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Número de cheques devolvidos no país é o mais alto desde 2009

Foto: Agência Brasil
Foto: Agência Brasil

Em 2014, foram devolvidos pela segunda vez por falta de fundos 2,04% dos cheques compensados em todo o país, índice levemente superior ao registrado em 2013 (2%). De acordo com a empresa de consultoria Serasa Experian, foi o maior percentual registrado desde 2009. Naquele ano, a inadimplência com cheques atingiu 2,15% em razão dos reflexos da crise financeira internacional. No ano passado, foram devolvidos ao todo 15.410.236 cheques e compensados 755.819.648.

Segundo os economistas da Serasa, o aumento da inflação e das taxas de juros no ano passado, combinado com a estagnação da atividade econômica, foi o fator que mais impulsionou a inadimplência com cheques no ano passado.

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O estado de São Paulo, na contramão da situação nacional, registrou o menor percentual (1,20%) de cheques devolvidos pela segunda vez por falta de fundos dos últimos 5 anos. Já Roraima liderou o ranking nacional, com 11,14% de devoluções.

Por região, de acordo com o levantamento, o Norte liderou a lista, com 4,66% de cheques devolvidos e o Sudeste foi a que apresentou o menor percentual, apenas 1,45%.

Agência Brasil

Felipão dá volta por cima e ‘lidera’ Brasileiro desde retorno ao Grêmio

felipãoHá exatos 60 dias, Felipão voltava ao Grêmio 18 anos depois de virar ídolo para se embrenhar no carinho da torcida e superar o trauma da eliminação na Copa do Mundo. Menos de três meses do 7 a 1 aplicado pela Alemanha, o efeito soa contrário. É Scolari quem fez o gremista voltar a sorrir. Alçou a equipe da 11ª para a 5ª colocação e, se for levar em conta apenas as 12 rodadas das quais participou, é líder, com campanha idêntica à de Cruzeiro e Atlético-MG no mesmo período.

Felipão sustenta 66,7% de aproveitamento e 24 pontos somados nas últimas 12 rodadas, com sete vitórias, três empates e duas derrotas. Foram dez gols marcados e quatro sofridos. A Raposa só leva vantagem no saldo de gols: tem oito, contra seis dos gaúchos. Ainda assim, as explicações da boa fase gremista não param por aí. São nove jogos de invencibilidade e oito sem sofrer gols, num esquema de três volantes festejado por resgatar a “cara do Grêmio” – um elemento que, na avaliação de torcida e direção, faltou com Enderson Moreira.

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Felipão, aliás, leva vantagem na comparação com o antecessor. No período em que permaneceu no Grêmio – as mesmas 12 partidas -, o atual comandante do Santos somou 19 pontos, com cinco vitórias, quatro empates e três derrotas. Caiu no tropeço por 3 a 2 diante do Coritiba, na Arena, com 52% de aproveitamento.

Agora, no geral, o Grêmio está colado no G-4. O Tricolor tem 43 pontos na tabela – mesma pontuação de São Paulo e Galo, terceiro e quarto colocados. Uma espécie de “volta por cima” para Scolari após a campanha com a seleção brasileira na Copa do Mundo, marcada pelo 7 a 1 da Alemanha na semifinal. Quase três meses depois, ainda é indagado pelo fracasso em coletivas.

– Eu sei que perdi um campeonato mundial. Eu sei disso. Então, alguma coisa tem que ser dedicada a mim por ter perdido o campeonato mundial. Mas eu continuo fazendo o mesmo trabalho de quando tinha 32 anos. De quando comecei no CSA e depois segui para o Brasil de Pelotas e pelo Juventude. Eu continuo tendo emoção e fazendo o que gosto. Ganhar ou perder vai acontecer nos clubes ou em qualquer situação, mas eu tenho que saber dar a volta por cima. O momento com o Grêmio surgiu e tenho que saber dar sequência. Estou muito satisfeito com o espírito da equipe e das pessoas que trabalham comigo. Nosso trabalho a médio prazo é bom. Vamos ver se alcançamos o objetivo a longo prazo – afirmou o treinador após a vitória por 2 a 0 sobre o Botafogo, no último domingo, no Maracanã.

