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Feminicídios são mais de 50% dos assassinatos de mulheres no 1º semestre de 2019

No primeiro semestre deste ano, 32 mulheres foram mortas por crimes letais intencionais, em toda Paraíba. Do total, 17 casos estão sendo investigados como feminicídios. O número representa 53% dos assassinatos de mulheres. E essa proporção já é maior do que o mesmo período do ano de 2018, quando 48 mulheres foram assassinadas e 22 casos foram tratados como feminicídios, representando 44% do total.

O mês de abril foi o mais violento para as mulheres. O número de feminicídios aumentou 50% em relação à soma dos casos do primeiro trimestre de 2019. Os dados são da Secretaria de Segurança e Defesa Social (Seds) e mostram que, das nove mortes de mulheres no mês de abril, seis começaram a ser investigadas como feminicídio. O número é maior do que o que foi registrado nos três primeiros meses do ano somados (4 feminicídios).

O mês mais marcado por feminicídios teve dois casos de destaque. Na quinta-feira Santa, dia 18 de abril, um homem matou a ex-companheira com três tiros, no bairro da Torre, em João Pessoa, e logo depois se matou com um tiro no ouvido. O crime aconteceu em frente a uma concessionária de veículos. De acordo com informações da Polícia Militar, a vítima do feminicídio, Tâmara de Oliveira Queiroz, chegou a ser socorrida pelo filho do suspeito, mas não resistiu e morreu. O delegado Diego Garcia informou que os dois estavam separados a cerca de dois meses e o suspeito não aceitava o fim do relacionamento.

Poucos dias antes, no dia 15 de abril, um homem também matou a esposa e depois cometeu suicídio, em um motel na BR-104, entre a saída de Campina Grande e a cidade de Queimadas, no Agreste paraibano. Ele mandou mensagens no WhatsApp para o irmão informando que matou a mulher e que iria se matar em seguida com um revólver. A conversa foi divulgada à TV Paraíba pelo irmão de Aderlon Bezerra de Souza, de 42 anos, na manhã da terça-feira (16).

Em maio, o número de feminicídios também foi alto, embora a proporção tenha sido menor. O casos de mortes de mulheres que estão sendo investigados como feminicídio representam 50% do número de homicídios dolosos ou qualquer outro crime doloso que resulte na morte de uma mulher, apenas no mês de maio de 2019. De acordo com a Secretaria de Segurança e Defesa Social da Paraíba, foram registrados dez homicídios de mulheres em maio. Desse total, cinco casos são investigados como feminicídio.

Números do primeiro trimestre

Em março de 2019, três mulheres foram vítimas de homicídio doloso. Um dos casos está sendo investigado como feminicídio. Os dados foram obtidos por meio da Lei de Acesso à Informação e repassado pela Secretaria de Segurança e Defesa Social.

Em janeiro de 2019, metade dos homicídios de mulheres que aconteceram foram tratados, de forma preliminar, como feminicídio. Os casos estão sob investigação da Polícia Civil, mas foram cometidos pelo companheiro ou ex-companheiro das vítimas. Quatro mulheres foram assassinadas em janeiro deste ano. Duas delas podem ter sido mortas simplesmente por serem mulheres.

O número de mulheres mortas no mês de fevereiro de 2019, na Paraíba, caiu 25% em relação a janeiro. Dos casos registrados pela Polícia Civil, um está sendo investigado como feminicídio. Três mulheres foram mortas. Duas delas, especificamente, por homicídio doloso. O outro caso é tratado pela Polícia Civil como feminicídio.

Os casos ainda estão sob investigação. A lei nº 13.104, sancionada em 2015 pela ex-presidenta Dilma Rousseff, inclui o feminicídio no rol dos crimes hediondos. É feminicídio o homicídio contra a mulher por razões da condição de sexo feminino, isto é, quando envolve violência doméstica e familiar, menosprezo ou discriminação à condição de mulher.

