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Forma de preparo do arroz pode reduzir suas calorias em mais de 50%

arrozCientistas do Sri Lanka, Ásia, desenvolveram uma forma simples de cozinhar o arroz que pode reduzir o número de calorias absorvidas pelo corpo em mais de 50%. A mudança na forma de preparo pode potencialmente ajudar a combater as taxas de obesidade e sobrepeso em todo o mundo. Isso porque o arroz é consumido em grandes quantidades em muitos países e uma xícara do grão cozido contem aproximadamente 240 calorias, sendo que a maior parte delas vem na forma de amido, que se transforma em açúcar e depois, muitas vezes, em gordura corporal. O estudo foi apresentado no 249º Encontro e Exposição da Sociedade Americana de Química (ACS).

Como funciona

O amido, que é um componente do arroz, pode ser digestível ou não digestível, a diferença está em como o corpo transforma o alimento em energia. O tipo digestível é rapidamente transformado em glicose e em grandes quantidades pode se transformar em excesso de gordura corporal. Enquanto o não digestível é mais resistente, ou seja, não é metabolizado no intestino delgado, onde os carboidratos normalmente se tornam glicose ou outros tipos de açúcar simples que são absorvidos pela corrente sanguínea.

Os pesquisadores têm conseguido demonstrar que é possível mudar os tipos de amido dos alimentos modificando a forma com que eles são preparados. Com isso, usando uma forma específica de cozimento e esfriamento do arroz é possível reduzir o número de calorias em cerca de 50% ou 60%.

Forma de preparo

Os pesquisadores fizeram os testes em 38 tipos de arroz do Sri Lanka para desenvolver a forma de preparo que aumenta a quantidade de amido não digestível ou resistente. No método, eles adicionam uma colher de chá de óleo de coco em água fervente, depois acrescentaram metade de uma xícara de arroz, que foi cozida por 40 minutos – mas também pode ser cozido por 20 ou 25 minutos, segundo eles observaram. Depois disso o arroz é refrigerado por 12 horas. O procedimento aumentou a quantidade de amido resistente em dez vezes em comparação com o arroz tradicional não fortificado.

Como o cozimento altera a composição do alimento

Neste caso, segundo os autores do estudo, o óleo entra nos grânulos do amido durante o cozimento, mudando a sua arquitetura e tornando-o resistente a ação das enzimas digestivas, o que significa uma menor quantidade de calorias sendo absorvidas pelo corpo. Resfriar o alimento por 12 horas leva a formação de pontes de hidrogênio entre as moléculas de amilose fora dos grãos de arroz, o que também pode transforma-lo em um amido resistente. Tornar a aquecer o arroz para consumo não afeta os níveis de amido resistente presentes.

O próximo passo é completar os estudos com seres humanos para saber quais variedades de arroz podem ser mais adequados para o processo de redução de calorias e quais outros óleos, além do de coco, produzem este efeito.

minhavida

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Incêndio destrói terreno que armazenava material reciclável de forma irregular na Paraíba

Reprodução/Folha do Sertão
Reprodução/Folha do Sertão

Um incêndio em um terreno baldio, utilizado para armazenamento clandestino de materiais recicláveis, localizado as margens da BR-230, na cidade de Sousa, no último sábado (9), por pouco não causou algo grave. Segundo o Corpo de Bombeiros da região, o incêndio foi causado propositalmente, mas não se sabe quem foi o autor.

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De acordo com o tenente Nunes, do Corpo de Bombeiros local, as primeiras chamadas da população para que a guarnição atendesse a ocorrência foram às 11h34. O fogo já havia tomado conta do terreno, que estava cheio de materiais recicláveis. ”Não é a primeira vez que isso acontece nesse local. Tinham garrafas pet, pedaços de cano e muito plástico. Ao lado desse terreno tem um galpão que funciona como armazenamento desses materiais, mas, não sabemos se o dono do galpão tem relação com o incêndio no terreno baldio”, afirmou.

Tenente Nunes comentou sobre as dificuldades enfrentadas pelos bombeiros do sertão com relação ao armazenamento desses materiais de forma irregular. “Não temos legislação na cidade de Sousa sobre este tipo de armazenamento de materiais. Foi feito um relatório, junto com o Coronel Jean, para acionar a prefeitura e interditar o terreno. Isso dificulta o nosso trabalho, já que os incêndios são constantes no local”, concluiu.

