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Romeiros se reúnem em Tocantins para recordar padre morto por fazendeiros

Romeiros de todas as regiões do país se reuniram neste fim de semana em Esperantina, no interior de Tocantins, para recordar os 27 anos da morte do padre Josimo Morais Tavares, morto a mando de fazendeiros. Durante dois dias, os cidadãos debateram a concentração agrária, o desmatamento e os problemas provocados pelo uso de venenos agrícolas.

A 13ª edição da Romaria da Terra e da Água teve como lema “Firmes na terra, semeando vida”, e foi organizada pela Comissão Pastoral da Terra (CPT) e pela Diocese de Tocantinópolis, na região do chamado Bico do Papagaio, que reúne, além de parte do território do Tocantins, porções do Pará e do Maranhão. Trata-se de uma região marcada pelos conflitos agrários. Em um deles, Josimo Morais Tavares foi morto a tiros por um pistoleiro contratado por fazendeiros da região, irritados com as denúncias de grilagem e com a proteção oferecida a trabalhadores rurais.

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Nascido em Marabá em 1953, Josimo se mudou com a família ainda criança a Xambioá, no Tocantins. Aos 11 anos, migrou para o seminário em Tocantinópolis e, ao concluir os estudos, regressou a Xambioá. Mais tarde, como coordenaor da CPT no Bico do Papagaio, amealhou afetos, se tornando conhecido como o “padre negro de sandálias surradas”, e desafetos. Em 16 de abril de 1986, o carro no qual dirigia foi acertado por uma série de disparos.

Sabendo que estava marcado para morrer, Josimo leu em público, dez dias depois, seu testamento espiritual: “Se perseguirem a mim, hão de perseguir vocês também. Tenho que assumir. Agora estou empenhado na luta pela causa dos pobres lavradores indefesos, povo oprimido nas garras dos latifúndios. Se eu me calar, quem os defenderá? Quem lutará a seu favor? Eu pelo menos nada tenho a perder. Não tenho mulher, filhos e nem riqueza sequer, ninguém chorará por mim. Só tenho pena de uma pessoa: de minha mãe, que só tem a mim e mais ninguém por ela. Pobre. Viúva. Mas vocês ficam aí e cuidarão dela. Nem o medo me detém. É hora de assumir. Morro por uma justa causa”, afirmou na ocasião.

Após a morte, sete anos se passaram até que fossem denunciados os mandantes do crime, e outros cinco transcorreram antes que fossem julgados alguns dos envolvidos no caso. Adailson Vieira, Geraldo Paulo Vieira, pai de Adailson, receram sentença de 19 anos de reclusão, e Guiomar Teodoro da Silva foi condenada ao regime fechado por 14 anos.

 

 

Redação RBA

MPF apura possível ameaça de morte a religioso por fazendeiros

ameaçaO Ministério Público Federal (MPF) em Mato Grosso do Sul solicitou à Polícia Federal de Naviraí a instauração de inquérito policial para apurar possível crime de ameaça contra um frei franciscano que atua junto às comunidades indígenas guarani-kaiowá e guarani-ñandeva no sul do estado.

A ameaça de morte teria sido realizada verbalmente por fazendeiros e comerciantes de Iguatemi durante uma reunião, em janeiro deste ano, na sede da Associação Comercial do município. O encontro tratava da publicação de portaria da Fundação Nacional do Índio (Funai) que delimita a Terra Indígena Iguatemipegua I (Mbarakay e Pyelito) e dá prosseguimento à demarcação de terras na região.

Na ocasião, o frei teria sido acusado de incitar os índios a ocupar fazendas e reivindicar áreas. Intimidado, o religioso encaminhou documento ao MPF relatando o fato. Na representação, ele afirma realizar apenas trabalho de evangelização e promoção social em prol das comunidades indígenas, sem interferir na autonomia dos índios nem incentivar a ampliação de suas reservas.

A Polícia Federal deve investigar as circunstâncias do fato para identificação dos autores da possível ameaça. Se identificado o crime, a punição prevista no Código Penal é de detenção, de um a seis meses, ou multa.

 

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Terra Indígena Iguatemipegua

Em 8 de janeiro de 2013, foi publicada a Portaria 01/2013 da Funai que reconhece a Terra Indígena Iguatemipegua I como de ocupação tradicional das famílias guarani-kaiowa dos tekoha Pyelito Kue e Mbarakay. O documento delimita a terra em pouco mais de 41 mil hectares do município de Iguatemi. A área abrange um total de 46 imóveis.

Segundo o estudo publicado pela portaria, há registros do Serviço de Proteção ao Índio (SPI) que comprovam a ocupação da região pelos indígenas. Um dos documentos afirma que “nos anos 1940, havia ‘um grupo de 215 índios’ vivendo no tekoha Pyelito, cuja posse passou a ser requerida por um ‘particular’”.

De acordo com a portaria, a situação fundiária em que hoje se encontram os índios é resultado de um processo histórico de expulsão das comunidades de suas terras, ora para a expansão da erva mate, ora para o desenvolvimento da agricultura e da pecuária.

