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Paiva Netto: As graves consequências dos diversos tipos de suicídio

Ninguém está livre das influenciações espirituais inferiores, as quais, mesmo quando não se revelam num gesto tão extremado como matar-se, encerram consequências que podem configurar verdadeiro suicídio em vida.

Quantas empresas, por exemplo, são levadas à “morte”, ou seja, à falência? Quantos casais estão em conflito, arrastando em seu bojo a felicidade dos filhos? Quantos se entregam à “morte” pelos vícios da bebida, do cigarro, das drogas, que enfermam e destroem nosso veículo físico e distorcem a Alma? E as chagas do ódio, da violência doméstica, do feminicídio, da pedofilia, da efebofilia, dos estupros…? Quantos são drasticamente atingidos, arrancados do mundo por essas barbáries? E as guerras, o desmantelamento econômico de países, os conflitos étnicos de toda sorte?… E a hipnose coletiva que, pelo planeta, enceguece governantes e governados? Todos são Espíritos na carne; portanto, completamente suscetíveis de sofrer o magnetismo inferior desses “invasores de Almas”, que aqui denominamos “lobos invisíveis” ou espíritos obsessores. Contudo, em medida ainda mais vigorosa, qualquer pessoa é capaz de se tornar instrumento benfazejo sob os cuidados das Falanges Divinas, das Almas Benditas. Todos somos médiuns, conforme nos revela Allan Kardec (1804-1869). E poder nenhum é maior que o de Deus.

Reitero a importância da leitura de “Quanto à Abrangência do Templo da Boa Vontade” e “O equilíbrio como objetivo”, páginas nas quais esclareço que o mundo material não mais poderá evoluir sem o auxílio flagrante do Mundo Invisível Superior. (…)

 

Como impedir a ação dos espíritos malignos

Meus Irmãos e minhas Irmãs, que drama enfrentam, muitas vezes, nossos Anjos Guardiães a fim de nos livrar de funestas ambiências, que acabamos atraindo para dentro de nossos lares, de nossas empresas, de nossas igrejas, de nossas comunidades, de nossos países! No entanto, alguém pode dizer: “Mas, Irmão Paiva, eu tento, eu luto; contudo, não consigo afastar esses obsessores espirituais de meu caminho. No ambiente da minha empresa, pelas ruas, em minha casa, nas dos meus entes queridos, eles sempre estão lá, ou acolá, me atormentando, fazendo com que minha competência no trabalho seja abalada; minha felicidade, minha saúde, minha paz sejam postas abaixo. Já não tenho forças…”

Tem forças, sim!!! Quem lhe disse que não? Afaste de si as sugestões de fraqueza, justamente, do aqui ultradenunciado “lobo malfeitor espiritual”. E ore por ele, de maneira que a prece fervorosa toque os recônditos de sua alma, tornando-o, pela transformação do caráter, um bom sujeito. Rogue pelo apoio de seu Anjo da Guarda, ou Espírito Guia, ou Nume Tutelar — seja qual for a maneira que você denomine esses Benfeitores (ainda) Invisíveis.

Como bradava Alziro Zarur (1914-1979): “O Bem nunca será vencido pelo mal”.

 

José de Paiva Netto, jornalista, radialista e escritor.

paivanetto@lbv.org.br — www.boavontade.com

 

 

Diagnóstico precoce de Hanseníase evita consequências mais graves

O último levantamento da Organização Mundial de Saúde indicou que, apenas em 2017, foram registrados 210.671 novos casos de Hanseníase em 150 países. O Brasil ocupa a 2ª posição nesse ranking, com 26.875 registros, perdendo apenas para a Índia. Mas você sabe o que é a doença? A Hanseníase é uma infecção crônica, transmissível e que tem a capacidade de afetar um grande número de pessoas. No caso dos pacientes diagnosticados e que não fazem tratamento, as consequências podem ser mais graves. Para falar sobre assunto, conversamos com a coordenadora-geral de Hanseníase e Doenças em Eliminação do Ministério da Saúde, Carmelita Ribeiro Filha.

“Como o bacilo tem essa preferência pelo nervo periférico, uma pessoa acometida pela Hanseníase, não são todas, mas algumas desenvolvem incapacidades físicas, ou seja, tem uma mão em garra, um pé em garra, uma mão caída… Então seria muito bom, ou menos pior, se a Hanseníase fosse só essa lesão em pele, tratou, acabou. Não é. A hanseníase tem essas complicações e essa incapacidade, que é o principal motivo do estigma e de discriminação”.

Créditos:Ministério da Saúde

O importante é ficar atento aos sinais do seu corpo. Ao surgimento de qualquer mancha que tenha a perda de capacidade sensitiva de dor, calor ou frio, procure a Unidade Básica de Saúde mais próxima. Quanto mais cedo o diagnóstico, menores as chances de sequelas. A Hanseníase tem cura e o tratamento está disponível gratuitamente no SUS. Por isso, não esqueça: identificou, tratou, curou. Para mais informações acesse saúde.gov.br/hanseníase.

Créditos:Ministério da Saúde

 

agenciadoradio

 

 

 

Respirar pela boca provoca consequências à saúde da criança

O processo natural de respiração, que envolve a entrada e saída do ar pelo nariz, classificado como respiração nasal, é uma missão quase que impossível para algumas crianças. Para elas, esse fluxo ocorre pela boca, ocasionando consequências negativas à saúde. De acordo com o pediatra do Hospital Edmundo Vasconcelos, Rubens Tadeu Bonomo, o problema pode ter diferentes causas.

