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Em discurso de Páscoa, Papa expressa preocupação com conflitos no Iêmen e Síria e diz que reza pela paz na África

papaDurante a bênção de Páscoa, o papa Francisco elogiou neste domingo (5) o acordo nuclear com o Irã e expressou sua profunda preocupação com os conflitos no Iêmen, Síria, Iraque, Nigéria e em outras localidades da África.

Em discurso da Praça de São Pedro, logo após a realização de uma missa, o líder da Igreja Católica fez seu primeiro comentário sobre o recente acordo firmado na Suíça, que visa garantir que o Irã não produzirá armas nucleares.

Segundo ele, esse pode ter sido um passo definitivo para um mundo mais seguro e fraternal.

O pontífice falou ainda no “derramamento de sangue absurdo” e de todos os atos bárbaros de violência na Líbia e desejou a paz no Iêmen, assolado pela guerra civil.

O papa Francisco disse que reza pelo fim dos conflitos na Síria e Iraque e para que a paz tome conta da África — Nigéria, Sudão do Sul e Congo.

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Na missa de vigília pascal, ele administrou o sacramento a uma menina cambojana de 13 anos de idade e a nove adultos, incluindo uma mulher de 66 anos do Quênia, país onde os militantes islâmicos do al Shabaab mataram 148 pessoas em uma universidade, aparentemente destacando cristãos e deixando alguns muçulmanos escaparem.

O significado Páscoa

Em sua homilia, Francisco orientou os católicos a aprender a “entrar no mistério” da Páscoa, a comemoração da crença cristã de que Jesus ressuscitou dos mortos três dias depois de sua crucificação.

“Entrar no mistério significa ir além de nossa zona de conforto, para além da preguiça e indiferença que nos seguram, e sair em busca da verdade, da beleza e do amor”, disse o papa.

“É a busca por um significado mais profundo, uma resposta — que não é fácil — para as questões que desafiam a nossa fé, a nossa fidelidade e nossa própria existência”, completou.

(Com informações da Reuters e da Associated Press)

Brasil Post

Mulherices e ogrices: como lidar com os conflitos de gênero na vida a dois

Cerca de 70% dos conflitos de casal se referem a conflitos de gênero. Eles têm a ver com nossos defeitos de gênero, que em meu livro A Equação do Casamento denominei ogrices e mulherices, ou seja, defeitos típicos de homens e de mulheres.

Embora em certos casos as coisas possam ocorrer de modo invertido, com mulheres praticando algumas ogrices, e homens fazendo mulherices, a maioria dos casais (cerca de 80%) tem reclamações clássicas.

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Ela se queixa de que ele:

 

  • Não se comunica
  • Foge dos problemas
  • Não a elogia (a não ser sexualmente)
  • É insensível
  • É esquecido
  • Não se dedica à relação
  • Só brinca com os filhos (e deixa o trabalho duro de educar para ela)
  • Acha tudo fácil (porque não é ele que tem de cuidar dos detalhes do dia a dia)
  • Não cuida do asseio
  • Não lava as mãos
  • Não limpa os pés (antes de entrar no quarto do nenê)
  • Devia se vestir melhor

 

Ele se queixa de que ela:

 

  • É encrenqueira, reclamona e carente
  • Dá bronca nele porque ele disse o que não devia (ou porque não falou o que devia falar)
  • Se estressa à toa
  • Está sempre insatisfeita
  • É dramática demais
  • Gosta de discutir e briga
  • É sexualmente chata, não se solta na cama (e nunca quer quando ele quer)
  • Não pode vê-lo relaxar um momento e logo precisa incumbi-lo com tarefas domésticas (e reclama se ele não atende logo)

 

Thinkstock/Getty Images

Diferenças e discussões: é possível mudar o padrão de comportamento pelo bem da relação

No artigo de hoje falaremos de quatro importantes mulherices. No próximo, de outras mulherices e depois, é claro, das ogrices que talvez o seu parceiro tenha. E também discutiremos como vocês podem lidar com os defeitos de gênero do cônjuge e corrigir os seus próprios. Então mãos à obra.

O primeiro passo é você perceber se você tem algum desses defeitos femininos listados abaixo. Eles são em grande parte aprendidos e podem ser mudados. E vale a pena fazê-lo.

1. Vitimização

Muitas mulheres tendem a valorizar o sofrimento. O discurso dramático segue um script milenar de uma subcultura feminina, traçando uma narrativa épica de sofrimentos femininos nos corpos e almas. Corpos que sofrem cólicas menstruais, dores da gravidez, consequências de constantes alterações hormonais, enxaquecas, mutilações e privações devido à pressão social ou para manterem-se belas ou recatadas. Almas aviltadas durante milênios por um patriarcado cruel, submetidas a sobrecargas, injustiças, maus-tratos, insensibilidades masculinas. O estilo de tantas mulheres de se enxergar como vítimas, e de interpretar e relatar as coisas dessa maneira, se impregna nas famílias, na mídia e na cultura em geral.

