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Escassez de água e manifestações podem ser abordadas no Enem

enemNa reta final de preparação para o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), que será realizado este ano nos dias 8 e 9 de novembro, os alunos que vão participar da prova devem estar atentos aos possíveis temas da temida Redação, que consiste na produção de um texto em prosa, do tipo dissertativo-argumentativo, sobre um assunto de ordem social, científica, cultural ou política. O professor de Redação, Rafael Rubens, elencou algumas dessas questões e disse que a escassez de água enfrentada pelo país, sobretudo na metrópole de São Paulo, é um dos temas mais preocupantes e que talvez figure na proposta do exame, uma vez que reflete um problema ambiental de grandes proporções.

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“Há muito tempo a seca prejudica nordestinos, mas dessa vez a coisa acontece em locais de maior visibilidade midiática, por isso é tão provável que a escassez de água no Brasil seja tema do Enem 2014”, ressaltou o professor, completando ainda que desde 1998 o Enem possui uma política de tratar dos assuntos de forma mais genérica e neutra, deixando ao aluno a possibilidade de dar mais ênfase a um ou outro caso isolado que ilustre a situação do problema.

Outros assuntos prováveis tanto pela relevância quanto pela atualidade são aqueles que possuem ligação com as manifestações populares ocorridas no Brasil em 2013, que dá margem para tratar de outras grandes manifestações que ocorreram na história do país, a exemplo da Primeira Guerra Mundial, que completa seu centenário este ano, o Golpe Militar, ocorrido há 50 anos, a Comissão Nacional da Verdade, as Diretas Já, entre outros.

Saia na frente 
Para o professor Rafael Rubens, a melhor forma de sair na frente e garantir uma boa nota na redação do Enem é conhecer os critérios de correção da mesma. O Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) disponibiliza na internet um Guia do Participante que contém as cinco competências que avaliam o texto. “É imprescindível que o aluno leia este manual. Além disso, é interessante que se escreva primeiro a Redação antes de ir fazer a prova objetiva, pensando nas ideias-chave após ler os textos de apoio. E o fundamental: ler bastante e treinar nesta reta final sobre os temas possíveis”, relatou Rafael.

Preparação
Os cursinhos preparatórios para o Enem estão intensificando suas aulas, de modo a ofertar aos estudantes laboratórios de Redação e aulas extras para aqueles que possuem maior dificuldade na produção de textos. Muitos colégios e cursos propõem os temas e disponibilizam professores para corrigir quantas redações o aluno se propor a fazer.

Dois professores avaliarão o desempenho do aluno de acordo com os seguintes critérios:
Competência 1: demonstrar domínio da modalidade escrita formal da Língua Portuguesa.

Competência 2: compreender a proposta de redação e aplicar conceitos das várias áreas de conhecimento para desenvolver o tema, dentro dos limites estruturais do texto dissertativo-argumentativo em prosa.

Competência 3: selecionar, relacionar, organizar e interpretar informações, fatos, opiniões e argumentos em defesa de um ponto de vista.

Competência 4: demonstrar conhecimento dos mecanismos linguísticos necessários para a construção da argumentação.

Competência 5: elaborar proposta de intervenção para o problema abordado, respeitando os direitos humanos.
Dez temas que podem cair no Enem
1º Escassez de água
2º Os 50 anos do Golpe Militar de 64
3º Os 100 anos da Primeira Guerra Mundial
4º Comissão Nacional da Verdade
5º “Os justiceiros” das ruas
6º Racismo no contexto do futebol
7º O poder do voto evangélico e o estado laico
8º A migração de Africanos para o Brasil
9º O respeito aos deficientes físicos
10º Campanha de Vacinação do HPV

Metade dos açudes da PB está com volume abaixo de 20%, e 357 mil habitantes, sofrem com escassez de água na PB

Josélio Carneiro
Josélio Carneiro

os dados são preocupantes. Apesar das chuvas que caíram na Paraíba durante o fim de semana, 64 açudes no estado (52% do total) estão com volume abaixo de 20% da capacidade máxima.

O levantamento divulgado pela Agência Executiva de Gestão das Águas(Aesa), mostra que a Paraíba está na inimência de sofrer um colapso no seu sistema de abastecimento de água. Dos 123 reservatórios monitorados pela instituição,  30 estão atualmente sob observação e 34 em situação considerada crítica, com volume abaixo de 5%.