tabela gremio sem saldo (Foto: Reprodução)

 

Ainda com os pés no chão, Scolari adota um discurso ambicioso diante do retrospecto recente da equipe. Projeta o mesmo aproveitamento nas partidas seguintes para chegar à 30ª rodada “no bolo” entre os primeiros colocados.

– Estamos brigando por uma situação melhor. Nós chegaremos lá se conseguirmos no mínimo quatro pontos em dois jogos. É isso que temos passado ao grupo. Tanto faz jogar duas em casa ou duas fora. Se tivermos quatro pontos e chegarmos ao 30º jogo bem enroscado, Vamos ver se alcançamos o objetivo com nossa capacidade e com nosso torcedor – pondera.

tabela Grêmio de felipao 12 jogos (Foto: Reprodução)

A meta exigente redobra o foco nos treinamentos ao longo da semana. Assim como aumenta a importância dos auxiliares Flávio Murtosa e Ivo Wortmann, responsáveis por montar o planejamento de trabalho gremista. Desde o início, Felipão e seus assistentes conseguiram dar o famoso “estilo do Grêmio” ao time. A ponto de jogar com três volantes e sem meias de armação e fazer a equipe acumular finalizações sobre os rivais.

– Estou satisfeito com o espírito das pessoas que trabalham comigo, o Murtosa e o Ivo, que atuam no dia a dia e montam um treinamento diferente daquilo que a gente pode imaginar. Eles estão estudando nossos jogadores e a característica para que a gente monte o time em cima disso – ressalta.

O próximo adversário a ameaçar a boa fase do Grêmio é o São Paulo. As duas equipes se enfrentam no sábado, às 16h20, na Arena. Mas antes, o trabalho. A começar nesta terça-feira, quando o Tricolor retoma as atividades em dois turnos.

 

globoesporte

 

Encontro de Brics e Unasul é o feito histórico mais importante desde a Guerra Fria

bricss As reuniões entre os chefes de governo dos Brics, em Fortaleza, e entre esse bloco e o da União das Nações Sul-Americanas (Unasul), em Brasília, são o acontecimento mais importante na geopolítica mundial desde o fim da Guerra Fria. “É uma semana histórica que está acontecendo no Brasil”, afirma Emir Sader em seu comentário nesta quinta (17) na Rádio Brasil Atual.

“Eu diria até que é uma espécie de Bretton Woods do sul do mundo, que foi o acordo no final da Primeira Guerra Mundial pelas grandes potências capitalistas para controlar o sistema internacional, do qual surgiu o FMI”, ressalta. O cientista político avalia que a atual situação dos países do centro do capitalismo, União Europeia e Estados Unidos, está na contramão do desenvolvimento com integração, o slogan da reunião dos Brics e da criação de seu respectivo banco.

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“Se eu fosse tipificar o que faz a Europa hoje com sua política de austeridade, é exatamente contrário: recessão com exclusão de direitos. Então, são dois mundos completamente opostos.” Para Sader, a eleição do ex-primeiro-ministro de Luxemburgo,  Jean-Claude Juncker, como presidente da União Europeia, indica “claramente um contraponto” ao que fazem esses países e os Brics. Juncker é a favor do “paraíso fiscal” e é considerado um dos pais do programa de austeridade que provocou grande crise social na Grécia, em Portugal e na Espanha.

Segundo o sociólogo e colunista da RBA, a criação de bancos é um processo longo. “Um integrante da delegação chinesa disse que demoraria dois anos para o Banco dos Brics começar a funcionar”, ressalta, observando que não haveria ainda recursos disponíveis para ajudar a Argentina. O país tem duas semanas para se posicionar em relação à decisão judicial dos Estados Unidos que determinou que o pagamento da dívida com os credores que não participaram de acordo de renegociação.

