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Leite materno: os desafios de garantir a amamentação exclusiva

Clarisse Castro/Portal Fiocruz
Clarisse Castro/Portal Fiocruz

Amamentar é um ato de amor. Você provavelmente já ouviu ou leu essa frase em algum lugar, e não costumam existir dúvidas a respeito do valor que o gesto tem. Porém, além de amor, o processo de amamentação envolve confiança, dedicação, apoio e muita informação.

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Muitas mães têm a sorte de viver o momento de forma tranquila desde o princípio. O leite desce no tempo previsto, o filho pega bem o peito e os meses de mamadas dão força à relação dos dois e saúde ao recém-nascido.

Para outras mães, contudo, um mundo de dificuldades se coloca no caminho, e o desafio é transpô-las sem perder a chance de viver uma fase única em afeto e aprendizado. “Tive muita dificuldade na amamentação. Meus seios ficaram muito feridos. Para mim, a melhor hora era quando ela estava dormindo. Pensar que teria que amamentar quando ela acordasse me deixava angustiada”. É o que relembra a jornalista Cristal Sá.

Morena, que hoje está no puro encantamento dos seus três aninhos, nem imagina o que sua mãe precisou fazer para garantir que ela tivesse amamentação exclusiva por cinco meses e meio. Os bicos dos seios racharam, fazer a retirada de leite pela ordenha era dolorido, e coisas muito inusitadas surgiram no caminho, como a recomendação de usar banana para ajudar a cicatrizar e minimizar a dor. “Não conseguia vestir nada. Andava sem blusa e pingando leite. Isso derruba qualquer autoestima. Todo dia eu pensava comigo mesma:  só vou amamentar hoje. Amanhã eu desisto. Mas, no dia seguinte, recomeçava.”

A história de Cristal é uma dentre várias que acontecem todos os dias, fazendo com que muitas mães desistam de amamentar, apesar de todas as provas de que o leite materno é a melhor alimentação para o bebê.

As dificuldades biológicas podem vir do tipo de bico do seio que a mãe possui ou da quantidade de leite que ela consegue produzir. Mas também há aquelas do tipo cultural: as cobranças, palpites, enganos e publicidades muito bem produzidas de laticínios colocam a insegurança na rota das mulheres.

Os dois tipos de dificuldade impedem que o índice de amamentação exclusiva até os seis meses, recomendado pela Organização Mundial de Saúde, atinja o padrão desejado.

Uma pesquisa realizada em 2008 e sistematizada em 2010 pelo Ministério da Saúde e pela Fiocruz em 227 municípios brasileiros, com 120.125 crianças, apontou que 87% dos municípios (198) apresentam um índice apenas razoável de amamentação exclusiva, quando algo entre 12% e 49% dos entrevistados declararam realizar a prática.

Para a doula e educadora perinatal, coordenadora da Roda Bebedubem, e mãe de três crianças, Débora Regina Diniz, grande parte das dificuldades é cultural. Segundo ela, ante o desafio de amamentar, toda mãe se cobra, é cobrada e alvejada por centenas de interferências que a distanciam da sua condição natural de mamífera. “Temos todos os aparatos, mas frente ao bebê e com toda a nossa insegurança, fica difícil reconhecer o poder que toda mulher tem. Precisamos confiar em nosso instinto”.

No Instituto Nacional de Saúde da Mulher, da Criança e do Adolescente Fernandes Figueira (IFF/Fiocruz), a enfermeira Nina Savoldi e a médica Marlene Assumpção, da Rede Brasileira de Bancos de Leite Humano, recebem diariamente um sem número de mães e pais aflitos com as dificuldades de amamentar.

Muitos dos pais já são desencorajados na maternidade de persistir nas tentativas, e recebem recomendações de fórmulas {em forma de pó, são misturadas em água}, acessórios e medicamentos que nem sempre resolvem os problemas, e muitas vezes causam outros. “A recomendação da fórmula {substância em pó, a ser diluída em água, fabricada para ser muito parecida com o leite materno} nos primeiros dias de vida, quando tanto mãe quanto bebê estão aprendendo a viver o processo de amamentação, muitas vezes ancorada numa perda de peso instantânea do recém-nascido, revela o desconhecimento de alguns profissionais de saúde, mesmo que estes tenham boa vontade.”, explica Marlene.

Fonte:

Fundação Oswaldo Cruz

Constituinte exclusiva para reforma política ganha as ruas

ABr
ABr

A série de protestos que foram chama­dos de “Jornadas de junho” em 2013 ain­da é motivo para dezenas de análises. O que começou com um questionamento do transporte público nas capitais, pas­sou por uma solidariedade às vítimas de violência policial e desaguou numa crise de representatividade dos que estavam nas ruas contra os partidos políticos.

As placas de “não me representam” to­maram conta das ruas por todo o Brasil chegando, inclusive, a fazer a presidenta Dilma Rousseff chamar uma rede nacio­nal para se posicionar e procurar dar res­posta às ruas. Em um dos cinco pontos levantados, a presidenta anunciou a con­vocação da criação de um plebiscito po­pular para uma Constituinte exclusiva do sistema político.

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Resumindo, o governo faria uma con­sulta em que questionaria a população de seu desejo de eleger um Congresso exclu­sivamente para traçar um novo sistema político no Brasil. Horas depois, deputa­dos, ministros e até o vice-presidente da República jogavam água fria na ideia da presidenta.

Acontece que a sociedade aproveitou o espaço aberto na discussão para bo­tar seu bloco na rua. Cerca de 400 enti­dades entre movimentos, organizações, partidos e sindicatos lançaram a campa­nha do “Plebiscito Popular pela Consti­tuinte Exclusiva”, que está mobilizando todo o país.

O Plebiscito pela Constituinte Exclu­siva vai às ruas fazer a coleta de votos em todo o Brasil na chamada “Sema­na da pátria”, a partir de 1º de setem­bro e termina dia 7, dia da Independên­cia. As urnas coletarão os votos com a resposta à pergunta: “Você é a favor de uma constituinte exclusiva e soberana para o sistema política?”. Sem a pre­tensão de se tornar alguma lei de fa­to, os 10 milhões de “sim” que a cam­panha pretende captar quer pressionar o Congresso Nacional e os políticos pa­ra a vontade da população de mudan­ças estruturais.

“Um Plebiscito Popular não tem va­lor legal, mas tem força política. A atual Constituição diz que somente o Con­gresso Nacional, com deputados e se­nadores, podem aprovar um Plebiscito Legal. Claro que jamais farão isso sem pressão popular”, afirma o advogado Ricardo Gebrim, da Consulta Popular. Se­gundo ele, a maioria dos parlamentares não quer acabar com as regras privile­giadas que os elegeram.