 

portalcorreio

FPB forma primeira turma superior em gastronomia do Estado

gastronomia-fpbAcontece hoje a Colação de Grau dos alunos da primeira turma do curso superior em Gastronomia do estado. Os alunos fazem parte da Faculdade Internacional da Paraíba (FPB) e chegam ao final do curso com cerca de 80% dos formandos inseridos no Mercado de Trabalho. Além de Gastronomia, a Colação envolverá os alunos dos outros 16 cursos de Graduação da faculdade. O evento acontece na casa de recepções Palazzio Cristal.

O curso de Gastronomia da FPB existe há dois anos e a partir desta turma, a faculdade passa a inserir uma média de 60 profissionais graduados na área por semestre. “Esta é uma área bastante promissora que cada vez mais vem ganhando espaço em todo o país. Falando de Paraíba, estes formandos serão os únicos no estado a possuir uma graduação na área, já que a UFPB só começou a ofertar o curso recentemente”, disse a coordenadora do curso Ester Carvalho.

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A instituição é a única do estado a pertencer a Rede Laureate International Universities, presente em 29 países, o que traz aos alunos a oportunidade de participar de um programa de intercâmbio exclusivo pagando as mesmas mensalidades praticadas em João Pessoa.

“Além de termos uma qualidade internacional única no estado, temos cursos que ainda não eram ofertados no ensino superior da Paraíba.”, disse o diretor geral da FPB, Clay Mattozo.

Assessoria

“Tenho admiração pela forma de RC governar”, diz gestor após reunião

pref.araçagiO prefeito da cidade de Araçagi, Didi de Braz, declarou na noite desta quarta-feira (9) que tem admiração pela forma do governador governar após reunião com o socialista para discutir obras do Pacto pela Desenvolvimento Social em sua cidade
“Tenho admiração pela forma de Ricardo governar sempre priorizando a população, a coletividade. O engajamento do governador em ajudar o município a resolver os problemas”, ressaltou o gestor.

O prefeito de Araçagi destacou os investimentos do governo do Estado no município e na região a exemplo da adutora Araçagi/Guarabira; a inauguração de uma delegacia de polícia; reforma de escolas; doação de ônibus escolares; construção de uma passagem molhada no sítio Mulunguzinho e a melhoria de estradas na região.

Ainda na noite de ontem, Ricardo Coutinho também recebeu a prefeita de Monte Horebe, Cláudia Aparecida, que apresentou o andamento dos projetos do programa estadual.

“Precisávamos ampliar nossas salas de aula para oferecermos mais vagas. Estamos conseguindo isso graças ao apoio do governo. O Pacto já está possibilitando, junto a nossa política educacional, melhorar os indicadores a exemplo da queda da taxa de analfabetismo, rendimento e evasão escolar. Esse é um caminho a ser seguido”, completou a prefeita.

Ricardo destacou o trabalho desenvolvido pelo Governo da Paraíba na construção da melhoria dos indicadores sociais.

“Nossa determinação é ajudar os municípios dentro do que estiver ao alcance do Estado e o Pacto Social é uma experiência bem sucedida em que tem contribuído para a melhoria dos indicadores sociais na educação e na saúde”, frisou o governador.

MaisPB

com Secom-PB

Quer um lanche rápido? Confira como preparar rolinhos de pão de forma

Rolinhoingredientes

  • 4 fatias de pão de forma sem a casca
  • pastinha de sua preferência (ou cream cheese)

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modo de preparo

1°- Com um rolo de massa (ou garrafa), amasse cada fatia de pão de forma deixando bem fininha. Coloque a pastinha de sua preferência (ou cream cheese) e enrole formando um rolinho. Com uma faca corte cada rolinho ao meio. Em seguida pegue cada rolinho (já cortado) e com a faca corte em diagonal. Sirva em seguida.

 

Receitas.com

Cuidar do jardim pode render um corpo mais em forma

AP Photo/Courtesy Timber Press
AP Photo/Courtesy Timber Press

O jardim pode ser uma excelente área de ginástica para quem é fã de malhação. Dependendo da área, é possível criar trilhas para caminhada, construir bancos que ajudam nos treinos e usar as árvores para o alongamento.

