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6 desafios para vencer no primeiro ano de casamento

imagem: Getty Images
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O namoro pode ter durado anos, mas, a partir do momento que o casal começa a morar junto, tudo muda de figura. E mesmo as situações que antes pareciam tão conhecidas, agora podem gerar conflitos e brigas. O primeiro ano de casamento torna-se, então, um período fundamental para adaptação e para estabelecer uma relação saudável entre os parceiros.

A seguir, os seis principais motivos de divergências e como lidar com eles.

Fontes: Denise Braz, especialista em sexualidade pela UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro) e em terapia familiar pela Accademia de Psicoterapia dela Famiglia, de Roma, na Itália, e Daniela Carneiro, psicóloga e terapeuta familiar, com especialização pela USP (Universidade de São Paulo).

Perda de privacidade

Uma das questões que mais geram desconforto é justamente a perda da privacidade quando se mora junto. Mas, mesmo em um casamento, é possível ter um tempo só para si mesmo. Basta ficar atento ao parceiro e respeitar expressões da individualidade dele, como querer ficar só para ler um livro ou para ir à academia. Ao mesmo tempo, é importante que o casal encontre coisas que goste de fazer junto.

Expectativas não correspondidas

A descoberta que no dia a dia o parceiro não é exatamente como se esperava também pode ser frustrante. Para lidar com o problema, o primeiro passo é identificar se houve idealização do par. O segundo é partir para um diálogo franco.

Frequência sexual

A vida sexual é outro ponto que nem sempre sai como o imaginado e, muitas vezes, a frequência das relações não agrada uma das partes. Não pense, no entanto, que a saída é estabelecer um calendário para transar. Transformar o sexo em obrigação só vai piorar a situação. O ideal é que os parceiros se sintam livres para falar sobre suas necessidades e a forma como agir com o outro no caso de uma negativa. O que ajudará a lidar com o sentimento de rejeição.

Divisão de tarefas domésticas

O ideal é estabelecer uma divisão clara e objetiva das tarefas, levando em conta a disponibilidade de tempo e as habilidades de cada um (há quem seja um fiasco passando roupa, mas cozinhe bem, por exemplo). Mas tenha em mente que para o combinado funcionar é preciso flexibilizar o nível de exigência e estar aberto a ajustes, até que seja encontrado um ponto de equilíbrio.

Visitas a familiares

Também é saudável entrar em um acordo o quanto antes sobre com que frequência as famílias de origem de ambos serão visitadas. Um caminho para evitar o estresse que o assunto costuma gerar é encarar com naturalidade que algumas visitas sejam feitas juntos e outras, separados. O importante é entender e respeitar os sentimentos de ambos em relação ao tema.

Relação com filhos

Ainda mais delicado do que o relacionamento com os familiares é o com filhos de casamentos anteriores. É papel do adulto puxar para si a responsabilidade de conquistar a criança e não entrar em uma competição com ela por atenção do parceiro. Mas esse precisa também deixar clara a importância do novo par para o filho e assim colocar limites para que a criança não banque a tirana.

Uol

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Renda e empregabilidade são desafios para mulheres na PB

HOMENAGEMOs dias em que a única função das mulheres era cuidar da casa e dos filhos ficaram para trás. Cada vez mais incluídas no mercado de trabalho, hoje é possível encontrar mulheres trabalhando em todos os setores da economia e até em números absolutos em maior quantidade que os homens. No entanto, as diferenças salariais entre homens e mulheres ainda existem em praticamente todas as profissões, segundo o cientista social com PhD em trabalho, Roberto Véras. Dados da última Relação Anual de Informações Sociais (Rais), de 2013, publicada pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) revelam que as mulheres paraibanas com ensino superior ganham até 33% menos do que os homens.
Na Paraíba, o salário médio registrado foi de R$ 1.686,09 para homens, e R$ 1.592,80 para mulheres, o que coloca as mulheres ganhando 5,53% menos. Contudo, a diferença cresce quando aumenta o grau de instrução. Enquanto os homens com ensino superior incompleto ganham R$ 2.059,67, as mulheres recebem apenas R$ 1.374,60, o que equivale a 33,26% menos do que o salário masculino. Já entre os profissionais com ensino superior completo, os homens recebem em média R$ 4.154,65, e as mulheres ficam com R$ 2.811,08, salário 32,33% menor para elas.

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ELAS SÃO MAIORIA
Na Paraíba, as mulheres são maioria em nível superior no mercado de trabalho. Dos 128.303 trabalhadores com ensino superior, mais de 58% são mulheres, mas ainda ganham 67,66% da remuneração média dos homens com mesmo grau.
Para Roberto Véras, a disparidade salarial é mais notável entre os empregos que exigem maior grau de instrução porque são cargos onde os salários são mais elevados, e portanto, as margens para redução são maiores. “Os salários menores já se encontram no limite da sobrevivência e há a legislação do salário mínimo. Isso inibe variações maiores”.
De acordo com o especialista, as diferenças nas médias de remuneração entre homens e mulheres podem acontecer de duas formas. Uma delas é quando existem salários desiguais para funções semelhantes. A outra ocorre em razão da distribuição de cargos de chefia, que são melhor remunerados, preferencialmente aos homens. “Isso ocorre porque ainda existe forte preconceito com relação à condição da mulher na sociedade”, explicou Véras. Segundo ele, tradicionalmente, as mulheres estão associadas a tarefas de reprodução social (referidas aos cuidados com a família e não remuneradas), enquanto os homens estão associados com as tarefas produtivas (atividades de produção de bens e serviços e remuneradas).
Preconceito contra gravidez persiste

