritou
A vendedora Vivianny Crisley passou 15 dias desaparecida após ser vista saindo de um bar na Zona Sul de João Pessoa, entre outubro e novembro de 2016. O corpo dela foi encontrado carbonizado, em uma mata, em Bayeux, na Grande João Pessoa.

Três homens foram presos suspeitos de participação no crime. Primeiro Allex Aurélio Tomás dos Santos, em João Pessoa, e, em seguida, Jobson Barbosa da Silva Júnior, conhecido como Juninho, e Fágner das Chagas Silva, apelidado de Bebé, no Rio de Janeiro.

Segundo eles, o trio conheceu Vivianny na noite do crime, no bar em que eles estavam e de onde saíram de carro para procurar outro lugar onde encerrar a noite. Como não acharam outro bar aberto, foram para a casa de Juninho, em Bayeux, próximo ao local onde o corpo de Vivianny foi encontrado. Ela foi golpeada sucessivamente com chave de fenda na cabeça e seu corpo foi queimado com a ajuda de gasolina e um pneu.

De acordo com os depoimentos dos três, a motivação do crime foi o fato dela ter gritado dentro do carro e ficar “perturbando” o trio para ir para casa. Nenhum dos suspeitos revelou se havia intenção de estuprar Vivianny e, por conta do estado do corpo, a perícia também não conseguiu constatar se houve violência sexual.

Allex Aurélio, Jobson Barbosa e Fágner das Chagas foram denunciados pelo Ministério Público, em fevereiro, por sequestro, homicídio duplamente qualificado, por motivo fútil e crueldade, e ocultação de cadáver. Os três estão aguardando julgamento presos no Presídio PB1, para a própria segurança deles.

O advogado de Jobson, Bruno Deriu, informou que não foi intimado e que não vai se pronunciar sobre o caso no momento. Os advogados dos demais acusados não foram localizados.

Rebeca Cristina foi morta em João Pessoa em julho de 2011 (Foto: Reprodução/TV Cabo Branco/Arquivo)Rebeca Cristina foi morta em João Pessoa em julho de 2011 (Foto: Reprodução/TV Cabo Branco/Arquivo)

Rebeca Cristina, morta porque sabia demais
O indiciamento do acusado de matar Rebeca Cristina só aconteceu cinco anos depois do crime. Rebeca, com 15 anos, foi estuprada e assassinada em 11 de julho de 2011, no trajeto entre a casa da família e o Colégio da Polícia Militar, em Mangabeira VIII, Zona Sul de João Pessoa. O corpo da estudante foi encontrado com diversos tiros em um matagal na Praia de Jacarapé, na tarde do mesmo dia.

O único suspeito do crime é o cabo da Polícia Militar Edvaldo Soares da Silva, que era padrasto de Rebeca. Segundo o inquérito policial, há pelo menos 22 indícios de envolvimento dele no crime. Para a polícia, a menina foi morta porque descobriu um caso extraconjugal do padrasto após ver mensagens no celular do suspeito. Ele está preso no 1º Batalhão de Polícia Militar, aguardando julgamento desde julho de 2016.

O promotor Marcus Leite o denunciou por estupro e homicídio duplamente qualificado, por motivo torpe e mediante circunstâncias que impossibilitaram a defesa da vítima. Para o Ministério Público, não há dúvidas da participação dele no crime.

O advogado de Edvaldo, Gabriel Cirne, por sua vez, garante que não há nenhuma prova material que comprove envolvimento dele no crime e tem convicção de que ele vai ser absolvido se for a júri popular. A tese da defesa vai se basear na negativa de autoria do crime.

“Ele cumpriu a escala de trabalho no dia do crime, a perícia constatou que o material genético que estava nela não era dele. O problema é que ele usou a mídia, e a mídia devastou a pessoa dele. Mas nessa fase do processo, sob a luz do contraditório e da ampla defesa, as anomalias vão aparecer e todo mundo vai constatar a inocência de Edvaldo”, disse o advogado.

A primeira audiência de instrução do caso está marcada para esta quinta-feira (9), às 14h. Um inquérito complementar segue aberto para identificar uma segunda pessoa que estaria envolvida no crime. De acordo com o delegado Glauber Fontes, esta pessoa seria o executor do crime, mas o padrasto estaria nas proximidades do local onde a menina foi morta.