“Apoio político ela tem, unanimemente. O problema é saber como se consegue brecar a decisão de um juiz que favorece 7%, quando 93% tinham aceitado a renegociação da dívida.” Sader aponta que é o mesmo mecanismo feito pelos Estados Unidos com países africanos. “É uma máfia que tem de ser quebrada”, afirma.

Unasul

Além da criação do Banco dos Brics, o bloco estabeleceu ontem (16) com a Unasul acordos políticos, como a defesa da presença de África e América do Sul no Conselho de Segurança da ONU. O presidente de Venezuela, Nicolás Maduro, propôs ainda que a Unasul crie um banco que tenha relações com o dos Brics. Sader considera o funcionamento da Unasul precário e que precisa se fortalecer para que a proposta seja viável.

RBA

Concurso para PF traz maior oferta de vagas desde 2004 com salários de até R$ 7.887,33

concursosUm dos grandes concursos que ainda devem ser realizados este ano é o da Polícia Federal (PF) para 600 vagas de agente (nível superior). O cargo é um dos mais desejados por quem sonha ser policial federal e proporciona ganhos iniciais de R$7.887,33 por mês. Outro atrativo é que a seleção será aquela com maior oferta de vagas para agente desde 2004, quando foram abertas quase 2 mil vagas em todo o país (em 2009 e 2012 foram 200 e 500 vagas, respectivamente). A previsão inicial é a de que o edital seja divulgado em julho e as provas aplicadas em setembro, em todas as capitais.
A formação superior exigida para o ingresso no cargo pode ser em qualquer área. Além disso, é necessário possuir a carteira de habilitação, na categoria B ou superior. A seleção será para lotação inicial, preferencialmente, em unidades na região da Amazônia Legal e em áreas de fronteira (Acre, Amapá, Amazonas, Maranhão, Mato Grosso, Pará, Rondônia, Roraima e Tocantins, além de Paraná, Rio Grande do Sul e Santa Catarina). As contratações são feitas pelo regime estatutário, que dá direito à estabilidade. Os concursados ainda fazem jus a benefícios, como o auxílio-alimentação, no valor de R$373, já incluído na remuneração informada.

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A seleção dos novos agentes será feita por meio de provas objetivas e discursivas, avaliações física, médica e psicológica, e ainda curso de formação. A intenção da PF é nomear os aprovados em julho do ano que vem. Como o programa do último concurso (de 2012) deverá ser mantido, as provas deverão versar sobre Língua Portuguesa, Informática, Atualidades, Raciocínio Lógico, Administração, Economia, Contabilidade, direitos Penal, Processual Penal, Administrativo e Constitucional, além de Legislação Especial. No momento, o departamento trabalha na escolha da organizadora do concurso. Oficialmente, o órgão tem até setembro para divulgar o edital de abertura da seleção (seis meses a contar da autorização do Ministério do Planejamento, em março).

Folha Dirigida

Sem divulgar, McDonald’s vende arroz e feijão no Brasil desde 2010

 

arroz-mcdonaldPraticamente ninguém sabia, mas é possível comer arroz e feijão nas lojas McDonald’s do Brasil desde 2010, informou nesta terça-feira (13) a Arcos Dorados, controladora dos restaurantes da rede no Brasil e na América Latina.

O “item secreto” do cardápio foi confirmado pela empresa após reportagem da “Bloomberg” revelar que a rede possui uma lista de pratos executivos com arroz e feijão que fica escondida embaixo do balcão somente para os clientes que solicitarem.

Procurado pelo G1, o McDonald’s informou que os pratos executivos com arroz e feijão são comercializados desde 2010 nos restaurantes próprios da rede, desde que solicitados pelo cliente.

