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Atividade física libera endorfina e é eficaz no combate à depressão

“Além da melhora do condicionamento físico, aperfeiçoa a capacidade cognitiva e diminui os níveis de ansiedade e estresse de maneira geral”, comenta Vanessa Menache, preparadora física da AV Treinamento Inteligente

A depressão afeta mais de 320 milhões de pessoas no mundo, ou seja, 4,4% da população, segundo relatório divulgado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) em 2018. Ainda conforme a organização, o Brasil é responsável pela maior taxa da doença na América Latina: 5,8% dos habitantes sofrem com este mal.

Desde 2015, o mês de setembro é dedicado à campanha “Setembro Amarelo” de prevenção ao suicídio. De acordo com a Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP), 90% dos óbitos por suicídio estão ligados a doenças como depressão, distúrbios por uso de substâncias, esquizofrenia e transtornos de ansiedade.

Diante deste cenário, muitas pessoas acreditam que a única alternativa é tratar com medicamentos. O que elas desconhecem, porém, é que a atividade física serve como um importante aliado no combate à depressão. Um estudo realizado pela Universidade de Toronto, no Canadá, constatou que praticar atividades físicas de 20 a 30 minutos por dia pode afastar a depressão em longo prazo.

Segundo a preparadora física e sócia diretora da AV Treinamento Inteligente, Vanessa Menache, a prática de exercícios físicos, de qualquer tipo, possui inúmeros benefícios. Além da melhora do condicionamento físico, eles também contribuem com o aperfeiçoamento da capacidade cognitiva e diminuem os níveis de ansiedade e estresse de maneira geral. “O programa de treinamento funcional, por exemplo, estimula a superação de forma gradativa em um processo que traz a necessidade de atenção ao momento, envolvendo corpo e mente na execução de movimentos. Dessa forma, acaba por tirar o foco dos sentimentos causadores de estresse e ansiedade”, informa Vanessa.

A ciência confirma o poder da atividade física para o bem-estar psicológico. Experimentos recentes mostram que praticar uma atividade física também estimula o crescimento de células nervosas no hipocampo, região do cérebro que rege a memória e o humor. “É tão benéfica a ponto de o exercício virar prescrição para pessoas deprimidas, agregado à psicoterapia e aos medicamentos”, comenta a personal trainer.

Ela ainda explica que, durante e após uma sessão de treinamento funcional, há liberação de endorfina que tem uma potente ação analgésica e, ao ser liberada, gera sensação de bem estar, conforto, alegria e melhora do humor. “Além disso, o estímulo e o aumento da circulação sanguínea tem sido um grande aliado no progresso das funções cognitivas, de humor, memória e aprendizagem”.

Importante ressaltar que as atividades físicas atuam como adicionais no combate à depressão e ansiedade e devem estar vinculadas ao acompanhamento de profissionais especializados, como educadores físicos, médicos e psicólogos.

Vanessa Menache – Graduada desde 1998 pela UnG e desde então atua como Personal Trainer, com vasta experiência em Treinamento Funcional desde 2008. Especialista em Pilates com formação completa pela Stott Pilates desde 2009. Preparadora física de atletas e pessoas que visam longevidade com qualidade de vida. Especialista em alongamento postural método TMS desde 2004 UniFMU. Especialista em Treinamento Funcional pelo método Core 360 desde 2008. Pós-graduada em biomecânica do exercício em 2016 CEFIT. Certificada no método FMS (Functional Movement Screen). Sócia diretora da AV Treinamento Inteligente.

Treinamento Inteligente – Localizado no bairro do Itaim Bibi, na capital paulista, o espaço conta com um time de profissionais altamente qualificados e especializados em treinamento funcional embasados no Sistema Core 360.  O estúdio oferece aos seus clientes um programa de treino customizado por meio do relacionamento interdisciplinar e interação com os diversos profissionais da área da saúde como Medicina Esportiva, Nutrição, Fisioterapia e Terapeutas. Site: http://treinamentointeligente.com.br

 

 

Depressão: Paraíba já registra 121 suicídios em 2019

A Paraíba já registrou nos primeiros seis meses de 2019 cerca de 121 casos de suicídio, desses 16 foram registrados em João Pessoa, segundo dados da Secretaria de Saúde do Estado. Em comparação ao ano passado, esse número chega a ser maior, já que ao logo de doze meses foram registrados 190 casos.

O órgão também registra as ocorrências de tentativas de suicídios e, no mesmo período, foram contabilizados 496 casos das chamadas lesões autoprovocadas intencionalmente, ou seja, aqueles casos em que existe ameaça da pessoa querer tirar a própria vida.

Em entrevista ao Portal ClickPB, o secretário da Saúde da Paraíba, Geraldo Medeiros, explicou que o suicídio é uma preocupação mundial. Ele reforça a importância de se atentar para a gravidade do problema e lembra que, em países desenvolvidos como os Estados Unidos, o suicídio mata mais que o trânsito. “É preocupante como esse aumento nos casos de suicídio está relacionado com o desenvolvimento dos países, que quanto mais desenvolvidos, maiores são os números de pessoas que se suicidam”, destacou.

