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PGR diz que Collor recebeu R$ 29 milhões de propina da BR Distribuidora

 (FOTO: WALDEMIR BARRETO/AGÊNCIA SENADO)
(FOTO: WALDEMIR BARRETO/AGÊNCIA SENADO)

A Procuradoria-Geral da República (PGR) informou ao Supremo Tribunal Federal (STF) que o senador Fernando Collor (PTC-AL) recebeu mais de R$ 29 milhões de propina entre 2010 e 2014 por meio de um contrato da BR Distribuidora, empresa da Petrobras.

A acusação é baseada no depoimento de delação do doleiro Alberto Yousseff e faz parte de denúncia enviada ao Supremo em março deste ano, mas que ainda não foi liberada para julgamento pelo ministro Teori Zavascki, relator do processo. As informações vieram à tona hoje porque o ministro retirou o sigilo da denúncia.

Para reparar os dados causados pelos supostos desvios, a PGR pede que o Supremo decrete a devolução de R$ 154,7 milhões e a perda da função pública de Collor, além do bloqueio de R$ 30,9 milhões em bens para garantir o ressarcimento aos cofres públicos.

De acordo com a PGR, existia “uma organização criminosa” na BR Distribuidora para desviar recursos públicos. Segundo os procuradores, além de Collor, estão envolvidos no suposto esquema a mulher do senador, Caroline Collor, e outros acusados, que atuavam como “operadores particulares” e “testas de ferro” no recebimento dos valores.

Carros de luxo

A denúncia afirma que o senador comprou carros de luxo com o dinheiro da suposta propina. Entre os veículos estão um Lamborghini, avaliada em R$ 3,2 milhões; uma Ferrari (R$ 1,4 milhão), um Bentley, e duas Land Rover. Em julho de 2015, os carros de luxo foram apreendidos na residência particular do senador em Brasília, conhecida como Casa da Dinda.

“Os automóveis foram pagos ou financiados por meio de empresas de propriedade do senador, como a Gazeta de Alagoas e a TV Gazeta de Alagoas, e, apesar de serem bens de uso pessoal, foram registrados em nome da Água Branca Participações, empresa de ocultação patrimonial do parlamentar”, afirma a PGR.

Desde o surgimento da denúncia, em 2015, Collor nega recebimento de propina. Segundo o senador, as acusações são ilações e generalidades de delatores.

Não há data prevista para o julgamento da denúncia no STF. Na Lava Jato, Collor responde a pelo menos seis inquéritos no Supremo.

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PGR pede ao Supremo abertura de novo inquérito para investigar Collor

collorA Procuradoria Geral da República enviou ao Supremo Tribunal Federal (STF) um novo pedido de investigação sobre o senador Fernando Collor (PTB). O pedido foi encaminhado diretamente ao gabinete do ministro Teori Zavascki, na noite desta quarta (11), por ligação com as investigações da Operação Lava Jato, da qual ele é relator do STF.

O documento está sob segredo de Justiça e, por isso, não estão públicas as novas suspeitas levantadas pela PGR relacionadas ao senador. O registro de protocolo no STF cita, porém, os crimes de peculato (desvio de dinheiro público), corrupção passiva (solicitação ou recebimento de vantagem indevida) e lavagem de dinheiro (ocultação de dinheiro com origem ilícita).

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O G1 procurou o advogado do senador, mas até a última atualização desta reportagem não havia obtido resposta.

Collor foi denunciado em agosto deste ano, dentro da Operação Lava Jato, por supostamente ter recebido, com um grupo de auxiliares, R$ 26 milhões, entre 2010 e 2014, como pagamento de propina por contratos firmados na BR Distribuidora. Ele sempre negou as acusações.

Em julho, a pedido da PGR, Collor chegou a ter veículos de luxo apreendidos por suspeita de que teria adquirido os bens para lavar dinheiro. O STF quebrou o sigilo de contratos de financiamento para que investigadores analisem como foi feita a compra.

No fim do mês passado, um Lamborghini, um Bentley, uma Range Rover e uma Ferrari foram devolvidos ao senador, para que pudesse conservar os veículos. Os documentos, no entanto, ficaram retidos para aguardar uma decisão sobre a posse dos veículos.

Desde que foi mencionado nas investigações, Collor sempre negou as acusações e disse estranhar a inclusão de seu nome na lista de políticos supostamente envolvidos no esquema.
No dia em que contestou a denúncia de que recebeu R$ 26 milhões em propina, o senador do PTB disse “nada ter a ver” com os fatos a ele imputados.  E declarou ter certeza de que “a verdade, mais uma vez, virá à tona”.

Quanto aos carros de luxo, o senador disse que são propriedade de empresas das quais é sócio majoritário e afirmou que é o responsável pelos seus financiamentos. Para ele, a apreensão dos veículos superesportivos foi “espetaculosa” e midiática”.

G1

 

Reprovação de Dilma cresce e supera a de Collor em 1992

Dilma-RoussefCom 71% de reprovação, a presidente Dilma Rousseff (PT) superou as piores taxas registradas por Fernando Collor (1990­-92) no cargo às vésperas de sofrer um processo de impeachment, mostra pesquisa Datafolha feita entre terça e esta quarta-feira (5).