Para Gebrim, os plebiscitos populares geram conquistas também. “Em 2002, quando queriam que o Brasil assinasse um acordo horrível com os Estados Uni­dos e o então presidente Fernando Hen­rique queria ceder o Território de Alcân­tara no Maranhão para virar uma base militar norte-americana, 10 milhões de brasileiros foram às urnas do Plebiscito Popular e tiveram força social para mu­dar essas propostas”, explicou.

O cientista político e professor da USP Andre Singer vê com bons olhos a ini­ciativa dos movimentos pautar a agenda da reforma política no Brasil e conside­ra importante a pressão da sociedade pa­ra que aconteçam mudanças estruturais na democracia.

“Esse movimento é uma das novida­des mais interessantes desse último pe­ríodo no país, pois ele aponta na direção de uma transformação necessária e posi­tiva. A democracia está sempre em movi­mento, não é uma obra acabada, ela po­de sofrer pressões para ser colonizada pelo capital, mas também pode ser rea­propriada pela própria população. Acre­dito que o movimento vai nessa segunda direção”, elogiou.

A falta de representatividade

O desinteresse na política é o que mais preocupa tanto ativistas quanto cientis­tas políticos. O poeta e membro do coleti­vo Perifatividade Ruivo Lopes alerta que a representatividade de sociedade civil na política ainda é muito nebulosa e aca­ba afastando boas parcelas dos cidadãos, como a juventude.

“A política nacional hoje não é atraen­te para a juventude que não se vê repre­sentada por esse processo viciado. Ela está pedindo protagonismo, mas sem a necessidade de assumir vínculos com a política tradicional. Ela quer criar seus próprios processos políticos nas ruas, coletivos e movimentos e a entrada em cena dessa juventude é urgente”, frisou.

O fenômeno do desinteresse na polí­tica, de acordo com Andre Singer, não ocorre somente no Brasil. Ele considera também vital um processo de democra­tização da democracia para que essa ten­dência se reverta.

“A sociedade tem que tentar se mexer para encontrar um modelo que faça esse movimento de democratizar a democra­cia. No contrário, vai acontecer aquilo que muitos estudiosos já observam em diversos países do mundo, em que há um esvaziamento da democracia, uma percepção por parte dos eleitores que a política não tem nada a ver com ele, é uma instância que funciona descolada das aspirações da própria sociedade e com isso você acaba por esvaziar o pró­prio sentido da democracia”, explicou

O financiamento público de campanha

As campanhas no Brasil ficam mais ca­ras a cada eleição. Em 2014, de acordo com as informações cedidas pelas cam­panhas dos candidatos ao Tribunal Su­perior Eleitoral (TSE), os gastos podem chegar perto de R$ 1 bilhão somente no primeiro turno e ultrapassar essa marca no segundo.

Também segundo a primeira roda­da de contas prestadas ao TSE, somen­te três empresas: AMBEV, JBS e OAS doaram 65% de todo o dinheiro para as campanhas presidenciais. A campanha de reeleição de Dilma Rousseff declarou que toda a receita da primeira rodada foi oriunda de doações de empresas.

Andre Singer critica o modelo atual de financiamento, pois, na sua visão, ele de­sequilibra a democracia para o lado do dinheiro e das grandes empresas. “Nessa realidade de eleições cada vez mais caras e sendo sustentadas pelas empresas, vo­cê entra numa condição em que o capital tem muita influência no processo demo­crático e o cidadão acaba tendo cada vez menos”, analisou.

A proibição da doação de pessoas jurí­dicas para campanhas eleitorais foi alvo de uma ADIN (Ação Direta Institucional) da Ordem dos Advogados do Brasil, que está parada no Supremo Tribunal Fede­ral. Dos 11 ministros da casa, seis já ha­viam se posicionado a favor da proibição quando Gilmar Mendes pediu vistas do processo e ainda não o devolveu ao ple­nário.

O professor é a favor do financiamen­to exclusivamente de pessoas físicas e de um limite de gastos baixo para as campa­nhas, excluindo toda a “parafernália ci­nematográfica” e focando mais em pro­gramas simples centrados nas propostas.

Dificuldades

Alguns analistas criticam a alternati­va de proibição do financiamento pri­vado de campanha com o argumento de que ao invés de ajudar nos controles das doações, possam piorar ainda mais o sistema.

Um exemplo seria que uma empresa ou organização pudesse fazer pagamen­tos aos funcionários e integrantes para que sejam repassados às campanhas.

Singer acredita que esse não é um ar­gumento trivial, mas analisa que a socie­dade mobilizada poderá fazer o papel de fiscalizadora de qualquer ilegalidade.

“Eu reconheço que mudar regras não é simples e que a gente precisa ter uma postura cautelosa. Mas é preciso con­vir que a sociedade tem que se mexer e tentar essas mudanças na direção da­quilo que lhe interessa. A maior garan­tia de que as novas regras poderão fun­cionar é se a sociedade estiver mobili­zada para fazer o papel de fiscalizado­ra”, explicou

Desigualdade e representação política

O Brasil é o país com mais negros fo­ra da África. As mulheres já representam mais da metade da população brasilei­ra e, consequentemente, mais da metade dos votos. Porém, a representação des­sas duas parcelas da sociedade brasilei­ra no Congresso Nacional está longe de ser a ideal.

A participação das mulheres na Câma­ra dos Deputados se restringe a 45 dos 513 eleitos, ou 9% do total. No Senado, dos 81 senadores, somente oito são mu­lheres (10%).

Em relação aos negros, a correlação é ainda pior. Somente 43 deputados e dois senadores se autodeclaram negros. En­quanto isso, 273 dos parlamentares elei­tos em 2010 se declararam empresários, 160 estão na bancada ruralista e 66, na banca evangélica. A correção dessas in­justiças é um ponto central da Consti­tuinte exclusiva.

“Cabe ao Estado brasileiro reconhecer a desigualdade de condições sociais e de representação política entre brancos e não brancos e a necessidade de mudan­ças no sistema político, criando a possi­bilidade de alcançarmos a paridade en­tre negros e brancos e entre mulheres e homens, para a efetivação de uma socie­dade verdadeiramente democrática e ci­dadã”, afirmou Flávio Jorge dirigente da SOWETO Organização Negra.

Maria Julia Monteiro, militante da Marcha Mundial das Mulheres, desta­ca que somente com uma ampliação do processo democrático no Brasil, com a criação de novos mecanismos populares de participação popular, é possível fazer avançar o número de mulheres e negros em cargos políticos.

“Com a Constituinte conseguiremos discutir um novo sistema político, que é essencial para aprofundarmos a demo­cracia brasileira. Faltam mecanismos de participação popular, possibilidade de fazer avançar candidaturas populares aprofundar a participação das mulheres na política”, afirma Maria Julia.

Segundo ela, historicamente “fomos relegadas ao espaço privado, então há grandes empecilhos para a participação política das mulheres, para nossa inser­ção no espaço público. Com a Constituin­te, conseguiremos pensar novas regras para o jogo da política, que possibilitarão uma radicalização da democracia brasi­leira”, analisou.

