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Vereadores de Belém lançam campanha de mobilização da classe política em favor do abastecimento d’água local

vereadoraOs vereadores Junior de Bau, Graça da Saúde, Betinho Barros e Adriano Miguel, da cidade de Belém-PB, preocupados com a situação da Lagoa do Matias, manancial que abastece a cidade de Belém, Caiçara, Logradouro dentre outras cidades da região, iniciaram hoje uma campanha de mobilização da sociedade e sobretudo da classe politica no sentido de procurar alternativas para resolver o gravíssimo problema de abastecimento d’água local.

O quarteto se utilizou dos meios de comunicação (rádios) das cidades de Belém e Guarabira, para chamar a tenção de todos no que se refere ao colapso total da Lagoa do Matias. Conforme relatos dos mesmos, a situação está incontrolável e pouca ação ou quase nenhuma é desempenhada pelos políticos para tentar diminuir o sofrimento do povo.

Os parlamentares mirins mencionaram outros reservatórios de água, que não vem recebendo nenhum tratamento para que o preciosíssimo líquido seja apropriado para o consumo humano. É o caso do açude do Tribofe, construído desde a época do governador Argemiro de Figueiredo. Lá existe um considerável volume de água que poderia está sedo tratada, mais a realidade é que todos a utilizam de maneira irracional. Animais, veiculos, e roupas, são lavados com a água do Tribofe.

A população de Belém, que vem sofrendo na pele os efeitos da seca, está usando as redes sociais para se manifestarem em favor da resolução deste problema. Imagens da Lagoa do Matias, praticamente seca, estão sendo divulgadas. Veja o que disse um dos moradores:

“Essa é a nossa realidade! Lagoa do Matias.

Vamos todos em união pedir à Deus que mande chuva para nós!!!

Precisamos de água para sobreviver e com fé vamos pedir aos céus…

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por Michele Marques

Deputado afirma que classe política estimula a abstenção do eleitorado

Janduhy CarneiroO deputado Janduhy Carneiro (PEN) externou a sua perplexidade com a súbita mudança de postura na militância política, ao ser provocado a comentar o apoio do deputado Gervásio Maia (PMDB) à reeleição do governador.

“É uma questão de foro íntimo”, ressalvou Janduhy, para registrar que “de uma hora para outra mudam o comportamento. Eu não consigo entender. Qual explicação vai se dar ao povo da Paraíba?” – indagou.

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Janduhy observou que “a descrença” na classe política é pautada justamente pela mudança de comportamento, “e faz com que o eleitor deixe de ir às urnas”, provocando uma “abstenção altíssima”.

“Tudo isso é insatisfação com a classe política”, resumiu.

*com informações de jponline

Mais Médicos: Estudantes criticam corporativismo e superficialidade de entidades de classe

Antonio Cruz/ABr
Antonio Cruz/ABr

Terminou nesse sábado (10), em Brasília, o encontro nacional extraordinário das entidades médicas. Na pauta, as pressões para a derrubada dos vetos da presidenta Dilma Rousseff à lei do Ato Médico, que regulamenta a profissão dos médicos, e à Medida Provisória 621, que institui o Programa Mais Médicos.

O Conselho Federal de Medicina (CFM), a Associação Médica Brasileira (AMB) e a Federação Nacional dos Médicos (Fenam), com apoio de outras entidades, criticam principalmente a contratação de médicos formados em outros países para atuarem no interior do país e nas periferias das regiões metropolitanas sem a revalidação de seus diplomas no Brasil. E querem manter, no Ato Médico, a prerrogativa exclusiva no diagnóstico e indicação de tratamento, indicação de órteses e próteses, inclusive oftalmológicas, na direção e na chefia de serviços médicos e o atendimento a pessoas sob risco de morte iminente, entre outras.

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Para a Direção Executiva Nacional dos Estudantes de Medicina (Denem), críticas como a falta de um plano de carreira de estado, de estrutura de hospitais e de unidades de saúde, além de problemas no vínculo profissional com as prefeituras são necessárias, porém superficiais e corporativistas. “As entidades médicas têm pautado muito mais a questão dos planos de carreira e salários, e só, e isso ainda é pouco. Se não pautarmos os problemas do setor, passando pelas questões do financiamento, das privatizações, da estruturação da atenção básica, dos planos de carreira e da formação médica, pouco vamos alterar a situação da saúde no país”, disse o coordenador geral da entidade, Vinicius de Jesus Rodrigues, 25 anos, estudante da Universidade Federal de Ouro Preto.