 

O simples ato de abaixar e levantar enquanto cava, planta ou transporta os vegetais de um lado a outro, já é uma forma eficaz de perder algumas calorias.

E o melhor: é possível personalizar o jardim e ajustá-lo ao seu nível de energia, com equipamentos como vigas e escadas para exercícios de condicionamento – eles são baratos e simples de fazer – além de apetrechos portáteis como rolos, cordas, halteres e bolas suíças.

“Se você tem equipamentos de recreação infantil, por exemplo, é fácil adicionar uma barra ou uma armação de corda para adultos em uma casa na árvore”, sugere Bunny Guinness, paisagista que dirige uma empresa de design de jardins perto de Peterborough, na Inglaterra.

A atividade de jardinagem em si também pode ser um queimador de calorias formidável, garante Bunny. Com a fisioterapeuta Jacqueline Knox, ela escreveu um livro sobre o tema: Garden Your Way to Health and Fitness (ainda sem tradução para o português).

 

A atividade física regular reduz o risco de muitas doenças, e a jardinagem pode ajudar nisso, afirma Margaret Hagen, uma educadora física da Universidade de New Hampshire.

“Usar o ancinho é mais ou menos como usar uma máquina de remo. Mexer uma pilha de adubo é semelhante a levantar pesos. Carregar um regador de 3,7 litros cheio de água em cada mão é como ter nelas dois halteres de aproximadamente 4 quilos. Empurrar um cortador de grama manual é como caminhar na esteira, só que muito mais interessante”, compara Margaret. E dá para queimar mais calorias ainda se forem acrescentados a essas atividades alguns exercícios como apoios, elevações na barra e agachamentos, por exemplo.

A professora dá algumas dicas básicas que não devem ser ignoradas, mesmo por quem está habituado a fazer exercícios:

  • Aqueça antes de começar, para evitar câimbras e dores nas juntas
  • Estabeleça um ritmo e não se esqueça de bebr líquidos, especialmente se o jardim for ao ar livre e tiver sol
  • Evite se curvar demais – isso força a coluna – usando cabos e extensões enquanto estiver nas atividades de jardinagem
  • Opte por ferramentas de jardinagem leves e fáceis de manusear
  • Trabalhe ergonomicamente, reforçando a boa postura e o equilíbrio

 

AP Photo/Courtesy Timber Press

Um banco do jardim pode se transformar num ótimo suporte para fazer apoios

 

“Como alguém que já teve um problema nas costas, eu tento seguir o conselho do meu fisioterapeuta e ter o cuidado de me ajoelhar em vez de me curvar enquanto estou mexendo no jardim. Também me policio para levantar com os joelhos dobrados e as costas retas”, conta Margaret.

Não se esqueça de incluir a saúde mental no projeto paisagístico. Vale adicionar um canteiro de ervas que acalmam, fontes relaxantes de água e pequenas áreas de meditação.

 

Uma boa nutrição também é uma parte importante de qualquer pacote de fitness, e poucas coisas têm um gosto melhor do que um alimento servido fresco direto do jardim.

“Se na jardinagem você pode melhorar saúde e evitar o estresse, tudo se torna ainda mais gratificante”, diz a paisagista.

 

 

AP

Analista afirma que os Kirchner preferem conflito como forma de governo

Na avaliação de Maria Esperanza, Néstor e Cristina garantiram com o enfrentamento a principal conquista desde 2003 (Foto: Casa Rosada)

Agentes e presidentes da ditadura, Poder Judiciário, produtores rurais, Grupo Clarín: a lista de gente incomodada com os Kirchner cresce sem parar de 2003 até hoje, e não se resume a quatro ou cinco nomes. Se no começo a busca pelo conflito foi intuitiva, hoje é racional, avalia a analista política Maria Esperanza Casullo, professora de las universidades de Rio Negro e Di Tella, em Buenos Aires.

“O maior problema da democracia argentina de 1983 para cá foi a fraqueza do poder político, a debilidade em construir autonomia em relação ao poder econômico”, afirma, em entrevista à RBA. “Este, para mim, é um dos maiores avanços dos dez anos de kirchnerismo. Conseguiu-se construir uma maior autonomia do poder político, Executivo e também do Legislativo, com respeito aos grupos empresariais.”

