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Maranhão fala sobre especulação de licença de Ricardo e posse de Fátima Bezerra no Governo do Estado

zé maranhãoO ex-governador José Maranhão (PMDB) comentou,  nesta quinta-feira (20), a possibilidade da esposa dele, desembargadora  Fátima Bezerra, assumir o Governo do Estado em uma eventual licença do governador Ricardo Coutinho e do vice-governador Rômulo Gouveia. Presidente do Tribunal de Justiça da Paraíba, Fátima Bezerra é a 3ª na substituição do comando da administração estadual.

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Indagado pelo ex-senador Roberto Calvalcanti como ele  se comportaria ao ter que ir ao Palácio da Redenção ver a esposa tomando posse no governo, cargo que ele já exerceu por três vezes, Maranhão declarou durante entrevista ao Correio Debate, da 98 FM, que não tem conhecimento dessa licença, mas se isto vier a acontecer será muito gratificante.

“É claro que eu vejo como uma coisa natural, institucional,  visto que minha esposa está presidindo o Tribunal de Justiça. Pela linha de substituição ela é a terceira depois do governador. Se isso acontecer, nós teríamos a satisfação porque isso entra para o currículo dela e acho que ela terá essa satisfação também”, avaliou Maranhão.

Diante dessa situação, Maranhão alega que sua presença no Palácio da Redenção, mesmo a sua esposa tomando posse, poderia não ser “entendida” porque ele é  presidente do maior partido de oposição a atual gestão.

“Evidente que a minha presença seria uma questão pessoal. Mas,  certamente, iria se prestar a declarações distorcidas e não seria de bom tom eu esta lá. E tem aquela expressão que cabe no momento: De longe também sirvo. É claro que fico feliz, alegre e me sinto honrado com essa possibilidade”, declarou Maranhão.

Roberto Targino – MaisPB

Governador quebra o silêncio sobre candidatura de Cássio e faz desabafo inédito sobre a especulação

ricardoO governador Ricardo Coutinho decidiu quebrar o silêncio sobre as especulações relacionadas a uma possível candidatura do senador Cássio Cunha Lima (PSDB), no próximo ano, durante rápida entrevista à imprensa na manhã desta sexta-feira, 13, na entrada da Estação Ciência. Ao ser abordado sobre se estaria preparado para enfrentar Cássio em 2014, desabafou:

– Mas quem está na política está preparado para qualquer coisa. Imagina! Ora, quem diria que quem diria que eu, ao sair daquei desta Estação Ciência, no dia 21 de março de 2010, sem ter um centavo no bolso, com pouquíssimos prefeitos me apoiando, todas as pesquisas há três dias da eleição me dando 15% atrás do vitorioso, eu ganhei a eleição.

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Esbanjando autoconfiança, o governador paraibano destacou quer seu racioncínio é de que, com um governo com tantas realizações como o dele, não há o que temer em relação a “qualquer cenário que se apresente em 2014″.

O governador foi mais além. Deixou claro que sua campanha começa em 2014 e acha francamente “um desfavor para a Paraíba” a antecipação do debate sobre nomes para a disputa no próximo ano. “Não acho que isso sirva neste momento pra nada”, arrematou.

Especificamente em relação a Cássio Cunha Lima, eleito na chapa vitoriosa de 2010 e que “governa o Estado junto com ele”, Ricardo Coutinho disse não trabalhar com a hipótese e que seria “algo da mais absoluta surpresa e de pouca explicação”.

– Portando, estamos governando, estamos avançando dentro desse Estado e temos compromisso dentro de um projeto que foi em 2013, em 2014 e 2018 – concluiu o governador.

Marcos Alfredo, com Alexandre Moura

Maranhão comemora aniversário em meio à especulação de crise

zé maranhãoO ex-governador da Paraíba, José Maranhão (PMDB), comemora amanhã seu aniversário durante um almoço por adesão – no qual cada participante paga seu consumo – no Restaurante Tererê. A festa, que deve ser em celebração ao 80º ano de vida do peemedebista (dados da Wikipedia), contudo, se revestiu de muita especulação dados os rumores sobre uma crise envolvendo a possibilidade de candidatura de Maranhão a deputado federal, cargo atualmente exercido pelo sobrinho, Benjamin, que estaria profundamente decepcionado com a decisão do tio.
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Em entrevista à TV Master, Maranhão comentou o assunto e admitiu que pode concorrer a uma vaga para a Câmara Federal:
– Se eu for candidato a deputado federal não tomo o mandato de Benjamin porque ele atingiu a maioridade política, tem prestígio, voo próprio. Mesmo se eu fosse candidato a deputado federal jamais iria competir com ele em áreas que são dele consolidadas. Mas, até agora não me defini se serei candidato a deputado federal ou senador.
parlamentopb

