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Jô: ‘agressões fascistas lembram época da ditadura’

joO apresentador Jô Soares começou seu programa ontem comentando a pichação feita em frente ao seu prédio “Jô Soares Morra”. A frase foi escrita depois de sua entrevista à presidente Dilma Rousseff, quando virou alvo de críticas.

“Aquilo só fez assustar as crianças do meu bairro, deu medo”, disse Jô. O apresentador voltou a brincar sobre a ameaça: “ainda bem que não marcaram a data”.

Ele desmentiu a notícia de que teria reforçado sua segurança depois do ocorrido. “Não posso reforçar uma coisa que não tenho. Eu não ando com segurança”, disse.

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Antes de iniciar o quadro “As meninas do Jô”, que debate política, ele também agradeceu a “todas as manifestações de solidariedade” que recebeu, incluindo o escritor e jornalista Fernando Morais, segundo ele, “vítima desse ódio fascista que repercute pelas redes sociais”.

“Isso me lembra um pouco dos tempos da ditadura”, comentou, lembrando da mensagem que escreveram sobre o jornalista no Facebook. “Por que alguém não mata esse cara?”, postou um usuário.

 

brasil247

Nassif: Globo transforma época em Veja de segunda

nassifNão se sabe o que as Organizações Globo pretendem da revista Época, ao torna-la uma Veja de segunda mão.

Veja criou um estilo folhetinesco, um subjornalismo que atraiu um público vociferante, de baixo nível, afastando os formadores de opinião. Hoje, claramente, sua reputação desce ladeira abaixo, perdendo o respeito de toda a categoria.

Qualquer resquício de inteligência editorial na Época buscaria um contraponto para atingir público de melhor nível já que a única semanal decente, a Carta Capital, não tem fôlego financeiro para ampliar espaço.

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Em vez disso, Época envereda por um caminho sem volta, transformando-se em uma sub-Veja. Pelo menos a Veja original teve a iniciativa de ocupar um terreno inexplorado – o do jornalismo de esgoto – garantindo um público fiel. Quem pretende alguma relevância jornalística evita ir a reboque de qualquer estilo, menos ainda do esgoto.

Na semana passada, o falso escândalo das viagens de Lula não teve repercussão nem nos próprios veículos da Globo. Sofreu uma desconstrução desmoralizante na Internet e no próprio Ministério Púbico Federal – da procuradora incumbida de analisar a denúncia.

A jogada desmoralizada é a seguinte:

1.     A mídia publica qualquer denúncia.

2.    Qualquer pessoa pode entrar com uma representação – inclusive procuradores – com base em “notícia de fato criminoso”. Por si, enquanto não for aceita pelo MPF, a representação não tem nenhum valor.

3.     A representação é sorteada para um procurador opinar. No caso da capa anterior da Época, a procuradora incumbida de analisar a representação igualou a notícia jornalística de fato criminoso, sem provas, a denúncia anônima.

Qualquer organização minimamente competente procuraria não repetir a jogada.

Como as Organizações Globo tornaram-se um bicho de sete cabeças sem nenhum cérebro, Época repete a mesma jogada já desmoralizada:

1.     Em abril publica uma denúncia furada sobre os financiamentos para o Metrô de Caracas.

2.     No dia 6 de maio outro procurador faz uma representação tão inócua quanto a primeira: uma mera “notícia de fato criminoso”, baseado na reportagem da Época.

3.      No mesmo dia em que a representação é apresentada, a revista prepara a reportagem que sai publicada no dia 8.

Raio x da reportagem

Dentro do estilo sub-Veja que tomou conta da Época, a reportagem é um imenso nariz de cera, com maioria absoluta de informações já conhecidas, emoldurando a única informação nova: a “notícia de fato criminoso” que não traz nenhuma informação nova, porque calçada em reportagem anterior da própria revista.

1.     Ela tem 10.415 palavras.

2.     O título principal “Ministério Público diz que governo repassou irregularmente R$ 500 bi ao BNDES” é matéria velha. Desde o ano passado o TCU investiga esses repasses, fato fartamente noticiado pela imprensa.

3.     O subtítulo “Procuradores abrem investigação sobre empréstimo do banco ao governo da Venezuela” é mentiroso. Como já explicado nas diversas análises da capa anterior, “notícia de fato criminoso” só se transforma em investigação depois de aceita por um procurador sorteado para analisar a representação.

