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Anvisa suspende venda de descongestionantes nasais por desvios de qualidade

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) determinou a suspensão da distribuição e da venda de lotes dos descongestionantes nasais em spray Salsep e Salsep 360 (cloreto de sódio 0,9%). De acordo com o órgão, os medicamentos apresentam desvios de qualidade (pH e odor fora de especificação).

O órgão regulador levou em conta o comunicado de recolhimento voluntário encaminhado pela própria Libbs Farmacêutica Ltda., fabricante dos produtos.

Segundo o laboratório, “o recolhimento preventivo e voluntário reforça o compromisso com a segurança e com a qualidade dos produtos e foi motivado pela identificação, em algumas amostras, de resultados diferentes da especificação. No entanto, é importante reforçar que as alterações observadas oferecem baixas possibilidades de consequências à saúde dos consumidores, de acordo com as classificações legais de risco (RDC 55/2005)”.

Ainda de acordo com a empresa, a ação de recolhimento “não afeta os demais lotes ou outros produtos da Família Respira”.

Os lotes afetados são:    

Salsep — 17A0379 (validade até 01/2019), 17J0329 (validade até 10/2019), 17K0646 (validade até 11/2019), 17K0649 (validade até 11/2019), 17K0650 (validade até 11/2019), 17K0729 (validade até 11/2019), 18C0384 (validade até 03/2020), 18C0388 (validade até 03/2020), 18C0393 (validade até 03/2020), 18C0394 (validade até 03/2020), 18C0396 (validade até 03/2020) e 18C0400 (validade até 03/2020).

Salsep 360 — 16K0493 (validade até 11/2018), 17I0158 (validade até 09/2019), 17K0654 (validade até 11/2019), 17K0656 (validade até 11/2019) e 17K0727 (validade até 11/2019).

Consumidores que tenham adquirido os lotes mencionados podem entrar em contato com a Libbs Farmacêutica Ltda. para a substituição dos medicamentos. O Serviço de Atendimento ao Cliente (SAC) funciona de segunda a sexta-feira, das 7h às 20h, e aos sábados, das 8h às 18h, pelo telefone 0800-013-5044 ou pelo e-mail libbs@libbs.com.br.

A Resolução 2.099 da Anvisa, que trata da suspensão da distribuição e da venda dos medicamentos, foi publicada no Diário Oficial da União desta segunda-feira, dia 6 de agosto.

Extra

Enxaguantes bucais e descongestionantes podem trazer riscos à saúde

descongestionante-nasalDe tão presentes no dia a dia, certos produtos parecem inofensivos à saúde. Mas o uso indiscriminado de descongestionantes nasais, cotonetes, fones de ouvido, piercings e enxaguantes bucais, por exemplo, traz riscos que comprometem diversas estruturas do organismo. Utilizar o bom senso e procurar a orientação de um especialista são as melhores armas para garantir segurança.

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De acordo com o otorrinolaringologista Paulo Saraceni Neto, descongestionantes nasais aliviam imediatamente a sensação de nariz entupido porque atuam como vasoconstritores. Quando há algum processo infeccioso ou alergia, os vasos sanguíneos localizados no órgão aumentam de calibre para melhorar as defesas, o que dificulta a passagem do ar.

O medicamento, então, diminui o inchaço dos vasos, mas como não trata a causa do problema, precisa ser reaplicado com frequência. Esse uso pode causar dependência e gerar um quadro de rinite medicamentosa, além de favorecer o desenvolvimento de hipertensão.

 

 

Descongestionantes

— A vasoconstrição aumenta temporariamente a pressão no vaso sanguíneo. O uso contínuo de descongestionantes nasais faz a droga ser absorvida em nível sistêmico, e o mesmo efeito observado nos vasos do nariz passa a acontecer nas artérias do corpo — explica.

A utilização prolongada de enxaguantes bucais, sobretudo os que contêm álcool na fórmula, pode levar à irritação da mucosa bucal e, consequentemente, à diminuição na produção de saliva, considerada uma defesa natural. A boca seca, portanto, deixa a pessoa mais vulnerável a infecções, inclusive cáries. Alguns estudos ainda demonstram que o produto é capaz de realizar uma seleção de bactérias na boca, deixando-as mais resistentes e difíceis de combater.

Os cotonetes, quando usados para limpeza dos ouvidos, trazem risco de entupimento — que ocorre quando a cera é empurrada e forma uma espécie de rolha —, de otite externa e de lesões no tímpano (membrana localizada a cerca de dois a três centímetros da entrada do canal auditivo).

— O acometimento do tímpano pode causar sérios danos auditivos — diz Paulo Saraceni Neto, que é membro da Associação Brasileira de Otorrinolaringologia e Cirurgia Cérvico-Facial (ABORL-CCF) e médico assistente da Universidade Federal de São Paulo.

 

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