No levantamento anterior, realizado na terceira semana de junho, 65% dos entrevistados viam o governo Dilma como ruim ou péssimo.

O grupo dos que consideram a atuação da petista ótima ou boa variou para baixo, dentro da margem de erro de dois pontos percentuais. Em junho, 10% dos consultados pelo Datafolha mantinham essa opinião. Agora, são 8%.

O cenário piorou para a presidente Dilma também no que diz respeito a um eventual pedido de impeachment.

Questionados se o Congresso deveria abrir um procedimento formal de afastamento, 66% dos entrevistados disseram que sim. No levantamento anterior, realizado em abril, eram 63%.

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Também aumentou a quantidade de pessoas que acham que ela será retirada do cargo, independentemente de suas opiniões sobre um eventual processo de impeachment. Em abril, 29% diziam que a presidente seria afastada do Planalto. Agora, 38% disseram achar que Dilma sofrerá um impeachment.

Os números registrados pelo Datafolha na pesquisa desta semana são os piores desde que o instituto iniciou a série de pesquisas em âmbito nacional, em 1990, no governo Fernando Collor.

O atual senador pelo PTB-­AL, investigado na Lava Jato, era até agora o recordista de impopularidade na série do Datafolha, com 9% de aprovação e 68% de reprovação na véspera de seu impeachment, em setembro de 1992.

Dilma, dessa forma, passa a ser a presidente com a pior taxa de popularidade entre todos os eleitos diretamente desde a redemocratização.

As pesquisas Datafolha do período do governo José Sarney (1985­1990) eram feitas em dez capitais. Incomparáveis, portanto, com as seguintes. Nesse universo, Sarney registrou 68% de reprovação em seu pior momento, em meio à superinflação.

Regiões
A reprovação à presidente Dilma Rousseff é homogênea em relação às regiões do país, com índices em patamares semelhantes em todas elas.

Nos locais em que seu partido, o PT, costuma ter mais reprovação, a presidente registrou taxas levemente piores. A maior taxa de reprovação foi registrada na região Centro­Oeste, 77%. No Sudeste e no Sul, 73% dos entrevistados disseram que o governo é ruim ou péssimo.

Mesmo no Nordeste, região do país onde o PT costuma ter melhor desempenho eleitoral, a aprovação de Dilma é baixa. Apenas 10% dos consultados pelo Datafolha afirmaram que o governo é ótimo ou bom. Outros 66% entendem que a administração é ruim ou péssima.

As taxas apuradas pelo Datafolha em relação à questão do impeachment também são consistentes independentemente da região do país.

No Centro­-Oeste, 74% acreditam que o Congresso deveria fazer tramitar um pedido de afastamento. Sul e Sudeste registram 65%. No Nordeste, o percentual é maior, porém dentro da margem de erro, com 67%.

Também não há diferença relevante em relação a idade ou o sexo dos entrevistados. Os resultados tanto entre homens como entre mulheres repetem o percentual de reprovação geral, de 71%.

Dilma tem reprovação levemente inferior entre pessoas com mais de 60 anos (68%). Os resultados das outras faixas etárias variam pouco, sempre dentro da margem de erro.

O Datafolha entrevistou 3.358 pessoas com 16 anos ou mais em 201 municípios nas cinco regiões do país.

A margem de erro da pesquisa é de dois pontos percentuais para mais ou para menos.

O nível de confiança do levantamento é de 95% –se fossem realizadas 100 pesquisas com a mesma metodologia, os resultados estariam dentro da margem de erro em 95 ocasiões.

Da Folha de S. Paulo

Collor nega envolvimento com doleiro preso pela operação Lava Jato

collorO senador Fernando Collor de Melo (PTB-AL), ex-presidente da República, afirmou nesta segunda-feira (26) em discurso no plenário do Senado que não mantém qualquer relação política ou pessoal com o doleiro Alberto Youssef, preso pela Polícia Federal (PF) sob suspeita de participar de esquema de lavagem de dinheiro que movimentou cerca de R$ 10 bilhões.

“Quanto ao Youssef, posso afirmar de modo categórico que não conheço e jamais mantive com ele qualquer relacionamento de ordem pessoal e política”, declarou Collor.

O senador também apontou em seu discurso para o fato de não haver indício nos inquéritos da Polícia Federal de seu envolvimento no caso.

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Esta foi a primeira vez que Collor se pronunciou sobre as denúncias de que teria sido beneficiado com dinheiro pago pelo doleiro. Na última quinta-feira (22), o juiz federal do Paraná Sérgio Moro informou ao ministro Teori Zavascki, do Supremo Tribunal Federal (STF), que a PF apreendeu no escritório de Youssef oito comprovantes de depósitos bancários que tiveram Collor como beneficiário.

Collor afirmou que as informações divulgadas pela imprensa se devem ao fato de os meios de comunicação estarem “inconformados” e “desiludidos” com a sua absolvição, em abril, pelo Supremo das acusações de peculato, corrupção passiva e falsidade ideológica.

