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Sem chuvas, Paraíba pode enfrentar colapso de água no segundo semestre de 2016

 

Reprodução/Facebook/Padre Djacy Seca atinge quase 90% do estado
Reprodução/Facebook/Padre Djacy
Seca atinge quase 90% do estado

A situação da falta de água em mais de 75% dos municípios da Paraíba pode se tornar ainda mais crítica e, caso não chova como o necessário, o estado corre o risco de sofrer o maior colapso de água da história ainda no primeiro semestre do próximo ano. Hoje, todo o volume de água dos reservatórios do estado representa apenas 16% da capacidade total.

A projeção é do ex-secretário de Recursos Hídricos do Governo do Estado, Francisco Jácome Sarmento. “Se o ano vindouro for igual a 2015, nós teremos o maior colapso da história do Nordeste”, afirmou o ex-secretário, em entrevista ao programa ‘Rede Debate’, da RCTV (canal 27 da Net Digital, emissora do Sistema Correio) nessa segunda-feira (23). Jácome é também consultor em recursos hídricos do Governo Federal.

Entre os municípios que mais sofrem com a sec

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a estão aqueles que são abastecidos pelo açude Presidente Epitácio Pessoa (Boqueirão). O manancial atende Campina Grande e outras 20 cidades e distritos da região. Com chuvas irrelevantes para reabastecer o manancial, Boqueirão já caminha para entrar no seu volume morto e pode ficar sem água para consumo em menos de dez meses.

Atualmente, Boqueirão que tem a capacidade para armazenar cerca de 410 milhões de metros cúbicos de água, possui pouco mais de 55 milhões, o que representa apenas 13,6% da capacidade do seu armazenamento total. Francisco Sarmento explica que todo mês é retirado do Boqueirão, seja para o abastecimento das cidades ou por evaporação, em média 4,3 milhões de metros cúbicos de água. Ele adverte que se esse ritmo for mantido, sem o reabastecimento necessário, não haverá mais água aproveitável no açude ainda em 2016.

“Hoje estamos com cerca de 55 milhões de metros cúbicos e se mantiver esse nível de retirada, seja por evaporação, seja pelo consumo, mesmo com o racionamento que tem sido feito, nós não chegaremos ao final de 2016. Isso não é uma previsão, é uma projeção. Basta fazer uma conta simples. Temos 55, basta descontas 4,3 mensal e em dez meses nós teremos 43 milhões a menos. Quer dizer: estaremos abaixo do volume morto do reservatório”, pontuou.

O ex-secretário e professor da UFPB ressaltou que água do manancial já está com sua qualidade comprometida devido ao excesso da concentração de sais e o baixo nível no reservatório.

“É uma água pesada, com alta concentração de sais e que o tratamento da água não retira isso. Isso não é só aqui na Paraíba, é em qualquer lugar do Brasil. A questão é que a água pura evapora, mas o sal fica. O sal não evapora. Então a concentração do sal vai aumentando a medida que o nível do manancial vai diminuindo”, afirmou.

A situação crítica abrange outros municípios além dos abastecidos pelo Açude de Boqueirão. A situação de emergência por causa da falta de água, decretada pelo governador Ricardo Coutinho, já atinge 170 cidades, em que várias delas passam por rodízio ou racionamento de água e precisam de carros pipas para atender minimamente a população.

Situação dos reservatórios

No estado já são sete açudes completamente secos. São eles Algodão, em Algodão de Jandaíra; Cabaceiras, em Picuí; Ouro Velho, no município de mesmo nome; Pocinhos, em Monteiro; Serrote, também em Monteiro; São José 4, em São José do Sabugi; e Vídeo, em Conceição. Eles estão entre os 53 reservatórios com 5% menos de sua capacidade. Outros  34 estão com menos de 20% da capacidade.

Segundo o presidente de Agência Executiva de Gestão das Águas da Paraíba (Aesa), João Fernandes, todo o volume de água atual dos reservatórios do estado representa apenas 16% da capacidade. Indo para o Semi-árido paraibano o número cai para 13,1%, segundo João Fernandes.