A conversa foi realizada em meio à tormenta entre governo, Judiciário e Clarín em torno da Lei de Meios. O maior grupo midiático do país conseguiu em 6 de dezembro a extensão da liminar que venceria no dia seguinte, e que o desobriga de cumprir com os mecanismos de desconcentração do controle das emissoras de rádio e televisão. Uma semana depois, vitória da Casa Rosada, com decisão judicial pela constitucionalidade da legislação. Mas, após três dias, nova sentença pró-Clarín, que recuperou a validade da liminar que o ampara.

Para a analista, nada que chegue a atrapalhar Cristina Fernández de Kirchner, já que ajuda a mostrar que o governo não ostenta o poder desmedido de que lhe acusam alguns meios de comunicação. “A sociedade argentina é antihegemônica, não gosta em geral de uma acumulação de poder”, argumenta. “A este governo convém ter um mecanismo de construção de poder mais amena frente à sociedade, e não passar a impressão de que tem um poder tão frontal.”

Confira a seguir trechos da entrevista concedida à RBA.

Como se analisa o conflito entre governo, Judiciário e Clarín?

De 1983 até aqui se avançou muito na construção do Poder Legislativo, no Executivo, mas o poder que não está sujeito à luz do público é o Judiciário. E as relações do Poder Judiciário com os sucessivos governos e, mais que nada, com grupos empresariais sempre existiram, mas ninguém falava disso. É a primeira vez que se tematiza essa relação. Um dos juízes que está no caso Clarín foi recusado porque foi a férias pagas de 15 dias a um hotel luxuoso pagas pelo Clarín.

A Justiça na Argentina é um poder que vem há muitos anos em um sistema muito corporativo, é um poder que não gosta de ser apertado pelo governo de turno. Não gosta de ser pressionado. E tem diversos laços com grupos empresariais. É isso que atuou neste caso.

Há também um erro do governo em avançar do conflito com o Clarín ao conflito com a Justiça. Embora também seja difícil pensar em não antagonizar-se com eles porque se tem um juiz que vai de férias pago pelo Clarín, como fazer? Além disso, é um governo que tende a ser muito frontal.

A senhora escreveu que este é um governo que gosta do conflito. Não só não foge como o procura. Esta foi uma postura intuitiva ou racional?

Em algum momento foi intuitivo. Em outro momento foi racional. O maior problema da democracia argentina de 1983 para cá foi a fraqueza do poder político, a debilidade em construir autonomia em relação ao poder econômico. Raúl Alfonsín tentou fazer isso na década de 1980 com um governo relativamente de esquerda. Os atores econômicos e empresariais perderam rapidamente a confiança no governo, houve uma crise inflacionária. Durante o menemismo houve estabilidade, mas, bom, não houve autonomia do governo em relação aos setores econômicos. Foi uma paz social ao custo de que o governo se rendesse a todas as políticas do setor empresarial.

Este, para mim, é um dos maiores avanços dos dez anos de kirchnerismo. Conseguiu-se construir uma maior autonomia do poder político, Executivo e também do Legislativo, com respeito aos grupos empresariais. Não se pode esquecer que Clarín não é apenas um meio de comunicação. É um dos grupos empresariais mais importantes da Argentina. Tem o principal distribuidor de sinal de TV a cabo, controla Papel Prensa, foi sócio de Goldman Sachs e fez operações muito complexas no mercado financeiro. Não é só um enfrentamento com um diário.

Nesta série de enfrentamentos o governo aprendeu que uma das principais cartas é administrar o fator-surpresa. Este governo não tem vazamento de informações. Anuncia a estatização de YPF e até o dia anterior ninguém sabia. A outra é que todos os atores econômicos e sociais do país sabem que se você enfrentar o governo, o governo vai para cima. Então é muito complicado que os diferentes atores assumam os custos deste acirramento. É muito provável que enfrentando o governo se saia destruído. Então, esta dureza é muito racional.

Para o governo, quais os limites deste conflito? Em qual contexto isso deixa de funcionar?

