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‘Brasil está vivendo sob o signo do ódio’, diz Fernando Henrique Cardoso

Está sobrando até para Fernando Henrique Cardoso . Aos 88 anos, o ex-presidente entrou na mira do bolsonarismo radical. Na semana passada, o ministro da Educação, Abraham Weintraub, resolveu compará-lo à Aids. O tucano não quis revidar a agressão.

Em entrevista , ele diz que o Brasil está vivendo “sob o signo do ódio” e precisa voltar a cultivar a tolerância. “Ainda não conseguimos entender que o outro é adversário, não inimigo”, afirma.

FH lança nesta sexta-feira o último volume dos “Diários da Presidência”. O livro relata a eleição de 2002 e a transição para a posse de Lula, seu rival histórico. Foi um processo civilizado, bem diferente do tom da política atual. O ex-presidente considera que a Lava-Jato “exagerou”, mas evita criticar a prisão do petista. Numa passagem do novo livro, ele afirma que é impossível governar o país sem “botar a mão na lama”.

Os novos diários mostram como o sr. via o Brasil de 2002. Como vê o Brasil de 2019?

Hoje nós vivemos sob o signo do ódio. Isso é ruim para o Brasil. Ainda não conseguimos entender que o outro é adversário, não inimigo. Não posso tratar o Bolsonaro como inimigo. Ele foi eleito, é o presidente da República. Eu discordo dele. Nunca o vi, nem estou pretendendo vê-lo.

Na campanha, os ânimos se acirram. Mas tem que haver um momento seguinte, em que você reduz o acirramento e busca uma convergência possível. É do jogo ganhar ou perder. O que tem que haver é lealdade com as regras. Isso não é uma coisa que tenha sido ganha no Brasil. Ainda não temos uma cultura realmente democrática.

O sr. tem sido muito atacado pelos bolsonaristas. Na semana passada, o ministro da Educação chegou a compará-lo à Aids…

A declaração dele foi tão importante que eu nem li… (Risos). Nós estamos vivendo um momento de polarização que é muito ruim. Um ministro tem que prestar mais atenção ao que diz. Temos que baixar a bola, aceitar que existem pessoas com pensamentos diferentes.

Como avalia o governo?

É cedo para um julgamento taxativo. O governo tem muitas partes. Há setores que são francamente ideológicos, veem fantasmas em todo lado. É possível que o presidente às vezes seja levado por fantasmas. Outros setores são sensatos. Não acho que os militares sejam insensatos.

É ruim o Executivo não ter uma agenda clara para mostrar ao país. O presidente tem que explicar qual é o rumo. Hoje, quando há rumo, é o rumo ideológico.

Na ditadura, você enfia a espada e faz. Na democracia, é diferente. Minha atitude era oposta à do governo atual. Eles buscam adversários até onde os adversários não existem.

Onde essa busca pelo confronto vai parar?

Não acho positivo propor impeachments. Isso desgasta o país. No caso do Lula, eu fui contrário. No da Dilma, fui muito reticente. Não é que esteja defendendo a Dilma, o Lula ou o Bolsonaro. Estou pensando no país.

Você desgasta as instituições quando a maioria ganha, mas não leva. O vice-presidente também é eleito, mas ninguém presta atenção. É preciso ter paciência histórica. Quem está contra o Bolsonaro deve manifestar que é contra. Mas não acho que seja o caso de forçar.

A democracia está em risco?

Sempre existe risco. Como dizia Octavio Mangabeira, a democracia é uma planta tenra, que precisa ser regada sempre. Se você não cultiva a democracia e a liberdade, elas morrem. A democracia não é só o formalismo, a eleição. É a crença num conjunto de valores e instituições. Essas instituições estão funcionando.

O Congresso existe, o Supremo está funcionando, a imprensa é livre. Os partidos estão meio arrebentados, mas existem. Temos que usar esses instrumentos para expressar opinião, não para acelerar o ritmo da História. O cara foi eleito.

Eu sei o que é viver num regime sem liberdade. Não é o caso atual. Você tem liberdade para concordar ou discordar do governo. Todo mundo sabe que eu não votei no Bolsonaro nem no candidato do Lula ( Fernando Haddad ), com quem me dou pessoalmente.

Muitos amigos seus tentaram convencê-lo a apoiar Haddad.

Muitos. Eu me dou bem com o Haddad, tenho uma boa opinião sobre ele. Mas naquele momento o PSDB estava em luta com o PT em vários estados. Como é que eu ia tomar posição a favor do PT?

O ministro Gilmar Mendes, que o sr. indicou ao STF, diz que Lula não teve direito a um julgamento justo. Concorda?

Acho que a Lava-Jato exagerou. Que tenha havido algum preconceito contra o Lula e contra o PT, é possível. As pessoas têm preconceito contra mim, contra você… Mas a Justiça julga fatos.