“O principal teor do expediente do ministro Sergio Moro ao ministro Teori Zavascki foi sua taxativa declaração de que não há qualquer envolvimento meu nos oito inquéritos  da Polícia federal vinculados àquela operação [Lava Jato]. E isso é de fundamental e importância e merece realce”, disse Collor.

No ofício de Moro ao ministro do STF, o magistrado O magistrado ressalvou “que não há qualquer indício do envolvimento do referido parlamentar nos crimes”  referentes à Operação Lava Jato sob apuração na Justiça Federal.Em discurso no plenário do Senado, Collor nega ter relação com Alberto Youssef

O senador Fernando Collor de Melo (PTB-AL), ex-presidente da República, afirmou nesta segunda-feira (26) em discurso no plenário do Senado que não mantém qualquer relação política ou pessoal com o doleiro Alberto Youssef, preso pela Polícia Federal sob suspeita de participar de esquema de lavagem de dinheiro que movimentou mais de R$ 10 bilhões.

Esta foi a primeira vez que Collor se pronunciou sobre as denúncias de que ele foi beneficiado com dinheiro pago pelo doleiro. Na última quinta-feira (22), o juiz federal do Paraná Sérgio Moro informou ao ministro Teori Zavascki, do Supremo Tribunal Federal (STF), que a PF apreendeu no escritório de Youssef oito comprovantes de depósitos bancários que tiveram Collor como beneficiário.

Collor afirmou que as informações divulgadas pela imprensa se devem ao fato de os meios de comunicação estarem “inconformados” e “desiludidos” com a sua absolvição, em abril, pelo Supremo das acusações de peculato, corrupção passiva e falsidade ideológica.

“Quanto ao Youssef, posso afirmar de modo categórico que não conheço e jamais mantive com ele qualquer relacionamento de ordem pessoal e política”, declarou Collor. O senador também apontou em seu discurso para o fato de não haver indício nos inquéritos da Polícia Federal de seu envolvimento no caso.

“O principal teor do expediente do ministro Sergio Moro ao ministro Teori Zavascki foi sua taxativa declaração de que não há qualquer envolvimento meu nos oito inquéritos  da Polícia federal vinculados àquela operação [Lava Jato]. E isso é de fundamental e importância e merece realce”, disse Collor.

No ofício de Moro ao ministro do STF, o magistrado O magistrado ressalvou “que não há qualquer indício do envolvimento do referido parlamentar nos crimes”  referentes à Operação Lava Jato sob apuração na Justiça Federal.

G1

Juiz diz que PF apreendeu com doleiro recibos de depósito em favor de Collor

CollorO juiz Sergio Fernando Moro, da 13ª Vara Federal em Curitiba, informou nesta quinta-feira (22) ao ministro Teori Zavascki, do STF (Supremo Tribunal Federal), que a Polícia Federal encontrou comprovantes de depósitos bancários em espécie em favor do senador Fernando Collor (PTB-AL). Segundo o juiz, os comprovantes estavam no escritório do doleiro Alberto Youssef, durante o cumprimento dos pedidos de busca e apreensão da Operação Lava Jato.

De acordo com relatório enviado pela Polícia Federal ao juiz, ocorreram oito depósitos fracionados em espécie de R$ 1.500; R$ 9.000; R$ 1.500; R$ 9.000; R$ 8.000; R$ 9.000; R$ 8.000 e R$ 4.000 em favor do senador. Segundo a PF, os depósitos ocorreram em fevereiro, março e maio do ano passado. Apesar dos achados da polícia, Moro afirma que o senador não é investigado na operação.

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“Relativamente ao material apreendido, juntado ontem nos autos eletrônicos, foi este juízo alertado pela autoridade policial que nele constam oito comprovantes de depósitos bancários em espécie que teriam sido encontrados no escritório de Alberto Youssef e que teriam por beneficiário o senador da República Fernando Affonso Collor de Mello. Apesar disso, observo que não há qualquer indício do envolvimento do referido parlamentar nos crimes que já foram objeto das aludidas oito ações penais propostas”, informou o juiz.

O juiz ressalta no documento que não seria possível prever a apreensão de achados relacionados a um senador. “Tal prova e eventual relação entre o suposto doleiro e o referido senador era absolutamente desconhecida deste juízo, tendo sido encontrada fortuitamente durante a busca e apreensão. Inviável antes da busca, concluir pela presença de indícios de crimes praticados por parlamentar e pela competência do Supremo Tribunal Federal, já que surgiram somente após a diligência”, declarou.

No ofício enviado ao ministro, Sergio Moro ainda afirma que não autorizou a Polícia Federal a fazer a diligência que encontrou conversas entre o deputado federal André Vargas (sem partido – PR) e Youssef, na qual teria sido marcada uma reunião na casa do deputado Cândido Vacarezza (PT-SP).