Conservadorismo

Outro ponto que atinge em cheio os interesses das mulheres e dos negros no processo político hoje em dia é o au­mento do conservadorismo na socieda­de e, como reflexo, no Congresso Nacio­nal. Temas sensíveis como o da lei anti­-homofobia, o direito ao aborto e as vá­rias tentativas de se diminuir a maiorida­de penal no Brasil.

Maria Julia vê com preocupação os avanços de que ela chama de “direita antipopular” que vem avançando contra direitos das mulheres, mas também se posiciona contra qualquer iniciativa que aumente a participação popular na so­ciedade.

“Temos visto com preocupação um au­mento desse conservadorismo escanca­radamente conservador, que é contra o direito da população LGBT, da popula­ção negra, e das mulheres”, afirma.

Segundo ela, essa direita, extrema­mente antipopular, tem aparecido mais e conseguido mais espaço na sociedade. Ele é contra qualquer tipo de participa­ção popular, qualquer tipo de direitos a mais que possam ser conquistados pela população.

Para ambos, a mídia alimenta muito essa ascensão conservadora por meio de programas religiosos e noticiários sen­sacionalistas que “são incorporados pe­lo senso comum”, de acordo com Flavio Jorge. Maria Julia explica a importância dos movimentos sociais serem o contra­ponto desse processo, ganhando um ta­manho maior no debate.

“Uma das principais tarefas dos movi­mentos organizados hoje é estimular a organização do povo, estimular o deba­te político, o debate crítico, para conse­guir driblar a grande mídia, que joga le­nha na fogueira desse conservadorismo”, argumenta.

Para ela, é preciso realizar trabalho de base, organizar o povo, porque se os movimentos populares não fizerem isso, quem o fará serão os setores conserva­dores, pautando questões como a maior criminalização do aborto e diminuição da maioridade penal.

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Colaborou Joana Tavares

brasildefato

12 de agosto: movimentos sociais saem às ruas por uma Constituinte exclusiva e soberana

campanha_constituinteNesta terça-feira, 12 de agosto, a Campanha Nacional pelo Plebiscito Popular por uma Constituinte Exclusiva e Soberana do Sistema Político realiza o Dia Nacional de lutas pela ‪Constituinte. Os mais de 800 comitês, espalhados por todos os estados brasileiros, se reunirão em manifestações locais para levarem às ruas sua luta. Os comitês da Grande São Paulo e Capital, por exemplo, se reunirão, a partir das 16h30, em um ato único na Praça Ramos, Centro da capital. São esperados mais de 1 mil ativistas, de comitês de bairro, movimentos populares, de juventude, religiosos, partidos políticos, estudantes e simpatizantes.

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No dia 12 de agosto, também é comemorado o Dia da Juventude. Passado mais de um ano desde as Jornadas de Junho, a Campanha convocará a população para, novamente, se mobilizar. As ações visam à divulgação e esclarecimento sobre o Plebiscito Popular, que será realizado de 1º a 07 de setembro, perguntando aos brasileiros (as): Você é a favor de uma Constituinte Exclusiva e Soberana do Sistema Político?

O objetivo da Constituinte é propor uma verdadeira reforma política e, assim, promover a democratização das estruturas de poder.

No Recife, Estado de Pernambuco, instituições envolvidas no processo se concentrarão a partir das 15h, na frente da Câmara Municipal, e de lá seguirão em caminhada levando faixas e distribuindo panfletos. A previsão é de que a passeata termine com uma exibição de filmes.

De acordo com Eduardo Mara, da Consulta Popular, a questão do sistema político brasileiro é antiga. Embora o movimento pela Constituinte de 1988 tenha alcançado conquistas importantes, os mesmos parlamentares que ocupavam o Congresso pela manhã, se reuniam à tarde para formular a Constituição, reduzindo em muito as propostas da população. É por isso que o mote da campanha atual é de uma Constituinte exclusiva e soberana. “Exclusiva porque vai se reunir somente para discutir a reforma do sistema político, e soberana porque o que ela decidir vai valer”, afirma ele.

Para Mara, essa luta surge num contexto de retomada da atuação dos movimentos populares, que vem se intensificando desde junho de 2013. Em sua avaliação, é importante levar a mobilização às ruas porque esse é o espaço para debater se os brasileiros e brasileiras querem ou não mudar o sistema político.

Em novembro de 2013, quando teve início a campanha pela Constituinte Soberana e Exclusiva do Sistema Político, cerca de 70 organizações em nível nacional manifestaram apoio à iniciativa. Hoje, já são mais de 200. Em Pernambuco, cerca de 60 entidades estão engajadas nos debates e desenvolvendo ações, mas ainda, segundo Mara, a adesão cresceu bastante nos últimos meses.

 

Adital

Fantástico exibe entrevista exclusiva com Papa Francisco

Reprodução/TV
Reprodução/TV

O Fantástico deste domingo (28) exibe entrevista exclusiva com o Papa Francisco, a primeira a um jornalista desde sua eleição. Na sua visita ao Brasil, o sumo pontífice encontrou tempo na agenda para receber o repórter Gerson Camarotti, da GloboNews, para uma conversa franca.

Na entrevista, o papa abordou assuntos difíceis, como os escândalos no Vaticano e os desafios da Igreja Católica para atrair fiéis. Comentou também a acolhida que teve no Brasil, durante a Jornada Mundial da Juventude, e deu lições de humildade, solidariedade e humanidade.

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Francisco também explicou a atitude que toma em relação a sua segurança.

“Eu não sinto medo. Sei que ninguém morre de véspera. Quando acontecer, o que Deus permitir, será. Eu não poderia vir ver este povo, que tem um coração tão grande, detrás de  uma caixa de vidro. As duas seguranças (do Vaticano e do Brasil) trabalharam muito bem. Mas ambas sabem que sou um indisciplinado nesse aspecto.”

Leia, a seguir, trechos da entrevista concedida pelo Papa a Gerson Camarotti.
Rivalidade entre Brasil e Argentina

“O povo brasileiro tem um grande coração. Quanto à rivalidade, creio que já está totalmente superada. Porque negociamos bem: o Papa é argentino e Deus é brasileiro.”

Pobreza x ostentação

“Penso que temos que dar testemunho de uma certa simplicidade – eu diria, inclusive, de pobreza. O povo sente seu coração magoado quando nós,  as pessoas consagradas, são apegadas a dinheiro.”

Perda de fiéis

“Não saberia explicar esse fenômeno. Vou levantar uma hipótese. Pra mim é fundamental a proximidade da Igreja. Porque a Igreja é mãe, e nem você nem eu conhecemos uma mãe por correspondência. A mãe… dá carinho, toca, beija, ama. Quando a Igreja, ocupada com mil coisas, se descuida dessa proximidade, se descuida disso e só se comunica com documentos, é como uma mãe que se comunica com seu filho por carta. Não sei se foi isso o que aconteceu no Brasil. Não sei, mas sei que em alguns lugares da Argentina que conheço isso aconteceu.”

