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Comercial de O Boticário com casais gays gera polêmica e chega ao Conar

casais-boticarioA campanha de Dia dos Namorados do Boticário que mostra diferentes tipos de casais, heterossexuais e homossexuais, trocando presentes, virou alvo de protestos e ameaça de boicote à marca nas redes sociais e até de denúncia ao Conar (Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária).

O órgão informou nesta terça-feira (2) que abriu um processo para julgar a propaganda após receber mais de 20 reclamações de consumidores que consideraram a peça “desrespeitosa à sociedade e à família”. Ainda não há data para o julgamento.

Procurada pelo G1, O Boticário informou que “não recebeu, até o momento, nenhuma notificação do Conar (Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária), em referência à campanha “Casais” para o Dia dos Namorados”.

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A página da marca de cosméticos no Facebook também recebeu uma enxurrada de manifestações, incluindo mensagens de teor homofóbico, mas também muitos elogios à propaganda.

No YouTube, acabou se instalando uma espécie de “competição” para ver se o comercial ganhava mais aprovações ou reprovações. Na tarde desta terça-feira, por volta das 17h, os “likes” ultrapassaram os “dislikes”, com número de 172.833 contra 149.622. Assista ao vídeo

Vários internautas chegaram também a registrar seus protestos no Reclame Aqui, site de reclamações sobre atendimento compra e venda de produtos e serviço.

“O Boticário perdeu a noção da realidade, empurrando essa propaganda que desrespeita a família brasileira. Não tenho preconceito mas acho que a propaganda á inapropriada para a TV aberta, a partir de hoje não compro mais nem um só sabonete lá e eu era cliente”, escreveu um consumidor.

Segundo o Reclame Aqui, desde o dia 25 de maio, quando o vídeo foi lançado, até o dia 1º de junho, foram 90 reclamações abertas, sendo 84 delas contra e 6 a favor da propaganda.

‘Diversidade do amor’
A marca anunciou o lançamento do comercial como uma defesa da “diversidade do amor”, “além das convenções”.

Em nota enviada ao Reclame Aqui, o Boticário reforçou o seu posicionamento: “O Boticário acredita na beleza das relações, presente em toda sua comunicação. A proposta da campanha “Casais”, que estreou em TV aberta no dia 24 de maio, é abordar, com respeito e sensibilidade, a ressonância atual sobre as mais diferentes formas de amor – independentemente de idade, raça, gênero ou orientação sexual – representadas pelo prazer em presentear a pessoa amada no Dia dos Namorados. O Boticário reitera, ainda, que valoriza a tolerância e respeita a diversidade de escolhas e pontos de vista”. O posicionamento foi reiterado em nota enviada ao G1 nesta terça.

O Conar informou, por meio da sua assessoria de imprensa, que a abertura do processo para julgar o comercial não impede que a propaganda continue a ser veiculada. O órgão costuma ser cauteloso em casos envolvendo questões morais e o código de autorregulamentação publicitária veda qualquer tipo de preconceito. A previsão é que o caso seja julgado pelo conselho de ética do Conar em até 45 dias.

Outro caso
Em abril, o bombom Sonho de Valsa também trouxe um novo ponto de vista sobre o amor em campanha que entrou em rede nacional. Com o mote ‘Pense Menos, Ame Mais’, a propaganda mostrou casais de diversos tipos em beijos apaixonado, enquanto o narrador levanta hipóteses sobre seus pensamentos.

No filme de 60 segundos são mostrados um casal de idosos, um branco e uma negra, uma gestante e seu marido, um homem em uma cadeira de rodas e uma mulher sentada em seu colo e também um casal de homossexuais do sexo feminino.

Segundo o Conar, não chegaram reclamações ao órgão contra o comercial.

G1

Metade da população aceita direitos de gays, mas não fora do ‘armário’

-gay-homossexualÉ o famoso “não tenho nada contra, mas não quero perto de mim”. Na pesquisa sobre tolerância social à violência contra mulheres, realizada pelo Sistema de Indicadores de Percepção Social (SIPS), do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada), metade dos 3.810 entrevistados pelo instituto (50,1%) afirma que casais de pessoas do mesmo sexo devem ter os mesmos direitos de outros casais – contra 40% dos que veem a ampliação desses direitos como inaceitáveis.

Quando a afirmação é mais incisiva, no entanto, a questão muda de figura. Para a maioria da população (52%), o casamento de homem com homem ou de mulher com mulher deve ser proibido no Brasil. Para 60%, incomoda ver dois homens, ou duas mulheres, se beijando na boca em público (44,9% dizem concordar “totalmente” com a afirmação).