“Muito embora o relatório preparado pela Polícia Federal para a remessa do material do deputado federal André Vargas mencione o deputado federal Cândido Vaccarezza, observo que a menção diz respeito a suposta reunião dele com Alberto Youssef, sem que, em princípio, se possa inferir caráter criminoso do evento em questão. Apesar do agente policial sugerir, no relatório, a este juízo, que obtivesse confirmação de que determinado aparelho de Blackberry pertenceria ao referido deputado, observo que este juízo não autorizou essa diligência e a recomendação consta em relatório solicitado por este Juízo com o propósito específico de remessa do material ao Supremo Tribunal Federal”, disse Moro.

Sérgio Moro também afirmou que o deputado Luiz Argôlo (SDD-BA) não é investigado na Lava Jato, assim como o deputado André Vargas. Durante as investigações, a PF captou conversas entre os parlamentares e o doleiro que sugerem favorecimentos entre eles. “Apesar da remessa, observo que não há qualquer indício do envolvimento do parlamentar nos crimes que já foram objeto das aludidas oito ações penais propostas”, garantiu o juiz.

As informações foram produzidas pelo juiz ao enviar ao Supremo todas as ações penais oriundas das investigações da Operação Lava Jato, conforme decisão do ministro Teori Zavascki. O magistrado entendeu que as investigações deve ser suspensas devido à presença de parlamentares nos autos.

Procurada pela Agência Brasil, a assessoria do senador Fernando Collor disse que não tinha conhecimento do assunto.

uol

Vannuchi: projeção de Joaquim Barbosa se assemelha à de Collor

Valter Campanato/abr
Valter Campanato/abr

A forte queda na popularidade da presidenta Dilma Rousseff (PT) registrada pela pesquisa Datafolha divulgada neste fim de semana acaba com o favoritismo absoluto que ela tinha até aqui para as eleições de 2014. Dilma, no entanto, continua sendo a candidata mais forte para o pleito do ano que vem, na avaliação do cientista político Paulo Vannuchi, em sua coluna na Rádio Brasil Atual. Ele destaca ainda a “aventura” que representaria a eventual candidatura do presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Joaquim Barbosa.

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Segundo Vannuchi, a queda de Dilma, do governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), e do prefeito paulistano, Fernando Haddad (PT), era esperada neste momento, logo após as manifestações de junho, mas é preciso aguardar se novas pesquisas consolidarão uma tendência que permita projetar influências para 2014.

“É preciso abrir uma série, com pesquisas dentro de um mês ou dois, para que se verifique o que foi uma oscilação brusca do momento em que o povo esteve protestando. Com as imagens da televisão mostrando aquilo, claro que a tendência geral é de derrubar a popularidade da Dilma e, aqui em São Paulo, do Alckmin e do Haddad. Daqui a pouco, as pesquisas vão mostrar em que patamar essa queda estacionou e se houve ou não mudança no cenário”, disse Vannuchi.

Para ele, é possível antecipar que, embora mantenha a liderança nas pesquisas, Dilma não possui mais o favoritismo absoluto que ostentava antes. Essa queda da presidenta deve contribuir para um cenário, considerado provável por Vannuchi, de uma estabilização das manifestações, uma vez que aumenta as esperanças da oposição. “Quando as oposições não veem nenhuma chance de vitória, como não viam, sua tendência é radicalizar. Quando veem chances brotarem, é ‘não vamos tocar fogo no circo porque senão ninguém governa esse país depois’”. Houve situação semelhante na Venezuela, onde a oposição abrandou na mesma proporção em que seu candidato Henrique Capriles cresceu nas pesquisas contra Hugo Chávez.

Além da força da presidenta, Vannuchi alerta para o risco representado pelas intenções de voto recebidas por Joaquim Barbosa, uma vez que se assemelham, em sua visão, à forma como se projetou, em 1989, a candidatura de Fernando Collor. “Se nosso amadurecimento político não for suficiente para superar para sempre as ditaduras e as experiências de aventura, Joaquim Barbosa é uma opção”, alerta. “E a democracia é assim, se o povo quiser, se a mídia trabalhar e as organizações da sociedade civil não conseguirem se opor, podem eleger Barbosa”, diz ele, ressaltando que a candidatura não é provável, até pelos problemas de saúde enfrentados pelo presidente do STF.

O ex-ministro vê chances de crescimento de Marina Silva (Rede Sustentabilidade), por ser a candidata mais crítica em relação aos partidos políticos tradicionais, mas pondera que ela tem dificuldade em lidar com um assunto caro à uma parcela importante dos seus simpatizantes – a liberdade de opção sexual. “É parte das demandas populares acabar com esse fundamentalismo anti-direitos humanos de uma direita evangélica que não fala em nome de todos os evangélicos”, avalia, referindo-se ao presidente da Comissão de Direitos Humanos da Câmara, Pastor Marcos Feliciano (PSC).

O analista vê ganhos para Eduardo Campos (PSB) por causa do movimento de reaproximação do governo e do PT com os partidos mais à esquerda da base aliada, incluindo PSB, PDT e PCdoB. “Campos se reaproxima de Dilma e Lula, e sempre quis ser candidato dessas forças”, afirma.