 

 

do MPF/MS

Sensor alerta fazendeiros quando vaca está no cio

Christian Oesch cuida de um rebanho de gado leiteiro e carrega um smartphone aonde quer que vá. Às vezes ele recebe um SMS de uma de suas vacas.

Isso acontece porque Oesch, 60, que cuida de 44 vacas das raças holstein vermelha (holandesa) e jersey, está ajudando a desenvolver um equipamento que implanta sensores nos animais que avisam os fazendeiros quando as vacas estão no cio. Nesse caso, o sensor envia um SMS para o telefone do criador.

A mensagem pode ser em qualquer uma das três principais línguas usadas na Suíça –alemão, francês e italiano–, em inglês ou em espanhol.

O detector eletrônico de cio estará no mercado no próximo ano. É uma criação de vários professores de um colégio técnico na capital suíça, Berna. A tecnologia preenche uma lacuna no mercado porque as vacas leiteiras, que sofrem cada vez mais estresse para produzir maiores quantidades de leite, dão cada vez menos sinais de estarem no período reprodutivo. Isso dificulta as tradicionais inspeções visuais para saber quando um touro deve ser trazido, ou, em cerca de 80% dos casos hoje em dia, o inseminador artificial.

O sensor implantado nos órgãos genitais de Fiona ou Bella (nomes preferidos para vacas suíças) mede a temperatura do corpo e transmite o resultado para um sensor fixo no pescoço do animal, que também mede a movimentação (as vacas no cio ficam inquietas). “Os resultados são combinados usando algoritmos, e, se a vaca estiver no cio, um SMS é enviado ao criador”, diz Claude Brielmann, um especialista em computação que ajudou a criar o sistema. O detector no pescoço da vaca é equipado com um chip para que o fazendeiro pague pelas mensagens.

“O índice de reconhecimento é de cerca de 90%”, diz Brielmann. O dispositivo, conhecido como detector de cio, desperta preocupações entre os defensores dos direitos dos animais, não tanto porque invade as partes íntimas da vaca –seu uso envolve inserir um termômetro com um pequeno transmissor e uma antena na genitália–, mas por causa do que a nova tecnologia diz sobre a vida estressante das vacas suíças.

Também há ceticismo entre os criadores, que rejeitam o custo do equipamento –pelo menos US$ 1.400 por unidade.

“Há benefício financeiro?”, pergunta Ulrich Tschanz, 76, que criou 40 vacas holstein vermelhas até alguns anos atrás, quando entregou seu rebanho ao filho. “Sempre fique de olho nas suas vacas, fique de olho”, acrescenta. “Isso é o melhor.”

Mas especialistas dizem que as medidas tomadas para aumentar a produção de leite –acréscimo de proteínas, minerais e vitaminas à ração– perturbam o metabolismo das vacas, tornando o dispositivo cada vez mais necessário. “Com maior produtividade, há uma queda na atividade reprodutiva”, diz Samuel Kohler, um veterinário que está entre os desenvolvedores do equipamento e hoje é membro da direção da empresa que pretende vendê-lo, a Anemon.

Oesch está muito feliz com os resultados, apesar de alguns problemas iniciais. Ele disse que às vezes o dispositivo envia um sinal falso de que a vaca está no cio ou deixa de detectar o sinal. Logo ele começará a testar modelos mais novos e resistentes.

Os suíços têm leis sobre direitos dos animais que estão entre as mais duras do mundo. Hansuli Huber, o diretor-gerente da agência de direitos dos animais suíça Tierschutz, diz: “O verdadeiro problema é que as vacas não dão sinais de cio para diminuir as exigências cada vez maiores de produção de leite”.

NEW YORK TIMES

Fazendeiros do Pará são condenados pela prática de trabalho escravo

Imagem ilustrativa

São Paulo – Decisão da Justiça Federal paraense estabeleceu punições a dois fazendeiros flagrados mantendo trabalhadores em condições análogas à escravidão.

João Caldas de Oliveira, dono da Fazenda União, em Goianésia do Pará, foi condenado a quatro anos e oito meses de reclusão, além de multa. Válber Falquetto, dono da propriedade Tucandeira, em Medicilândia vai ter de pagar dois salários mínimos por mês para a Apae de Altamira, juntamente com  prestação de  serviços comunitários para a Secretaria de Educação do município de Ururá por dois anos.

O estado paraense tem o maior índice de trabalho escravo. Em todo país, desde 1995, quando fiscais do Ministério do Trabalho iniciaram as inspeções nas fazendas da região, já foram libertados aproximadamente 30 mil trabalhadores, dos quais 10 mil atuavam apenas no Pará.

“Não é o momento de comemorar, ainda, porque temos muito trabalho pela frente para mudar esta triste realidade”, diz o procurador da República em Marabá (PA) André Casagrande Raupp, autor da primeira ação que resultou na prisão do fazendeiro João Caldas de Oliveira, após a aprovação no último 22, da Proposta de Emenda à Constituição 438, a PEC do Trabalho Escravo.

A condenação ocorreu apenas pela prática do trabalho escravo, um dos crimes denunciados, diz Raupp. Oliveira também havia sido acusado de irregularidades trabalhistas, como a omissão de dados na carteira de trabalho.

Ouça reportagem da Rádio Brasil Atual.

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