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“É notável o avanço da aceitação do princípio da igualdade de direitos de casais heterossexuais e homossexuais”, aponta o estudo. No entanto, há uma tendência em se observar um nível mais alto de intolerância quando o teste recai sobre situações concretas, como a explicitação de uma relação entre gays em público.

Sobre esta questão, aponta a pesquisa, os jovens apresentam uma tolerância maior à homossexualidade. Os idosos mostram-se mais intolerantes. A intolerância também é maior entre religiosos. A maioria dos católicos, por exemplo, diz não aceitar a ideia de casamento entre pessoas do mesmo sexo. Já os evangélicos são mais intolerantes em relação à homossexualidade.

Carta Capital

 

Para alertar jovens gays sobre aids, governo vai utilizar redes sociais

bandeira-gayA intensificação das campanhas de prevenção da aids nas redes sociais e em aplicativos de encontros para celulares será a estratégia do Ministério da Saúde para reverter a tendência de aumento dos casos da doença entre jovens do sexo masculino.

A informação foi dada neste sábado (6) pelo secretário de Vigilância em Saúde do Ministério da Saúde, Jarbas Barbosa, que participou, no Rio de Janeiro, juntamente com o ministro Arthur Chioro, do Dia D de mobilização contra a dengue e a febre chikungunya.

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“Temos que agir de forma contundente, principalmente junto à população de jovens de 15 a 24 anos, do sexo masculino, particularmente os jovens gays, porque entre eles a velocidade de transmissão do HIV [vírus da imunodeficiência humana] é muito maior do que entre a população em geral”, disse o secretário. “São muitas as explicações para esse aumento, mas independente das causas, a realidade é que tivemos um aumento de 68% nos casos entre meninos de 15 a 24 anos, enquanto que entre as meninas a redução foi de 12%, no período de uma década”, destacou Jarbas Barbosa.

De acordo com dados divulgados pelo ministério, por ocasião do Dia Mundial de Combate à Aids (1º de dezembro), entre os jovens dessa faixa de idade a incidência tem aumentado, passando de 9,6 casos por 100 mil habitantes, em 2004, para 12,7 casos por 100 mil habitantes em 2013. Ao todo, 4.414 novos jovens foram detectados com o vírus em 2013, enquanto em 2004 eram 3.453.

Para o secretário, além de alertar os jovens gays para a prática do sexo seguro, com o uso do preservativo, é fundamental ressaltar a importância do teste do HIV, para que o portador assintomático comece a tomar a medicação gratuita, fornecida pelo Sistema Único de Saúde (SUS).

“O tratamento precoce também serve como prevenção, fazendo com que a gente tenha cada vez menos [casos] de pessoas que não sabem que são portadoras do vírus da aids, e que, por isso, estão transmitindo para outras pessoas”, disse.

Segundo Jarbas Barbosa, atualmente 60 organizações não governamentais, parceiras do ministério, fazem mais de mil testes rápidos de HIV por mês nas populações mais vulneráveis, na porta de bares e boates gays e nas calçadas onde atuam os profissionais do sexo, sejam travestis, homens ou mulheres. Ao longo do ano, tanto os testes como a campanha nas redes sociais serão intensificados por ocasião de festas populares, como o carnaval.

Fonte: Agência Brasil

Pastor sugere a execução de gays por um ‘Natal livre de Aids’

pastor-aidsA declaração de um pastor evangélico norte-americano do estado do Arizona durante uma pregação para fieis gerou enorme polêmica. De acordo com o religioso, “o mundo pode se livrar da AIDS até o Natal se todos os gays forem executados”. O sermão de Steven Anderson foi feito no último dia 30 de novembro.

Argumentando que membros da comunidade LGBT são “portadores de diversas doenças por causa do julgamento de Deus”, o religioso defendeu que homossexuais e bissexuais integram a mesma categoria de pecadores e, segundo a Bíblia, todos são considerados sodomitas. As informações são do Huffington Post.

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“Se um homem se deitar com outro homem, como se fosse com mulher, ambos terão praticado abominação; certamente serão mortos, o seu sangue será sobre eles”, disse o pastor citando Levítico 18:22.

“E isso, meu amigo, é a cura para Aids. Está ali mesmo na Bíblia o tempo todo, e eles gastam bilhões de dólares em pesquisa e testes. É curável – ali mesmo. Porque se você executasse os homossexuais como Deus recomenda, você não teria a Aids correndo solta”, destacou.

Outras polêmicas

Esta não é a primeira vez que o pastor Anderson – que, segundo o seu website, não possui nenhuma formação acadêmica mas tem 140 capítulos inteiros da Bíblia decorados na cabeça – chama atenção pelo fundamentalismo. No início do ano, o pastor condenou o divórcio e disse que quem se casa mais de uma vez está cometendo adultério.