Uma das principais desculpas dos empregadores para não contratar mulheres, ou dar a elas salários menores, é a gravidez. “O medo da gravidez reina entre os empregadores”, disse a socióloga Ivonildes Fonseca. Para o especialista em trabalho Roberto Véras, esse tipo de argumento só contribui para reforçar o preconceito.
A vendedora Edvânia Monteiro não encontrou dificuldade para conseguir emprego na loja de artigos para bebês onde trabalha, e que só conta com vendedoras do sexo feminino. “Acho que mulher tem mais jeito para lidar com vendas de roupas, ainda mais de criança”.
Edvânia, entretanto, admitiu que as mulheres enfrentam mais dificuldade no mercado de trabalho. “Depende muito da empresa, mas tem umas que só querem contratar mulheres sem filhos. E se tiver filho eles perguntam logo com quem a criança vai ficar. Tudo para a mulher é mais dificultoso”.
Além disso, alguns preconceitos enraizados na nossa sociedade acabam por prejudicar a imagem da mulher no trabalho, segundo Ivonildes Fonseca. “São predominâncias de estereótipos calcados no senso comum, que estabelecem uma dualidade em que o homem ocupa o polo da positividade, e a mulher o da negatividade. Por exemplo: todo homem é objetivo, sério, dotado de um alto poder de racionalismo. Toda mulher é dotada da falta de objetividade, não tem controle das emoções e assim não pode ocupar lugar de decisão”.
De acordo com os especialistas, o enfrentamento ao problema passa por mudanças culturais, institucionais e legais. Ivonildes Fonseca afirmou que é necessária a implementação de ações que façam com que a classe trabalhadora se fortaleça para exigir os seus direitos igualitários. Assim como Roberto Véras, que disse também que medidas de conscientização sindical podem repercutir nas negociações salariais.

 

jornaldaparaiba

Leite materno: os desafios de garantir a amamentação exclusiva

Clarisse Castro/Portal Fiocruz
Clarisse Castro/Portal Fiocruz

Amamentar é um ato de amor. Você provavelmente já ouviu ou leu essa frase em algum lugar, e não costumam existir dúvidas a respeito do valor que o gesto tem. Porém, além de amor, o processo de amamentação envolve confiança, dedicação, apoio e muita informação.

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Muitas mães têm a sorte de viver o momento de forma tranquila desde o princípio. O leite desce no tempo previsto, o filho pega bem o peito e os meses de mamadas dão força à relação dos dois e saúde ao recém-nascido.

Para outras mães, contudo, um mundo de dificuldades se coloca no caminho, e o desafio é transpô-las sem perder a chance de viver uma fase única em afeto e aprendizado. “Tive muita dificuldade na amamentação. Meus seios ficaram muito feridos. Para mim, a melhor hora era quando ela estava dormindo. Pensar que teria que amamentar quando ela acordasse me deixava angustiada”. É o que relembra a jornalista Cristal Sá.

Morena, que hoje está no puro encantamento dos seus três aninhos, nem imagina o que sua mãe precisou fazer para garantir que ela tivesse amamentação exclusiva por cinco meses e meio. Os bicos dos seios racharam, fazer a retirada de leite pela ordenha era dolorido, e coisas muito inusitadas surgiram no caminho, como a recomendação de usar banana para ajudar a cicatrizar e minimizar a dor. “Não conseguia vestir nada. Andava sem blusa e pingando leite. Isso derruba qualquer autoestima. Todo dia eu pensava comigo mesma:  só vou amamentar hoje. Amanhã eu desisto. Mas, no dia seguinte, recomeçava.”

A história de Cristal é uma dentre várias que acontecem todos os dias, fazendo com que muitas mães desistam de amamentar, apesar de todas as provas de que o leite materno é a melhor alimentação para o bebê.

As dificuldades biológicas podem vir do tipo de bico do seio que a mãe possui ou da quantidade de leite que ela consegue produzir. Mas também há aquelas do tipo cultural: as cobranças, palpites, enganos e publicidades muito bem produzidas de laticínios colocam a insegurança na rota das mulheres.

Os dois tipos de dificuldade impedem que o índice de amamentação exclusiva até os seis meses, recomendado pela Organização Mundial de Saúde, atinja o padrão desejado.

Uma pesquisa realizada em 2008 e sistematizada em 2010 pelo Ministério da Saúde e pela Fiocruz em 227 municípios brasileiros, com 120.125 crianças, apontou que 87% dos municípios (198) apresentam um índice apenas razoável de amamentação exclusiva, quando algo entre 12% e 49% dos entrevistados declararam realizar a prática.

Para a doula e educadora perinatal, coordenadora da Roda Bebedubem, e mãe de três crianças, Débora Regina Diniz, grande parte das dificuldades é cultural. Segundo ela, ante o desafio de amamentar, toda mãe se cobra, é cobrada e alvejada por centenas de interferências que a distanciam da sua condição natural de mamífera. “Temos todos os aparatos, mas frente ao bebê e com toda a nossa insegurança, fica difícil reconhecer o poder que toda mulher tem. Precisamos confiar em nosso instinto”.

No Instituto Nacional de Saúde da Mulher, da Criança e do Adolescente Fernandes Figueira (IFF/Fiocruz), a enfermeira Nina Savoldi e a médica Marlene Assumpção, da Rede Brasileira de Bancos de Leite Humano, recebem diariamente um sem número de mães e pais aflitos com as dificuldades de amamentar.

Muitos dos pais já são desencorajados na maternidade de persistir nas tentativas, e recebem recomendações de fórmulas {em forma de pó, são misturadas em água}, acessórios e medicamentos que nem sempre resolvem os problemas, e muitas vezes causam outros. “A recomendação da fórmula {substância em pó, a ser diluída em água, fabricada para ser muito parecida com o leite materno} nos primeiros dias de vida, quando tanto mãe quanto bebê estão aprendendo a viver o processo de amamentação, muitas vezes ancorada numa perda de peso instantânea do recém-nascido, revela o desconhecimento de alguns profissionais de saúde, mesmo que estes tenham boa vontade.”, explica Marlene.

Fonte:

Fundação Oswaldo Cruz

Desafio às várias formas de violência contra os idosos

idososNo Brasil, os idosos ainda são tratados muito mal apesar de todas as políticas públicas inauguradas de dez anos para cá regidas por leis e regulamentadas em estatutos, e não obstante a aguda desigualdade que persiste no país. Nossa cultura, que ao contrário do que se dizia no passado, é uma cultura violenta em todas as classes, da elite abonada aos mais pobres (ou explorados), reforça a uma imagem negativa na alma do brasileiro: velhos pobres e dependentes – física ou financeiramente – são tratados com, no mínimo, impaciência e negligência.
Estorvos e alvos de piadas e chacotas crueis eles são ‘desrespeitados diariamente’ no dizer de um profissional liberal de classe média, 70 anos, aposentado, mas  atuante no exercício de seu trabalho, por desejo de sobreviver em uma velhice independente.

