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Ministério da Agricultura interdita dois frigoríficos alvos da Carne Fraca

frigorificosO Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) anunciou nesta segunda-feira (27) a interdição de mais duas unidades frigoríficas alvos da Operação Carne Fraca, o Souza Ramos, em Colombo, e Transmeat, em Balsa Nova, ambos no Paraná.

Os dois frigoríficos estão entre os 21 investigados na operação da Polícia Federal (PF), deflagrada dia 17 de março para apurar suspeitas de irregularidades na produção de carne processada e derivados, bem como na fiscalização do setor.

Outras três unidades já haviam sido interditadas pelo ministério no dia 17. As unidades da Peccin Agro Industrial em Curitiba (PR) e Jaraguá do Sul (SC), onde são produzidos embutidos (mortadela e salsicha), e da BRF (dona das marcas Sadia e Perdigão, entre outras), em Mineiros (GO), onde é feito o abate de frangos.

O ministério não especificou os motivos das novas interdições. O ministro da Agricultura, Blairo Maggi, concederá entrevista coletiva esta tarde para apresentar um balanço da operação.

Agência Brasil

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Rússia embarga importação de carne de 10 frigoríficos brasileiros

frigorificoO serviço veterinário russo Rosselkhoznadzor vai embargar a importação de carne de dez unidades de frigoríficos brasileiros a partir de 9 de junho, incluindo abatedouros de bovinos e suínos da JBS, BRF e Marfrig, informou nesta quarta-feira o órgão do governo russo.

O serviço veterinário disse que sua decisão foi tomada depois de um inspeção em unidades brasileiras em março por fiscais russos, segundo a agência Interfax.

A Rússia foi o segundo maior importador de carne bovina do Brasil em 2014 e o maior comprador de carne suína brasileira. As maiores companhias que sofreram restrições têm condições de redirecionar as exportações para outras unidades ainda habilitadas, segundo associação de exportadores.

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As violações descobertas apresentam um significativo grau de risco, disse o Rosselkhoznadzor em comunicado. As causas dos embargos não foram completamente detalhadas pelo órgão da Rússia, que já tomou medidas semelhantes no passado, ao suspender temporariamente algumas unidades.

Além do embargo às dez unidades, a proibição de importação de produtos de duas fábricas verificadas foi mantida.

O serviço russo enviou às autoridades brasileiras um relato sobre os resultados das inspeções e está aguardando comentários no prazo de dois meses.

Foram oito unidades de abate de bovinos embargadas: três da Marfrig (duas em São Paulo e uma em Mato Grosso do Sul), duas da JBS (em Minas Gerais e Goiás), uma do Frigorífico Silva (RS), uma da Mato Grosso Bovinos (MT) e uma da Nortão Alimentos (MT).

O Brasil, que tem sido nos últimos anos o maior exportador global de carne bovina, ainda tem 28 plantas de bovinos habilitadas pela Rússia, informou a Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carne (Abiec).

Desta forma, não será difícil para as empresas realocar exportações para outras unidades que continuam autorizadas, mantendo os volumes embarcados.

“Não tem problema comercial nenhum… Não posso (exportar) por aqui, vou mandar por ali. Nossa capilaridade é muito grande”, disse à Reuters o presidente da Abiec, Antonio Camardelli.

De suínos, foram embargadas uma unidade da BRF, em Goiás, e uma do Frigoestrela, em São Paulo, segundo listagem no site do Rosselkhoznadzor.

As ações da JBS e Marfrig operavam em queda de 2 e 1 por cento, respectivamente, enquanto as da BRF operavam perto de uma estabilidade, por volta das 12h50.

Reuters

Frigoríficos do NE discutem soluções para melhorar cadeia produtiva de ovinos e caprinos em Juazeiro/BA

Encontro promovido pelo Aprisco Nordeste será realizado nesta quinta (8) e sexta-feira (9), em Juazeiro (BA)

Os principais frigoríficos do Nordeste se reúnem, nesta quinta (8) e sexta-feira (9), em Juazeiro (BA), para discutir e buscar soluções para os principais problemas nas Cadeias Produtivas das carnes de ovinos e caprinos. O evento, organizado pelo projeto Aprisco Nordeste, terá a participação de diversas entidades e empresas com ações focadas na ovinocaprinocultura.  O Aprisco Nordeste é desenvolvido pelo Sebrae  e tem como coordenador o diretor técnico do Sebrae Paraíba, Luis Alberto Amorim.