As maiores dificuldades se apresentam para o senador Aécio Neves (PSDB), que praticamente não se mexeu. “Ele cresceu um tiquinho de nada, o que é uma demonstração da enorme dificuldade que terá para emplacar”, diz Vannuchi. “Além do favoritismo de Dilma, ele tem que passar por novidades perigosas como Joaquim Barbosa, por Marina, que já tem a memória da eleição anterior em que recebeu muitos votos, e o próprio Campos, que ao se reaproximar do bloco Dilma-Lula ganha força muito maior”, sustenta.

 

 

por Redação da RBA

O fantasma do plano Collor amedronta a Europa

 

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SOB A SOMBRA DA FALÊNCIA
Fernando Collor e manifestantes cipriotas contrários
ao plano de resgate: confiscos igualmente dolorosos

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Apesar de ser uma ilha de apenas 9,5 mil quilômetros quadrados (menos da metade de Sergipe, o menor Estado brasileiro) encravada no Mar Mediterrâneo, o Chipre provocou, nos últimos dias, uma onda de pânico na Europa. Com o temor de que a falência do sistema financeiro do país contaminasse a já debilitada economia do Velho Continente, o conjunto de forças chamado de “troika” (União Europeia, Banco Central Europeu e Fundo Monetário Internacional) aprovou um plano de resgate de 10 bilhões de euros para socorrer os cipriotas. O dinheiro, porém, só será liberado com uma condição: a reforma completa do sistema financeiro do Chipre. O surpreendente é que o programa elaborado pelo governo cipriota – e que foi chancelado pela troika – prevê o confisco dos depósitos bancários. Se você pensou no famigerado Plano Collor, não se enganou. O mesmo confisco que traz pesadelos para os brasileiros (e que deixou como saldo a pior recessão da história recente do Brasil) será adotado agora do outro lado do oceano. Pior ainda: teme-se que esse modelo seja replicado por outros países europeus.

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Na semana passada, Jeroen Dijsselbloem, ministro das finanças da Holanda e presidente do Eurogrupo, declarou que o pacote cipriota pode servir de inspiração para futuros resgates realizados na Europa. Diante da repercussão negativa, o ministro divulgou um desmentido, dizendo que o Chipre era “um caso específico”. Ele não evitou, porém, as quedas nas bolsas de valores e a desvalorização do euro frente ao dólar. O pacote cipriota poderá confiscar integralmente o dinheiro de quem tem mais de 100 mil euros no Banco Popular, chamado de Laiki, e até 40% dos recursos dos correntistas do Banco do Chipre. Somados, os saldos representam 11,2 bilhões de euros. Os depósitos de até 100 mil euros são segurados devido a um acordo entre os líderes da zona do euro, mas estiveram sob ameaça na primeira proposta enviada ao Parlamento. O plano rejeitado, que previa taxar em 6,75% os pequenos e médios poupadores, causou indignação imediata na ilha e espalhou pânico em outros países. “O confisco transmite uma situação de desconfiança do sistema bancário”, diz André Biancareli, professor do Centro de Estudos de Conjuntura Política Econômica da Universidade Estadual de Campinas. “Isso pode ser a semente para uma tragédia econômica mais significativa.”

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NAS MÃOS DE PANICOS
O presidente do BC é o alvo preferido de protestos

Na opinião da chanceler alemã, Angela Merkel, que conduziu o acordo, os custos do resgate foram bem distribuídos. Para alguns analistas, a gritaria contra as medidas se deve ao fato de o Chipre ser um paraíso fiscal – principalmente para investidores russos –, com ativos que totalizam oito vezes o PIB da ilha. O impacto do plano de resgate deve ser sentido por toda a população. Depois de manter as instituições fechadas por mais de 10 dias, o governo anunciou sua reabertura parcial com estrito controle do fluxo de capitais para evitar uma corrida aos bancos. Os correntistas cipriotas não poderão, por exemplo, sacar mais de 300 euros por dia, e sofrerão limites para transações comerciais e uso do cartão de crédito no Exterior. As restrições, espera-se, serão temporárias. Na quarta-feira 27, dia do anúncio, manifestantes se reuniram em frente ao Palácio Presidencial, na capital Nicósia, para protestar contra as medidas. Por coincidência, o presidente do Banco Central, a quem os manifestantes se referem como “traidor”, chama-se Panicos Demetriades. Dadas as atuais circunstâncias, não poderia ser mais apropriado. Na semana passada, ISTOÉ procurou os mentores do Plano Collor: Zélia Cardoso de Mello, Ibrahim Eris, Antônio Kandir e o próprio Fernando Collor. Nenhum deles quis comentar o confisco cipriota.

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Fotos: Petros Karadjias/AP Photo; Yannis Behrakis e Gregg Newton/REUTERS

IstoÉ

‘Fui esquecido’, diz pivô do impeachment de Collor

Vinte anos depois de a Câmara aprovar a abertura do processo de impeachment de Fernando Collor –o que selou a queda do então presidente da República–, o potiguar Eriberto França reclama: “Fui esquecido. Minha dignidade tem que ser resgatada. No meio político é ‘estou bem’ e o resto que se dane”.