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Uma população estimada em quase 357 mil habitantes, nessas 25 cidades, enfrenta uma situação crítica no fornecimento de água tratada. De acordo com o levantamento da Companhia de Água e Esgotos da Paraíba (Cagepa), mais 15 municípios estão seriamente ameaçados devido ao baixo nível dos reservatórios.

Por conta da estiagem prolongada na Paraíba, são 26 localidades (ao todo) que enfrentam racionamento, sendo 19 cidades (Nova Palmeira, Barra de São Miguel, Areia, Umbuzeiro, Remígio, Esperança, Aroeiras, Gado Bravo, Belém, Caiçara, Logradouro, Alagoa Grande, Serraria, Arara, Casserengue, Solânea, Bananeiras,Cacimba de Dentro e Araruna) e sete distritos (São Miguel, Lagoa do Mato, Cepilho, Novo Pedro Velho, Rua Nova, Cachoeirinha e Braga).

Outras 12 localidades estão em colapso, sendo sete cidades (Triunfo, São João do Rio do Peixe, Imaculada, Riachão, Tacima, Dona Inês e Nazarezinho) e cinco distritos (Barreiros, Logradouro, Damião, Cozinha e Gravatá).

Devido ao baixo nível dos mananciais, se encontram em estado de alerta 15 cidades da Paraíba (Taperoá, Juru, Emas, Algodão de Jandaíra, Natuba, Montadas, Areial, Gurjão, Puxinanã, Jericó, Mato Grosso, Bom Sucesso, Brejo dos Santos, Lagoa e São José da Lagoa Tapada).

Pelo menos sete cidades do Sertão da Paraíba estão sofrendo colapso no abastecimento d’água desde o início deste ano por conta da seca e a empresa de abastecimento do estado, a Cagepa, teve que suspender as contas 66 mil moradores.

Os municípios onde não há mais água nos mananciais para serem distribuídas nas torneiras das moradias são Triunfo, Carrapateira e São João do Rio do Peixe, na região de Cajazeiras, a 468 quilômetros de João Pessoa; Nazarezinho, na região de Sousa, a 427 quilômetros da Capital; e Taperoá, Emas e Imaculada, na região de Patos, a 320 quilômetros de João Pessoa. Durante o fim de semana, as maiores chuvas aconteceram nas cidades de Aguiar (63mm), São José da Lagoa Tapada (70mm), Cajazeirinhas (75mm), Piancó (92mm) e Coremas (120,5mm). “Tivemos um aumento de 12 centímetros na linha da água do açude de Coremas e 22 centímetros em Mãe D’água”, informou o gerente de Monitoramento e Hidrometria da Aesa, Lucílio Vieira.

Porém, as chuvas continuam a não gerar recargas significativas para os reservatórios. “Eventos como os deste final de semana são animadores, pois se tivermos outras chuvas, ainda que de menor intensidade, a recarga pode ser maior. Isso porque o leito do rio está saturado e vamos ter um melhor escoamento desta água”, acrescentou.

Previsão

O boletim de análise meteorológica divulgado na manhã desta terça-feira(21) pela Aesa prevê ainda uma variação térmica de até 16°C, com a máxima chegando aos 36°C no Sertão e a mínima de 20°C no Brejo. “A previsão para hoje é de sol entre nuvens em praticamente todas as regiões do Estado. Poderão ocorrer chuvas isoladas no Sertão paraibano. Nas demais regiões, chuvas ocasionais”, informou o meteorologista Emerson Rodrigues.

Severino Lopes

PBAgora

Novos prefeitos terão de lidar com escassez de recursos

Foto: André Dusek/AE

Os prefeitos eleitos na atual campanha tomarão posse em janeiro com um “programa de governo” elaborado pela presidente Dilma Rousseff. Caberá aos gestores municipais conduzir mais de 200 programas da União, função que exige cada vez mais esforço e mais dinheiro. Ao mesmo tempo, num cenário de crise financeira mundial, as medidas de estímulo à economia adotadas em Brasília drenam recursos que normalmente irrigariam os cofres municipais.

Diante desse cenário, a Confederação Nacional dos Municípios (CNM), que representa prefeituras de todo o País, vem confrontando o governo federal, em busca de mais recursos e menos obrigações. A equipe presidencial diz que a situação financeira não é tão ruim assim e que os programas federais servem de “norte” para os futuros gestores.

