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PADRE DJACY: Alienação religiosa no âmbito cristão

            padre djacyComo cristão, que tenta seguir os passos de Jesus libertador, estou estupefato com tanta alienação religiosa, tanta euforia espiritual, desvinculada de qualquer compromisso com o verdadeiro Reino de Deus. Trata-se da vivência de uma fé intimista, subjetivista, inócua e interesseira. Estamos vivenciando, portanto, não o cristianismo profético- historicizado, contextualizado, comprometedor e libertador, desejado pelo Jesus histórico, mas um cristianismo nas nuvens, descaracterizado na sua essência, um cristianismo alienante e, sem dúvida, muito perigoso. É a era do espiritualismo exacerbado. O que prevalece é a fé intimista: Deus e eu.
         O cristianismo verdadeiro, libertador, puro, compromissado com as causas sociais, com os pobres, os excluídos, os injustiçados, com a vida do povo de Deus, está cedendo espaço para um cristianismo platônico, a – histórico, estéril e inócuo. Agora é uma vivência de fé extremamente conservadora, alienante, reacionária. Longe daquele cristianismo libertário idealizado por Jesus, que vendo a multidão faminta falara: “Tenho pena deste povo, porque é como ovelhas sem pastor” ou, senão, “eu vim para que todos tenham vida”.

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          Estão descaracterizando o evangelho de um Jesus que visava libertar os pobres das garras dos poderosos. Aliás, Jesus é enviado para anunciar a Boa Nova aos pobres, os prediletos de Deus, seu Pai.
             Hoje, o que importa é anunciar um Cristo milagreiro, que soluciona qualquer problema pessoal, que é capaz de promover riquezas, curas, bem-estar pessoal etc. Há uma verdadeira dosagem de alienação a partir do culto, da pregação da palavra e das músicas.
O culto ou a celebração gira em torno de louvores, orações prolongadas desvinculadas da vida sofrida do povo, aplausos, choros, lágrimas, pula pula, gritaria, chegando às vezes ao histerismo. Até diria que esses eventos ditos religiosos funcionam muito mais como terapia, como alivio de um espírito perturbado, estressado.
            As leituras bíblicas são lidas e interpretadas de modo bem adocicadas e alienantes, não levando em consideração o contexto social, econômico e politico do momento. Até diria que as mesmas são escolhidas de acordo com os problemas pessoais, funcionando mais como receita espiritual. O caminho para os seus problemas ou dificuldades está aqui. Siga esses versículos da Bíblia, e o resultado será positivo, quer na doença, nos problemas de finanças etc. É a interpretação intimista, subjetivista, rasteira, superficial,  fundamentalista, da palavra de Deus.
             As músicas, tão badaladas no rádio e na TV,nem se fala, são totalmente alienantes, voltadas mais para o emocionalismo, o subjetivismo. São verdadeiros anestésicos espirituais. São alheias à realidade do povo sofredor, injustiçado, excluído. São musicas desvinculadas do verdadeiro profetismo, não anunciam nem denunciam. Não evangelizam. Funcionam mais como sedativos espirituais. O pior é que fazem um sucesso danado. E toma fama e dinheiro.
            E o mercado religioso, hein? Será que para alguns, a religião cristã não se tornou fonte inesgotável de enriquecimento? Ora, como é notório, muitos usam indevidamente, irresponsavelmente, o nome de Jesus para ludibriar a consciência dos féis e, com isso, explorá-los financeiramente. É o mercado religioso funcionando a todo vapor. Há mercadoria para todo gosto.
            Não vai demorar para ser criado o banco do Senhor. Quem sabe, alguns ousados, metidos a cristãos, criarem o banco de Jesus com os seguintes dizeres: aqui o seu investimento tem retorno: milagres, curas, prosperidade, vida longa, felicidade e garantia de vida eterna. Invista em nome do Senhor Jesus.
             E o estrelato, hein? Quem conta ou aparece não é Jesus, o profeta do reino, mas o famoso, a “estrela”.  Agora virou moda. Quer ficar famoso, conhecido? Grave um cd, escreva livros (livros também alienantes), fale com elegância, use roupa especial, apareça na TV, e pronto. O sucesso está garantido.   Para isso, não falta marketing. A elite “caridosa” adora aplaudir esses líderes. Para ela, esses são os verdadeiros missionários de Deus.
            O que tem de gente religiosa famosa, brilhando nos palcos holofotizados, ganhando dinheiro à custa do nome de Jesus não é brincadeira. As suas músicas e pregações são alienantes, a-históricos. É um espiritualismo exacerbado fora de sério. O pior é que muita gente adora essas “estrelas” da religião.
Onde fica a fé libertadora, encarnada, historicizada? Onde, afinal, está o verdadeiro anúncio do Reino? O Reino que era o núcleo central de toda pregação de Cristo? Não há mais profetismo? O anúncio e a denuncia desapareceram? O Jesus histórico, libertador, não é mais referencial? Seu Evangelho de anuncio e libertação não vale para os tempos atuais?
        Uma coisa é certa: o Jesus profeta, libertador, desapareceu para dar lugar a um Jesus distante, insensível, apático, passivo, descompromissado, que não está nem aí com o clamor pungente dos sofridos e maltratados filhos de Deus. Logicamente, a burguesia, a elite, a classe dominante, só tem a bater palmas para esse cristianismo estéril, inócuo.
           Para os que estão descaracterizando o evangelho, vale estas palavras do grande teólogo da Teologia da Libertação, Padre Jon Sobrino, no seu livro Descer da Cruz: “Jesus morreu na cruz, não porque Deus exigia o seu sacrifício, mas “por anunciar a esperança aos pobres e denunciar seus opressores” (p.318)”.
Padre Djacy Brasileiro, em 20 de março de 2015.
Twitter: @Padredjacy