Há um ano e meio desempregado, ele é desde 1992 o “motorista que derrubou o presidente”, mas faz questão de reafirmar logo de cara: “Eu nunca fui motorista do presidente. Nunca dirigi para ele”.

Eriberto, hoje com 47 anos, trabalhava como assessor de Ana Acioli, secretária particular de Fernando Collor. Uma espécie de “faz-tudo”. Dirigia para ela e cuidava de tarefas financeiras ligadas ao ex-presidente e sua família.

Pagava contas da Casa da Dinda, por exemplo. Tudo com dinheiro enviado por Paulo César Farias (morto em 1996), tesoureiro da campanha presidencial de Collor e acusado de liderar um esquema de corrupção no Planalto.

Foi Eriberto quem comprou o famoso Fiat Elba, carro usado por Rosane Collor que virou prova do esquema de PC Farias. “Eu comprei, né, com o cheque”, recorda.

Alan Marques/Folhapress
O ex-motorista do então presidente Fernando Collor, Eriberto França
O ex-motorista do então presidente Fernando Collor, Eriberto França

Diz que cabia a ele, ainda, sair à caça de material para rituais de magia negra que ocorriam na Casa da Dinda.

“Quem comprava tudo para fazer aquela bagunça toda era eu. Comprava bode, galinha, o escambau, ia para cemitério buscar terra.”

Eriberto recebeu a Folha na semana passada em seu apartamento, em Brasília, alugado pelo sogro. Vive com a mulher, também desempregada, e dois filhos, que interromperam cursos em faculdades.

Hoje, aparenta ser um homem um tanto amargurado. Não queria dar entrevista. “Sempre sobra para mim.”

Ele argumenta que não teve reconhecimento público por parte da classe política. Reclama que jamais foi homenageado pelo Congresso. “Era isso que um dia eu esperava receber e nunca recebi. Foi ali [no Congresso] a coisa toda.”

Após sair do governo em 92, Eriberto trabalhou na revista “IstoÉ”, para qual deu a bombástica entrevista que acelerou o afastamento de Collor.

Depois, foi para o Ministério dos Transportes a convite do então ministro Odacir Klein. Em 2003, foi demitido e, com a ajuda de petistas, foi parar na EBC, na área técnica de televisão, de onde saiu em março de 2011.

Ganhava R$ 1,9 mil. Desde então, conta com a ajuda do sogro, tenta fazer alguns bicos e usa o dinheiro que sobrou da rescisão trabalhista.

Sua filha caçula tem os mesmos 20 anos que separam o dia de hoje de 29 de setembro de 1992, quando a Câmara aprovou o impeachment.

“Eu nunca tinha ouvido falar na palavra impeachment”, diz ele hoje. Conta, aliás, que naquela tarde de setembro se escondeu no sul da Bahia, numa fazenda da irmã do então diretor da “IstoÉ” João Santana.

O mesmo que se tornaria anos depois um dos principais marqueteiros políticos do país, tendo Lula e Dilma Rousseff na lista de clientes.

“Fiz de tudo para não ver [a sessão da Câmara]. [Lá] Tinha uma televisão. Aí pensei: O que que eu fiz? Sempre tinha um cara do meu lado para tranquilizar, o João Santana.”

ARREPENDIMENTO?

Passadas duas décadas, Eriberto é categórico: não repetiria seu gesto.

“Se eu falar para você que me arrependo, estou mentindo. Se eu falar que não, estou mentindo também. Porque se, na atual circunstância, você perguntar: ‘Eriberto, você faria tudo de novo?’ Eu vou botar a mão na cabeça e vou dizer: ‘não faria’. Sabe por que? Porque não compensou. Sofrer duas vezes, passar o que passei, o sufoco, e ainda não ter sido reconhecido?”.

Ele conta, em tom de revelação, que recebeu oferta financeira durante o escândalo para não contar o que sabia. “Poderia ficar rico, porque dinheiro foi oferecido e nunca quis. Foi oferecido para eu calar a boca. A coisa estava feita”, conta, sem dar mais detalhes.

A “coisa feita” citada foi a postura de revelar, em 1992, como atuou no esquema de Paulo César Farias. “Era muita roubalheira, nunca transportei tanto dinheiro”, diz.

Um certo dia, Collor já senador, Eriberto França foi visitar um amigo no Senado. Ao subir a escada que dá acesso ao tradicional Salão Azul, conta que deu de cara com ele. Pela primeira vez após o escândalo, o motorista encontrava o presidente que ajudou a derrubar.

“Foi uma casualidade. Ele estava descendo aquela escada, e eu subindo. Não sei se me reconheceu”, revela. Mal se olharam. “Não deu tempo. Foi inusitado. Ele lá com aquele jeitão, imponente”, diz, imitando Collor.

Eriberto nem imagina o diálogo que teria com Collor: “Seria muito cinismo da minha parte dizer ‘Oi presidente, tudo bem?’. Ele diria: ‘Claro que não, depois de tudo o que você me fez'”.

Eriberto diz que não contou tudo que sabia: “Não posso abrir, tem gente que sabe o que sei. Aí eu deixo alguém com a pulga atrás da orelha. A não ser que me matem como queima de arquivo”.

