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Diagnóstico pode salvar: 800 paraibanas devem desenvolver câncer de mama este ano

cancer-mamaO Instituto Nacional do Câncer (Inca) previu 800 casos novos de câncer de mama no Estado, até o final de 2016, mas pela dificuldade de diagnóstico, nem todas descobrirão. No Hospital Napoleão Laureano, em João Pessoa, referência para o tratamento na Paraíba, 200 mulheres iniciaram terapias, até agora. A dificuldade no agendamento, de consultas e exames, feito pelos municípios, e o adiamento da consulta por algumas mulheres podem agravar os casos e aumentar os óbitos que, este ano, chegam a 166, e somam 1.121 mortes de 2011 a 2015.

Para a mastologista Joana Barros, presidente da ONG Amigos do Peito,  existe muita burocracia para agendar a mamografia e as falhas na rede pública fazem com que haja um número menor de mulheres com o diagnóstico e a possibilidade de iniciar o quanto antes o tratamento. “Existe algo provando que não flui, porque a mulher não consegue agendar, não ultrapassa a barreira no meio do caminho. Não há o cumprimento do rastreamento mamográfico que é capaz de reduzir a mortalidade por câncer de mama”, analisou.

A médica observou que o autoexame, orientado pelas Secretarias de Saúde, é importante, mas não suficiente para que a paciente tenha um diagnóstico precoce. Ela ressaltou também que, em João Pessoa, há mamógrafos suficientes. “Já no interior, a situação é caótica. São pouquíssimos os municípios que têm condições”, lamentou.

Em 2015, foi lançada a campanha ‘Dê uma chance a elas’, com a venda de camisetas e outros produtos. O valor arrecadado foi usado na realização de biópsias para mulheres que haviam sido triadas no Laureano. Das mais de 100 mulheres atendidas em uma clínica particular, 40 apresentaram alterações e realizaram biópsias a baixo custo com a ajuda de parceiros da ONG Amigos do Peito. Destas, 38 tiveram diagnóstico positivo para câncer de mama.

“Resolvemos fazer esse trabalho porque há uma demora muito grande entre a mulher encontrar a lesão, seja ela vendo ou através de mamografia, e a realização da biópsia, que é essencial para dar início ao tratamento. Tem muitas mulheres nessa situação. Nas que conseguimos triar, demos uma agilidade no diagnóstico e foram encaminhadas para fazer o tratamento. Ou seja, com uma estrutura pequena, fizemos 38 diagnósticos de câncer. Imagine quantos casos estão por serem diagnosticados”, constatou a mastologista Joana Barros.

“O que é agendado pelos municípios, nós fazemos, mas estão sobrando mamografias. Isso traz prejuízo para o tratamento porque não começa a tempo. Fico triste com isso”, lamentou o diretor do Hospital Napoleão Laureano, Ivo Borges.

Até o final do ano, a Secretaria Municipal de Saúde de João Pessoa deve levar unidades móveis aos bairros de João Pessoa, equipadas com mamógrafos, reduzindo a distância entre pacientes e o exame, conforme Niedja Rodrigues, diretora de Atenção à Saúde da SMS.

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Pesquisadores arrecadam dinheiro na internet para desenvolver teste do Zika

Pesquisadores de três países desenvolvem trabalho para criar teste rápido e barato do vírus Zika (Foto: Gilas Gomé/Divulgação)
Pesquisadores de três países desenvolvem trabalho para criar teste rápido e barato do vírus Zika (Foto: Gilas Gomé/Divulgação)

Pesquisadores de três países – Israel, Reino Unido e Brasil – estão arrecadando dinheiro pela internet para o trabalho que pretende desenvolver um teste rápido e barato a fim de detectar com precisão a presença do vírus Zika na saliva. Caso o estudo dê frutos, a promessa da equipe é tornar públicos, na internet e de forma gratuita, todos os resultados e métodos obtidos, para serem reproduzidos em qualquer parte do mundo.

O teste deve detectar o RNA (sigla em inglês para ácido ribonucleico) do vírus na saliva, caso a pessoa tenha sido infectada. Esse código molecular é uma espécie de identidade do Zika, semelhante ao DNA (ácido desoxirribonucleico, em português), que é único para todos os organismos vivos. Essas sequências de genes, no entanto, têm partes semelhantes e podem confundir métodos de testagem.