G1 PB

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Experimento mostra que zika aumenta chance de aborto no início da gravidez

gravidaPesquisadores da Universidade Johns Jopkins, nos Estados Unidos, demonstraram por meio de um estudo com ratos que há maior chance de aborto espontâneo devido à infecção por zika no primeiro trimestre de gestação. O estudo foi publicado nesta terça-feira (21) na “Nature Communications”.

Outros estudos já haviam demonstrado que o vírus da zika pode atravessar a placenta, estrutura responsável por proteger o feto na barriga da mãe. Sabra L. Klein, imunologista e coautora do artigo, desenvolveu junto a seus colegas um modelo de rato com um sistema imune mais parecido com o dos seres humanos.

O grupo de cientistas injetou cepas diferentes do vírus da zika nos animais. Usaram o tipo encontrado nos surtos na Nigéria e no Camboja, em 1968 e 2010, respectivamente. E aplicaram nos ratos o zika mais recente detectado nas epidemias no Brasil e em Porto Rico.

A viabilidade da gestação ocorreu para 71% das gestações da cepa mais antiga e para 56% para o vírus mais recente. Ou seja: há uma taxa de abortos que varia entre 29% e 44% após a infecção. De acordo com o estudo, isso pode ocorrer por uma infinidade de fatores, já que a relação entre o zika e a perda dos fetos ainda não foi totalmente estudada.

Outra fator é que, quando a infecção dos ratos ocorreu no segundo trimestre de gravidez, o número de abortos foi menor. Isso sugere, segundo o artigo, que há menos vulnerabilidade ao vírus com o decorrer da gestação.

“Precisamos encontrar uma forma de impedir a transmissão do zika através da placenta para o feto, porque é onde o dano é causado”, disse Klein. “Nas placentas dos nossos ratos, vemos uma defesa contra o vírus que é montada, mas não é suficiente, especialmente no início da gravidez, tempo que corresponde ao primeiro trimestre da gestação dos seres humanos”.

Os pesquisadores também observaram como funciona a ativação das defesas do corpo contra o vírus nas placentas dos ratos utilizados durante a pesquisa. Eles identificaram alguns receptores em células da placenta usados pelo vírus para chegar até o feto. Tais receptores podem ser alvos potenciais para tratamentos contra a doença, disseram os professores.

G1

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Estresse pode influenciar a fertilidade e diminuir as chances de gravidez

estresseHá um certo senso comum sobre a ideia de que o estresse pode interferir no bom funcionamento do organismo. Mas um estudo recente da Escola de Saúde Pública da Universidade de Louisville, nos Estados Unidos, deu novos argumentos para reforçar essa tese.

Depois de monitorarem os níveis de estresse diários de 400 mulheres em idade fértil, os pesquisadores detectaram 40% menos de chance de engravidar naquelas que relataram sentirem níveis mais elevados de estresse.

“Os resultados mostraram que o estresse impacta a fase ovulatória do ciclo feminino e servem como alerta de que a saúde psicológica e o bem-estar são tão importantes para a concepção quanto outros fatores de risco, como o fumo, o álcool ou a obesidade”, disse a epidemiologista Kira Taylor, responsável pela pesquisa.

Ansiedade por engravidar

No Brasil, a influência das emoções sobre a fertilidade também vem sendo discutida. “A complexidade do tema se deve principalmente à dificuldade de mensurar o estresse, que é sentido por cada indivíduo de modo muito particular”, afirma o especialista em reprodução humana, Arnaldo Cambiaghi.

Ainda que não haja números que comprovem, a experiência prática do consultório é farta em exemplos de que há alguma interferência das emoções sobre a fertilidade. “São comuns casos de casais saudáveis que tentam engravidar sem sucesso, mas que conquistam seu objetivo quando decidem sair de férias ou param de pensar nisso. Isso mostra como a ansiedade pode atrapalhar o processo”, relata Cambiaghi.

O especialista em reprodução humana assistida Paulo Gallo de Sá concorda. Tanto que recomenda a suas pacientes não se preocuparem com a data da ovulação. “Não precisa ficar olhando o calendário. Basta ter relações sexuais três vezes por semana”, diz o ginecologista.

Por que isso acontece?

A relação entre o estresse e a fertilidade se explica porque o organismo é uma engrenagem que, para funcionar plenamente, precisa estar bem afinada. Biologicamente, a ansiedade e o estresse modificam o funcionamento da glândula hipófise, que fica no hipotálamo e produz hormônios importantes para a ovulação, como a gonadotrofina e a prolactina.