Para Rodrigues, o rompimento dessas entidades com o governo, ao se retirar dos postos que ocupavam em comissões e câmaras é uma estratégia para serem atendidas em suas reivindicações. No entanto, não sabe até que ponto isso pode ser efetivo. “Preferimos ocupar outros espaços de luta pela saúde, como os fóruns populares, a frente nacional contra a privatização e no auxílio à organização dos centros e diretórios acadêmicos e denúncia de políticas dos governos para somar forças e encorpar as ações e reivindicações.”

Médicos estrangeiros

A Denem, que esteve reunida no final de julho, em Belém, no 43° encontro nacional dos estudantes de Medicina, defende que os profissionais formados no exterior sejam devidamente avaliados e que não sofram retaliações, uma vez que eles terão em mãos parte da população brasileira, que deve ser atendida com dignidade. “Esses profissionais encontrarão situações complicadas de atendimento, e devemser atores importantes nesse processo de denúncia de desmonte do SUS, das condições em que a saúde no país se encontra e, além disso, pautando as reais causas toda a problemática”, disse o dirigente.

Embora defenda a avaliação, não poupa críticas ao Revalida, exame realizado para validar no Brasil os diplomas de escolas médicas de outros países. No seu entender, a prova – bem como aquelas de dentro das faculdades para avaliar os estudantes e as de residência – não se propõem a trabalhar as questões da determinação social do processo saúde-doença, que deveria ser o seu foco. “Necessitamos de médicos que saibam exercer a Medicina dentro dessa linha de atuação, numa abrangência político-social muito mais importante do que a simples medicalização. Estamos sendo formados simples técnicos em medicina, conforme interessedas grandes corporações, da indústria farmacêutica e dos planos de saúde, o chamado ‘complexo médico-industrial’”.

Formação

A formação, ainda muito voltada ao atendimento hospitalar, é outro aspecto criticado por não ir ao encontro do que pretende o SUS, que teria na atenção básica, junto das emergências, sua porta de entrada – as grandes deficiências na nossa formação. O estudante entende quea lógica da formação ainda valoriza as especialidades em detrimento da formação generalista; a falta de hospitais universitários precariza os internatos que em geral têm vínculos instáveis; a carência de professores e preceptores, de cenários de prática, e de assistência estudantil. As escolas particulares, já absurdamente caras, têm em geral a prática de aumentos abusivos nas mensalidades, o que dificulta ainda mais a permanência do estudante.

Sem contar outro grande problema, segundo ele, que é o fato de a universidade não se inserir na comunidade e nem atuar sobre os reais problemas da população – a chamada determinação social do processo saúde-doença. “As doenças não são reflexo de vírus, bactérias e fungos, de causa única, como aprendemos, mas são muito mais um reflexo social, ambiental, e mesmo do trabalho exercido pelas pessoas na sociedade, cuja resolução depende muito mais do que a simples medicalização, mas intrinsecamente ligada a uma atuação social e política do médico, que não pode se distanciar de seus pacientes”, ressaltou. “Muito pelo contrário, deve se identificar com eles e ao lado deles atuar. Logicamente o que aprendemos é decorar protocolos e nomes de remédios, o que não atende às necessidades da nossa população, mas do chamado complexo médico-hospitalar interessado nesse nosso modelo de formação.”

O programa Mais Médicos também está no alvo de críticas dos estudantes. Segundo o dirigente, o alcance da proposta é limitado a atacar a falta desses profissionais sem alterar a política de financiamento, que deveria inclui mais investimentos. Ele defende o fim de isenção fiscal a entidades privadas, a aplicação de todo o dinheiro arrecadado em saúde no próprio setor, diferentemente do que permite a Desvinculação das Receitas da União (DRU), que tira 20% da saúde, previdência social e seguro social para destinar a pagamento de dívidas, a rejeição a privatizações e investimentos em saúde privada e a estruturação da Atenção Básica. No seu entender, faltam recursos financeiros e humanos para a eficiência desse modelos de atenção.

No entanto, a entidade admite que o número desses profissionais é insuficiente no país. O Brasil tem 1,9 médico por mil habitantes, número baixo – Inglaterra possui mais de 2,5, Uruguai e Argentina mais de 3. “Apesar de termos uma grande quantidade de cursos de Medicina, há ainda poucas vagas, não atendendo à quantidade de pessoas que querem cursar e muito menos à demanda dos postos de trabalho”, disse. Segundo Rodrigues, a concentração segue a lógica da centralização das universidades e das melhores escolas em regiões centrais, privilegiando os seus moradores. “Ainda que sigam para estudar no interior, tendem a voltar para suas cidades de origem.”