Entretanto, a realidade mudou, e parte desse discurso perdeu o sentido. Daí, quando muitas mulheres ainda hoje, mesmo diante de episódios banais, dramatizam desmesuradamente o ocorrido e empregam palavras que as colocam como vítimas, os maridos se assustam ou se indignam.

Juliana não diz “Ontem tive uma dor de cabeça e tomei um remédio”, mas “Ontem passei muito mal e tive de aguentar tudo sozinha!”.

Helena não diz “Fiquei chateada com meu marido porque ele foi ríspido e impaciente comigo”, mas “Fui tãããão maltratada”.

Marcela não diz: “O casamento me trouxe algumas frustrações”, mas “O que sofri nas mãos desse homem e o que tive de aguentar, só eu sei”.

Pode servir de desabafo ou de chantagem emocional, mas em essência é um tiro no pé da mulher. Ela acaba por acreditar no próprio discurso e se posiciona como uma vítima sofrida, magoada, em vez de dar a correta proporção às coisas, assumir sua parte nos problemas e construir soluções.

Aos maridos, esse estilo causa estranheza e desconforto. Estas mulheres deixam nas entrelinhas uma acusação eterna que os responsabiliza até pela dor de cabeça delas e, ao mesmo tempo, pedem a ajuda dele em algo que ele não entende o que é.

2. Fôlego para encrencas e brigas intensas

André está mais uma vez escutando uma cascata de queixas e acusações de Juliana, entremeadas de choro e frases bombásticas. Assombrado, ele se volta para si e imagina quanto tempo ela ainda ficará falando. Ele está zonzo com tanta falação, resolve então contar mentalmente até 240, e promete a si mesmo não reagir, tem medo daquilo se prolongar ainda mais. Faz cara de paisagem, não responde aos apelos desesperados dela por uma resposta. O que pode lhe dizer? Qualquer coisa que diga só vai prolongar ainda mais essa tortura. À Juliana, essas reações masculinas reforçam a ideia “de que não sou escutada, amada”, de que “ele é covarde e não enfrenta os problemas”, “não me escuta”, percepções que só fazem aumentar seu desespero feminino, o que, por sua vez, aumenta o masculino.

Quando argumentam com maridos, filhos e parentes, muitas mulheres rapidamente se inflamam e iniciam longos discursos acusatórios. E embutem muitas queixas simultâneas que são repetidas à exaustão, com raiva e desespero. Isso supera a capacidade de processamento cerebral do parceiro; ele reage segundo três padrões: torna-se verbalmente violento e dá um basta autoritário (alguns homens tornam-se fisicamente violentos), encerra a conversa retirando-se do local ou então, como André acima, se fecha, não responde e parece não mais tomar conhecimento da presença e do longuíssimo discurso da esposa.

Thinkstock/Getty Images

Drama: a realidade mudou e parte do discurso de vitimização, tão comum entre as mulheres, perdeu o sentido

Na intimidade dos consultórios, muitos desses maridos (que a elas parecem insensíveis) às vezes choram copiosamente e se sentem massacrados e desamparados. Alguns buscam um caso extraconjugal com uma amante meiga e complacente.

3. Incessante campanha de cutucões e provocações verbais

É comum que muitas mulheres ressentidas com determinado tema iniciem uma campanha de guerrilha para desgastar as “tropas inimigas” (o marido). Por exemplo, Helena está frustrada porque Paulo é pão-duro. Em diversos momentos, quando ele menos espera, ela diz frases em tom cortante ou irônico a propósito de assuntos aparentemente afastados do problema.

Paulo comentou uma notícia de jornal sobre um magnata que se suicidou e ela logo disse: “Pois é, tem gente que não consegue ser generosa”. Ele finge que não ouve a provocação e comenta que o magnata não estava feliz, ao que ela responde: “É incrível como pode ser difícil para certas pessoas aproveitar a vida”, sempre num tom que alude indiretamente ao marido e aponta sua suposta falha.

Esse estilo de confronto indireto e incessantes cutucões se contrapõe aos dois modos de muitos maridos lidarem com conflitos interpessoais: ser direto ou empurrar os problemas com a barriga e deixar para lá. Exercido à exaustão, esse estilo feminino de “indiretas” contamina todo o clima até que o marido tenha uma explosão de fúria ou se feche e finja ignorar as provocações.

4. Nunca enterrar “defuntos”

Durante um jantar no restaurante, Marcela se lembra — ao ver na mesa vizinha, um namorado presentear a moça com um anel — que Rogério nunca lhe deu nenhuma joia. E logo se lembra também de que mesmo no noivado, há dez anos, ela teve de se presentear com um anel para não passar vergonha perante os outros. Começa então a fazer comentários ácidos, um mal-estar se instala. Rogério tenta se justificar. A cada tentativa dele se explicar ela só fica mais furiosa. Ao final ele desiste de tentar salvar o jantar e grita com ela. Está indignado que ela tenha “mais uma vez voltado ao antigo e eterno tema do anel de noivado”.