Ele também lembrou que cresce o número de casos entre jovens, “os jovens estão inconscientemente se isolando, pois deixam de viver e ter convivência social por conta da tecnologia e das redes sociais. A consequência disso, é que muitas vezes, esses adolescentes acabam se sentido solitários. Os pais, muitas vezes, não acolhem e nem acompanham seus filhos adequadamente. Então essas necessidades da sociedade moderna tem contribuído para o aumento do casos de suicídio”, explicou.

Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS) as principais doenças que podem provocar o suicídio são a depressão, transtornos de ansiedade, tristeza profunda, decepções, problemas financeiros e familiares, comportamento na internet e nas redes sociais,

Especialistas de todo o país têm discutido o aumento do número de casos de suicídio, principalmente, entre jovens e adolescentes. Pesquisa da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) apontou um aumento de 24% dos casos entre os anos de 2005 e 2016 somente no Brasil. No entanto, esse número pode ser ainda maior, pois muitos casos são subnotificados.

De acordo com dados da OMS, o Brasil aparece em 8º lugar entre os países com o maior número de suicídios, estando atrás da Índia, China, Estados Unidos, Rússia, Japão, Coréia do Sul e Paquistão.

Entre 2006 e 2010, segundo levantamento do Ministério da Saúde, o Rio Grande do Sul, em taxas relativas (mortes por cem mil habitantes) tem a maior taxa do país, com 10,2 casos. Em seguida estão os estados de Roraima, Mato Grosso do Sul e Santa Catarina.

O aumento desses casos tem chamado a atenção da Secretaria de Estado da Saúde (SES), que no último mês de julho, através da Coordenação de Saúde Mental, promoveu diálogo com os municípios a respeito dos serviços das Redes de Atenção Psicossocial (RAPS). Na Paraíba, um novo de sistema de notificação foi implantado e, de acordo com o técnico da Saúde Mental da SES, Lucílvio Silva, para esclarecer e ajudar melhor a sociedade sobre os serviços disponíveis no estado.

Setembro Amarelo

O Setembro Amarelo foi criada pelo Centro de Valorização da Vida (CVV) em 2015, a campanha Setembro Amarelo tem o objetivo de conscientizar a população e promover a prevenção do suicídio. Com o apoio do Conselho Federal de Medicina (CFP) e da Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP), o Setembro Amarelo faz alusão ao dia 10 de setembro, Dia Mundial de Prevenção do Suicídio.

 

 

clickpb

 

 

Setembro Amarelo: profissionais de saúde mental chamam atenção para a prevenção ao suicídio e sintomas da depressão

Apontada como uma das principais causas de suicídio no mundo, a depressão, segundo dados da Organização Mundial de Saúde (OMS), afeta 322 milhões de pessoas pelo mundo. Entre 2005 e 2015, o número de casos da doença cresceu 18%. Quando não diagnosticada e tratada, a doença pode resultar, em seus casos mais graves, no suicídio.

No Brasil, 5,8% da população sofre com a doença. São mais de 11,5 milhões de pessoas diagnosticadas com a depressão, que atualmente é vista como o mal do século. Esse número coloca o país como o 5º do mundo em número de casos. Já em relação aos transtornos de ansiedade, o Brasil é líder no mundo com 18,6 milhões de pessoas.

DEPRESSÃO

A depressão é um transtorno mental que produz alterações do humor. Essas alterações são caracterizadas por uma tristeza profunda, aliada à baixa autoestima, distúrbio do sono, falta de apetite e dores. Ainda de acordo com dados da OMS, as mulheres estão mais suscetíveis a quadros depressivos do que os homens. A doença pode ser classificada como leve, moderada ou grave, de acordo com a intensidade dos sintomas. Durante um quadro grave, o paciente tende a não ser capaz de realizar nenhuma função social.

No entanto, a psicóloga Hanna Jarine explica que nem todo caso de suicídio ou da tentativa de suicídio é resultado de uma depressão. Outros transtornos como o de Humor Bipolar, Esquizofrenia também podem ter como consequência o pensamento ou o comportamento suicida. “As pessoas que estão passando por alguma fragilidade emocional, algum momento de doença mental, aliadas ao medo e a sensação de não suportá-las, fazem com que estas desejem sanar suas dores, e o caminho que veem é com o pensamento do suicídio, não como forma de morrer, mas o ato de ser a única maneira de apagar essas dores”, analisou.

Hanna ressaltou que é comum aliar um comportamento suicida a algum transtorno mental, mas ela acrescenta que outros momentos de fragilidade emocional podem apresentar esse tipo de comportamento. “Por exemplo, alguém que esteja passando por um luto, a perda de alguém, então vem esse desejo de morte, já que atrela a sua felicidade, a sua qualidade de vida a outra pessoa. Alguém que acabou um relacionamento e também via essa fonte de felicidade no outro tem esse desejo de se matar porque é como se a vida não fizesse mais sentido. Mas são coisas passageiras, diferentemente de quem está com algum transtorno”, disse a psicóloga.