O religioso também defende a tese de que mulheres não podem se manifestar nas igrejas. “Elas precisam ficar em silêncio”.

Anderson é acusado de ser fundamentalista e disseminador de ódio entre os fieis.

Pragmatismo Político

Relator de comissão propõe veto à adoção por casais gays

Foto: BBCBrasil.com
Foto: BBCBrasil.com

O deputado federal Ronaldo Fonseca (PROS-DF) é o relator do comitê que analisa no Congresso o polêmico Estatuto da Família, que define “família” no país como união entre homem e mulher e é visto por ativistas LGBT como discriminatório.

Em seu perfil no Twitter, ele se identifica como advogado, presidente de seu partido no Distrito Federal, presidente da Assembleia de Deus de Taguatinga e coordenador da bancada da Assembleia de Deus na Câmara.

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O parlamentar, que cumpre seu primeiro mandato na Câmara, foi eleito relator pelos 24 deputados da comissão que analisa o projeto de lei que institui o Estatuto da Família. Ele redige o parecer final que será submetido à votação dentro da própria comissão.

O estatuto prevê “políticas públicas para proteger a família” e, em um de seus artigos, define esta como sendo exclusivamente a união entre um homem e uma mulher.

A opinião do deputado será aceita ou rejeitada pelos outros membros da comissão.

“Apresentei o relatório na Comissão Especial do Estatuto da Família”, disse o deputado no Twitter. “Meu voto está causando estresses. Por que será?”

Fonseca declarou-se a favor do projeto, criticado como preconceituoso por movimentos de direitos LGBT e outros deputados. Mas não foi só isso que gerou críticas.

Ele também sugeriu a inclusão de um novo artigo, que modifica o Estatuto da Criança e do Adolescente e restringe a adoção a casais heterossexuais ou solteiros, algo não previsto pelo texto original.

Em entrevista à BBC Brasil, o deputado diz que seu voto é “moderno” e corrige um “equívoco”do Supremo Tribunal. A seguir, ele explica por quê:

BBC Brasil – O senhor diz no parecer que o Estatuto da Família busca dar luz a um momento “tenebroso” no conceito de família. Por quê?
Ronaldo Fonseca – Por conta da interpretação que o Supremo Tribunal Federal fez do artigo 226 da Constituição Federal. O conceito de família estava claro neste artigo, que diz que a família é a base da sociedade e ela é composta pela união entre um homem e uma mulher ou qualquer dos pais e seus filhos. Mas o STF fez uma interpretação do Código Civil e criou a família homoafetiva. Isso bagunçou tudo e gerou insegurança jurídica.

Deu um direito só aos homossexuais e não às outras famílias afetivas. Por exemplo, se um irmão que cuida de outro morrer, o que fica não tem direito a pensão. Por quê? Eles não formam uma família afetiva? Não é possível dar um privilégio apenas aos homossexuais. O Estatuto é necessário para dar clareza a este conceito.

BBC Brasil – Por que casais homossexuais não podem ser considerados famílias?
Ronaldo Fonseca – Primeiro, não é casal, é par, né? Além disso, não há problema um casal homossexual se designar uma família, mas quando vou criar uma lei para regulamentar e detalhar a proteção especial da Constituição à família, tenho que esclarecer o que faz o Estado ter esse dever. O Estado dá proteção porque é bonzinho. O Estado não faz nada de graça para ninguém. Quando protege, é porque há uma razão – esta razão é a geração de filhos.

Dois homens ou duas mulheres não geram filhos. Pode haver uma dependência econômica ou patrimonial – e o Código Civil já tutela estes direitos. Se querem proteção patrimonial, façam um contrato. Se querem proteção na herança, há o testamento. Mas, quando falamos de direito de família para gozar de uma proteção especial, não tem por que o Estado fazer isso para dois homens ou duas mulheres que querem viver juntos só por causa da sua afetividade ou do sexo. Mas o que o Supremo fez foi criar a família afetiva e disse que isso só vale para os homossexuais.

BBC Brasil – O senhor considera isso uma discriminação?
Ronaldo Fonseca –  Sim. Vou dar um exemplo: uma senhora em Águas Claras era viúva há 13 anos e tinha um único filho que trabalhava para cuidar dela. O menino morreu. Ela entrou com um pedido na Previdência de pensão, que foi negado. Disseram que não havia vínculos. Mas não havia a afetividade?

BBC Brasil – No parecer, o senhor sugere a inclusão de um artigo que impede a adoção de crianças por casais homossexuais. Por quê?
Ronaldo Fonseca –  A questão tinha de ser abordada. Se digo com base na Constituição que um casal homossexual não é juridicamente uma família, como este casal poderia adotar uma criança como uma? Nem teria como colocar na certidão o nome de duas mulheres e dois homens, porque a filiação exige o nome de um pai e de uma mãe. A legislação permite a adoção por solteiros. Mas não é isso que eles querem.

