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João Azevêdo nega rompimento com Ricardo: ‘sou fruto desse projeto’

Nesta quinta-feira (30), o governador João Azevêdo (PSB) voltou a negar que tenha rompido relações com seu antecessor e padrinho político, Ricardo Coutinho (PSB). Havia a especulação que a postura de Azevêdo em relação ao G10 teria incomodado Coutinho, que falou mal do grupo no último domingo, o que teria gerado discórdia com o atual gestor estadual.

“Claro que não existe rompimento, aliás aprendi na política, e com o próprio Ricardo, que não se rompe. Se alguém não estiver satisfeito de estar próximo a mim que faça esse ato, mas da minha parte, nenhuma, até porque eu tenho o maior respeito pelo ex-governador, sei o tamanho que ele tem, da importância política que tem para a Paraíba”, afirmou.

O socialista arrematou lembrando que sua carreira política foi construída em parceria com Coutinho: “sou fruto desse projeto que estamos trabalhando. Essas coisas de rompimento que se tenta colocar, isso é muito mais fantasia do que, efetivamente, realidade”.

Yves Feitosa/Fernando Braz

 

 

Pe Luciano fala da “oração permanente e solidária, mas nunca fruto do egoísmo”, durante celebração na Catedral de Campina  

pe-lucianoO Padre Luciano Guedes da Silva, pároco da Catedral Diocesana de Nossa Senhora da Conceição, no centro de Campina Grande, destacou, durante as celebrações deste domingo (16), a importância da oração para os cristãos. Ele aproveitou o Evangelho de São Lucas para dizer aos fiéis o quão importante é perseverar na oração.

No Evangelho, São Lucas fala de um juiz nada justo, que cede aos apelos de uma viúva para lhe fazer justiça, após esta ter insistido no pedido ao magistrado. No Evangelho, Jesus diz, ao final da história, que se o juiz, injusto, atendeu aos apelos da viúva, imagine Deus em relação à perseverança de seus filhos.

Padre Luciano disse que o Evangelho é exemplo para que os cristãos também perseverem na oração, pedindo com insistência, até que os pedidos sejam aceitos. “Mas Deus vai nos atender não no momento que queremos. Ele atenderá tudo a seu tempo”, destacou o pároco da Catedral.

As Consequências da Oração – Ainda de acordo com Padre Luciano, a oração tem que ser perseverante, mas também feita sempre pensando nas suas consequências em relação aos que vivem ao nosso redor. Segundo o pároco, quando pedimos algo a Deus, temos que fazer uma profunda reflexão sobre as consequências desse nosso pedido.

É que, de acordo com o Padre, é preciso que façamos nossos pedidos imaginando se este pedido, realmente, é bom para nós e também para as pessoas com quem convivemos diariamente, seja no seio das nossas famílias, junto aos amigos, aos vizinhos, aos companheiros de trabalho ou em qualquer outro ambiente.

“Toda oração deve ser solidária, nunca fruto do egoísmo”, destacou Padre Luciano, reforçando que esse desejo deve ser permanente nos cristãos, em suas orações. “Já pensou se Deus atendesse a todos os pedidos que fazemos a Ele diariamente? Com certeza muitas injustiças poderiam ser cometidas, conosco e com os nossos irmãos”, justificou.

Padre Luciano finalizou dizendo que uma das principais características do cristão é a oração perseverante e pediu para que os fiéis nunca desanimem diante de um pedido que ainda não foi atendido. “Certo dia alguém me procurou para dizer que Deus tinha ‘tapado os ouvidos’ para as suas orações e eu sempre digo: ele atenderá de acordo com os critérios Dele e no tempo Dele. Se for bom para nós, Ele atenderá, no tempo certo”.

Pascom – Catedral

 

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Onda de linchamentos: fruto da falha do Estado e da cultura da desigualdade

Espancada e morta por vizinhos na cidade de Guarujá (Estado de São Paulo), a dona de casa Fabiane Maria de Jesus, 33 anos de idade, foi atacada por uma multidão que acreditava no seu envolvimento com sequestro de crianças para a realização de rituais de magia negra. A reação da população foi incentivada pela publicação de um retrato falado de uma mulher no Facebook, o que levou a crer que seria ela a suspeita do crime. Seu caso não é único, ela foi a 20ª pessoa assassinada em uma situação de “justiça com as próprias mãos” este ano no Brasil.

Em fevereiro último, um adolescente, acusado de roubo, foi preso nu a um poste na cidade do Rio de Janeiro com uma trava de bicicleta por um grupo que se autoproclamou “justiceiros”. O caso ganhou espaço na imprensa nacional e nas redes sociais da Internet. Enquanto críticos à violência classificam a situação como “volta à Idade Média”, parte da população do país adotou a ironia “adote um bandido”, para criticar os e as defensores/as de direitos humanos.

Na época do caso do adolescente preso ao poste, a apresentadora Rachel Sheherazade, do Sistema Brasileiro de Televisão (SBT), expressou apoio e incentivo à prática, causando polêmica entre a população. No Facebook, grupos e páginas reunindo os autoproclamados “justiceiros” se proliferam. Uma delas agrega mais de 2 mil seguidores e utiliza uma caveira como marca. “A justiça é a vingança do homem em sociedade, como a vingança é a justiça do homem em estado selvagem”. Esta sentença do filósofo grego Epicuro está estampada no perfil. Ao definir o que é ser “justiceiro” publica: “Não tem muita diplomacia na hora de fazer o certo, costuma fazer isso à queima roupa”.