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Para isso, a primeira fase da pesquisa se dedicou a reunir todos os 40 mapeamentos de variedades do zika feitos no mundo até agora e a cruzar informações para saber que parte do RNA é inconfundível – ou seja, só tem nesse vírus específico, inclusive em comparação com humanos e o mosquito Aedes aegypti, transmissor da doença. “Fazendo diagnósticos para identificar esse RNA você pode ter um resultado muito preciso, porque trabalha com o RNA do vírus e não com a proteína que ele produz ou que o seu corpo produz quando tem o vírus”, diz o pesquisador-chefe do projeto, Gilas Gomé, da Universidade de Tel Aviv, em Israel.

Depois de conseguir isolar essa sequência genética, a ideia dos cientistas é usar uma tecnologia simples e barata para identificar a presença do Zika na saliva. De acordo com eles, não é preciso usar qualquer equipamento, laboratório ou profissional altamente treinado. Basta que se colha uma amostra da saliva ou da excreção do nariz, se coloque em um pequeno tubo de plástico com um reagente químico e pronto: se ele mudar para a cor indicada, a pessoa tem o vírus. “Você pode usar isso no meio da selva, em lugares inacessíveis”, afirma o pesquisador.

A precisão e o custo baixo estão entre os principais fatores buscados no projeto, que são também os dois maiores defeitos dos testes usados atualmente para a detecção do zika e das outras arboviroses, dengue e chikungunya, de acordo com os estudiosos. “O método que os laboratórios comuns de análise usam é o PCR, que é Reação em Cadeia de Polimerase. É bem clássico dentro da biologia molecular, mas é caro, de alto custo. Isso é um fator limitante porque, por exemplo, o SUS [Sistema Único de Saúde] não tem como arcar com a demanda de todo mundo que está infectado para fazer os testes”, diz Maria Amélia Borba, biomédica e estudante de doutorado do Laboratório de Imunopatologia Keizo Asami (Lika), da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE). “O que a gente está fazendo também é uma PCR, mas ela é isotermal. Não precisamos de equipamento, só de água quente”.

Os resultados dos testes que já estão no mercado, segundo a equipe, também apresentam erros no diagnóstico. “A gente tem reação cruzada. Isso significa que a pessoa tem dengue e o diagnóstico mostra que ela tem Zika ou vice-versa. Esses testes não são precisos. Isso acarreta um manejo clínico alterado. O tratamento é diferente”, analisa Maria Amélia Borba, que também argumenta que o novo teste pode ajudar pesquisas sobre problemas neurológicos e sua relação com o vírus. “Pra gente saber se o Zika realmente está ligado à microceflia e malformação fetal temos que ter certeza absoluta que é Zika, então a precisão é muito importante”.

O projeto começou em março e na próxima semana já entra na segunda fase, que é a testagem do método em amostras de sangue, urina e saliva contaminadas e armazenadas no laboratório Lika, da UFPE. É quando eles esperam otimizar os testes, estabelecendo as condições e os materiais ideais para a detecção, e criar resultados para comparar com os métodos usados pelo mercado. Em experiências-piloto já feitas, o resultado saiu em até uma hora.

A última fase é levar o kit de testagem a campo para usar em humanos e mosquitos, o que, dependendo do valor arrecadado, pode ocorrer em dois meses, segundo Borba. No futuro, a intenção dos pesquisadores é ampliar o teste para identificar também sinais de dengue ou chikungunya mas, para isso, segundo a biomédica, é preciso seguir os mesmos passos usados com o Zika: reunir os genomas, comparar e achar uma peça-chave única para cada vírus, trabalho realizado por pesquisadores da área de computação ligada à ciência de duas entidades brasileiras, o Instituto Agronômico de Pernambuco (IPA) e a Universidade Federal Rural do estado (UFRPE).

Outro integrante da equipe, Alexander Kumar, médico britânico especialista em doenças infecciosas com base na Universidade de Leicester, no Reino Unido, afirma que os princípios do projeto o atraíram diante de experiências anteriores. “Quando eu estava trabalhando no tratamento de ebola, era muito frustrante como a pesquisa se movia tão lentamente. Ver as pessoas morrendo sem oportunidade para tratamento, porque como o Zika, não há cura ou vacina, e confiar em um teste que não funciona bem, e só em uma curta janela de tempo. Quando eles me abordaram, foi uma coisa rápida: eu queria justamente estar aqui em campo, inovando, colaborando, contribuindo. Produzir algo barato e confiável”. De acordo com Kumar, o teste que está em desenvolvimento pode ter de 96% a 100% de precisão.