O hábito, classificado como respiração oral, pode ser desenvolvido por quatro motivos: infecções de repetição das amigdalas, desvio do septo, crescimento das adenoides e rinite alérgica. No primeiro caso, o médico explica que as sucessivas infecções nas amígdalas acabam aumentando o tamanho do órgão, e consequentemente, dificultando a respiração nasal.

Essa dificuldade ocorre também quando há o crescimento das adenoides, que reduz o espaço existente entre o nariz e a faringe, e em casos de rinite alérgica, que em seu estágio leve pode ter o tratamento ignorado, levando a um problema crônico, como lembra o médico.

“Em alguns casos da rinite crônica a criança pode apresentar o bruxismo- dormir apertando e rangendo os dentes, e provocando dores de cabeça, dificuldades para engolir e falar, insônia e sonolência diurna”, enfatiza Bonomo.

Mas respirar pela boca acarreta ainda outras consequências negativas à saúde dos pequenos. Segundo o médico, isso implica em receber um ar que não foi filtrado, umidificado e aquecido a temperatura ideal, e, portanto, eleva as chances da criança roncar, babar demasiadamente, desenvolver crises de apneia- parada momentânea da respiração por, pelo menos, dez segundos, e ter mais infecções de garganta, ouvido e gripes.

Os prejuízos, nos casos mais graves, são sentidos também no desenvolvimento do crânio. “Nestas situações, a respiração oral provoca um crescimento mais vertical do crânio, predispondo a formação de um palato, céu da boca, em forma de V invertido, diminuído o espaço destinado à erupção dentária, resultando no crescimento errado dos dentes e interferindo também na alimentação, deixando o ato de mastigar e engolir mais cansativo”, exemplifica o médico.

O pediatra esclarece que o diagnóstico precoce pode evitar esses problemas à saúde da criança. “Investigar e detectar a causa é primordial para designar o tratamento indicado, que na maioria das vezes envolve diferentes profissionais. Quanto mais cedo isso for feito, menor o risco de sequelas”, conclui.

HOSPITAL EDMUNDO VASCONCELOS

Localizado ao lado do Parque do Ibirapuera, em São Paulo, o Hospital Edmundo Vasconcelos atua em mais de 50 especialidades e conta com cerca de 1.000 médicos. Realiza aproximadamente 12 mil procedimentos cirúrgicos, 13 mil internações, 230 mil consultas ambulatoriais, 145 mil atendimentos de Pronto-Socorro e 1,45 milhão de exames por ano. Dentre os selos e certificações obtidos pela instituição, destaca-se a Acreditação Hospitalar Nível 3 – Excelência em Gestão, concedida pela Organização Nacional de Acreditação (ONA) e o primeiro lugar no Prêmio Melhores Empresas para Trabalhar na categoria Saúde – Hospitais, conquistado por dois anos consecutivos, 2017 e 2018.

 

Assessoria de imprensa

Hipertensão: tratamento contínuo evita consequências graves ao organismo

Com alta prevalência no Brasil, atingindo mais de 30 milhões de brasileiros, segundo o Ministério da Saúde, a hipertensão não recebe a atenção que merece diante da sua gravidade. De acordo com o cardiologista do Hospital Edmundo Vasconcelos, Lucas Velloso Dutra, muitas pessoas ainda se medicam apenas quando há o registro de aumento da pressão e ignoram o tratamento contínuo.

Essa tática, comentada pelo especialista, não traz benefícios à saúde e pode piorar o quadro do paciente. “A hipertensão, por ser uma doença crônica, deve ser tratada de forma contínua a fim de se ter um controle pleno. Apenas tratar por demanda aumenta mais as chances de desenvolver consequências graves ao organismo, como AVC e infarto”, explica.

A importância de controle da doença vai além de evitar esses dois problemas. A lista de riscos desenvolvidos pela pressão alta ainda envolve a perda de função de diferentes órgãos, como os rins. Dutra lembra que a enfermidade é um fator de risco para o surgimento de doenças arteriais periféricas, coronárias e também da insuficiência renal.

Considerada uma doença silenciosa, ou seja, sem sintomas aparentes, é preciso atenção redobrada nas formas de prevenção, que incluem acompanhamento médico, prática de atividade física, alimentação saudável, controle do diabetes, não fumar e evitar estresse.

O cardiologista aconselha também a aferição da pressão de forma rotineira, a fim de manter o controle em dia. Porém, é bom ter em mente que essa prática deve ser realizada em momentos específicos, evitando qualquer interferência. “Para a aferição ser mais precisa é importante que a pessoa esteja calma, em um lugar sem barulho”, conclui.

HOSPITAL EDMUNDO VASCONCELOS

Localizado ao lado do Parque do Ibirapuera, em São Paulo, o Hospital Edmundo Vasconcelos atua em mais de 50 especialidades e conta com cerca de 1.000 médicos. Realiza aproximadamente 12 mil procedimentos cirúrgicos, 13 mil internações, 230 mil consultas ambulatoriais, 145 mil atendimentos de Pronto-Socorro e 1,45 milhão de exames por ano. Dentre os selos e certificações obtidos pela instituição, destaca-se a Acreditação Hospitalar Nível 3 – Excelência em Gestão, concedida pela Organização Nacional de Acreditação (ONA) e o primeiro lugar no Prêmio Melhores Empresas para Trabalhar na categoria Saúde – Hospitais, conquistado por dois anos consecutivos, 2017 e 2018.