Já fui depor três vezes como testemunha do Lula, a pedido dos advogados dele. Ele foi condenado porque há fatos. Não gosto de ver o Lula preso, mas respeito a Justiça. Ele foi condenado em várias instâncias. Eu lamento. Historicamente, era melhor que não tivesse ocorrido. Mas ocorreu, o que eu vou fazer?

Em que a Lava-Jato exagerou?

Eles podem ter errado? Podem. Pode haver uma visão jacobina? Pode. Isso é bom? Não. Mas não podemos desmerecer a Lava-Jato. Mesmo que tenha exagerado aqui e ali, ela conseguiu prender gente rica e poderosa, o que é uma coisa difícil no Brasil.

Especialmente nos governos do PT, houve muita transigência no sentido de se usar dinheiro público, via empresas, para fins partidários. Isso é corrupção da democracia. Tão ou mais grave que a corrupção pessoal. É inaceitável.

O Supremo está julgando a prisão em segunda instância. Qual é a sua opinião?

A discussão é legítima, mas não acho que você deva deslegitimar toda a Justiça para libertar os que estão presos. Até porque não é só o Lula.

Não é uma decisão simples. Como está na Constituição (que ninguém pode ser considerado culpado sem condenação definitiva), é complicado.

Acho um exagero deixar os réus em liberdade depois de duas condenações. No Brasil, quem tem dinheiro sempre continuou recorrendo para não ser punido. Se os tribunais fossem mais céleres, esse problema não existiria.

O general Villas Bôas, ex-comandante do Exército e assessor do governo, voltou a tuitar às vésperas de um julgamento. Há uma pressão indevida sobre o STF?

A manifestação de militares da reserva é um alerta. Mas não vejo nenhum clima para uma convulsão social, como ele escreveu.

Nos novos “Diários da Presidência”, o sr. reclama que seu aliado José Serra não o defendeu na campanha.

Eu entendia as razões dele, o governo estava com baixa popularidade. Nunca cobrei atitudes de ninguém. Cada um tem um temperamento, vai fazer o quê? Nunca fui uma pessoa de melindres.

Aliás, gostei dessa expressão que o Sergio Moro usou ( em mensagem revelada pelo Intercept, o ex-juiz diz que não queria melindrar FH na Lava-Jato ). Mas não havia nada concreto que pudesse me pegar. Nunca me meti em corrupção. Não é o meu estilo.

O sr. afirma, nos diários, que é impossível governar sem “botar a mão na lama”.

Eu nunca concordei com a malandragem. Quando fui para o Senado, meus colegas da universidade diziam: “Não sei como você aguenta aquela gente lá”. Aquela gente lá é o Brasil. O Brasil tem malandro, tem esperto, tem burro, tem gente honesta. Você precisa lidar com a realidade para mudá-la. Ou você tem maioria, ou não governa.

A transição de 2002 deixou lições para a política atual?

Muitas. Foi um processo civilizado, democrático. Claro que eu queria que o Serra ganhasse. Quando o Lula foi eleito, tentei mostrar que não seria uma tragédia para o Brasil.

Mas as gravações mostram que o sr. considerava que ele não tinha preparo para o cargo.

Nunca temi que o Lula fosse fazer uma revolução. Ele não é um sujeito que quebre as instituições. Pessoalmente, o Lula é mais conservador do que eu. O que eu temia era que ele não fosse competente para fazê-las funcionar. Ele demonstrou que era competente. Eu errei na avaliação.

Lula diz que o sr. apostava no fracasso dele para voltar depois.

Nunca quis voltar ao poder. Fui presidente duas vezes, basta. Para mim e para o povo.

 

(Foto: Edilson Dantas / Agencia O Globo )

O Globo

 

 

Após lutar contra um AVC, morre aos 49 anos, o radialista Fernando Gabeira

fernando-gabeiraO Hospital de Emergência e Trauma Senador Humberto Lucena, em João Pessoa, confirmou a morte do radialista Sérgio Fernando Silva Mangabeira, 49 anos, conhecido como Fernando Gabeira. O falecimento ocorreu por volta das 5h30, desta quarta-feira (22).

De acordo com a unidade hospitalar, o comunicador vinha em estado gravíssimo depois de sofrer um Acidente Vascular Cerebral (AVC), no último sábado (18). Gabeira, como era conhecido, vinha lutando contra os problemas surgidos com a doença.

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Desde o último domingo (19), o radialista passou por procedimento cirúrgico e por exames clínicos. Nesta quarta (22), ele não resistiu e veio a óbito quando se recuperava na Unidade de Terapia Intensiva (UTI).

Fernando Gabeira estava na Praia do Poço, em Cabedelo, Litoral Norte da Paraíba, na companhia de familiares quando passou mal. Após ser socorrido, seu estado de saúde, ficou agravado após a confirmação de três paradas respiratórias.