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“Servimos para o cliente o que servimos internamente e vice-versa. O prato, no entanto, não é e nem deve ser anunciado pela loja, já que não faz parte da ‘estratégia de marketing’ e nem é a especialidade do McDonald’s”, disse, em comunicado, Ana Apolaro, diretora de recursos humanos do McDonald’s.

Com o título “O lanche feliz brasileiro que o McDonald’s não quer mostrar”, a reportagem da Bloomberg afirma que o McDonald’s passou a fornecer o prato depois que funcionários rejeitaram o cardápio regular de hambúrgueres e batata frita nos intervalos do expediente e apresentaram uma denúncia ao Ministério Público do Trabalho.

Segundo a agência de notícia, ainda que os pratos executivos sejam mantidos em segredo, eles estão à venda para evitar as críticas de que a rede esteja servindo refeições especiais aos funcionários que os clientes não podem comprar.

Além do arroz com feijão, cada prato executivo vem com a opção dos hambúrgueres de frango, peixe ou carne bovina servidos no cardápio regular e uma salada. Segundo o McDonald’s, a refeição custa R$ 23.

A reportagem da Bloomberg lembra que, em 2012, um termo de ajuste de conduta com o Ministério Público do Trabalho exigiu que a operadora Arcos Dorados fornecesse refeições tradicionais sem custo a seus funcionários para solicitar a redução do imposto de renda.

Presente em mais de 100 países, o McDonald’s tem procurado oferecer comida adaptada aos gostos locais. Na China, por exemplo, são oferecidos pratos com arroz. Em Hong Kong, o cardápio inclui bolo de feijão vermelho.

Como patrocinadora da Copa do Mundo, o McDonald’s lançou neste mês uma linha de sanduíches com ingredientes para homenagear 7 países participantes: Brasil, Argentina, Espanha, França, Itália, Alemanha e Estados Unidos.

McDonald's afirma em rede social que Big Mac 'ganha' de arroz e feijão (Foto: Divulgação)McDonald’s fala em rede social sobre o arroz e feijão, comercializados desde 2010 (Foto: Divulgação)

G1

Caixa perde batalha em cinco tribunais e é obrigada a corrigir FGTS pela inflação desde 1999

FGTSDois juízes de uma mesma Vara Federal de Curitiba obrigaram a Caixa Econômica Federal (CEF) a corrigir o Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) pela inflação, e não pela Taxa Referencial (TR), como manda a lei. O banco enfrenta quase 50 mil ações sobre o tema, e tem vencido a maioria.

 

Com as decisões, chega a cinco o número de Varas Federais a decidirem a favor da correção do FGTS pela inflação. Os outros casos ocorreram em Foz do Iguaçu (PR), Passo Fundo (RS), Campo Grande (MS) e Pouso Alegre (MG). Em janeiro, a Caixa informava ter vencido mais de 200 Varas e três dos cinco Tribunais Regionais Federais (TRFs).

 

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As decisões de Curitiba foram tomadas pelos juízes Sílvia Regina Salau Brollo, titular da 11ª Vara Federal da capital paranaense, e Flavio Antonio Cruz, substituto, e divulgadas no início deste mês. A juíza Sílvia praticamente reproduziu a sentença de Cruz.

 

Desde 1991, o FGTS é corrigido pela TR. A partir de 1999, entretanto, a taxa – que é calculada pelo Banco Central – tem ficado abaixo da inflação, o que leva à perda do poder de compra dos saldos.

 

Como a lei do fundo fala em “atualização monetária”, indivíduos e associações têm movido ações para que a correção passe a ser feita por um indicador que meça a variação de preços, como Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC). Quase 50 mil já chegaram à Justiça, e a Caixa venceu  22.798 mil.