 

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Assessoria de imprensa

Palácio substituirá indicados de Veneziano esta semana; “Agora cabem consequências”, disse ministro

A Folha de São Paulo amplificou nesta terça-feira (15) uma declaração do ministro da Secretaria de Governo, Antonio Imbassahy, que afirmou que agora  virão as consequências para os parlamentares da base aliada que votaram contra o presidente Michel Temer em denúncia por corrupção passiva. Além do paraibano Veneziano do Rêgo (PB), serão retaliados Celso Pansera (RJ), Laura Carneiro (RJ) e Vitor Valim (CE).

 

De acordo com a publicação, o Palácio do Planalto fará trocas em cargos ocupados pelos apadrinhados dos deputados federais. Os cargos serão distribuídos regionalmente, ou seja, a parlamentares do centrão que votaram a favor do presidente e são dos mesmos Estados dos infiéis.

O esforço é para apaziguar os ânimos dos partidos do centrão, que ameaçam impor derrota na pauta econômica, como a medida provisória do Refis, cuja expectativa é de que gere R$ 13 milhões.

De acordo com Antonio Imbassahy, além da questão política, a votação sobre a acusação contra o peemedebista levou em consideração a “dignidade do governante”, já que, para ele, o presidente é um homem “honrado” e de “vida pública conhecida por todos”.

“Cada parlamentar teve a opção em votar a favor ou contra o presidente e a gente respeita a opção de cada um”, disse. “Cada um tomou a sua decisão e agora cabem as consequências, que virão com muita naturalidade”, disse o ministro.

Blog do Gordinho com Folha de São Paulo

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Brasil investigará outras consequências do zika em crianças

zikaO Brasil acompanhará as crianças que não nasceram com microcefalia, mas tiveram suas mães infectadas pelo vírus zika. A ação foi anunciada pelo ministro da Saúde, Ricardo Barros, nesta segunda-feira (23), na abertura 69ª Assembleia Mundial da Saúde, em Genebra, na Suíça. Serão monitorados os casos notificados no sistema de vigilância, mas descartados para microcefalia. O objetivo é verificar se existem outras consequências da infecção pelo vírus.

“Oferecemos atenção integral às crianças com microcefalia e vamos acompanhar as crianças cujas mães apresentaram infecção pelo zika durante a gestação, inclusive as que não apresentam microcefalia, para detectar o surgimento de complicações neurológicas, oculares ou auditivas”, garantiu Barros.

O próximo passo é definir quais instituições vão oferecer o acompanhamento para identificar se o vírus zika pode estar relacionado a outras consequências no desenvolvimento das crianças. Inicialmente, o Brasil deve contar com a participação da Organização Pan-Americana da Saúde (Opas/OMS).

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“Reconhecemos o papel desempenhado pela Opas e pela OMS nas ações conjuntas com o Brasil na resposta ao vírus zika, emergência de saúde pública que já está presente em 60 países, expondo 1,3 bilhão de pessoas à doença, dos quais 15% são brasileiros. Nos próximos dias, teremos oportunidades de debater e seguir compartilhando as informações sobre a resposta a essa emergência”, ponderou o ministro.

Além de apontar as ações implementadas no País contra o Aedes aegypti, como o fortalecimento da vigilância em saúde e o estímulo ao desenvolvimento de novas tecnologias para controle de vetores, o ministro tratou de tranquilizar as demais nações no que diz respeito às medidas de segurança na área da saúde a serem executadas nas Olimpíadas.

Em sua fala, Barros mostrou um gráfico com a baixa incidência da transmissão de dengue e outras doenças transmitidas pelo Aedes no período da competição no Rio de Janeiro (RJ). “Tomamos medidas específicas de controle vetorial que me permite reafirmar que os Jogos Olímpicos transcorrerão de maneira segura para a família olímpica e todos os visitantes”, finalizou.

No evento técnico “Dengue: reafirmando o diálogo”, o Brasil, um dos apoiadores do encontro, apresentou os resultados da mobilização contra o Aedes aegypti e as novas tecnologias de combate ao mosquito.  

Alimentação saudável

Durante o discurso, o ministro também abordou outras medidas que o Brasil está adotando para atingir as metas da Agenda 2030 para Desenvolvimento Sustentável, pactuada em substituição aos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio. Uma das ações defendidas é o incentivo à alimentação e ao estilo de vida saudável.

“Precisamos de ações inovadoras nesse campo que aumentem a efetividade da prevenção e promoção da saúde. Neste sentido, acabo de firmar um compromisso para que todos os alimentos oferecidos nos eventos realizados por instituições públicas federais sejam saudáveis”, afirmou Barros.

O ministro também ressaltou os avanços do Brasil em relação às doenças transmissíveis como HIV, DSTs e hepatites virais. Outro ponto destacado foi o combate ao tabagismo, com a regulamentação da Lei Antifumo, que proíbe o consumo de cigarros em ambientes fechados e restringe a propaganda dos produtos, bem como o empenho no aperfeiçoamento e implementação de políticas para enfrentar problemas relacionados aos acidentes de trânsito e a preparação do sistema de saúde para o processo de envelhecimento da população.

Assembleia mundial

O evento, realizado anualmente pela Organização Mundial da Saúde (OMS), reúne 194 países-membros e tem como objetivo estabelecer metas conjuntas, diretrizes e acordos nas mais variadas áreas da saúde. Além do evento principal, a assembleia contará com reuniões bilaterais e multilaterais, bem como eventos paralelos.