Por isso, o britânico acha que o projeto pode não só contribuir para o combate ao vírus Zika, mas “revolucionar” o diagnóstico de doenças infectocontagiosas em países pobres. “Um dos problemas é que todas as bases de teste são o PCR e são caras. Isso não pode ser pago em El Salvador, Gana, no Vietnam. Esse teste pode ser acessível, efetivo e confiável”. E completa: se eu, como clínico, posso me sentar na frente de alguém que talvez tenha Zika, essa pessoa pergunta se tem, e eu tenho uma ferramenta que pode dizer isso, sim ou não, e se pode ter algum problema para o bebê – ainda não foi provado, mas há muita evidência da ligação do vírus com a microcefalia – se posso trazer isso para o cenário atual, isso muda vidas”, comenta.

Gilad Gomé destaca que, posteriormente, o método pode ser usado para outras doenças. “Potencialmente, podemos fazer isso para outros vírus no futuro, porque estamos trabalhando no nível de RNA. Só é preciso mudar a sequência para combinar com o que você está procurando”, avalia.

Rapidez e engajamento social
Mesmo com a disponibilização de milhões de reais pelo governo federal e outras organizações internacionais para financiar pesquisas relacionadas ao vírus Zika e ao mosquito Aedes aegypti, a equipe responsável pelo projeto escolheu o crowdfunding, uma forma de arrecadação online, para conseguir recursos destinados à segunda fase da pesquisa.

Esse método é popular para que músicos criem novos discos ou cineastas obtenham dinheiro para um documentário, por exemplo, mas também encontra espaço na comunidade científica. Ele é feito pela internet, onde é publicada uma proposta resumida com os objetivos e o orçamento do projeto.

A doutoranda Maria Amélia Borba explica a escolha pelo crowdfunding: “A gente também submeteu o projeto a todos os editais que estão sendo abertos de verbas públicas, tanto federais quanto estaduais, porque nossa ideia é conseguir o máximo possível. No entanto, demora um tempo para análise, aprovação e liberação do dinheiro. Como a situação que estamos vivendo hoje dessa tríplice epidemia [dengue, chikungunya e zika] é urgente, a gente entende que é uma boa opção recorrer à sociedade para que ela participe do processo, de modo que não fique caro para todo mundo; quando junta tudo, ajuda muito”.

Na opinião do pesquisador Gilad Gomé, além de acelerar a pesquisa, para que os testesem laboratório já comecem a ser feitos, o mecanismo envolve a sociedade no combate à epidemia e educa as pessoas. “Queremos fazer algo agora e fazer as pessoas participarem. Com a campanha, estamos também educando as pessoas. Estamos postando lab notes [notas de laboratório, uma ferramenta disponível na página usada para arrecadar o dinheiro] sobre o trabalho desenvolvido, o que é o vírus, o mosquito”, informa.

Os interessados contribuem com qualquer valor, e, no caso da pesquisa para desenvolver o teste rápido, é possível acompanhar diariamente tudo o que está sendo feito. Os proponentes têm 30 dias para reunir o total do valor solicitado, que é baixo para o meio científico: US$ 6 mil, ou cerca de R$ 20 mil. Em 48 horas eles já conseguiram 70% do orçamento necessário, ou US$ 4,2 mil. Os profissionais explicam que o dinheiro será usado para adquirir o material básico para construir os kits de testagem.

“É também um experimento interessante de como inovar sem limitação de orçamento. Esse valor pode nos dar a primeira prova do experimento. Então, mesmo com um baixo orçamento, podemos caminhar uma grande distância”, defende Gilad.

O projeto traz outra inovação: no fim da pesquisa, uma vez que os kits sejam criados, todos os resultados vão ser disponibilizados na internet de forma aberta e gratuita. “Esse teste não foi feito para ganhar dinheiro. Uma vez que validemos tudo, vamos compartilhar toda a pesquisa com o mundo pela internet, para os outros países saberem o que fizemos, como fizemos, o que devem fazer. Esperamos que outros tomem isso como exemplo e abram a ciência para mais pessoas. Se tiver outro vírus em outra parte do mundo, eles podem se inspirar nesse caso e desenvolver uma tecnologia semelhante”, sugere o pesquisador-chefe do projeto.