 

Inconstitucionalidade progressiva

O juiz Cruz, de Curitiba, escreveu que a TR teve o mesmo objetivo do confisco da poupança implementado pelo governo Fernando Collor (1990-1992): debelar a inflação por meio da redução do volume de dinheiro em circulação no mercado.

 

Na sentença, Cruz argumenta também que há uma “inconstitucionalidade progressiva” no uso da TR. Isso porque ela se distanciou progressivamente da inflação – e, nesse processo, perdeu a possibilidade de garantir a atualização monetária prevista na lei do FGTS.

 

O argumento de inconstitucionalidade progressiva é o mesmo usado pelo partido Solidariedade, de oposição, na ação em que pede o fim da TR como índice de correção do FGTS. O processo chegou ao Supremo Tribunal Federal (STF) em 12 de fevereiro mas não tem prazo para ser julgado.

 

O juiz de Curitiba lembrou também que o trabalhador não pode tirar o dinheiro do FGTS quando quer, diferentemente da poupança, também corrigida pela TR.

 

“Não resta ao trabalhador outra opção senão a de aguardar as correções aplicadas pelo agente operador [a Caixa]. Os índices acabam sendo cogentes [impostos]”.

Ego

Campos elogia governos FHC e Lula, mas alfineta Dilma: “Nada se altera desde 2011”

Foto: Ascom
Foto: Ascom

Mesmo sendo alvo de críticas constantes do PT, de quem era aliado até bem pouco tempo, o governador Eduardo Campos (PSB), pré-candidato a presidente República, disse que não vai partir para a “briga de rua” eleitoral e que é preciso “humildade” do governo. As declarações do socialista, feitas durante o encontro do diretório nacional do PPS, em Brasília, foram em resposta à presidente Dilma Rousseff (PT) que, na última segunda-feira, classificou seus adversários de “caras de pau” ao se referir aos “pessimistas” da oposição que criticam a gestão do PT.

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Ao rebater as declarações de Dilma, que não teve o nome citado pelo governador, Campos fez referências positivas aos mandatos dos ex-presidentes Fernando Henrique Cardoso (PSDB) e Luiz Inácio Lula da Silva (PT), mas condenou ações de Dilma. “Nos últimos 30 anos, o Brasil viveu ciclos muitos importantes, mas percebemos que nada se altera desde 2011, uma sensação de que nós estamos colocando em risco as conquistas que produzimos como o processo que permitiu refundar a economia e o tempo de expansão e conquistas sociais”, citou. O clima entre PSB e PT tem esquentado nos últimos meses.

Diário de Pernambuco

com Correio Braziliense

Os rolezinhos e o que acontece no Brasil desde a eleição de Lula

(Foto: Heinrich Aikawa/Instituto Lula)
(Foto: Heinrich Aikawa/Instituto Lula)

Com a eleição de Lula em 2003, iniciou-se um processo de ascensão social da classe trabalhadora, verificado pelo emprego com carteira assinada e pelo consumo de massas. Mais do que acesso a bens, serviços e direitos, tal processo criou expectativas, sobretudo entre os mais jovens. Expectativa de fazer parte da classe média, com tudo o que a acompanha: consumo, lazer, perspectiva de futuro, trabalho digno, status, prestígio.

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Os rolezinhos não são um mero passeio no shopping. Muito mais do que mero evento, rolezinhos representam a existência de expectativas no seio da juventude pobre, trabalhadora, alimentadas pelo processo econômico em curso, mas também pela ideologia e pelos valores preponderantes em voga, em torno do sucesso individual.

A rejeição às mudanças não tem motivação econômica, mas cultural

A reação aos rolezinhos, tendo encontrado amparo e eco na classe média tradicional, evidencia não apenas a restrição desse setor à integração dos pobres ao seu mundo, mas também um preconceito de classe e de raça fortemente enraizado.