“Nós temos 16% da capacidade de armazenar nos nossos mananciais no estado. No mês passado eram 17% e agora estamos com 16%. Por quê? Porque estamos apenas consumindo a água que se acumulada no passado. Não tem tido a recarga necessária. Não tem que ter choro. Tem que ter gestão”, frisou.

Ele discorda da projeção de que em julho do próximo ano, se não chover, Campina Grande terá um colapso no abastecimento. “Todos os nossos estudos indicam que a água de Boqueirão ainda sustenta esse abastecimento até 2017”, garantiu.

Falta de ações estruturantes

De acordo com Francisco Sarmento, desde 2011 os reservatórios não tiveram recargas significantes e, por isso, a Paraíba está em seu quinto ano consecutivo de seca severa. Para ele, a falta de ações estruturantes por parte do governo federal deve agravar ainda mais a situação no estado.

“Se nós não enfrentarmos como a natureza do problema exige, de forma estrutural, com soluções definitivas, nós vamos vivenciar recorrentemente esses problemas”, taxou.

Segundo ele, a transposição do rio São Francisco deve solucionar o problema da seca no Nordeste, mas a demora nas obras contribui de forma significativa para o possível colapso na região no próximo ano.

“A transposição do rio São Francisco é a resposta para uma boa parte do território do Semiárido Setentrional, é uma resposta com esta característica estruturante. O problema é que não temos prazo para atender os municípios que ela beneficia. Caso o próximo ano de 2016 venha a ser seco como o de 2015, nós teremos uma situação nunca vivenciada no Brasil. Porque nós nunca tivemos uma população tão grande. Nós nunca tivemos tanta dependência da água como temos hoje e sem outra alternativa para atender essa população”, sentenciou.

João Fernandes e Francisco Sarmento concordaram que não há como construir novos reservatórios no estado. “São espelhos para evaporação”, disse o ex-secretário. A exceção ficaria no rio Mamanguape.

Para Sarmento, a situação da Paraíba é pior do que a enfrentada por São Paulo. Lá, o plano B tem como alternativa 23 locais para transposição de água. Aqui, só a transposição do São Francisco. A probabilidade de se ter uma estiagem no ano que vem igual ou pior do que em 2015 é de 16%, segundo os estudos técnicos.

No quadro abaixo, a situação de cinco dos principais açudes monitorados diariamente pela Aesa:

MUNICÍPIO  AÇUDE CAPACIDADE(milhões de m³)  VOLUME ATUAL PERCENTUAL
 Cajazeiras  Engenheiro Ávidos   255.000.000  18.393.010 (m³)  7,2%
 Boqueirão  Epitácio Pessoa  411.686.287  55.880.355  13,6%
 Coremas  Coremas   591.646.222  71.890.751  12,2
 Coremas  Mãe dÁgua  567.999.136  89.183.566  15,7%
 Cajazeiras  Lagoa do Arroz  80.220.750   5.019.918  6,3%

 

Por Naira Di Lorenzo

 

Dilma vai pedir em discurso reforma da ONU para enfrentar questão dos refugiados

Agência Brasil
Agência Brasil

O discurso que a presidenta Dilma Rousseff fará na Assembleia-Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), em Nova York, na segunda-feira (28), vai destacar a necessidade de uma reforma na instituição, especialmente em um momento em que questões delicadas como a imigração em massa de refugiados sírios para a Europa se intensificam no cenário global.

A intenção do governo brasileiro é sensibilizar os membros do Conselho de Segurança para que o país consiga um assento permanente. Nesse sentido, ao abrir o debate de alto nível da Assembleia, a presidenta Dilma Rousseff deverá ressaltar que a organização enfrenta dificuldades de representatividade para tratar de temas importantes da atualidade. Mencionará a questão dos imigrantes sírios como um desafio urgente a ser enfrentado pelos líderes mundiais.

Seguindo a tradição iniciada em 1947 pelo então ministro das Relações Exteriores Oswaldo Aranha, de um brasileiro ser o primeiro orador na abertura da Assembleia- Geral da organização, Dilma Rousseff será a primeira chefe de estado a discursar na 70ª sessão, nesta segunda-feira (28). Além da política migratória, a presidenta citará as políticas que o Brasil vem adotando no acolhimento a refugiados.