Padre Djacy compartilha nas redes sociais a felicidade trazida pelas primeiras chuvas do ano

djacyUma das vozes que clama no sertão da Paraíba  em favor do nordestino, o Padre Djacy Brasileiro,  finalmente pode publicar nas redes uma noticia confortante.O padre bastante conhecido nas redes sociais pela sua incessante luta em defesa das vitimas da seca, e que se notabilizou por denunciar diariamente através de fotografias e relatos as condições sub-humanas vividas por milhares de paraibanos, entregues a própria sorte pelos poderes públicos, não se conteve ao ver as primeiras chuvas caírem na Paraíba este ano.

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Feliz, no dia de ontem, o pároco postou fotografias que retratam a esperança e fé de milhares de agricultores cansados de esperar pelo socorro dos poderes públicos, mas que finalmente receberam o socorro dos céus. “É água? Foi da chuva? Choveu mesmo? Estou acordado? Não estou dormindo? Não, não estou dormindo, é água da chuva. Então, viva Deus!” postou Padre Djacy.

Padre Djacy tem defendido a transposição das águas do rio São Francisco como solução definitiva para matar a sede de maisd e 12 milhões de nordestinos distribuídos nos estados da Paraíba, Pernambuco, Ceará e Rio Grande do Norte.

PB Agora

S.O. S seca Hotel Tambaú: fui e vi. nada falei!

artigodjacy

450 km, sete horas de viagem. Assim foi minha ida a João Pessoa para participar do lançamento do SO S SECA, no luxuoso Hotel Tambaú. Saí duas da madrugada,não dormi,cheguei cansado, sem nada comer. Na viagem á capital, carregava uma certeza: a grande oportunidade para falar sobre o sofrimento dos sertanejos havia chegado.

Chegando ao luxuoso hotel, fiquei por ali, esperando o grande momento de  dar meu grito de alerta,de expor para os presentes, as dores,as agonias e desesperos dos meus irmãos sertanejos.Tudo em vão.

Infelizmente, essa esperança de falar, clamar, pedir socorro para meus irmãos vítimas da seca, esvaiu-se, foi por terra. A oportunidade para expor sobre o drama da seca não me foi dada. Saí do auditório com os olhos lacrimejados, mas com a consciência tranquila da missão cumprida.

Não quiseram ouvir os clamores dos sertanejos na voz deste humilde padre do interior, que convive, noite e dia, com os  sofridos e desesperados sertanejos.