Os limites são dois. Os primeiros são os que são colocados pelas instituições que na Argentina funcionam. Não estou definitivamente de acordo com essa ideia de que há um atropelo institucional. Em 2008 o Senado votou contra o governo a Resolução 120 [que aumentava os impostos sobre as agroexportações. Aí há um limite. O outro limite é social. Ou seja, quando a sociedade se cansa da escalada de conflito ou vê que se passou uma fronteira tolerável do que é construir o poder.

A pergunta vital no caso da Lei de Meios é se a Corte Suprema vai dizer se é constitucional ou não. O melhor cenário para o governo é que a Corte Suprema diga que é. Se isso ocorre, obviamente estamos pensando em um processo de dois, três, cinco anos em que o Clarín vai fazer recursos de absolutamente tudo que possa. Mas, se a Corte diz que é constitucional, todo o resto é secundário.

Agora, se a Corte diz que é inconstitucional, seria o primeiro exemplo de que tenho memória de 1983 para cá de que o Judiciário diz para deixar para trás uma lei consolidada. Todos os grupos, salvo o Clarín, já manifestaram por escrito o cumprimento da lei. Isso seria um limite muito claro e uma situação de crise institucional inédito.[bb]

A outra questão é que há um cansaço social muito grande que não sei como se expressaria. Provavelmente uma derrota nas eleições legislativas no ano que vem.

Atente para o fato de que não estou citando os partidos de oposição. Eles hoje não têm condições de colocar limites ao governo. São os outros poderes, ou a sociedade.

Depois do fracasso nas eleições presidenciais do ano passado, esperava-se um novo discurso e uma nova liderança. Mas são os mesmos de sempre.

Faz meses que venho publicando artigos sobre isso. Não é que eu tenha a bola de cristal, mas é evidente que a oposição vem fechada no microclima do Clarín, falando dos temas que interessam ao Clarín e que não interessam à sociedade. A oposição precisa encontrar um discurso econômico, que expresse claramente uma alternativa econômica ao governo. O tema central é o econômico. Clarín é secundário aos temas reais do país, que são outros, são o crescimento, o emprego, os impactos da crise internacional, a inflação. É articular um discurso que fale diretamente à sociedade e que seja menos “governocêntrico”, ou seja, que deixe de comentar o tempo inteiro o que está fazendo o governo. Não falam à sociedade. Este é o grande desafio que tem a oposição daqui até 2015.

Parece que Maurício Macri e Hermes Binner querem fazer um discurso de que o kirchnerismo teve seu lugar, teve dez anos, e agora é um governo que já foi, passou. Que é preciso pensar como se segue adiante, pensando os problemas de agora. E deixar de discutir se o kirchnerismo é satânico ou não. Se os Kirchner vão para casa amanhã, o país já mudou, não poderá voltar aos anos 1990. Em algum sentido é parecido ao que vimos na última campanha do PT no Brasil: a dúvida entre criticar um governo e dizer que se pode fazer melhor que um governo bem avaliado. Isso é o que não conseguem articular.

O interessante da Argentina é que, ainda que existam figuras relativamente novas, como Binner, acabam tragadas. Centrados em um discurso sobre temas institucionais, sobre ameaças à República. São discursos que não têm ressonância na sociedade porque a sociedade não entende que haja ameaças à República. A sociedade está preocupada com a inflação, com a manutenção dos salários em um contexto de crise econômica. A sociedade fica nervosa com os trens, que são lentos, com as tarifas de eletricidade. O povo votou em Cristina em 2011. Então, dizer que este é um governo totalitário é o mesmo que chamá-los de estúpidos. Este é o grande desafio.[bb]

Note-se que as principais figuras políticas não se meteram no conflito com o Clarín. Os que criticam são figuras marginais. Se eu fosse Binner, Macri ou qualquer político com pretensões de chegar ao poder central estaria feliz e agradecido com que o kirchnerismo rompa o grupo monopólico. O presidente que governe depois deste conflito vai governar com um fator de pressão menos. O Clarín é um fator de pressão impressionante. Antes de votar qualquer lei, apareciam no Congresso assessores de Clarín escolhendo a pauta de votação e oferecendo recompensas e ameaças.

Os panelaços de novembro, como interpretá-los? O que estava expressado aí?