Escândalos no Vaticano

“Agora mesmo, temos um escândalo de transferência de 10 ou 20 milhões de dólares de monsenhor. Belo favor faz esse senhor à Igreja, não é? Mas é preciso reconhecer que ele agiu mal, e a Igreja tem que dar a ele a punição que merece, pois agiu mal. No momento do conclave, antes temos o que chamamos congregações gerais – uma semana de reuniões dos cardeais. Naquela ocasião, falamos claramente dos problemas. Falamos de tudo. Porque estávamos sozinhos, e para saber qual era a realidade e traçar o perfil do novo Papa. E dali saíram problemas sérios, derivados em parte de tudo o que vocês conhecem: do Vatileaks e assim por diante. Havia problemas de escândalos. Mas também havia os santos. Esses homens que deram sua vida para trabalhar pela Igreja de maneira silenciosa no Conselho Apostólico.”

Os jovens

“Com toda a franqueza lhe digo: não sei bem por que os jovens estão protestando. Esse é o primeiro ponto. Segundo ponto: um jovem que não protesta não me agrada. Porque o jovem tem a ilusão da utopia, e a utopia não é sempre ruim. A utopia é respirar e olhar adiante. O jovem é mais espontâneo, não tem tanta experiência de vida, é verdade. Mas às vezes a experiência nos freia. E ele tem mais energia para defender suas ideias. O jovem é essencialmente um inconformista. E isso é muito lindo! É preciso ouvir os jovens, dar-lhes lugares para se expressar, e cuidar para que não sejam manipulados.”

Fantástico

Governo descarta Constituinte exclusiva e diz que plebiscito terá perguntas diretas sobre reforma política

 

reforma-politicaBrasília – Depois de conversas com os presidentes do Supremo Tribunal Federal, do Senado Federal e da Câmara dos Deputados, o governo decidiu que a solução de “convergência possível” para fazer a reforma política é um plebiscito, e não a convocação de uma Assembleia Constituinte específica, como chegou a ser cogitado na segunda (24). A decisão foi anunciada pelo ministro da Educação, Aloizio Mercadante.

“Nessas consultas, houve um entendimento da realização de um plebiscito com foco na reforma política, que é um tema fundamental para melhorar a qualidade da representação política no país, para ser mais permeável, mais oxigenável às aspirações populares que estão se manifestando nas ruas”, disse o ministro.

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A presidenta Dilma Rousseff vai se reunir nos próximos dias com líderes de partidos do governo e da oposição, do Senado e da Câmara, para discutir o processo que levará ao plebiscito e quais questões poderão fazer parte da consulta popular. Ainda nesta semana, o governo vai consultar a presidenta do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministra Cármen Lúcia, sobre o tempo necessário para a preparação e realização do plebiscito.

Segundo Mercadante, a ideia é realizar a consulta “o mais rápido possível” para que as eventuais mudanças no sistema político entrem em vigor antes do processo eleitoral do ano que vem. Na  consulta popular, os eleitores deverão responder a perguntas diretas sobre temas da reforma política, como financiamento de campanha e representação política, informou o ministro.

“O que nós queremos é fazer a reforma política com participação popular. O instrumento que temos que viabiliza o entendimento é o plebiscito, é o povo participar e votar”, disse Mercadante.

O impasse em torno da convocação de uma Assembleia Constituinte exclusiva surgiu depois que a presidenta Dilma sugeriu um “processo constituinte específico” para a reforma política em meio ao anúncio de pactos nacionais para melhoria dos serviços públicos e da transparência no sistema político.

Após questionamentos de juristas e de manifestação da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), o governo esclareceu nessa terça (25, por meio do ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, que Dilma não sugeriu exatamente a convocação de uma Assembleia Constituinte, mas de um plebiscito para ouvir a população sobre como fazer a reforma política.

“Há uma polêmica constitucional, se na Constituição Federal existe espaço para a Constituinte exclusiva, ou não. Vários juristas de peso sustentam que há. No entanto, nós não temos tempo hábil para realizar uma Constituinte. Por isso, a presidenta falou em plebiscito popular para que se estabeleça um processo constituinte específico para a reforma política. Processo constituinte porque há matérias no plebiscito que poderão tratar de questões constitucionais da reforma política”, reforçou Mercadante.

Luana Lourenço, da Agência Brasil

Em entrevista exclusiva, secretária da Ação Social revela quais são os novos projetos para Solânea

 

aderlaneA secretária da Ação Social de Solânea, Aderlane Maia, concedeu uma entrevista exclusiva ao FOCANDO A NOTÍCIA e revelou quais são os novos projetos para promover melhorias para a vida da população solanense. Durante a conversa, a gestora também relatou as principais dificuldades encontradas ao assumir a pasta.

 

“Nos deparamos com situações muito tristes. A assistência social, a secretaria em si, não estavam funcionando a contento. Precisamos estruturar os programas, pensar nos locais aonde funcionar, montar as equipes. Esses meses estão sendo para este fim, do planejamento e estruturação”, explicou Aderlane.

 

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Com o intuito de fazer os cidadãos de Solânea pessoas mais independentes, a secretária revelou ao site que um de seus objetivos é trabalhar a promoção social evitando o assistencialismo. “Queremos trabalhar na promoção social das pessoas para que elas não dependam apenas de uma bolsa família ou de pedir uma cesta básica, mas que elas procurem e busquem conhecimento para que elas entendam que isso é que as torna dignas”, ressaltou.

 

E, para promover o crescimento desses cidadãos, Aderlane pretende começar a trabalhar a ação social já na infância. “Faremos um trabalho com as crianças onde vamos focar a cultura, desenvolver as habilidades por meio das artes, do esporte e da música. As crianças não têm acesso a tocar um instrumento ou a praticar um esporte. Então nós vamos investir nas habilidades de cada criança”, anunciou.

 

Para conseguir alcançar as metas estabelecidas, a secretária também quer fazer parcerias, principalmente com o governo federal. “Estamos tentando reerguer esse contato e a partir do momento que estamos fazendo projetos, parcerias, alimentando o sistema do governo federal, mostrando que é isso que queremos para o nosso município, que é isso que queremos fazer, incluindo crianças em nosso programa, então a partir daí é que o governo federal vai fazer a leitura e vai nos reconhecer”, finalizou a secretária.

Ouça a entrevista na íntegra:

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Redação/Focando a Notícia

Em entrevista exclusiva, prefeito de Solânea fala das mágoas com a política e diz que sofreu perseguição

 

Às vésperas de deixar a prefeitura, o prefeito do município de Solânea, Francisco de Assis de Melo (Dr. Chiquinho-PMDB), concedeu uma entrevista exclusiva ao FOCANDO A NOTÍCIA. Na ocasião, o peemedebista falou sobre a convocação dos concursados, disse ter sido vítima de perseguição da justiça e que o ano de 2012 é para ser esquecido.