Queridos sertanejos, contem comigo. Nunca os abandonarei. Estarei com vocês nesta hora de dor, desespero, clamor, lágrimas, flagelo, mortes. Não fugirei da luta.

Sertanejos do meu coração, o meu desejo de ajudar-lhes nesta hora de aflição é tão grande, quanto à inércia, à hipocrisia e o oportunismo de tantos.

À imprensa paraibana, em nome dos sertanejos, digo: muito obrigado pelo seu incondicional apoio nesta luta renhida em defesa de milhares de seres humanos que clamam, pungentemente, por pão e água.

Nunca haverão de calar minha voz.

Padre Djacy Brasileiro, em 16 de janeiro de 2013.

 O texto é de inteira responsabilidade do assinante

Padre Djacy – Desabafo de quem convive com as vítimas da seca

Após assistir ao Jornal Nacional observei que um bom tempo  do referido noticiário foi para mostrar e falar sobre o sofrimento, o desespero, das vítimas das enchentes ,no Rio de Janeiro. Os apresentadores e repórteres, quase com vozes embargadas e olhos lacrimejados, falaram sobre o grito de dor de centenas de cariocas. Após seu término, fiquei a pensar: nesta hora, o Brasil está comovido, chorando. Sensibilidade brasileira à flor da pele!

 Uma enchente só, num só dia, com seus efeitos catastróficos, leva a grande Mídia a dar repercussão nacional, consequentemente levando as autoridades estaduais e federais  a agirem rapidamente e,ao mesmo tempo, o povo brasileiro ao sentimento de compaixão,de solidariedade.Nada contra,pelo o contrário!

Eis o meu desabafo:

Há mais de ano que a seca no sertão nordestino vem atuando ferozmente, deixando seu rastro de devastação, de morte, e a grande mídia parece ignorar essa tétrica realidade.

Sede, fome, miséria, mortes. Milhares de seres humanos clamando pungentemente por água e pão, mas não há comoção nacional e nem internacional. Reina o silencio governamental, a sociedade se omite e a grande Mídia nada fala.

Vejo o drama angustiante e desesperador dos sertanejos. Ouço seus clamores. Sinto sua voz embargada e olhos lacrimejados. Todos pedem socorro, mas as autoridades  e segmentos representativos da sociedade civil parecem surdos.

O sertão seco, torrado, sob sol causticante, se agoniza, mas as chuvas não vêm. O sol brilha forte e queima, como a dizer: “o sertanejo é, sobretudo, um forte”, aguenta tudo.

Pais de famílias desesperados esperam pelas mãos generosas, solidárias, dos que têm bom coração.

Pequenos criadores assistem passivamente seus rebanhos serem dizimados pela fome e sede. O sertão virou um verdadeiro céu aberto de animais mortos. Os abutres fazem festas. É a festa da carniça. É um deus nos acuda!

Açudes, barragens, riachos e poços secos, causando verdadeiro pavor e sensação de que a sede vai matar milhares de sertanejos. O governo age com sua eterna e oportunista política paliativa. Solução, nada!

Os mananciais esperando as águas do velho Chico, através da transposição, mas o governo diz que a Copa 2014 é prioridade. E viva os estádios, vilas olímpicas, as classes empresariais, os atletas com seus milhões de reais. E a seca continuará catingando.

Após assistir ao Jornal Nacional, absorto nos meus pensamentos, questiono:

 Por que a seca que tanto castiga, mata, não tem espaço demorado na grande Mídia? Por que não causa comoção nos jornalistas e em todo o país?

Por que os apresentadores de telejornais não falam com voz embargada sobre as vítimas da seca, que sofrem com a sede e a fome? Nenhuma sensação de dor, de compaixão, de sensibilidade humano-cristã. Por quê?

O sudeste se acabando com água, o sertão nordestino, com seca. Aquele, socorrido de imediato pelas as autoridades governamentais, divulgado, chorado, causando comoção nacional e internacional; este, coitado, esquecido, ignorado, quase socorrido com as eternas esmolas dos governos e da sociedade.

