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Família de Dom Odilo Scherer se diz surpresa com resultado do conclave

O resultado do conclave que elegeu o argentino Jorge Mario Bergoglio para ser o novo Papa surpreendeu os familiares de Dom Odilo Scherer que acompanharam as notícias de Toledo, no oeste do Paraná. Quando a fumaça branca saiu da chaminé da Capela Sistina, a emoção tomou conta de Flávio Scherer. Ainda sem saber o resultado, o irmão de Dom Odilo segurou o choro, e declarou ceticismo em relação à ainda possível escolha do cardeal brasileiro. “Eu ainda acredito que um europeu foi escolhido”, apostou Flávio.

Flavio Scherer (Foto: Cassiane Seghatti/G1)Flavio Scherer, no momento da fumaça branca na
Capela Sistina (Foto: Cassiane Seghatti/G1)

O fato de o escolhido ter sido da América do Sul também contribuiu para a surpresa da família Scherer. “Não estava nas expectativas, e também pela idade. Foi eleito com 76 anos um Papa quase com a mesma idade do Bento XVI. Isso contradiz com toda expectativa de que fosse um Papa mais jovem”, afirmou Flávio ao G1. Apesar da surpresa, Flávio aposta que a escolha ficará marcada na história.

Odilo era cotado pela imprensa internacional como um dos favoritos para assumir o cargo de pontífice. Mesmo diante das perspectivas, a família Scherer sempre acompanhou com cautela as especulações em torno do nome do Arcebispo de São Paulo. “Não fiquei decepcionado. Estou aliviado, seria um peso muito grande para o meu irmão assumir”, disse Flávio Scherer. Também chamou a atenção dos familiares o fato de os cardais terem chegado a um consenso ainda nesta quarta-feira (13), tanto que a maioria dos irmãos não estava na cidade no momento do anúncio. “Nós não esperávamos que fosse tão rápido o resultado. Nossa expectativa é que fosse escolhido amanhã”, disse Flávio.

Família de Dom Odilo acompanha pela internet as movimentações no Vaticano (Foto: Cassiane Seghatti /G1)Família de Dom Odilo acompanhou pela internet as movimentações no Vaticano(Foto: Cassiane Seghatti /G1)

Dom Odilo Scherer
A chegada da família Scherer ao Paraná coincidiu com a criação do município de Toledo, em 1951. Eles estiveram entre os pioneiros da cidade, que nasceu com a grande exploração de madeira para ser exportada. Mas o sustento dos Scherer vinha principalmente da agricultura. Neste processo, Odilo e os demais irmãos eram importantes para ajudar os pais na lavoura, mas o irmão Flávio Scherer garante que era por gosto que eles o faziam.  “Era uma tradição, os filhos de agricultores ajudarem os pais, mas a gente dava nossa contribuição  porque não admitíamos que o pai e a mãe trabalhassem no duro e nós ficássemos folgando”, lembra Flávio.

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Esse contato com a agricultura despertou em Odilo grande parte da proximidade que ele possui com a natureza, algo que o cardeal procurou manter em todos os lugares onde esteve. “Por onde o Odilo passou, ele cultivou muitos hábitos – de ter sempre um pomar, hortas com produtos orgânicos. Isso faz parte do dia a dia dele, e esses hábitos de simplicidade nunca fizeram com que ele esquecesse a sua origem”, conta o irmão, que garante ainda que isso nunca impediu Odilo de conviver com personalidades e a alta hierarquia da Igreja. “Ele estudou muito e aprendeu muitas línguas. Odilo viveu no interior da França e da Alemanha, aprendeu inglês na Irlanda, desenvolveu o espanhol, o italiano, e as línguas usadas na Igreja, como o latim, o grego e o hebraico”, afirmou Flávio.

Apesar do contato sempre próximo com a religião, Odilo foi o único dos 13 irmãos que seguiu adiante na carreira religiosa após os estudos em seminários. O sétimo filho de pais de origem alemã estudou em diversas cidades do Brasil e do mundo, e viu os irmãos formarem-se agrônomos, médicos, professores, engenheiros, dentre outras profissões. “Ele sempre foi um grande defensor das causas da Igreja”, atesta o irmão Flávio.