Marcela se sente novamente tão incompreendida como há dez anos e entra numa espiral de outras memórias de ressentimentos que começam então a ser vomitadas, mesmo estando fora do contexto atual. E ela desfia um longo rosário de mágoas (de como ele a tratou na lua-de-mel, de como ele nunca se esforçou para acompanhá-la nos eventos da família dela, etc.). E o jantar se transformou numa catástrofe.

Indignações e mágoas antigas que não são enterradas podem se manifestar a qualquer momento, como um súbito despertar de um exército latente de zumbis, mortos-vivos, que muitas mulheres puxam pela coleira e as acompanham por todo o matrimônio.

Na cultura feminina, isso é tido como natural, e acaba resultando em uma coleção de mágoas antigas que podem se manifestar a qualquer momento. Essas memórias voltam então com o mesmo frescor e intensidade que tinham vinte, dezoito, dez, dois anos antes. A Rogério, atônito com “o que aconteceu com o nosso jantar que era para ser romântico e seria seguido de uma boa noite de sexo?”, tudo parece uma loucura de mulher — ele pensa que talvez seja TPM.

Se você tiver algumas dessas quatro mulherices fique atenta, procure mudar de padrão. Elas são tóxicas para a relação e podem ser mudadas. No meu livro A Equação do Casamento o que você pode ou não mudar na sua relação, você encontrará exercícios que pode fazer para mudar esse padrão. No próximo artigo mais mulherices e depois ogrices.

 

iG

Moralismo e machismo imperam em decisões judiciais que envolvem conflitos de gênero

JEFFERSON COPPOLA/FOLHAPRESS
JEFFERSON COPPOLA/FOLHAPRESS

Duas decisões recentes da Justiça reacenderam a discussão sobre a atuação do Poder Judiciário em casos de violência contra as mulheres. Os desembargadores do Tribunal de Justiça (TJ) de São Paulo inocentaram um fazendeiro da acusação de estupro contra uma adolescente de 13 anos alegando que ele não tinha como saber que ela era menor de idade, em virtude do seu comportamento. Já no TJ de Minas Gerais, dois desembargadores consideraram que certas fotos e formas de relacionamento por parte de uma mulher demonstram “não ter ela amor-próprio e autoestima”.

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“O Judiciário, como parte da sociedade, reflete esse problema em que a violência do homem perante a mulher é diminuída. Isso tem de ser combatido. Será que se fosse o contrário, a vítima de violência fosse homem, seria assim?”, analisou a professora de Direito da Faculdade Getúlio Vargas (FGV) Angela Donaggio.

No caso paulista, que corre em segredo de justiça, um fazendeiro da cidade de Pindorama foi preso em flagrante, em 2011, com duas meninas, uma de 13 e outra de 14 anos. Somente com a primeira ficou comprovada a relação sexual. Ele chegou a ficar preso por 40 dias, mas foi libertado.

Após ter sido condenado em primeira instância, ele foi absolvido pela 1ª Câmara Criminal Extraordinária do TJ paulista, no dia 16 de junho. A consideração é de que as meninas se prostituíam e que o fazendeiro não teve condições de avaliar acertadamente a idade das garotas.

Na argumentação, o relator do caso, acompanhado pela maioria do colegiado, argumenta que “não se pode perder de vista que em determinadas ocasiões podemos encontrar menores de 14 anos que aparentam ter mais idade”.

E prossegue: “Mormente nos casos em que eles se dedicam à prostituição, usam substâncias entorpecentes e ingerem bebidas alcoólicas, pois em tais casos é evidente que não só a aparência física, como também a mental desses menores, se destoará do comumente notado em pessoas de tenra idade”.

No caso mineiro, Rubyene Oliveira Borges processou o ex-namorado, Fernando Ruas Machado Filho, por ele ter divulgado fotos íntimas dela para familiares e amigos. Em primeira instância, ele foi condenado a pagar uma indenização por danos morais de R$ 100 mil.

O réu recorreu e a 16ª Câmara Cível do Tribunal de Justiça de Minas Gerais reduziu a indenização de R$ 100 mil para R$ 5 mil. O julgamento ocorreu em 10 de junho deste ano e o acórdão foi publicado no dia 24 do mesmo mês.

O relator do processo, desembargador José Marcos Rodrigues Vieira, já havia proposto redução ao valor do dano moral para R$ 75 mil, mas reforçou que não se pode considerar a vítima culpada pela situação. “Pretender-se isentar o réu de responsabilidade pelo ato da autora significaria, neste contexto, punir a vítima.”

Porém, o revisor do processo, desembargador Francisco Batista de Abreu, discordou de Vieira e caracterizou a vítima como alguém de “moral diferenciada”, a quem não caberia o cuidado com a mesma. “Quem ousa posar daquela forma e naquelas circunstâncias tem um conceito moral diferenciado, liberal. Dela não cuida. (…) A exposição do nu em frente a uma webcam é o mesmo que estar em público.”

O magistrado argumentou ainda que o relacionamento amoroso entre os dois não poderia ser considerado, já que havia sido de um tempo curto e que no momento da realização das fotos não havia mais um relacionamento constituído. “Não foram fotos tiradas em momento íntimo de um casal ainda que namorados. E não vale afirmar quebra de confiança. O namoro foi curto e a distância. Passageiro. Nada sério”, afirmou.