E foge das comparações com Roberto Jefferson, que denunciou o mensalão em 2005, e Pedro Collor, irmão do ex-presidente e o primeiro a revelar detalhes do esquema PC Farias. “Meu motivo está dentro de uma lógica: caramba, será possível que eu tenho que aceitar isso? Vamos dizer assim, um termo meio chulo, é muita roubalheira, muita corrupção”, diz.

Fernando Collor não quis dar entrevista à Folha sobre os 20 anos do impeachment nem se manifestou sobre as declarações de Eriberto.

Folha

Impeachment de Collor faz 20 anos; relembre fatos que levaram à queda

Um dos principais fatos políticos na história do Brasil, o impeachment do ex-presidente Fernando Collor de Mello, atualmente senador pelo PTB, completa 20 anos nesta semana.

Em 29 de setembro de 1992, a Câmara dos Deputados aprovou a perda do cargo do ex-presidente, marco do processo que levou à renúncia e perda dos direitos políticos de Collor por oito anos.

Para relembrar os fatos que levaram à queda do então presidente, o G1 publica nesta sexta (28) e no sábado (29) um conjunto de reportagens com depoimentos de personagens relacionados ao episódio, como ministros, políticos e auxiliares de Collor, e apresenta toda a trajetória do impeachment por meio de fotos, vídeos, infográficos e história em quadrinhos.

Tudo começou em 1989, quando o Brasil realizou a primeira eleição direta após três décadas. Durante a campanha eleitoral para a escolha do primeiro presidente eleito pelo voto popular após a ditadura, Collor se apresentou como “caçador de marajás”.

“Vamos fazer do nosso voto, a nossa arma. Para retirar do Palácio do Planalto, de Brasília, os maiores marajás deste país”, disse Collor em um comício.

Ele foi eleito com 35 milhões de votos contra 31 milhões recebidos pelo segundo colocado, o então sindicalista e hoje ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Meses depois da posse, em 15 de março de 1990, começaram a surgir denúncias de que o tesoureiro da campanha de Collor Paulo César Farias, o PC Farias, pediu dinheiro a empresários e ofereceu vantagens no governo.

Em 1991, Collor falou publicamente sobre as suspeitas. “Toda e qualquer denúncia tem que ser exemplarmente apurada”, afirmou.

Em maio de 1992, uma reportagem da revista “Veja” levou à abertura de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) no Congresso.

Pedro Collor disse à revista que PC Farias era “testa-de-ferro” do irmão e que o presidente sabia das atividades criminosas do tesoureiro.

Em 20 de junho de 1992, Collor negou relações com PC Farias. “Há cerca de dois anos não encontro o senhor Paulo César Farias, nem falo com ele. Mente quem afirma o contrário.”

Diante da pressão da CPI, Collor pediu o apoio da população. “Que saiam no próximo domingo de casa com alguma das peças de roupa nas cores da nossa bandeira. Que exponham nas janelas, que exponham nas suas janelas toalhas, panos, o que tiver nas cores da nossa bandeira. Porque assim nós estaremos mostrando onde está a verdadeira maioria”, disse o então presidente.

A estratégia foi mal-sucedida, e os chamados “caras-pintadas” saíram às ruas vestidos de preto e pedindo a saída de Collor da Presidência.

No mesmo mês, Collor sofreu outro revés. A CPI no Congresso concluiu que ele foi beneficiado pelo suposto esquema montado pelo ex-tesoureiro PC Farias.

O relatório da CPI afirmou que Collor cometeu crime de responsabilidade ao usar cheques fantasmas para o pagamento de despesas pessoais, como uma reforma na Casa da Dinda e a compra de um carro Fiat Elba. Com isso, o caminho para o impeachment estava aberto.

Em 29 de setembro de 1992, ocorreu o principal marco do processo que levou à saída de Collor da Presidência.

A Câmara aprovou o pedido de impeachment. O caso foi ao Senado, que abriu um processo para apurar se houve crime de responsabilidade e que deveria estar concluído em até 180 dias. A comissão de impeachment era presidida pelo presidente do Supremo, ministro Sidney Sanches.

Até lá, Collor ficaria afastado da presidência temporariamente, sendo substituído pelo vice Itamar Franco, o que só aconteceu em 2 de outubro de 1992. Foi o dia em que Collor desceu a rampa do Palácio do Planalto pela última vez.

Em 29 de dezembro, em uma sessão comandada pelo presidente do STF, o Senado decidiu que Fernando Collor era culpado pelo crime de responsabilidade.

Para tentar escapar da possível inelegibilidade por oito ano, o ex-presidente renunciou.

O Congresso entendeu que, mesmo assim, ele deveria perder os direitos políticos. O ex-presidente tentou questionar a inelegibilidade no Supremo, mas o tribunal entendeu que ele deveria mesmo perder os direitos políticos.

Área criminal
Depois da derrota política, Collor foi denunciado pela Procuradoria Geral da República por corrupção passiva (receber vantagem indevida). O processo começou a tramitar no Supremo em abril de 1993.