Dom Odilo foi ordenado padre em Toledo, em 1976 (Foto: Arquivo pessoal)Dom Odilo foi ordenado padre em Toledo, em dezembro de 1976 (Foto: Arquivo pessoal)

Igreja
Odilo foi ordenado padre em 7 de dezembro de 1976, e as lembranças deste dia ainda estão frescas na memória dos irmãos Scherer. “Foi uma coisa assim extraordinária para nós. A igreja estava lotada, tivemos que tirar parte dos bancos para ter mais pessoas dentro da igreja. Muita gente ficou emocionada, foi muito bonito”, lembra Bruno Scherer.

Flávio também lembra de um episódio do dia da ordenação de Odilo. “No fim, teve os cumprimentos, e está lá o nosso vovô materno, Miguel, que na época tinha 77 anos. Ele se ajoelhou diante de Odilo e beijou a mão. O Odilo disse para ele se levantar, mas ele se negou, dizendo que aquelas mãos eram ungidas, sagradas, e que fariam um grande bem para muitas pessoas”, recorda o irmão.

Paralelamente à Igreja, o cardeal atuou ainda como professor e reitor em diversas instituições de ensino e contribuiu com a formação de diversos jovens seminaristas. Com mestrado em Filosofia e doutorado em Teologia feitos em Roma, o cardeal exerceu ainda cargos importantes na Cúria da Igreja no Vaticano. “Ele trabalhou diretamente com João Paulo II, e os cardeais que hoje estão aí foram colegas de trabalho dele”, lembrou o irmão.

Pré-conclave
Desde que Odilo se reuniu aos demais cardeais no Vaticano, o contato dele com a família cessou. De longe, os irmãos se reuniram dia após dia para acompanhar o andamento dos encontros na Capela Sistina, e ressaltaram qualidades de Odilo. “Ele tem uma grande espiritualidade, é muito disciplinado, é culto, viajado, e além de tudo isso, é muito simples, preserva a simplicidade dele”, completou o irmão Lotário Scherer.

Entre os irmãos de Odilo, Lotário foi quem mais conviveu com o cardeal nos últimos anos. Apesar de acompanhar o irmão em diversas viagens e de manter conversas sobre perspectivas, Lotário garantiu que a hipótese de se tornar Papa nunca passou pela cabeça de Odilo. “Jamais. Ele não é presunçoso a ponto de pensar isso”, disse.

Dom Odilo Scherer com a família, durante o Natal de 2012, em São Paulo (Foto: Arquivo pessoal)Dom Odilo Scherer com a família, durante o Natal de 2012, em São Paulo (Foto: Arquivo pessoal)

Conheça a trajetória de Dom Odilo:

Presbiterado
A nomeação como presbítero ocorreu no dia 7 de dezembro de 1976, feita em Toledo por Dom Armando Círio. Na função, foi reitor e professor no Seminário Diocesano de São José, em Cascavel, entre 1977 e 1978, no Seminário Mãe da Igreja, em Toledo, entre 1979 e 1982, professor de filosofia na Faculdade de Ciências Humanas Arnaldo Busatto, em Toledo, entre 1985 e 1994, professor de teologia no Instituto Teológico Paulo VI, em Londrina, em 1985, Vigário Paroquial e Cura da Catedral Cristo Rei, de Toledo, entre 1985 e 1988, Reitor do Seminário Teológico de Cascavel entre 1991 e 1992, Reitor do Seminário Diocesano Maria Mãe da Igreja em 1993, Membro da Comissão Nacional do Clero da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil entre 1985 e 1988, membro da Comissão Teológica do Regional Sul II, entre 1992 e 1993, Oficial da Congregação para os bispos na Cúria Romana entre 1994 e 2001.

