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Minissérie de TV retrata a rotina dos Papas do Concílio Vaticano II

O Concílio Ecumênico Vaticano II foi convocado no dia 25 de janeiro de 1961, através da bula papal “Humanae salutis”, pelo papa João XXIII. Este mesmo Papa inaugurou-o, a ritmo extraordinário, no dia 11 de outubro de 1962. O Concílio, realizado em quatro sessões, só terminou no dia 8 de dezembro de 1965, já sob o papado de Paulo VI.

Nestas quatro sessões, mais de dois mil bispos convocados, de todo o planeta, discutiram e regulamentaram vários temas da Igreja Católica. As suas decisões estão expressas nas quatro constituições, nove decretos e três declarações elaboradas e aprovadas pelo Concílio.

Neste ano de 2012 a Igreja celebra os 50 anos da abertura desse grande evento. Em comemoração ao jubileu de prata será exibida, pela primeira vez na televisão brasileira, a minissérie “Papas do Concílio”.

Com base em dois filmes produzidos na Itália e inéditos no Brasil, a minissérie retrata a trajetória do Papa João XXIII e do Papa Paulo VI, principais protagonistas do Concílio.

A produção que terá dez episódios conta, também, com depoimentos das personalidades mais importantes do episcopado brasileiro, que vivenciaram o período histórico mais marcante da Igreja Católica.

“Papas do Concílio” estreia no próximo dia 12 de novembro, em dois horários, às 14h e às 20h, na TV Aparecida.

CNBBB

Padre Bosco: A Igreja no Concilio Vaticano II

No dia 11 de outubro de 1962, em Roma, o Papa João XXIII, chamado o papa Bom, fazia a abertura do Concilio Vaticano II. O Vaticano I aconteceu de  8 de Dezembro de 1869 a 18 de Dezembro de 1870. Ninguém na igreja imaginava que o papa, já muito cansado, pudesse convocar a Igreja para um Concilio. De fato, no seguinte, no dia 03 de junho, acontece a sua passagem para o céu. O seu papado teve um curto período de Cinco anos, mas a sua intuição foi sequenciada pelo papa Paulo VI.

Temos que ressaltar pelo menos duas grandes mudanças na Igreja a partir do Concílio, entre tantas outras.

A liturgia foi completamente modificada a partir do Concilio. A primeira grande revolução foi a permissão para que cada nação pudesse celebrar em sua própria língua. Aparentemente parece não ter novidades por ai, mas vejam que em todos os lugares do mundo o culto cristão era rezado em latim. Em uma cultura de povos analfabetos, a missa era algo completamente incompreensível.

Era comum que durante a missa as senhoras rezassem o terço. Enquanto o padre presidia a eucaristia, as pessoas ou faziam suas orações ou se mantinham ali presentes assistindo a algo que parecia distante de suas vidas. Sem contar que o presidente da celebração ficava de costas para o povo, pois o altar estava fixado na parede como identificamos ainda hoje muitos altares no mesmo formato.

Assim pudemos compreender tudo o que temos hoje na liturgia como fruto do Concilio: os cantos, os salmos, os instrumentos, os gestos, os ministros, os diversos ministérios e serviços que pudemos organizar para a participação de toda comunidade. A liturgia passou a ser uma ação de todo o Povo de Deus, um povo que celebra a sua vida, sendo conduzido por aquele que preside: o bispo ou o presbítero. O mesmo Espirito que suscitou o Concílio continua a suscitar muitos frutos na liturgia da Igreja.

A outra mudança que pudemos destacar a partir do Concilio é a presença da Igreja dentro do mundo. Naquele momento do Concilio tínhamos uma igreja tímida, um pouco voltada para si. O Concilio resgatou de forma mais ampla o papel da presença da Igreja no mundo, com a consciência de não ser do mundo. (João 17).

A partir desse principio, grandes passos foram dados e a Igreja passou a ser aquela presença que anuncia, dialoga, escuta e que denuncia também. Foi por causa disso que a Igreja começou a estruturar a sua vida pastoral. Ate então, a missão tinha uma característica mais sacramental. Agora, além dos sacramentos, canais privilegiadíssimos para a nossa comunhão com Deus, a Igreja organiza a sua ação missionaria, em vista da evangelização dos povos. Quem não se recorda da Evangelli Nuntiand do Papa Paulo VI publicada em 1975?