No mês de janeiro, o radialista havia informado para os amigos e familiares que sofreu um mau súbito e quase morreu. “Após o susto da segunda, dia 21, quando tive um mal estar súbito, continuo em ksa, de repouso, seguindo orientações médicas. Obg a todos”, comentou.

O radialista atuou nas principais emissoras de rádio e televisão da Paraíba.

 

 

Hyldo Pereira

Impeachment a Fernando Lugo começou a ser tramado em 2008

Fernando Lugo, logo após ter sido afastado da presidência do Paraguai por um golpe do congresso planejado em detalhes pela oposição (Marcello Casal Jr/ABr)

Na quarta-feira, 22 de agosto de 2012, poucas coisas em Assunção, capital do Paraguai, lembravam os dois meses da destituição do presidente em um julgamento-relâmpago que surpreendeu todo o continente. Grupos de homens jogavam dominó na Plaza de la Democracia, ambulantes ofereciam câmbio de dólares as turistas, e estudantes uniformizados iam e vinham dos colégios em casarões coloniais; à parte algumas pichações nos muros chamando o atual presidente, Federico Franco, de golpista – “as paredes falam”, dizia uma delas –, a vida seguia seu ritmo normal.

Na sede do movimento Frente Guazú, coalizão de esquerda que integrava o antigo governo, o clima não era muito diferente. Às quartas-feiras o presidente deposto, Fernando Lugo, costuma tirar folga; então não havia ali o costumeiro entra-e-sai de ex-ministros que ainda se reúnem diariamente com o ex-chefe. Foi na última hora que se improvisou a gravação de um “comunicado à nação” transmitido pela internet, uma espécie de continuação do discurso semanal que Lugo, quando presidente, realizava na TV Pública.

Sentado no seu pequeno escritório no mezanino do casarão – do outro lado da rua fica a residência presidencial, ocupada pelo seu ex-vice – e diante da bandeira paraguaia, Lugo estava relaxado, de camiseta vermelha e sandália de couro, brincando com sua equipe e a repórter da Pública, que aguardava para a última de três entrevistas com o ex-presidente.  “Hoje faz dois meses que se executou no Paraguai um golpe de Estado parlamentar… Um golpe de Estado que não levou em conta a democracia participativa, não levou em conta o seu voto, a sua participação, a sua dignidade”, dizia, apontando para a câmera.

Apesar de ter sido o último presidente latino-americano destituído do cargo, em um julgamento que levou menos de 24 horas para ser concluído, classificado como ruptura democrática por organizações regionais como Mercosul (Mercado comum do Sul) e Unasul (União de Nações Sul-Americanas), Lugo permanecia desconcertantemente tranquilo. “Eu o vejo muito bem”, comenta o militar que fazia sua escolta pessoal desde a época na presidência. “Parece que ele está até menos preocupado…”

Durante quatro anos, Lugo governou com o parlamento mais arisco da América Latina – apenas 3 deputados em 80 e 3 senadores em 45 eram da Frente Guazú – contando apenas com uma frágil aliança com o Partido Liberal de seu vice. “Não tínhamos quadro, não tínhamos apoio político, era só confronto”, resume, melancólico, numa tarde calorenta em sua residência na capital paraguaia. “Quando eles me elegeram em 2008, pensaram que eu seria o bobo deles, mas isso eu me nego a fazer”, diz, referindo-se aos liberais, segunda maior força política no país. Entre frases pausadas, Lugo suspira: o poder, de fato, nunca foi totalmente seu. “Eu sabia que iria terminar assim”.

Representante da Teologia da Libertação, Fernando Lugo era conhecido como “o bispo dos pobres” até renunciar à batina, em 2006. Bispo da diocese de São Pedro, uma das regiões mais pobres do país, coordenava as comunidades eclesiais de base e trabalhava diretamente com movimentos camponeses e sem terra. Ao optar pela política, foi suspenso pela igreja católica, mas seguiu sua trajetória aliando a aura religiosa com um discurso progressista em favor dos camponeses e da redistribuição de riqueza. A popularidade o consagrou e o Partido Liberal, arraigado em todo o país, forneceu a estrutura, abraçando uma oportunidade única de finalmente chegar ao governo; a aliança, no entanto, seria arenosa.

Em abril de 2008, Lugo venceu por dez pontos percentuais, pondo fim a 60 anos de domínio do Partido Colorado, o mesmo do antigo ditador Afredo Stroessner.

Nada de novo

O fim repentino do governo Lugo não chegou a ser uma surpresa – basta ler a cobertura da imprensa paraguaia nos últimos 4 anos. Pouco depois da posse, em agosto de 2008, o termo “juízo político” – versão paraguaia do impeachment – passou a figurar repetidamente, de maneira quase banal, nas sessões do Congresso e nas páginas dos jornais diários. “Eu não tenho medo porque não encontro motivos lógicos, válidos, para que o presidente seja julgado politicamente pelo Parlamento Nacional”, ele declarou, já em fevereiro de 2009, em uma conferência de imprensa.