Ao identificar um comportamento suicida, seja de um familiar ou de um amigo, estudiosos da saúde mental orientam que esse sentimento não seja ignorado. A primeira atitude é procurar entender o sofrimento da pessoa, compreender as dificuldades e orientá-la a procurar um profissional. “A partir do momento em que a pessoa pensa que sua vida não faz sentido, esta é a hora de procurar um psicólogo ou um psiquiatra e ambos irão avaliar se existe a necessidade de um tratamento medicamentoso”, afirmou Hanna Jarine. É importante estar atento ao comportamento dessa pessoa e assim que notar uma fragilidade emocional profunda e, com isso, um desnivelamento de sua rotina, é bem possível que ela precise de ajuda psicológica. “A primeira coisa que a pessoa faz quando percebe que alguém está com comportamento suicida é validar o sofrimento da pessoa, ou seja, antes de dizer para a pessoa que o que ela sente é uma besteira, deve-se entender de fato o quanto é difícil, e oferecer-se para ajudá-la. É preciso estar ciente de que a pessoa que pensa em suicídio não está bem e orientá-la a procurar um profissional para falar sobre o assunto. A pessoa precisa entender que a vida vale a pena e que é necessário continuar”, observou a psicóloga.

PB Agora

 

 

O que não falar para quem tem depressão

Como trato pessoas portadoras de depressão há vários anos, entendo um pouco a dificuldade e principalmente a confusão sobre o que dizer a quem está deprimido. As neurociências entendem a depressão como uma desordem do funcionamento cerebral, que afeta e compromete o funcionamento normal do organismo, com reflexos ou consequências na vida pessoal em seus aspectos emocionais ou psicológicos, familiares e sociais.

Entenda a depressão

A doença depressiva deve, portanto, ser examinada sob o ponto de vista biológico, genético, cognitivo, social, considerando ainda a história pessoal, econômica e espiritual. A depressão pode ser entendida enquanto sintoma, manifestando-se nos mais diversos quadros clínicos, como: estresse pós-traumático, crises existenciais, conflitos, demência, esquizofrenia, alcoolismo e doenças clínicas. Pode ainda ser compreendida enquanto síndrome, incluindo as alterações de humor (tristeza, irritabilidade, falta de capacidade em sentir prazer, apatia) e alterações cognitivas, psicomotoras e vegetativas, como as alterações de sono e apetite. Por fim, compreendida enquanto doença, a depressão é devida a múltiplos fatores.

As depressões são doenças multicausais, portanto com a interferência de diversos fatores etiológicos. Nas depressões, ocorre um comprometimento multigênico, sendo até três vezes mais frequente em pessoas com antecedentes hereditários positivos. As depressões podem ser afetadas pelas estações climáticas do ano, sendo mais frequentes no inverno e em países de clima frio. Podem ainda ser influenciadas por: privação de sono, intensidade de luz e luminosidade, traumas precoces de vida (orgânicos ou psíquicos), lesões estruturais do cérebro, infecções e viroses, situações de estresse e estilos de vida, condições profissionais específicas, agentes químicos e físicos, outras doenças clínicas e psíquicas (depressões secundárias) e uso de medicamentos.

Fatores psicossociais, como desemprego, aposentadoria, casamentos e separações conjugais, estão correlacionados com aumento nos índices de depressão. Sabe-se por dados de pesquisa que duas a três pessoas entre dez indivíduos têm, tiveram ou terão ao menos um episódio depressivo na vida!

O que não falar para quem tem depressão

Parte da confusão no público leigo decorre dos vários significados da própria palavra depressão, em que um deles implica que ele é apenas uma emoção passageira. É um grande desafio, portanto, compreender que não se pode atribuir à depressão apenas o resultado de falta de força ou de vontade, igualmente a uma falha moral ou espiritual, ou ainda a uma forma de chamar atenção.

Para tornar este texto mais útil e prático, colocaremos o que não se deve falar a quem está deprimido:

“Por que você não apenas faz algo para superar isso?”

As pessoas que não estão deprimidas não apresentam energia física ou psíquica, que é exatamente o que significa depressão: diminuição de energia. Com o intuito de ajudar pode-se dizer ao deprimido para levantar-se e fazer algo para melhorar, como sair, viajar, tentar divertir-se. Este impulso é compreensível, mas uma pessoa deprimida pode sentir ainda mais desespero quando ouve isso. O deprimido, mais do que qualquer coisa, quer “acabar com este estado”, mas ele não consegue. Seu nível de energia e consequentemente autoconfiança estão inoperantes, não é raro que nem tenham energia para sair do quarto ou tomar banho. Seu estado de humor, pensamentos e comportamentos estão além de seu controle se eles têm depressão grave.

“Por que você não pode simplesmente ser feliz?”

A depressão faz com que a mente distorça a visão de mundo, enxergando-o sempre pelas lentes da negatividade e tristeza. Falar a essas pessoas sobre felicidade pode ser mais desanimador e desesperador para alguém que não é capaz de vê-la no momento. Não há nenhuma solução rápida, e insistir ou esperar uma “mudança” poderá reforçar sentimentos de desesperança e inclusive de autoataque.