Angela ressalta que, no TJ de Minas Gerais, o desembargador Vieira fez uma avaliação técnica sobre o caso. Mas o relator fez uma análise moral, apegando-se a discorrer sobre o que seriam fotos sensuais ou que tipo de relacionamento pode ser considerado um namoro ou não.

“Em praticamente todos os trechos do voto se busca desmoralizar a autora da ação. E o objeto do julgamento não é esse, mas sim a responsabilidade do réu em divulgar as fotos íntimas”, afirmou. Angela admite que não se pode inibir valores morais e ideologia pessoal, mas o julgamento deve ser pautado na norma jurídica.

Para ela, uma decisão que reduzisse o valor da indenização, somente, ainda seria aceitável. “Mas uma decisão baseada em argumentos dessa natureza é muito triste de se ver. Deve ser extremamente frustrante para a autora da ação ser vítima da divulgação das imagens e receber essa decisão”, afirmou.

Para a militante da Marcha Mundial de Mulheres Sônia Coelho, a inversão de culpa nesses casos reforça os valores machistas e abre caminho para a perpetuação da violência. “Uma das principais consequências é que as mulheres ficam constrangidas em denunciar novos casos de violência, além da descrença que isso causa sobre o Poder Judiciário”, afirmou.

“Os agressores acabam por se sentir muito à vontade com isso. É quase um ambiente de compreensão, de solidariedade”, complementa Sônia.

Sônia lembra que os casos não são isolados, mas ocorrem em muitas instâncias do Judiciário e locais do país. Ela lembrou do caso do pai que engravidou a própria filha, então com 12 anos, na cidade de Beberibe, no Ceará. O juizWhosenberg de Morais Ferreira considerou que a menina tinha plena consciência dos atos e havia seduzido o pai.

“Infelizmente, ainda é muito aceita a ideia de que o homem age por amor, por ciúme ou por emoção nos casos de violência contra a mulher. E assim as mulheres são consideradas culpadas dos atos que elas foram vítimas. A mulher já é historicamente reprimida no espaço social, mas também o é no espaço institucional e judiciário”, conclui a militante.

Em ambos os casos relatados, ainda cabe recurso.

 

 

RBA

Em 2013, o Maranhão se manteve na dianteira nacional em conflitos agrários

Conflito-agrárioO processo de modernização da agricultura brasileira – conservador, parcial, excludente e ecologicamente insustentável – acelerou a exclusão social e a degradação ambiental no campo maranhense. Este processo é caracterizado pela apropriação fraudulenta da terra, êxodo rural e violentos conflitos sociais no campo.

A reprimarização da economia, que privilegia a produção de commodities agrícolas e minerais para o mercado externo tem consequências mortais para o campesinato maranhense, que se materializam no aumento exponencial da violência (assassinatos, ameaças de morte, despejos forçados), êxodo rural, desemprego e trabalho escravo.Em 2013, o Maranhão se manteve na dianteira nacional em conflitos agrários.

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O quadro deste drama social pode ser representado pelos 3 assassinatos, ocorridos no P.A Capoema (Bom Jesus das Selvas), P.A Sit ( Santa Luzia) e P.A Santa Maria II ( Satubinha), o crescente número de ameaçados de morte, incluindo vários dirigentes sindicais, prisão ilegal de trabalhador rural, na comunidade Livramento (Codó), forte atuação de milícias armadas em Santa Maria dos Moreiras (Codó), Cipó Cortado (João Lisboa), Arame e Campo do Bandeira (Alto Alegre do Maranhão), Tiúba (Chapadinha) e de pistoleiros, em Baturité (Chapadinha), Vergel (Codó), Quilombo São Pedro (São Luís Gonzaga), Quilombos Salgado e Pontes (Pirapemas), Vilela (Junco do Maranhão).

Verificou-se também a ação direta de agentes públicos atuando como verdadeiros jagunços, atormentando a paz e tranquilidade de várias comunidades maranhenses.

Podemos destacar policiais militares de Codó, comandados pelo oficial Moura, que realizaram prisão e intimidações em comunidades tradicionais, a delegacia de Polícia Civil e policiais militares de Boa Vista do Gurupi, que realizam serviços para o grileiro de terras Nestor Osvaldo Finger, fatos estes oficiados à Delegacia Geral de Polícia Civil, em maio de 2013, por meio do Ofício Fetaema 99/2013, que não tomou nenhuma providência a fim de apurar as ilicitudes.

Na comunidade Engenho, em São José de Ribamar, a tropa de choque da PM e jagunços, sob os comandos do secretário de estado Alberto Franco, despejaram e destruíram, sem ordem judicial, várias linhas de roças de centenas de famílias de pequenos agricultores.