 

redebrasilatual

Gestores da Saúde lamentam fraude e boicote das entidades de classe ao programa Mais Médicos

Programa-Mais-MédicosPela participação de apenas 6% dos 16.530 médicos que inicialmente assinaram o termo de compromisso para o Programa Mais Médicos ficou constatado que houve fraude, segundo o presidente da Frente Nacional de Prefeitos (FNP) e prefeito de Porto Alegre, José Fortunati (PDT), durante anúncio da lista dessa terça (6), em Brasília.

O resultado decepcionante, segundo ele, leva à constatação de que mais de 14 mil médicos fraudaram sua inscrição. “Adulterar dados é fraudar princípios básicos da boa-fé. Isso tem de ser denunciado, assim como o comportamento das entidades médicas que estão preocupadas apenas com o futuro dos médicos e não com a saúde da população”, disse.

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Para Fortunati, que acredita que médicos formados nas melhores universidades brasileiras não tenham dificuldades na hora de preencher um formulário pela internet, houve boicote mesmo. “Lamento esse comportamento, esse boicote das entidades. Temos de discutir a ética dessas entidades”, ressaltou.

Fortunati questionou a falta de médicos até onde há estrutura para o trabalho. Lembrou que em Porto Alegre, quinto colocado no índice de qualidade de atendimento do SUS, há bairros afastados com grande dificuldade para preencher as vagas. “Se os médicos brasileiros não se apresentarem para as vagas existentes, é preciso trazer médicos estrangeiros. A ausência do médico é mais nociva do que qualquer dificuldade de língua”. Ele defende que o ministério abra novas etapas para a adesão dos municípios que ainda não aderiram e que os médicos estrangeiros devem ser contratados.

Na avaliação do secretário de Saúde do Amazonas e presidente do Conselho Nacional de Secretários de Saúde (Conass), Wilson Alecrim, a baixa participação nesta primeira etapa mostra um déficit de 14.522 médicos para a atenção básica no país. “Fiquei impressionado com o grande número de recusas. Se é que esses quase 15 mil médicos existem, como recusariam uma bolsa no valor líquido de R$ 10 mil, mais apoio moradia e treinamento continuado”, questionou.

Para o gestor, o ministério continua o trabalho para preencher essas vagas, estejam elas onde estiverem ajudando a atender a essa necessidade. “Que os esforços continuem sendo feitos para que possamos solucionar esse que é um dos maiores problemas do SUS.”

Críticos do Programa Mais Médicos, entidades como o Conselho Federal de Medicina (CFM), a Associação Médica Brasileira (AMB) e Federação Nacional dos Médicos (Fenam) têm realizado manifestações em todo o país, protocolado ações na Justiça e, pela primeira vez, retiraram seus representantes de comissões e câmaras ligadas ao governo, como Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) e Conselho Nacional de Saúde (CNS), entre outros. Para as entidades, não faltam médicos no país. Eles estariam mal distribuídos, optando pelo trabalho em regiões que oferecem melhores condições de trabalho.

O Conselho Federal de Medicina (CFM) reafirmou que a baixa adesão ao programa federal ocorreu porque os profissionais brasileiros tiveram dificuldades para se inscrever. O conselho recebeu relatos de médicos que não conseguiram fazer a inscrição, sendo prejudicados. O CFM encaminhou denúncia ao Ministério Público Federal e à Polícia Federal solicitando o acompanhamento do processo de inscrição.

“Infelizmente, as histórias contadas por nossos colegas mostram que há uma ação deliberada para dificultar a inscrição dos médicos brasileiros no Mais Médicos”, disse em nota o presidente do conselho, Roberto d’Ávila.

Roberto d’Ávila apontou ainda a possibilidade de ter ocorrido facilitação de cadastros a partir de computadores registrados no exterior, em prejuízo dos que têm registro no Brasil. Segundo o conselho, há relatos de médicos do Maranhão, Amazonas, Mato Grosso do Sul e da Paraíba que não conseguiram concluir a segunda etapa do processo de inscrição.

Em relatos recebidos pela entidade, médicos contam que, apesar de terem selecionado trabalhar em cidades do interior, foram lotados em capitais ou regiões metropolitanas. O conselho menciona o caso de um médico baiano que “inicialmente, solicitou inscrição para a cidade onde já morava, Canavieiras, mas foi encaminhado para Itaparica, município vizinho a Salvador, com mais equipamentos do que a primeira opção do candidato”.

Ao rebater as críticas de falhas nas inscrições, o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, cobra a apresentação de provas, por se tratar de acusações sérias sobre a conduta de servidores. De acordo com Padilha, a maioria dos registros nos conselhos regionais de Medicina (CRMs) considerados inválidos no processo de inscrição foi digitada de forma aleatória propositalmente, e não invalidada por eventuais erros do sistema, como argumenta o CFM.