“Para a mulher ovular, o hipotálamo precisa liberar GnRH (hormônio liberador de gonadotrofina) em pulsos de determinado ritmo e amplitude. Se há irregularidade nestes pulsos, a ovulação pode não acontecer”, explica a ginecologista Carla Iaconelli, especialista em medicina reprodutiva.

Ela lembra que o estresse pode estar relacionado, ainda, a outros fatores, como ganho ou perda excessiva de peso, insônia e tabagismo, que são capazes de alterar os ciclos menstruais, reduzir a qualidade dos óvulos e embriões, aumentar as taxas de aborto e até desencadear ou piorar doenças relacionadas à infertilidade, como a endometriose.

Estresse sob controle

“Como o grau de resposta ao estresse é definido pela história de vida de cada um e está associado a fatores genéticos, o mais importante é encontrar uma maneira de reconhecer e administrar o estresse”, recomenda Carla Iaconelli.

Para isso, vale recorrer à meditação, ioga, acupuntura, atividade física, terapia, dedicar-se a hobbies, jogos, leitura, enfim, qualquer atividade que traga prazer e relaxamento, sugere a médica.

Ela ressalta que ao tratar a infertilidade, é preciso observar o casal e não apenas a mulher. “Diagnóstico e tratamento devem ser realizados para os dois, uma vez que o estresse também pode prejudicar a produção de espermatozoides e a vida sexual do casal”, diz.

Também é fundamental evitar atribuir ao estresse a causa de qualquer problema de fertilidade. De acordo com o ginecologista Paulo Gallo de Sá, casais sexualmente ativos que estão tentando engravidar há mais de um ano, sem sucesso, devem procurar um especialista para verificar se há fatores que possam afetar a fertilidade.

“Afirmar que a dificuldade de engravidar é decorrência da vida estressante sem uma investigação profunda é um erro, que pode fazer muitos casais perderem tempo e se frustrarem”, finaliza o médico.

Uol

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Saiba quais são os sinais que podem indicar uma gravidez de risco

Estudo alerta que a mulher grávida deve conhecer o próprio corpo para prevenir problemas e administrar riscos

gravidez de riscoA gestação em si é uma fase que envolve inúmeras transformações físicas e psicológicas na vida da mulher. Essas transformações que ocorrem podem por si só gerar sensação de angústia, medos, preocupação, entre tantas outras.

Logo após a descoberta da gravidez, é primordial que a mulher realize o acompanhamento médico adequado que garantirá a sua saúde e a saúde do bebê. E é natural que alguns hábitos sejam modificados ou abolidos da vida da mulher na gestação, tanto para a garantia de sua saúde quanto da saúde da criança. Leia também Fumo na gravidez aumentaria o risco de autismo em bebês

Saiba o que é preciso observar em relação à gravidez para prevenir problemas

O estudo Mulheres com gravidez de maior risco foi realizado com 12 mulheres em atenção pré-natal em um serviço público em Cuiabá (MT). A pesquisa salienta que quando as mulheres não têm informações precisas sobre o que ocorre consigo e com o bebê, ficam expostas a novos problemas, sejam físicos ou emocionais, o que implica nas condições de se proteger e de proteger o bebê. O que quer dizer que é essencial que a mulher conheça o próprio corpo e que compreenda sobre os perigos aos quais está exposta. Sendo assim, é de extrema importância que a mulher tome cuidados na gravidez, que preste atenção nos sinais, pois essa observação pode prevenir problemas.

No portal sobre maternidade Trocando Fraldas é explicado que nem toda gravidez de risco é causada por problemas relacionados à saúde. Isso porque algumas mulheres podem se enquadrar em gestação de risco por conta de particularidades. A gravidez de gêmeos, por exemplo, é considerada de risco pelos médicos por conta da condição diferenciada do útero que está preparado apenas para um bebê, o que quer dizer que quando a mulher espera por mais de uma criança, a condição do útero se torna mais delicada e essa gestação precisará ser observada com maior cuidado.

Fique por dentro dos sinais que indicam a importância de maior cuidado na gravidez

Presença de febre – A febre pode ser indicativo de alguma infecção presente e o sintoma deve ser informado imediatamente ao médico. Vale enfatizar que não se deve tomar quaisquer medicamentos sem a devida prescrição.

Sangramentos – Qualquer tipo de sangramento deve ser informado ao médico e no início de uma gestação pode ser indicador de aborto.

Secreção vaginal – A eliminação de secreção de aparência transparente ou leitosa em pequenas quantidades pode representar perda de líquido amniótico (que envolve a criança no útero), portanto, pode ser indicativo de complicação e o médico deve ser consultado imediatamente para uma avaliação.