Daí se entende por que os rolezinhos foram rejeitados e violentamente reprimidos. Afinal, do ponto de vista econômico, os lojistas deveriam querer esses jovens no shopping center. Ocorre que, se os rolezinhos não forem criminalizados e reprimidos, a classe média simplesmente deixará de frequentar os shopping centers, como mostrou reportagem da Folha de S.Paulo de 24/1: “Com medo de tumulto, paulistano dá um tempo de shopping após ‘rolês’”.

Nesse sentido, a não aceitação dos rolezinhos tem paralelo com a não aceitação das cotas nas universidades públicas, ou com o desconforto sentido pelos indivíduos de classe média ao desferirem frases como “este aeroporto está parecendo uma rodoviária”.

A motivação cultural que está na base da rejeição às mudanças é mascarada

Ao mesmo tempo, é curioso não vermos, ou raramente vermos, ser vocalizado o verdadeiro sentimento da classe média, que poderia ser dito nos seguintes termos: “Não queremos compartilhar o mesmo espaço com pobres e negros”.

No entanto, pesquisa do instituto Data Popular mostra que, entre os membros das “classes A e B” (segundo o critério dos institutos de pesquisa de mercado), 55% acham que deveria ser obrigatório haver versão de produtos para rico e para pobre; 17% afirmam a entrada de pessoas malvestidas deveria ser barrada em certos lugares; 17% acham que todo estabelecimento comercial deveria ter elevadores separados para patrão e empregado. Esses foram os que confessaram. Claro que há os que não confessaram, de modo que esses percentuais são, na realidade, maiores.

A classe média odeia pobre e é racista, mas sente pudor em expor seu ódio de classe e de raça, pois se considera democrática. Ela aceita os de baixo, desde que eles saibam ocupar “o seu lugar”.

O racismo, assim, permanece mascarado, no campo do não dito. Daí porque, ao reagir contra os rolezinhos, as cotas etc., a classe média vocaliza todo tipo de subterfúgio, de pretexto.

Se a reação aos rolezinhos evidencia a existência de um apartheid em nossa sociedade, o pudor que se faz presente na reação define seu caráter: tal como um tabu, o apartheid no Brasil opera no campo do não dito, imerso que está no mito da democracia racial.

O conflito e a polarização social crescem e só tendem a aumentar

Ao viabilizar a ascensão social dos trabalhadores sem confronto com o capital, mas garantindo-lhes o ambiente favorável de negócios e o respeito aos contratos, a estratégia adotada pelos governos Lula e Dilma envolve a conciliação e a governabilidade. Com isso, parece promover a acomodação e o amortecimento dos conflitos.

Contudo, penso estarmos aqui diante de um paradoxo, ou seja, de algo cuja realidade é o exato oposto do que parece ser. À medida que a ascensão social por meio do emprego e do consumo progride, a classe trabalhadora vai sendo empurrada para o conflito com o capital – e com a classe média tradicional. É o que verificamos quando olhamos para os dados sobre greves no Brasil, num crescente graças ao elevado nível de emprego.

Ao lado das greves e de um sem-número de outros fenômenos – dos quais junho provavelmente faz parte –, os rolezinhos evidenciam o norte para o qual caminhamos e do qual, graças às opções do governo, cada vez mais nos aproximamos: o conflito social. Assim, os rolezinhos formam mais um capítulo do conflito crescente entre ricos e pobres no Brasil.

Por isso, penso que erra quem afirma não haver polarização no Brasil. De fato parece ser assim, porque os conflitos sociais não têm migrado para a esfera político-institucional. Não aparecem no discurso nem na coalizão governamental. Contudo, a polarização social não só é crescente como é fruto de opções e decisões deste mesmo governo que evita discursos polarizados e mantém uma coalização com PMDB e companhia.

Novas formas de organização e o avanço da tecnologia ultrapassaram a capacidade de resposta da esquerda

Os rolezinhos surgiram espontaneamente, o que não significa inexistência de organização. Se não foram planejados por um partido, foram desencadeados pela iniciativa de jovens, não por acaso adolescentes que possuem milhares de seguidores nas redes sociais.