Entre os velhos ricos, com frequência bajulados por parentes ansiosos em botar a mão na parte da herança que lhes cabe do  condomínio familiar, a violência e a exploração podem vir de dentro da própria família, camufladas em hipocrisia ou em golpes financeiros sutis e traiçoeiros.

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Agora, porém, em mais uma iniciativa da secretaria de Direitos Humanos da presidência da República através de sua Coordenadoria Geral dos Direitos dos Idosos  procura-se contribuir para a correção desses estereótipos negativos relembrando punições legais e policiais aos crimes de violência contra os mais velhos e, sobretudo difundindo informação, distribuindo aos membros do Conselho Nacional do Idoso, aos integrantes dos conselhos estaduais e distritais, aos 2800 conselhos municipais do país e às 90 delegacias que atuam na área dos idosos, a publicação Manual de Enfrentamento à Violência contra a Pessoa Idosa com dados sobre uma situação que atinge a população deste país com mais de 200 milhões de habitantes – quinta nação mais populosa do planeta -, dos quais  auqse 25 milhões de indivíduos têm além de 60 anos.

O Manual é apresentado paralelamente à assinatura pela presidenta Dilma Rousseff, em setembro de 2013, do Compromisso Nacional para o Envelhecimento Ativo que atualmente está sendo articulado por 17 ministérios, estados, Distrito Federal e municípios. Ele define o que é violência contra o idoso, apresenta estatísticas impressionantes; algumas das causas que levam os mais velhos aos hospitais e a violência difusa, permanente e insidiosa que tem como alvo a população de mais de 60 anos.

O volume também lembra que, segundo todas as convenções internacionais, os governos devem priorizar os direitos da pessoa idosa. Devem apoiar familiares e profissionais (cuidadores) ou os que acompanham ou abrigam os mais velhos em suas famílias e residências. Precisam estimular a criação de espaços sociais seguros e amigáveis fora de casa e no seu interior quando neles habitam idosos.

Um dos aspectos mais significativos do trabalho é a prevenção de dependências e a abordagem sobre a formação de profissionais de saúde, assistência e cuidadores profissionais que, “bem preparados, sensíveis e atuantes promovem a prevenção de vários tipos de violência institucional interferindo na dinâmica familiar onde ocorre grande parte dos maus-tratos, das negligências, dos abusos e do abandono.”

O Manual relembra que o Brasil conta apenas com 900 médicos geriatras para atendimento a uma população de 24 800 indivíduos a partir de 60 anos.

Para uma ideia mais aproximada da violência da qual é vítima o idoso (a) na nossa sociedade, desde 2011 até o primeiro trimestre deste ano de 2014, o Disque-100* registrou 77 059 denúncias de violações de direitos humanos contra a pessoa idosa. Segundo dados desse serviço – cada vez mais conhecido e utilizado pela população, – os tipos mais comuns de violação contra os mais velhos são a negligência (68,7%), a violência psicológica (59,3%) e o abuso financeiro e econômico relacionado à violência patrimonial – surpreendentes 40,1% dos casos. Faixa etária que mais sofreu abuso financeiro: de 76 a 80 anos.

Se há um ano eram 19,68% os casos de abuso financeiro nesta faixa etária, hoje, até aqui, o número de denúncias já chegou a 20,43%. E se em 2013 cerca  de 50%  dos infratores eram filhos  de idosos, apenas nos primeiros meses deste ano o número subiu para 53%!

O quadro que aponta para uma covardia sem nome é o de casos de violência física – 34 %. Vítimas mulheres: 66,29%. Homens: 27,26%. Maior incidência, entre 76 e 80 anos.

Autora do Manual, a cientista social Neusa Pivatto Müller, coordenadora do departamento de Direitos dos Idosos da SDH ressalva: “Esta violência exige análise das relações sociais, econômicas e culturais no contexto em que ela se produz. Não são apenas as limitações físicas próprias da idade que definem a vulnerabilidade da população. Mas é o medo de represálias ou de mais violência; o sentimento de culpa e vergonha por depender de outros; as limitações cognitivas e a desconfiança; o isolamento social e a incapacidade de reação.”

Segundo Müller, “ (no Brasil) o conjunto de normas, leis, programas e serviços relacionados à proteção das pessoas idosas são insuficientes para garantir sua exequibilidade. Novas políticas públicas e novas atitudes que caracterizem uma necessária mudança cultural precisam se impor para garantir o respeito que a pessoa idosa merece fazendo valer seu direito humano de ser tratada com igualdade, dignidade e respeito.”

Os 5000 exemplares do Manual alcançam um vasto público de pessoas idosas, gestores, prestadores de serviços, profissionais de saúde e de assistência social, operadores do direito, membros dos conselhos do idoso, agentes de segurança e familiares assim como promotores e defensores que atuam na defesa dos direitos da pessoa idosa, grupos de pessoas idosas do SESC e trabalhadores e trabalhadoras rurais através da Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura – CONTAG – e das Federações de Trabalhadores Rurais.

Sua distribuição é gratuita e o Manual está disponível para acesso no site da SDH. O acesso amplo das pessoas idosas a esta publicação se faz também através do apoio aos projetos que envolvem ações de capacitação como é o caso da Coordenação Geral dos Direitos do Idoso (SDH) que, anualmente, transfere a estados e municípios recursos para o enfrentamento à violência conta essa população. Do mesmo modo, o Conselho Nacional dos Direitos do Idoso acessa recursos às organizações da sociedade civil oriundos do Fundo Nacional do Idoso – FNI (*).

(*) De acordo com dados de 2013 do Disque 100, o serviço gratuito de denúncias de casos de violência contra o idoso, da secretaria de Direitos Humanos (SDH) da Presidência da República, os filhos e netos são os principais agressores de idosos. Mulheres são as principais vítimas.