Cólicas – As cólicas em si costumam ser naturais na gestação quando se parecem com contração ou provocam enrijecimento na região do abdômen, mas quando as cólicas são semelhantes às cólicas menstruais e são acompanhadas por perda de sangue, demandam atendimento médico imediato, pois podem indicar início de aborto.

Ausência de movimentos fetais – A partir do quarto ou quinto mês de gestação, os movimentos fetais podem ser sentidos, mas após esse período, se houver ausência de movimentos por até 12 horas é importante recorrer ao hospital para verificar.

Doenças – Problemas de saúde como pressão alta, diabetes, anemia, problemas cardíacos, entre outros, indicam que a gestação demandará maiores cuidados.

Histórico de aborto ou parto prematuro – Se a mulher já sofreu aborto espontâneo, é importante que o médico esteja ciente e que alguns cuidados sejam tomados. Ter tido um parto prematuro também é sinal para que cuidados sejam redobrados com a nova gestação.

Em caso de qualquer sinal anormal durante a gravidez, o ideal é que a mulher se dirija prontamente ao hospital para verificar se está tudo bem consigo e com a criança.

Fonte

OLIVEIRA, Daniela do Carmo; MANDÚ, Edir Nei Teixeira. Mulheres com gravidez de maior risco: vivências e percepções de necessidade e cuidado. Esc. Anna Nery. vol.19 nº1. Rio de Janeiro Jan/Mar. 2015.

Assessora de Comunicação – portal Trocando Fraldas

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STF decide que aborto nos 3 primeiros meses de gravidez não é crime

stfA Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu nesta terça-feira (29) descriminalizar o aborto no primeiro trimestre da gravidez. Seguindo voto do ministro Luís Roberto Barroso, o colegiado entendeu que são inconstitucionais os artigos do Código Penal que criminalizam o aborto. O entendimento, no entanto, vale apenas para um caso concreto julgado pelo grupo nesta terça.

A decisão da Turma foi tomada com base no voto do ministro Luís Roberto Barroso. Para o ministro, a criminalização do aborto nos três primeiros meses da gestação viola os direitos sexuais e reprodutivos da mulher, o direito à autonomia de fazer suas escolhas e o direito à integridade física e psíquica.

No voto, Barroso também ressaltou que a criminalização do aborto não é aplicada em países democráticos e desenvolvidos, como os Estados Unidos, Alemanha, França, Reino Unido e Holanda, entre outros.

“Em verdade, a criminalização confere uma proteção deficiente aos direitos sexuais e reprodutivos, à autonomia, à integridade psíquica e física, e à saúde da mulher, com reflexos sobre a igualdade de gênero e impacto desproporcional sobre as mulheres mais pobres. Além disso, criminalizar a mulher que deseja abortar gera custos sociais e para o sistema de saúde, que decorrem da necessidade de a mulher se submeter a procedimentos inseguros, com aumento da morbidade e da letalidade”, decidiu Barroso.

Apesar de admitir a descriminalização do aborto nos três primeiros meses, Barroso entendeu que a criminalização do procedimento pode ser aplicada a partir dos meses seguintes.

“A interrupção voluntária da gestação não deve ser criminalizada, pelo menos, durante o primeiro trimestre da gestação. Durante esse período, o córtex cerebral – que permite que o feto desenvolva sentimentos e racionalidade – ainda não foi formado, nem há qualquer potencialidade de vida fora do útero materno. Por tudo isso, é preciso conferir interpretação conforme a Constituição aos Artigos 124 e 126 do Código Penal, para excluir do seu âmbito de incidência a interrupção voluntária da gestação efetivada no primeiro trimestre”, disse Barroso.

Prisões

O caso julgado pelo colegiado tratava da revogação de prisão de cinco pessoas detidas em uma operação da polícia do Rio de Janeiro em uma clínica clandestina, entre elas médicos e outros funcionários. Os cinco ministros da Primeira Turma votaram pela manutenção da liberdade dos envolvidos. Rosa Weber, Edson Fachin acompanharam o voto de Barroso. No entanto, Marco Aurélio e Luiz Fux não votaram sobre a questão do aborto e deliberaram apenas sobre a legalidade da prisão.

Agência Brasil

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Em um ano de epidemia, vírus Zika mudou a forma como mulheres encaram a gravidez

gravida-e-mosquitoO medo das consequências da infecção do vírus Zika e o impacto emocional das primeiras notícias sobre a epidemia mudaram o significado da gravidez para a mulher brasileira desde o fim de 2015. Nesta sexta-feira (11) completa um ano desde que o Ministério da Saúde decretou a epidemia como Situação de Emergência em Saúde Pública de Importância Nacional.