A impunidade também foi cenário dos conflitos agrários em 2013, com especial destaque para a comunidade Vergel, em Codó, onde dois indiciados foram absolvidos pela prática de tentativa de homicídio contra lavradores e que até hoje, nunca foi instaurado inquérito policial para apurar a morte do lavrador Alfredo, ocorrida em agosto de 2007, fato este levado ao Ministério Público Estadual e Polícia Civil e no P.A Maracumé-Mesbla, onde uma liderança dos trabalhadores do campo sofreu três tentativas de homicídio, sem que até hoje tenha ocorrido julgamento.

Talvez o fato mais grave que ocorreu em 2013, no que tange à impunidade, foi a decisão do magistrado Alexandre Lima, da Comarca de São João Batista, que, sem fundamento no direito brasileiro, remeteu o processo criminal que trata do brutal assassinato do líder quilombola da Comunidade Charco ,Flaviano Pinto Neto, para a justiça federal.

Também, várias foram as decisões provenientes do Poder Judiciário do Maranhão, determinando a expulsão de centenas de famílias de trabalhadores rurais de suas terras, repetindo um padrão histórico de violência contra o campesinato maranhense, com destaque para as liminares expedidas pelas Comarcas de São Mateus, que determinou o despejo de 3 comunidades de Alto Alegre ( Boa Hora, Arame e Campo do Bandeira), Pinheiro, que determinou duas em Pedro do Rosário (Imbiral e Boa Esperança), Senador La Rocque, que determinou vários despejos em Cipó Cortado, Codó, que concedeu 5 liminares contra as comunidades Três Irmãos, Santa Maria dos Moreiras e Livramento, Chapadinha, que concedeu 2 liminares contra trabalhadores de Baturite e Capão,além do juiz da Comarca de Bequimão, que determinou o despejo da comunidade quilombola Sibéira.

Ademais, o próprio Tribunal de Justiça do Maranhão solapou direitos de comunidades tradicionais, em decisões que desterraram trabalhadores de Santa Maria dos Moreiras e Buriti Corrente, ambas em Codó.  Em dezembro, foi determinado pela Justiça de São Bento o despejo compulsório de 45 lavradores assentados da reforma agrária no P.A Dibom 1, em Palmerândia, que foi suspenso pelo desembargador Velten Pereira, após recurso de agravo de instrumento interposto pelas famílias.Por oportuno, os governos federais e estaduais praticam verdadeira contrarreforma agrária, na marra.

Até hoje, nenhum decreto presidencial que declara área de interesse social para fins de reforma agrária foi emitido para beneficiar áreas no Estado do Maranhão, apesar das centenas de processos administrativos represados no INCRA. Em relação às comunidades quilombolas, apesar das inúmeras violências praticadas contra este grupo étnico, os procedimentos de titulação se encontram paralisados, ao passo que o agronegócio avança sobre os territórios tradicionais.

Quanto ao Estado do Maranhão, seu órgão de terras é completamente desaparelhado, com forte limitação de recursos humanos e técnicos, o que reflete a posição histórica dos governos estaduais, em promover o agrobusiness, em detrimento da agricultura familiar. Em decorrência desta morosidade histórica, 2 igrejas foram derrubadas (Tiúba e Vergel), 40 casas derrubadas (Arame, Campo do Bandeira, Tiúba, Santa Quitéria, Vergel), centenas de hectares de roças destruídos e duas residências explodidas por dinamites, na comunidade Santa Rosa, em Urbano Santos.

Aos camponeses maranhenses, num processo de autoconsciência, somente cabe desafiar a ordem imposta pelo latifúndio escravocrata que persiste em querer ditar as relações sociais e de produção a ferro e fogo.

*Diogo Cabral* é assessor jurídico da CPT/MA e da FETAEMA

MST

Amazônia concentra quase 60% das mortes por conflitos no campo no Brasil

(Foto: Arquivo/RBA)
(Foto: Arquivo/RBA)

Os estados que compõem a Amazônia concentraram, em 2012, 489 dos 1.067 conflitos no campo registrados no país (45,8%), que envolvem assassinatos, ocorrências de trabalho escravo e disputas por terra e por água. Os dados são do relatório Conflitos no Campo no Brasil, lançado hoje (22), em Brasília, pela Comissão Pastoral da Terra (CPT).

Na Amazônia estão 97% das áreas envolvidas nos conflitos. Lá se concentraram 58,3% dos assassinatos (21 de 36); 84,4% das tentativas de homicídio (65 de 77); 77,4% das ameaças de morte (229 de 296); 62,6% dos presos (62 de 99); 63,6% dos registros de agressão (56 de 88); e 67% dos casos de trabalho escravo. A expansão da indústria extrativa mineral é apontada como um dos principais responsáveis pelas ocorrências.

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“Os conflitos decorrem, por um lado, da ação de grupos que lutam contra o acesso desigual à terra e ao uso dos recursos naturais, contra a insegurança da posse e a distribuição concentrada da propriedade”, aponta o texto. “Por outro, decorrem também da reação dos grandes proprietários aos esforços empreendidos pelos movimentos sociais para reduzir a concentração fundiária, democratizar a terra e pressionar o Estado a mudar o padrão de suas políticas agrárias.”