“Fique longe de terapia e medicamentos”

As pessoas estão sempre com medo de pedir ajuda por causa do estigma que a doença mental traz. Eles podem ter medo ou vergonha de expor como estão, e estamos numa cultura onde somente quem produz e produz muito é valorizado. Medicamentos também são particularmente assustadores, devido novamente à preconceitos e à histórias de dependência, efeitos secundários, e o medo geral de alterar a psique ou “perder” a si mesmo. A grande maioria dos estudos científicos e pesquisas, no entanto, mostra benefícios com o uso criterioso e adequado das medicações antidepressivas. Sabe-se por dados de pesquisas científicas que até 80% das pessoas tratadas para a depressão mostram melhora significativa com o uso de medicamentos combinados com psicoterapia. Além disto, exercício, estilo de vida saudável e dieta equilibrada também podem ajudar na recuperação da depressão, mas, às vezes, isso não é suficiente. É melhor que as pessoas ao redor de quem está com depressão tenham uma mente aberta e incentivem uma decisão informada sobre as suas escolhas para o tratamento e recuperação.

“Você não está tão ruim assim, veja outras pessoas ….”

Claro que ninguém quer se comparar a crianças famintas tentando imigração em zonas de conflito, nem a um portador de doença terminal, mas este não é o ponto. A depressão, em casos graves, pode ser acompanhada de pensamentos que podem se tornar psicóticos ou delirantes. Todos já presenciamos celebridades ricas e amadas, que pareciam ter tudo, cometerem suicídio. Não podemos achar que o ciclo de autopunição em uma mente deprimida seja facilmente amenizada, e isto não deverá indicar que essas pessoas sejam ingratas ou egoístas.

“Você deveria parar de ser tão negativo”

É difícil estar perto de alguém com depressão. Sua baixa energia e humor sombrio podem “contaminar”. As pessoas instintivamente se afastam e, às vezes, expressam abertamente o desprazer ou ansiedade que o deprimido causa a elas. O deprimido, entretanto, se sente muito só, e quando ouve críticas a seu estado depressivo esse isolamento aumenta ainda mais sua depressão. Ser solidário e sem julgamento a uma pessoa deprimida é muito mais útil para a recuperação dela. A depressão pode parecer o lugar mais solitário do mundo para o indivíduo afligido. A melhor maneira de ajudar é dar apoio incondicional, a garantia de que sua condição é uma doença que pode ser tratada, e direcioná-lo para os recursos apropriados. Com isso, você pode fazer uma diferença real para seu amigo ou ente querido que está passando por este momento.

“É culpa sua”

Todos emitimos julgamentos todo o tempo, e estes julgamentos não raro são falhos, baseados nos juízos de valores pessoais, em falta de informações e de conhecimento. Desde os tempos primitivos o ser humano foi influenciado a relacionar depressão a transgressão (pecado). A depressão seria um castigo pelo homem ter infringido alguma lei dos “deuses”. Esta associação entre depressão, pecado e culpa é mais intensa nas civilizações sob influência judaico-cristã. Ainda atualmente vemos pessoas relacionando o estado depressivo ao pecado e, portanto, à culpa. Tal atitude tem consequências dramáticas, pois piora ainda mais o estado depressivo do doente, acentua ainda mais seu estado de autocobrança e baixa autoestima.

“Você vai se sentir melhor amanhã”

A depressão não é uma doença que melhora da noite para o dia. Criar essa falsa expectativa desanima mais ainda quem está deprimido. Só realmente quem já viveu um episódio depressivo sabe o quão profunda é a dor, o sofrimento e a falta de esperança na melhora da doença. Com uma abordagem médica adequada, que identifique os fatores causais envolvidos na depressão e a partir disto se construa um projeto terapêutico adequado, será possível vencer o estado depressivo, mas dentro de um determinado período de tempo. Quando, então, o deprimido começará a ver luz no final do túnel sombrio da depressão

minhavida

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Depressão no altar: quando padres e sacerdotes precisam de ajuda

No último dia 16 de novembro, o padre Rosalino Santos, de 34 anos, publicou no Facebook uma foto de quando era garoto.

Padre celebra missa de Corpus Christi na Esplanada dos Ministérios, em Brasília; como outros trabalhos, vida sacerdotal pode provocar estresse e depressão
Padre celebra missa de Corpus Christi na Esplanada dos Ministérios, em Brasília; como outros trabalhos, vida sacerdotal pode provocar estresse e depressão

Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil / BBCBrasil.com

O pároco da igreja de São Bartolomeu, em Corumbá (MS), parecia triste. Escreveu frases soltas na legenda, como “Dei o meu melhor” e “Me ilumine, Senhor”.

O que parecia ser um desabafo se tornou um bilhete de despedida. Dois dias depois, o corpo do sacerdote foi encontrado, enforcado, dentro de casa.

O suicídio do padre Rosalino não foi um caso isolado. Oito dias antes, o padre Ligivaldo dos Santos, da paróquia Senhor da Paz, em Salvador (BA), já tinha colocado ponto final em sua história. Aos 37 anos, atirou-se de um viaduto.

Doze dias depois, outro caso. Pela terceira vez em menos de 15 dias, um sacerdote encerrava a própria vida. Renildo Andrade Maia, de 31 anos, era pároco da igreja de Jesus Operário, em Contagem (MG).