BBC Brasil – Existem casais homossexuais que vivem com crianças. Se só uma destas pessoas adotar e ela vir a falecer, a outra não terá direitos sobre a criança. Isso não gera uma situação complicada?
Ronaldo Fonseca –  Veja bem, são incidentes do mundo jurídico. Casos isolados têm de ser apreciados pela Justiça. Há testemunhas para atestar o vínculo, a proteção que houve. É possível pedir a guarda. Já aconteceu várias vezes, como com a cantora Cássia Eller. Se dois estão cuidando, acho justo que haja esse direito. Mas a lei não pode prever cada caso. Tem de ser genérica. E se de repente a pessoa que ficou não tem condição de cuidar da criança? Ela tem direito a isso só por que vivia na mesma casa?

BBC Brasil – O senhor destaca que a Constituição foi promulgada “sob a proteção de Deus”e que deve ser levada em conta a influência da religião e a vontade da maioria. O que quis dizer?
Ronaldo Fonseca – Estou dizendo que não é a religião que criou a família e que, portanto, meu voto não é religioso. Fiz questão de colocar isso porque as pessoas sempre querem puxar por esse lado. Mas nosso Estado é laico e não ateu. Vivemos num país de cultura judaico-cristã. Tanto que a Constituição diz que nosso arcabouço jurídico está sob a proteção de Deus. Reconhece que existe uma fé da população. Então, como o Estado não vai enxergar o que pensa a maioria? Obviamente, não somos um Talebã. Somos uma democracia, e nela vence quem tem mais força e voto.

BBC Brasil – O senhor compartilha da opinião manifestada por alguns líderes e políticos evangélicos de que a família está ameaçada?
Ronaldo Fonseca – Não uso essa expressão, porque sou advogado e primo pelo contraditório. A família sempre será família, com afeto ou sem. Quantos pais espancam o filho porque não amam? Mas não deixa de ser pai e filho. Família é sociologicamente e biologicamente família. É a instituição mais antiga. Surgiu antes do Estado e da religião. Mas a família está se acomodando, como fez o parágrafo 4º do artigo 226 da Constituição Federal, que prevê a família monoparental. Isso foi uma novidade.

BBC Brasil – O senhor é pastor evangélico. A sua religião teve influência no seu voto?
Ronaldo Fonseca – Não é influência. Tenho formação cristã desde o berço e não fujo disso. Mas não me julgo uma pessoa alienada. Estudei e me preparei. Aliás, sou crítico da religião. Acho que não é uma coisa boa para a sociedade. A religião já cometeu muitos pecados. Basta olharmos para a história para ver o quanto já prejudicou. Mas é óbvio que minha formação me orienta em todas as minhas decisões.

BBC Brasil– O senhor disse que devemos respeitar a opinião da maioria da população. Uma enquete no site da Câmara pergunta quem está de acordo com a definição de família e prevista no Estatuto. Neste momento, o voto contra tem maioria. Isso deve ser levado em conta?’
Ronaldo Fonseca –  Se você acompanhar a votação, vai ver que durante o dia o “sim” prevalece e de noite o “não” passa à frente. É uma enquete na qual é possível votar mais de uma vez, então, é difícil orientar-se por ela. Não pode ser considerada um raio-x da população. Tenho conhecimento, por exemplo, que no movimento LGBT tem um escritório preparado para ficar na internet o tempo todo votando. No entanto, uma pesquisa feita em 2010 indicou que a maioria é contrária a este modelo de família.

BBC Brasil – A qual pesquisa o senhor se refere?
Ronaldo Fonseca –  Não me lembro agora de qual instituto foi. Mas a maioria da população opinou assim. O que a enquete indica é que há uma mobilização em torno da questão. Mostra que a população quer uma resposta sobre o conceito de família. Quero trazer o assunto para o debate. Essas manifestações são muito salutares. A democracia é debate. Alguém perde e alguém ganha.

BBC Brasil– Uma crítica feita ao projeto é de que é homofóbico, como apontaram os deputados federais Erika Kokay e Jean Wyllys. O senhor discorda. Por quê?
Ronaldo Fonseca –  Primeiro, temos que definir o que é homofobia no Brasil. Para militantes LGBT, como Erika Kokay e Jean Wyllys, tudo é homofobia. Eles criaram uma homofobia da homofobia. Ter opinião divergente não é. Para mim, homofobia é quando você não quer conviver com o diferente e age com violência. É o medo do novo, da diferença. Mas apontar uma diferença é parte da democracia.