Léa Maria Araão Reis

2014: os desafios sociais e ambientais do povo brasileiro

desastre-ambientalCom a temperatura acima de 35 graus, beirando os 40, uma inundação em dois estados, conflito racista em Humaitá (AM), onde os madeireiros incentivaram a destruição do patrimônio público, após a morte de um cacique e três moradores da cidade; a construção de várias estações de transbordos no distrito de Miritituba (PA), onde o agronegócio vai escoar cerca de 20 milhões de toneladas de soja; mais a liberação da exploração de ouro na Volta Grande do Xingu, a l7 quilômetros onde está sendo erguida a Usina Hidrelétrica do mesmo nome; além da proposta indecente das empresas de agrotóxicos junto com a Confederação Nacional da Agricultura (CNA), para criar a Comissão Técnica de Agrotóxicos (CNTagro), espécie de irmã siamesa da CNTbio, àquela que só aprova a liberação dos transgênicos, assim terminamos 2013, e entramos no próximo ano encarando a temporada ultraconservadora rural, social e ambiental.

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Ficou grande, mas é para argumentar bem. A capital gaúcha, local onde sempre passam as frentes frias vindas da Península Antártica está imersa no forno, transformando a bela Porto dos Casais dos açorianos, em autêntico inferno tropical. O conflito de Humaitá que a Rede Globo, por intermédio dos repórteres da afiliada no Amazonas identificou como uma revolta da população pelo sumiço de três moradores, e tendo como fato anterior, a morte do cacique Ivan Tenharim, “encontrado morto na Transamazônica, vítima de atropelamento por estar bêbado”. Posteriormente, a nota do Conselho Missionário Indigenista registra o seguinte:

“- O cacique Ivan Tenharim era um incansável opositor contra a pilhagem praticada por madeireiros na terra indígena, junto com os órgãos públicos, e contribuiu para o fechamento de serrarias ilegais na região”.

A BR-230, conhecida como Transamazônica, que corta o norte do país desde Imperatriz, no Maranhão até o Acre, foi uma obra da ditadura militar, juntamente com a Perimetral Norte, que cortaria o Amapá, até a fronteira com a Guiana, e acaba na terra indígena dos Oiampi, povo que conheci em 1979. Tinha uma guarita vigiada pelos índios no final da estrada, que foi abandonada, porque ligava o fim do mundo ao paraíso, ou seja, o nada a lugar algum. Os tenharins moram na terra onde sempre viveram, junto com seus vizinhos parintintins e muras, na Terra Indígena Tenharim Marmelos. A estrada construída, a custa da destruição de várias aldeias, como no caso dos Araras, na região de Altamira, simplesmente corta o território ao meio. Idêntico caso dos Waimiri-atroari na Roraima, com a BR-374.

Revolta racista

O cacique morto foi encontrado com hematomas no corpo e ferimentos na cabeça. Não houve investigação policial. Lógico que a revolta da população de Humaitá, incrementada pelos madeireiros, com tons racistas, de expulsão total dos índios da região – certamente para ficar com suas terras – serviu de mote para uma nota da Confederação da Agricultura, onde a senadora Kátia Abreu, dispara a artilharia do ultraconservadorismo rural brasileiro.

“- A revolta que motivou duas mil pessoas a atearem fogo na sede da FUNAI é mais uma prova irrefutável da necessidade de mudanças imediatas na condução da política indigenista”, diz a nota da CNA.

Os moradores encapuçados de Humaitá queimaram a Casa de Saúde do Índio, vários carros e motos, além de um barco, que abastecia as aldeias do interior. Ou seja, acabaram com a infraestrutura da FUNAI e deixaram cerca de 180 tenharins que estavam na cidade encurralados, tanto que foram levados para  o 54º Batalhão de Infantaria de Selva. No dia 29 a juíza federal de plantão, Marília Gurgel determinou as autoridades de segurança a proteção à terra indígena que foi invadida várias vezes, e determinou a volta dos índios às comunidades. Além disso, enviou cópia do processo para a Comissão Interamericana de Direitos Humanos.

Não queriam discutir os impactos

Voltando um pouco na mesma estrada, agora no entroncamento da BR-163 – Cuiabá-Santarém, no distritito de Miritituba, município de Itaituba (PA), um grupo de multinacionais, entre elas, Cargill e Bunge, começou a construção de várias estações de transbordo fluvial. A soja, ao invés de rodar 2,3 mil quilômetros até Santos ou Paranaguá, para engordar as vacas europeias ou porcos e galinhas chinesas, percorrerá um trecho da BR-163, recém-licitada para a Odebrecht, até o referido distrito, cerca de 900 quilômetros – contando de Nova Mutum, passando por Lucas do Rio Verde, Sorriso, Sinop, e atravessando o nortão do MT até o Pará.

Negócio lógico. Uma barcaça de soja equivale a 800 caminhões lotados. Mas as empresas chegam num distrito com menos de quatro mil habitantes, a mais adiantada é a Bunge, que pretende exportar até cinco milhões de toneladas de soja- via rio Tapajós até vila do Conde, em Barcarena, região metropolitana de Belém. Vão construindo sem ainda ter as licenças necessárias. Não queriam nem discutir os impactos. A região não tem água encanada, coleta de lixo, rede de esgoto. Itaituba com 98 mil habitantes tem um lixão recebe 950 toneladas por mês. Depois de muita discussão com os representantes da prefeitura local, chegaram a um acordo e pagar R$12 milhões em 15 prestações, para ter a licença municipal de instalação.

600 mil viagens por ano

No acordo consta a construção da infraestrutura de água, esgoto e lixo, a compra de 10 transformadores para as escolas, uma sede para o corpo de bombeiros, uma ambulância. A previsão da agência Reuters, que esteve na região, é para um movimento de 300 mil caminhões por ano, somente na ida, ou seja, 600 mil viagens. Levando soja na estrada que ainda não está asfaltada, mas são somente 150 km, no clima amazônico, com temporada de chuva e seca definida. Minha conclusão: vão misturar ferro no asfalto para não desmanchar.