4.     4.842 palavras, ou 46% da reportagem, são  sobre as transferências de recursos do Tesouro para o BNDES, objeto de vasta cobertura da imprensa, sem nenhuma informação adicional. Permite-se ao ridículo de afirmar que, ao chamar os senadores de Vossa Excelência”, o presidente do BNDES Luciano Coutinho pretendia “mostrar quem está acima de quem no poder político brasileiro”.

5.     Mais 1.489 palavras, ou 14% do texto, um enorme nariz de cera cuja única informação concreta, é a representação – que nem investigação é – em cima de “notícia de fato criminoso”. A única novidade é que encontraram um segundo procurador para efetuar a dobradinha de endossar uma notícia equivalente a uma denúncia anônima. A parcela de ridículo é a relevante informação de que “dois anos depois, em junho de 2011, já fora do governo, Lula viajou para a Venezuela, num voo bancado pela Odebrecht” (assim, em negrito).

6. O restante do texto são os desmentidos do Instituto Lula

Não dá para analisar o teor da representação pela matéria de Época – já que a revista não tem o menor discernimento para tratar de temas técnicos. Mas causa surpresa que essa mesma falta de discernimento jornalístico acometa alguns jovens procuradores do MPF. São procuradores que não avaliam os efeitos dessas dobradinhas para a imagem da corporação.

 

 

brasil247

Época: Ministério Público Federal investiga Lula por tráfico internacional de influência

lulaepocaQuando entregou a faixa presidencial a sua pupila, Dilma Rousseff, em janeiro de 2011, o petista Luiz Inácio Lula da Silva deixou o Palácio do Planalto, mas não o poder. Saiu de Brasília com um capital político imenso, incomparável na história recente do Brasil. Manteve-se influente no PT, no governo e junto aos líderes da América Latina e da África – líderes, muitos deles tiranetes, que conhecera e seduzira em seus oito anos como presidente, a fim de, sobretudo, mover a caneta de seus respectivos governos em favor das empresas brasileiras. Mais especificamente, em favor das grandes empreiteiras do país, contratadas por esses mesmos governos estrangeiros para tocar obras bilionárias com dinheiro, na verdade, do Banco Nacional de Desenvolvimento, o BNDES, presidido até hoje pelo executivo Luciano Coutinho, apadrinhado de Lula. Como outros ex-presidentes, Lula abriu um instituto com seu nome. Passou a fazer por fora (como ex-presidente) o que fazia por dentro (como presidente). Decidiu continuar usando sua preciosa influência. Usou o prestígio político para, em cada negócio, mobilizar líderes de dois países em favor do cliente, beneficiado em seguida com contratos governamentais lucrativos. Lula deu início a seu terceiro mandato. Tornou-se o lobista em chefe do Brasil.

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Nos últimos quatro anos, Lula viajou constantemente para cuidar de seus negócios. Os destinos foram basicamente os mesmos – de Cuba a Gana, passando por Angola e República Dominicana. A maioria das andanças de Lula foi bancada pela construtora Odebrecht, a campeã, de longe, de negócios bilionários com governos latino-americanos e africanos embalada por financiamentos do BNDES. No total, o banco financiou ao menos US$ 4,1 bilhões em projetos da Odebrecht em países como Gana, República Dominicana, Venezuela e Cuba durante os governos de Lula e Dilma. Segundo documentos obtidos por ÉPOCA, o BNDES fechou o financiamento de ao menos US$ 1,6 bilhão com destino final à Odebrecht após Lula, já como ex-presidente, se encontrar com os presidentes de Gana e da República Dominicana – sempre bancado pela empreiteira. Há obras como modernização de aeroporto e portos, rodovias e aquedutos, todas tocadas com os empréstimos de baixo custo do BNDES em países alinhados com Lula e o PT. A Odebrecht foi a construtora que mais se beneficiou com o dinheiro barato do banco estatal. Só no ano passado, segundo estudo do Senado, a empresa recebeu US$ 848 milhões em operações de crédito para tocar empreendimentos no exterior – 42% do total financiado pelo BNDES. Há anos o banco presidido por Luciano Coutinho resiste a revelar os exatos termos desses financiamentos com dinheiro público, apesar de exigências do Ministério Público, do Tribunal de Contas da União e do Congresso. São o segredo mais bem guardado da era petista.