Para o governador do Acre, Tião Viana (PT), o Brasil precisa de um “choque de realidade”. O calvário dos usuários, a falta de médicos, a vaidade dos acadêmicos, segundo ele, devem ser amplamente debatidos.

“O município de Marechal Taumaturgo, no Acre, paga um salário de R$ 25 mil para médicos e sobra vaga. No também no acreano Jordão o salário é de R$ 24,5 mil e só se conseguiu contatar um médico. Há municípios pagando R$ 28 mil para pediatras atuarem em UTIs neonatais bem equipadas e nem assim se consegue atrair profissionais”, disse. “A elite não compreende o calvário dos mais pobres”, disse.

Para o presidente do Conselho Nacional das Secretarias Municipais de Saúde (Conasems), Antonio Carlos Figueiredo Nardi, o resultado parcial não deixa de ser positivo. “São novecentas e tantas equipes que de imediato receberão profissionais. E se os médicos brasileiros não derem conta de atender a essa demanda, que venham os médicos com registro no exterior para esse sacerdócio, que eles venham para dar resposta que a população necessita”, disse.

Com informações da Agência Brasil

Mesmo com mudanças, entidades de classe querem derrubar MP do Mais Médicos

Nelson Antoine/Fotoarena/Folhapress
Nelson Antoine/Fotoarena/Folhapress

A desistência do governo em aumentar para oito anos a duração do curso de Medicina, anunciada nessa quarta (31) pelo ministro da Educação Aloizio Mercadante, é o reconhecimento de um grande equívoco, mas não altera a essência da Medida Provisória 621, que institui o Programa Mais Médicos. A afirmação é do presidente da Associação Paulista de Medicina (APM), Florisval Meinão, durante manifestação nas ruas da região central da capital paulista nesta tarde.

A manifestação, que segundos os organizadores seria uma “megapasseata” contra o pacote da presidenta Dilma Rousseff para reduzir a falta de médicos, reuniu poucos representantes do Conselho Regional de Medicina de São Paulo (Cremesp), da Associação Paulista de Medicina (APM), Sindicato dos Médicos de São Paulo (Simesp) e de estudantes de poucas faculdades de Medicina.

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A APM critica vários pontos da proposta do governo federal, como a contratação de profissionais formados em outros países sem a revalidação do diploma no Brasil. “O governo acabou se dando conta do erro de mudar a formação sem consultar as universidades e cedeu às pressões do meio acadêmico. Mas na prática não muda nada. Os médicos vão continuar indo trabalhar nas mesmas condições precárias”, disse.
Para o dirigente, as condições são ruins nas regiões afastadas, onde faltam médicos, e também nas regiões metropolitanas, onde faltam até mesmo macas para colocar os pacientes nos corredores.

Chantagem

O presidente do Conselho Regional de Medicina de São Paulo (Cremesp), Renato Azevedo, reafirmou que as entidades pressionarão o Congresso para a derrubada da MP. No próximo dia 8 as entidades se reunirão em Brasília para visitar os parlamentares.
E negou que as entidades médicas estejam chantageando o governo com a saída de seus representantes de diversas comissões no Ministério da Saúde, Agência Nacional de Saúde Suplementar e Conselho Nacional de Saúde.Mas ele condiciona a reavaliação do caso a uma retirada, pelo governo, da MP.

Para o Conselho Federal de Medicina (CFM), a oferta universal de residência médica aos recém-formados, na rede pública de saúde, até 2018, dificilmente alcançará a qualidade necessária. O vice-presidente, Carlos Vital, disse que não há, hoje, condições suficientes para que a universalização da residência médica se torne realidade em cinco anos, e acrescentou que a ação “pode vir a ser configurada como mais uma forma de serviço civil obrigatório, em pseudo forma de residência”. Ele criticou ainda a proposta de ampliação do número de vagas apresentada pelo governo, que “tem muitas lacunas”.

O vice-presidente do CFM disse também que o problema não é apenas a oferta de vaga, mas a valorização de certas áreas como a medicina da família – uma das áreas mais carentes do SUS. Atualmente, das cerca de 12 mil vagas de residência ofertadas, 9 mil não são preenchidas.

A ideia inicial do Ministério da Educação era ampliar de seis para oito anos o tempo da graduação, com os dois últimos anos dedicados ao atendimento no Sistema Único de Saúde (SUS). Mercadante defendeu hoje que, já em 2018, a residência médica passe a ser obrigatória ao final dos seis anos de graduação para algumas atividades da medicina. Pelo modelo, toda a residência será feita no SUS, e o primeiro ano, obrigatoriamente, em atenção básica, urgência e emergência no sistema.

