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Situação de stress social pode ser gatilho para quem tem esquizofrenia

Neste domingo (24), se celebra o Dia Mundial da Pessoa com Esquizofrenia, doença multifatorial que acomete cerca de 1% da população brasileira e mundial, o que significa dois milhões de pessoas no Brasil e em torno de 80 milhões em todo o globo.

Segundo o psiquiatra Cristiano Noto, da Escola Paulista de Medicina da Universidade de São Paulo (Unifesp), o isolamento social pode ser um gatilho para quem tem a doença. “Ninguém se torna portador de esquizofrenia por conta da pandemia. Mas, seguramente, uma situação de estresse social pode contribuir [para uma crise]”.

Segundo Noto, a esquizofrenia tem várias causas. A principal delas é o fator genético, embora fatores ambientais contribuam também para o desenvolvimento da doença, que enfrenta ainda muito preconceito. Frases do tipo “essa política é para esquizofrênicos”, por exemplo, mostram como a doença é enxergada com muito estigma em relação aos pacientes, citou o psiquiatra da Unifesp.

Tratamento multidisciplinar

Cristiano Noto afirmou que o tratamento para esquizofrenia é também complexo e deve ser multidisciplinar, envolvendo profissionais como médicos, psicólogos, assistentes sociais, terapeutas ocupacionais, enfermeiros. O tratamento se divide em farmacológico, que inclui medicamentos antipsicóticos, e psicossocial, para ajudar o paciente a se adaptar às limitações da doença e vencê-las.

O especialista indicou que como qualquer transtorno mental, a esquizofrenia traz muito sofrimento ao paciente. Por isso, é comum que essas pessoas acabem, em situações extremas, como em tentativa de suicídio.

Dependendo de como é feito o tratamento, a pessoa com esquizofrenia pode ter uma vida normal e, inclusive, casar e ter filhos. “Se ela está fazendo o tratamento, está bem, está estável, tem total condição de ter uma vida normal. Trabalhar, constituir família. Não tem nenhuma contra-indicação em relação a isso. Muito pelo contrário. A gente sempre estimula que os pacientes tenham uma vida produtiva, uma vida construtiva”, disse Noto.

O psiquiatra admitiu, por outro lado, que alguns pacientes não conseguem atingir isso, seja porque não fazem tratamento de forma adequada, seja porque os casos deles são mais severos. Observou, entretanto, que “em regra, sim, eles podem ter uma vida normal”.

Violência

Outro mito ligado à esquizofrenia diz respeito à violência. Cristiano Noto informou que esquizofrênicos em crise até podem se envolver em casos de violência e agressividade mas, em geral, essas pessoas acabam sendo mais vítimas do que autoras de violência, justamente por se colocarem em situações de vulnerabilidade. Noto salientou que quando a pessoa está medicada, está em uma fase estável, ela pode ter a mesma chance de qualquer outra de ter um caso de agressividade.

A doença costuma mostrar os primeiros sintomas no final da adolescência e começo da vida adulta, manifestando-se nos homens a partir dos 18 anos de idade e, nas mulheres, a partir dos 25 anos.

O professor da Unifesp recomendou às famílias que tenham parentes com esquizofrenia que busquem ajuda e tratamento e sempre estimulem seus familiares a continuar o tratamento e o processo de melhora que, muitas vezes, pode ser longo. “Se a pessoa tem crises, ela vai conseguindo as conquistas passo a passo. Por isso, é muito importante a família para suportar e ajudar essas pessoas a irem adiante”.

A participação do paciente em atividades de lazer ou mesmo rotineiras deve ser estimulada, de modo a abandonar os sintomas negativos que o impelem a deixar de fazer as coisas. “Quanto mais a gente estimular ela para tudo, para esporte, lazer, estudo, trabalho, quanto mais ela conseguir fazer, melhor, mais vai ajudá-la na doença”.

Transtornos

Segundo o coordenador e professor do curso de pós-graduação em Psiquiatria da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-RJ), Jorge Jaber, a esquizofrenia acomete dois a cada 100 brasileiros e é caracterizada por grande sofrimento em termos comportamentais, com transtorno na capacidade de ter sentimento, nos pensamentos que são persecutórios, acompanhados de alucinações visuais e auditivas, muitas vezes, que evoluem para perda da capacidade intelectual ao longo da vida.

Segundo Jaber, a doença está cada vez mais ligada ao uso de bebidas alcoólicas, e de substâncias ilícitas, como as drogas vendidas irregularmente no país. Da mesma forma que afirmou Cristiano Noto, o psiquiatra da PUC-RJ disse que a esquizofrenia resulta de transmissão genética, hereditária, e é acompanhada pelo surgimento de outras doenças, como obesidade, diabetes, problemas clínicos gerais. “Porque esses pacientes, em virtude da doença básica, perdem a capacidade de cuidar deles mesmos”.