Moralmente, as atividades de Lula como ex-presidente são, no mínimo, questionáveis. Mas há, à luz das leis brasileiras, indícios de crime? Segundo o Ministério Público Federal, sim. ÉPOCA obteve, com exclusividade, documentos que revelam: o núcleo de Combate à Corrupção da Procuradoria da República em Brasília abriu, há uma semana, investigação contra Lula por tráfico de influência internacional e no Brasil. O ex-presidente é formalmente suspeito de usar sua influência para facilitar negócios da Odebrecht com representantes de governos estrangeiros onde a empresa toca obras com dinheiro do BNDES. Eis o resumo do processo: “TRÁFICO DE INFLUÊNCIA. LULA. BNDES. Supostas vantagens econômicas obtidas, direta ou indiretamente, da empreiteira Odebrecht pelo ex-presidente da República Luis Inácio Lula da Silva, entre os anos de 2011 a 2014, com pretexto de influir em atos praticados por agentes públicos estrangeiros, notadamente os governos da República Dominicana e Cuba, este último contendo obras custeadas, direta ou indiretamente, pelo BNDES”.

Os procuradores enquadram a relação de Lula com a Odebrecht, o BNDES e os chefes de Estado, a princípio, em dois artigos do Código Penal. O primeiro, 337-C, diz que é crime “solicitar, exigir ou obter, para si ou para outrem, vantagem ou promessa de vantagem, a pretexto de influir em ato praticado por funcionário público estrangeiro no exercício de suas funções, relacionado a transação comercial internacional”. O nome do crime: tráfico de influência em transação comercial internacional. O segundo crime, afirmam os procuradores, refere-se à suspeita de tráfico de influência junto ao BNDES. “Considerando que as mencionadas obras são custeadas, em parte, direta ou indiretamente, por recursos do BNDES, caso se comprove que o ex-presidente da República Luís Inácio Lula da Silva também buscou interferir em atos práticos pelo presidente do mencionado banco (Luciano Coutinho), poder-se-á, em tese, configurar o tipo penal do artigo 332 do Código Penal (tráfico de influência)”, diz o documento.

A investigação do MPF pode envolver pedidos de documentos aos órgãos e governos envolvidos, assim como medidas de quebras de sigilos. Nas últimas semanas, ÉPOCA obteve documentos oficiais, no Brasil e no exterior, e entrevistou burocratas estrangeiros para mapear a relação entre as viagens internacionais do ex-presidente e de integrantes do Instituto Lula com o fluxo de caixa do BNDES em favor de obras da Odebrecht nos países visitados. A papelada e os depoimentos revelam contratos de obras suspeitas de superfaturamento bancadas pelo banco estatal brasileiro, pressões de embaixadores brasileiros para que o BNDES liberasse empréstimos – e, finalmente, uma sincronia entre as peregrinações de Lula e a formalização de liberações de empréstimos bilionários do banco estatal em favor do conglomerado baiano.

A Odebrecht tem receita anual de cerca R$ 100 bilhões. É uma das principais empreiteiras investigadas pela Operação Lava Jato, que desmontou um esquema de pagamento de propinas na Petrobras. Segundo delatores, a construtora tinha um método sofisticado de pagamento de propinas, incluindo remessas ao exterior trianguladas com empresas sediadas no Panamá. A empreiteira, que foi citada pelo doleiro Alberto Youssef e por ex-funcionários do alto escalão da Petrobras, nega as acusações.

Saiba mais sobre a investigação do Ministério Público Federal em ÉPOCA desta semana. A reportagem detalha os casos dos documentos e imagens abaixo:

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Blog do Gordinho

REVISTA ÉPOCA: Zé Maranhão e Vital do Rêgo tentam ‘queimar’ volta de Aguinaldo Ribeiro para o Governo Dilma

aguinaldoO jornalista da revista Época, Felipe Patury, publicou nesta terça-feira (5), em sua coluna, que o PMDB da Paraíba trabalha para boicotar a ida de Aguinaldo Ribeiro (PP) novamente para o Ministério das Cidades, no segundo governo da presidente Dilma Rousseff.

De acordo com Patury, o senador eleito, José Maranhão e o senador Vital do Rêgo, que disputou o Governo do Estado, e outras lideranças do partido estariam trabalhando para evitar que o paraibano volte ao cargo, do qual  se afastou para disputar a reeleição.