A decisão foi tomada em discussão com diretores de faculdades, comissão de especialistas e representantes da Associação Brasileira de Escolas Médicas. A nova proposta será levada ao relator da MP, deputado Rogério Carvalo (PT-SE).

O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, chegou a criticar o cancelamento de cirurgias e consultas em unidades do Sistema Único de Saúde (SUS), como forma de protesto. “O Ministério da Saúde está com as portas abertas para ouvir sugestões. Mas não concordo que se prejudique a população que às vezes espera meses por uma cirurgia ou para uma consulta. Apresentem as propostas concretas, mas não partam para uma tática que prejudique a população.”

Com informações da Agência Brasil

PM prende jovens de classe média suspeitos de assaltos na Capital

algemasOs policiais da Unidade de Polícia Solidária do Bairro São José prenderam, na noite da terça-feira (30), no bairro de Manaíra, na Capital, três jovens de classe média que são suspeitos de assaltar, na mesma noite, uma farmácia no Bairro do Bessa. Bruno dos Santos Moura, de 25 anos, Patrício Bezerra de Alencar Filho, de 18 anos, e Ronaldo José da Silva Júnior, de 19 anos, foram pegos logo após o assalto, quando estavam abastecendo o carro em um posto de gasolina, no Retão de Manaíra.

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De acordo com o Cabo Fernandes, após o roubo à farmácia na avenida Afonso Pena, no Bessa, várias guarnições intensificaram as rondas à procura do veículo suspeito, um Volkswagen Golf. “Quando passamos pelo posto visualizamos o veículo, realizamos a abordagem e encontramos dentro do carro armas, drogas e recuperamos todo dinheiro do assalto”, detalhou.

Com os jovens foram apreendidos dois revólveres calibre 38, maconha, cocaína, R$ 643 reais e vários objetos pessoais das vítimas. Dois suspeitos são moradores de Manaíra e o outro do Bairro do Geisel. Eles foram levados para o Distrito Integrado de Segurança Pública (DISP), em Manaíra. Os três são acusados de outros dois roubos, na mesma noite, também no Bessa.

Modo de agir

Os suspeitos deixavam o carro distante, entravam com capacetes e anunciavam o assalto. Os equipamentos de segurança de motos serviam para confundir a polícia e a vítima, para que não suspeitassem de que eles estavam realizando os crimes utilizando o carro, mas no assalto à farmácia do Bessa um morador percebeu a ação e informou a polícia.

 

portalcorreio

Wagner Gomes: A “nova classe média” e a velha ideologia burguesa

Wilson Dias/ABr

O fenômeno é inegavelmente positivo. Falsa, porém, é a interpretação que o caracteriza como a emergência de uma nova classe média no Brasil, amplamente disseminada e vulgarizada pela mídia nativa.

Num livro recente em que refuta tal caracterização, o economista Marcio Pochmann mostra que a causa principal da mobilidade social em tela foi a criação de 21 milhões de novos postos de trabalho ao longo dos últimos 10 anos, sendo 94,8% deste total com salários equivalentes até 1,5 mínimo. O nível de desemprego, que tinha subido a 20% no governo FHC, despencou. Mas não se pode falar com seriedade em nova classe média.

“Seja pelo nível de rendimento, seja pelo tipo de ocupação, seja pelo perfil e atributos pessoais, o grosso da população emergente não se encaixa em critérios sérios e objetivos que possam ser claramente identificados como classe média”, argumenta Pochmann. Trata-se, na realidade, de classe trabalhadora – e de baixa remuneração. Os dois conceitos conduzem a estratégias políticas diferentes, uma vez que os interesses e objetivos históricos da classe trabalhadora, reiterados a cada 1º de Maio, nem sempre coincidem com os da classe média, apesar de não serem antagônicos.

Embora pareça inofensivo, o falso conceito de classe média (que a mídia monopolista, como quem não quer nada, procura transformar em senso comum), serve a um propósito ideológico e político reacionário, que é o de incutir neste novo contingente de assalariados a cultura do consumismo e do individualismo, tornando-os consumidores em vez de cidadãos.