Ministério da Saúde

Infantolatria: as consequências de deixar a criança ser o centro da família

Getty Images
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As atividades da família são definidas em função dos filhos, assim como o cardápio de qualquer refeição. As músicas ouvidas no carro e os programas assistidos na televisão precisam acompanhar o gosto dos pequenos, nunca dos adultos. Em resumo, são as crianças que comandam o que acontece e o que deixa de acontecer em casa. Quando isso acontece e elas já têm mais de dois anos de idade, é hora de acender uma luz de alerta. Eis aí um caso de infantolatria.

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“O processo de mudança nos conceitos de família iniciado no século 18 por Jean-Jacques Rousseau [filósofo suíço, um dos principais nomes do Iluminismo] chegou ao século 20 com a ‘religião da maternidade’, em que o bebê é um deus e a mãe, uma santa. Instituiu-se o que é uma boa mãe sob a crença de que ela é responsável e culpada por tudo que acontece na vida do filho, tudo que ele faz e fará. Muitos afirmam que a mulher venceu, pois emancipou-se e foi para o mercado de trabalho, mas não: é a criança que entra no século 21 como a vitoriosa. Esta é a semente da infantolatria”, explica a psicanalista Marcia Neder, pesquisadora do Núcleo de Pesquisa de Psicanálise e Educação da Universidade de São Paulo (Nuppe-USP) e autora do livro “Déspotas Mirins – O Poder nas Novas Famílias”, da editora Zagodoni.

Em poucas palavras, Marcia define infantolatria como “a instituição da mãe como súdita do filho e o adulto se colocando absolutamente disponível para a criança”. E exime os pequenos de qualquer responsabilidade sobre o quadro: “Um bebê não tem poder para determinar como será a dinâmica familiar. Se isso acontece, é porque os pais promovem”.

Reinado curto

A verdade é que existe um período em que os filhos podem reinar na família, mas ele é curto. “Quando o bebê nasce e chega em casa, precisa ser colocado no centro das ações, pois precisa ser decifrado, entendido. Ele deve perder o trono no final do primeiro, no máximo ao longo do segundo ano de vida, para entender que existe o outro, com necessidades e vontades diferentes das dele”, esclarece Vera Blondina Zimmermann, psicóloga do Centro de Referência da Infância e Adolescência da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp).

A infantolatria ganha espaço quando os pais não sabem ou não conseguem fazer essa adequação da criança à realidade que a cerca e a mantêm no centro das atenções por tempo indefinido. “Em uma família com relacionamento saudável, o filho entra e tem que ser adaptado à dinâmica da casa, à rotina dos adultos”, afirma a psicóloga.

Segurança ou insegurança?

Na casa da analista contábil Paula Torres, é ao redor de Luigi, de cinco anos, que tudo acontece. Entre os privilégios do garoto estão definir o canal em que a TV fica ligada e o dia do fim de semana em que será servida pizza no jantar. “Acho importante a criança se sentir amada e saber que suas vontades são relevantes para a família”, opina.

Ela conta que seu marido, o também analista contábil Luiz André Torres, não gosta muito disso e constantemente reclama que o filho é mimado demais. “Mas bato o pé e defendo essa proteção. Quando o Luigi crescer, será mais seguro para lidar com os adultos, já que suas opiniões são levadas em consideração pelos adultos com quem ele convive desde já”, acredita.

Não é o que as especialistas dizem. “Se o filho fica no nível dos pais, acaba criando para si uma falsa sensação de poder e autonomia que, em um momento mais adiante, se traduzirá em uma profunda insegurança. Ele sentirá a falta de uma referência forte de segurança de um adulto em sua formação”, explica Vera.

“Em uma família com relacionamento saudável, o filho entra e tem que ser adaptado à dinâmica da casa, à rotina dos adultos”

Marcia diz ainda que, ao chegar à idade adulta, esse filho cobrará os pais. “Ele olhará ao redor e verá outras pessoas se realizando independentemente dele. A criança que acha que o mundo tem que parar para ela passar não consegue imaginar isso acontecendo e não está preparada para lidar com a mínima das frustrações. Em algum ponto, acusará os pais de terem sido omissos”.

Para Vera, supervalorizar os pequenos e nivelá-los aos adultos “é o resultado de uma projeção narcísica dos pais nos filhos, que se veem nas qualidades que enxergam em suas crianças”. Marcia concorda: “Isso tudo tem a ver com a vaidade da mãe, que considera aquele filho uma parte melhorada dela própria e, por isso, a criatura mais importante do mundo”.

Os alertas do dia a dia

Muitas vezes, os pais não se dão conta de que estão tratando os filhos como reis ou rainhas, então precisam levar uns chacoalhões da realidade fora de suas casas. “Eles geralmente caem em si quando começa a sociabilização. A escola reclama porque o aluno não respeita as regras, a criança tem dificuldade para fazer amiguinhos porque as outras, com autoestima positiva, não querem ficar perto de alguém que ache que manda em todos”, aponta Vera.

“Em um futuro bem imediato, as reações dos colegas podem fazer a criança perceber que precisa mudar. Ela se comportará com eles como faz com a família e receberá a não-aceitação como resposta. Terá de lidar com isso para ter amigos”, afirma Marcia.

Mesmo assim, ela ainda correrá o risco de não conseguir rever seus comportamentos devido a uma superproteção parental, adverte Vera: “Em alguns casos dá para ela se salvar, mas muitos pais preferem culpar o ‘mundo injusto com seu filho perfeito’, o que impede que ela entenda as necessidades dos outros e reforça seus problemas de inadequação para a adaptação social”.