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Os peemedebistas estariam utilizando como justificativa para que Aguinaldo não assuma novamente o Ministério o fato do progressista ter apoiado Cássio Cunha Lima (PSDB), aliado do então presidenciável Aércio Neves, para o governo.

A alegação dos paraibanos é que Ribeiro não poderia ser premiado com o cargo por ter abandoado a aliança com o PT nacional.

Leia a nota na íntegra 

O comando do PMDB da Paraíba quer impedir que o deputado Aguinaldo Ribeiro (PP) volte ao Ministério das Cidades. Ribeiro deixou o cargo para concorrer à reeleição. Como o PT da presidente Dilma Rousseff aliou-se no estado ao PMDB, seu adversário, Ribeiro apoiou o presidenciável tucano Aécio Neves.

Ribeiro nega ter apoiado Aécio. Diz que sua campanha foi suprapartidária e que comemorou a reeleição de Dilma ao lado dela.

Afirma também que não sonha em voltar ao ministério, como dizem seus opositores. O movimento para impedir que Ribeiro volte ao governo é liderado pelo senador Vital do Rêgo e o senador eleito José Maranhão, os principais líderes do PMDB paraibano.

O grupo alega que Ribeiro seria premiado depois de ter abandonado a aliança com o PT nacional.

Roberto Targino – MaisPB

Barbosa repudia matéria da revista ‘Época’: grave desvio de ética jornalística

(Foto: ABr/Arquivo)
(Foto: ABr/Arquivo)

O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Joaquim Barbosa, enviou carta à revista Época repudiando a publicação da matéria com o título “Não serei candidato a presidente”, divulgada na edição nº 823. Segundo Barbosa, a matéria traz em si um grave desvio de ética jornalística, com artifícios e subterfúgios utilizados pelo repórter, que solicitou à Secretaria de Comunicação do STF para ser recebido pelo ministro, apenas para cumprimentos e apresentação.

“Fora o condenável método de abordagem, o texto é repleto de erros factuais, construções imaginárias e preconceituosas, além de sérias acusações contra a minha pessoa”, diz a carta enviada por Barbosa à revista.

 

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Confira a carta na íntegra:

Sr. Diretor de Redação,

A matéria “Não serei candidato a presidente” divulgada na edição nº 823 dessa revista traz em si um grave desvio da ética jornalística. Refiro-me a artifícios e subterfúgios utilizados pelo repórter, que solicitou à Secretaria de Comunicação Social do Supremo Tribunal Federal para ser recebido por mim apenas para cumprimentos e apresentação. Recebi-o por pouco mais de dez minutos e com ele não conversei nada além de trivialidades, já que o objetivo estabelecido, de comum acordo, não era a concessão de uma entrevista. Era uma visita de cunho institucional do Diretor da Sucursal de Brasília da Revista Época. Fora o condenável método de abordagem, o texto é repleto de erros factuais, construções imaginárias e preconceituosas, além de sérias acusações contra a minha pessoa.

A matéria é quase toda construída em torno de um crasso erro factual. O texto afirma que conheci o ministro Celso de Mello na década de 90, e que este último teria escrito o prefácio do meu livro “Ação Afirmativa e princípio Constitucional da Igualdade”. Conheci o ministro Celso de Mello em 2003, ano em que ingressei no STF. Não é dele o prefácio da obra que publiquei em 2001, mas sim do já falecido professor de direito internacional Celso Duvivier de Albuquerque Melo,que de fato conheci nos anos 90 e foi meu colega no Departamento de Direito da Universidade do Estado do Rio de Janeiro.

Mais grave, porém, é a acusação de que teria manipulado uma votação,impedindo deliberadamente que um ministro do STF se manifestasse. O objetivo seria submeter o ministro a pressões da “mídia” e de “populares”. Isso não é verdade. Ofensiva para qualquer cidadão, a afirmação ganha contornos ainda mais graves quando associada ao Chefe do Poder Judiciário. Portanto, antes de publicar informação dessa natureza, o repórter tinha a obrigação de tentar ouvir-me sobre o assunto, o que pouparia a revista de publicar informação incorreta sobre minha atuação à frente da Corte.

No campo pessoal, as inverdades narradas na matéria são ainda mais ofensivas e revelam total desconhecimento sobre a minha biografia. Minha mãe nunca foi faxineira. Ela sempre trabalhou no lar, tendo se dedicado especialmente ao cuidado e à educação dos filhos. O texto,que me classifica como taciturno, áspero, grosseiro, não apresenta fundamentos para essas afirmações que, além de deselegantes, refletem apenas a visão distorcida e preconceituosa do repórter. O autor da matéria não apresenta elementos que sustentem os adjetivos gratuitos que utiliza.