É uma operação ardilosa da velha ideologia liberal-burguesa, hoje travestida de neoliberalismo, cujo objetivo é obscurecer a identidade e a consciência de classe das trabalhadoras e trabalhadores, afastando-os com isto da busca de soluções coletivas para problemas sociais comuns, das lutas solidárias e das bandeiras classistas, que desde sempre inspiraram e guiaram o movimento operário e sindical. Podemos notar em tudo isto um significado análogo ao do novo idioma que o patronato usa para caracterizar o empregado, chamando-o de “parceiro” ou “colaborador”, como se já não existisse a subordinação do trabalho ao capital (atestado pelos altos índices de rotatividade) e o trabalhador tivesse sido alçado à condição de sócio da empresa.

O sindicalismo classista deve não só rechaçar o falso conceito em voga como também, e ao mesmo tempo, procurar compreender com maior rigor científico o fenômeno social em questão, de forma a abordar este novo contingente da classe trabalhadora com espírito classista, visando sua conscientização, sindicalização e incorporação nas lutas sociais. Desta forma, daremos à agenda da 2ª Conclat por um novo projeto nacional de desenvolvimento com soberania e valorização de trabalho a energia e a força de amplas massas.

*Wagner Gomes é presidente da CTB

Portal Vermelho

O campo permanece como a grande disputa de classe na América Latina

A questão agrária na América Latina é uma das tônicas principais da luta de classes no continente desde a descoberta.

Se, até as guerras da independência, a conquista e a colônia significaram um processo aberto de aniquilar a propriedade e o poder comunal inerente à relação dos povos originários com a terra, das guerras de independência em diante o panorama não mudou muito.

A disputa continua. A sede por recursos e sujeição dos povos, entendidos ambos como recursos potenciais para o grande capital monopólico internacional, dão a tônica histórica do poder atual.

Nossa América Latina é composta, em toda sua especificidade índia, negra, mestiça, por quase 590 milhões de pessoas, das quais 513 milhões vivem em áreas urbanas e 77 milhões em áreas rurais.

Após a política neoliberal instituída desde fim dos anos 80, em que os recursos e a política foram entregues, a baixo custo, ao grande capital transnacional, continuamos com uma vulnerabilidade externa que reforça os vínculos históricos de dependência inerente ao desenvolvimento desigual.

Segundo o anuário estatístico 2011-2012 da CEPAL, o PIB latino-americano em 2011 foi da ordem de US$ 5,6 trilhões, enquanto a dívida externa do continente chegou à cifra de US$ 950 bilhões e os investimentos diretos estrangeiros ao montante de US$ 70 bilhões, em 2010. Somente o Brasil recebeu quase US$ 37 bilhões em investimento direto estrangeiro. Entre os 10 principais produtos exportados encontram-se: petróleo e derivados, aço e derivados, cobre e derivados, soja, entre outros.

A reprimarização da economia latino-americana reforça a continuidade tanto da sanguinária luta pelos territórios e pelo sentido do trabalho na América Latina, quanto o teor da luta no campo no continente.

O Brasil tem 64% de sua pauta de exportação conformada por produtos primários, o Chile quase 90% e a Argentina 68%. O México com apenas 25% de produtos primários na pauta de exportação, merece destaque. Este país deve ser analisado a partir do processo das maquiladoras, linhas de montagens com abertura comercial com o mercado do norte – NAFTA –, em que as mulheres representam mais de 60% da mão-de-obra precarizada.

Em conjunto com o avanço do monocultivo transnacional no campo latino e a transferência de recursos para as principais sedes dos donos do capital em nosso território, opera-se uma política econômica e social em conluio com os agentes locais, de piora das condições de vida no campo.

Enquanto nas cidades as pessoas em situação de pobreza representam 26% do total, no campo esse valor chega a 52,6% de pessoas, segundo a CEPAL. Numa situação ainda mais perversa, estão as pessoas que vivem no nível da indigência em nossa América: 13% nas cidades e 30% no campo.

Quanto ao saneamento básico a situação é ainda mais clara: no quesito água tratada, no urbano 91% dos lares têm acesso, e no rural, somente 21%. Pior ainda é a situação, quando o tema é a rede de tratamento de esgoto: 60% das casas urbanas com acesso e somente 6% das casas rurais. No quesito eletricidade, aparece uma equivalência entre cidade-campo, 98% dos lares urbanos e 93% dos lares rurais.

Se incluirmos nisto o acesso à saúde e aos três graus da educação formal, com qualidade, o que já é ruim para as cidades, transforma-se em ainda mais catastrófico para o campo.

O fato real é que após décadas de expressivas reflexões de nossos clássicos sobre a formação histórica da América Latina, nos deparamos ainda hoje com uma situação que exige renovar as perguntas que, ancoradas na memória histórica do continente, nos permitam tanto analisar o que temos, quanto pautar, com soberania, o que queremos.