De acordo a CNM, os municípios aguardam R$ 18,7 bilhões em restos a pagar atrasados. Esse dinheiro não existe nos cofres da União, mas foi marcado como gasto nos orçamentos federais desde 2002, sem o respectivo repasse às prefeituras. Na maioria dos casos, ressalta a CNM, são verbas para obras que foram iniciadas e acabaram onerando mais ainda os cofres municipais porque o prefeito tende a bancar a parte da União para terminar os empreendimentos.

Compromisso. “Os prefeitos precisam administrar a falta de compromisso do governo federal, que coloca em suas costas iniciativas e programas, criando uma ansiedade no município e, consequentemente, pressionando o prefeito”, disse Paulo Ziulkoski, presidente da CNM.

Além disso, o endividamento dos municípios oscila em torno de R$ 73 bilhões, sendo R$ 50 bilhões em dívidas de curto prazo e R$ 23 bilhões em obrigações previdenciárias atrasadas.

O Palácio do Planalto contesta o cenário de crise nas finanças municipais. Segundo a ministra das Relações Institucionais (SRI), Ideli Salvatti, os repasses de programas sociais e outras medidas ajudam a impulsionar o comércio local. Os prefeitos também ganhariam politicamente, porque quando as obras estão prontas ganham crédito pelo projeto e, se der errado, a culpa é da União, completou Ideli.

“Para nós é uma questão estratégica. Desde o presidente Lula, e com a presidente Dilma, a maior parte dos programas são feitos em parceria entre governos estaduais e prefeituras”, disse a ministra. “A eficácia dos programas tem de ter a eficiência do ente federado lá na ponta.”

A equipe de Ideli preparou um catálogo com os 220 programas do governo federal, mantidos pelos municípios. O material está no site da SRI, com publicações que orientam os atuais gestores sobre o que precisam fazer para deixar as contas em ordem e as exigências da Lei de Responsabilidade Fiscal. Outra cartilha orientará os eleitos sobre suas obrigações a partir de 2013.

Desonerações. Outro fator que pesa nas finanças dos municípios, mas dificilmente será alterado pelo governo federal, diz respeito a desonerações. Ao reduzir tributos para estimular a economia, o Ministério da Fazenda avança sobre impostos que compõem a base de cálculo do Fundo de Participação dos Municípios (FPM), como o corte de IPI de automóveis.

Para a ministra Ideli Salvatti, no entanto, essa questão deve ser encarada como acessória. “O que mais afeta a população é emprego e renda. Com as desonerações, garantimos o emprego e aumentamos os investimentos das empresas, que também elevam os salários de seus funcionários.

Além disso, a política de aumentos consistentes do salário mínimo “tem fortalecido a economia. O Nordeste tem crescido a níveis chineses e não foi por causa do FPM”, rebate Ideli.

Fonte: estadão

Alimentada pela escassez, “indústria da seca” fatura com a estiagem no Ne

A seca no Nordeste é sempre sinal de sofrimento para o sertanejo. Mas a falta de chuva também movimenta o meio político e o comércio das cidades atingidas pela estiagem. A chamada “indústria da seca” fatura alto com a falta de alimentos para os animais e de água para os moradores.

O exemplo mais conhecido no sertão –e relatado por diversos moradores ao UOL–  é o uso político na distribuição dos carros-pipa, marca registrada do assistencialismo simples. Segundo os relatos, alguns políticos visitam as comunidades e se apresentam como “responsáveis” pelo envio da água. Os moradores também reclamam da alta nos preços de serviços e alimentos para os animais.

“A prefeitura nos ajuda muito, nos mandando água por carros-pipa. Às vezes demora, mas sempre vem”, conta a agricultora Maria Gildaci, 66, de Tacaratu (PE), sempre citando que o prefeito é “quem manda” o carro para a sobrevivência dela e da família, que vive em uma pequena casa no sítio Espinheiro.

Falas como a Gildaci, agradecendo os políticos, são comuns, mas a prática está sendo combatida por organizações do semiárido. “Água é um direito, não é dada de favor. Agricultores relatam com frequência que vereadores se apresentam trazendo carros-pipa e que prefeitos estão se utilizando disso para as eleições. Estamos fazendo levantamentos e vamos tentar identificar onde isso está ocorrendo para tomarmos providências”, afirma o coordenador da ASA (Articulação do Semiárido), Naidson Batista.

Para Batista, o uso político da água é histórico no Nordeste, mas vem perdendo força nos últimos anos. “A indústria da seca, na história brasileira, é um instrumento de alguns, em detrimento de outros, para aumento de poder econômico, político ou social de determinado grupos. Embora ela venha perdendo força, não seria possível erradicar uma prática de 400 anos em apenas 10”, afirma.