Planos agrícolas promovem concentração de terra e especulação financeira

 

O governo federal fez o lançamento dos planos agrícolas para a safra de 2012/2013, tanto para a agricultura comercial quanto para a familiar. O Plano Safra consiste em uma política de crédito para os produtores agrícolas e programas de investimento nos modelos agrários empresarial e familiar.

O pacote destinado à agricultura familiar recebeu um total de R$22,3 bilhões, sendo R$ 18 bilhões para crédito de custeio e investimento à agricultura familiar e R$ 4,3 bilhões para programas voltados à assistência técnica e aquisição de alimentos.

“O plano é fraco”, avalia Guilherme Delgado, doutor em economia pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e pesquisador aposentado do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea)

De acordo com o economista, crédito não é suficiente para atender as demandas do campesinato. “Há uma timidez do governo de apresentar um plano diferente. Os camponeses precisam mais que sobreviver e precisa existir incentivos à cooperação. Se for somente dar crédito aos pequenos agricultores, não há necessidade em se fazer dois planos distintos”, critica.

“Para existir um plano efetivo, seria necessário um pacote de medidas de caráter estrutural, que fomentassem a cooperação, a agroecologia, a agricultura familiar e a infraestrutura das propriedades. Nada disso está no plano porque não se pensa que essas medidas possam fazer um diferencial”, acredita Delgado.

Segundo o dirigente do MST, Alexandre Conceição, o principal problema do plano é que ele reforça a estrutura fundiária concentrada. “A agricultura familiar só existe porque houve desconcentração de terra e o surgimento de pequenos produtores capazes de produzir. Nesse sentido, a Reforma Agrária está completamente esquecida no plano. O agronegócio, graças ao investimento do governo, continua avançando e expulsando os produtores do campo”, afirma.

“O número de pequenos produtores diminui ano a ano graças à política de fortalecimento do agronegócio. Se o governo não trabalhar na desconcentração de terras, o crédito vai beneficiar cada vez menos pessoas. As 186 mil famílias acampadas poderiam dar volume à agricultura familiar e obter os recursos do plano safra para produzir. Novas famílias precisam ser assentadas para fortalecer a pequena agricultura”, propõe o dirigente do MST.

Crédito burocrático para os camponeses 

A burocracia para conseguir recursos é um dos problemas do Plano Safra. Além de licenças ambientais e jurídicas da propriedade, a obtenção do crédito passa pelos bancos, que fazem diversas demandas aos agricultores, sendo a principal delas não estar endividado.

De acordo com Conceição, “há milhares de famílias que estão impedidas de acessar recursos, inclusive desse plano, por conta das dívidas passadas, que não foram renegociadas. É um crédito de difícil acesso para a realidade dos assentados”.

A maior parte do crédito do plano é destinada ao Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf), que não atende as necessidades de grande parcela dos camponeses e não altera a estrutura agrária brasileira.

Segundo Delgado, “o Pronaf é uma peça de fomento para setores do campesinato que tem uma produção mercantil estruturada. É uma tentativa de integração deste campesinato no modelo de produção do agronegócio”.

A presidenta Dilma Rousseff anunciou, junto com o lançamento do plano, a criação de uma Agência Técnica e Extensão Rural para desenvolver pesquisa e tecnologia para a pequena agricultura.

Conceição considera a medida importante e cobra a participação dos movimentos. “A construção dessa agência deve ser feita com o conjunto da sociedade e dos movimentos sociais. Queremos uma assistência técnica continuada e com recursos, elaborada de acordo com a dinâmica de cada comunidade”.

O dirigente do MST pondera que ainda não existe nada de concreto e coloca a necessidade da formação de técnicos agrícolas, agrônomos e engenheiros florestais dentro de uma matriz tecnológica distinta do agronegócio. “É um debate que está no começo e que deve ser feito a partir das necessidades dos trabalhadores rurais do campo. Essa agência não pode ser uma assistência com técnicos formados com a lógica do agronegócio, que chegam para produzir com alta quantidade de veneno e compra de sementes das transnacionais”.