“Não cometi nem faltei à Constituição Nacional no desempenho das minhas funções”. Na época, não havia nenhum motivo concreto para um impeachment, além do rumor de que o ex-presidente Nicanor Duarte Frutos tramava sua derrubada com o general Lino Oviedo, líder do partido direitista Unace, homem que tentara dar um golpe de Estado – militar –  em 1996.  Antes mesmo da posse, Oviedo apostava com o ex-presidente Nicanor Duarte Frutos que Lugo “ia durar apenas de 3 a 9 meses no cargo”.

A cada novo escândalo envolvendo o governo, ou Lugo, as duas palavrinhas voltavam à tona. Os partidários do ex-presidente contabilizaram 23 tentativas, por membros do Congresso, de utilizar o “juízo político”. No final de 2009 o senador liberal Alfredo Jaeggli, um dos mais aguerridos promotores da causa, falava abertamente à imprensa sobre um plano para destituir o presidente em seis meses, “antes que se fortaleça”. “Quero que este senhor se vá”, afirmava.

Dentro do partido liberal, pretensamente aliado no governo, o impeachment tinha um apoio de peso: Julio César Franco, o “Yoyito”, irmão do vice-presidente Federico Franco. Yoyito também fez suas apostas quando, na mesma época, surgiram notícias de que Lugo tivera três filhos enquanto ainda era sacerdote, o que provocou novo escândalo político. Yoyito disse a um repórter que o fato era “imoral”, mas não o suficiente para derrubá-lo. “Deve ser um fenômeno mais político”, afirmou. Aproveitando o momento, Federico Franco também falava abertamente sobre sua ambição de ocupar o cargo. “No domingo, fizemos uma entrevista em um café de manhã com o vice-presidente Federico Franco, que mal terminou de expressar o seu apoio a Lugo, nos lembrou que está capacitado para substituí-lo caso ocorra um eventual juízo político”, descreveu o jornalista Nicasio Vera, do jornal ABC Color, em dezembro de 2009, num editorial entitulado “A angústia de Federico”.

“Foi um pesadelo constante”, relembra o presidente deposto. “Trabalhávamos com muitas desconfianças e dúvidas sobre as suas intenções. Mas não havia outra alternativa”.

O governo Lugo desagradava grande parte dos congressistas. “Nenhum governo foi interpelado pelo Congresso tantas vezes quanto o nosso”, diz, suspirando, uma senhora baixinha e gordinha, de olhar firme e expressão cansada. Reconhecida dentro e fora do círculo de Lugo como sua melhor ministra, Esperanza Martinez foi titular da Saúde do primeiro ao último dia de governo. Em entrevista na sede da Frente Guazu, ela tenta lembrar quantas vezes foi prestar esclarecimentos diante dos deputados: “Olha, foram mais de 50 vezes, ao longo dos 4 anos… A cada 2, 3 semanas eu tinha de ir lá explicar gastos em recursos humanos, em tal licitação… Me ofendiam. Uma vez disseram que eu era muito gorda para ser ministra de saúde”.  À frente da pasta, ela foi responsável pela maior – e mais sutil – afronta aos partidos que tradicionalmente governam a política paraguaia: saúde gratuita.

A busca pela universalização da saúde combatia de uma vez duas enfermidades: a corrupção dos funcionários, que guardavam parte da “caixinha” dos hospitais, e o clientelismo político. “Antes você tinha de ser filiado a algum partido para conseguir um leito no hospital, ou uma ambulância. Se tinha um problema de saúde, tinha de ir a um político local ou à sede do partido… O que fizemos foi devolver o serviço de saúde à população sem intermediação de partidos”. No Paraguai, a lealdade ao partido passa de pai para filho. Tanto que o Partido Colorado é um dos maiores, em número de filiados, da América do Sul: quase dois milhões. Já o Partido Liberal tem 1,2 milhão. Juntando os dois, dá quase metade da população total do país, de 6,5 milhões. Pra se ter uma ideia, o PMDB, maior partido do Brasil, tem 2,3 milhões de filiados; o PT tem 1,5 milhão.

Outro membro do governo que enfurecia colorados, liberais e proprietários de terra era o engenheiro agrônomo Miguel Lovera, que assumiu o Serviço Nacional de Qualidade e Sanidade Vegetal e Sementes (Senave) em abril de 2010. Seu maior pecado foi decretar a Resolução 660, que ditava normas para a aplicação de agrotóxicos, estabelecendo a necessidade de autorização para a realização de fumigações aéreas e terrestres e de avisar aos vizinhos com 24 horas de antecedência, indicando produtos a serem utilizados e grau de toxicidade.

O ex-diretor do Senave também comprou briga com o setor agroexportador, em especial da soja – o Paraguai é o quarto maior exportador mundial – ao aumentar os critérios para  liberação do uso de agrotóxicos e cancelar vários registros cujos processos estavam incompletos. O setor conclamou um tratoraço – protesto em que tratores bloqueariam a estradas do país – para o dia 25 de junho. Não daria tempo.