Cabe pesquisar e entender esse novo tipo de organização, que escapa ao modelo tradicional no qual o partido é o polo aglutinador e organizador. E cabe aos partidos e às organizações de esquerda entender as novas formas de organização da juventude pobre e negra, em ascensão social, e procurar adaptar-se a elas. Para tanto, do ponto de vista da esquerda é necessário avançar no debate sobre tecnologia, como tem insistido o sociólogo Laymert Garcia dos Santos.

Estamos vivendo um movimento ascendente de hegemonia cultural da direita

Por que tantos jovens oriundos da classe trabalhadora procuram os shopping centers? O que exatamente nesses lugares os atrai? Mais do que o baluarte do consumo, o shopping center representa a possibilidade da diferenciação social, um lugar para poucos. Mas, afinal, de quem esses jovens almejam diferenciar-se? Finalmente, quais são as alternativas que o poder público oferece para esses jovens, em termos de organização da cultura política – sobretudo os governos tendo à frente a esquerda?

Uma das hipóteses que tenho ouvido é que, formada no bojo de um processo desmobilizador, a classe trabalhadora em ascensão tende a adquirir a consciência da classe para onde ela pretende ir ou pensa estar indo. Isso significa que, embora não detenha a hegemonia política, a direita talvez detenha a hegemonia cultural, e tudo indica estar conquistando a hegemonia cultural também sobre a nova classe trabalhadora, inclusive entre os mais jovens.
Se os rolezinhos expressam um anseio de igualdade – e, nesse sentido, convergem totalmente com os objetivos da esquerda –, ao mesmo tempo a opção justamente pelo shopping center merece ser examinada sob um olhar crítico, sob pena de deixar escapar aquele que talvez seja o maior impasse da esquerda atualmente. Tal opção não esconderia uma hegemonia cultural de direita? A esquerda sempre quis organizar a luta pela igualdade, mas contra os valores do consumismo, a competitividade e o individualismo, base não apenas da abissal desigualdade que historicamente existe em nosso país, mas da violência que marca o cotidiano da classe trabalhadora brasileira.

Pois bem, a luta por igualdade presente nos rolezinhos joga contra ou a favor desses valores? No mínimo há algo de ambíguo aqui. Se joga a favor, que consequências tem isso, sobretudo quando se constata que, apesar de tudo o que foi feito nos últimos onze anos, ainda há uma imensa massa de trabalhadores pobres no Brasil, que não conseguem sobreviver sob uma lógica da competição nua e crua? Podemos esperar desses jovens, inspirados que estão pelos valores capitalistas, solidariedade de classe para com os que ficaram para trás?

Aqui reina o perigo. Afinal, a classe média é reacionária. O risco é que parte da nova classe trabalhadora adquira não apenas os valores ultracapitalistas da classe média, mas sua mentalidade e atitudes políticas. É possível que haja um contingente grande de trabalhadores que, uma vez tendo ascendido, olham para trás, veem que ainda há muitos que ficaram para trás e assumem a postura de impedir que aqueles ascendam, com medo de perder o pouco que conquistaram, ou com a esperança de neutralizar a concorrência na busca por uma maior ascensão. Trata-se de uma hipótese, a ser verificada. Se isso ocorrer, o processo de inclusão da massa de trabalhadores muito pobres – talvez 40% da população – que ainda não alcançou a nova classe trabalhadora poderá ser bloqueado.

Os rolezinhos e o impasse da estratégia

Dito isso, o conflito presente nos rolezinhos de alguma maneira evidencia o impasse da estratégia dos governos Lula e Dilma.

De um lado, o governo precisa evitar a radicalização, por motivos eleitorais – pois a radicalização afastaria do PT os trabalhadores mais empobrecidos, que constituem a maioria do eleitorado –, mas também econômicos: descambando para a instabilidade econômica, a radicalização provavelmente faria elevar o desemprego, o que, para além das repercussões eleitorais, poderia ter como resultado o aumento da pobreza e da desigualdade, ou seja, um retrocesso.