Meu sofrido e desolado sertão,não o deixarei,farei de tudo para “enxugar suas lágrimas” que clamam por socorro, por vida, e vida em abundância.

Sou pequenino, mas a vontade de lutar pelo meu sertão é do tamanho das inércias do poder público e da insensibilidade da sociedade e das grandes mídias.

Estou contigo, sertão!


Padre Djacy Brasileiro, em 03 de janeiro de 2013.

Twitter: @padredjacy

Sindicalista considera como ‘fraqueza política’ da PB acesso do Padre Djacy a Ministério

Um político paraibano, atualmente sem mandato eletivo, e residindo entre Itaporanga e São Paulo, de nome Antônio Porcino Sobrinho (PMDB), diz reconhecer como um fato extremamente importante o ator global José de Abreu propiciar o acesso  do Padre Djacy Brasileiro ao Ministério da Integração Nacional, para tratar de questões relacionadas à Seca, mas ressalva que a classe política estadual, por isso, não se mostra suficientemente capaz de tomar a dianteira do problema.

Ele confessa, com franqueza, que já tentou facilitar acesso, não só do Padre Djaci, mas de outros políticos e ativistas paraibanos, a órgãos competentes do Governo Federal, em Brasília, para que se possa fazer, amiúde, amostragens do quadro de aflições por que passam populações, inteiras, de paraibanos, frente aos efeitos devastadores da Seca, mas também revela ter encontrado entraves de ordem político-partidários, no momento de fazer o agendamento.

“Esperamos que o Padre Djacy não se decepcione, nessa tentativa de se encontrar com tão importante personalidade do Ministério da Integração Nacional, sobretudo no intuito já de há muito revelado, de lutar pela redenção dos conterrâneos, paraibanos de todos os quadrantes da Seca, e, de igual modo, aqui queremos agradecer à própria vanguarda nacional, que, na pessoa do ator José de Abreu, toma, para si, a responsabilidade de tão proeminente causa social”, enfatiza Antônio Porcino Sobrinho.

Assessoria

Seca na PB:Secretário Nacional de Irrigação recebe Pe. Djacy mas não virá ao Estado

O padre Djacy Brasileiro esteve na tarde dessa quarta-feira (12) em Brasília, sendo recebido pelo secretário Nacional de Irrigação, Guilherme Augusto Orair. Na pauta, a discussão sobre a seca no semiárido paraibano e a transposição do rio São Francisco. Mesmo ouvindo que o Governo Federal tem intenção e recursos para terminar as obras, nada de concreto foi definido, não havendo compromisso do secretário em vir à Paraíba a fim de ver, in locu, a situação das regiões afetadas pela estiagem.

O religioso lamentou que, mesmo estando em Brasília, nenhum parlamentar da banca paraibana o procurou. “Eu estou aqui, mas nenhum deputado ou senador me procurou”, lamentou Djacy Brasileiro, explicando que retornará à Paraíba nesta quinta-feira (13).

Sobre a reunião com Guilherme Orair, o padre disse ter levado fotos da realidade dos que sofrem com a seca. “Eu mostrei imagens da seca, da fome e da sede que afetam 12 milhões de nordestinos em quatro estados que precisam, de maneira urgente, das águas do São Francisco”, disse Djacy Brasileiro, referindo-se os estados da Paraíba, Pernambuco, Rio Grande do Norte e Ceará.

Brasileiro disse que, ao longo da reunião, cobrou do governo mais celeridade na conclusão da transposição. “Como havia dito, eu levei o grito dos que estão em estado de calamidade e perguntei o motivo do governo ter tanta pressa no melhoramento de aeroportos, construção de estádios para a Copa, esquecendo o  povo nordestino”, relatou.

Como resposta o secretário informou que existe dotação orçamentária para a transposição do rio São Francisco mas, em virtude da burocracia, as obras acabam atrasando. Ao final, ele fez um balanço da reunião, considerando válida. “Eu vi o secretário muito sensibilizado com a situação da seca. Espero que haja, realmente, a vontade do Governo Federal em concluir a transposição”, finalizou.