Em um jogo de xadrez complicado para quem não conhece a política paraguaia, o ex-presidente contava, para não ser deposto, com o inusitado apoio do mesmo Partido Colorado, que não queria um impeachment que resultasse na posse do vice, liberal: “Os liberais nunca tiveram ajuda do Partido Colorado. Sempre tive certeza de eles não aceitariam um juízo político para colocar um liberal como presidente”, revela Lugo. “Os membros do Partido Colorado mesmo me diziam, ‘fica tranquilo, não vai ocorrer nada, eles não têm os votos sem nós…”.

A relação de Lugo com o seu vice era “tensa, para dizer o mínimo”, na visão da embaixadora americana Liliana Ayalde, que enviou mais de 15 comunicados a Washington sobre movimentações em prol de um impeachment, vazados pelo WikiLeaks. Em um país com uma institucionalidade frágil, a embaixada americana sempre foi um dos mais importantes centros de poder – e local favorito para as discussões sobre a destituição do presidente.

“Os tubarões políticos ao redor de Lugo continuam a rondá-lo em busca de espaço e poder”, escreveu Ayalde em 6 de maio de 2009.  “Rumores dão conta de que o golpista General Lino Oviedo, o ex-presidente Nicanor Duarte Frutos, e/ou o Vice-Presidente Federico Franco continuam a procurar maneiras de encurtar o mandato de Lugo. A maioria das teorias se baseia em um impeachment contra Lugo, o que requereria 2/3 dos votos na câmara para fazer a acusação e 2/3 no Senado para condená-lo”, descrevia Ayalde, com precisão. “O resultado desta equação parece ser a própria versatilidade de Lugo e força (que tem nos surpreendido), a capacidade dos seus oponentes de executar um golpe democrático (que esperamos que não nos pegue de surpresa) e o fator do tempo”, concluía a embaixadora americana.

Minha amiga

Início de agosto de 2012. No celular blackberry do já ex-presidente Fernando Lugo, brilha uma mensagem carinhosa, enviada de Liliana Ayalde para seu email pessoal. “Espero que você esteja bem. Votos de melhoras.” Lugo conversava com esta repórter no lobby do hotel Tripp, em São Paulo, onde estava hospedado para seguir o tratamento de um câncer linfático. Daí a mensagem de Ayalde.

Substituída na embaixada em 2011 – ela assumira o cargo 4 dias antes da posse de Lugo – Liliana subiu na hierarquia e hoje é responsável pelo Caribe, América Central e Cuba no Departamento de Estado de Hillary Clinton. “Ela é minha amiga. Quer dizer, era minha amiga…”, disse Lugo, em tom hesitante. “Bom, ela me salvou. Muitos líderes de oposição iam a ela pedir que me tirasse do poder”.

Um documento de dezembro de 2008 descreve como. Apenas quinze dias depois da posse, Ayalde escreve sobre “um turbilhão de rumores e notícias exageradas na imprensa” sobre um golpe de Estado. As informações vinham de uma reunião entre Lino Oviedo, Nicanor Duarte, e o então presidente do Senado Enrique Gonzalez Quintana, também do partido Unace. Escreve Ayalde: “Gonzalez Quintana fez numerosas tentativas de contatar a embaixadora em 1 de Setembro, quando a história vazou. Consciente da vontade dos paraguaios de trazer os EUA para dentro das seus disputas internas, ela não atendeu aos telefonemas”, diz o telegrama, cujo sugestivo título é “Rumores de golpe: apenas um dia normal no Paraguai”.

Três dias antes, Lugo havia jantado com Ayalde na sua residência, onde disse querer manter reuniões, “oficiais e não oficiais, de maneira discreta”, conforme documento do WikiLeaks. Entre comentários pessoais – contou que gostava de caminhar ao amanhecer, ouvir música e que tocava violão – ele usou a ocasião para testar a postura da nova embaixadora. “Lugo constatou que foi uma prática frequente na história do Paraguai que a embaixada se intrometesse em assuntos internos”, relata Ayalde. “A embaixadora agradeceu pela observação, e assegurou que estilos diferentes são apropriados para tempos diferentes, e que a sua intenção era respeitar a soberania do Paraguai e garantir o sucesso do então presidente.”

Um ano depois, o secretário-assistente do Departamento de Estado dos EUA para o hemisfério, Arturo Valenzuela, reiterou o apoio ao governo Lugo. Em visita ao país, depois de ouvir uma enxurrada de críticas dos parlamentares e comentários sobre o impeachment pendente – com a devida explicação de que não se trataria de um “golpe”, o americano encerrou o papo. “Valenzuela compreendeu que um processo constitucional de impeachment não é igual a um golpe, mas alertou que o Paraguai não deveria usar o impeachment como um mecanismo para resolver problemas de curto prazo sem considerar cuidadosamente as consequências”, relata outro cable, de 31 de dezembro de 2009.