Foram algo muito interessante do ponto de vista da sociologia política. Expressam diferentes coisas. Para mim expressa sobretudo que há um grupo social na Argentina que é profundamente antikirchnerista e que não tem representação política. Se este pessoal tivesse alguém que falasse com eles, seguramente não teriam saído de casa.[bb]

Isso me faz lembrar o que foi o final do menemismo na década de 1990. Quando apareceu o Frepaso, a figura de Chacho Álvarez, que era um pouco a voz que representava os setores de classe média urbanos, ele falava por esses setores. Este pessoal hoje não tem quem fale por eles.

Ao mesmo tempo o panelaço manifesta um rechaço a certas medidas do governo, especialmente de caráter econômico, sobretudo do dólar, que na Argentina é uma questão muito profunda. A poupança, uma questão simbólica, o dólar é um horizonte de desejo muito forte para a classe alta, a classe média e a classe média-baixa. A mim chamou atenção que não houvesse mais manifestações frente à decisão do governo de controlar o mercado do dólar. Nem tanto pelo impacto econômico, mas porque os argentinos economizam em dólares há pelo menos 40 anos. É o que permite viajar ao exterior, sentir-se parte do mundo.[bb]

redebrasilatual

Um exemplo amazônico: jovens no Pará usam a cultura como forma de ação política

Belém – 31 de março, sábado. Tempo de chuva no Pará. As águas deram uma trégua. Ainda não fechou o verão. O sol ilumina a Praça Lauro Leite, a única do bairro da Guanabara, município de Ananindeua, região metropolitana de Belém. Trata-se de um território marcado pela violência. O município integra o quadro de cidades mais violentas para a juventude no país. Nela são mortos 199 jovens em cada 100 mil, indica relatório sobre o assunto organizado pelo Ministério da Justiça e o Instituto Sangari em 2011.

Apesar de contribuir de forma decisiva para a saúde do superávit primário do país, por conta do extrativismo mineral, o Pará é um colecionador de índices sociais negativos. No assunto violência ocupa o topo da pirâmide. No caso de homicídios, o estado é o terceiro lugar no ranking nacional. O crescimento foi de 273% em 10 anos (1998 a 2008). Na região Metropolitana de Belém, esse índice atingiu 189,3% em 10 anos. Ficando atrás apenas de Salvador e Curitiba.

Ananindeua nasceu em dezembro de 1943, a partir da Lei Estadual nº 4.505. O nome da cidade é de matriz tupi. Faz referência a uma árvore, Anani, que produz uma resina usada para lacrar fendas de embarcações. Pela segunda vez Helder Barbalho administra a cidade. Trata-se do herdeiro político do cacique Jader. O município é o segundo do Estado em população. Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) de 2010 indicam que a população é de 471.980 mil habitantes. O comércio e a prestação de serviços dinamizam a economia. Assim como Belém, a cidade experimenta uma verticalização e padece de um trânsito caótico.

Algumas ruas separam a Praça da Guanabara da BR 316. A rodovia serpenteia a região Metropolitana de Belém. Os indicadores de acidentes com morte são alarmantes, o que alçou a rodovia a local de destaque nacional como uma das mais críticas. Parte do Parque do Utinga, responsável pelo abastecimento de água de Belém fica próximo à praça. O local tem sido usado para desova de cadáveres, informa dona Mercês Bernaldo, 58, moradora do bairro. Ela reclama que a violência tem crescido muito. E que o poder público não confere a devida atenção ao lugar, que tem se transformado em um lixão.

Cultura para a cidadania
No último dia do mês de março, data do golpe militar que estabeleceu a ditadura no país, a praça foi ocupada por vários coletivos que militam na área da cultura, para a realização do 3º Mutirão Cultural. O objetivo do evento é afirmar uma identidade de matriz africana, e provocar a reflexão sobre cidadania. Cospe Tinta, Casa Preta, Traumas Vídeos estão entre os animadores. Oficinas de grafite, cultura hip hop, literatura marginal, trançado de cabelo afro e comunicação são alguns eixos do trabalho. No item comunicação a turma colabora com programas em rádios comunitárias e ciberativismo com a produção de blogs e outros conteúdos.