De outro lado, à medida que os trabalhadores ascendem, inevitavelmente a polarização social aumenta, por motivos econômicos – ou seja, pela luta redistributiva –, mas também culturais. Ora, à medida que o conflito social vai se intensificando, a conjuntura exige cada vez mais do governo enfrentamentos políticos – isto é, o governo precisa investir na radicalização – a fim de organizar e canalizar o conflito.

Desmobilizada e desorganizada, a nova classe trabalhadora pode vir a assumir a ideologia da direita e, com isso, pode vir a ser suporte de uma nova coalização política liderada pelo PSDB, bloqueando as mudanças em curso. Esse é um cenário que não deve ser descartado. Aliás, essa é assumidamente a aposta de FHC, exposta em seu artigo “O papel da oposição”.

Voltando aos rolezinhos: nesse caso específico, o conflito foi organizado e canalizado? O desdobramento desse fenômeno ainda está em aberto. Se as principais figuras públicas do PT defenderam o diálogo e o direito dos participantes dos rolezinhos, não se pode dizer que tenham optado pela radicalização. Nesse quadro, o pior que pode suceder é a atitude de um jovem, tal como a Folha de S.Paulo publicou no dia 24/1: “A gente não quer mais levar enquadro de segurança, então é melhor fazer ‘rolezinho’ no parque”. Do parque para o PSDB é um passo.

Onde está a saída para o impasse? Não tenho a resposta, apenas a convicção de que a saída reside na política, e depende da capacidade de, em cada situação, encontrar a justa medida da radicalização.

Carta maior

Desde início da ‘Operação Rodovida’, PRF registra mais de 130 acidentes na PB

policia-rodoviaria-federalDe acordo com a Polícia Rodoviária Federal (PRF) desde início da “Operação Rodovida” foram registra 131 acidentes, com 84 feridos e cinco mortes em rodovias federais no estado. O assessor da PRF Genésio Vieira, em entrevista a rádio CBN nesta segunda-feira (23), disse que “a imprudência é o principal fator do excesso de velocidade”, completou.

 

A PRF destaca três pontos com alto índice em ocorrências de acidentes. O trecho da Mata do Amém, em direção a Cabedelo, e Santa Rita, ambos na BR 230. Outro ponto crítico é próximo ao bairro Castelo Branco em João Pessoa. Esses são trechos com várias incidências de acidentes. Para Vieira, a BR 230 em Castelo Branco é considerado crítico pelo excesso de velocidade em que os veículos trafegam na via.

 

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“Em menos de duas horas registramos mais de 280 veículos com excesso de velocidade,” completou Vieira. Segundo a PRF, duas mortes foram causadas por imprudência, “uma crianças estava no banco de trás do veículo quando foi arremessada em uma colisão e uma mulher que ao atravessar a BR 230 em Santa Rita não usou a passarela foi atropelada e veio a falecer”, completou Vieira.

 

A Operação Rodovida iniciou no último dia 13 de dezembro em todo o Brasil. A Operação que agrega o Ministério da Justiça, através da Polícia Rodoviária Federal (PRF), aos Ministérios da Cidade, Saúde e Transporte é o eixo operacional do Plano Nacional de Redução de Violência no Trânsito criado pelo Governo Federal, o qual é chamado de “Pacto pela Vida”, e tem a finalidade de diminuir a gravidade dos acidentes de trânsito.

 

As ações são integradas e irão atender as diretrizes da Organização das Nações Unidas – ONU, que estabeleceu a Década Mundial de Segurança Viária o período 2011/2020, quando a meta será de reduzir em 50% o número de mortos e feridos em decorrência de acidentes de trânsito.

Wagner Mariano