A missão diplomática americana, claro, jamais fechou totalmente as portas para as vozes que pediam repetidamente a destituição de Lugo. Muitas vezes, os líderes da oposição eram fotografados pela imprensa ao sair, orgulhosos, de reuniões na embaixada. Poucos integrantes do governo ligavam; um deles, um fervoroso general nacionalista, foi o único a protestar veementemente. Caiu.

Natália Viana, da Pública

Bispo Fernando Figueiredo encoraja católicos para vida política

Nas paredes de seu gabinete na Cúria Diocesana de Santo Amaro, na zona sul de São Paulo, dom Fernando Figueiredo aparece em várias fotos participando de celebrações ao lado do papa João Paulo 2º (1920-2005), em Roma.

Se quisesse exibir também suas imagens ao lado de políticos, especialmente as captadas durante campanhas eleitorais, provavelmente faltaria espaço na sala.

O bispo de Santo Amaro é procurado por candidatos de diversos partidos. Além de estimular a aproximação, ele também incentiva que fiéis de sua diocese descubram-se vocacionados para a vida pública e se lancem às urnas.

Neste ano, os candidatos a prefeito José Serra (PSDB), Fernando Haddad (PT) e Gabriel Chalita (PMDB) já se encontraram com Figueiredo em reuniões nas quais apresentaram suas propostas aos padres da região.

Karime Xavier/Folhapress
Mineiro de Muzambinho, dom Fernando Figueiredo procura incentivar que fiéis descubram vocação para vida pública
Mineiro de Muzambinho, Fernando Figueiredo procura incentivar que fiéis descubram vocação para vida pública

Eles também foram ao Santuário Mãe de Deus, que abriga as missas do mais famoso dos 160 sacerdotes da diocese: Marcelo Rossi. Vereadores com base eleitoral na zona sul também são presença constante ao lado do bispo.

“Recebo todos eles. Não excluo quem quer que seja, porque o bispo é bispo de todos”, diz Figueiredo, que evita declarar voto.

Ele é próximo de Chalita, que o indicou para uma vaga na Academia Paulista de Letras e usou a foto do bispo em santinhos de sua campanha para vereador, em 2008, mas afirma ter também “amizade imensa” com Serra.

“Se me perguntar de qual partido ele gosta mais, eu não sei, porque ele recebe todo mundo igual”, diz o vereador petista Arselino Tatto, que Figueiredo conta conhecer “desde jovem”.

“O irmão mais velho dele, Toninho Tatto, foi meu braço direito quando eu cheguei aqui na diocese”, relata o bispo, mineiro da cidade de Muzambinho (410 km de Belo Horizonte) que foi nomeado para Santo Amaro em 1989.

Ele afirma que Toninho integrava um movimento de evangelização e o ajudou a organizar a Cúria. Também o levou para a televisão, onde apresentaram programas no canal católico Rede Vida.

A região de Capela do Socorro, reduto político da família Tatto, pertence à Diocese de Santo Amaro.

Outros políticos citados pelo bispo como “pessoas muito amigas” são os vereadores Antonio Goulart (PSD) e Gilberto Natalini (PV), o candidato a vereador Zé Turin (PSDB) e o deputado estadual Jorge Caruso (PMDB).

Segundo Goulart, o bispo pede que os parlamentares consigam recursos para a região. Em 2008, Figueiredo e o padre Marcelo dividiram palanque com Serra, o prefeito Gilberto Kassab (PSD) e o vereador na inauguração de uma obra viária.

VOCAÇÃO POLÍTICA

Com o lema de que “espaços vazios devem ser ocupados, senão serão ocupados por outros”, Figueiredo, 72, abriu a Cúria para encontros de formação política para leigos da diocese, “dentro da doutrina social da igreja”.

Durante o ano passado e no início de 2012, foram feitas reuniões com padres e professores ligados ao Ministério de Fé e Política da RCC (Renovação Carismática Católica), para despertar vocações em futuros candidatos.

Um deles, José Maria Brandão, 37, disputará a primeira eleição em busca de uma vaga na Câmara pelo PPS.

“O conselho diocesano pensou em alguns nomes e chegou ao meu”, diz Brandão, que é coordenador do Ministério de Pregação da RCC em Santo Amaro.

“Não temos um partido determinado, jamais”, diz Figueiredo, sobre os candidatos lançados por uma espécie de centro de formação de políticos católicos, que, afirma, teria representantes em “15 a 20” legendas.

Ele defende que os padres sejam livres para apoiar candidatos a prefeito e vereador, mas recomenda que abram espaço a todos os políticos que quiserem falar nas paróquias. “Apresentamos critérios cristãos, mas determinar quem seria o candidato é violentar a liberdade do outro.”