O universo marginalizado é o mais recorrente quando a pauta dos jornais lança luzes sobre as realidades que conformam as periferias da metrópole Belém. No entanto, de forma silenciosa, jovens organizados em vários coletivos do campo da cultura pop mobilizam esforços em realizar ações nas baixadas da capital do estado e região Metropolitana. Baixada é como é nomeada a periferia aqui. Nestes tempos de intensa chuva parte fica submersa.

O bairro da Guanabara é o terceiro a realizar o evento, que alcança pessoas de todas as faixas etárias, mas prioriza crianças e adolescentes. Antes receberam a manifestação o bairro Tapanã e a Terra Firme, em Belém. Esses bairros são considerados como “zona vermelha” pelas autoridades responsáveis pela segurança no estado.

O Mutirão é organizado a partir de uma ação coletiva das pessoas envolvidas. Não há recurso oficial, informa Preto Michel, um dos ativistas que ministra oficinas de grafite e literatura marginal. “A gente faz contato com o pessoal da quebrada, acerta horário, local, o material necessário, e cotiza”, esclarece Michel.

Conforme o educador social, o projeto dos coletivos vai se estender por todo ano de 2012. “Tudo tem sido registrado em foto e vídeo”, conta Michel, que espera apresentar o resultado no fim do ano com a realização de um grande evento.

No Guanabara a sede do Centro de Referência de Assistência Social (Cras) serviu como quartel general para a realização das oficinas de hip hop e grafite. A casa é arrumada. Possui umas seis salas. Funciona durante toda a semana. Tem uma piscina no quintal. Integra a Secretaria de Ação Social da Prefeitura.

Eram umas 10h da manhã quando aportamos na casa. Manoel Domingos, um negro de 31 anos, segundo grau completo, evangélico ministrava aulas de hip hop. “Já fiz muita besteira. Fui pichador e perdi muitos amigos para a droga ou o crime”, explica o educador que é segurança da Igreja Universal, mas frequenta a Igreja Quadrangular.

O som era baixo. Os\as meninos\as de 11 a 16 anos exercitavam na varanda. Todos devidamente arrumados. Uns 20. Samuel Dantas tem 13 anos. É estudante da Escola Municipal Heronildes Frota de Aguiar pela manhã e à tarde pratica capoeira, natação e hio hop. Tem preferência pelo último item.

Domingos tem desenvolvido oficinas de forma sistemática desde o ano passado nas sedes de vários Cras em bairros considerados de risco. “Tudo começou na rua mesmo. Depois que surgiu o convite da prefeitura de realizar a ação nas sedes dos Cras” narra Domingos. Ele trabalha com um universo aproximado de 140 crianças e adolescentes na faixa etária de 7 a 18 anos em três locais considerados de risco: Icuí, Maguari e o Conjunto Júlia Seffer. Todos localizados em Ananindeua. O professor explica que a motivação do trabalho é poder ajudar outros jovens.

Parede para a liberdade de expressão
Faz 10 anos que Preto Michel milita como educador social. O nome de batismo é Michel Sarmento, tem 35 anos, é pai de um adolescente de 17. O nome foi uma homenagem ao ídolo pop Michael Jackson. Traja bermuda, tênis e camisa larga, como indica a etiqueta da cultura hip hop. Na noite anterior havia recebido uma homenagem de uma ONG de Belém pela primeira década dedicada à ação popular. Parecia cansado.

Na mochila os sprays. Na outra mão o balde com tinta branca. Ajudo a carregar o balde. Ele divide o grupo em equipes de cinco. A gurizada parece ansiosa para iniciar os trabalhos. “Tio, quando a gente começa a pichar, interroga um mais afoito”? Michel esclarece: primeira lição – grafite não é pichação. O sol era forte. Mas, a meninada não arredou o pé. Tudo é muito rápido. O educador indica os passos iniciais, como retirar o gás do spray. Demonstra a técnica. Depois pede para que cada um pegue um suporte e faça o mesmo.

Antes de iniciar os trabalhos as crianças e adolescentes usam a tinta branca para pintar a parede. Em seguida o instrutor abre o desenho, e vai dando dicas de como manusear o recurso do grafite. Os\as meninos\as alternam no protagonismo para a produção do desenho, que aos poucos vai ganhando forma. Isso sugere a participação de todos no processo de produção. Cada um com a sua colaboração. Um dos garotos parece mais habilidoso. É alvo de brincadeira dos colegas e adultos que acompanham a oficina: “nunca pichou uma parede”. Todos riem.