Nos últimos três meses, pelo menos outras 37 pessoas foram vítimas de linchamento no país. Levantamento realizado pelo Núcleo de Estudos da Violência da Universidade de São Paulo (USP) aponta que casos de roubo e sequestro são os que mais geram essa reação na população. A segunda razão seria o próprio homicídio, provocando resposta dos próprios cidadãos para a sensação de insegurança nas grandes cidades. Os Estados de São Paulo, Bahia e Rio de Janeiro lideram as ocorrências entre os anos de 1980 e 2006 no Brasil, registrando 580, 204 e 180 casos, respectivamente.

Na tentativa de compreender o fenômeno, analistas apontam que o linchamento ataca sempre o mesmo alvo: vítimas de setores de baixo poder aquisitivo, já acometidas pelo abuso policial e pela exclusão das políticas públicas. Seria uma revolta em reação às falhas do Estado, como o mau serviço prestado e o próprio medo da violência, desaguando com veemência em mais agressividade. Outro elemento desse contexto seria a mídia como potencializadora do ímpeto por soluções imediatas por parte da população, que abriria mão de regras sociais e jurídicas.

Em artigo publicado na revista Carta Capital, o deputado Jean Wyllys (Psol), membro da Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara Federal, indica que questões de racismo levariam ao chamado “justiçamento”. Segundo ele, também uma cultura de tortura e um modelo de desenvolvimento fundador de periferias urbanas, implantado pela ditadura militar no Brasil, ainda estariam arraigados na população. Para Wyllys, o Estado estimula a revolta por estar em débito também em educação, saúde, moradia de qualidade, acesso à cultura e à justiça com esse contingente.

“Qualquer um de nós pode ser vítima de linchamento, mas, na prática, as pessoas mais pobres estão mais vulneráveis a ele porque, historicamente, foram alijadas de direitos (…) por discursos que as desqualificam como humanos. (…) Os telejornais e, antes, a mídia impressa desqualificam as populações mais pobres, associando-as à criminalidade e à violência urbana”, acrescenta o parlamentar.

Em entrevista à Adital, Isabel Lima, pesquisadora da ONG Justiça Global, que trabalha com a promoção de direitos humanos, adverte que o Estado tem o dever não só de prover os serviços necessários como de proteger a população dos atos de violência. Um caminho para a superação disso seria o fortalecimento de uma cultura de direitos no Brasil.

Adital – Qual a responsabilidade do Estado num caso de linchamento?

Isabel Lima – Tanto com base no ordenamento jurídico interno como com base nos tratados internacionais de direitos humanos ratificados pelo Brasil, a responsabilidade do Estado num caso de linchamento é o de “proteger” (evitar que o linchamento ocorra, aprovar legislação que penalize essa conduta) e, em não sendo possível evitá-lo, o de investigar, julgar (num julgamento imparcial e independente) e punir os responsáveis pelo cometimento do delito.

AD – “Justiça com as próprias mãos” é parte da cultura brasileira?

IL – Chama a atenção no caso em questão (como de uma forma geral nos casos de linchamento) a argumentação utilizada pelas pessoas para mostrar repúdio à ação: “ela era inocente!”. Como se, no caso da situação contrária ocorrer (ela realmente ter sido a responsável pelos supostos sequestros de crianças para realização de rituais de magia negra), o fato dela ser culpada justificasse o crime.

Neste sentido, vale lembrar que a pena de morte está proibida no Brasil, mas o país está entre os que mais matam seus cidadãos, principalmente por meio da ação da polícia, e também por não conseguir evitar este tipo de ação. Na prática, temos uma pena de morte informal, sem o devido julgamento e defesa, e sendo aplicada de forma paralela ao sistema legal.

As pessoas costumam justificar os justiçamentos com base na sensação de impunidade e ineficiência do sistema de justiça e de segurança pública para assegurar seus direitos. Segurança pública eficiente não significa mais violência e mais punição. O Brasil possui muitas leis penais e é um dos países com maior população carcerária no mundo. Isso não tem resolvido o problema de segurança pública.

Da mesma forma, justiçamento não é justiça (em nenhum momento, Fabiane Maria de Jesus teve a oportunidade de se defender e de provar sua inocência), nem contribui para o seu fortalecimento, pelo contrário. O sistema de segurança pública e de justiça se fortalece com o fortalecimento das suas instituições e não com uma política de vingança/justiça com as próprias mãos.

AD – Como isso pode ser superado?

IL – Pelo fortalecimento de uma cultura de direitos. O direito do cidadão comum a não ser vítima do sequestro de crianças é tão válido quanto o direito de outra cidadã (neste caso, a pessoa linchada) de viver e, no caso de ser acusada de um crime, de poder se defender com acesso a assistência jurídica perante um tribunal independente, que aplica, de maneira imparcial, leis previamente estabelecidas. Alimentar a espiral de violência só resulta em mais violações de direitos e toda a sociedade perde com isso.

 

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