Nestes anos pós-concílio, temos tido uma riqueza imensa ainda desconhecida por muitos no campo da Doutrina Social da Igreja que devemos resgatar. A falta desse conhecimento tem levado a muitos a pensar que a igreja está fora do tempo, perdeu o seu papel, não tem clareza, não esta não é a verdade. É claro que temos as dificuldades e a falta de atenção a tudo aquilo que a nossa Igreja tem produzido e oferecido. Como nós todos somos a Igreja, o problema muitas vezes é nosso porque não despertamos para perceber o que acontece ao nosso redor. Deixamos de perceber os sinais dos tempos. Quantas vezes nos detemos no negativismo sem nos deixar contaminar pelo novo que o evangelho nos oferece. O aggiornamento dos tempos do Concilio precisa nos contagiar, isto é, aquele forte desejo de atualização e renovação da nossa própria vida que possamos promover vida para toda humanidade.

Padre Bosco

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Simpósio Teológico: Os 50 anos da abertura do Concílio Vaticano II

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No próximo dia 11 de outubro estarão transcorrendo 50 anos da solene abertura do Concílio Vaticano II pelo papa João XXIII. Celebrações de variada natureza vão assinalar em todo o mundo este significativo jubileu. No Rio de Janeiro, a Faculdade de São Bento irá promover um Simpósio Teológico, aberto para sacerdotes, religiosos, religiosas e leigos interessados, em que serão estudados alguns dos documentos conciliares. O Simpósio será realizado nas tardes dos dias 9, 10 e 11 de outubro, das 13h30 às 17h, no auditório do 3º andar do Colégio de São Bento (rua Dom Gerardo, 68 Centro Rio de Janeiro).

Será o seguinte o programa do Simpósio:

9 de outubro, terça-feira

13h30 – Abertura

14h (1ª conferência): “Para uma compreensão histórica complexa do Concílio Vaticano II”,  Prof.  Rodrigo Coppe Caldeira, historiador, doutor em Ciência da Religião pela Universidade Federal de Juiz de Fora e professor adjunto da PUC-Minas.

15h – coffee break

15h30 (2ª conferência): “A eclesiologia na Constituição Lumen Gentium”,  D. Nelson Francelino Ferreira, bispo auxiliar do Rio de Janeiro, doutor em Teologia.

16h30 – Diálogo dos conferencistas com o auditório e conclusão.

10 de outubro, quarta-feira

13h30 (1ª conferência): “A Presbyterorum Ordinis e a distribuição do clero: A recepção canônica da Prebyterorum Ordinis n. 10”,  Pe. Ariel David Busso, Coordenador do Centro de Ciências Jurídicas da Pontifícia Universidade Católica Argentina – Buenos Aires.

15h – coffee break

15h30 (2ª Conferência): “O presbítero entre presbíteros: Reflexões sobre a Presbyterorun Ordinis n. 7 e 8”, Pe. Ariel David Busso, coordenador do Centro de Ciências Jurídicas da Pontifícia Universidade Católica Argentina – Buenos Aires.

16h30 – Diálogo dos conferencistas com o auditório e conclusão

11 de outubro, quinta-feira

13h30 (1ª conferência): “Pastoralidade: uma chave hermenêutica do Concílio Vaticano II”, Mons. Antônio Luiz Catelan, Doutor em Teologia Dogmática e membro da Comissão de Doutrina da CNBB.

15h – coffee break

15h30 (2ª conferência):  “Dei Verbum: sua relevância a 50 anos da abertura do Vaticano II”, Profª Maria de Lourdes Corrêa Lima, Doutora em Teologia Bíblica pela Pontifícia Universidade Gregoriana (Roma), professora de Sagrada Escritura na PUC-Rio e no Instituto Superior de Teologia da Arquidiocese do Rio de Janeiro.

16h30 – Diálogo dos conferencistas com o auditório

17h – Encerramento do Simpósio

As vagas para este evento são limitadas. As inscrições já estão abertas, sendo cobrada uma taxa de R$ 90,00, dando direito a coffee break e uma pasta com variado material. No último dia do simpósio, será conferido um certificado aos participantes. A presença deve ser registrada mediante assinatura em listagens disponíveis no hall do auditório. As listagens devem ser assinadas diariamente, no momento da chegada.