Eliabe Castor

Padre Djacy – Ninguém socorre o Nordeste. Por quê?

 “Ó vós todos, que passais pelo o caminho, olhai e julgai se existe dor igual à dor que me atormenta” (lam. 1,12.)

Por que o nosso querido e amado Nordeste, que está sendo esmagado, devastado impiedosamente pela fúria da seca, não é socorrido pelos os estados de outras regiões deste país?

O que está havendo, que até agora não houve uma campanha de solidariedade às vítimas da seca?

Onde está o espírito cristão de solidariedade, de partilha e compaixão do povo brasileiro?

Onde estão as ONGs, as igrejas, os grupos de direitos humanos e tantas outras instituições, que não se pronunciam,não se mobilizam,visando socorrer as vítimas do flagelo da seca?

Diante dessa tragédia humanitária e ecológica, por que tanto silêncio, omissão, insensibilidade humano-cristã, por parte da sociedade brasileira?

E no seu grito pungente de dor, desespero, os nordestinos interrogam:

Por que a fome, a sede, as dores, os tormentos, o desespero e a morte que reinam nesta região, não comovem o Brasil e o mundo?

Será que a seca, que devasta e mata, não é tão cruel quanto as guerras no Oriente Médio,  o atentado às torres gêmeas do world trade Center,e o furacão Sandy ,nos Estados Unidos?

Será que a seca no Nordeste, que devasta e mata, não merece a atenção do Brasil e do mundo, tanto quanto as eleições presidenciais nos Estados Unidos?

Será que a seca, que devasta e mata, não merece a devida atenção tanto quanto à crise econômica europeia, as reuniões opulentas e luxuosas do G8, e a Copa do Mundo 2014?

Será que a seca, que devasta e mata, não merece a devida atenção tanto quanto o julgamento do mensalão e de outros atos ilícitos de repercussão nacional?

Será que a seca, que devasta e mata, não merece a devida atenção tanto quanto as eleições para Deputados, Senadores e Presidente, no nosso Brasil?

Diante dessa tragédia humanitária e ecológica, por que tanto silêncio, omissão, insensibilidade humano-cristã, por parte da sociedade brasileira?

Será preciso muitas pessoas morrerem  de fome e sede para haver comoção nacional e, assim, acontecer o socorro?   Não será tarde demais?

Esperamos que o sino das igrejas não chegue a tocar sinal fúnebre, como a dizer: lá vai indo mais uma vítima da seca feroz.

O Nordeste não vive sem o Brasil, e o Brasil não vive sem o Nordeste. Somos todos irmãos, na alegria e na dor, habitando a mesma casa, sob a égide de Deus de Pai.

Brasileiros e brasileiras, socorramos o Nordeste!

 

Pedra Branca, 26 de novembro de 2012.

 

Padre Djacy Brasileiro, nas quebradas do sertão paraibano.

E-mail: padredjacy@hotmail.com

Twitter: @padredjacy

 

O texto é de inteira responsabilidade do assinante

Padre Djacy – Senhores governantes, socorram as vítimas da seca

Na manhã do dia 12/10 estive na zona rural de minha paróquia. Vi, como sempre, o drama dos agricultores. É de cortar coração.
Uma coisa eu digo, sem medo de errar: os sertanejos do Vale do Piancó estão literalmente abandonados, esquecidos. Infelizmente.

. Conversei bastante com as famílias, e pude ouvir relatos dramáticos, comoventes:

–Padre Djacy,nossa situação é triste,estamos abandonados,sem socorro.Os governantes esqueceram que os sertanejos estão sofrendo.

-Como é que a gente pode viver com noventa reais? Uma casa com 10 pessoas vivendo com esse dinheiro, padre, é triste. Aqui a gente não vive, a vida passa sem a gente saber.

-Os agricultores, padre Djacy,são tratados,nesta seca,como se não fossem gente,pessoa humana.Sei não,é muita crueldade,desumanidade com a gente.