É incrível e belo, como sobrevivemos, após mais de 500 anos de tentativa de homicídio de nossa identidade e soberania. Nós, o povo latino, com nossas específicas formas de luta, seguimos vivos, ante as reforçadas máquinas de morte instituídas pelo capital contra o trabalho ao longo deste processo histórico.

É a aposta em outro sentido latino-americano e caribenho de integraçãoo que continua em disputa no nosso continente. Nossa ação reflexiva necessita ser dirigida para que Abya Yalarompa com a dinâmica histórica da sangria que instituída na conquista, foi reforçada na colônia, reconfigurada na república e abertamente declarada na era neoliberal.

Uma integração dos povos, que abra caminho para outro sentido do uso da terra e do trabalho, e para a produção do novo no continente. Que venham e se fortaleçam Unasul e Alba no continente!!

RadioAgenciaNP

Redes sociais da internet são mais usadas pela classe média

A nova distribuição socioeconômica do país, com mais pessoas tendo acesso a bens de consumo, fez com que a classe C, ou classe média, passasse a ser maioria no uso de redes sociais na internet. A constatação foi feita por pesquisa do Instituto Data Popular (IDP), que será apresentada no Fórum Novo Brasil, nesta segunda (12) e terça-feira (13), em São Paulo. Um dos convidados é o ministro das Comunicações, Paulo Bernardo.

De acordo com a pesquisa, que ouviu 1,8 mil pessoas nas ruas de 57 cidades e 20 mil pela internet, 48% dos 75 milhões de internautas brasileiros são da classe média – assim considerada a família com renda mensal entre R$ 1.540 e R$ 2.313. A pesquisa informa que 44% estão nas faixas A e B, que compõem a classe alta, e 8% são dos estratos sociais D e E, de mais baixo poder aquisitivo.

Os internautas da classe C são responsáveis por 56% de acessos no Facebook e 55% no Twitter, contra 24% da A/B nos dois casos. Quadro totalmente diferente de pesquisa semelhante feita em 2009, que apontava absoluto domínio da classe alta nas duas redes, de acordo com o diretor do IDP, Renato Meirelles.

Virada perfeitamente normal, segundo ele, considerando-se que em torno de 30 milhões de pessoas foram incorporadas ao mercado de consumo nos últimos dez anos, nas contas do governo. Fato que alargou a base da classe média, estimada em 101,1 milhões de brasileiros, equivalentes a 53% dos 190,7 milhões de brasileiros registrados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) em 2010. A baixa renda reúne 51,5 milhões (27%) e 38,1 milhões (20%) estão na classe alta.

agenciabrasil.ebc.com.br

“A grande imprensa brasileira tem lado e classe social”

Informação é poder. Pode ser um elemento de manipulação ou de democratização de acordo com a forma como é veiculada. No processo eleitoral, a informação torna-se um instrumento valioso que, de acordo com o cientista político Francisco Fonseca, doutor em História Social pela Universidade de São Paulo (USP) e professor da Fundação Getúlio Vargas de São Paulo (FGV-SP), pode mudar o destino da sociedade.

À Carta Maior, Fonseca salienta a importância da democratização da informação no jogo político atual e a necessidade da regulamentação da comunicação, que, segundo ele, deve partir do próprio Estado, como forma de garantir a prioridade dos interesses coletivos em relação aos individuais. “No mundo da informação no Brasil há um verdadeiro laissez-faire, em que o Estado brasileiro intervém pouco, é extremamente frouxo na sua regulação. O jogo da informação pública é um jogo privado, pouco fiscalizado, pouco regrado”, diz.

Carta Maior – Como você enxerga a dinâmica entre a informação e o poder no processo eleitoral?

Francisco Fonseca – Na verdade há um conjunto de fatores para fazer essa avaliação. Um ponto importante é que informação é poder e as pesquisas de opinião não são diferentes: expressam um tipo de informação que pode fazer que as pessoas mudem ou consolidem o seu voto. Os países que nós chamamos de democráticos são muito mais zelosos, digamos assim, por colocarem regras em tudo que envolve a informação. O tema informação, mídia, publicidade e propaganda, pesquisa, tem uma liberalidade incrível no Brasil.

CM – Se a informação é poder, como driblar as promessas e realizações expostas pelos candidatos, muitas vezes irreais?