G1

 

Número de feminicídios em abril sobe 50% em relação ao primeiro trimestre de 2019

O número de feminicídios aumentou 50% em abril, com relação à soma dos casos do primeiro trimestre de 2019, na Paraíba. Os dados são da Secretaria de Segurança e Defesa Social (Seds) e mostram que, das nove mortes de mulheres no mês de abril, seis estão sendo investigadas como feminicídio. O número é maior do que o que foi registrado nos três primeiros meses do ano somados (4 feminicídios).

Em janeiro, das quatro mulheres assassinadas, duas foram feminicídio. Em fevereiro, o número caiu 25%, quando três mulheres foram mortas. Duas delas, especificamente, por homicídio doloso. O outro caso é tratado pela Polícia Civil como feminicídio. Em março, o número e a proporção do feminicídio permaneceu o mesmo de fevereiro.

Os casos ainda estão sob investigação, mas o investigado até o momento sobre o crime leva a um dado preliminar de feminicídio. A lei nº 13.104, sancionada em 2015 pela ex-presidenta Dilma Rousseff, inclui o feminicídio no rol dos crimes hediondos. É feminicídio o homicídio contra a mulher por razões da condição de sexo feminino, isto é, quando envolve violência doméstica e familiar, menosprezo ou discriminação à condição de mulher.

Ao todo, no mês de abril, houve 84 Crimes Violentos Letais Intencionais (CVLI), sendo nove com mulheres.

Para a professora de direito penal, Sabrinna Cavalcanti, há dois pontos a serem notados no aumento dos casos de feminicídio: a tipificação “femincídio”, adotada em 2015 para diferir os tipos de homicídios praticados contra mulheres, e a volta de ideais conservadores e machistas, que oprimem o sexo feminino de buscar igualdade de direitos na sociedade.

“Um dos fatores é o próprio conceito de feminicídio, pois muitas mortes causadas por violência doméstica não chegavam à estatística. Mas também destaco a volta do discurso conservador, que busca fazer com que a mulher se mantenha restrita ao ambiente doméstico. Isso vai contra a evolução que ocorreu na luta pelo direito das mulheres. Esse conflito, muitas vezes, acaba em morte”, explica Sabrinna.

Crimes semelhantes

O mês de abril foi cruel para as mulheres. A Semana Santa foi marcada por crimes que chocaram pela semelhança e brutalidade. No dia 16 de abril, Aderlon Bezerra de Souza, de 42 anos, matou Dayse Auricea Alves, de 40 anos. Em seguida, ele deu um tiro na própria boca e morreu. O crime aconteceu em um motel de Campina Grande. O casal estava separado e teria ido ao local comemorar o aniversário de Dayse.

O homem mandou mensagens no WhatsApp para o irmão dele informando que matou a mulher e que iria se matar em seguida com um revólver. As capturas de tela mostram que às 21h02 o homem mandou “Ei, matei Dayse, estou me suicidando agora”. Em seguida ele liga duas vezes para o irmão e continua: “Estou no parque motel, suíte 24, agora não tem mais jeito. Xau mano”. O irmão ainda tenta perguntar “com quem?” e Aderlon responde: “revólver”.

Homem enviou mensagens para irmão após matar esposa em quarto de motel na Paraíba — Foto: TV Paraíba/Reprodução

Homem enviou mensagens para irmão após matar esposa em quarto de motel na Paraíba — Foto: TV Paraíba/Reprodução

Para a polícia, Aderlon planejou a morte da esposa, no entanto, Dayse foi para o motel espontaneamente, segundo a delegada Nercília Dantas. “Ela confiava nele”, explicou. Ainda segundo o irmão dele, no dia do crime o homem deu um abraço nele e na mãe, como estivesse se despedindo. O casal deixa duas filhas, uma de 8 anos e outra de 17. Eles foram enterrados lado a lado, no mesmo túmulo, no mesmo cemitério. Aderlon Bezerra não tinha posse de arma.