-Cadê os senadores e deputados federais da Paraíba, nesta hora de fome e

sede?
-Cadê os deputados estaduais, que não se pronunciam sobre a seca, que tanto  nos castiga?
-Cadê o secretário de estado responsável por essa área?
-Cadê o senhor governador, que não se sensibiliza com o nosso drama?

– Onde está o senhor, governador? O senhor esqueceu que no sertão a seca está dizimando vidas humanas e animais? Senhor governador, pelo o amor de Deus, cadê as ações básicas de combate aos efeitos da seca?

Cadê, seu governador, as cestas básicas e os poços artesianos que não aparecem?

-Senhor governador, esqueça construções de obras faraônicas, e venha socorrer vidas humanas…

Meu grito em nome dos sertanejos:

-Cadê  as igrejas, a imprensa, as ONGs e a sociedade que não olham de forma solidária para os flagelados da seca?

Reforço o que ouvi: os governantes estão tratando de forma desumana os pobres sertanejos, vítimas da seca.

É muita desumanidade, crueldade!

Padre Djacy Brasileiro, em 12 de outubro de 2012.

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Padre Djacy – Meu desabafo: governador do estado, socorra as vítimas da seca

 

Andando pela zona rural da região do Vale do Piancó, ouço os clamores pungentes dos sofridos sertanejos. Já não suporto ver tanto sofrimento. Confesso que nunca vi, na minha vida de sertanejo, de padre, tanto sofrimento, tanto desespero, tanta dor. E o que ouço, digo com muita honestidade, é de cortar coração.

Citarei as palavras clamorosas  dos meus irmãos agricultores do Vale do Piancó:


-Padre Djacy,aqui está um Deus nos acuda,estamos desesperados.

-Padre, nada de socorro por parte dos governantes, os grandes esqueceram de nós.

-Padre, nada de feira, de poços,de açudes, para nossas comunidades.

-Padre Djacy,nas secas dos anos passados,o governo nos socorria com feira,construção de açudes,barragens,poços,nesta seca está tudo ao contrário.

-Meu Deus, nosso gado está morrendo de fome e sede. Padre,quando eu olho para o meu gadinho magro ,passando fome, começo a chorar, a ficar desesperado.

-Meu amigo padre Djacy,é triste  a gente vê o gado morrendo de fome e sede.

-Seu padre, eu ando três léguas para apanhar água para beber e cozinhar

Aqui não tem água, padre. Aqui a gente se vira como pode. Eita sofrimento, meu Deus!

-Eu vou dizer uma coisa, se não chover para o ano, eu e minha família vamos embora para São Paulo.

-Cadê o governo. Cadê, padre, o governo que não olha  para nós?

-Aqui em casa, é um clamor sem água

-Padre, me dê uma feira, lá em casa não tem nada.

-Seu padre, ainda bem que a gente tem o bolsa família, mas não dá para nada.

-Tem gente que diz que já temos tudo com essas bolsas do governo. Ah, esse dinheiro do governo que  a gente recebe não dá para nada.

-Eu estou revoltado, com vontade de sumir do mapa.

                Na condição de cidadão, de sertanejo e padre, faço ao governo do Estado este veemente apelo:

1-Pelo o amor de Deus, socorra esses pobres sertanejos, com feiras, construções de poços artesianos, açudes, barragens etc.

2-Seu governador, cadê as ações de combate aos efeitos da seca?

3-Por que tanta demora em socorrer os sertanejos do Vale do Piancó, vítimas da seca?

4-Seu governador, será que as vítimas da seca, que moram no Vale do Piacó, não são paraibanos?

5-O senhor me conhece, sabe da minha seriedade. Não estou fazendo sensacionalismo. Tudo o que tenho dito, até agora, trata-se da mais pura verdade, pois eu convivo todos os dias com esses filhos sofridos de Deus, que pedem clemência.

6-Seu governador, desculpe-me o desabafo. Só quero, na condição de pastor, dar uma palavra pelos meus irmãos sertanejos. Só isso. Aliás, seu governador, enquanto estou digitando estes dramáticos apelos, meus olhos são banhados pelas lágrimas. Lágrimas de dor, de indignação, de tristeza.

Padre Djacy Brasileiro, em 25 de setembro de 2012.