A previsão das empresas, e são 15 que se instalarão na região, é de movimentar seis milhões de toneladas em 2015, mas a expectativa é para escoar por esta rota até 20 milhões de toneladas. A expansão da soja na Amazônia tem uma grande responsável: a Cargill, multinacional americana, que ainda é controlada pela família, desde a sua fundação, e que instalou um porto graneleiro em Santarém há 10 anos, com capacidade para movimentar 1,3 milhão de toneladas. Na época, a produção de soja na região estava iniciando. Hoje, contanto os municípios vizinhos soma 55 mil hectares. Segundo a Associação da Indústria de Óleos Vegetais (Abiove), dos quase 25 milhões de hectares de soja plantados no Brasil, 2,1 milhões estão no bioma Amazônia. O Pará tem 337 propriedades que plantam soja em 16 municípios, além de contar com 107 mil fazendas e 19 milhões de cabeças de bovinos.

Na trilha do ouro

Então a primeira rota de escoamento começou via Porto Velho, usada pelo Grupo Amaggi, que leva de barcaça até Itacoatiara no Amazonas. Dali, de navio para o Atlântico. O pobre distrito de Miritituba é um atalho. Também porque via rio Amazonas – se encontra com o Tapajós em Santarém –existe um empecilho na foz do Amazonas – só passam navios com no máximo 47 mil toneladas de capacidade. Por Barcarena, onde a Bunge, que está investindo R$500 milhões no projeto, podem passar navios de 70 mil toneladas. Eles já projetaram, como novas dragagens, navios com capacidade para 120 mil toneladas. A Bunge e o grupo Amaggi, do senador Blairo Maggi criaram a empresa Navegações Unidas Tapajós Ltda., com investimentos previstos de R$300 milhões, com a compra de 90 barcaças e cinco empurradores.

Seguindo ainda pela Transamazônica até a região de Altamira, onde está sendo construída a hidrelétrica na Volta Grande do Xingu. O Grupo Forbes & Manhattan, um banco de capital fechado, que capta dinheiro nas bolsas do Canadá e em outras partes do mundo, conseguiu licença ambiental do governo do Pará, via SEMA, para investir US$1,1 bilhão na mesma região e recolher 4.684 quilos de ouro por ano, em 11 anos pretendem remexer 37,8 milhões de toneladas de terras, com o consequente tratamento com cianureto, para identificar as migalhas do metal. Cerca de dois mil garimpeiros trabalham na região, todos ilegalmente.

Existem comunidades com 40 anos. Já estão sendo expulsos. O grupo canadense pretende usar dinamite, a 17 km da usina, mas isso é um detalhe, não há o menor risco. O pior mesmo é o veneno que vai ficar na região.

Bilhões para alguns e miséria para outros

Para terminar esse sumário quase trágico, do ponto de vista social e ambiental, uma notícia animadora na terra da senadora Kátia Abreu, o estado do Tocantins, que ela pretende governar, depois de 2014. Osmar Zogbi é um daqueles ricos brasileiros, que vendeu seus negócios e está à procura de uma nova atividade.

Vendeu o banco Zogbi para o Bradesco e a sua parte na Ripasa, uma empresa de celulose e papel, para o grupo Votorantim. Criou a Eco Florestas- gosto de ver é o marketing ambiental deles –considerado o maior projeto florestal independente.

Comprou 120 mil hectares de terra, 42 mil já ocupados com eucalipto, mas o plano é atingir 180 mil hectares e 100 mil com o monocultivo. O objetivo maior é uma indústria de celulose com capacidade para 1,5 milhão de toneladas por ano – necessita de 150 mil hectares de eucalipto. Zogbi investiu R$500 milhões, junto com seus sócios, ex-acionistas da Ripasa, além do grupo Safra e a BR Partners, entre outros.

Por isso, dá para entender a fúria da CNA contra os índios que estão atrapalhando os bilhões que serão investidos no campo, onde de um jeito ou outro, sobra umas migalhas para eles. Quanto ao povo brasileiro, que vive nas regiões afetadas, certamente serão deslocados para as capitais e suas regiões metropolitanas.

Vamos ver dois exemplos: o Pará tem uma população de 7,5 milhões de habitantes, sendo 1,4 milhão considerados economicamente como vivendo abaixo da linha da pobreza, assim como outros 16 milhões de brasileiros. Mas a média nacional é de 8,42%, de pobres nesta situação, comparados com uma população de 190 milhões de habitantes – dados de 2010. A média do Pará é de 18,65 % da população em condições de extrema pobreza.

O Mato Grosso, maior produtor de soja, milho e algodão do país, com uma população de pouco mais de dois milhões de habitantes, têm 394.821 famílias no Cadastro Único do governo federal, quer dizer, recebem assistência de algum programa. Onde vai parar os mais de US$30 bilhões da exportação de soja, ou os mais de US$6 bilhões da exportação de carne de boi. Outra questão, para discutir em 2014: qual o limite da expansão da pecuária e da soja na Amazônia? Ou não tem limite? Ou transformaremos a Amazônia numa imensa fazenda de boi e soja, para o deleite da elite rural ultraconservadora desse país?

Créditos da foto: Arquivo
cartamaior

Jornalistas investigativos falam sobre desafios deste tipo de cobertura no Brasil

Pouco tempo e muitas tarefas. O cotidiano em uma redação jornalística não costuma contribuir para a prática da investigação, que exige cautela, empenho e carrega grande carga de responsabilidade. Para piorar, casos de cerceamento de liberdade se tornam cada vez mais comuns para os profissionais que se dedicam a este tipo de cobertura.
Crédito:Stock.XCHNG
Processos contra repórteres e falta de apoio financeiro prejudicam jornalismo investigativo no Brasil
No últimos meses, com o vazamento de documentos por parte do soldado Bradley Manning ao WikiLeaks e do ex-funcionário da NSA Edward Snowden a Glenn Greenwald, os governos passaram a se preocupar ainda mais com os veículos de comunicação. O britânico The Guardian chegou a ser coagido a exterminar dados secretos e David Miranda, companheiro de Greenwald, foi detido durante nove horas no aeroporto de Londres.