Também desrespeitosa é a menção aos meus problemas de saúde. Ao afirmar que a dor causou “angústia e raiva”, o jornalista traçou um perfil psicológico sem apresentar os elementos que lhe permitiram avaliar o impacto de um problema de saúde em uma pessoa com a qual ele nunca havia sequer conversado.

Outra falha do texto é a referência à teoria do “domínio do fato”. Em nenhum momento a teoria foi evocada por mim para justificar a condenação dos réus no julgamento da Ação Penal 470. Basta uma rápida leitura do meu voto para verificar esse fato.

Finalmente, não tenho definição com relação ao momento de minha saída do Supremo e de minha aposentadoria. Muito menos está definido o que farei depois dessa data, embora a matéria tenha afirmado – sem que o jornalista tenha sequer tentado entrevistar-me sobre o tema – que irei dedicar-me ao combate ao racismo. Triste exemplo de jornalismo especulativo e de má-fé.

Joaquim Barbosa

Presidente do Supremo Tribunal Federal

JB Online

Revista Época denúncia suposto esquema de tráfico de drogas e armas nas ambulâncias do Samu de JP

O motorista Valdemir Evaristo. Suas denúncias sobre o desvio de dinheiro serão investigadas pela Polícia Federal. Sobre armas e drogas, não (Foto: Marcus Antonio/ÉPOCA)

A revista Épóca publicou uma matéria onde Valdemir Santos Evaristo, de 34 anos, afirma que o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) de João Pessoa é utilizado para fazer trasporte de armas e drogas. Segundo o denunciante, a denúncia já havia sido feita a secretária de Saúde, Roseane Meira, mas o suposto esquema teria tido continuidade.

Veja abaixo a reportagem na íntegra:

 

O Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) é a linha de frente da saúde pública desde 2003, quando suas ambulâncias começaram a ser distribuídas pelo país. Ainda hoje, a maioria das cidades não dispõe delas em número suficiente. Também são frequentes as denúncias de que elas estão em más condições ou sucateadas. O milhão de pessoas que vivem na região metropolitana de João Pessoa, na Paraíba, dispõe de apenas 16 ambulâncias. Lá, as denúncias envolvem crimes, e não apenas o mau estado dos veículos. Desde o início de agosto, a Polícia Federal (PF) investiga um esquema de venda de plantões disseminado entre os funcionários do Samu da capital paraibana. Segundo as denúncias, eles fazem escalas mensais de dez plantões e recebem por 25. Uma pequena parte do dinheiro, o equivalente a cinco turnos, fica com o funcionário. O restante vai para seus chefes. “É desvio de verbas”, diz o delegado federal Felipe Alcântara, responsável pelo caso.

A apuração começou depois que um dos motoristas socorristas denunciou os crimes. Valdemir Santos Evaristo, de 34 anos, relatou que, no início de 2011, foi convidado a participar da quadrilha por seu então superior imediato, José Leonardo Alves, um ex-policial militar. No mesmo dia, Evaristo diz que foi procurado pelo coordenador administrativo do Samu de João Pessoa, Gilmore Lins. À PF, Evaristo declarou que Gilmore sugeriu que ele pedisse transferência para o Samu de outro município. Novamente, Evaristo não concordou. “Recusei, e minha vida virou o inferno”, diz. Em seguida, começou a receber ameaças. Em março, resolveu contar tudo o que sabia à secretária municipal de Saúde, Roseana Meira. Para provar que dizia a verdade, levou duas testemunhas, uma técnica de enfermagem e uma telefonista do Samu. Roseana ouviu e pediu provas materiais.

Dias depois, Evaristo voltou com documentos com evidências de que seus colegas haviam fraudado as escalas de plantão. Nessa conversa, deu mais detalhes da fraude e dos desmandos ocorridos no Samu. Segundo Evaristo, muitos chamados de socorro da população deixavam de ser atendidos porque as equipes estavam de plantão só no papel. Recebiam como se tivessem trabalhado, mas não estavam lá quando ocorriam as emergências. Outras vezes, os doentes deixavam de ser resgatados porque as ambulâncias eram usadas para fins particulares, como para levar os filhos dos funcionários à escola ou fazer compras.