Por exemplo, Kokay e Wyllys têm um projeto do qual discordo completamente. Ele autoriza uma criança a mudar de sexo e, se os pais discordarem, um juiz pode acatar a vontade da criança. Isso é loucura, mas tenho que respeitar. Não sou homofóbico por pensar diferente. Convivo com homossexuais sem problema. Tenho amigos e familiares que amo e respeito. Defendo seus direitos como cidadãos.

BBC Brasil– Qual é sua posição quanto ao projeto de lei que criminaliza a homofobia?
Ronaldo Fonseca – Da forma como querem, sou contra. Querem criminalizar a opinião. Se querem tipificar a homofobia, tudo bem. Mas, a meu ver, o Código Penal já prevê uma proibição da lesão corporal e injúria. Se alguém espancar um homossexual, vai ser processado. Não podemos ter preconceito contra ninguém. Isso já está na Constituição. É crime.

Mas o que não pode é dois homens estarem se beijando na boca num ambiente de família, eu dizer para eles que ali não é lugar para isso e ser considerado homofóbico. Ou eles virem pra rua fazer sexo naquelas marchas, o policial dizer que não pode fazer sexo ali e ser afastado por homofobia.

BBC Brasil – Foi por isso que o senhor apoiou uma lei que visa garantir a liberdade religiosa?
Ronaldo Fonseca –  Temos que ter claro o que é preconceito. Se um pastor ou um padre diz na igreja que a homossexualidade é pecado, ele teria cometido um crime de homofobia de acordo com a nova lei que tentam aprovar. A Constituição protege a fé. É preciso garantir a liberdade religiosa no Brasil.

BBC Brasil – Há previsão expressa para preconceito por causa de raça, condição social ou gênero. Por que não fazer o mesmo com a orientação sexual?
Ronaldo Fonseca – Porque orientação sexual não é raça. Ninguém escolhe a cor da pele. Isso independe da vontade, de interesses, de influência da sociedade. Com gênero, é a mesma coisa. Mas, no meu entendimento – e a ciência até hoje não provou o contrário -, o homossexual não nasce assim.

BBC Brasil – O senhor acredita que seu parecer será aprovado?
Ronaldo Fonseca – Vou lutar por isso. A maioria dos deputados já conhece minha posição. Tenho que acreditar, porque acho que meu voto é moderno, de vanguarda. É um voto especial.

BBC Brasil – Há quem aponte seu voto como retrocesso, não?
Ronaldo Fonseca – As críticas fazem parte do processo legislativo. O Estatuto não é retrocesso. Tem como base a Constituição. Senão, vamos dizer que a Constituição é um retrocesso. Vamos mudar a Constituição, então?

BBC Brasil – E caso fosse apresentada uma mudança constitucional neste ponto?
Ronaldo Fonseca – Aí vamos para o debate (risos).

Terra

Papa quer debate amplo sobre gays, divórcio e contracepção

papaO papa Francisco pediu nesta segunda-feira aos bispos de todo o mundo reunidos no Vaticano que falem claro e sem rodeios sobre as mudanças vividas pela família católica contemporânea.

Diante dos 253 prelados, entre eles 191 bispos de todos os continentes, o Papa deu início ao primeiro dia de trabalho com um discurso curto e breve no qual garantiu total liberdade a todos os setores da Igreja.

“Falar com liberdade e ouvir com humildade”, resumiu o Papa.

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A hierarquia da Igreja foi convocada no Vaticano para debater temas até agora tabu, como o casamento homossexual, os casais de fato, o divórcio, as mães solteiras e a comunhão para os divorciados que voltam a se casar, entre outras questões.

O papa argentino, de formação jesuíta, também se apresentou como a pessoa que garante a liberdade de expressão a todos os setores, divididos entre conservadores e progressistas.

“Alguns cardeais não se atreveram a dizer coisas por respeito ao Papa… Isso não está certo”, afirmou Francisco, que encoraja uma Igreja mais democrática, em contato com suas bases.

Falem “com tranquilidade e com paz, porque a presença do Papa é garantia para todos de custódia da fé”, acrescentou.
A mudança de método de trabalho, a ideia de abordar abertamente as situações difíceis – como a pressão dos católicos que voltam a se casar para que possam comungar -, irritam os setores mais tradicionalistas.
A “condição geral de base é esta: falar claramente. Que ninguém diga que isso não pode ser feito”, disse o pontífice com seu estilo direto.

Dois sínodos sobre a família

Por duas semanas, até 19 de outubro, a Igreja debaterá o modelo de catolicismo que propõe diante da evolução vivida pela família no início do século XXI.