Informações e inscrições no site www.faculdadesaobento.org.br ou na Faculdade de São Bento do Rio de Janeiro (rua D. Gerardo, 42 / 6º andar – Centro) Telefones  (21) 2206-8310 e (21) 2206-8281.

CNBB

Simpósio promove reflexões sobre Teologia da Libertação e Concílio Vaticano II

No marco dos 50 anos do Concílio Vaticano II e dos 40 anos da Teologia da Libertação, o Movimento Formação Cristã Libertadora realiza em Fortaleza (CE) o Simpósio Teológico “50 anos do Concílio Vaticano II – 40 anos da Teologia da Libertação. O que o espírito diz às igrejas?”. O evento, que começa nesta quinta e se encerra no dia 1º de setembro, será realizado no Centro Pastoral Maria Mãe da Igreja, no Centro da capital cearense. A entrada é gratuita.

O principal objetivo do simpósio é mostrar que “outro cristianismo é possível”. De acordo com Maria Cleide Pires de Andrade, integrante do Movimento Formação Cristã Libertadora, isso significa promover “um cristianismo mais sensível às questões dos povos mais necessitados, na abertura ao diálogo, um cristianismo mais respeitador, mais acolhedor no trato com pessoas de outras orientações de vida”.

“[A ideia é] trazer os problemas da sociedade para dentro da Igreja, que é a proposta da Teologia da Libertação. Ser Igreja Povo de Deus, que se preocupa com o que acontece fora do templo”, explica.

Cleide ressalta ainda que a realização deste simpósio aproveita a celebração dos 50 anos do Concílio Vaticano II (1962), que “foi um grande momento na Igreja, na abertura e promoção dos movimentos sociais, e vamos abordar isso nos temas dos palestrantes convidados”. Nomes como Dom Tomás Balduíno, Mercedes de Budallés Diez e Francisco de Aquino Junior, contribuirão com as palestras do evento.

Programação

A palestra de abertura do Simpósio Teológico, nesta quinta-feira (30), abordará o tema “Fidelidade e infidelidade ao espírito do Concílio na caminhada da Igreja na América Latina e no Brasil”, e terá como conferencista Dom Tomás Balduíno, bispo emérito de Goiás e fundados da Comissão Pastoral da Terra (CPT) e do Conselho Indigenista Missionário (Cimi).

Já na sexta-feira (31) é a vez da teóloga Mercedes de Budallés Diez dar sua contribuição na palestra “Como ser igreja-fermento de emancipação humana dentro de uma igreja-massa de eventos midiáticos?”. Em entrevista à Adital, Mercedes explicou que “massa é algo que não está pronto”, e que por isso é importante se preocupar com o “fermento” e com a “pequena semente”, ou como explicou, ‘as minorias abraâmicas’.

“Os programas religiosos propagam direta ou indiretamente a teologia da prosperidade e geram igrejas massificadas, individualistas, cheias de emoções passageiras e sem nenhum compromisso com a transformação da sociedade. Em minha opinião, fomentar um cristianismo esclarecido e atuante diante dos grandes problemas que assolam a nossa sociedade, só pode se fazer desde baixo, desde as minorias, com os empobrecidos. A massa é algo que não está pronta. Cuidemos do fermento, dos pequenos. Como Jesus fez!”, aconselhou na entrevista.

Fechando o evento, no dia 1º, o padre Francisco de Aquino Junior falará sobre “Temáticas, métodos e posições da Teologia da Libertação que continuam irrenunciáveis ao caminhar da Igreja”.

Segundo Cleide, é esperada a participação de cerca de 250 pessoas. Entre os/as participantes virá um grupo de jovens da Pastoral da Juventude do Meio Popular, de Sobral, cidade do interior do Ceará. “Esperamos que o evento não fique só nas discussões. Esperamos que as pessoas possam reproduzir o que discutiremos aqui, nas suas comunidades e grupos”, finaliza.

O Centro Pastoral Maria Mãe da Igreja fica localizado na Rua Rodrigues Júnior, 300, Centro.

Tatiana Félix/Adital

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