A técnica de enfermagem Rosângela Veloso trabalha há mais de 20 anos no Centro Integrado de Saúde Amaury de Medeiros, conhecida como maternidade da Encruzilhada, no Recife (PE). Acostumada à rotina de auxiliar os médicos nos exames de ultrassom, ela conta que a epidemia afetou o comportamento das pacientes. “Antigamente, a preocupação era o sexo, hoje em dia é o tamanho da cabeça. Os médicos dizem que a fase da gravidez mais atuante para desencadear a síndrome é de cinco meses em diante, mas no primeiro ultrassom ela já quer saber o tamanho da cabeça”, relata Rosângela.

O obstetra e gestor executivo da maternidade, Olímpio Moraes Filho, tem a mesma impressão de sua colega. “Antigamente as mulheres iam felizes fazer ultrassom, hoje parece que estão entrando numa câmara de gás, parece uma tortura, é um medo tremendo. A gravidez tornou-se um sofrimento muito grande para as mulheres e não estamos oferecendo informações seguras para elas, porque a zika surgiu há pouco tempo”.

A percepção dos profissionais da maternidade comprova-se por estudos feitos com as grávidas. O Instituto Patrícia Galvão e o Data Popular divulgaram pesquisa com gestantes de todas as regiões do país que fizeram o pré-natal pelo SUS, no contexto da epidemia. O estudo mostra que 6 em cada 10 têm medo de fazer o ultrassom e descobrir que o bebê tem microcefalia. Apesar do temor, mais da metade delas gostariam de fazer mais exames durante o pré-natal. A pesquisa revela ainda que 31% dessas mulheres não programaram a gravidez, 23% temem o período da gestação devido à possibilidade do bebê ter algum problema e 99% delas sabem que se a gestante for infectada pelo zika, o bebê pode ter microcefalia.

A preocupação é ainda maior entre aquelas que não planejaram a gestação, realidade comum entre as pacientes da maternidade da Encruzilhada. “Nós temos uma clientela normalmente de baixa renda, com pouca informação. Só procura informação a respeito da zika e dos males que o mosquito provoca quando engravidam.  A maioria do nosso público é jovem, meninas com menos de 20 anos. Elas chegam aqui amedrontadas, com pouca informação sobre como lidar com aquela situação, porque para elas é tudo muito novo. E agora mais essa problemática do vírus com a probabilidade do bebê nascer com sequelas.”, relata a técnica de enfermagem Vilma Martins.

Planejamento e direitos reprodutivos

Os riscos da epidemia e o desconhecimento sobre os reais efeitos da Síndrome Congênita do Zika levaram o Ministério da Saúde, e em seguida a Organização Mundial da Saúde, a recomendarem que as mulheres adiassem os planos de engravidar. A recomendação acendeu o debate acerca do planejamento familiar e dos direitos relacionados à reprodução e à sexualidade.

Para a representante do Fundo de População das Nações Unidas, Fernanda Lopes, a crise trouxe uma oportunidade de falar sobre os direitos reprodutivos e planejamento familiar.  “A epidemia do vírus Zika revela primeiro que os direitos das mulheres não são considerados como direitos de primeiro plano, em especial o direito em decidir por uma gravidez nesse momento, dentro desse contexto de emergência sanitária, em especial, o direito de planejar de forma voluntária, sem coerção, sem discriminação, sem violência a sua vida reprodutiva” defende Fernanda.

A decisão de engravidar ou não e quantos filhos ter é um direito previsto na Constituição Federal. O artigo 226 diz que o casal tem liberdade de planejar sua vida familiar e reprodutiva e o Estado deve garantir os recursos para exercício desse direito. Em 1990, o Brasil regulamentou essa questão com a edição da Lei do Planejamento Familiar que, entre outros pontos, inclui o direito à esterilização voluntária. Apesar das políticas, a gravidez não planejada é uma realidade no Brasil: segundo o Inquérito Nacional sobre o Parto e o Nascimento, 30% das mães entrevistadas não queriam engravidar.