O clima na sala era amigável, apesar das tensões da véspera entre vários cardeais pela publicação de livros e entrevistas contrários ou a favor de conceder a comunhão aos divorciados que voltam a se casar.
A realização de dois sínodos, já que há um programado para 2015, também é uma forma de consulta interna inédita.
“O Papa quer, acima de tudo, ouvir e entender o que pensa a Igreja, o povo de Deus, sobre a família”, explicou em uma entrevista o cardeal alemão Walter Kasper, que apoia uma abertura aos casais divorciados que voltam a se casar.
Outros temas delicados serão abordados durante o sínodo, como a poligamia na África, o casamento gay, assuntos até agora tabu para a Igreja, que os condenava com total rigor.
Ao término de duas semanas de debates um documento final vai ser elaborado, sendo submetido depois a votação e enviado sucessivamente às dioceses de todo o mundo junto com um questionário.
O fruto deste processo será a base para o sínodo ordinário que será realizado no próximo ano e no qual poderão ser adotadas reformas importantes para a Igreja.
Ao ilustrar à imprensa a mentalidade dos prelados durante o sínodo, o cardeal francês André Vingt-Trois ressaltou que “não se trata de um debate parlamentar”, que a Igreja não é “um regime democrático no qual se vence por maioria” e que o que se tenta é encontrar a vontade comum, um consenso entre ideias, países e necessidades tão diferentes”.
O único pedido concreto feito pelo papa Francisco foi o de abandonar o latim como idioma oficial da Igreja e substitui-lo pelo italiano. Ainda não se sabe a resposta.

Um ano após norma, cartórios de SP têm mais de 700 casamentos gays

Foto: Getty Images
Foto: Getty Images

Os cartórios da cidade de São Paulo registraram 701 uniões entre pessoas do mesmo sexo no 1º ano da norma do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP) que regulamenta o casamento gay, segundo levantamento da Associação dos Registradores de Pessoas Naturais do Estado de São Paulo (Arpen-SP). Os números foram divulgados nesta sexta-feira (28).

Antes de a norma começar a valer, em 1º de março de 2013, alguns processos de casamento gay em São Paulo precisavam ser submetidos ao juiz corregedor do cartório. Caso aprovada, a união era realizada. Muitos casais precisaram recorrer ao TJ-SP. Agora, a concordância do magistrado não é mais necessária, assim como ocorre num casamento entre homem e mulher.

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O balanço da Arpen mostra que o mês de outubro foi o preferido para casamentos gays nos 58 cartórios da capital paulista, com 90 celebrações. Em novembro, houve 80 casamentos, seguido de maio (73), agosto (71) e abril (57).
O cartório que mais realizou casamentos gays neste ano foi o de Registro Civil de Cerqueira César, na região central de São Paulo, com 41 celebrações. Bela Vista (38), Tucuruvi (35), Santa Cecília (30) e Saúde (25) aparecem na sequência entre os cartórios da capital paulista com mais uniões homossexuais.

A pessoa que, sem motivo aparente, não conseguir registrar o casamento em qualquer um dos 832 cartórios espalhados pelo estado pode fazer uma denúncia à Corregedoria Geral da Justiça.

G1

‘Justiceiros’ invadem casas, agridem e entregam gays à polícia na Nigéria, diz ONG

gays-nigeriaAtivistas de direitos humanos informaram neste sábado (15) que um grupo de 40 homens armados com paus e pedras agrediu 14 jovens homossexuais e entregou quatro deles à polícia para que fossem presos pela nova lei que criminaliza contra as relações entre pessoas do mesmo sexo.

A nova medida, aprovada em janeiro, penaliza as relações homossexuais com até 14 anos de prisão. A lei também proíbe as manifestações e as reuniões de ativistas pelos direitos de gays, lésbicas, bissexuais, transgêneros e transexuais.

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Segundo Ifeanyi Orazulike, do Centro Internacional de Defesa pelo Direito à Saúde, os homens saíram durante a madrugada de quinta e invadiram casas de uma favela da capital Abuja. Moradores da região ouvidos pelo ativista disseram que eles “queriam limpar o bairro” com a retirada dos gays.

Eles fariam parte de um grupo de “justiceiros”, que costuma agredir ou matar quem comete delitos como furto e roubo.

Os homens levaram pelo menos quatro das vítimas para postos da polícia, onde disseram terem recebido chutes e socos de policiais, enquanto ouviam palavras pejorativas e ameaças de prisão. Alguns dos agredidos foram ameaçados de morte por policiais e “justiceiros” e tiveram as casas pichadas.

Os quatro enviados à polícia foram liberados na noite de quinta por falta de provas de que eles seriam gays. Questionado, o vice-chefe da polícia de Abuja, Altine Daniel, afirmou que não tinha informações sobre o assunto.