E como fica o casal?

Além de todas as complicações causadas pela infantolatria na vida dos filhos, ela prejudica – e muito – o casal que a promove. “Na relação saudável, o casal continua sendo o mais importante na família mesmo com a chegada da criança. Se os pais mantêm o filho no centro por mais tempo do que o necessário, acabarão se afastando”, alerta Vera.

“Some o casal. O ‘marido’ e a ‘mulher’ passam a ser o ‘pai’ e a ‘mãe’. E se em uma casa a mãe é a santa e o filho é o deus, onde fica o espaço do pai?”, questiona Marcia. “Muitos tentam entrar, reconquistar seu espaço, mas outros simplesmente caem fora”, constata.

O futuro da infantolatria

Sabendo disso tudo, os pais têm condições de se preparar para evitar os estragos na criação dos filhos. Marcia conta que percebe que as pessoas têm encontrado em sua análise uma saída para a tirania infantil.

“Não sou adivinha, mas creio que o novo arranjo familiar, em que os pais também assumem funções na criação dos filhos e as mães seguem carreiras por prazer, vá ajudar a mudar o panorama, assim como os arranjos homoparentais que começam a ser mais comuns”, diz, para complementar: “Creio que todos os comportamentos continuarão existindo, mas temos a obrigação de trabalhar para reverter esse quadro. O filho não é o centro porque quer, mas porque o adulto permite”.

Vera enxerga o futuro da situação de forma um pouco diferente. “Nossa sociedade é muito apressada e, no geral, não dá espaço para a preocupação com o outro. Isso tende a potencializar esse tipo de problema, a naturalizar para a criança o fato de que ela é o que mais importa, como aprendeu em casa com o comportamento dos pais em relação a ela”, finaliza.

 

iG

Cigarro traz consequências graves à aparência dos fumantes

cigarroAlém de ser responsável por graves doenças respiratórias, cardiovasculares e câncer, o cigarro também causa danos à beleza. Pele envelhecida precocemente, queda de cabelo, linhas de expressão ao redor dos lábios, mau hálito, dentes, unhas e pontas dos dedos amarelados são sinais visíveis que aparecem no corpo e no rosto daqueles que passam anos de suas vidas ingerindo as substâncias tóxicas do tabaco. Entre os componentes do cigarro, podemos destacar dois grandes vilões: a nicotina, causadora de dependência física e psíquica, e o alcatrão, que contém substâncias cancerígenas.

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Quem não quiser estragar a saúde e deseja manter sempre uma aparência jovial, deve ficar bem longe do cigarro. Para as mulheres que fumam o prognóstico não é nada bom. Nelas, as consequências são notadas mais rapidamente devido à flacidez da pele.

Os especialistas explicam que o fumo afeta a quantidade de vitaminas antioxidantes naturais presentes na pele. Isso diminui a resistência da pele aos radicais livres, afetando a produção de colágeno, provocando a flacidez. Até mesmo a cicatrização da pele após cirurgia fica mais complicada para quem fuma, alertam os cirurgiões plásticos.

Os cabelos e o couro cabeludo também são atingidos pelo uso do cigarro. As pessoas que fumam sofrem mais com a queda de cabelo e com a descamação do couro cabeludo. Além disso, os cabelos brancos podem surgir mais cedo em decorrência do fumo. As unhas e dedos ficam com a tonalidade amarelada devido à má circulação sanguínea, enquanto os dentes tendem a ficar escuros e manchados.

Ou seja, o impacto causado pelo cigarro é devastador. O bom é saber que todas essas consequências podem ser evitadas com uma só atitude: apagar o cigarro para sempre.

Processo doloroso

Mas parar de fumar não é fácil. Que o diga a servidora pública Rita de Cássia Luna, 66 anos, moradora do Geisel, e cliente da Unimed João Pessoa. Ela contou que começou a fumar muito cedo por influência das amigas e só parou há dois anos quando o médico sentenciou: “ou deixa o cigarro ou morre.

Segundo Cássia Luna, foi um processo muito difícil, doloroso, mas hoje ela sente na pele e no ar o bem que fez ao acatar a determinação de seu médico cardiologista. “Respiro muito melhor, fico menos cansada. Também senti melhora na minha pele, no cabelo e até no meu cheiro. Lutei muito para largar o vício, mas foi a decisão certa, pois, caso contrário, hoje eu estaria morta”, disse.

Lei Antifumo

Não são só a vontade, a persistência e a perseverança que fazem o fumante parar. Nos últimos anos, os programas públicos de controle do tabagismo têm contribuído para a redução do consumo do cigarro no País. Para proteger ainda mais a saúde da população e fechar o cerco contra o tabagismo, entrou em vigor em dezembro do ano passado a lei federal 12.546, a Lei Antifumo, com regras que proíbem o uso de cigarros em recintos fechados públicos ou privados em todo o território nacional.

Como forma de conscientizar a população no sentido de cobrar o cumprimento da lei que protege o não fumante, o Comitê de Tabagismo da Associação Médica da Paraíba (AMPB), que é formado pela Unimed João Pessoa e outras instituições, promoverá uma série de atividades nesta quinta (29) e na sexta-feira (30) em João Pessoa.