Episcopado
A nomeação como Bispo-Titular de Novi e auxiliar de São Paulo veio no dia 28 de novembro de 2001. A Ordenação Episcopal de Dom Odilo Scherer foi sagrada pelo Cardeal Dom Cláudio Hummes, Arcebispo de São Paulo, no dia 2 de fevereiro de 2002, e a posse ocorreu no dia 9 de março do mesmo ano. A nomeação como o sétimo Arcebispo de São Paulo – a terceira maior Arquidiocese Católica Romana do mundo – aconteceu no dia 20 de março de 2007, feita pelo então Papa Bento XVI.

No episcopado, Scherer foi Bispo Auxiliar de São Paulo entre 2002 e 2007, secretário-geral da CNBB entre 2003 e 2007, secretário-geral adjunto da V Conferência Geral do Episcopado da América Latina e do Caribe, em 2007. Atualmente, é membro da Comissão Episcopal Pastoral para a Doutrina da Fé da CNBB e presidente da Regional Sul 1 da mesma entidade.

Cardinalato
No dia 27 de novembro de 2007, Odilo Scherer foi criado Cardeal pelo Papa Bento XVI, no Consistório de 2007, na Basílica de São Pedro. Entre os departamentos que compõem a Cúria Romana, ele é membro da Congregação para o Clero da Comissão Cardinalícia de Vigilância do Instituto para as Obras de Religiões, do XII Conselho Ordinário da Secretaria do Sínodo dos Bispos, do Pontifício Conselho para a Família, da Pontifícia Comissão para a América Latina, e do Pontifício Conselho para a Promoção da Nova Evangelização.

'Estamos eufóricos e angustiados', diz irmão de D. Odilo sobre conclave (Foto: Gabriel Bouys/AFP)Dom Odilo Scherer foi nomeado cardeal em 2007, por Bento XVI (Foto: Gabriel Bouys/AFP)
G1

Cardeal decano pede ‘unidade’ da Igreja em missa que abre conclave

Dom Angelo Sodano, cardeal decano da Igreja Católica, apelou pela “colaboração” e pela “unidade” dentro da Igreja, nesta terça-feira (12), durante a missa Pro Eligendo Pontifice, que abre o conclave que vai eleger o sucessor do Papa Bento XVI.

Todos os cardeais presentes em Roma, eleitores ou não, participam na cerimônia, uma das mais intensas dos últimos anos. Eles entraram na Basílica de São Pedro com semblante sérioe concentrado.

Ele exortou os cardeais a “colaborar para edificar a unidade da Igreja” e “cooperar com o sucessor de Pedro”.

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“Estamos convocados a cooperar com o Sucessor de Pedro, fundamento visível de tal unidade eclesiástica’, afirmou o influente cardeal.

“Eu os exorto a se comportarem de maneira digna, com toda humildade, mansidão e paciência, suportando-se reciprocamente com amor, tentando conservar a unidade do espírito por meio do vínculo da paz”, disse Sodano, em referência à carta de São Paulo aos Efésios.

Ao ser citado pelo cardeal decano, o Papa Emérito Bento XVI, que renunciou em 28 de fevereiro, em um gesto inédito na história moderna da Igreja, foi bastante aplaudido.

Sodano afirmou que o pontificado de Bento XVI foi “luminoso” e expressou a gratidão dos cardeais ao Papa Emérico, pedindo a Deus que dê “outro bom pastor à sua Santa Igreja”.

“Queremos agradecer ao Pai que está nos Céus pela amorosa assistência que sempre reserva a sua Santa Igreja e em particular pelo luminoso pontificado que nos concedeu com a vida e as obras do 265º sucessor de Pedro, o amado e venerado pontífice Bento XVI, ao qual neste momento renovamos toda a nossa gratidão”, disse.

No sermão, o cardeal também citou os Papas João Paulo II e Paulo VI, alem de lembrar o trabalho importante da Igreja nos últimos anos, que tem impacto não apenas entre os fieis, mas em diferentes culturas.

“Oremos para que o próximo Papa possa continuar esse incessante trabalho de nível mundial”, afirmou.