A recomendação para adiar ou planejar a gravidez esbarra em outro direito: o de acesso aos métodos contraceptivos, principalmente entre a população que está mais vulnerável à epidemia. A Pesquisa Nacional sobre Acesso, Utilização e Promoção do Uso Racional de Medicamentos no Brasil (PNAUM 2014) revela que 89,4% das mulheres não grávidas tinham acesso a contraceptivos orais e injetáveis, em serviços públicos ou privados de saúde. Entre as jovens de 13 a 19 anos, 13,2% não tinham acesso. As regiões Centro-Oeste e Nordeste apresentaram as maiores proporções de acesso nulo aos métodos, 15% e 10,4%, respectivamente.

As Unidades Básicas de Saúde deveriam ter todos os métodos contraceptivos disponibilizados para a população. Mas, na prática, há dificuldades para atender toda a demanda. A farmácia popular da maternidade do Cisam, no Recife, por exemplo, mantém o estoque com as doações que recebe de laboratórios farmacêuticos e as remessas não são constantes. Os postos de saúde passam por problemas semelhantes.

Paraíba – Em João Pessoa (PB), uma das unidades de saúde da família oferece todos os métodos contraceptivos, mas os que são mais utilizados, pílula combinada e injetável, acabam logo. A remessa que deve ser enviada anualmente pelo Ministério da Saúde para municípios acima de 500 mil habitantes não chega no prazo.

A coordenadora de Saúde da Mulher e da Rede Cegonha de João Pessoa, Tanea Lucena, reforça que a oferta de todos os métodos é essencial para o trabalho de planejamento familiar, principalmente entre jovens e adolescentes.“Eu sempre digo que tudo começa no planejamento da vida sexual e reprodutiva. Quando a gente fala no planejamento da vida sexual e reprodutiva são mulheres e homens, não tem como eles ficarem de fora. Porque a gente entende que tendo acesso na unidade de saúde, com o aconselhamento correto, com atividades educativas, isso vai reduzir bastante a questão não só das DST’s, mas de gravidez indesejada. Sabemos que hoje alguns problemas de saúde que acometem o bebê podem ser evitados por meio das consultas. Ela chega na unidade de saúde e diz que quer engravidar daqui a dois ou três meses. A partir dali ela começa a fazer uso de alguns medicamentos que previnem vários problemas neurológicos. A gente sabe que uma grande parte dos nascidos, em quase todos os municípios, são de gravidez que não foi planejada”, afirma Tanea.

Em nota, o Ministério da Saúde respondeu que “apoia e promove ações de saúde sexual e reprodutiva, por meio da disponibilização de orientações, informações e métodos contraceptivos, sempre com respeito à autonomia e ao direito de exercer a sexualidade e a reprodução, livre de discriminação, imposição e violência.” A nota diz ainda que, de 2011 a 2015, o ministério distribuiu em todo o país 2,4 bilhões de preservativos masculinos e femininos e investiu, no mesmo período, R$ 160,6 milhões na aquisição de diferentes métodos. No caso do estado da Paraíba, o ministério alega que foram enviados em 2015 e no primeiro semestre de 2016, mais de 400 mil contraceptivos, entre ampolas injetáveis, cartelas de pílulas e o dispositivo intrauterino (DIU).

Considerando a possibilidade de transmissão sexual do vírus Zika e outras doenças, o ministério orienta que “deve haver envolvimento e corresponsabilização de homens adultos, adolescentes e jovens na escolha e no uso do método e na dupla proteção” e recomenda, em especial às gestantes e seus parceiros, a utilização de preservativos masculinos ou femininos em todas as relações sexuais (oral, anal e vaginal).

Agência Brasil

 

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Gravidez aumenta risco de AVC em jovens, não em mais velhas, diz pesquisa

GrávidaOs médicos vêm alertando há muito tempo as mulheres de que a gravidez tardia aumenta a probabilidade de acidente vascular cerebral (AVC), mas um estudo publicado nesta segunda-feira sugeriu que, na verdade, apenas as mulheres jovens enfrentam esse risco.

As conclusões, publicadas na revista científica Journal of the American Medical Association (Jama) Neurology compararam as taxas de incidência de AVC, também chamado de derrame cerebral, entre as mulheres grávidas e as não grávidas de diferentes faixas etárias.

Estudos anteriores tinham se concentrado na comparação das taxas de AVC entre as mulheres grávidas de diferentes idades – concluindo que a doença era mais comum entre as mulheres mais velhas -, mas não tinham incluído grupos de controle de mulheres não-grávidas nas diferentes faixas etárias para comparação.

“Apesar do acidente vascular cerebral ser um evento raro em mulheres jovens, 18% de todos os acidentes vasculares cerebrais em mulheres com menos de 35 anos foram associados com a gravidez”, disse o estudo liderado por Eliza Miller, da Universidade de Columbia.