Além disso, Dr. Chiquinho também falou que deixa a prefeitura de Solânea com sentimento do dever cumprido. Durante a entrevista ele afirmou que o futuro prefeito, Beto do Brasil (PPS), vai ter sim oposição, mas não confirmou pretensões políticas neste momento.

Dr. Chiquinho revelou que agora vai descansar e voltar a atuar como médico. O peemedebista disse que deixa a política de Solânea com muitas mágoas.

Você pode ouvir a entrevista na íntegra em áudio, na seção entrevista ou clicando aqui.

Redação/Focando a Notícia

Reta final do Sínodo: entrevista exclusiva com dom Leonardo Steiner

Bispo auxiliar de Brasília (DF) e secretário geral da CNBB, Dom Leonardo Ulrich Steiner é um dos cinco padres sinodais brasileiros. Na tarde dessa terça-feira, 23 de outubro, ele concedeu entrevista na qual faz um balanço dos trabalhos e projeta o final do encontro com seus reflexos para a Igreja no Brasil. Dom Leonardo atendeu a assessoria de imprensa da CNBB na Domus Sacerdotalis, em Roma, local onde está hospedado o grupo dos bispos brasileiros.

Dom Leonardo foi eleito na última assembleia dos bispos em Aparecida para representar o país neste importante acontecimento da Igreja juntamente com o cardeal arcebispo de São Paulo, dom Odilo Scherer, dom Geraldo Lyrio Rocha, arcebispo de Mariana (MG) e dom Sergio da Rocha, arcebispo de Brasília. Também participa do Sínodo, nomeado pelo Papa, dom Benedito Beni dos Santos, bispo de Lorena (SP).

Leia a entrevista.

Os bispos brasileiros formam um só grupo de trabalho no Sínodo ou estão engajados em grupos com bispos de outros países?

A primeira etapa do Sínodo foi realizada num grande plenário chamado de Aula Sinodal. Nesta Sala, estávamos todos juntos. Em seguida, os bispos brasileiros passaram a fazer parte de dois grupos linguísticos. Nós participamos de grupos de língua espanhola e portuguesa.  E nesses pequenos grupos, teve início a reflexão que depois evoluiu para a elaboração das proposições que, esta semana, estão sendo unificadas.

Na Aula do Sínodo, os bispos do Brasil fizeram intervenções falando ou enviando as reflexões por escrito?

Todos os padres sinodais tinham o direito de intervir e todos os bispos brasileiros fizeram uso desse direito e apresentaram suas reflexões na assembleia Sinodal. Os superiores Maiores também o fizeram e os chamados auditores, aqueles que estavam lá para ouvir, também fizeram suas intervenções como também os representantes de outras igrejas. Esse foi um momento muito rico não somente porque tivemos a oportunidade de apresentar nossas contribuições do episcopado brasileiro, da Igreja no Brasil, mas também porque nos ajudou a sentir como Igreja, nos levou a sentir a Igreja. Eu estou usando uma expressão muito simples dizendo que cada contribuição foi uma pequena pedra colocada no grande mosaico. No final, nós tínhamos, diante de nós, um mosaico belíssimo com a variedade, a riqueza, a comunhão, as nossas deficiências, os nossos pecados, as apreensões, as contribuições. Esse mosaico simbolizou um grande senso de comunhão da Igreja. Eu diria que foi a expressão da disposição sincera de todos  os presentes em assumir sua missão, como Igreja, de evangelizar, de anunciar Jesus crucificado, ressuscitado.

Como tem sido a ordem do dia dos trabalhos do Sínodo e o Santo Padre tem um momento para se dirigir aos membros da assembleia?

A ordem do dia, quando se trata dos encontros na Aula Sinodal, começa sempre as 9hs da manhã, tem intervalo de meia hora e se conclui as 12.30hs. À tarde, recomeça-se as 16.30hs e vai direto até as 19hs. Nos 10 primeiros dias estivemos sempre na Aula e, nos últimos dias, como está sendo hoje, os trabalhos de grupo respeitam o mesmo horário. O Santo Padre teve dois momentos de intervenção dirigida aos sinodais. No momento inicial no qual ele falou da importância do Sínodo e da nova evangelização. Ele já havia se referido ao tema durante a celebração de abertura, mas ele retomou numa fala curta mas bem incisiva animando os padres sinodais a, realmente, refletirem a questão da nova evangelização. No primeiro dia ainda, no final do almoço com todos os participantes, e de maneira informal, o Papa deu uma palavrinha usando uma imagem bonita dizendo que era preciso que todos se colocassem à caminho. Ele disse que o Sínodo quer levar a Igreja a colocar-se à caminho, de estar sempre à caminho porque essa é a sua missão.

Dois documentos sairão do trabalho sinodal: Uma mensagem que os padres sinodais devem votar na próxima sexta-feira, 26 de outubro, e uma nova exortação apostólica pós-sinodal que reúne toda a riqueza do trabalho feito. Qual a importância de cada um desses documentos?

A mensagem é uma palavra dos padres sinodais às nossas igrejas particulares, às nossas comunidades. É uma mensagem normalmente curta – apesar da proposta feita está bastante longa e bonita – que tenta abordar todas as questões abordadas nas intervenções e nas discussões de grupo e, ao mesmo tempo, lembrar as diferenças dos nossos continentes e propondo uma evangelização cheia de vigor e entusiasmo a partir da realidade. A mensagem, portanto, é uma mensagem dos padres sinodais às igrejas particulares, as comunidades. Nós estamos, à esta altura, trabalhando as proposições que foram discutidas nos grupos a partir do plenário. Essas proposições serão apresentadas ao Santo Padre como contribuição para a exortação pós-sinodal sobre a nova evangelização e transmissão da fé. Existem proposições muito importantes que retomam os documentos do Concílio Vaticano II, especialmente as duas constituições dogmáticas, a Lumen Gentium e  a Gaudium et Spes, que lembram que a Igreja que tem uma missão, a missão de evangelizar e evangelizar é uma ação muito concreta: ir ao encontro da realidade. Outro documento que tem sido muito citado é a exortação pós-sinodal de Paulo VI, a Evangelii Nuntiandi. Este, depois dos documentos do Vaticano II, tem sido quase um texto de referência. E depois também são considerados também os textos do beato João Paulo II e do Papa Bento XVI. Esses documentos têm iluminado as discussões e as proposições que será apresentadas ao Santo Padre e nós estamos esperando da parte do dele, uma exortação muito positiva. Estamos esperando um documento que nos diga o que seja uma nova evangelização, como ela deveria acontecer, envolvendo muito nossas igrejas particulares, as nossas comunidades. Envolvendo todos os ministérios e serviços na Igreja que tem como missão evangelizar, anunciar, portanto, essa presença maravilhosa, estupenda de Deus no meio de nós, em Jesus Cristo. O nosso primeiro anúncio é dizer o quanto Deus nos amou em Jesus Cristo, na sua morte e ressurreição nos libertando do mal em nossa realidade humana. Essa é tarefa de todos os ministros ordenados e dos diversos ministérios dos nossos leigos. Estamos esperando também, porque foi muito mencionado no plenário, que o documento reafirme a importância da família, a importância dos leigos, a importância dos presbíteros, a importância do bispo, a importância de nossas igrejas particulares. Eu creio que o Santo Padre vai nos dar um texto muito bom, assim como nos deu um texto excelente que é a exortação a respeito do último Sínodo, a Verbum Domini, que realmente nos abriu um horizonte novo sobre a Palavra de Deus. Nos levou mais a amar a Palavra de Deus. Nos encorajou a nos deixar tomar pela Palavra de Deus. Certamente o documento pós-sinodal vai nos abrir, de novo, para a missão assim como fez o do documento de Aparecida que nos levou a assumir a consciência de que somos discípulos missionários. Certamente também o texto que o Santo Padre vai nos dar vai nos ajudar a ser uma Igreja que anuncia Jesus Cristo, anuncia o Reino de Deus, mas especialmente uma Igreja que vive do Reino de Deus, vive de Jesus Cristo. E o Espírito Santo que está presente neste Sínodo, certamente, vai nos ajudar a receber esse texto e sermos também essa presença inovadora que o Espírito sempre suscita na vida da Igreja.