De acordo com o analista técnico do Aprisco Nordeste, Jucieux Palmeira, o Painel “Limitações, Oportunidades de Negócios e Prioridades nas Cadeias Produtivas das carnes de ovinos e caprinos” tem como principal objetivo encontrar soluções para os gargalos entre os produtores. “Da porteira para fora todo o processo está bem organizado, seguindo as legislações e produtivamente adequado. A questão é da porteira para dentro. É preciso conscientizar os produtores para o melhoramento das carnes, garantindo mais qualidade e excelência”, explicou Jucieux Palmeira.

O analista do projeto Aprisco Nordeste ressaltou o melhoramento genético e o abatimento de animais com até 120 dias como alternativa para aumentar a qualidade da carne. “No final do encontro, será elaborado um documento com soluções para aperfeiçoar o processo produtivo, que será enviado a todos os frigoríficos da região Nordeste. Eles são as principais de pontes de contato com os produtores e são peças fundamentais nessa melhoria”, destacou..

Entre os temas que serão discutidos no evento, estão: “Visão geral do setor da industrialização e transformação de carnes de ovinos e caprinos no Brasil e na Região Nordeste (Cristiane Rabaoli- Diretora Estância Celeiro – MT), “Ações e estratégias do Instituto Nacional de Carnes de Uruguai – INAC- na consolidação e desenvolvimento do marcado de carne ovina” (Engenheiro Agrônomo  Jorge Acosta – Uruguai), “A importância e as vantagens da integração dos produtores no desenvolvimento da carne de ovinos com Identificação Geográfica Protegida ‘CORDEREX’”(Raúl Muñiz Cimas – Espanha), “Um exemplo de integração nacional. ‘Cordeiro Castrolanda’” (Tarcísio Bartmeyer – Cooperativa Castrolanda / Paraná).

Os representantes dos frigoríficos que participarão do evento irão apresentar a situação atual, principais problemas, possibilidades de crescimento, além de sugestões para superar as limitações e potencializar a empresa e o setor como um todo.

Realizado pelo projeto Aprisco Nordeste, com parceria do Sebrae Bahia, o Painel “Limitações, Oportunidades de Negócios e Prioridades nas Cadeias Produtivas das carnes de ovinos e caprinos” deve reunir cerca de 30 dos principais frigoríficos nordestinos. O evento conta com o apoio do Sebrae Nacional, Governo do Estado da Paraíba, Governo do Estado da Bahia, Ministério da Agricultura, da Embrapa Caprinos e de frigoríficos da Bahia.

O que é o projeto Aprisco – O Projeto Aprisco promove ações permanentes de capacitação e estratégias que garantem inserção no mercado e inovação tecnológica nos rebanhos. O programa cria um ambiente favorável a integração regional dos segmentos produtivos da cadeia da caprinovinocultura, de forma associativista, buscando o fortalecimento e desenvolvimento sustentável do setor, através da inserção competitiva no mercado regional e nacional, da inovação tecnológica e da organização da governança regional.

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SEBRAE PARAÍBA

Investigação aponta problemas de saúde e segurança em frigoríficos brasileiros

Trabalho precário nas principais indústrias de carne é tema de grande reportagem da ONG Repórter Brasil

Investigação aponta problemas de saúde e segurança em frigoríficos brasileiros Os índices de traumatismos e transtornos mentais são elevados (Foto: Maurício Farias/Associação Brasileira de Criadores de Zebu)

São Paulo – Quem trabalha em um frigorífico se depara diariamente com uma série de riscos que a maior parte das pessoas sequer imagina. Exposição constante a facas, serras e outros instrumentos cortantes; realização de movimentos repetitivos que podem gerar graves lesões e doenças; pressão psicológica para dar conta do alucinado ritmo de produção; jornadas exaustivas até mesmo aos sábados; ambiente asfixiante e, obviamente, frio – muito frio.

No Brasil, os danos à saúde gerados no abate e no processamento de carnes destoam da média dos demais segmentos econômicos. São elevados os índices de traumatismos, tendinites, queimaduras e até mesmo de transtornos mentais. Para enfrentar tais problemas, é urgente reprojetar tarefas, introduzir pausas e, em alguns casos, diminuir o ritmo das linhas de produção. Medidas que, no entanto, esbarram em resistências de indústrias do setor.

A rotina dos trabalhadores da indústria de abate de aves, suínos e bovinos envolve inúmeros riscos devido ao manuseio de instrumentos cortantes, a pressão por altíssima produtividade e, não raro, jornadas exaustivas em ambientes frios e insalubres.