“Em contraste, entre as mulheres mais velhas em idade fértil, 1,4% dos acidentes vasculares cerebrais estavam associados com a gravidez”, acrescentou.

As conclusões foram baseadas em dados de mulheres internadas devido a derrames cerebrais no estado de Nova York de 2003 a 2012.

Das mais de 19.000 mulheres admitidas por AVC durante essa década, pouco mais de 4% estavam grávidas ou tinham dado à luz nas últimas seis semanas.

Mulheres com 24 anos ou menos tinham mais que o dobro de risco de sofrer um acidente vascular cerebral na gravidez ou no período de seis semanas após o parto (14 AVCs por 100.000 mulheres) do que as mulheres não grávidas da mesma faixa etária (seis AVCs por 100.000 mulheres).

Entre as mulheres com entre 25 e 34 anos, o derrame cerebral associado à gravidez ocorreu em uma taxa de 21,2 por 100.000 mulheres grávidas, em comparação com 13,5 por 100.000 entre as mulheres não grávidas.

Os derrames eram mais comuns entre as mulheres com idades entre 35 a 44, mas, surpreendentemente, não houve praticamente nenhuma diferença na taxa de incidência de AVC entre as mulheres grávidas (33 por 100.000) e as não grávidas (31 por 100.000).

Na faixa etária seguinte, de 45 a 55, as taxas de AVC foram muito mais elevadas entre as mulheres não-grávidas (74 por 100.000) do que entre as mulheres grávidas (47 por 100.000).

“Embora as mulheres grávidas mais velhas tenham tido maiores taxas de acidente vascular cerebral na gravidez do que as mulheres grávidas mais jovens, o risco delas sofrerem um AVC foi semelhante ao das mulheres da mesma idade que não estavam grávidas”, disse o estudo.

“Mas em mulheres com menos de 35 anos, a gravidez aumenta o risco de acidente vascular cerebral, que mais do que dobra no grupo mais jovem”, acrescentou.

Mais pesquisas são necessárias para entender por que a gravidez aumenta o risco de derrame em mulheres jovens, disseram os pesquisadores.

“Embora as mulheres mais velhas tenham um risco maior de apresentar muitas complicações na gravidez, o risco maior de acidente vascular cerebral pode não ser um deles”, disse o estudo.

Uol

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Veja os perigos ao ingerir álcool na gravidez

gravidaPesquisa realizada pela Sociedade de Pediatria de São Paulo aponta que 22,7% dos médicos que acompanham o pré-natal de mulheres grávidas desconhecem os perigos da ingestão de álcool nesse período. Esses médicos disseram recomendar até uma dose de vinho às suas pacientes.

Cláudio Barsanti, presidente da Sociedade de Pediatria de São Paulo, esclarece que não há níveis seguros para o consumo. “Qualquer dose de álcool, em qualquer fase da gestação, é extremamente prejudicial, pode levar a alterações que não tem mais cura”, disse.

Para o estudo, foram ouvidos 1.115 médicos pré-natalistas em São Paulo e no Rio de Janeiro. Segundo o estudo, 44,8% das pacientes sequer informam ao médico se consomem ou não bebidas alcoolicas.

De acordo com Cláudio, a ingestão de álcool na gravidez pode levar à Síndrome Alcoolica Fetal, responsável por má formação do feto, com efeitos a longo prazo. “O vinho em pequenas doses teria um efeito protetor cardiovascular, essa informação está certa. Só que não precisa consumir o vinho durante a gestação. Na balança do custo-benefício, melhor não utilizar álcool durante a gestação”, disse.

A médica pediatra neonatologista Conceição Aparecida de Matos Segre explica que, quando a mulher ingere a bebida, o álcool cai diretamente na corrente circulatória do feto e se acumula no líquido amniótico. “Fica com um verdadeiro reservatório de álcool, que o bebê fica ingerindo, e que demora muito mais para eliminar”, disse.

O bebê tem o sistema nervoso central afetado e a mulher pode até sofrer aborto. Quando nascem, os bebês podem apresentar má formação no rosto e desenvolver problemas à medida que crescem, como retardo mental, dificuldades de aprendizagem, hiperatividade e problemas motores.

Como médica, Aparecida já presenciou muitos pacientes com a síndrome. “O primeiro caso que eu vi na minha vida, em 1978, eu nem sabia o que era a síndrome. Nasceu o bebezinho com um rostinho meio diferente. A equipe achou esquisito, era um bebê muito irritado, chorava muito, tinha tremores. Fomos estudar e descobrimos que, em 1973, nos Estados Unidos, dois autores caracterizaram essa síndrome”, conta.