Cardeais assistem à missa Pro Eligendo Pontifice nesta terça-feira (12) na Basílica de São Pedro, no Vaticano (Foto: AFP)Cardeais assistem à missa Pro Eligendo Pontifice nesta terça-feira (12) na Basílica de São Pedro, no Vaticano (Foto: AFP)

Cardeais concentrados
A missa atraiu principalmente pessoas ligadas a Igreja, como seminaristas, padres e freiras, e também fieis. Dentro da Basílica, todos estavam muito atentos as orações e respeitosos aos ritos.

O maximo de conversa ouvida durante a missa foi a tradução das palavras para outros idiomas entre pessoas próximas – a missa foi celebrada basicamente em latim e italiano, com a primeira leitura em inglês e a segunda em espanhol, alem de orações dos fieis em cinco outros idiomas, incluindo o português.

Para conseguir um lugar sentado – especialmente perto do altar, onde ficaram os cardeais – foi preciso acordar cedo.

Às 9h, uma hora antes do inicio da missa, todos os lugares sentados já estavam ocupados. Muitas pessoas ficaram em pe nas laterais. Pouco antes do inicio da missa, foi o rosário foi rezado em latim.

Na entrada dos cardeais, nem mesmo os religiosos tiveram cerimônia – centenas de câmeras fotográficas e celulares foram levantados para registrar imagens dos homens que irão eleger o próximo pontífice a partir desta tarde. Quase todos os cardeais entraram concentrados, com semblante serio.

Alguns, entretanto, se destacavam – foi o caso do brasileiro Dom João Braz de Aviz, que entrou e saiu muito sorridente, visivelmente emocionado, olhando os fieis nos olhos e cumprimentando-os com o olhar.

O norte-americano Timothy Dolan, arcebispo de Nova York ,também era só sorrisos na entrada e na saída dos cardeais – ele chegou ate a arriscar acenos para os fieis.

Começo do conclave
Após a missa, os 115 cardeais eleitores começam o processo de escolha do novo Papa.

Uma primeira votação está marcada ainda para esta terça-feira, mas, segundo o padre Federico Lombardi, porta-voz do Vaticano, o nome do novo Papa não deve sair nesta terça.

O cardeal brasileiro Dom Odilo Pedro Scherer é citado, pela imprensa e por analistas, como um dos favoritos a vencer a eleição, ao lado do italiano Angelo Sodano.

Bento XVI surpreendeu o mundo e a Igreja ao anunciar, em 11 de fevereiro, que iria renunciar ao cargo, após oito anos de um pontificado marcado por crises e divisões internas.

(*) Com agências internacionais

G1

Cardeais brasileiros eleitores iniciam participação na preparação do conclave

cardeaisbrasileirosDom Raymundo Damasceno, dom Cláudio Hummes, dom Odilo Scherer, dom Geraldo Majella Agnelo e dom João Braz de Aviz estão em Roma e começam, nesta sexta-feira, 1. de março, a participar dos encontros do Colégio Cardinalício em vista da convocação do Conclave que deverá ocorrer na próxima segunda-feira.

Segundo a Rádio Vaticano, também estão sendo ultimados os preparativos para a cobertura jornalística do conclave. Até agora foram credenicados junto à Sala de Imprensa da Santa Sé, para acompanhar os eventos que seguiram à renúncia do Papa e que levarão ao Conclave para a eleição de seu sucessor, 3.641 jornalistas de 968 meios de comunicação e de 24 línguas.

A informação foi dada pelo Diretor da Sala de Imprensa vaticana, o jesuíta Pe. Federico Lombardi, durante a coletiva com os jornalistas. Com relação aos vários meios de comunicação, os jornalistas de jornais são 336, 156 os fotógrafos, 2.470 os reportes e técnicos, 231 os jornalistas de emissoras de rádio, 115 os acreditados através da internet.

 

 

CNBB

Papa aprova mudanças que podem antecipar conclave, afirma Vaticano

 (Foto: Alessandro Bianchi/Reuters)
(Foto: Alessandro Bianchi/Reuters)

O Vaticano infomou nesta segunda-feira (25) que Bento XVI aprovou mudanças na legislação da Igreja Católica para que os cardeais possam iniciar o conclave antes do prazo anteriormente estipulado para escolha do novo Papa, de 15 dias após a morte ou renúncia de um pontífice. Apesar da mudança, no entanto, não há confirmação de que a reunião será antecipada nem existe uma data marcada para o início do ritual de escolha do sucessor.