Qual é, na opinião do senhor, o reflexo que se pode perceber aqui no Sínodo da caminhada da Igreja na América Latina e Caribe, especialmente representada pelo documento de Aparecida?

O documento de Aparecida, realmente, não foi só citado pelo episcopado latino-americano mas também por irmãos bispos de outras regiões, mas a sensação que tenho é de que a reflexão toda, a tentativa toda de sermos uma Igreja muito atuante, viva, encarnada está também muito presente na África e na Ásia. Então, mesmo não citando o documento de Aparecida, esse mesmo desejo de sermos uma Igreja aberta, que acolhe, dos pobres, que cuida dos migrantes – que foi muito citado -, uma Igreja que está atenta a todas as realidades e que procura envolver todas as comunidades, isso foi aparecendo sempre de novo no plenário vindo de outras igrejas latino-americanas. Para nós, naturalmente, como Igreja da América Latina, o documento de Aparecida é muito importante e diversos irmãos no episcopado procuraram o documento, tanto assim que o presidente da Congregação para os Bispos, o cardeal Marc Oullet, colocou o texto do documento em italiano à disposição de todos os padres sinodais porque houve um interesse bastante grande de diversos irmãos ouvindo falar e mesmo sentindo que existe já a preocupação com uma nova evangelização na reflexão que o episcopado latino-americano tinha começado a fazer e que tinha começado a buscar caminhos, de modo que esse documento poderia ajudar.

No ambiente do Sínodo, o senhor sente que as Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora no Brasil estão nos colocando num caminho em sintonia com a Igreja universal?

Eu penso que está muito presente aqui o primeiro capítulo das nossas Diretrizes porque sempre aparece, nas reflexões do plenário, o encontro com Jesus Cristo. O Deus que nos encontrou. O Deus que nos amou. Somos anunciadores desse encontro e desejamos que todos percebam esse encontro e, gratuitamente, comecem a anunciar também esse Deus tão próximo de nós. A nossa preocupação com  a realidade no textos das Diretrizes, no segundo capítulo, foi também acentuada nas intervenções dos representantes dos diversos continentes. A realidade europeia está dentro de um contexto, a realidade latino-americana de outro, africana de outro e assim por diante, mas cada episcopado, cada padre sinodal procurou refletir essa dimensão. E todos procuraram sublinhar o tempo que nós vivemos, o que em nosso texto nós chamamos de “mudança de época”. Depois, quanto às nossas urgências, creio que apareceram, principalmente, as quatro primeiras. A primeira, uma Igreja que deseja evangelizar, portanto, ser uma igreja missionária. Depois, a iniciação à vida cristã foi muito acentuada principalmente realçando o papel do catequista, da catequista. A terceira urgência, a importância da Palavra de Deus, também foi considerada, no anúncio e na vivência da comunidade e das famílias.  E depois voltou muitas vezes a preocupação em relação a paróquia, mas como rede de comunidades, nem sempre usando essa expressão mas às pequenas comunidades. Essa preocupação com as pequenas comunidades para que elas sejam realmente vivas, vivam a Palavra de Deus e sejam anunciadoras de Jesus Cristo. Creio que essa nossa preocupação como Conferência Episcopal em relação às diretrizes é bem compartilhada com outras conferências episcopais, com outras igrejas particulares.

O senhor vê uma feliz oportunidade na preparação para a próxima assembleia dos bispos do ano que vem que vai tratar da paróquia podendo contar com toda essa reflexão do Sínodo?

Seria tão bom se tivéssemos o documento pós-sinodal, mas, naturalmente, um documento assim é muito bem preparado, muito bem trabalhado, refletido. Se tivermos o texto, tanto melhor, mas dadas as reflexões no plenário e nos grupos em relação a paróquia, posso dizer que podemos olhar com muita muita esperança em relação ao tema que desejamos abordar em nossa próxima assembleia que é “Comunidade de comunidades: nova paróquia”.  Essa necessidade da paróquia se abrir, necessidade da paróquia ser acolhedora, ser evangelizadora; todos os ministérios e serviços à disposição de todos como uma Igreja viva, certamente refletiremos em nossa assembleia e aqui está sendo muito refletido. Também a paróquia tendo, cada vez mais, comunidades menores onde as pessoas possam sentir mais proximidade e mais comunidade em suas preocupações, reflexões e celebrações.

O Sínodo está quase terminando, mas o que o senhor já pode dizer o que está levando como marca pessoal de tudo o que está contecendo nesse encontro?

O que eu levo do Sínodo é uma expressão muito forte de colegialidade. A presença do Santo Padre em tantos momentos no plenário. A presença de tantos irmãos manifestando as preocupações e, ao mesmo tempo, as dinâmicas das igrejas particulares. Eu me sinto unido a tantos irmãos e ao Santo Padre e isso aprofunda muito, em mim, o sentido de colegialidade. E, ao mesmo tempo, está sendo aprofundado o sentido de comunhão. Entendendo comunhão não somente entre nós, da Igreja Católica, mas comunhão também no sentido de uma compreensão mais ampla com a presença que o Santo Padre trouxe para o Sínodo dos membros de outras igrejas que também estão falando. Uma presença muito viva e que nos tocou muito foi a do arcebispo de Canterbury e primaz da Comunhão Anglicana, Rowan Williams. A intervenção dele foi muito bonita e tratou da contemplação no mundo de hoje. Está se manifestando esse sentido de uma comunhão maior entre nós, bispos, religiosos, leigos que ali estavam. Essa comunhão profunda que é expressão da vida na Igreja. Nós estamos todos ali participando porque somos Igreja, porque somos todos filhos no Filho. Nós pertencemos à grande família da Trindade. Esses dois aspectos estão me marcando muito e um outro aspecto que está me marcando muito é o clima de familiaridade entre os irmãos bispos. Mesmo não nos entendendo muito com a língua, há muita expressão de gestos querendo abraçar, cumprimentar, o desejo de querer saber da realidade uns dos outros. Eles querendo saber da Igreja no Brasil, na América Latina e nós também querendo saber da Igreja na África, Ásia, Europa e na Austrália. São esses os três pontos que eu vou levar como uma grande recordação do Sínodo.