Na quinta-feira à tarde, um grafiteiro fará a pintura da logomarca da campanha no muro da Secretaria Municipal de Saúde e no Terminal Rodoviário de Integração, no Varadouro. Já na sexta-feira, as atividades serão realizadas na Praça Vidal de Negreiros, o Ponto de Cem Réis, das 8h às 12h, com uma programação extensa que inclui distribuição de material educativo, contendo informações sobre os maléficos do cigarro à saúde.

Essa campanha da lei Antifumo foi desenvolvida pela ONG Aliança de Controle do Tabagismo e Saúde (ACT) para ser divulgada nacionalmente.

Pesquisa animadora

Fumar é um vício que afeta milhares de pessoas e mata cerca de 200 mil por ano no Brasil, segundo o Instituto Nacional de Câncer (Inca). Dentro desse universo de mortes causadas pelo cigarro surgiu um fato animador em dezembro do ano passado. Pesquisa divulgada pelo Ministério da Saúde em parceria com Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) revela que o índice de pessoas que consomem cigarros e outros produtos derivados do tabaco é 20,5% menor que o registrado cinco anos atrás.

Essa pesquisa reflete uma nova mentalidade da população em relação ao cigarro que pode ser atribuída ao desenvolvimento de campanhas educativas e programas para livrar as pessoas desse mal.

“A sociedade brasileira, ao longo dos últimos anos, vem absorvendo uma nova mentalidade em relação ao cigarro, em que fumar passou de charmoso e elegante a uma atitude nociva e antissocial”, afirmou o médico pneumologista Sebastião Costa, que está à frente das ações que serão realizados nesta quinta e sexta-feira para divulgar a Lei Antifumo na capital paraibana. Médico cooperado da Unimed JP, Sebastião Costa é presidente do Comitê de Tabagismo da AMPB a e coordenador da Comissão de Tabagismo da Sociedade Paraibana de Pneumologia e Tisiologia (SPPT)

Benefícios

Os benefícios obtidos ao se parar de fumar são muitos e já podem ser observados nos primeiros minutos sem o cigarro. Confira abaixo alguns benefícios listados pelo Ministério da Saúde.

– Após 20 minutos sem fumar, a pressão sanguínea e a pulsação voltam ao normal;

– Após 2 horas, não há mais nicotina no sangue;

– Após 8 horas o nível de oxigênio no sangue se normaliza;

– Após 2 dias sem fumar, o cheiro e o sabor dos alimentos olfato percebe melhor os cheiros o paladar já degusta a comida melhor;

– Após 3 semanas, a respiração fica mais fácil e a circulação melhora;

– De 5 a 10 anos o risco de sofrer infarto pode ser comparado ao de pessoas que nunca fumaram.

Assessoria

Obesidade: as consequências do preconceito

atrizNas últimas semanas, ganhou destaque na novela Amor à Vida, da Rede Globo de Televisão, o preconceito contra as pessoas gordas. A personagem Perséfone, uma enfermeira vivida pela atriz Fabiana Karla, teve que enfrentar uma maratona de insultos, apelidos e desaforos para ficar com seu noivo, um homem bonito e magro.

Na vida real, muitos homens e mulheres, crianças, adolescentes e pessoas de mais idade também sofrem o mesmo tormento que a personagem e motivados por isso buscam medidas extremas de emagrecimento, que vão de dietas com pouquíssimas calorias, consumo de remédios para reduzir o apetite à exacerbação nos exercícios físicos. As consequências disso são problemas físicos, como úlceras, gastrite, refluxo esofágico, apneia do sono e também psicológicos, como depressão e reclusão, que muitas vezes acompanham as pessoas pelo resto da vida.

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O psiquiatra Fábio Gomes de Matos, coordenador do Centro de Tratamento de Transtorno Alimentar (Cetrata), que funciona em Fortaleza, Ceará, no Hospital Universitário Walter Cantídio, explica que um dos primeiros pontos é o estigma que se tem com as pessoas obesas e o tratamento de desdém dado a elas.

“O obeso sofre bullying social, desde sempre ele recebe apelidos ofensivos. Essas pessoas não se sentem com atrativos físicos, muitas usam roupas frouxas, querem esconder o corpo. A partir daí, surge a depressão, a ansiedade e o uso da comida como forma de compensação, fazendo com que a pessoa entre em um círculo vicioso, pois ela come, fica deprimida, come mais porque se sente gorda e porque não deveria ter comido, e por aí vai”, explica.

O psiquiatra lembra que hoje a oferta de comida é exagerada e que não é preciso pagar muito para comer carne, pizza e sorvete à vontade em alguns restaurantes, fazendo assim com que as pessoas consumam mais calorias do gastam.

“O reflexo disso é que 51% da população brasileira está acima do peso e 19% está obesa e ao mesmo tempo em que a sociedade induz as pessoas a serem obesas exige que sejam magras e estejam dentro de um padrão”, critica.

A professora de educação infantil, Soraia Nascimento, decidiu, aos 98 quilos, fazer a intervenção mais procurada pelos obesos, a cirurgia bariátrica, mais conhecida como ‘redução do estômago’. Ela conta que começou a engordar depois da primeira gestação e que seu principal motivo foi a saúde, mas a estética, claro, também pesou.

“Eu me sentia uma gordinha bem resolvida, não sofri muito preconceito, meu marido também não se incomodava com isso. Eu só ficava triste quando tinha que comprar roupas e não tinha meu número ou quando precisava alugar algum vestido para festa e só tinha coisa grande e feia. Aí, quando ficava triste e ansiosa, a tendência era comer mais. Mas eu nunca me privei de fazer nada por ser gorda”, contou.