Em todo o país, os assassinatos motivados por conflitos por terra aumentaram 24% entre 2011 e 2012, passando de 29 para 36. Rondônia, estado com maior número de ocorrências, concentrou nove dos homicídios, seguida pelo Pará, com seis. As tentativas de assassinatos também aumentaram 51% no período analisado (de 38 para 77), assim como as prisões de trabalhadores 11,2% (de 89 para 99).

Até a última sexta-feira (19), já foram registrados nove homicídios no campo em 2013, de acordo com a CPT. “Observa-se forte protagonismo de setores conservadores, como fazendeiros, grileiros, empresários e mineradoras, combinado com um aumento dos índices de violência privada”, diz o texto.

Em relação aos grupos sociais envolvidos nos conflitos, 15% eram indígenas, 12%, quilombolas, 9%, membros de outras comunidades tradicionais, e 24%, posseiros e ocupantes de áreas sem o título de propriedade. “Conclui-se que 60% dos que estão envolvidos em conflitos fazem parte de grupos humanos que não se enquadram nos parâmetros exigidos pelo capitalismo e sobre os quais a pressão é maior”, diz o texto.

“Os conflitos são as ações de resistência e enfrentamento que acontecem em diferentes contextos sociais no âmbito rural, envolvendo a luta pela terra, água, direitos e pelos meios de trabalho ou produção”, explica o relatório. “Estes conflitos acontecem entre classes sociais, entre os trabalhadores ou por causa da ausência ou má gestão de políticas públicas.”

Representatividade

O relatório destaca que as populações tradicionais têm pouca representatividade no Congresso Nacional, uma vez que a Frente Parlamentar da Agropecuária era composta, em 20 de março, por 214 deputados e 14 senadores, “uma super-representação da população rural, que é 14% do total da população brasileira, de acordo com o Censo de 2010”. Segundo o texto, “41,7% dos deputados defendem os interesses de apenas 9,1% dos proprietários rurais”.

Tendo isso em vista, a Comissão Pastoral da Terra solicitou uma audiência amanhã (23) com o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, para entregar o relatório e discutir violência e impunidade dos crimes no campo. O encontro ainda não foi confirmado.

“O capital continua a espoliar as comunidades de seus territórios, pois a disputa é dura e desigual. Os indígenas e camponeses contam com a força de sua resistência e o apoio de seus aliados. Já os interesses do capital são defendidos, estimulados e financiados pelos poderes públicos, e são enaltecidos pela grande mídia”, conclui o relatório.

O documento é elaborado anualmente pela Comissão Pastoral da Terra desde 1985. Os dados levantados proveem de declarações, cartas, boletins de ocorrência e relatos, reportagens e publicações de diversas instituições.

 

 

redebrasilatual

Apropriação da água para fins privados provocou 115 conflitos em 2012 no Brasil

Total de conflitos de 2012 é o dobro de 2011, quando foram registrados 68 (Foto: Arquivo/RBA)
Total de conflitos de 2012 é o dobro de 2011, quando foram registrados 68 (Foto: Arquivo/RBA)

Em 2012, o Brasil registrou 115 conflitos por água em 19 estados, que envolveram ocupações, manifestações, disputas por mananciais e contaminação de rios e nascentes. Ao todo, 184.925 pessoas foram afetadas, de acordo com dados preliminares do relatório Conflitos no Campo Brasil, quer será publicado na íntegra pela Comissão Pastoral da Terra no próximo dia 22.

A maioria dos conflitos (79) tem como principais agentes mineradoras, fazendeiros e construtoras de barragens e hidrelétricas e foram motivados, especialmente, pela apropriação privada dos recursos hídricos, como explica o assessor nacional da Comissão Pastoral da Terra (CPT), Roberto Malvezzi. “A água que deveria ir para consumo humano ou para matar a sede de animais acaba indo para irrigar grandes propriedades.” Ao todo 158.920 pessoas foram afetadas, segundo a CPT.

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Outros 36 conflitos tiveram como causa principal a seca. Foram, principalmente, manifestações, ocupações e fechamento de estradas, se estenderam por seis estados e afetaram 26.005 pessoas. “Há um problema da distribuição de água no semi-árido, onde ela fica muito concentrada nas grandes propriedades”, afirmou Malvezzi. “Além disso, os recursos hídricos são mal distribuídos geograficamente no país.”

O total de conflitos de 2012 é quase o dobro de 2011, quando foram registrados 68. Os dados vêm de pesquisas de campo e de informações divulgadas por veículos de comunicação. O levantamento sobre os usos da água no Brasil é monitorado pela Comissão Pastoral da Terra desde 2005 e compõe o relatório Conflitos no Campo Brasil, que é produzido desde 1985.

“Nosso principal objetivo é dar subsídio para políticas públicas e para ajudar a atuação dos movimentos sociais, para conseguirmos garantir que a água seja usada prioritariamente para consumo humano.”

 

 

 

redebrasilatual

Pesquisa diz que dinheiro é principal gerador de conflitos entre casais

O peso do dinheiro na relação de um casal é grande. Como falar sobre o tema costuma causar desentendimentos e estresse, muitos evitam esse tipo de papo. E, quando ele surge, é por causa de gastos excessivos, endividamento e outros problemas nas contas familiares. Segundo os especialistas em finanças, esse é o grande erro.