“A gente via pistolas e revólveres. A droga era uma coisa mais escondida”, diz Valdemir Evaristo, motorista do Samu.

Os delitos e irregularidades presenciados por Evaristo, pela técnica de enfermagem e pela telefonista não se restringiam ao superfaturamento de plantões. Eles relataram que as ambulâncias do Samu também eram usadas para traficar armas e drogas. “Isso era feito de noite e nos fins de semana. A gente via os carregamentos de pistolas e revólveres três ou quatro vezes por mês. Era tudo novinho. A droga era uma coisa mais escondida. No prazo de um ano, só vi oito ou dez vezes”, disse Evaristo a ÉPOCA. Segundo ele, os carregamentos incluíam tabletes de maconha, trouxas de cocaína e pedras de crack. Evaristo diz não saber que destino era dado às armas ou às drogas.

Apavorado, Evaristo resolveu se esconder no interior pernambucano. Achou que estaria mais protegido se sua história fosse pública e estivesse nas mãos das autoridades. Por isso, gravou dois vídeos em que relata os crimes que presenciou e as ameaças que sofreu. Os depoimentos foram colhidos pelo dono de uma produtora de um amigo de Evaristo. Deu cópias a um amigo, ao produtor e ficou com outra (assista ao vídeo ao lado). Em seguida, Evaristo seguiu a recomendação de um

Depois que Evaristo e suas testemunhas fizeram o relato à secretária Roseana Meira, José Leonardo Alves e outros dois envolvidos foram afastados de suas funções. As punições não interromperam as ameaças. “Falei com a doutora Roseana pensando que recobraria minha vida, mas o que aconteceu foi o contrário”, afirma. De acordo com o relato de Evaristo, em junho, a casa dele foi invadida, e sua mulher agredida. Na central do Samu de João Pessoa, diz ele, um soldado dos Bombeiros tentou agredi-lo e jurou matá-lo. Acabou contido pelos colegas. Um colega de Samu entrou armado numa das bases das ambulâncias à procura de Evaristo, que não estava de plantão naquele momento. Ele diz que dias depois foi emboscado por dois homens numa motocicleta. O carona atirou em seu carro.

Apavorado, Evaristo resolveu se esconder no interior pernambucano. Achou que estaria mais protegido se sua história fosse pública e estivesse nas mãos das autoridades. Por isso, gravou dois vídeos em que relata os crimes que presenciou e as ameaças que sofreu. Os depoimentos foram colhidos pelo dono de uma produtora de um amigo de Evaristo. Deu cópias a um amigo, ao produtor e ficou com outra. Em seguida, Evaristo seguiu a recomendação de um advogado e depôs à PF. A notícia crime registrada pelo delegado Felipe Alcântara é farta em detalhes sobre a venda de plantões. Traz o nome de José Leonardo Alves e de outros quatro acusados por Evaristo, além de quatro testemunhas. Além da técnica de enfermagem e da telefonista que o acompanharam no depoimento à secretária de Saúde, estão relacionados outro técnico de enfermagem e um sargento da Polícia Militar da Paraíba, ex-funcionário do Samu.

O delegado Alcântara considera a denúncia sobre o desvio de verbas públicas suficiente para embasar um inquérito. Para ele, as acusações sobre o superfaturamento de plantões foram consistentes o suficiente para que ele decidisse ouvir a secretária Roseana Meira. Alcântara não deu o mesmo tratamento às informações sobre tráfico de armas e de drogas. Segundo ele, Evaristo não apresentou provas materiais desses crimes nem indicou como elas poderiam ser obtidas.

Questionada sobre as denúncias, a prefeitura de João Pessoa levou 48 horas para se manifestar. Só o fez depois que as questões chegaram ao gabinete do prefeito, Luciano Agra (PSB). A Secretaria de Saúde deu respostas contraditórias às denúncias formuladas por Evaristo. Primeiro, afirmou em nota que aguarda o resultado das investigações da PF para decidir se abre um inquérito próprio para investigar o superfaturamento de plantões. Depois, enviou outra comunicação afirmando que o processo interno está aberto. A secretária Roseana Meira evitou atender a reportagem de ÉPOCA em seu gabinete e em casa. Gilmore, que ofereceu transferência a Evaristo, disse desconhecer as fraudes nos plantões. Indagado sobre o afastamento de José Leonardo Alves, desligou o telefone. O motorista Evaristo voltou a sua casa na região metropolitana de João Pessoa. Sua família não. A mulher e os dois filhos dele moram, agora, com parentes. Evaristo vive só e usa colete à prova de balas. Quando precisa sair, pede que amigos policiais o acompanhem fardados e armados. “Acho que vou morrer por causa disso. Quero entrar no programa de proteção a testemunhas”, diz.