Produzida pela ONG Repórter Brasil, a investigação Moendo Gente (www.moendogente.org.br) mostra os maiores problemas da indústria dos frigoríficos, um dos principais setores do agronegócio nacional. Atualmente, emprega mais de 750 mil pessoas e, em 2011, chegou a exportar o equivalente a US$ 15,64 bilhões em carnes.

A investigação dá continuidade à pesquisa da Repórter Brasil iniciada para a realização do premiado documentário “Carne Osso – O Trabalho em Frigoríficos“, vencedor de festivais dentro e fora do país.

Problemas de saúde

Na unidade de Rio Verde (GO) da Brazil Foods, segundo levantamento do Ministério Público do Trabalho (MPT), cerca de 90 mil pedidos de afastamento foram registrados entre janeiro de 2009 e setembro de 2011. É como se a cada 10 meses todos os 8 mil empregados do frigorífico tivessem de se ausentar por ao menos uma vez devido a problemas de saúde relacionados ao trabalho.

Os afastamentos por distúrbios osteomusculares (os chamados Dort) foram os mais recorrentes – uma média altíssima de 28 atestados por dia, ou 842 por mês.

Atividade de alto risco

Uma das características do trabalho em frigoríficos é a elevada carga de movimentos repetitivos. Trabalhadores das indústrias de aves desossam, no mínimo, quatro coxas de frangos por minuto. Nessa função, há funcionários que realizam até 120 movimentos diferentes em apenas 60 segundos, enquanto estudos ergonômicos apontam que o limite de ações por minuto deve ficar na faixa de 25 a 33 movimentos por minuto para evitar o aparecimento de doenças osteomusculares.

Fiscalizações feitas pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) e pelo Ministério Público do Trabalho (MPT) vêm constatando prolongamento irregular da jornada de trabalho, com expedientes que chegam a superar 15 horas diárias.

Especialistas em saúde do trabalho afirmam que as lesões por esforços repetitivos têm como um dos fatores facilitadores e agravantes a exposição a baixa temperatura.  Além disso, o trabalho contínuo com facas, serras e outras ferramentas afiadas, aliado a jornadas exaustivas, elevam o risco de acidentes da atividade.

Órgãos governamentais e autoridades competentes estão cientes dos riscos que o trabalho em frigoríficos gera à saúde de seus empregados. Segundo dados oficiais do Ministério da Previdência Social (MPS), quando se comparam os problemas de saúde gerados especificamente pelo abate e processamento de carne com os danos provocados por todos os demais segmentos econômicos brasileiros, o resultado da matemática é assustador.

No abate de bovinos, ocorrem duas vezes mais traumatismos de cabeças e três vezes mais traumatismos de abdômen, ombro e braço do que em outras atividades. O risco de sofrer uma queimadura é seis vezes superior.

No abate de aves, a chance de um trabalhador desenvolver um transtorno de humor, como uma depressão, é 3,41 vezes maior. No abate de aves e suínos, o risco de sofrer uma lesão no punho ou nos plexos nervosos do braço é 743% maior.

Legislação específica para o setor

A legislação trabalhista do Brasil já prevê uma série de medidas que, se devidamente aplicadas, contribuiriam para a proteção da saúde dos empregados do setor de frigoríficos. O artigo 253 da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), por exemplo, determina a realização de intervalos de 20 minutos a cada 1 hora e 40 minutos de trabalho para amenizar os efeitos do frio. Há normas semelhantes para mitigar os problemas gerados pelos movimentos repetitivos. Só que as empresas nem sempre cumprem essas determinações e, por essa razão, vêm sendo acionadas judicialmente pelo Ministério Público do Trabalho (MPT).

Desde 2010, a Secretaria Nacional de Inspeção do Trabalho do Ministério do Trabalho e Emprego (SIT/MTE) vem debatendo com representantes de empresas, trabalhadores e órgãos competentes, como o Ministério Público do Trabalho, o texto de uma Norma Regulamentadora (NR) que vai disciplinar o trabalho em frigoríficos.

Se aprovada, a NR fornecerá detalhes sobre o fornecimento de Equipamentos de Proteção Individual (EPIs) aos trabalhadores; a adequação dos postos de trabalho, levando em conta os instrumentos (facas, serras) e o mobiliário (mesas, esteiras); a velocidade e o ritmo de trabalho, e a concessão de pausas aos empregados. Esse último ponto é o que tem sido objeto de mais controvérsias nas discussões sobre a nova NR, que pode ser aprovada ainda em 2012.

Rede Brasil Atual, com Repórte Brasil