“Na maioria das vezes, orçamento e planejamento não fazem parte das conversas corriqueiras dos casais”, afirma Gustavo Cerbasi, autor do best-seller “Casais Inteligentes Enriquecem Juntos” (Editora Gente). Segundo pesquisa divulgada em julho de 2012 e realizada pela psicóloga e professora da Universidade de Michigan (EUA), Terri Orbuch, o dinheiro é o principal motivador de conflitos entre os casais. A pesquisadora acompanhou 373 casais que estavam no primeiro ano de casamento e tinham entre 25 e 37 anos, e coletou periodicamente informações ao longo de 25 anos.

Nesse estudo, 49% das pessoas divorciadas disseram que brigaram muito com seus parceiros por causa de perfis econômicos diferentes e de mentiras sobre os gastos. Outro motivo apontado era a tendência que os que ganham mais tinham de controlar o outro. Como consequência, seis em cada dez desses divorciados que começaram uma nova relação preferiram não juntar as finanças.

Na opinião do economista e consultor financeiro Marcos Silvestre, autor do livro “Investimentos à Prova de Crise” (Editora Lua de Papel), o dinheiro não separa casal nenhum, mas acentua outras divergências. “Por mais que se entendam, as pessoas têm valores, histórico familiar e entendimentos distintos sobre os significados do dinheiro. Equalizar essa dimensão da vida do casal requer tempo e energia”, diz.

A consultora financeira Elaine Toledo, autora de “Saiba Mais para Gastar Menos” (Editora Alaúde), observa que, sem a figura do provedor, do chefe de família que entra com o dinheiro, os casais jovens têm optado pelo individualismo financeiro, com contas separadas e divisão das despesas comuns. “Dessa maneira, eles não se preparam para compartilhar a vida a dois principalmente quando surgem problemas, como a perda do emprego”, diz Elaine.

“Se cada um está de um lado, o que terá de arcar com as despesas até o outro se recolocar profissionalmente se sentirá explorado, esquecendo que uma relação não é só um negócio, mas que envolve sentimentos, carinho e respeito”. Os especialistas são unânimes em afirmar que o diálogo é a chave para evitar desentendimentos. Segundo a psicóloga Cleide M. Bartholi Guimarães, diante da diversidade de relações há também de se levar em consideração as várias formas de manejar o dinheiro a dois. “Não tem certo nem errado”, diz ela.

“O importante é cuidar da qualidade do relacionamento, priorizando a colaboração e a compreensão mútuas, facilitando a tomada de decisão conjunta combinada com afeto, respeito e consciência do significado do dinheiro para cada um”. Contas conjuntas ou individuais? “Em um relacionamento não se divide, se soma”, diz Cerbasi, defensor da conta conjunta. “Esse é um recurso estratégico, pois ao saber que todos estão contribuindo, fica mais fácil alcançar projetos mais rapidamente”, afirma.

O especialista aconselha separar 10% da renda para gastos pessoais a fim de que ambos possam usufruir do mesmo padrão de vida. Seria diferente se cada um mantivesse suas contas individuais e, enquanto um pode gastar mais porque ganha mais, o outro teria muitas restrições por ganhar menos. “Por isso é importante sentar para conversar sobre os gastos da família, do casal, do marido e da mulher separadamente, para que nenhum lado seja prejudicado”.

Se os cônjuges sentem dificuldade em manter uma conta conjunta, a dica dos especialistas é optar pelas individuais desde que ambos façam uma conta só do casal, na qual cada um deposita por mês a quantidade acertada para pagar as contas familiares e reservar dinheiro para projetos comuns a médio e longo prazos.

Quem paga mais?

Para Marcos Silvestre, a decisão deve ser de comum acordo. “Um critério de partilha equilibrado funciona da seguinte forma: quem ganha um salário maior, depositará proporcionalmente uma quantia maior na conta conjunta, e quem tem um rendimento menor, fará um depósito proporcionalmente menor”, diz ele.

O importante é que, somando a quantia dos dois, os depósitos atinjam 100% do mínimo necessário para bancar os pagamentos mensais da família. Silvestre dá um exemplo: se o salário líquido da mulher for de R$ 6 mil, o do marido, R$ 4 mil, e as despesas do casal chegam a R$ 8 mil; no início de cada mês ela depositará R$ 4.800,00 (60% de R$ 8 mil) na conta conjunta, e ele fará uma transferência de outros R$ 3.200,00 (40% de R$ 8 mil). Essa regra prosseguirá até que alguma das rendas mude ou se altere a soma dos gastos mensais. “Distribuir o ônus financeiro do casal desta forma é puro bom senso financeiro e costuma funcionar muito por ser prático. As sobras e despesas estritamente individuais de cada parceiro devem ser administradas na conta pessoal de cada um”, explica.