FF – O que mais afeta o cidadão na sua decisão do voto é a sua própria experiência. Há um choque, se assim posso chamar, entre informação e experiência. A campanha do Serra, que é uma campanha de continuidade do governo, sempre nos mostra hospitais equipados, as AMAs [Assistência Médica Ambulatorial], as UBSs [Unidades Básicas de Saúde], e no fundo quem vive na periferia sabe que não é assim. Existe aí o choque entre informação e experiência. O brasileiro se informa majoritariamente pela televisão, que no Brasil é muito boa tecnicamente e muito ruim em termos de conteúdo – é desprovida de conteúdo. Então é claro que ela forma. Como diz Manuel Castells [sociólogo espanhol, autor de “Sociedade em rede”], a mídia enquadra a política. Aonde eu quero chegar: se a experiência de vida conta, também conta a mídia como agente de manipulação e enquadramento da política.

CM – Pode haver manipulação pelos meios de comunicação na forma da divulgação dos resultados das pesquisas? No site do Ibope, por exemplo, está escrito que sua maior função é “fornecer conhecimento estratégico”. A Globo encomendou uma pesquisa para o Ibope na semana passada, mas o resultado, com o Haddad bem na frente, foi divulgado no SPTV, e não no Jornal Nacional. Se o Serra estivesse na frente, a Globo veicularia o resultado no JN?

FF – A veiculação tem uma importância crucial. Ao meu ver uma lei eleitoral deveria regular não só pesquisas, mas também sua veiculação. O que é básico para ser informado? O voto espontâneo, a rejeição e o grau de tendência das regiões mais populosas. O resto poder dar também, mas isso tem de ser divulgado. O jogo da informação pública é um jogo privado, pouco fiscalizado, pouco regrado. Já foi pior, mas ainda temos de caminhar muito.

Evidentemente, os liberais, os conservadores vão dizer: “é censura, é intervenção. Nem pesquisa mais eu posso fazer!”. Só que não é uma pesquisa sobre se você gosta mais de chocolate ou bolacha, é uma pesquisa que envolve os destinos públicos e coletivos. Tudo que envolve o destino de uma comunidade tem de ser regulado pelo Estado. O direito coletivo, em última instância, se sobrepõe ao direito individual, essa é a marca da democracia. E as pesquisas, tal como são feitas hoje, significam o contrário: o direito individual se sobrepõe ao coletivo.

CM – O Serra disse que poucas vezes as pesquisas foram tão erradas, mas que isso não é por conta de má fé, e sim por dificuldades metodológicas. A consequência disso, segundo ele, é o condicionamento das pessoas, o que traria um prejuízo enorme.

FF – Nós não sabemos o que é erro técnico, má fé ou interesse político. A fala do Serra tem de ser circunscrita, porque ele estava na frente, então é um momento de oportunidade, circunstância. Nessa época, os candidatos, em particular o Serra, que é um candidato que joga as últimas fichas de sua carreira política, quer tirar proveito da pesquisa. É uma fala conjuntural, oportunista. Mas, tirando a questão da conjuntura, é possível dizer que as pesquisas erram.

CM – Existe um choque, no uso das informações, entre os interesses dos institutos de pesquisa privados e os da sociedade?

FF – Todo mundo tem o direito de montar um instituto de pesquisas. Esse é o direito individual, mas e o direito coletivo? Se o instituto faz uma pesquisa na quinta ou na sexta [últimos dias antes da eleição], período em que o grau de confiabilidade é pequeno, então é uma irresponsabilidade o Estado permitir que o direito individual se sobreponha ao coletivo. Nós como comunidade não podemos estar sujeitos a uma informação potencialmente falsa, pois há um incrível transe de mudança de voto do sábado para o domingo e que a pesquisa não vai captar.

CM – Você acha que os institutos de pesquisa têm um viés ideológico?

FF – Em particular o Datafolha, um instituto ligado a um jornal que claramente tem lado. A grande imprensa brasileira tem lado e classe social. Para o meu livro [“O consenso forjado”] eu entrevistei o Otávio Frias Filho. Perguntei a ele o que era opinião pública, o que a Folha de S. Paulo entendia como opinião pública. Ele respondeu que era a classe média: “nós somos um jornal de classe média para a classe média”. E a classe média vota no Serra. Me parece que essa politização da imprensa está respingando nos institutos. Me chama mais a atenção os erros do Datafolha do que os do Ibope. Não estou dizendo que este seja imune, mas o Datafolha tem essa relação com o jornal que claramente tem classe e uma visão de mundo muito específica.

Esses erros podem ser trágicos para o destino do país. No mundo da informação no Brasil há um verdadeiro laissez-faire, em que o Estado brasileiro intervém pouco, é extremamente frouxo na sua regulação, e as pesquisas – embora tenha uma lei, o que já é um avanço – possuem muitas falhas, muitos buracos que precisam ser preenchidos.

Carta Maior