A notícia boa, segundo Jaber, é que a partir das últimas décadas do século passado surgiram medicamentos melhores que podem atingir evolução no século atual de grande eficácia na manutenção da normalidade desses pacientes. “Então, hoje em dia, é possível tratar uma pessoa com esquizofrenia com evolução excepcional”. Jaber destacou, porém, a necessidade de haver serviços de internação emergencial para períodos em que o paciente tenha alguma piora ou crise. “Em duas ou três semanas, pode voltar à vida completamente normal, sempre que mantiver o tratamento ambulatorial, em consultório”.

Agência Brasil

 

 

Zika pode aumentar casos de autismo e esquizofrenia, diz epidemiologista

zikaApós estudar por mais de quinze anos o autismo na Noruega, Ian Lipkin, diretor do Centro de Infecção e Imunidade da Universidade de Columbia, nos EUA, percebeu que casos de infecções em grávidas, com episódios de febre, aumentavam o risco de os filhos desenvolverem autismo, epilepsia, esquizofrenia e TDAH (déficit de atenção).

A partir desses dados e diante de uma epidemia do vírus da zika, que se espalha pela América Latina e já chegou aos Estados Unidos, o professor faz um alerta: “Nós realmente nos preocupamos que daqui a 15 anos se veja um aumento nos casos de distúrbios mentais”.

O vírus da zika é transmitido principalmente pelo mosquito Aedes aegypti, mas também já se confirmou a transmissão sexual. Normalmente, a infecção causa febre, manchas vermelhas na pele e dores leves nas articulações.

Em grávidas, o vírus se mostrou muito mais perigoso. Quando transmitido para o feto, a zika ataca as células do sistema nervoso da criança e causa graves lesões neurológicas, como calcificações no tecido, microcefalia, alterações oculares e mesmo artrogripose (contraturas articulares).

O vírus realmente causa grandes danos às células neurais durante o desenvolvimento, isso já sabemos, mas há outras maneiras de a zika afetar o cérebro”Ian Lipkin

Desde 1999, Lipkin acompanhou informações de milhares de crianças norueguesas para entender o risco do desenvolvimento do autismo.

“O que vimos em outros estudos é que infecções nas gestantes, por vírus, bactérias e toxinas, levou a um aumento no número de crianças que desenvolveram doenças mentais anos mais tarde, como o autismo, a esquizofrenia e a epilepsia”, explica o norte-americano. “Não sabemos se a zika deixa a criança suscetível a outros problemas que serão desenvolvidos ao longo da vida. Daí a importância de acompanhar todas essas crianças que estão nascendo durante a epidemia.”

Em um estudo recente, pesquisadores do Instituto Fernandes Figueira mostram que 42% das crianças expostas ao vírus durante sua gestação registraram problemas neurológicos após seis meses de vida, mesmo tendo nascido com exames normais para o cérebro.

Mas um ano após o Ministério da Saúde decretar emergência sanitária pelo rápido aumento do número de crianças nascidas com microcefalia relacionado ao vírus da zika em Pernambuco, ainda são muitas as dúvidas que rondam o vírus.

A transmissão da zika pelo contato sexual, e a presença do vírus ativo por até seis meses no sêmen poderiam explicar, por exemplo, a razão da infecção aparecer muitas vezes em casais, o que não é tão comum com a dengue. No entanto, os cientistas ainda não têm evidências para apontar qual seria o modo de transmissão mais importante.

Problemas dos bebês ainda são desconhecidos

Outro ponto importante sem respostas é até onde vão os danos causados pelo vírus da zika nas crianças afetadas.

Em uma roda de orientação para pais de filhos com microcefalia por suspeita de zika no Centro Internacional SARAH de Neurorrehabilitação e Neurociências, o pediatra Rafael Barra começa anunciando que falará sobre o que se sabe “porque ainda tem muitas dúvidas. É uma coisa nova”.

Ao redor dele, mães e pais de cinco bebês entre dois e dez meses ouvem atentamente às explicações sobre o desenvolvimento do cérebro e outras possíveis consequências do vírus: convulsões, irritabilidade, dificuldade para engolir e até mesmo problemas renais.

Entre as dúvidas, há desde a preocupação com as vacinas que podem ser aplicadas, a alimentação e à projeção de desenvolvimento da criança. “Todos temos limites, eles também têm. O que vocês têm que entender é que eles têm lesões no cérebro que também vão alterar esses limites, mas temos que estimulá-los”, acalma o pediatra.

“Estamos desde o ano passado aprendendo sobre a zika e tudo o que está em torno dela. É importante que vocês saibam que nem todas as perguntas têm respostas e ainda precisamos aprender muito com o bebê de vocês”, tenta explicar o médico. O desenvolvimento das crianças com e sem microcefalia é que vai dizer quais as sequelas da infecção nas grávidas.

Uol

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