Antes de decidir pela cirurgia a professora disse que fez todo tipo de dieta que se possa imaginar. “Teve uma época até que eu viajava para Mossoró para me consultar com um médico que me tratava com remédios controlados, eu até perdi muito, foram 22 quilos, mas quando parei com os remédios voltei a engordar e cheguei à conclusão de que nada dava certo”.

Depois disso, sentindo o peso das doenças que a obesidade traz consigo, sobretudo hipertensão e diabetes, a professora decidiu entrar na fila da cirurgia bariátrica no serviço público, mas anos se passaram sem que ela fosse chamada e a oportunidade apareceu quando seu esposo mudou de emprego e o plano de saúde possibilitou. Hoje, com 35 quilos a menos, ela diz que sente muito bem, mas que também estaria assim se ainda estivesse gordinha.

 

Adital

As consequências antidemocráticas da concentração de riqueza

riquezaUma das características da situação dos dois lados do Atlântico Norte foi o enorme crescimento das desigualdades, com uma grande concentração dos rendimentos e da propriedade, unida à grande deterioração das instituições democráticas, causada por esta concentração. As instituições políticas dos países estão muito influenciadas por poderes financeiros e econômicos e pelos setores com maior riqueza, que induzem as intervenções públicas a favorecer os interesses destes poderes e setores à custa dos da maioria da população.

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Isto está a criar uma perda de legitimidade e de apoio popular às instituições chamadas representativas, junto com a diluição da confiança que a cidadania tinha no poder do Estado (dirigido pelas autoridades políticas) para garantir um progresso do desenvolvimento económico do país, de tal maneira que as gerações novas vivessem melhor que as anteriores. Esta esperança desapareceu. Na realidade, grandes setores da população, que nalguns países chegam à maioria, são conscientes de que “os filhos não viverão melhor do que os seus pais”. Este sentimento ficou muito bem refletido nas declarações do candidato, mais tarde presidente de França, François Hollande, expressadas durante a campanha eleitoral naquele país. “Até há pouco – disse Hollande – todos tínhamos a convicção de que os nossos filhos teriam melhores vidas que nós. Já não é assim. Esta convicção, que respondia a uma realidade, está a desaparecer”. Esta situação é paradoxal, pois a riqueza dos países (incluindo a França) continua a crescer, na medida em que cresce a sua economia, realidade que só se interrompeu recentemente com a Grande Recessão. Mas esta convicção (e realidade que a sustenta) já existia antes da recessão, ainda que se tenha acentuado mais com a crise atual.

Como é possível que a sociedade seja mais rica e que, em contrapartida, os filhos vão viver pior que os seus pais?

A resposta a esta pergunta é que o crescimento econômico se distribui muito desigualmente, concentrando-se nos rendimentos superiores, como resultado das políticas públicas que se aplicaram na maioria dos países do Atlântico Norte. Estas políticas foram iniciadas pelo presidente Reagan nos EUA e pela Sra. Thatcher na Grã-Bretanha, na década de oitenta do passado século.

No seu artigo “The Rich get Richer. Neo-liberalism and Soaring Inequality in the United States” na revista de economia norte-americana Challenge (março-abril de 2013), o autor, Tim Koechlin, detalha a grande concentração dos rendimentos e da riqueza nos EUA como consequência da aplicação destas políticas. Em 1979, os 1% da população com maiores rendimentos (os super ricos) ganhavam 9% de todo o rendimento dos Estados Unidos. Em 2007, esta percentagem aumentou para 24%, a mais elevada registada desde 1920, quando se iniciou a Grande Depressão nos EUA.

De onde procede esta concentração dos rendimentos e da riqueza? A resposta reside na má distribuição da riqueza criada pelo mundo do trabalho. Os dados mostram-no claramente. A produtividade do trabalhador durante o período 1973-2008 praticamente duplicou. Isto é, um trabalhador produzia por hora quase mais duas vezes em 2008 do que o que produzia em 1973. O seu salário, no entanto, cresceu só 10% durante o mesmo período. Mas os diretores das grandes empresas viram crescer os seus rendimentos desmesuradamente. Enquanto o CEO (Chief Executive Officer) de uma grande empresa recebia em 1973 22 vezes mais que o trabalhador médio da sua empresa, em 2008 esta relação subiu para 231 vezes (segundo Lawrence Mishel, The State of Working America. A report of the Economic Policy Institute. 2012, table 4.33).

Uma situação ainda mais acentuada ocorre quanto à distribuição dos elementos da propriedade que geram renda (tais como terras, ações, bónus, etc.). Entre 1983 e 2010, os 5% da população com maior propriedade viram-na crescer 83%, enquanto os 80% de toda a população (a grande maioria da cidadania) viam descer a sua propriedade em 3,2%. Em consequência, os 1% da população com maior riqueza, que tinham 20% de toda a riqueza em 1971, passaram a ter 35% em 2007. Os 10% dos super ricos em 2007 tinham 73% de toda a riqueza, enquanto os 40% das famílias (as classes populares) tinham só 4,2% de toda a propriedade. A concentração da riqueza atingia níveis ainda mais exuberantes em alguns tipos de propriedade. Assim, os 10% da população tinham 98,5% de todos os valores financeiros (ações e outros títulos de crédito), enquanto os 90% restantes tinham só 1,5%.