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Nesta semana, o Comitê Nacional para os Refugiados prorrogou por mais dois anos a concessão de visto especial a imigrantes sírios e pessoas afetadas pelo conflito na região, fazendo com que a exigência de documentos e requisitos seja menor. Desde 2012, o Brasil também permite a concessão de visto humanitário a imigrantes haitianos.

Desde que discursou pela primeira vez na ONU, em 2011, a presidenta repete posicionamentos do Brasil sobre questões internacionais. Desse modo, ela deverá novamente defender a paz no Oriente Médio e o direito de existir um Estado da Palestina.

Neste domingo (27), em discurso na Cúpula sobre Desenvolvimento Sustentável, Dilma deverá anunciar as metas do país para a Cúpula do Clima de Paris que ocorre no final do ano. Por isso, a lista desses compromissos do governo brasileiro deverá também ser repetida por ela durante a fala na Assembleia.

Como o Brasil alcançou antecipadamente a maioria dos Objetivos do Milênio propostos pela ONU em 2000, o cumprimento dessas metas também será ressaltado pela presidenta para os chefes de estado e de governo reunidos em Nova Iorque, como a redução do desmatamento, o aumento da escolarização de crianças de até seis anos, as políticas de superação da pobreza e garantias da segurança alimentar e nutricional.

Atualmente, o Conselho de Segurança da ONU tem 15 vagas, das quais cinco são permanentes e dez rotativas, com membros eleitos pela Assembleia-Geral a cada dois anos. Estados Unidos, Rússia, Grã-Bretanha, França e China possuem assento permanente no órgão. O conselho é o único fórum da entidade com poder decisório e todos os membros das Nações Unidas devem aceitar e cumprir suas decisões.

 

 

Agência Brasil

Poderes da Paraíba cortam gastos para enfrentar a crise

ALPB2As medidas de contenção de gastos e os cortes adotados pelo Governo Federal para conter a crise financeira também foram tomadas pelos Poderes na Paraíba. Nas últimas semanas o Executivo, Legislativo e Judiciário, além do Ministério Público (MPPB) adotaram medidas, algumas consideradas antipáticas, para compensar a queda nas receitas estaduais.

Segundo o presidente da Assembleia Legislativa (ALPB), Adriano Galdino, todos os Poderes estão empenhados em diminuir os gastos e assim contribuir para que o Estado enfrente a crise com os compromissos em dia. “Para isso, todos os Poderes se empenharam nesse sentido, inclusive na montagem do orçamento do próximo ano”, disse.

Segundo o presidente Adriano Galdino, na ALPB estão sendo cortadas despesas com combustível, remédios e passagens. Essas reduções giram em torno de 30% a 70% em alguns casos.

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Outra redução, segundo o presidente da Assembleia Legislativa, Adriano Galdino, aconteceu com a compra de medicamentos para o setor de saúde da Casa de Epitácio Pessoa.

O corte também chegou a faixa dos R$ 28 mil. “Estamos apertando o sinto, mas fazendo de uma forma que a Casa continue funcionando a contento”, disse o presidente do Poder Legislativo.

André Gomes /Correio da Paraiba

A história se repete: petista ignora Ricardo Coutinho e pode enfrentar mesmo problema de Luiz Couto

frei e coutoEntre os deputados estaduais que integram a base do Partido dos Trabalhadores na Assembleia Legislativa, Frei Anastácio (PT) é o que mais tem resistido a aliança do partido com o PSB do governador Ricardo Coutinho.

Antenado com a Executiva Nacional, o deputado defendeu a coligação da legenda com o PMDB e em diversas ocasiões não escondeu o desejo de ser indicado a condição de vice. Com o inicio da campanha eleitoral, Frei Anastácio garantiu que vai seguir as determinações do partido, mas o seu esforço será pela reeleição da presidente Dilma Rousseff (PT). Na primeira reunião com a sua militância no Hotel Xênius, em João Pessoa, quando deu a largada ao seu projeto de reeleição, o parlamentar fez uma análise da conjuntura política estadual e nacional, destacando a situação atual do Partido dos Trabalhadores (PT) na Paraíba e no Brasil.