Folha

Rede Globo mira em Fernando Collor e pode acertar tucano

 

Boa parte do Brasil parou na noite do domingo (15), para ver a supostamente bombástica entrevista de Rosane Brandão Malta (ex-Rosane Collor) ao Fantástico, a “revista eletrônica” da Rede Globo.

Todos esperavam revelações “fortes” – prometidas nas chamadas do programa – da ex-primeira dama da República. Para usar uma metáfora gasta, a Globo prometeu a lua, mas entregou a seus telespectadores uma paisagem lunar: só crateras vazias e nenhuma substância consistente.

Os rituais de magia negra, a relação com PC Farias, as memórias sobre o processo de impeachment… tudo que Rosane falou e o Fantástico exibiu hoje já era de conhecimento até do reino mineral – expressão de Nelson Rodrigues, não de Mino Carta, como pensam alguns.

Nada, absolutamente nada se salva da entrevista, em termos de novidade. Em termos jornalísticos, a “reportagem” foi um fracasso total. É de se perguntar, aliás, qual o critério jornalístico que levou a Globo a produzir tal entrevista. Não há qualquer fato novo – poderia ser o livro de Rosane, mas não se sabe nada dele, tanto que foi citado apenas superficialmente (*) – que justifique toda a mobilização da maior emissora do Brasil para tal empreitada com tanto destaque.

O que justifica a reportagem, na verdade, não é nada mais do que a necessidade de atacar o agora inimigo Fernando Collor de Mello.

A eleição de Collor foi uma fraude. Não pelos votos em si, mas pelo candidato, que não passava de um produto midiático preparado e apoiado com todo o poder dos grandes meios de comunicação para ser o anti-Lula de 1989.

Agora, passados vinte anos, Collor deixou de ser aliado e passou a ser inimigo, por compor a base de apoio do governo petista. Para a Globo e para a Veja, a primeira que ungiu Collor como um verdadeiro Messias em 89, é o que basta para ele ser colocado na alça de mira.

Lamentável é ver que profissionais – vou poupá-los de citação nominal – tão respeitados na TV brasileira se prestem a cumprir um papel vexatório como o dessa “matéria”. Aliás, para fingir que o assunto se tratava mesmo de jornalismo, os apresentadores do Fantástico fizeram questão de informar que tentaram ouvir Collor durante toda a semana, mas o senador, que de besta não tem nada, se recusou a falar.

Ótimo seria se Collor publicasse um livro contando como atuavam os donos, diretores e lobbistas da Rede Globo durante o seu governo.

Para ver a entrevista completa, clique no link

Marconi Perillo

O governador tucano de Goiás, que não tem nada a ver com a briga Globo x Collor, deve ter sentido muito incômodo com as referências tão detalhadas do processo que levou à deposição do então presidente.

O Fantástico mirou Collor, mas poderá acabar acertando Perillo, pois colocou em evidência denúncias que derrubaram o presidente e hoje acossam o tucano.

Perillo provavelmente se viu na “reportagem” quando esta falou da CPI que investigou Collor e descobriu cheques-fantasmas, esquemas de caixa 2, um tesoureiro de campanha influenciando no governo (no caso do tucano, este atende por Lúcio Fiúza Gouthier, que foi convocado à CPMI do Cachoeira, mas ficou calado).

A CPMI do Cachoeira está sendo tratada pelos grandes meios de comunicação como se fosse uma novela. Heróis, vilões, figuras exóticas, tramas urdidas nas sombras e outros ingredientes são utilizados para cobrir o cotidiano do órgão.

Para o azar de Perillo, a matéria do Fantástico faz a CPMI do Cachoeira parecer uma “Vale a pena ver de novo”, com o tucano no centro do trama.

Por Rogério Tomaz Jr./Blog Conexão Brasília-Maranhão
Publicado no blog do Altamiro Borges
Focando a Notícia

Fernando Haddad sobe cinco pontos na disputa pela Prefeitura de São Paulo; Serra lidera



Levantamento feito pelo Datafolha entre os dias 13 e 14 de junho mostra crescimento do petista Fernando Haddad na intenção de voto para Prefeitura de São Paulo. Haddad subiu de 3% para 8% na preferência dos eleitores.
O ex-governador José Serra (PSDB) se manteve na liderança com 30% das intenções. Em segundo aparece Celso Russomanno (PRB), com 21%. Soninha Francine (PPS) está com 8%, empatada na terceira posição com Haddad.
Netinho de Paula (PCdoB) está com 7% das intenções de voto. Gabriel Chalita (PMDB) tem 6%.
Paulinho da Força (PDT) tem 5%. Luiz Flávio D’Urso (PTB) e Carlos Giannazi (PSOL) aparecem com 1%. Os outros candidatos não pontuaram.
De todos os entrevistados, 9% declarou voto branco ou nulo, e 3% ainda não sabe.
A margem de erro é de três pontos percentuais para mais ou para menos. O levantamento ouviu 1077 pessoas e está registrado na Justiça Eleitoral com o número SP-00075/2012.