O mais novo tem 11 anos. É negro. Tem quatro irmãos. O irmão mais velho de Bruno de Oliveira tem 18 anos e desistiu de estudar. O caçula tem seis anos. Ele mora numa ocupação chamada Mariguela, referência ao ativista comunista nascido na Bahia. O pai é pedreiro e a mãe é diarista. A região é considerada barra pesada. O educador Domingos conta que o local onde o garoto mora é de risco, marcada pela presença do tráfico. E que a situação da moradia é precária.

Nas baixadas da região Metropolitana a arquitetura de madeira domina a paisagem. É recorrente situações de incêndios por conta da instalação elétrica improvisada e acidentes domésticos. Por conta da ausência de creches, é comum o filho mais velho “cuidar” dos menores. A obra coletiva se encerra. É um livro. Ao centro a mensagem: “Educação é família”.

Cabana FM – 10 anos de luta pela comunicação comunitária
Na praça as pick ups ecoam canções que buscam provocar a reflexão do povo da baixada. O evento coincidiu com uma ação da prefeitura para a prestação de alguns serviços. A banca da literatura marginal está montada. Quem quiser pode apanhar qualquer livro e ler. Entre as obras um clássico da pesquisa na Amazônia de autoria do professor Vicente Salles, O Negro na Amazônia.

Lacrada e fechada em várias ocasiões, coincidiu de ser o aniversário de 10 anos da Cabana FM, no dia 31. A emissora é comunitária. Ela fica perto da praça. Funciona na parte superior de um sobradinho. Há um ano conseguiu ser reconhecida pelo Ministério das Comunicações. Uma escadinha em espiral leva até o estúdio. O espaço é apertado.

O nome da emissora é uma referência ao movimento da Cabanagem (1835-1840). Insurreição popular que conseguiu tomar o poder no século XIX no Pará. Chapéus de palha estão sobre uma mesa. O chapéu de palha é ícone de representação do movimento. É perto de meio dia. O casal Margalho e Laélia Brito apresenta o Raízes Radicais, programa de reggae. No dial Erick Donaldson, uma referência do gênero, que vira e mexe baixa em São Luís para apresentações, e faz escala em Belém.

A emissora comunitária funciona na frequência 87,9. E pode ser acessada via net. http://cabanafm.com.br/. Uma trupe de crianças e adolescentes toma de assalto o estúdio. Gilvan Souza, que apresenta o programa Revoluson, ministrou uma oficina. São umas 15 pessoas. Antes da explicação de como funciona a emissora e as entrevistas, uma radionovela sobre violência contra as crianças faz as boas vindas da casa. A radionovela é uma produção da ONG Rádio Margarida, especializada em produção de conteúdo voltado para os direitos das crianças e adolescentes.

Praça ocupada e a calda longa – as meninas que realizam a oficina de trançado afro chegaram atrasadas. As 18 pessoas que esperavam foram embora. Elas usam os espaços da própria praça e começam a trançar o cabelo de quem se interessa. Na tenda das pick ups camisetas são comercializadas. Assim como os muros grafitados, elas exaltam a cultura de matriz africana ou signos do movimento hip hop. Na cidade existem várias grifes das baixadas.

A produção é do coletivo Cosptinta. O pessoal da Traumas Vídeos faz o registro audiovisual. São jovens da classe média que acompanham o universo do movimento. O blog (http://traumasvideo.blogspot.com.br/) da produtora independente informa as pessoas que integram o coletivo. Caio Romano cuida da fotografia publicitária, enquanto Júlio Sodré zela pela produção executiva e Michel Nôvo trata da edição.

Um primeiro olhar sobre os subterrâneos do que vem acontecendo em inúmeros momentos e locais da cidade, faz-nos lembrar das reflexões do geógrafo Milton Santos, numa obra que trata sobre globalização.

O “negão” laureado com o título de doutor honoris em vários países alertava que, uma nova civilização pode emergir a partir das formas de solidariedade do universo periférico do capitalismo. Parece que a marcha já deu os primeiros passos.

cartamaior