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Durante a sua fala, Frei Anastácio deixou claro que a sua “principal prioridade será a reeleição da presidente Dilma Rousseff (PT)”. Em nenhum momento, o deputado se referiu de forma clara o apoio ao governador Ricardo Coutinho (PSB), que disputa a reeleição e mantém aliança com o PT da Paraíba, inclusive, com Lucélio Cartaxo (PT) como candidato ao Senado Federal.

Com 41 anos de luta tendo como um dos principais focos os agricultores familiares e trabalhadores sem terra, os sem teto, as mulheres, os idosos, os excluídos da sociedade o parlamentar garante que está pronto para partir para mais um embate.

A postura meio que independente de Frei Anastácio, pode lhe render algumas dificuldades na campanha eleitoral e se repetir o que aconteceu com o deputado Luiz Couto em 2010. Na época, Couto se rebelou contra o PT e preferiu apoiar a eleição de Ricardo Coutinho, ao invés de defender a então candidatura de José Maranhão que tinha como candidato a vice o presidente estadual do PT Rodrigo Soares. Luiz Couto enfrentou dificuldade na campanha e que entrar na Justiça para ter direito de aparecer no guia eleitoral do partido, mas mesmo assim, foi reeleito.

PBAgora

Com fim do período chuvoso, cidades do Sertão voltam a utilizar poços para enfrentar seca

Divulgação/ Assessoria
Divulgação/ Assessoria

O período chuvoso no Sertão acabou e como não houve acúmulo significativo nos grandes mananciais da região, as comunidades rurais já voltam a sofrer com a escassez de água para o consumo humano.

No município de Sousa, a 420 quilômetros de João Pessoa, a Secretaria de Agricultura e Meio Ambiente em parceria com o Departamento Nacional Contra as Secas (Denocs) estão reativando os poços artesianos em comunidades do município.

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Pelo menos seis comunidades estão sendo beneficiadas por já estarem sofrendo com a escassez do produto tanto para o consumo humano como para os animais.

As localidades que estão recebendo os serviços de reativação dos poços são o Núcleo Habitacional II, Sítio Sagui, Boa Vista, Casa do Caminho, Carnaubinha e Vaca Morta. Mas, o secretário de Ageicultura Paulo Sérgio informou que o poço artesiano vem surgindo como uma alternativa para amenizar os efeitos da seca nessas comunidades.

Além das áreas rurais, a problemática da escassez de água já está atinge também áreas urbanas do município de Sousa.

Chuvas ocorrem no Agreste e Litoral

O período de chuvas vem se intensificando nas regiões do Agreste e Litoral no segundo semestre do ano. De acordo com informações da Agência Executiva de Gestão das Águas (Aesa), a perspetiva é de que  nos próximos dois meses as cidades litorâneas, que já lideram o ranking das chuvas, consolidem os maiores índices pluviométricos da Paraíba em 2014.

A Aesa informou, ainda, que as chuvas deste mês de junho provocaram o “sangramento” de quatro açudes: Gramame-Mamuaba, em João Pessoa; Jangada, em Mamanguape; Olho d’Água, em Mari; e Araçagi, localizado na cidade de mesmo nome.

“Como estamos no período mais chuvoso da região leste, essa evolução no nível dos açudes é normal. A tendência é de que as recargas aconteçam de forma ainda mais significativa em julho e agosto, já que nesse período ocorrem as chuvas que são responsáveis por 70% do abastecimento dos reservatórios do litoral”, informou o gerente de Monitoramento e Hidrometria da Aesa, Alexandre Magno.

 

portalcorreio

Deputados se rebelam e lançam chapa para enfrentar Maranhão na disputa pelo diretório do PMDB

Surpreendidos pela convocação para eleição do novo diretório do PMDB, no próximo dia 26, em que Os grupos liderados prefeito de Campina Grande, Veneziano Vital e José Maranhão, resolveram antecipar a disputa e lançaram Maranhão como candidato a presidente do PMDB, alguns deputados se rebelaram e lançaram na noite desta sexta-feira, uma nova chapa.
A chapa lançada tem o ex-deputado federal, Wilson Santiago, candidato apresidente, tendo como companheiro de chapa, o também deputado federal Manoel Junior.
O racha ficou conformado no partido. Os dissidentes não quiseram se pronunciar. A chapa foi conformada pelo deputado Trócolli Junior, que defendeu a pacificação.
João Costa

Couto conclama parlamentares a enfrentar violência sexual contra crianças e adolescentes

 

O apelo foi feito após o deputado comentar informação divulgada pelo MPPB

O deputado Luiz Couto (PT-PB) fez referência, na quinta-feira (18), à informação do Ministério Público da Paraíba (MPPB) que mostra que foram registradas de janeiro a agosto/2012, através do Disque Denúncia Nacional (Disque 100), 516 casos de violência contra crianças e adolescentes no estado.