Segundo o coordenador, os investimentos cobrados, como poços, barragens e cisternas, não foram feitos a contento ao longo dos anos, o que facilitou a política assistencialista. “Isso faz parte da indústria da seca, pois deixa o sertanejo vulnerável, à espera sempre de ações emergenciais.”

O diretor do Polo Sindical do Médio São Francisco da Fetape (Federação dos Trabalhadores em Agricultura de Pernambuco), Jorge de Melo, também relata que políticos e fazendeiros ainda se aproveitam da seca para lucrar. “É só começar a escassez de alimentos para ter gente aumentando o preço das coisas. É o que chamam da lei da oferta e procura. Além disso, há um claro uso político, que vem sendo combatido e está enfraquecendo, mas ainda existe no sertão”, diz.

Para tentar reduzir o desvio político da água, o governo de Pernambuco anunciou, na última quarta-feira (16), que os carros-pipa contratados pelo Estado serão equipados com GPS e terão fiscalização dos conselhos de desenvolvimento dos municípios –que ficarão responsáveis por enviar relatórios mensais sobre o cumprimento dos cronogramas.

Ganho econômico

Além do uso político, muitos setores da economia também faturam com a venda de produtos. Um dos exemplos é a palma (espécie de cacto que serve de alimento para o gado). Segundo os moradores, o preço da tarefa de palma (equivalente a uma área plantada de 3.053 m²), que antes da estiagem ficava em torno de R$ 1.200, hoje chega a custar até R$ 2.500 em algumas localidades de Alagoas e Sergipe.

“Quem tem sua palma plantada para os seus animais não quer vender. Agora a seca é boa para aqueles que plantam a palma como investimento e estão vendendo mais caro e lucrando muito”, citou o produtor Vilibaldo Pina de Albuquerque, de Batalha (AL).

O carro-pipa também é um negócio rentável. Os preços cobrados pelos “pipeiros” no sertão inflacionaram com a seca. “Existe, e muito, a indústria da seca. Um exemplo: antes, a prefeitura contratava um carro-pipa por R$ 100 para lavar o matadouro. Hoje, para o sujeito trazer a mesma quantidade de água ele obra R$ 200. E olhe que o preço do combustível não subiu e ele pega água no mesmo lugar”, afirma o secretário de Infraestrutura de Batalha (AL), Abelardo Rodrigues de Melo.

Em Sergipe, os investidores estão comprando carros-pipa para ganhar dinheiro. “Hoje, quem tem um dinheiro sobrando está comprando um carro-pipa para distribuir água. Demanda é o que não falta. Aqui estamos precisando de mais, mas não há”, diz o coordenador da Defesa Civil de Poço Redondo (SE), José Carlos Aragão. “E o carro-pipa não é a solução, e só uma política emergencial. Hoje você leva a água, amanhã já precisa de novo. É um investimento de curta duração.”

Na cidade sergipana –a mais afetada do Estado, com 15 mil pessoas atingidas pela estiagem–, o movimento de carros-pipa é intenso e atua em diversos setores da economia. Na oficina de Antônio Rodrigues, cresceu a procura por consertos dos caminhões. “Hoje 30% do que faturo é com esses carros. Contratei até uma pessoa para me ajudar, porque a procura é grande e tem caminhão aqui todo dia. Queria não ter mais esse serviço, que aqui chovesse e o povo parece de sofrer. Mas estou trabalhando dignamente.”
Melhores condições

Para o economista Cícero Péricles, apesar da “indústria da seca” ainda existir, as condições de enfrentamento do sertanejo à seca atual são melhores do que aquelas enfrentadas na última grande estiagem, em 1998.

“Há mais de uma década a política de água obteve ganhos consideráveis pela entrada das cisternas e barragens subterrâneas nos espaços da agricultura familiar, reforçando os antigos instrumentos, como os poços artesianos, tubulares, barreiros, açudes e adutoras. A presença dos órgãos públicos mudou da intervenção exclusivamente assistencialista e emergencial para instituições públicas, com maior capilaridade, municipalizadas, que fazem a cobertura permanente com os programas sociais. A ampliação da Previdência Social no campo, assim como de programas de transferências de renda, a exemplo do Bolsa família, reduziram em muito a pobreza absoluta no meio rural”, afirma o economista.

Uol