“A vida religiosa não dá superpoderes aos padres. Pelo contrário. Eles são tão falíveis quanto qualquer um de nós”, diz o psicólogo Ênio Pinto, autor do livro Os Padres em Psicoterapia (editora Ideias e Letras).

“Em muitos casos, a fé pode não ser forte o suficiente para superar momentos difíceis”, afirma Pinto, que atua há 17 anos no Instituto Terapêutico Acolher, em São Paulo (SP), voltado ao atendimento psicoterápico de padres, freiras e leigos em serviço à Igreja.

Desde a fundação, em 2000, o instituto estima ter atendido cerca de 3,7 mil pacientes, com média de permanência de seis meses a um ano.

Estresse ocupacional

O eventual comportamento suicida de sacerdotes intriga clérigos e terapeutas. Para especialistas consultados pela reportagem, há vários possíveis fatores: excesso de trabalho, falta de lazer, perda da motivação.

“O grau de exigência da Igreja é muito grande. Espera-se que o padre seja, no mínimo, modelo de virtude e santidade”, afirma o psicólogo William Pereira, autor do livro Sofrimento Psíquico dos Presbíteros(editora Vozes).

'Espera-se que o padre seja, no mínimo, modelo de virtude e santidade', diz psicólogo autor de livro sobre sofrimento de sacerdotes
‘Espera-se que o padre seja, no mínimo, modelo de virtude e santidade’, diz psicólogo autor de livro sobre sofrimento de sacerdotes

Foto: Agência Brasil / BBCBrasil.com

“Qualquer deslize, por menor que seja, vira alvo de crítica e julgamento. Por medo, culpa ou vergonha, muitos preferem se matar a pedir ajuda”, diz.

Pesquisa de 2008 da Isma Brasil, organização de pesquisa e tratamento do estresse, apontou que a vida sacerdotal é uma das profissões mais estressantes.

Naquele ano, 448 entre 1,6 mil padres e freiras entrevistados (28%) se sentiam “emocionalmente exaustos”. O percentual de clérigos nessa situação era superior ao de policiais (26%), executivos (20%) e motoristas de ônibus (15%).

A psicóloga Ana Maria Rossi, que coordenou o estudo, afirma que padres diocesanos, que trabalham em paróquias, estão mais propensos a sofrer de estresse do que monges e frades que vivem reclusos.

“Um dos fatores mais estressantes da vida religiosa é a falta de privacidade. Não interessa se estão tristes, cansados ou doentes, padres têm que estar à disposição dos fieis 24 horas por dia, sete dias por semana.”

Problemas terrenos

Em 8 de janeiro de 2008, o padre José Chitumba ingressou na fazenda Santa Rosa, em Garanhuns (PE), uma das unidades do projeto Fazenda da Esperança, de recuperação de dependentes químicos em mais de 15 países.

“Quando caí em depressão virei alcoólatra, pensei em suicídio, perdi o ânimo para rezar. Passei oito meses sem celebrar missa. Achei que aquela noite não teria fim”, recorda Chitumba, de 62 anos, hoje pároco da Igreja de Santo Antônio, em Chiador (MG).

A vida sacerdotal é mais atribulada do que se costuma imaginar. Inclui celebração de batizados e casamentos, visita a doentes, sessões de confissão, aulas em universidades, presença em pastorais.

Dados de 2010 da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) ajudam a entender essa demanda: havia no Brasil naquele ano 22 mil padres para 123 milhões de católicos, uma média de um padre para cada 5,6 mil fiéis.

No Brasil há, em média, um padre para cada 5,5 mil fieis católicos; 'Sobra trabalho e falta tempo', diz diretor de casa de repouso para religiosos
No Brasil há, em média, um padre para cada 5,5 mil fieis católicos; ‘Sobra trabalho e falta tempo’, diz diretor de casa de repouso para religiosos

Foto: Agência Brasil / BBCBrasil.com

“Sobra trabalho e falta tempo. Se não tomar cuidado, o sacerdote negligencia sua espiritualidade e trabalha no piloto automático”, adverte o padre Adalto Chitolina, um dos diretores do centro Âncora, casa de repouso em Pinhais (PR) que atende padres e freiras com diagnóstico de estresse, ansiedade ou depressão.

“Ao longo de 2016, nossa taxa de ocupação foi de 100%. Em alguns meses, tivemos lista de espera”, afirma.

O padre Edson Barbosa, da paróquia Nossa Senhora das Graças, em Andradina (SP), foi um dos religiosos atendidos no centro paranaense.

Há dois anos, dormia pouco, comia mal, andava irritado. Mas o alarme soou quando começou a beber além da conta. Em julho de 2015, pediu dispensa de suas atividades paroquiais e passou três meses no centro Âncora, entre consultas médicas, palestras de nutrição e exercícios físicos.

“Não sei o que teria acontecido comigo se não tivesse dado essa parada. Demorei a perceber que não era super-herói”, afirma. Sóbrio há um ano e nove meses, o padre, de 36 anos, trocou o álcool por caminhadas e trajetos diários de bicicleta.

Preocupação na cúpula

Reitor do seminário São José de Niterói, o padre Douglas Fontes diz estar atento à saúde mental dos colegas. Em pregações, costuma alertar os futuros sacerdotes para a necessidade de cuidarem mais de si mesmos.