CNBB

Pesquisa exclusiva mostra que população desconfia do que é publicado pela mídia

Há 25 anos, IMPRENSA colocava seu primeiro número nas bancas com uma matéria de capa sobre a credibilidade da mídia. Com o título sugestivo “Credibilidade em Xeque”, a reportagem apresentava os dados de uma pesquisa realizada pelo Instituto Gallup e mostrava que, em São Paulo, a maioria não acreditava no que era veiculado pelos meios de comunicação.
Os resultados da época apontavam que a maioria das pessoas acreditava que a imprensa estava mais preocupada em defender interesses de pessoas e grupos do que em informar e que, consequentemente, alterava dados e notícias na hora da publicação.

Poderíamos supor que a história mudaria esse cenário, já que em 1987 o país estava passando pelo processo de redemocratização, depois de amargar uma ditadura de 21 anos, e a democracia retomava a passos lentos o seu lugar. Nesse cenário, é possível supor a dúvida à imprensa, já que era um momento em que todas as instituições nacionais passavam por descrédito como argumentou na época o jornalista Celso Kinjô, o então editor regional de jornalismo da Rede Globo em São Paulo, atual gerente de Jornalismo da TV Cultura. Passados 25 anos, podemos dizer que o cenário melhorou para a mídia? Interessada em responder essa questão, IMPRENSA refez a pesquisa da sua primeira edição, desta vez com o Instituto Ibope.
EVOLUÇÕES E RETROCESSOS
O resultado aponta que o cenário não melhorou quando o assunto é credibilidade da imprensa. Helio Gastaldi, diretor de Negócios, Opinião Pública, Política e Comunicação do Ibope, explica que a imprensa oscila negativamente dentro de um cenário que já era ruim. A pesquisa atual procurou refazer o cenário da anterior, deduzindo as questões feitas no período, porém também considerando o âmbito nacional. Para garantir a comparabilidade entre as pesquisas, foi criado um filtro que recorta e destaca a região metropolitana de São Paulo que é justamente o âmbito do levantamento realizado em 1987.
 