Em sua decisão, Bento XVI afirmou que “é preciso se esperar quinze dias completos para começar o conclave”, mas abriu a possibilidade dos cardeais avaliarem a possibilidade de antecipar o processo. “Mas deixo ao Colégio Cardinalício a faculdade de antecipar o início do conclave se constar que estão presentes todos os cardeais eleitores, como também a possibilidade de atrasá-lo se há motivos graves. No entanto, transcorridos vinte dias do início da Sé Vacante, todos os cardeais presentes têm que proceder a eleição”, explicou o Papa.

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Bento XVI deixa oficialmente o comando da Igreja Católica às 20h da próxima quinta (28) no horário de Roma (16h em Brasília). O período chamado de Sé Vacante, 15 dias em que não há Papa nem conclave, faria com que a escolha do próximo líder mundial da Igreja Católica começasse no dia 15 de março. Agora, há possibilidade da eleição ser iniciada antes desse prazo, desde que os cardeais estejam reunidos no Vaticano.

De acordo com a Santa Sé, Bento XVI expediu um “Motu Proprio” – uma espécie de decreto elaborado diretamente pelo Papa – em que modifica alguns pontos do processo do conclave. Permanece, porém, a possibilidade de adiar o início da votação por até 20 dias após o início da Sé Vacante, caso seja necessário para a chegada dos cardeais.

O porta-voz do Vaticano, Federico Lombardi, afirmou que será preciso esperar o início da Sé Vacante e a reunião dos cardeais para saber quando vai começar o conclave. A primeira congregação de cardeais será realizada em 1º de março, horas depois da saída definitiva de Bento XVI. A partir desse dia, eles poderão anunciar a data da eleição.

Para eleger o novo Papa continua sendo necessário que um dos nomes tenha pelo menos dois terços dos votos. Cerca de 117 cardeais com menos de 80 anos terão o direito de entrar no conclave, que é realizado na Capela Sistina, no Vaticano.

Cardeais de todo o mundo já começaram consultas informais por telefone e por e-mail para a construção de um perfil do homem que eles acham que seria mais adequado para liderar a Igreja em um período de crise contínua. As últimas regras do conclave – encontro em que os cardeais, secretamente, escolhem o novo Papa – haviam dido estabelecidas por João Paulo II, antecessor de Bento XVI, em 1996.

O Papa Bento XVI durante a oração do Ângelus neste domingo (24), no Vaticano (Foto: Reprodução/TV Globo)Papa Bento XVI durante a oração para milhares de
fiéis no Vaticano (Foto: Reprodução/TV Globo)
Vou continuar servindo a Igreja, com o mesmo amor, mas de modo adequado às minhas forças e à minha idade”
Papa Bento XVI

‘Continuar servindo a Igreja’
O Papa Bento XVI realizou domingo (24) seu último Ângelus, em que ofereceu sua bênção aos fiéis. “O senhor me chama para subir o monte para me dedicar a oração. Vou continuar servindo a Igreja, com o mesmo amor, mas de modo adequado às minhas forças e à minha idade”, afirmou o Papa.

Milhares de pessoas comparecem à praça de São Pedro para a Hora do Ângelus. De acordo com a Santa Sé, quase 200 mil pessoas estiveram presentes durante audiência dominical, na qual Bento XVI rezou o Ângelus na janela de seus aposentos no Palácio Pontifício, no Vaticano. No final, o Papa se despediu em português. “Obrigado pela vossa presença e todas as manifestações de afeto e solidariedade aos que estão me acompanhando nesses dias”.

Na próxima quarta-feira (27), o pontífice vai realizar a última audiência geral que, na ocasião, acontecerá na Praça de São Pedro. No dia 28, último de seu pontificado, Bento XVI receberá às 11h, na Sala Clementina do palácio apostólico, os cardeais para a despedida. Em seguida, ele seguirá de helicóptero para Castengandolfo, a 30 km de Roma.