“Jamais amaremos ao próximo se antes não amarmos a nós mesmos. E amar a si mesmo significa levar uma vida mais saudável. Tristes, cansados ou doentes não cumpriremos a missão que Deus nos confiou.”

Padre Edson Barbosa, de Andradina (SP), buscou ajuda especializada para superar vício em alcool
Padre Edson Barbosa, de Andradina (SP), buscou ajuda especializada para superar vício em alcool

Foto: Arquivo pessoal / BBCBrasil.com

Dom Jaime Spengler, arcebispo de Porto Alegre (RS) e presidente da comissão da CNBB que se ocupa da vida dos padres, diz que sacerdotes devem pedir ajuda ao bispo de sua diocese em caso de tensão psicológica ou esgotamento físicos.

“Os padres não estão sozinhos. Fazemos parte de uma família. E nesta família cabe ao bispo desempenhar o papel de pai e, como tal, zelar pelas necessidades dos filhos”, afirma.

Outros locais do mundo também registram casos de padres com problemas psicológicos.

Uma pesquisa da Universidade de Salamanca, na Espanha, ouviu 881 sacerdotes de três países (México, Costa Rica e Porto Rico) e identificou incidência alta de transtornos relacionados à atividade.

“Três em cada cinco experimentavam graus médios ou avançados deburnout , a síndrome do esgotamento profissional”, registrou a autora da pesquisa, Helena de Mézerville, no livro O Desgaste na Vida Sacerdotal(editora Paulus).

Na Itália, o burnout é conhecido por alguns sacerdotes como a “síndrome do bom samaritano desiludido”.

Naturalmente, sacerdotes católicos não são os únicos sob risco.

“A natureza do trabalho é a mesma. Logo, estamos sujeitos aos mesmos riscos”, avalia o rabino Michel Schlesinger, da Congregação Israelita Paulista (CIP). O sheik Ahmad Mazloum, do Centro Islâmico de Foz do Iguaçu (PR), faz coro.

“É preciso satisfazer, de maneira lícita e correta, as necessidades básicas do espírito, mente e corpo. Caso contrário, estaremos sempre em perigoso desequilíbrio”, alerta.

BBC Brasil

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No Dia Mundial da Saúde, OMS alerta sobre depressão

Foto: Internete
Foto: Internete

A depressão tem tratamento e o primeiro passo é conversar sobre o assunto. Essa é a proposta da Organização Mundial da Saúde (OMS) no Dia Mundial da Saúde, lembrado hoje (7). A doença, segundo a entidade, afeta pessoas de todas as idades e estilos de vida, causa angústia e interfere na capacidade de o paciente fazer até mesmo as tarefas mais simples do dia a dia.

“No pior dos casos, a depressão pode levar ao suicídio, segunda principal causa de morte entre jovens de 15 a 29 anos”, destacou a OMS. “Ainda assim, a depressão pode ser prevenida e tratada. Uma melhor compreensão sobre o que é a doença e como ela deve ser prevenida e tratada pode ajudar a reduzir o estigma associado à condição, além de levar mais pessoas a procurar ajuda”, completou a entidade.

Números em ascensão

O número de pessoas que vivem com depressão, segundo a OMS, está aumentando – 18% entre 2005 e 2015. A estimativa é que, atualmente, mais de 300 milhões de pessoas de todas as idades sofram com a doença em todo o mundo. O órgão alertou ainda que a depressão figura como a principal causa de incapacidade laboral no planeta.

“A depressão é diferente de flutuações habituais de humor e respostas emocionais de curta duração aos desafios da vida cotidiana. Especialmente quando de longa duração e com intensidade moderada ou severa, ela pode se tornar um sério problema de saúde”, destacou a organização. Os dados mostram que quase 800 mil pessoas morrem anualmente em razão de suicídio.

Depressão no Brasil

De acordo com a OMS, cerca de 5,8% da população brasileira sofrem de depressão – um total de 11,5 milhões de casos. O índice é o maior na América Latina e o segundo maior nas Américas, atrás apenas dos Estados Unidos, que registram 5,9% da população com o transtorno e um total de 17,4 milhões de casos.

O levantamento mostra que, além do Brasil e dos Estados Unidos, países como a Ucrânia, Austrália e Estônia também registram altos índices de depressão em sua população – 6,3%, 5,9% e 5,9%, respectivamente. Entre as nações com os menores índices do transtorno estão as Ilhas Salomão (2,9%) e a Guatemala (3,7%). A prevalência na população mundial, segundo a OMS, é 4,4%.

Falhas no acesso ao tratamento

A organização também alertou que, apesar da existência de tratamentos efetivos para a depressão, menos da metade das pessoas afetadas no mundo – e, em alguns países, menos de 10% dos casos – recebe ajuda médica. As barreiras incluem falta de recursos, falta de profissionais capacitados e o estigma social associado a transtornos mentais, além de falhas no diagnóstico.

“O fardo da depressão e de outras condições envolvendo a saúde mental está em ascensão em todo o mundo”, concluiu a OMS, ao cobrar uma resposta compreensiva e coordenada para as desordens mentais por parte de todos os países-membros.