Da tribuna da Câmara Federal, o parlamentar destacou, baseado na notícia do MPPB, que 72% das denuncias se referem a abuso sexual e 28% à exploração sexual. No período de janeiro a março de 2011, prosseguiu, computou-se 510 denuncias e em 2012, no mesmo período, 697 envolvendo abuso e exploração sexual de crianças a adolescentes.

Depois de explicar que os dados são colhidos por meio do Disque Denuncia Nacional (Disque 100), Couto ressaltou que os números revelam uma flagrante violação aos direitos humanos, “que se torna ainda mais grave quando atinge crianças e adolescentes porque cria obstáculos ao desenvolvimento saudável da sexualidade e interfere no seu processo de amadurecimento”.

Segundo o deputado, a violência sexual contra crianças a adolescentes está expressa de maneira diversificada, seja no abuso sexual intrafamiliar e interpessoal ou na exploração sexual comercial e não comercial, que se caracteriza através da prostituição, pornografia e pedofilia via internet, turismo sexual e tráfico de pessoas para fins sexuais.

Luiz Couto salientou que essa violência ocorre num contexto de imposição de poder do adulto sobre a criança ou adolescente, refletindo as desigualdades socioeconômicas, raciais, étnicas e de gênero que marcam a sociedade.

“Queremos, mais uma vez, manifestar a nossa indignação, a nossa luta e o nosso compromisso contra todos os tipos de violações contra crianças e adolescentes”, pronunciou Couto, que em seguida conclamou seus pares a fazer o mesmo: “solicitamos às senhoras e senhores parlamentares que assumam nesta casa o compromisso de cada vez mais levar a sério a luta contra a violência sexual”.

Ascom dep. Luiz Couto

“Governo acumula forças para enfrentar debate sobre a mídia”

Em entrevista à Carta Maior, o secretário de Comunicação do Partido dos Trabalhadores, deputado André Vargas (PR), admite que há um descompasso entre as bandeiras históricas do PT para a comunicação e a política praticada pelo governo. Mas afirma que a presidenta Dilma Rousseff enfrentará o problema da alta concentração dos meios de comunicação no Brasil, a exemplo do que vem fazendo com os juros bancários, porque possui mais condições efetivas de fazê-lo do que o seu antecessor, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Avalia que a CPMI do Cachoeira ajudará a deslanchar o debate. “A dinâmica dos fatos estabelece uma ligação a ser esclarecida entre a ‘fábrica de crises’ que a grande imprensa utiliza sistematicamente, principalmente no período em que o PT está no poder”, avalia.

Qual é o projeto do PT para a área de comunicações? O PT recuou do programa apresentado nas eleições?

O PT vem sistematicamente, nos seus documentos, retomando um debate que não é só das eleições, mas da história dos 32 anos do partido. A questão da democratização das comunicações está na nossa plataforma. A agenda política permanece não só a mesma, como vem se aprimorando, buscando um foco. O PT continua com suas bandeiras, mas tem a contingência de ser o partido do governo. E a condução do governo tem outro ritmo.

Então existe um descompasso entre o que o PT pensa para a Comunicação e a forma como o governo age?

É natural que haja algum descompasso. Este é um governo de coalizão. Na nossa visão, o marco regulatório já deveria estar em discussão, mas o governo administra sua coalizão, sua governabilidade. O PT ajuda o governo nessa governabilidade, mas discorda e deixa isso bem claro em todos os seus documentos. Nós lutamos por um marco regulatório que, de fato, enfrente questões como o monopólio da mídia, a desconcentração, a propriedade cruzada, a questão do conteúdo regional, que rediscuta os contratos entre as afiliadas, o crescimento da internet etc.

E como se dá a pressão do PT nesse governo de coalizão? Qual o peso dela?