Época

Revista Época cita Cássio Cunha Lima como exemplo de políticos punidos por compra de votos em 2008

A matéria de capa da revista Época desta semana aborda a compra de votos. Embora o foco principal das denúncias não seja a Paraíba, a publicação fez uma espécie de mapa da irregularidade na história do Brasil e cita o caso do ex-governador Cássio Cunha Lima (PSDB) como exemplo das punições a políticos acusados de negociar os votos do eleitorado. Além do tucano, José de Anchieta Júnior, governador de Roraima também teve o mandato cassado em 2011.

O mandato de Cássio foi cassado pelo TRE da Paraíba no dia 30 de julho de 2007 porque a côrte eleitoral acatou a acusação de uso do programa social da Fundação de Ação Comunitária (FAC) em benefício de sua candidatura à reeleição. Ele permaneceu no mandato por força de liminares até 17 de fevereiro de 2009, quando seus embargos foram rejeitados e José Maranhão (PMDB), segundo colocado na eleição de 2010, chegou ao poder para substitui-lo.

VEJA

Eeição à venda – O mercado de votos que ainda assola o Brasil

Na lista das profissões em extinção num Brasil que se moderniza, está o carroceiro. Os poucos que resistem evocam gravuras de Debret (1768-1848), o pintor francês que fez a crônica visual do Brasil Colônia. No tempo de Debret, eles transportavam tonéis de água num Rio de Janeiro onde não havia saneamento básico. No Brasil de hoje, puxam pesadas carroças de lixo reciclável, em troca de vencimentos que raramente chegam ao salário mínimo. Na cidade mineira de Betim, município da Grande Belo Horizonte, um carroceiro ganha em média R$ 600 por mês.

Para ele, R$ 280 fazem diferença no orçamento. É essa a quantia que o candidato Carlaile Pedrosa (PSDB) paga a carroceiros em troca de apoio político – como mostra um vídeo obtido com exclusividade por ÉPOCA e que evoca, na era da urna eletrônica, o Brasil do tempo das carroças. As imagens abaixo mostram Carlaile, postulante à cadeira de prefeito de Betim, chegando de carro a um bairro pobre da cidade. Logo depois, uma correligionária dele se encontra com carroceiros. Tira do envelope um maço de dinheiro. Eles ficam felizes.

“Só de o pagamento ser em dinheiro já tá bom demais. Da outra vez foi em cheque”, afirma um deles. “Vai ter mais 140 ou é só este?”, diz outro – e é imediatamente informado de que receberá a mesma quantia depois do pleito, caso Carlaile seja eleito. As imagens evocam, tristemente, o folclore do tempo dos coronéis, quando lavradores descalços recebiam o pé direito do sapato antes da eleição, e o pé esquerdo depois, apenas no caso de vitória do candidato

O Rio de Janeiro de 2012, cidade que se prepara para receber uma Olimpíada e uma final da Copa do Mundo, também tem práticas eleitorais que lembram o Brasil das carroças. Um relatório obtido com exclusividade por ÉPOCA revela como as milícias – brigadas fora da lei que vendem proteção e outros serviços em bairros pobres – cobram pedágio de candidatos que querem fazer campanha em seus “territórios”. De acordo com a apuração comandada pelo procurador da República Maurício da Rocha Ribeiro, chefe do Ministério Público Eleitoral no Estado do Rio de Janeiro, o preço-padrão cobrado de candidatos a prefeito é R$ 10 mil, enquanto os vereadores têm de pagar R$ 4 mil.

As milícias se concentram na Zona Oeste da capital carioca e na Baixada Fluminense. As investigações partiram de um relatório do disque-denúncia – que recebeu 126 queixas de irregularidades nas eleições, 25 delas apontando envolvimento de candidatos com milícias e outras 25 com traficantes de drogas. Nas regiões dominadas por esses traficantes, o pedágio é ainda mais caro – pode chegar a R$ 50 mil.

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PBAgora com Revista Epoca