Agência Brasil

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Existe relação entre diabetes, obesidade e depressão?

obesidadedepressaoA depressão é, sem dúvida alguma, um dos males do século XXI. Somente nas últimas décadas foi documentado um aumento expressivo na quantidade de pessoas acometidas por ela. Para termos uma ideia, no Brasil estima-se por pesquisas que 10% da população já apresentou algum episódio depressivo maior em um período de um ano.

Depressão, diabetes e obesidade são três doenças com tratamento e nossos esforços são para que elas sejam identificadas de forma mais precoce possível

A obesidade, por sua vez, também é considerada um dos males deste século. A projeção mais otimista indica que em 2025 cerca de 20% da população brasileira apresentará obesidade. O diabetes não fica atrás, segundos as estimativas do Ministério da Saúde, 6,2% da população adulta brasileira é portadora da doença.

As três doenças apresentam um elo em comum: aproximadamente 30% das pessoas que procuram tratamento para emagrecer têm depressão, e quem está acima do peso tem três vezes mais chances de desenvolver depressão ao longo da vida. Além disso, pessoas com diabetes tem o dobro de chances de apresentaram depressão. E o ponto principal que poderia ligar estas três doenças seria o acúmulo de gordura.

As células de gordura e sua relação com todo o funcionamento do nosso organismo é um assunto que, ao ser estudado, tem nos ajudado a entender melhor porque muitas doenças podem acontecer em conjunto com outras.

O excesso de peso leva a um aumento da produção de insulina pelo nosso pâncreas. A partir daí, este excesso pode ocasionar o que chamamos de resistência insulínica, que é uma situação em que apesar do organismo ter uma quantidade maior de insulina, ela não funciona de forma adequada, como se ficasse mais fraca.

O ambiente gerado pelo ganho de peso e pela resistência insulínica leva a um estado de inflamação no organismo. Aqui, a célula de gordura quando está sobrecarregada (com muita gordura dentro dela) produz substâncias inflamatórias que causam o que chamamos de ambiente inflamatório. O desenvolvimento do diabetes também pode ocorrer como resultado deste processo, e o que tem se demonstrado é que a depressão também.

No entanto, há ainda inúmeros mecanismos a serem elucidados. Um deles, por exemplo, é sobre o ganho de peso. Ainda não está claro se é a depressão que leva ao ganho de peso ou se acontece o contrário. Mas a questão precisa ser encarada dos dois lados. Tanto a pessoa com depressão que procura o psiquiatra deve avaliada buscando fatores de ganho de peso e risco de diabetes como aquela pessoa que esteja em acompanhamento endocrinológico deverá ser perguntada sobre sintomas depressivos.

Sabendo disso, o mais importante é certamente a informação. Quanto mais sabemos das possibilidades, mais ficamos próximos de diagnosticar e tratar. Depressão, diabetes e obesidade são três doenças com tratamento e nossos esforços são para que elas sejam identificadas de forma mais precoce possível.

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Cientistas escoceses estudam ligação entre dor e depressão

dorA dor, sobretudo a crônica, tem aspecto emocional e se manifesta fisicamente. Assim como a depressão, a experiência afeta o pensamento, o humor e o comportamento, e, por isso, estabelece com ela uma relação íntima: a dor é deprimente, ao passo que a depressão provoca e intensifica a dor. Os mecanismos por trás desse círculo vicioso são pouco compreendidos, mas pesquisadores da Universidade de Edimburgo, na Escócia, sugerem que a dor crônica (DC) é causada pelo acúmulo de pequenos efeitos genéticos associados aos mesmos fatores de risco, genéticos e ambientais, para o distúrbio da depressão maior (DDM). A pesquisa, publicada na revista PLoS Medicine, indica também que fatores genéticos e DC em um dos cônjuges contribuem para o risco da complicação desconfortante e da DDM no parceiro.

Segundo a equipe liderada por Andrew McIntosh, a contribuição genética para a dor crônica resulta da ação integrada de diversos fatores de risco ligados aos genes, com herdabilidade de 38,4%. Os efeitos cumulativos desses elementos de vulnerabilidade genética para a DDM também aumentam a chance de DC. McIntosh considera a associação uma descoberta inesperada. “Até a data, ela não havia sido rastreada em estudos do tipo. Nossos achados sugerem que existe uma relação genética potencialmente importante”, diz.

A pesquisa foi baseada em dados de 23.960 indivíduos do estudo nacional escocês Generation Scotland: Scottish Family Health Study e também em informações fenotípicas e genotípicas de 112.151 indivíduos do United Kingdom Biobank — estudo britânico que investiga contribuições genéticas e ambientais para o desenvolvimento de doenças. Outro achado que surpreendeu a equipe foi que a análise dos dados indicou que o ambiente compartilhado com cônjuges representa 18,7% do risco para DC. As razões por trás do percentil não são claras, mas, segundo os estudiosos, é possível que esse comportamento seja aprendido ou resultado do ato de cuidar de alguém com uma doença crônica incapacitante.