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Segundo o presidente da Federação Nacional de Jornalistas (Fenaj), Celso Schröder, não há dúvida de que as intimidações por parte de governos são um fator histórico. A diferença é que agora tal fator estaria cada vez mais presente em atos de Estados ditos como democráticos. “Principalmente, atrás dos chamados atos patrióticos”, diz. “É um elemento cerceador de liberdade e que tem de ser combatido veementemente.”
Deadline inimigo
Natália Viana, diretora da Agência Pública, diz acreditar que o principal entrave para a prática no Brasil é a falta de investimento. “Há uma necessidade urgente de mais jornalismo investigativo. O público quer mais jornalismo de qualidade.” Para ela, outro ponto negativo são os prazos muito curtos. “É preciso apoiar o tempo que o jornalista precisa para fazer um trabalho de qualidade e mais aprofundado.”
O jornalista Alan Rodrigues, da IstoÉ, um dos responsáveis pela matéria que denunciou um suposto cartel em obras do metrô, afirma que “nem todas as empresas seguem esse ramo, pois querem um resultado imediato, o que não acontece na profissão”.
Juliana Dal Piva, jornalista freelancer que trabalha com temas envolvendo o regime militar, embora nunca tenha sido ameaçada diretamente, afirma que “é cada vez mais difícil fazer jornalismo investigativo no Brasil pelas condições e pela velocidade com que se tem de trabalhar”. Segundo ela, o fato de atuar como jornalista independente dificulta ainda mais a prática. “É difícil você bancar uma investigação como freelancer.”
Problemas na Justiça
Para o jornalista Chico Otávio, do jornal O Globo, o que existe, muitas vezes, é um excesso no uso de decisões judiciais estabelecidas a pretexto de garantir a privacidade de réus, mas que, na verdade, procuram apenas impedir o acesso da imprensa — e do público — ao andamento de algum tipo de investigação relevante.
Por esse motivo, o repórter defende a divulgação de informações importantes. “Se receber algum material protegido pelo serviço de justiça e que considere de relevância pública, como repórter, acredito que o interesse público está acima da privacidade supostamente pretendida pela decisão judicial.”
Claudio Tognolli, diretor da Abraji, considera a quantidade de profissionais processados um dos maiores problemas do jornalismo investigativo brasileiro. Ele lembra a pesquisa feita em 2007 pelo dono do Consultor Jurídico, Marcio Chaer. O estudo revelou que o Brasil é o país que mais se processa jornalistas em ações cíveis.Tognolli relata que os jornais vetaram que seus departamentos jurídicos divulgassem esse número com medo de que isso pudesse prejudicar as ações dessas empresas.

Sem represálias
Para Helio Gurovitz, diretor de redação da revista Época, para que jornalistas possam trabalhar com segurança e saber que não serão hostilizados pelo seu trabalho são necessárias condições internas e externas. Primeiro, é preciso trabalhar em veículos absolutamente profissionais, “que tenham a independência e a coragem necessárias para publicar informações sensíveis, que enfrentem qualquer grupo de interesse”.
De acordo com ele, os casos de flagrante violação ao livre exercício do jornalismo precisam ser divulgados, investigados e punidos. “Infelizmente, eles existem mesmo nas democracias mais maduras. E continuarão a existir, enquanto os jornalistas investigativos exercerem seu papel de investigar o poder.”
Para Chico Otávio, embora a Lei de Acesso à Informação já tenha melhorado o cenário para jornalistas, ainda estamos longe do ideal. Segundo ele, grandes entidades nunca deixam de responder solicitações, mas são sempre vagas. “Nas entrelinhas, em muitas respostas fica claro a má vontade dessas instituições que ainda não se deixaram sensibilizar pelas transformações que a Lei trouxe para a vida pública”, diz. “São fortalezas da cultura do segredo que resistem à Lei de Acesso, embora se digam transparentes.”
Na última quarta-feira (11/9), IMPRENSA publicou a primeira parte da reportagem sobre o jornalismo investigativo após os casos Manning e Snowden. Confira o texto.Evento

Nos dias 07, 08 e 09 de outubro, em São Paulo (SP), IMPRENSA realiza o Midia.JOR, seminário internacional de Jornalismo, que, entre os debates, contará com uma mesa exclusiva para o jornalismo investigativo, com a presença de Roberto Cabrini (SBT); Rubens Valente (Folha de S.Paulo) e Sérgio Lirio (CartaCapital).

Para mais informações e inscrições, clique aqui.

Alana Rodrigues e Edson Caldas

Os desafios de um general brasileiro no Congo

generalUma missão sem credibilidade e novas coalizões rebeldes prontas para enfrentar capacetes azuis. É este cenário que o general brasileiro Carlos Alberto dos Santos Cruz terá de enfrentar ao assumir a missão de paz na República Democrática do Congo (Monusco), o segundo maior empreendimento militar das Nações Unidas em atividade no mundo.

“Ninguém confia mais nas tropas da ONU. [Em novembro, na invasão rebelde] em Goma, eles disseram que a situação estava sob controle, e as pessoas estavam sendo mortas na frente deles”, desabafa Henri Bura Ladyi, diretor do Centro de Resolução de Conflitos (CRC), que tem sede em Beni, na província congolesa de Kivu Norte.

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A organização busca retirar jovens soldados das milícias e reintegrá-los à sociedade. O CRC conta com 250 colaboradores e procura ajudar deslocados internos em Kivu Norte. Ladyi diz que os congoleses ainda estão confusos e não sabem o que esperar da ONU no Congo.

“Tememos o aumento da violência porque [os grupos armados] estão montando novas coalizões para se fortalecer e intensificando o recrutamento de jovens para enfrentar a brigada da ONU”, alerta.

Prontos para o combate

A Monusco conta com mais de 20 mil militares de 50 países. O convite da ONU ao general Santos Cruz para a função – a nomeação oficial está em trâmite – coincide com um divisor de águas na história do conflito, que já se arrasta por mais de 20 anos. Desde 1999, quando foi criada, é a primeira vez que a missão contará com uma brigada de intervenção, com a função que vai além da simples proteção da população civil.

O uso da brigada, com orçamento previsto de 140 milhões de dólares durante um ano, foi aprovado por unanimidade pelo Conselho de Segurança da ONU. Conforme a resolução 2098, de 2013, a função será de “neutralizar e desarmar milícias, monitorar o embargo de armas no território e capturar responsáveis por crimes de guerra e contra a Humanidade”.