A concentração de poder económico e financeiro enfraquece enormemente a democracia, até o ponto de eliminá-la em muitos países

Esta enorme concentração dos rendimentos e da riqueza dificulta e impede o desenvolvimento democrático de um país, pois os sectores ricos e super ricos da população exercem uma enorme influência, poderia dizer-se controlo, sobre os aparelhos dos seus Estados e os seus ramos executivos, legislativas e judiciais. Mais, estes grupos e setores desenvolvem as suas próprias redes, associações e conferências (nas quais são incorporados dirigentes políticos de todas as sensibilidades políticas), promovendo as suas ideologias, que coesionam e defendem os seus interesses, apresentando-os como os únicos aceitáveis ou respeitáveis, e as suas políticas (que favorecem os seus interesses) como as únicas possíveis.

As alianças destas elites desempenham um papel chave nas realidades políticas. O casamento entre os super ricos e ricos, por um lado, e os políticos conservadores e liberais (e de uma maneira crescente algumas personagens da social-democracia), pelo outro, é uma constante nos sistemas políticos, fonte de contínua corrupção. Há múltiplos exemplos disso. A influência da família que governa um sistema quase feudal, o Qatar, nas instituições políticas europeias não é menor. O presidente Nicolas Sarkozy deu amplas vantagens fiscais aos interesses dessa família, que lhe subvencionou as campanhas eleitorais e mais tarde as suas atividades pós-presidenciais. Tony Blair é um dos assessores melhor pagos do J.P. Morgan (e é frequentemente convidado por fundações e grupos de reflexão para dar lições sobre o futuro da social-democracia). E estou a escrever estas linhas no mesmo dia em que o Sr. Giuliano Amato foi proposto como Presidente da Itália pelo Partido Democrático da Esquerda italiana, sendo esse político um assessor bem pago do Deutsche Bank. Em Espanha, a lista de Presidentes, Ministros e autoridades políticas dos partidos maioritários em grandes empresas e nas suas CEO (Endesa, Telefónica, Repsol, etc.) é enorme. Não é casualidade que o preço da eletricidade e das chamadas telefónicas, bem como o do petróleo, sejam dos mais caros da UE. Esta cumplicidade entre os grupos financeiros e económicos e a classe política dominante é a característica destes tempos. A imunidade da banca, com os seus conhecidos paraísos fiscais, baseia-se precisamente nesta cumplicidade.

Não é preciso dizer que há muitos políticos que não fazem parte desta engrenagem de cumplicidades. Mas as elites dirigentes estão sim plenamente entrelaçadas com interesses fáticos que configuram em grande maneira as suas políticas públicas. Daí que a grande maioria destes super ricos e ricos não pague impostos, ou pague muito menos em termos proporcionais, que o cidadão normal e corrente, coisa que é feita até com a lei na sua mão, sem precisar de comportamentos ilegais (sem excluir, no entanto, estas práticas, que estão também generalizadas).

Este sistema está em profunda crise. O casamento do poder financeiro-econômico com o poder político é o eixo do descrédito das instituições chamadas democráticas, que tem a sua origem (causa e consequência) nas enormes desigualdades. A excessiva proximidade entre a classe política dominante e as classes sociais dominantes (as elites financeiras e empresariais e os sectores afins de rendimentos superiores) mostra-se com toda a clareza na distância existente entre as elites dirigentes e as suas políticas públicas, por um lado, e as classes populares, que constituem a maioria da população, pelo outro. Estas últimas desejam políticas diferentes e opostas às que as primeiras estão a promover e implementar. Existem múltiplos exemplos disso. A grande maioria das populações do Atlântico Norte consideram que 1) os rendimentos do capital deveriam ser taxados na mesma proporção que os rendimentos do trabalho, sem que isso tenha sido aceito pelos governos; 2) a fiscalidade deveria ser progressiva, de maneira que os super ricos e ricos pagassem (na realidade, e não só nominalmente) em impostos tantas vezes mais do que o cidadão normal e corrente paga quanto seja a diferença de rendimentos e propriedade entre os super ricos e ricos, e o cidadão normal e corrente; 3) dever-se-iam eliminar os paraísos fiscais; 4) dever-se-ia estabelecer um máximo de riqueza e de nível de rendimentos, como mecanismo de redução das desigualdades; 5) dever-se-iam reduzir as desigualdades que (os 78% de cidadãos como média da UE) consideram excessivas; 6) dever-se-ia eliminar a influência do dinheiro nas campanhas políticas e na solvência dos partidos políticos; 7) dever-se-ia romper o casamento entre instituições financeiras e empresariais e o mundo político; 8 ) um político não deveria poder trabalhar no setor que regulava ou vigiava na administração pública, nos primeiros cinco anos após deixar o cargo; 9) o Estado deveria intervir no setor financeiro para garantir a disponibilidade do crédito a famílias, indivíduos e médias e pequenas empresas; 10) deveria haver um salário mínimo que permita uma vida decente e que aumente de acordo com o aumento dos preços; 11) dever-se-iam garantir os serviços públicos do Estado de Bem-estar, evitando a sua privatização; e assim um longo etcétera. Nenhuma destas políticas está a ser levada a cabo nestes países. E, a nível macroeconómico, a maioria da cidadania deseja o fim das políticas de austeridade e quer políticas de expansão dirigidas a criar pleno emprego. O facto de que não se realize cada um destes pontos deve-se à excessiva influência que os grupos que concentram os rendimentos e a riqueza têm sobre o Estado. E aqui está o problema da democracia. Frente a esta realidade, limitar o debate à reforma política sobre se devem ou não haver listas abertas, parece-me muito, mas muito insuficiente.

 

 

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