Por Correio Braziliense

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Existem 17 variações genéticas ligadas ao risco de depressão

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Um estudo genômico que usou um método inovador para recrutar participantes identificou pela primeira vez 15 regiões do genoma que parecem estar associadas à depressão em indivíduos descendentes de europeus. Os resultados da pesquisa foram publicados nesta terça-feira, 2, na revista científica Nature Genetics.

“Identificar genes que afetam o risco de desenvolver uma doença é o primeiro passo para compreender a biologia da própria doença, revelando os alvos que precisamos para desenvolver novos tratamentos”, disse um dos autores do estudo, Roy Perlis, do Hospital Geral de Massachusetts (Estados Unidos).

“De maneira mais geral, encontrar os genes associados com a depressão poderá nos ajudar a esclarecer que se trata de uma doença cerebral, que esperamos que vá reduzir o estigma ao qual esse tipo de doença ainda é associada”, afirmou Perlis.

Embora já se soubesse que a depressão pode ocorrer em famílias, a maior parte dos estudos genéticos feitos até agora havia sido incapaz de identificar variantes genéticas que influenciam o risco de depressão.

Um estudo anterior havia identificado duas regiões do genoma (conjunto dos genes de uma pessoa) que podem contribuir para um maior risco de depressão em mulheres chinesas, mas as duas variantes são extremamente raras em outros grupos étnicos.

Segundo Perlis, as várias formas diferentes em que a depressão se manifesta, assim como ocorre em outros distúrbios psiquiátricos, permitem concluir que ela é provavelmente influenciada por diversos genes, com efeitos que poderiam ser sutis demais para terem sido encontrados nos estudos anteriores, relativamente pequenos.

Em vez de utilizar o método tradicional para arregimentar os participantes do estudo – que envolve procurar e inscrever possíveis participantes e depois realizar entrevistas antes de analisar o genótipo de cada indivíduo – a nova pesquisa utilizou dados coletados a partir dos clientes da 23andMe, uma empresa de testes genéticos que atua diretamente com o consumidor. Foram usados apenas os dados dos pacientes que deram consentimento.

A participação incluiu a realização de entrevistas e o fornecimento de informações completas sobre o histórico médico dos voluntários, assim como informação física e demográfica. A plataforma de pesquisa da 23andMe utiliza dados agregados sem identificação.

Para o novo estudo, os cientistas analisaram a variação genética comum, utilizando dados de mais de 300 mil indivíduos descendentes de europeus, a partir da base da 23andMe. Mais de 75 mil desses indivíduos relataram ter sido diagnosticados com depressão e mais de 230 mil não tinham histórico relatado da doença.

A análise identificou duas regiões do genoma “consideravelmente associadas ao risco de depressão”. Uma delas contém um gene pouco compreendido que é expresso no cérebro e a outra contém um gene que já foi associado anteriormente à epilepsia.

Os cientistas combinaram essas informações com os dados de um grupo de estudos menores sobre o genoma, que envolveram cerca de 9200 indivíduos com um histórico de depressão e 9500 que nunca tiveram sintomas, como grupo de controle. Eles analisaram então com mais precisão as regiões onde havia possíveis genes ligados ao risco de depressão em amostras de um outro grupo de clientes da 23andMe – com 45,8 mil pessoas com depressão e 106 mil sem a doença.

Os resultados mostraram 15 regiões genômicas, incluindo 17 locais específicos, “consideravelmente associadas com o diagnóstico de depressão”. Vários desses locais ficam próximos de genes envolvidos com o desenvolvimento cerebral.

“Os modelos com base em neurotransmissores que estamos usando para tratar a depressão já têm mais de 40 anos e nós realmente precisamos de novos alvos para tratamento. Esperamos que a descoberta desses genes nos indique os caminhos para novas estratégias de tratamento”, disse Perlis.

“Outra contribuição do nosso estudo é mostrar que os meios tradicionais para realizar estudos genéticos não são os únicos que funcionam. Utilizar grandes conjuntos de dados ou biobancos pode ser uma maneira bem mais eficiente para estudar essa e outras doenças psiquiátricas, como distúrbios de ansiedade, nos quais abordagens tradicionais também não foram bem sucedidas”, afirmou Perlis.

Estadão

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Quase metade das mulheres já teve “depressão pós-sexo”, diz estudo

depressaoEm vez de sentir prazer e satisfação, algumas mulheres podem ficar melancólicas ou até agressivas com o parceiro depois de transar. Segundo uma pesquisa, 46% delas já experimentaram a chamada “disforia pós-coito”, mais conhecida como “depressão pós-sexo”, alguma vez na vida. E 5% das entrevistadas relataram ter tido a experiência nas quatro semanas anteriores à entrevista.

O levantamento contou com 230 estudantes universitárias de diferentes etnias contatadas por e-mail por psicólogos da Universidade de Tecnologia Queensland, na Austrália. Todas elas tinham mais de 18 anos e eram sexualmente ativas.

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Segundo os pesquisadores, não houve relação entre a disforia pós-coito e o nível de intimidade com o parceiro. Estudos anteriores já mostraram que o problema é mais comum em mulheres que já sofreram algum tipo de abuso, tanto sexual como emocional, mas ainda são necessárias mais pesquisas para compreender por que o fenômeno ocorre.

 

 

doutorjairo.blogosfera.