Com Agência Brasil

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Como comunicar a gravidez no local de trabalho

(Crédito: Fotolia)
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Comunicar a gravidez no local de trabalho não deveria ser motivo para insegurança ou apreensão entre as mulheres. Infelizmente, alguns gestores mudam de comportamento com a funcionária depois que ela comunica que está grávida.

Foi isso o que aconteceu com a diretora jurídica P.E., 35 anos, mãe de duas meninas _uma de 3 e outra de 6 anos. Ela foi transferida de um projeto de destaque em uma multinacional assim que avisou a chefia sobre sua gestação.

Segundo ela, o trabalho dos seus sonhos foi parar nas mãos de um colega do sexo masculino. O projeto foi premiado, o colega ficou com todos os créditos e ela não recebeu nenhum reconhecimento pelo trabalho.

“Fiquei frustrada pelo fato de o projeto ser transferido para um colega que tinha acabado de entrar na empresa pelo simples fato de eu estar grávida”, diz P., que pediu para não se identificar.

“Fiquei com sensação ruim, de algo que foi tirado de mim. Entendo que eu sairia de licença, mas poderiam ter reconhecido minha participação de alguma forma. Foi meio como se fosse uma punição por eu ter ficado grávida, por ficar de licença.”

O relacionamento com alguns colegas também mudou. “Além de tirarem a minha posição naquele trabalho, ainda fiquei com medo de perder o espaço que levei anos para conquistar quando retornasse da licença-maternidade”, relata a advogada.

A executiva ainda ficou mais alguns anos nessa empresa antes de trocar de emprego. Quando  ficou grávida da segunda filha, fazia seis meses que ela havia feito a mudança de companhia.

“Fiquei muito nervosa, tinha acabado de entrar na empresa. Fiquei alguns dias sem dormir pensando em como ia contar”, diz a advogada.

Ela tinha dois chefes, um brasileiro e um americano. “Com o brasileiro foi tranquilo. Com o americano, deu pra sentir que ele não gostou. Senti cinismo e hostilidade na sua voz. É uma coisa muito velada, nunca é escancarada. Mas ele não foi bobo de falar nada, pois sabe que não pode fazer discriminação.”

Para a advogada, o principal problema é a forma como as empresas diferenciam homens de mulheres quando o assunto é família.

“O mundo do trabalho é injusto e cruel para as mulheres. As mães sofrem uma pressão que os homens não sentem. A mulher fica grávida, mas o filho  e as responsabilidades são dos dois. Falta as empresas se conscientizarem e tratarem os dois a mesma forma. A mulher avisa o chefe que está grávida e recebe uma cara de desânimo. O homem fala que vai ser pai e todo mundo fica feliz.”

Apesar da implicância do chefe americano, P. não perdeu o emprego. Mas afirma que no mundo ideal ela não deveria ter ficado noites sem dormir com medo de dar a notícia da gravidez aos chefes.

“Eu não precisava ter sofrido tanto. Hoje não perderia nenhuma noite de sono com essa preocupação. Mas também não me imagino com uma carreira executiva em uma multinacional com três filhos. Essa é uma preocupação que os homens não têm”, afirma ela.

Como dar a notícia da gravidez ao chefe então? A analista comportamental e coach Tayná Leite diz que neste momento, menos é mais. “Basta um comunicado simples: ‘Estou grávida, esta é a previsão de parto’ e basta.”

Segundo ela, não existe um momento ideal para fazer o anúncio –o que importa é que aconteça quando a gestante se sentir confortável para compartilhar a notícia.

Se a funcionária ainda não estiver grávida, mas tiver tomado a decisão de engravidar, não é necessário antecipar o desejo de aumentar a família para os colegas do escritório.

“Além de ser muito pessoal, tentar engravidar não é sinônimo de conseguir”, aconselha. “Além disso, a mera informação de estar com a intenção de engravidar já pode trazer prejuízos para a profissional, que muitas vezes pode ser excluída de projetos e desconsiderada para promoções, sendo duplamente penalizada.”

Para quem chefia uma mulher grávida, Tayna recomenda ter compreensão “A gravidez de uma mulher é um evento ainda erroneamente tido como individual –como se fosse só dela a responsabilidade por aquela crianç – e isso dificulta muito o jogo”, conclui a analista comportamental.