Bol

Repórter policial lança livro sobre conflitos entre a PM e o crime organizado

O repórter policial Josmar Jozino, autor dos livros “Cobras e Lagartos” e “Casadas com o Crime”, está lançando sua nova obra intitulada “Xeque-Mate: o tribunal do crime e os letais boinas pretas. Guerra sem fim”, também focada no crime organizado.
Os dois livros anteriores do jornalista também falam sobre o crime organizado, mas em “Xeque-Mate” o foco é o conflito com a Polícia Militar. O Jozino explicou à IMPRENSA que optou por esse viés porque “a partir de 2008, a PM recebeu a atribuição das autoridades para investigar o crime organizado. Essa atribuição era, até então, da Polícia Civil e, mais especificamente, do DEIC. A partir dessa data, a PM passou a investigar com mais intensidade o crime organizado e houve vários casos de confronto”.
O repórter policial contou que o processo de escrita da obra demorou “apenas” oito meses. Coincidentemente, o mesmo tempo que demorou para escrever “Cobras e Lagartos” e “Casadas com o Crime”. “Fiquei oito meses escrevendo esse livro, mas já tinha uma farta documentação para a maioria dos capítulos”. Isso porque, segundo o jornalista, ele possui uma disciplina para isso. “Vou me disciplinando, tenho uma disciplina própria e isso faz com que eu consiga escrever o livro em oito meses. Tem dia que eu escrevo cinco páginas direto, mas tem vezes em que mal consigo olhar para o computador, mas a minha disciplina compensa”.

“Xeque-Mate: o tribunal do crime e os letais boinas pretas. Guerra sem fim” narra a história real dos conflitos entre a polícia e o crime organizado, envolvendo principalmente os policiais da Rota. Josmar Jozino também trata da realidade das prisões brasileiras e da matança indiscriminada sem, no entanto, deixar de ouvir os dois lados dos fatos.

portalimprensa

Conflitos agrários cresceram 15% em 2011, aponta relatório da CPT

Ocupações no Norte e no Nordeste registraram maiores indíces de violência, com a liderança do Piauí com aumento de 130% (Foto: Lívia Moraes/MST)

O Relatório Conflito no Campo Brasil 2011, da Comissão Pastoral da Terra (CPT), lançado na última sexta-feira (27), em São Paulo, apresentou crescimento de 15% no número total de conflitos no campo no ano passado, comparado a 2010 – passando de 1.186 para 1.363.

Segundo o padre Antônio Naves, da coordenação da entidade em São Paulo, o número de camponeses ameaçados de morte também cresceu no período. O aumento da violência foi mais expressivo na região Nordeste, com 34%. No estado do Piauí, o conflitos cresceram 130,8%, subindo de 13 em 2010 para 30 em 2011.

Nave disse que as disputas relacionadas ao uso de matérias-primas, como a água, também cresceram. “Atribuímos isso ao capitalismo selvagem representado por suas empresas nacionais e estrangeiras”, disse.

Trabalho escravo

O coordenador também falou da prática de trabalho escravo no campo. Em São Paulo, ele disse ter recebido denúncias de ocorrências nas regiões de Assis, Presidente Prudente, Ribeirão Preto e Bauru.

“Isso tem dado muito trabalho para as organizações e movimentos sociais que lutam nos lugares onde há indícios dessa prática. Temos pedido denúncias fundamentadas para levarmos os casos adiante”, afirmou.

Ouça a entrevista a Lúcia Rodrigues, na Rádio Brasil Atual.

redebrasilatual

CNBB diz que conflitos no campo vão aumentar se Código Florestal for sancionado como foi aprovado pela Câmara

 

Durante a divulgação do relatório da Comissão Pastoral da Terra (CPT) que registra  aumento de 15% no número de conflitos no campo em 2011 ante 2010,  secretário-geral da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), dom Leonardo Steiner, disse na segunda-feira (7) que se o novo Código Florestal entrar em vigor como foi enviado pelo Congresso para sanção presidencial, “provavelmente aumentará os confrontos”. Dom Leonardo Steiner defendeu que a presidenta Dilma Rousseff vete o texto como foi aprovado pela Câmara, no final de abril.
“Infelizmente, o Código Florestal aprovado [pela Câmara] não prima pela ética. O texto aprovado visa especialmente ao lucro [dos produtores], vender [produtos primários] para o exterior. Se não for vetado, ele provavelmente aumentará o conflito no campo, e os relatórios [da CPT], no futuro, se tornarão ainda mais pesados”, declarou o secretário-geral da CNBB, crítico do que classifica como um “modelo equivocado de desenvolvimento”, que prioriza o agronegócio em detrimento das populações tradicionais.
“Esperamos que o futuro nos ajude a termos um código que represente, de fato, uma possibilidade de relações harmônicas”, completou.
Para a coordenação nacional da CPT, o texto aprovado flexibiliza as leis ambientais e anistia quem desmatou em áreas de proteção ambiental.
Além de movimentos sociais e ambientalistas, o projeto da Câmara vem recebendo críticas também de senadores que haviam aprovado, com a participação dos deputados, um projeto considerado mais rigoroso quanto à proteção ambiental.

Alex Rodrigues/Repórter Agência Brasil
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