O partido dialoga de forma respeitosa com a presidente e este é tema
recorrente. Nos seus documentos, o PT nunca deixou de manifestar sua opinião, sem deixar de entender que o governo tem o tempo dele e nós temos o nosso. Os grandes veículos exercem também sua pressão sobre o governo.

Nós vivemos em um ambiente democrático. Mas a mídia [tradicional], em especial a Veja, não esconde que tem quase uma fixação pelo PT, que deve ser avaliada no campo da psiquiatria, da psicologia. Agora, a CPI do Cachoeira mostrará mais um pouco disso. Muita coisa que a gente suspeitava pode ser verdade. Os veículos de comunicação bateram também no PSDB, mas no nosso caso há um superdimensionamento.

O sr. está dizendo que a grande mídia usou desses expedientes especialmente nos governos do PT?

Isso ficou claro nos fatos que levaram à CPI do Cachoeira. É a primeira vez que a mídia não apoia uma CPI no seu nascimento. É simbólico isso. E só passou a apoiar forçando uma mudança de foco: elegeram a Delta [construtora responsável por obras do PAC] , e se esqueceram do Demóstenes [Torres, senador por Goiás] e do [Marconi] Perillo [governador de Goiás]. Mas a gente fala mídia como se fosse um ente absoluto. Não é assim.

Não é mais porque a Globo falou que se torna verdade. Isso está muito relativizado. Não existe mais um jornal nacional no país. Jornal impresso, muito menos. Há jornal em São Paulo que pretende ser nacional e não chega no ABC paulista. O governo tem feito alguns movimentos, ainda que não do jeito que a gente gostaria. A questão da regionalização que a Secom [Secretaria de Comunicação da Presidência] faz. Eu gostaria que fizesse muito mais, mas já há mais investimentos na mídia da internet. Antes eram 500 veículos que recebiam publicidade oficial. Hoje já são mais de 8 mil. Já é alguma coisa.

No debate sobre a mídia, a militância reclama que essa questão andou apenas no final do governo Lula e foi relegada a segundo plano no governo Dilma.
Em toda transição entre governos existe uma reacomodação. E o primeiro ano de todo governo é atípico mesmo. Mas eu acredito que o governo Dilma irá fazer muito neste campo, porque as condições de efetivamente fazer estarão melhores do que as condições de efetivamente fazer que o Lula teve.

E, neste aspecto, a CPMI do Cachoeira ajuda?

Ajuda. Não fomos nós que criamos a CPI; não fomos nós que delegamos a um senador moralista ser sócio do crime organizado. Nosso governo investiga mais criminosos, a Polícia Federal tem melhores condições de investigação. Mas não fomos nós que criamos os fatos da CPI. O que nós entendemos é que a dinâmica dos fatos estabelece uma ligação a ser esclarecida entre a fábrica de crises que a grande imprensa se utiliza sistematicamente e o crime, principalmente no período em que o PT está no poder.

Aliás, tem gente que estabelece semelhanças da capas da Veja de agora com as feitas no governo Collor, antes do impeachment. A revista nem foi criativa. Achou que havia escândalo suficiente para derrubar um governo e seguiu o roteiro. Se isso foi feito de forma criminosa, como fez o [Rudolf] Murdoch [o magnata das comunicações, controlador do jornal britânico News of the World, fechado por envolvimento em interceptação de conversas telefônicas de celebridades], esse é um debate legítimo ao qual a sociedade deve ter acesso. Isso será um subproduto da chamada CPI do Cachoeira. Vai estar presente nas investigações.

O que nos move é esclarecer os fatos. Se as gravações obtidas[pela Veja] para construir as matérias foram feitas de forma ilegal, nós queremos apurar. Queremos saber que relações esse jornalista [Policarpo Júnior] tinha com Cachoeira. Se um deputado ou senador tem que responder por associação com o crime organizado, uma empresa de comunicação social também deve, pois não é uma empresa neutra. É uma empresa que influencia opinião. Por que este seguimento não pode ter uma avaliação? Porque não podem se subordinar a uma conferência nacional? Ouvir o povo? No caso da TV Globo, ela é concessão pública.