O movimento rebelde M23 suspendeu o diálogo com o governo congolês nesta semana. Os rebeldes alegam que não têm sentido negociar a paz quando a ONU está prestes a empregar uma brigada autorizada a atacá-los.

“Nós estamos esperando a brigada da [ONU]. Estamos prontos. Nossos homens estão em alerta máximo”, disse Stanislas Baleke, representante político do M23.

Barril de pólvora

Os representantes das Nações Unidas negam o fim da busca por uma solução diplomática para o conflito. “A brigada terá um papel muito mais de dissuasão [dos rebeldes] do que de solução militar. O foco real é encontrar uma solução no âmbito político”, rebate a enviada especial da ONU para a Região dos Grandes Lagos, Mary Robinson, que visitou o país nesta semana.

O M23 é considerado o grupo armado mais importante do leste do Congo, e organizações internacionais acusam Ruanda de apoiar os rebeldes – o que aumenta a tensão entre os dois países. O grupo alega lutar por anistia e reintegração de seus soldados ao Exército congolês. Em novembro passado, o M23 ocupou Goma, a capital de Kivu Norte, numa demonstração de força contra o governo e as tropas da ONU.

O grupo permanece estacionado nas cercanias da cidade e, segundo a última resolução da ONU, “tenta estabelecer uma administração paralela na província”. Nas áreas rurais, o terror é espalhado pelas milícias Mai-Mai, cujos crimes acabam alimentando conflitos étnicos.

Mas a instabilidade no segundo maior país da África não se resume à atividade do M23 e dos Mai-Mai. A República Democrática do Congo tem mais de 20 grupos armados ativos em seu vasto território. Entre os que mais aterrorizam as populações locais está o Exército de Resistência do Senhor, comandado por Joseph Kony. Seu nome encabeça a lista dos mais procurados pelo Tribunal Penal Internacional e ganhou atenção global através da campanha “Kony 2012” nas mídias sociais.

Investindo em missões de paz

Desde 1948, o Brasil participou de mais de 30 missões de paz da ONU com aproximadamente 20 mil soldados. O general Santos Cruz aguarda a nomeação oficial para substituir o indiano Chander Prakash no comando da Monusco.

Com o brasileiro, o país teria dois de seus militares à frente de duas das 14 missões da ONU em atividade no mundo – o general Edson Leal Pujol já comanda a Minustah, no Haiti. Além de Pujol, o contra-almirante José de Andrade Bandeira Leandro comanda a força-tarefa marítima da missão interina das Nações Unidas no Líbano (FTM-Unifil).

A Monusco é a segunda maior missão ONU e tem mandato renovado por mais um ano a partir de julho. Foi orçada em 1,3 bilhão de dólares no último ano e conta com mais de 23,5 mil integrantes. Perde apenas para a Unamid, em Darfur, que é comandada pelo general tansaniano Wynjones M. Kisamba e custou 1,4 milhão dólares no último ano, tendo efetivo de 24,5 mil.

O Brasil tem investido na formação de militares para participarem de missões da ONU. O Centro Conjunto de Operações de Paz do Brasil (CCOPAB) foi criado em 2010 para capacitar integrantes das Forças Armadas brasileiras e de “nações amigas”. “O Ministério da Defesa deve apoiar o CCOPAB para que ele se torne referência em operações de paz”, explica o sub-comandante do centro, Salomão Pereira da Silva, salientando que o Itamaraty estabelece as diretrizes do CCOPAB.

Para a pesquisadora Claudia Zilla, do Instituto Alemão de Assuntos Institucionais e de Segurança (SWP, na sigla em alemão), a escolha do militar brasileiro para chefiar a Monusco tem relação com a postura afirmativa da política externa brasileira, com a aproximação do país com a África e com a ambição do Brasil de pertencer ao Conselho de Segurança da ONU.

Segundo ela, não se trata somente da mudança de posicionamento do Brasil como ator regional para ator global e expansão em sua área de influência. “Não é só uma expansão geográfica, mas também temática. A Minustah serve mais para estabilização, a Monusco terá papel de combate. O general teve sucesso ao desarmar grupos criminosos no Haiti e isso deve ser usado no Congo”, explica a pesquisadora.

Henri Bura Ladyi enfatiza que o novo comando da Monusco tem de deixar claro os seus objetivos e segui-los à risca. Ele diz que os grupos rebeldes devem ser monitorados, terem seus integrantes presos e levados a julgamento. O diretor do Centro de Resolução de Conflitos do Congo sublinha que as tropas da ONU não estão fazendo nada de visível e lutam pela sua própria proteção ao invés de proteger as pessoas.

“A população civil deve ter seus direitos respeitados. A ONU não está fazendo o que deveria por aqui e não tem mais crédito. Se ele [o general Santos Cruz] vier com uma abordagem nova, deixando claros os seus objetivos para as pessoas, ele será uma pessoa muito importante para o Congo”, opina Ladyi.

A República Democrática do Congo é um país rico em minerais, o que desperta a atenção de vários atores nacionais e internacionais. Segundo a organização International Crisis Group, o governo e organizações internacionais têm falhado ao tentar controlar a exploração ilegal destas riquezas por grupos armados. “Muitas milícias financiam suas atividades vendendo volframita, coltan e cassiterita – minerais com bom preço na indústria de produtos eletrônicos”, destaca um relatório do grupo publicado em 2010.

O país é considerado instável desde a sua independência, em 1960, entretanto, a partir de 1994, após o genocídio na vizinha Ruanda, o cenário de conflito se tornou mais complexo. Milhares de pessoas do grupo étnico hutu, envolvidos no massacre da etnia tutsi, cruzaram a fronteira e se aliaram às forças do governo congolês. A movimentação gerou uma coalizão de forças rebeldes que destituiu o presidente Mobuto Sese Seko, colocando Laurent Desiré Kabila no poder. Outros países também se envolveram na disputa de poder congolesa, o que gerou um conflito de interesses diversos e proporções regionais.