Facilidades para a agricultura empresarial 

O plano para a agricultura comercial, cujos beneficiários são majoritariamente o setor do agronegócio, recebeu R$ 115,25 bilhões. Houve um aumento de 7% do montante recebido ano passado. Do total, R$ 28,25 bilhões serão destinados para investimentos e R$ 86,95 para financiamento de custeio e comercialização.

De acordo com Delgado, “o Plano Safra da agricultura comercial vem para fazer com que o setor primário, caracterizado pela exportação das commodities agrícolas e majoritariamente ligado ao setor privado, cresça por meio do investimento público. O crédito rural cresceu muito nos últimos anos e as políticas de preços mínimos expandiram o setor primário do agronegócio.”

O pesquisador observa, no entanto, que apesar do orçamento ser o maior de todos os tempos, há uma queda no ritmo de crescimento. “O incremento no crédito deste ano apresenta desaceleração. De 2000 até o ano passado, o crescimento da quantidade de crédito era no mínimo de 9%. Em 2011, o aumento foi de 13%. Isso mostra que embora a prioridade do setor primário na economia seja forte, há desaceleração devido ao aumento dos preços da commodities”.

Dinheiro para especulação

Conceição avalia que não há restrições burocráticas para que os latifundiários obtenham o crédito, enquanto os camponeses enfrentam diversas restrições. “O plano do agronegócio tem uma estrutura jurídica e bancária pronta para os produtores pegarem os recursos e utilizarem da forma que querem, inclusive renegociando as suas dívidas com os bancos”, afirma.

Grande parte do crédito alimenta o mercado financeiro, com medidas como a compra e venda antecipada de safras por terceiro nas bolsas de valores. Ou seja, recursos públicos entram na ciranda da especulação financeira.

“É uma política lamentável do governo, que trata alimentos como mercadoria, fortalecendo o modelo especulativo. Vai ser uma farra para os ruralistas durante toda a safra a especulação do eucalipto, da soja, da cana, do etanol”, prevê Conceição.

“A produção brasileira se baseia em commodities, que servem justamente para especulação financeira nas bolsas e para enriquecer as empresas do agronegócio. Depois do anúncio do crédito, é provável que as próximas safras já tenham sido vendidas, sem que a plantação tenha sequer começado”, complementa. Para ele, “o Brasil precisa de capital produtivo para desenvolver o país, e não investimentos no financeiro. É a produção que faz o país crescer”.

Sem agrotóxicos

O plano destinado aos grandes produtores também conta com programas que incentivam a produção de produtos orgânicos. O texto do plano afirma que “é crescente a preocupação da população com a qualidade dos alimentos e os impactos sociais e ambientais dos sistemas de produção convencionais. Tem ocorrido um grande aumento na demanda por produtos considerados limpos, de maior valor nutritivo e produzidos com respeito ao meio ambiente e com justiça social”.

Para Delgado, a baixa das commodities leva setores do agronegócio a ocupar esse filão do mercado. “Há uma busca de nichos alternativos devido à queda dos preços nas commodities. O setor do agronegócio que prega a produção de orgânicos começa a ganhar força”, avalia o economista.

Dados do plano apontam que o mercado mundial da agricultura orgânica supera 80 bilhões de dólares anuais. No Brasil, a comercialização anual de produtos orgânicos é de R$ 500 milhões.

De acordo com Conceição, a preocupação dos grandes produtores não está na preservação ambiental, e sim no lucro. “O agronegócio não se preocupa com o meio ambiente. Estão preocupados com o lucro que a produção de alimentos saudáveis vai trazer, pois o produto orgânico é vendido mais caro. É para ter mais lucro e ter o discurso para a sociedade de que eles produzem de forma sustentável que eles começam a adotar essas estratégias”, diz o dirigente do MST.

Ele avalia que o agronegócio quer ter um “discurso sustentável”, mas não tem condições de mudar estruturalmente seu modo de produção desmatador, como demonstra a pressão pelas mudanças no Código Florestal. “Basta ver como o agronegócio produz: grandes extensões de terra, expulsão dos trabalhadores, monocultivos, veneno e máquinas. Essa produção não é nada ecológica”, acredita.


Por José Coutinho Júnior/MST

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