Como enfrentar esses interesses, num ambiente de mídia concentrada e sem critério de regulação?

A democracia é o melhor dos ambientes. Esse novo Brasil não está sendo construído só pelo PT, pelos partidos, mas também pelo povo. Quanto mais nós conseguimos empoderar essa multiplicidade de comunicações, redes e tudo, maior será o avanço. Nós temos hoje um processo de acesso à informação multiplicado, mas um processo de produção de informação ainda muito concentrado. Eu acredito que o governo está armazenando as condições para encarar esse problema de frente, como fez com os bancos. Nós estamos em uma fase de acúmulo de forças para fazer este debate. Que não é um debate simples de fazer.

Acumulando forças como? E a maioria legislativa do governo?

Nós não temos muita alternativa. Quando nos pronunciamos a favor da regulação e o PSB, do neto do Miguel Arraes [Eduardo Campos, governador de Pernambuco] falou contra o documento do PT [que propõe o novo marco regulatório, democratização da comunicação etc], deu para perceber que não seria fácil . E tudo isso passará pelo Congresso Nacional. Para falar muito claramente sobre a correlação de forças: a Emenda 3, a famigerada, perdemos. O Código Florestal, nós arregimentamos forças e contamos 180 votos. Mas quando foi a voto não chegamos a 120 votos. Esses são os aliados que temos.

E como mudar essa correlação de forças?

Onde é que o povo se manifesta nessa questão? Essa discussão não vai provocar uma passeata com 50 mil pessoas. Há poucas manifestações sobre isso no campo das redes e esse é um debate que a população ainda não assumiu. São importantes estratégias como a do FNDC [Fórum Nacional de Democratização da Comunicação], de fazer uma campanha de popularização do marco regulatório da comunicação. Mas o PT não pode fazer essa mobilização sozinho, inclusive porque o tema fica estigmatizado como sendo algo do PT. Este é um trabalho para o conjunto de partidos, entidades, grupos e movimentos envolvidos nesse debate. Aliás, muito me impressiona entidades do nível da OAB e a CNBB não entrarem nesta agenda, pois isso interessa também a esses seguimentos.

Essa resistência não teria a ver com essa interpretação de que a regulação cerceará a liberdade de expressão?

Por isso é que nossa visão é que a nossa campanha seja pela liberdade de expressão. Por que é isso o que nós defendemos: uma liberdade de ir e vir, de receber, mas também de oferecer, de interagir. E a convergência digital oferecer essa possibilidade.

Por que o senhor assegura que o governo Dilma tem melhores condições de fazer esse debate que o governo anterior?

O governo vai ter que enfrentar este tema, e ninguém do governo disse que não vai enfrentar. O governo tem um desafio histórico de dar conta dessa demanda, que é uma demanda estrutural da sociedade brasileira. Não é uma demanda utópica, uma questão qualquer. É uma questão de fundo. O governo, dentro do processo de governabilidade, está acumulando energia e força. Nós não temos dúvida de que o governo tem este compromisso. Mas o PT vai continuar dizendo e tensionando. Não nos compete avaliar perfil de ministros, mas compete reforçar uma posição que a presidente tem colocado: a de que é favorável à liberdade de imprensa – aliás, isso nunca foi uma dicotomia para nós.

Nós somos favoráveis e somos frutos da liberdade de imprensa. A esquerda, o Lula, a Dilma, tudo isso é fruto da liberdade de imprensa. Mas também sofremos e padecemos da concentração da mídia que, muitas vezes, impõe uma visão que limita o desenvolvimento da sociedade. Nós não queremos que o PT se perpetue no poder, mas que a sociedade brasileira seja cada vez mais civilizada, aberta, sem preconceitos, onde todos tenham direito a comer, beber, vestir, emprego, universidade, lazer, esporte, enfim, a comunicar, a se ver, a ter identidade. Nós não cogitamos a hipótese de que isso não seja por uma via democrática. E a via democrática é o Congresso Nacional. Isso não quer dizer que não vamos debater os temas que não têm apoio da maioria do Congresso. Vamos debater, mas vai chegar a hora de votar. Mas existem passos que não demandam mudança de legislação. É importante, por exemplo, cobrar a instalação do Conselho de Comunicação, que está na Constituição.

Carta Maior