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Padre Djacy – Apelo dramático aos professores universitários em greve

 

“Estou desesperada, revoltada com essa greve que não termina”.

“Padre, três meses em casa, de braços cruzados, nem estudo, nem emprego”.

“A cada dia que passa, vou ficando estressado, triste, sem graça. Essa greve já passou dos limites, já está fazendo a gente perder até a esperança na vida”.

Uma mãe me falou: “meu amigo padre, meus filhos estão em casa, chateados, magoados, tristes, desesperados com essa greve sem fim. Eu, como mãe, não suporto ver meus filhos sofrendo tanto”.

Outra mãe: “aluguei um apartamento para minhas duas filhas. Veja o que acontece: minhas filhas em casa, e eu pagando o aluguel. Estou revoltada, muito revoltada”.

Uma jovem universitária me falou: “padre Djacy, estou perdendo a esperança de concluir meu curso e de arrumar um emprego. Minha vida, por causa dessa greve, vai ficando escura, estou vendo a hora pegar uma depressão”.

            Após ouvir alguns universitários sertanejos, especificamente do Vale do Piancó, manifestando seu desespero, seus tormentos, seu pessimismo e revolta, resolvi, na condição de cidadão e pastor, fazer um humilde apelo aos heróis professores universitários.

            Queridos professores grevistas das Universidades Federais do meu Brasil, da minha amada Paraíba, vocês têm todo meu apoio na sua luta por melhores condições de trabalho, por salário justo, digno, e outras reivindicações meritórias. Parabéns pela luta renhida. Porém, com quase três meses de paralisação, questiono o seguinte: é justo deixar milhares e milhares de estudantes sem aula? É justo, que nossos sofridos estudantes universitários fiquem em casa, parados, perdendo tempo, perdendo o entusiasmo pelos seus estudos e, o pior, perdendo a esperança de dar continuidade ou concluir o seu tão sonhado curso? É justo, senhores professores,que nossos estudantes se desesperem, percam o otimismo, a esperança, e entrem em estado de angústia, desespero, melancolia, depressão?

            Senhores professores, o governo federal já lhes apresentou várias proposta de  aumento salarial e outras efetivas soluções, então, por que não parar com essa greve  que, indubitavelmente, está causando desespero e revolta à classe estudantil e à sua família? Por que não encerrar essa greve (justa) e dá um tempo ao governo para que o mesmo estude a viabilidade de apresentar-lhes outra contraproposta satisfatória? Será que não chegou a hora de pensar nos sofrimentos dos alunos, de sua família e da própria sociedade? Será que não chegou a hora de pensar nas terríveis conseqüências que essa greve está causando na vida dos pobres estudantes? Lembrem-se, senhores professores, essas conseqüências terão suas marcas profundas, indeléveis, na história acadêmica e profissional dos nossos heróis estudantes.

            Numa luta reivindicatória, não podemos priorizar somente a razão, mas o coração, também. Por isso, pergunto-lhes: não chegou o momento de deixar o coração ou a sensibilidade falar, agir, para o bem da própria categoria e felicidade dos estudantes?

            Senhores professores, vocês são formados, a maioria com mestrado, doutorado. Todos, que benção, com seus empregos garantidos. Sonhos realizados! Agora, peço-lhes, até pelo o amor de Deus: pensem nos pobres estudantes que ainda, coitados, com muito sacrifício, dificuldades, batalham para concluir seu curso tão sonhado. E o pior, seus professores, terão que enfrentar uma luta renhida, desigual, cruel, para conseguir seu lugar no mercado de trabalho. Se conseguirem, claro, será um MILAGRE.

            Senhores professores, entendo a situação de vocês, aliás,repito,têm meu incondicional apoio, mas, por favor, com a sensibilidade que lhes é inerente, façam uma reflexão e tomem a melhor decisão: a decisão de voltar às salas de aula. Só assim, a esperança, a alegria, o entusiasmo e a felicidade voltarão a reinar nos corações dos queridos acadêmicos. E o Brasil agradecer-lhes-á.

Padre Djacy Brasileiro

O texto é de inteira responsabilidade do assinante