 

 

cartacapital

No dia da mulher primeira dama de Bananeiras fala sobre suas lutas e desafios

maryjanneNo dia internacional da mulher, a primeira dama de Bananeiras, Maryjanne Lucena fala sobre as lutas e desafios de ser e de conciliar todas as agendas que envolvem a rotina uma mulher contemporânea. Mostrando-se como exemplo para incentivar outras mulheres a lutar na construção de uma sociedade mais justa e fraterna, Maryjanne contou como venceu na vida pública e privada.

Humilde, natural do curimataú do estado, do município de Cacimba de Dentro, a primeira dama casou-se com o Prefeito Douglas aos 25 anos. Maryjanne conseguiu vencer também na vida acadêmica. Formada em Direito, estudou na Universidade Estadual da Paraíba, se formou aos 23 anos e hoje advogada de carreira, hoje é a primeira dama e esta a frente da Secretaria Municipal de Desenvolvimento Social.

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Para Maryjanne, o grande desafio da mulher contemporânea é conciliar todas as questões no que diz respeito tanto à administração do lar, as crianças, o marido, quanto no trabalho e na vida pública, marcada por ações sociais. “Nossa agenda tem sido bem atribulada, mas a gente enfrenta com muito prazer e muita honra. Porque queremos fazer o melhor para Bananeiras”, disse.

Para Maryjanne, a grande missão da mulher na sociedade é pacificar a sociedade através da educação dos filhos, fomentando uma visão de mundo diferente neles, no sentido de transformar o comportamento. “É assim que a gente vai ter realmente um mundo melhor. Este processo de pacificação passa por esta mudança de comportamento. Quando nos colocamos no lugar do outros, entendemos melhor, a violência é menor e a humanidade avança”, afirmou. Para Maryjanne, é importante que, como mulher, ela ajude a fomentar a pacificação no trato, com o marido, no trabalho. “Ter sempre esta coisa de conciliação, de pacificadora. É uma mensagem que eu deixo de paz neste dia da, neste mês da mulher”.

Bananeiras Online com Bananeiras Agora

Em nota, Renan comenta manifesto na internet e aponta desafios do Senado

Agência Brasil
Agência Brasil

O presidente do Senado, Renan Calheiros, comentou, em nota oficial, o manifesto na internet que pede a sua saída do cargo. No texto, ele diz que o movimento é “lícito e saudável” e “indica que a sociedade quer um Congresso mais ágil e preocupado com os problemas dos cidadãos”.

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Veja a íntegra da nota:

“A mobilização na Internet é lícita e saudável, principalmente, entre os jovens. Fui líder estudantil, todos sabem, e também usei as ferramentas da época para pressionar. O número de assinaturas não é tão importante quanto a mensagem, o que importa é saber que a sociedade quer um Congresso mais ágil e preocupado com os problemas dos cidadãos. E assim o será.

O Congresso Nacional vai trabalhar para garantir o maior desenvolvimento do Brasil. Vou conversar na segunda-feira com o presidente da Câmara, Henrique Eduardo Alves, para que possamos colocar em votação as matérias necessárias ao crescimento do país, de forma sustentável e duradoura.

Temos que tornar o Brasil mais fácil, fazer a reforma tributária, política, propor medidas de combate à criminalidade, enfrentar a questão dos vetos.

Do ponto de vista administrativo, teremos no Senado uma gestão austera, com corte de gastos, transparência e o fim da redundância de estruturas.

Vamos convidar o ministro da Fazenda, Guido Mantega, e o presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, para avaliar como, juntos, poderemos ajudar a economia do país, ajudar na geração de empregos e renda e afastar o fantasma da inflação.

Nas últimas décadas, o Brasil avançou bastante nos conceitos modernos, ganhamos prestígio internacional. E o Congresso Nacional teve papel decisivo nesse processo. Não podemos recuar no tempo e abrir mão dos avanços conquistados.

Renan Calheiros

Presidente do Senado Federal”

 

 

Fonte: Agência Senado

Desafios a serem enfrentados pelo jovem presidente da Câmara de Dona Inês

Demétrio Ferreira está iniciando seu segundo mandato no legislativo Municipal, tendo uma votação maior do que a primeira foi eleito por unanimidade de seu pares, mas até chegar ao consenso dentro de sua própria base aliada, teve que argumentar bem e convencer a vereadora Rosinha Bolachinha a ser sua vice-presidente, só lembrando Rosinha foi a mais votada em outubro de 2012, ainda convencer o Vereador Luiz Alves também a compor com seu projeto, no entanto Luiz tinha o apoio do Vereador Denizar Idalino Filho do Vice -Prefeito João Idalino e de do Vereador Edimilson  Alves irmão do então Presidente da Câmara Municipal.

Demétrio Juntou-se aos já experientes vereadores Dema e Damásio, para conseguir convencer seus pares de base aliada a acreditarem em seu projeto para o legislativo, por outro lado os dois vereadores de Oposição Neco de Lolo também votaram em Demétrio causando espanto em figurões do seu bloco político, com isso fazendo e marcando coisa nunca vista na história da Câmara Municipal.

Diante do resultado obtido o desafio agora é difícil e complexo, haja vista todo problemática da Câmara Donainesense,. Na infra estrutura do prédio da Câmara apresenta diversa rachadura; é preciso concerto, na iluminação apresenta uma série de problema, na parte de som está sucateado tal serviço precisa uma modernizada, o mato do estacionamento precisa ser limpo  as cadeiras do plenário precisa serem trocadas ou no mínimo reformadas, mas o pior está por vir, trata-se de uma divida considerada grande que vai cair não mão do novo presidente.
Além dessas verdadeiras bombas, ainda terá que liderar e coordenar uma série de correntes dentre os vereadores aliado e adversários, para completar terá que zelar pela harmonia entre o executivo e o legislativo dentro da independências dos poderes, ou seja, não ser nem radicalmente a favor do prefeito, só porque é aliado, sendo lagartixa, ou ser radicalmente contra como se fosse camicaze, deverá se nortear pelo interesse do povo e pelo ordenamento jurídico em vigor.
Redação
Confira o resultado da votação de Demetrio:
Eleição Nome Nome na eleição Cargo Situação
1 2012 – 1º Turno Demetrio Ferreira da Silva Demetrio Vereador Eleito por QP
2 2008 – 1º Turno Demetrio Ferreira da Silva Demetrio

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