Dois dias depois, a história se repetiu com personagens diferentes. No bairro da Torre, em João Pessoa, um empresário matou a ex-companheira com três tiros e, em seguida, se matou com um tiro no ouvido. A arma foi encontrada embaixo do corpo dele. O crime todo aconteceu em frente a uma concessionária de veículos.

O delegado Diego Garcia informou que os dois estavam separados há cerca de dois meses e o suspeito não aceitava o fim do relacionamento. Antes de atirar, o suspeito identificado como Marconi Alves Diniz, teria discutido com Tâmara de Oliveira.

Publicação foi feita no Facebook, na segunda-feira que antecedeu o crime, em João Pessoa — Foto: Reprodução/Facebook/Marconi Diniz

Publicação foi feita no Facebook, na segunda-feira que antecedeu o crime, em João Pessoa — Foto: Reprodução/Facebook/Marconi Diniz

Marconi também deu sinais de que o crime poderia aconteceu. Três dias antes do crime, ele publicou uma mensagem nas redes sociais. “A humilhação que você passa vai acabar junto com o seu problema nesta quinta-feira, basta você acreditar”, diz a mensagem publicada na segunda-feira (15).

De acordo com o delegado Diego Garcia, que atendeu a ocorrência, algumas mensagens de despedida foram encontradas no celular de Marconi. “Elas mostravam que talvez ele fosse tirar a própria vida, mas não que fosse matar ela”, explica.

Morte a facadas

Antes do dois crimes, Marilene da Silva foi morta com trinta facadas pelo companheiro dela, José Jorge Bernardo. Ele confessou o crime e disse que matou a companheira porque descobriu uma traição dela. José Jorge foi preso no local do crime, com a faca usada no homicídio.

G1

 

Número de feminicídios em João Pessoa diminui em 2014, mas ainda é preocupante

violenciaDuas mulheres foram assassinadas na madrugada da última quinta-feira (15). Somadas às outras duas mortes violentas, tornaram esta madrugada a mais violenta de 2015 até agora.

Uma das mulheres encontrou a morte no Loteamento Novo Geisel, próximo do Condomínio Irmã Dulce, em Gramame. Por volta de 2h30 ela foi vítima de seis disparos. Os tiros a derrubaram e ela morreu. A polícia só foi informada do assassinato às 6h30. A perícia encontrou maconha e crack nos bolsos da vítima, que, até agora, não foi identificada.

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O outro crime aconateceu por volta das 4h20, na rua Mariângela Lucena Peixoto, no Valentina. Ela também não foi identificada e foi vítima de tiros, como a outra mulher antes dela.

A polícia não encontrou qualquer ligação entre os dois crimes. Segundo o delegado titular de Homicídios da Capital, Reinaldo Nóbrega, os crimes terem acontecido na mesma noite reflete apenas uma “infeliz coincidência”.

A “infeliz coincidência” mostra o quanto ainda é chocante o assassinato de mulheres, ainda mais quando acontecem em tanta quantidade na Paraíba. Os crimes deste tipo, de acordo com o delegado, estão diminuindo a cada dia.

“Não podemos achar que este será um ano violento para as mulheres simplesmente por termos tido dois crimes na mesma noite”, declarou.

“Em 2014 tivemos 104 assassinatos de mulheres. Um número bem menor do que nos anos anteriores. É uma curva descendente que acreditamos que vamos conseguir manter”, declarou o delegado.

Em 2014 o número de assassinatos de mulheres na Paraíba foi correspondente a 7% do total de crimes violentos no Estado. “É um número pequeno que queremos diminuir. Vamos lutar para mudar este cenário”, declarou.

Região sul – Um foco de assassinatos que vem preocupando a polícia é a região sul de João Pessoa, especialmente os arredores do bairo Valentina de Figueiredo. Foi nesta região que os quatro assassinatos da última quinta-feira aconteceram.

“Temos visto a mancha da violência de João Pessoa se deslocar para esta região. Em 2013 isso ficou bastante evidente. Já estamos desenvolvendo estratégias junto à Polícia Militar para a ampliação da presença da PM na região. Mas é impossível controlar tudo, né? A polícia não é onipresente. Estamos fazendo o que está ao nosso alcance”, explicou o delegado.