Agência Brasil

Homens que fumam maconha possuem maiores chances do que mulheres em desenvolver psicose e doenças mentais, diz pesquisa

maconhaPesquisadores da Universidade de York, na Inglaterra, dizem o novo estudo revela que homens são mais sensíveis aos sintomas que afetam a saúde mental.

Pesquisas anteriores examinaram a relação entre maconha – a droga ilícita mais utilizada no Reino Unido – e psicose. No entanto, o papel do gênero em relação aos efeitos de saúde mental da droga é menos compreendido. A psicose é um problema de saúde mental que faz com que o acometido perceba ou interprete as coisas de forma diferente daqueles ao seu redor. A condição pode provocar alucinações, afetando todos os sentidos. Delírios também são um sintoma comum.

O Sistema Nacional de Saúde do Reino Unido (NHS), afirma que a psicose pode surgir por experiências traumáticas, drogas, abuso de álcool, tumores cerebrais, bem como outros problemas de saúde mental, como esquizofrenia, transtorno bipolar e depressão grave. Cientistas de saúde investigam a ligação baseados em literatura específica, bem como análises detalhadas de dados sobre internações por psicose em decorrência da maconha em todo o NHS, durante um período de 11 anos.

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Estudos epidemiológicos também foram analisados para comparar diferenças de gênero. Dados sobre consumo de Cannabis sativa sugerem que homens usam a droga duas vezes mais do que as mulheres. A disparidade de gênero é espelhada nas taxas de psicose, na qual os homens superam as mulheres.

Mas a equipe de pesquisa, liderada por Ian Hamilton, Paul Galdas e Holly Essex, encontrou uma ampliação significativa dessa razão quando se trata de psicose especificamente induzida por uso de cannabis.

Os números revelam que homens superam as mulheres em até 4 vezes mais. No entanto, não se sabe por que o cérebro masculino parece ser mais suscetível aos efeitos da maconha.

Hamilton disse: “As diferenças de gênero acentuadas nas taxas de psicose por maconha é intrigante. É possível que os serviços de saúde mental e tratamento de drogas, que têm um número desproporcional de homens, tratem de mais homens com problemas de saúde mental por conta da droga do que mulheres. No entanto, é também possível que as mulheres com psicose por Cannabis sativa não tenham sido identificadas ou procurado tratamento para os problemas. Quando se trata de psicose por conta da maconha, o gênero parece não importar”, acrescentou.

Os pesquisadores disseram que seu foco sobre as diferenças de gênero é importante para ajudar a melhorar a compreensão e a prestação de serviços aos gêneros. O Royal College of Psychiatrists nota que, embora o consumo de maconha possa resultar em relaxamento, se grandes quantidades são consumidas, pode ter o “efeito contrário, aumentando níveis de ansiedade”.

O Royal College afirma: “Alguns usuários de maconha podem ter experiências desagradáveis, incluindo confusão, alucinações, ansiedade e paranoia, dependendo do seu estado de espírito e as circunstâncias. Alguns usuários podem experimentar sintomas psicóticos com alucinações e delírios por algumas horas, que podem ser muito desagradáveis”.

O estudo foi publicado no Journal of Advances in Dual Diagnosis.

 

 

jornalciencia

Instituto Butantã se prepara para desenvolver um soro contra o vírus Ebola

ebola-O Instituto Butantã está se preparando para desenvolver um soro contra o vírus Ebola, em parceria com o Instituto Nacional da Saúde (NIH, na sigla em inglês) dos Estados Unidos. Segundo o diretor do instituto paulista, Jorge Kalil, os últimos trâmites estão sendo feitos para a assinatura do contrato com o NIH e, se as autoridades brasileiras liberarem a pesquisa, o novo soro estará disponível dentro de nove meses para aplicação em humanos.

Kalil explicou que o soro é diferente de uma vacina. Na aplicação de vacinas, ocorre a chamada “indução de imunidade ativa”: o organismo é induzido a produzir os próprios anticorpos. Já na aplicação de soros o que ocorre é a “indução de imunidade passiva”. “Nesse caso, pegamos os anticorpos já produzidos por outra pessoa, ou por outro animal.”

O novo soro deverá ser desenvolvido com base na imunização de cavalos com o vírus da raiva, em versão modificada com a proteína do ebola.

IstoÉ