Fonte: Folha Online

Luiza Erundina diz “sim” ao PSB e será vice de Fernando Haddad

 

Luiza Erundina (PSB-SP) aceitou oficialmente o convite do seu partido e será apresentada nesta sexta(15) como vice na chapa do pré-candidato Fernando Haddad (PT) à prefeitura paulistana. O “sim” da ex-prefeita e deputada federal foi dado na noite dessa quinta-feira ao vice-presidente socialista, Roberto Amaral, em jantar na capital.

Antes, Amaral teve encontros com o deputado federal Márcio França (PSB-SP), presidente estadual da sigla, e com o vereador Eliseu Gabriel (PSB-SP), que comanda o diretório municipal.

Alessandro Shinoda – 26.fev.2011/Folhapress
Luiza Erundina(PSB) pode ser vice de Haddad
Luiza Erundina (PSB) será a vice de Haddad em São Paulo

Na rodada de conversas, comunicou a ambos as razões da aliança com os petistas, a ser formalizada nesta sexta-feira pelo governador Eduardo Campos (PE), principal dirigente do partido, às 16h num hotel do centro paulistano. Pela manhã, Erundina se reunirá com os dirigentes municipais e estaduais de seu partido.

A ex-prefeita, que militou no PT até 97, era, a princípio, refratária à ideia de participar da chapa com Haddad.

Distante da direção socialista em São Paulo, a deputada tinha planos de trabalhar exclusivamente na campanha de sua assessora Mona Zeyn à Câmara da capital. Desde maio, contudo, vem sendo procurada por aliados de Haddad, que externou publicamente desejo de tê-la como companheira de chapa.

Questionado ontem sobre a escolha, Haddad não quis comentar antes do anúncio formal da chapa, mas fez elogios a Erundina. “A Luiza é uma mulher partidária, que tem tradição na luta social e um padrão ético incontestável e respeitado por todos os partidos”, disse.

“Mesmo tendo saído do PT, ela tem muito respeito da militância petista”, acrescentou, em entrevista à rádio Bandeirantes.

A ex-prefeita também foi elogiada hoje pelo ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Gilberto Carvalho. “É um excelente nome. Me entusiasma muito e vai entusiasmar muito a nossa militância toda”, afirmou Carvalho. Para dirigentes do partido, a escolha ajudará Haddad e compensará em parte o boicote da senadora Marta Suplicy ao pré-candidato.

Os petistas exaltam sua imagem de política honesta e apostam em sua identificação com os eleitores mais pobres para ajudar Haddad, especialmente na periferia. “Ela é sempre muito bem vinda entre nós”, acrescentou o ministro.

Fábio Zambeli, do Painel/Folha Online
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PT se une ao PSB em SP e deve anunciar nome de paraibana como vice de Fernando Haddad

 

O PSB ofereceu o nome da paraibana, ex-prefeita e deputada Luiza Erundina como vice na chapa encabeçada pelo pré-candidato do PT à Prefeitura de São Paulo, Fernando Haddad. Segundo o ‘Estadão’ apurou, o PT acatou o nome da parlamentar para ingressar na campanha do ex-ministro da Educação e faz um “esforço” para anunciá-lo na próxima sexta-feira.

Erundina já foi sondada pelo governador de Pernambuco, Eduardo Campos, há 13 dias e disse aceitar a missão, desde que houvesse consenso no PT e no PSB. Na expectativa de que ela aceite a indicação, o PT esperava uma conversa final dela com direção do PSB ainda hoje em Brasília. Antes de bater o martelo, o PSB corre para diminuir a resistência da ala paulista do partido à escolha. Isso porque Erundina não é ligada ao grupo do presidente estadual do PSB, Márcio França, que trabalhou por uma aliança com os tucanos.

Campos já havia colocado o nome da deputada nas primeiras conversas que manteve com o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva para definir a aliança em São Paulo no mês de março. Ele também sondou Erundina sobre a disposição de aceitar o convite durante encontro, no dia 1º de junho, em Recife, quando foi lançada a Comissão da Verdade em Pernambuco.

Na conversa, Luiza Erundina disse que só toparia se a indicação fosse por consenso. Ela também pediu sigilo sobre o assunto, pois temia que o nome dela sofresse desgaste, se a indicação vazasse para a imprensa.

“É o diretório nacional que está fazendo a discussão”, afirmou a deputada ao ‘Estadão’. “Ainda não há fundamento nem base para eu comentar essa questão”, disse. Questionada se toparia ser vice de Haddad, a ex-prefeita disse: “Não parei para pensar isso ainda”.

Hoje Haddad elogiou a parlamentar. “Luiza é uma mulher partidária, tem muito respeito da militância petista. Ela tem tradição na luta social e um padrão ético incontestável. Está mais próxima de nós, para a minha honra”, declarou.


Fone: Agência Estado

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