A nova lei provocou o aumento do número de prisões de homossexuais na Nigéria. Em janeiro, pelo menos 50 pessoas foram presas em quatro Estados nigerianos acusadas de ter relações com pessoas do mesmo sexo, a maioria trazida por grupos de moradores “justiceiros”.

Embora o país seja dividido entre muçulmanos e cristãos, ambos os lados concordam com a punição aos homossexuais. A medida foi duramente criticada pela União Europeia, os Estados Unidos e organizações de direitos humanos.

Folha de São Paulo

Deputados da base aliada dizem que governo ‘aninha gays, índios e tudo o que não presta’

Para parlamentares, Gilberto Carvalho comanda 'vigarice' de demarcação de terras indígenas em Brasília
Para parlamentares, Gilberto Carvalho comanda ‘vigarice’ de demarcação de terras indígenas em Brasília

Vídeo publicado no YouTube nesta quarta  (12) mostra dois deputados da base aliada do governo no Congresso conclamando os produtores rurais do país a formar milícias para se defenderem dos povos indígenas que tentarem ocupar suas terras.

Os parlamentares criticam ainda o ministro da Secretaria-Geral da Presidência da República, Gilberto Carvalho, e seu assessor, Paulo Maldos, por aninharem “tudo o que não presta”, em referência a homossexuais e populações tradicionais do país. O Conselho Indigenista Missionário (Cimi), ligado à Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), também é alvo dos parlamentares. Para eles, a entidade católica não tem nada de cristã e está a serviço de interesses estrangeiros.

As declarações foram feitas pelos deputados Luís Carlos Heinze (PP-RS) e Alceu Moreira (PMDB-RS), membros da Frente Parlamentar Agropecuária, em 29 de novembro do ano passado, durante audiência pública da Comissão de Agricultura da Câmara na localidade de Vicente Dutra (RS), noroeste gaúcho, na divisa com Santa Catarina. Os parlamentares, pessoalmente ou por meio de sua assessoria, confirmaram a veracidade das imagens àRBA. Apenas Heinze quis comentar o teor das declarações.

 

RBA

Casais gays contam como é a vida sexual e afetiva com um parceiro HIV positivo

O Brasil tem um programa de tratamento de infectados pelo HIV que é referência internacional. Mais: o Ministério da Saúde acaba de anunciar que todos os adultos com o vírus passarão a ter direito de receber gratuitamente os medicamentos antirretrovirais, não importando se estejam ou não com o sistema imunológico abalado.

Arquivo pessoal

Andre soube há 13 anos que é soropositivo. Quando descobriu, não conseguiu tocar o parceiro por um mês

 

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Esse acesso fácil a medicamentos, que não curam mas combatem os efeitos nocivos da presença do HIV no organismo, deram mais qualidade de vida aos infectados. E, diferente dos soropositivos da década de 80, os que convivem atualmente com o vírus conseguem trabalhar, estudar e ter uma vida produtiva.

Por outro lado, o avanço no tratamento criou a falsa sensação de que a Aids deixou de ser um problema, que o vírus não traz maiores consequências para quem o contrai. Mas, como se vê nos depoimentos a seguir, lidar com uma doença incurável e debilitante requer cuidados ininterruptos. A vida nunca mais será a mesma.

O atendente André, 39, que prefere não revelar o sobrenome por questões de privacidade, rebate essa impressão com a experiência de quem vive com HIV há 13 anos. “O conceito de algo crônico, que parece totalmente tratável, faz com que as pessoas percam o medo, mas é preciso lembrar que o HIV é algo letal”, alerta ele, lembrando ainda que o soropositivo tem que tomar uma série de medicamentos diariamente, que causam efeitos colaterais.

“O conceito de algo crônico, que parece totalmente tratável, faz com que as pessoas percam o medo, mas é preciso lembrar que o HIV é algo letal.” (André)

Diretor do Departamento de DST/Aids e Hepatites Virais do Ministério da Saúde, Fábio Mesquitafoi categórico ao falar da questão durante a divulgação do último boletim epidemiológico da doença, no início desta semana. “A Aids continua como um problema de saúde no Brasil”, apontou Mesquita.

Para a população LGBT é um problema maior, já que a doença se manifesta com um índice de prevalência bem mais alto. De acordo com dados do boletim epidemiológico, entre homens gays, travestis e transexuais, o número de afetados chega a 10%, contra 0,4% do índice geral. Neste grupo, considerado como prioritário para o Ministério da Saúde, também são incluídos, por questões técnicas, os profissionais do sexo e os usuários de drogas.