Renúncia
Bento XVI surpreendeu a Igreja e o mundo ao anunciar, em 11 de fevereiro, que iria deixar o cargo no fim do mês, por conta de sua saúde frágil. Logo em seghuida, ele se retirou com a Cúria para “exercícios espirituais” do período de Quaresma. Na capela “Redemptoris Mater”, 17 sessões de reflexões do cardeal italiano Gianfranco Ravasi ocuparam o tempo dedicado tradicionalmente à oração e exame de consciência em preparação para a Páscoa, em 31 de março.

 

 

G1

Papa pode mudar regras do conclave que elegerá seu sucessor

O papa Bento 16 pode promulgar uma nova lei que regerá o próximo conclave , no qual será eleito seu sucessor, informou nesta quarta-feira (20) o padre Federico Lombardi, porta-voz do Vaticano.

Bento 16 surpreendeu a Igreja Católica e o mundo no dia 11 de fevereiro ao anunciar sua renúncia , a primeira de um papa em cerca de seis séculos . Ele, que se tornou papa em 2005, deu como justificativa para sua decisão a idade avançada e a falta de vigor físico.

 

 

AP

Papa Bento 16 celebra missa dominical na praça de São Padro (17/02)

 

Segundo Lombardi, ainda não ficou claro se a nova lei, que ainda está em estudo, abordaria a questão da data do conclave, que acontecerá após a renúncia oficial de Bento 16 no dia 28 de fevereiro. Ele afirmou que as novas normas terão alguns “esclarecimentos” sobre certos pontos. Mas dado o conflito de interesses cercando o dia do início da eleição do novo papa, é provável que a questão esteja presente.

A atual lei diz que os cardeais devem aguardar 15 dias depois que o trono de São Pedro ficar vago para dar início ao conclave, permitindo dessa forma que todos os cardeais elegíveis consigam chegar a Roma. Caso isso ocorresse, o dia 15 de março marcaria o início dos trabalhos.

Essa espera, entretanto, se faz necessária em respeito ao período de luto do papa anterior, o que não ocorrerá dessa vez, uma vez que se trata de renúncia e não morte. Desta vez, os cardeais já têm conhecimento de que o papado de Bento 16 chegará ao fim em 28 de fevereiro, e, portanto, possuem tempo suficiente para comparecer a Roma.

Alguns canonistas e estudiosos do direito da Igreja afirmaram que as regras atuais possuem margem de manobra para o não cumprimento dos 15 dias de espera, uma vez que a maioria, se não todos os cardeais, estará em Roma para a audiência final de Bento 16 no dia 27 de fevereiro e para o último encontro do papa com cardeais no dia 28.

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“O documento diz que os cardeais presentes em Roma devem esperar 15 dias pela chegada dos outros”, disse Ambrogio Piazzoni, o vice-chefe da biblioteca do Vaticano. “Isso pode significar que se todos os cardeais chegarem antes dos 15 dias não há motivo para a espera. A frase ‘devem esperar’ não diz que o conclave não pode ser iniciado antes de 15 dias.”

Entretanto, o principal especialista em direito canônico dos EUA Edward Peters, assessor da Suprema Corte do Vaticano, acolheu a ideia de que o próprio papa intervenha na questão. “É óbvio que adiantar a data do conclave seria melhor, mas fazê-lo expressaria nada menos que a autoridade papal levanta sérios problemas canônicos e até eclesiásticos”, disse.

 

A data do início do conclave é importante, porque a Semana Santa começa no dia 24 de março, com a Missa do Domingo de Ramos, seguida pela Páscoa, em 31 de março. Para ter um novo papa a tempo do período litúrgico mais solene do calendário da Igreja, ele teria que ser empossado em 17 de março, por causa da forte tradição de realizar a missa de entronação em um domingo. Dado o prazo apertado, as especulações dão conta de que a votação teria início por volta do dia 10 de março.

Com AP