Assim, analisando São Paulo e comparando as pesquisas, é possível observar que, com exceção do jornal impresso, todas as mídias tiveram queda na credibilidade. De modo geral, o estudo mostra que o leitor tem a percepção de que as notícias publicadas são distorcidas quando mostradas em Assim, analisando São Paulo e comparando as pesquisas, é possível observar que, com exceção do jornal impresso, todas as mídias tiveram queda na credibilidade. De modo geral, o estudo mostra que o leitor tem a percepção de que as notícias publicadas são distorcidas.
O cenário do jornal é um pouco diferente. Enquanto todos os outros veículos tiveram um crescimento no índice de desconfiança quanto à publicação das notícias, o jornal experimentou uma ligeira queda de 83% para 81% e um aumento da confiança na publicação das notícias exatamente como acontecem de 14% em 1987 para 18% em 2012. Segundo Vitor Cunha Criscuolo, Atendimento e Planejamento do Ibope e um dos responsáveis pela análise dos resultados da pesquisa, não é exatamente um dado a ser comemorado, já que está dentro da margem de erro de dois pontos percentuais para mais ou para menos.
PERDEMOS A CREDIBILIDADE?
André Chaves de Melo, professor de jornalismo da Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo (USP), instaura a dúvida sobre a generalização dos resultados. Para ele, a pesquisa oferece apontamentos e indicativos, mas seria necessária a ampliação do leque das perguntas para permitir uma visão mais sistêmica do cenário da credibilidade. “A pesquisa é sempre uma fatia da realidade. Nesse sentido, ela tem um problema de origem, já que te dá uma resposta parcial do contexto social. Para uma compreensão mais ampla, seria necessário lançar novas questões como, por exemplo, o que os entrevistados entendem por distorção das notícias”, explicou.
Para Ricardo Gandour, diretor de Conteúdo do Grupo Estado, ainda que o cenário seja negativo nos resultados da pesquisa, é preciso considerar as oportunidades que ela propicia para redimensionar o relacionamento do jornal com o leitor. “Não conheço detalhes como o universo da pesquisa ou a formulação da pergunta, mas sei que se analisou a imprensa em geral junto à população. Se a desconfiança se manteve, avalio que temos uma questão estrutural de percepção”, afirmou.
“Nós, editores, temos que enxergar como um potencial para melhorar. É uma oportunidade de conquistar mais leitores, internautas, ouvintes e espectadores. Um aspecto notável é que, nos últimos anos, tivemos manifestações fortemente negativas em relação à imprensa, por parte de governantes muito populares. O jornalismo independente e crítico naturalmente incomoda. Se o governante, ao se dirigir ao povo, solapa a credibilidade da imprensa, isso no mínimo contribui para manter essa percepção”, completou Gandour.
Sobre a realidade específica do jornal impresso, que demonstra um crescimento da credibilidade, ainda que pequena, Gandour é confiante. “Me parece um sinal positivo. Vivemos um crescendo da disponibilidade de informações em todos os meios e em qualquer momento. Isso, frequentemente, pode levar à saturação, desorientação e até à fadiga informativa. O jornal, ao trazer um olhar seleto, finito e com alguma hierarquização das notícias, repõe uma certa organização mental, um estado que não deixa de ser um alívio, um conforto cognitivo. E é classicamente uma mídia muito fiel à separação entre informação e entretenimento, entre concentração e dispersão”, avaliou o jornalista.
E NO BRASIL?
O universo da pesquisa em termos de Brasil aponta outros aspectos que rebatem argumentos do primeiro levantamento. Em 1987, um dos debates suscitados com os resultados é que a credibilidade é proporcional à falta de acesso das pessoas à informação e ao despreparo da população em ler o material publicado. Porém, o que a pesquisa do Ibope mostra é que a taxa de desconfiança com o material publicado pela mídia é maior entre as pessoas com maior nível de escolaridade e com maior poder aquisitivo.
“Este foi um dado que nos chamou bastante atenção, no âmbito Brasil, porque mostra que os mais críticos ao conteúdo veiculado pela imprensa não só são as pessoas com maior poder aquisitivo como também aqueles com maior nível de escolaridade”, afirmou Helio Gastaldi, do Ibope.
Para o professor André Chaves de Melo, de novo o dado precisa ser relativizado. Segundo ele, não podemos desconsiderar que a pesquisa lida com universos completamente diferentes. “Acho que a primeira questão é que vivemos um outro cenário mundial com relação ao que ocorria há 25 anos. Estávamos em um período de redemocratização no Brasil e hoje vivemos em um cenário de democracia sistêmica, ainda que recheado de práticas não democráticas. Por outro lado, a imprensa se tornou parte do cotidiano das pessoas, alterou seu perfil com o advento da internet e isso pode permitir uma reflexão e um debate maior em torno dela”, afirmou.
Melo citou a evolução histórica das revistas como um exemplo de alteração dessa dinâmica do jornalismo e o impacto dessas mudanças para a imagem da própria instituição. “A revista surge da necessidade de interpretarmos os fatos com maior profundidade e se desenvolve nesse vácuo a partir dessa condição social. A compreensão do termo “distorção” pelo público pesquisado pode ter sido confundido com essa característica mais interpretativa do jornalismo de revista. Assim, não me surpreende que as revistas tenham sido o veículo com maior questionamento”, explicou.
Para o professor, uma pesquisa dessa envergadura e com tal importância para o contexto social deve ser mais bem desdobrada em outros questionamentos partindo, por exemplo, de casos da própria cobertura da mídia. “É diferente você perguntar para uma pessoa sobre a distorção de uma notícia no geral e sobre a distorção de uma notícia específica, com um caso que aconteceu e repercutiu na sua vida”, afirmou o professor.
Roberto Muylaert, presidente da Associação Nacional dos Editores de Revistas (Aner), o Brasil tem 5.779 títulos de revistas das mais diversas naturezas, sendo que a grande maioria tem a preocupação de fornecer a informação exata de acordo com seu espectro de cobertura, uma vez que a confiabilidade é um dos maiores atributos das revistas. “Uma revista como a Vogue ou qualquer outra que enfoque as mulheres ou a moda teria quais motivos para distorcer a informação?”, pergunta Muylaert. “Se pensarmos nos títulos de opinião, que estariam sub-judice de acordo com a pesquisa, eles representam uma fatia muito pequena do mercado (1% do total, mais ou menos), ainda que alguns deles tenham grande circulação. Assim, o que se conclui é que a pesquisa apresentada não oferece embasamento suficiente para questionar a credibilidade de quaisquer dos meios de comunicação analisados, em especial a das revistas.”, disse.
CRÍTICA HISTÓRICA
A crítica à imprensa na pesquisa pode denunciar também a fragilidade da confiança da população nas instituições nacionais, uma interpretação que foi usada há 25 anos para explicar os fatores de desconfiança. Segundo Melo, da USP, é possível que a desconfiança histórica nas instituições explique parte dos índices negativos, mas outro elemento precisa ser incluído no debate. “Hoje há certo modismo em criticar a imprensa. Essa crítica se dá, principalmente, quando ela está fazendo denúncias. Em contrapartida, a própria imprensa – e é bom que seja assim – publica as críticas que recebe e isso é uma coisa para se pensar: até que ponto o exercício democrático que a imprensa exerce, chegando até a publicar críticas a si própria,  também não interfere na imagem que estamos construindo da própria imprensa”, afirmou o professor.
Celso Kinjô, que há 25 anos analisou a primeira pesquisa e foi entrevistado por IMPRENSA, atualiza seus argumentos de que a credibilidade da imprensa é diretamente proporcional à credibilidade das demais instituições. “Penso que a desconfiança aumentou em função do funcionamento deficiente das instituições vitais do sistema. Ao longo dos anos, e lá se vai mais de um quarto de século desde a Nova República, o cenário só se agrava, e isso se reflete na desconfiança hoje maior do público em relação à imprensa. Como mediadora do processo de comunicação, a imprensa pouco pode a não ser ecoar os mecanismos de pressão, mas pode absorver e acaba absorvendo esses efeitos”, afirmou o jornalista que hoje está à frente do Jornalismo da TV Cultura.
Questionado sobre as críticas de avaliar veículos tão diferentes em uma pesquisa tão geral, Helio Gastaldi, do Ibope, contra-argumenta. “Se não pudermos avaliar a imprensa como instituição, então também não poderemos analisar as demais instituições. É verdade que sempre há exceção à regra, mas temos que ter uma análise geral para construir apontamentos”, disse.
Quanto às perspectivas para contornar os resultados negativos, parece haver uma convergência em torno da defesa das práticas democráticas. “As instituições brasileiras estão longe de cumprir seu papel, seja pelo noviciado da prática democrática, seja pela cultura cartorial arraigada em nossos costumes. É uma questão de tempo, de décadas ou séculos, para que esse panorama melhore e resgate a confiança do povo”, finalizou Kinjô.
portalimprensa

Fantástico consegue imagem exclusiva de Pedro Leonardo

O cantor Pedro Leonardo, que completou 25 anos na sexta-feira (28), está se recuperando muito bem. O Fantástico conseguiu uma imagem exclusiva do filho do sertanejo Leonardo. Ele deve receber alta do hospital na próxima semana.

No vídeo acima você confere a primeira imagem de Pedro Leonardo depois do acidente de carro, no dia 20 de abril, em uma rodovia na divisa de Minas com Goiás. A foto foi feita no hospital Sírio-Libanês, em São Paulo, onde Pedro está internado.

“A melhora foi muito rápida nesse último mês. Ele estava em coma até 20 dias atrás, um mês atrás, em uma UTI. Hoje ele fala normalmente, conversa, brinca, canta”, avalia o Roberto Kalil Filho, médico de Pedro Leonardo.

Ainda não há previsão de alta, mas a equipe médica está otimista. “Nas próximas semanas, ele deverá ir para casa. Ele voltará a uma vida completamente normal”, garante Roberto Kalil Filho.

Na noite de sexta-feira (29), dia do aniversário de 25 anos, Pedro recebeu uma homenagem do primo e parceiro Thiago. Um coro de 50 mil vozes em Serra Talhada, sertão de Pernambuco, cantou parabéns a você.

Era o primeiro show de Thiago sozinho. Subir no palco sem o companheiro de dez anos de dupla foi difícil. “Eu nunca imaginei ter esse momento sem o meu primo. Mas eu sei que é temporário. Eu sei que logo, logo ele vai estar aqui ao meu lado de novo”, diz Thiago.

A todo momento, Thiago lembrava do primo, enquanto fotos dos dois apareciam no telão.

“Um dia que eu esperava estar cantando para vocês com ele aqui do meu lado. Eu sei que hoje não é possível, mas tenho certeza que em breve estaremos nós dois aqui para fazer um grande show para vocês, está bem?”, anunciou Thiago no palco.

Fantastico