A Procuradoria argumentou que as despesas pessoais apontadas pela Câmara foram pagas com sobras do dinheiro da campanha de 1989.

Para condená-lo por corrupção passiva, era necessário que a Procuradoria provasse que Collor recebeu dinheiro em troca de favores e serviços prestados a corruptores.

Mas o STF entendeu que isso não foi comprovado e absolveu o ex-presidente por cinco votos a três, em dezembro de 1994 (veja no vídeo ao lado reportagem sobre a sessão do STF que absolveu o ex-presidente).

Collor voltou à política em 2002, ano em que perdeu a eleição para o governo de Alagoas. Em 2006, foi eleito senador pelo mesmo estado, cargo no qual permanece até hoje.

Morte de PC
Personagem central das denúncias que levaram à queda de Collor, PC Farias foi preso na Tailândia em novembro de 1993 em razão de um processo pelo qual respondia por sonegação fiscal.

Quase três anos depois, quando estava em liberdade condicional, ele e a namorada foram encontrados mortos em uma casa de praia em Maceió.

A polícia concluiu que PC foi morto pela namorada, que, segundo a versão policial, se suicidou em seguida. As circunstâncias e motivações do crime, no entanto, nunca foram completamente esclarecidas.

G1

Rede Globo mira em Fernando Collor e pode acertar tucano

 

Boa parte do Brasil parou na noite do domingo (15), para ver a supostamente bombástica entrevista de Rosane Brandão Malta (ex-Rosane Collor) ao Fantástico, a “revista eletrônica” da Rede Globo.

Todos esperavam revelações “fortes” – prometidas nas chamadas do programa – da ex-primeira dama da República. Para usar uma metáfora gasta, a Globo prometeu a lua, mas entregou a seus telespectadores uma paisagem lunar: só crateras vazias e nenhuma substância consistente.

Os rituais de magia negra, a relação com PC Farias, as memórias sobre o processo de impeachment… tudo que Rosane falou e o Fantástico exibiu hoje já era de conhecimento até do reino mineral – expressão de Nelson Rodrigues, não de Mino Carta, como pensam alguns.

Nada, absolutamente nada se salva da entrevista, em termos de novidade. Em termos jornalísticos, a “reportagem” foi um fracasso total. É de se perguntar, aliás, qual o critério jornalístico que levou a Globo a produzir tal entrevista. Não há qualquer fato novo – poderia ser o livro de Rosane, mas não se sabe nada dele, tanto que foi citado apenas superficialmente (*) – que justifique toda a mobilização da maior emissora do Brasil para tal empreitada com tanto destaque.

O que justifica a reportagem, na verdade, não é nada mais do que a necessidade de atacar o agora inimigo Fernando Collor de Mello.

A eleição de Collor foi uma fraude. Não pelos votos em si, mas pelo candidato, que não passava de um produto midiático preparado e apoiado com todo o poder dos grandes meios de comunicação para ser o anti-Lula de 1989.

Agora, passados vinte anos, Collor deixou de ser aliado e passou a ser inimigo, por compor a base de apoio do governo petista. Para a Globo e para a Veja, a primeira que ungiu Collor como um verdadeiro Messias em 89, é o que basta para ele ser colocado na alça de mira.

Lamentável é ver que profissionais – vou poupá-los de citação nominal – tão respeitados na TV brasileira se prestem a cumprir um papel vexatório como o dessa “matéria”. Aliás, para fingir que o assunto se tratava mesmo de jornalismo, os apresentadores do Fantástico fizeram questão de informar que tentaram ouvir Collor durante toda a semana, mas o senador, que de besta não tem nada, se recusou a falar.

Ótimo seria se Collor publicasse um livro contando como atuavam os donos, diretores e lobbistas da Rede Globo durante o seu governo.

Para ver a entrevista completa, clique no link

Marconi Perillo

O governador tucano de Goiás, que não tem nada a ver com a briga Globo x Collor, deve ter sentido muito incômodo com as referências tão detalhadas do processo que levou à deposição do então presidente.

O Fantástico mirou Collor, mas poderá acabar acertando Perillo, pois colocou em evidência denúncias que derrubaram o presidente e hoje acossam o tucano.

Perillo provavelmente se viu na “reportagem” quando esta falou da CPI que investigou Collor e descobriu cheques-fantasmas, esquemas de caixa 2, um tesoureiro de campanha influenciando no governo (no caso do tucano, este atende por Lúcio Fiúza Gouthier, que foi convocado à CPMI do Cachoeira, mas ficou calado).

A CPMI do Cachoeira está sendo tratada pelos grandes meios de comunicação como se fosse uma novela. Heróis, vilões, figuras exóticas, tramas urdidas nas sombras e outros ingredientes são utilizados para cobrir o cotidiano do órgão.

Para o azar de Perillo, a matéria do Fantástico faz a CPMI do Cachoeira parecer uma “Vale a pena ver de novo”, com o tucano no centro do trama.

Por Rogério Tomaz Jr./Blog Conexão Brasília-Maranhão
Publicado no blog do Altamiro Borges
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