Abaixo, veja o número de assassinatos de mulheres desde 2010.

2010 – 119

2011 – 146

2012 – 139

2013 – 118

2014 – 104

João Thiago

Relatório constata aumento de feminicídios de 1985 a 2009, com um total de 34.176 mulheres assassinadas

A quantidade de feminicídios no México aumentou de forma constante desde 1985. Esta é uma das principais constatações do relatório editado conjuntamente por ONU Mulheres, Colégio do México e Instituto Nacional das Mulheres (INMujeres). ‘Feminicídio no México. Aproximação, tendências e mudanças 1985-2009’ destaca as regiões do país com a maior incidência deste crime, revela a queda no número de assassinatos de homens e denuncia a falta de informações completas sobre a problemática.

O relatório foi elaborado com o objetivo de contribuir para documentar as circunstâncias em que se realizam os crimes de violência feminicida no México. E ainda para ajudar a visibilizar este crime contra a vida, a integridade e os direitos das mulheres, com vistas a auxiliar na melhora da prevenção e da punição.

Dentro do período analisado pelo relatório, segundo dados da secretaria de Saúde e do Instituto Nacional de Estatística e Geografia (Inegi), foram registrados 34.176 casos de feminicídio. Desde 1985 a quantidade de casos foi aumentando de forma constante. Em 2007 houve uma redução pela metade na quantidade de casos, no entanto, nos dois anos seguintes – que são os dois últimos anos analisados pelo relatório – houve um aumento de 68%. Para as organizações à frente do relatório, o que aconteceu foi a perda de todo o avanço observado nos 23 anos anteriores.

Por outro lado, o relatório chama atenção para o fato de que, nos últimos 20 anos, os casos de assassinatos de homens caíram quase pela metade. A diferença entre a quantidade de casos envolvendo homens e mulheres também pode ser sentida por meio da análise dos seguintes dados: em quase 6% dos casos de feminicídio as vítimas tinham menos de cinco anos, contra 0,83% de casos de meninos da mesma idade. Na outra ponta, as idosas assassinadas são quase o dobro de número de homens idosos mortos no mesmo período.

Há a possibilidade real de que as cifras de feminicídio sejam ainda maiores, pois existe um sub-registro dos casos, ocasionado pela ausência de mecanismos administrativos para diferenciar os feminicídios de outros casos de homicídios de mulheres. O relatório aponta que alguns feminicídio chegam a ser registrados como suicídios ou acidentes.

Este tipo de violência acontece todos os dias e em várias partes do país, no entanto a violência é maior em Chihuahua, Baja California, Guerrero, Durango e Sinaloa, cidades marcadas pela presença do crime organizado e do tráfico de migrantes.

Outro dado apontado pelo relatório é que 45% das mulheres assassinadas perdem a vida em suas casas. Já no caso dos homens, grande parte é assassinada na rua.

Ainda fazendo um comparativo, o relatório revela que eles são assassinados por disparos de armas de fogo, enquanto elas são mortas com requintes de brutalidade também por armas de fogo, mas em vários outros casos por arma branca, objetos cortantes, estrangulamento, enforcamento, afogamento ou ainda envenenamento.

Para atenuar a pena, muitos criminosos justificam que o crime foi cometido por ciúmes ou por uma violenta emoção. Este argumento é válido em 15 estados.

Os altos índices de violência contra mulheres e meninas contrastam com o número de denúncia contra os agressores. Feminicídio no México assegura que menos de uma em cada cinco mulheres que foram vítimas de violência física ou sexual por parte de seu parceiro, esposo ou namorado apresentou alguma denúncia, atitude que precisa ser combatida, pois reforça a impunidade, comum nos casos de violência contra a mulher.

Para ler o relatório na íntegra, acesse: http://www.unifemweb.org.mx/documents/actividades/feminicidios/libro.pdf

Adital