Além de André, a reportagem do iGay conversou com outros homossexuais soropositivos ou que têm parceiros nesta condição para entender, sem mitificações, como é conviver com o vírus, e as consequências que ele traz para o cotidiano dos envolvidos, inclusive na vida afetiva.

Riscos e preconceitos

Em 2000, quando descobriu que era HIV positivo, André ficou um mês sem conseguir beijar ou tocar o parceiro que vivia com ele na época. Hoje, em outro relacionamento, o atendente exerce plenamente sua afetividade com o namorado não infectado, mas confessa que ainda tem certos receios. “Usamos preservativos, como todos deveriam usar, aliás. Particularmente, evito também que objetos de uso pessoal, como tesoura de unha e aparelho de barbear, se misturem”, explica.

“A doença pode ser considerada crônica, mas não deixa de ser grave. Você tem de tomar medicações com efeitos diversos e conviver com o preconceito.” (Adriano Silva de Oliveira)

Talvez seja excesso de cuidado. O diretor do Centro de Referência de Tratamento de DST e HIV do Estado da Bahia, Adriano Silva de Oliveira, esclarece que a contaminação por meio de objetos pessoais como estes é mínima. “As chances de transmitir por itens de higiene pessoal são irrisórias”. No entanto, ele alerta quanto aos cuidados necessários para evitar a transmissão.

“A doença pode sim ser considerada crônica, mas não deixa de ser grave. Só o fato de você ter que tomar medicações com efeitos diversos e conviver com o preconceito faz com que ela não seja algo sem riscos”, avalia.

Sorodiscordantes

Os casais como o formado por André e o seu namorado, no qual um dos parceiros é HIV positivo e o outro não, são chamados de sorodiscordantes pelos especialistas. Juntos há seis anos, o assessor administrativo Felipe Gomes, 33, e o arquiteto José Mauricio Lima, 42, vivem esta condição. Felipe descobriu que estava infectado um ano antes de conhecer o companheiro.

“Quando o José me conheceu, ele já sabia da minha sorologia. Como ele é esclarecido em relação ao tema, não tivemos problemas”, conta Felipe. Mas José lembra que eles tiveram que passar por restrições ao iniciar o relacionamento. “No começo de uma relação tudo é muito intenso, o sexo é mais imediato. Foi preciso ter cautela nesse sentido, mas de resto nossa relação é como outra qualquer”, pontua o arquiteto.

“É preciso saber que, sendo soropositivo, você terá de se adequar a uma nova realidade, perceber a existência de uma vulnerabilidade.” (Felipe Gomes)

Felipe diz que o companheiro o ajuda muito nos cuidados com a saúde, sempre o lembrando de comer e tomar os remédios na hora certa. “É preciso saber que, sendo soropositivo, você terá que se adequar a uma nova realidade, perceber a existência de uma vulnerabilidade. Mas isso é algo que todos nós temos. Um amigo da minha idade, por exemplo, faleceu há pouco de infarto”, exemplifica o assessor administrativo.

Arquivo pessoal

Silvana (à esq) esperou cinco anos até que a companheira soropositiva Carina perdesse o medo de se relacionar

Há 20 anos lidando com pacientes soropositivos, Adriano de Oliveira diz que se os devidos cuidados forem tomados um parceiro com HIV não contamina o outro. “Nunca tive um caso no qual um casal sorodiscordante se contaminou”, afirma o especialista.

Cinco anos de espera

A cabeleira Silvana Nelo da Silva, 26, se apaixonou cinco anos atrás pela colega de profissão Carina Regina Teles, 33, sem saber que ela era soropositiva. Quando Carina contou, sua reação não foi negativa. “Sou espiritualizada, e no fundo parece que eu já sabia que ela tinha o vírus. Meu sentimento não mudou, continuei gostando dela”, afirma Silvana,

Elas não tinham tido nada muito sério até então e a relação continuou assim por cinco anos. “Eu tinha muito medo. A Silvana sempre me apoiou, mas eu não conseguia me relacionar mais profundamente. Tinha muito receio de machucar e causar dor nela. Mas ela soube esperar e neste ano eu acabei cedendo”, revela Carina, que há 30 dias vive com Carina numa casa na Zona Leste de São Paulo.

Mesmo assim, Carina confessa que ainda se sente um pouco insegura. “Sempre pergunto para a Silvana se ela não pensa no próprio futuro. Sobre o que ela vai fazer se um dia não puder mais me tocar”. A parceira responde de maneira otimista ao questionamento. “Nosso futuro é criar nossos filhos e ficar juntas até estarmos velhinhas”, projeta.

Além dos dois filhos do primeiro casamento de Carina, de 12 e 15 anos, o casal ainda cria uma filha de cinco meses recém-adotada. Silvana e Carina planejam aumentar a família adotando mais uma menina.

 

 

iG