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‘A rede social está com mais censura hoje do que a ditadura em 64’, afirma Sikêra

O apresentador do programa “Alerta Nacional”, da RedeTV!, Sikêra Jr. destacou a importância das lives em meio a pandemia e lamentou que as redes sociais estejam enfrentando, hoje, mais censura do que na época da ditadura, em 64. Ele participou, nesta segunda-feira (8), do “Frente a Frente”, da TV Arapuan, do Sistema Arapuan de Comunicação, apresentado pelo jornalista Luís Tôrres.

“As lives estão tomando o espaço da tv brasileira. jamis a televisão vai ser a mesma depois da pandemia”, afirmou Sikêra Jr, ao esclarecer que as “transmissões ao vivo feitas por redes sociais vieram para ficar e fazer com que os telespectadores troquem os programas gravados e repetitivos pelas lives.

Sobre a censura nas redes sociais, o apresentador do “Alerta Nacional” disse que chegou a ter uma conta no Facebook, com 4 milhões e 800 mil seguidores extinta, devido aos comentários e opiniões que emitia sobre determinados temas e assuntos.

“A rede social está com mais censura hoje do que a ditadura de 64. Perdi uma conta no Facebook com mais de quatro milhões e oitocentos mil seguidores”, ressaltou ele, afirmando que o Brasil tinha mais liberdade na ditadura do que hoje.

Paulo de Pádua

 

 

Juíza censura site do jornalista e deputado Emiliano José

Átila Brandão está processando o jornalista e deputado federal, Emiliano José, por artigo publicado em seu site (Foto: Reprodução / Viomundo)
Átila Brandão está processando o jornalista e deputado federal, Emiliano José, por artigo publicado em seu site (Foto: Reprodução / Viomundo)

A juíza Marielza Brandão, da 29ª Vara dos Feitos Cíveis, Comerciais e Relação de Consumo da Comarca de Salvador, determinou por meio de liminar que o jornalista, escritor e deputado federal, Emiliano José (PT), retire do seu site o texto “A premonição de Yaiá”. O artigo é fruto de uma entrevista que o jornalista fez com Marina Helena Carvalho, conhecida como Dona Yaiá, onde ela denunciou o ex-policial militar e agora pastor Átila Brandão como sendo o autor de torturas contra seu filho, Renato Afonso Carvalho, em 1971, no Quartel dos Dendezeiros.

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Além de determinar a retirada do artigo do site pessoal de Emiliano, a juíza assegurou que o pastor da Igreja Batista Caminho das Árvores tenha assegurado o direito de resposta no jornal A Tarde, onde o texto também foi publicado. Porém, a juíza não atendeu a solicitação de direito de resposta na revista Carta Capital, que publicou a matéria “Corpo amputado querendo se recompor”, onde Renato Afonso Carvalho reafirma as denúncias contra Átila Brandão.

O advogado do jornalista, Jerônimo Mesquita, afirmou que a ação contra o seu cliente desrespeita a Constituição Federal. Segundo Mesquita, Emiliano não pode ser condenado por exercer a sua profissão, o jornalismo, uma vez que publicou testemunhos de duas pessoas que relataram terem sofrido atos de violência por parte de Átila Brandão. Para o advogado, a ação é uma tentativa de cercear a liberdade de imprensa e expressão, além de “asfixiar” financeiramente o jornalista, já que pede indenização “não inferior a dois milhões de reais”.

Emiliano José afirmou que irá cumprir a determinação de retirar o artigo do seu site, mas garante que vai ao Tribunal de Justiça para garantir o seu direito de exercer o jornalismo. Para ele, “tal decisão acende um sinal amarelo, já que se ignora a Constituição, viola o exercício da profissão e da liberdade de imprensa”. Emiliano considera que Átila Brandão “é que deve explicações à Comissão Nacional da Verdade, à Comissão Estadual da Verdade, criada pelo governador Jaques Wagner, e aos setores da sociedade que se dedicam a revelar a memória da ditadura militar, em busca de justiça e da verdade”

Com informações do Política Livre.

Em Lagoa de Dentro (PB), grupo prega censura à rádio comunitária local

Lagoa_de_Dentro_PBA cultura do autoritarismo continua subreptícia, impregnando até as novas gerações, é o que pensa Agnaldo Silva, diretor presidente da Rádio Comunitária Lagoa FM, da cidade de Lagoa de Dentro, no interior da Paraíba. Segundo ele, um grupo de moradores da cidade está organizando campanha para censurar os conteúdos jornalísticos da emissora, evitando críticas ao novo prefeito.
A campanha está rolando nas redes sociais com o título de “Por que não te calas, Lagoa FM?”. Daniele Brito acha que, “se não for para fazer o bem à população, se for apenas para fazer politicalha, que se calem e recolham-se à sua insignificância”. Daniele acusa a rádio de ser controlada por apenas uma pessoa, que é justamente o radialista Agnaldo Silva, “o qual pensa que tem o rei na barriga”, segundo a ouvinte.

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Agnaldo aponta para um grupo de pessoas que fazem parte da nova gestão da cidade como responsáveis pela campanha que ele considera ultrapassada e antidemocrática. “O mais grave é que são pessoas jovens a pedir censura a um órgão de comunicação comunitária. Um deles diz que ‘agora entende porque existia censura no período militar’”, ressalta Agnaldo.
Hallef Nascimento, um dos ouvintes que apóiam a campanha contra a rádio, garante que o prefeito anterior é quem comandava um esquema opressor, com apoio da Lagoa FM. “Não queremos a volta da República da Chibata em Lagoa de Dentro”, diz ele.
Na cidade de Mari, a Rádio Comunitária Araçá FM também sofre pressão do novo prefeito da cidade, Marcos Martins, cujo grupo agora demanda no sentido de desalojar a emissora do prédio histórico da estação ferroviária, onde está instalada há mais de dez anos.

Ouvido pela reportagem, o radialista comunitário “Rato Branco”, da Rádio Comunitária Zumbi dos Palmares, foi curto e grosso: “Quando a rádio é feita por pessoas que não comem nos seus coxos, os poderosos denunciam e fecham, isso seja prefeito, vereador ou governador, tanto faz o diabo como a mãe do mesmo, mas se é para denunciar as safadezas dos insanos é bom para a cidade, no entanto, se for para puxar o saco dos políticos locais e dos caciques estaduais, é furada porque de comunitária só tem o nome.”

 

 

radiozumbijp

Comissão da Verdade terá apoio da Fenaj para investigar censura

CensuraA Comissão da Memória, Justiça e Verdade dos Jornalistas Brasileiros fez acordo anteontem para ajudar a Comissão Nacional da Verdade.

O grupo, formado pela Fenaj (Federação Nacional dos Jornalistas), investiga a censura a meios de comunicação e violações aos direitos humanos contra jornalistas durante a ditadura militar (1964-1985).

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Os integrantes do grupo pretendem ouvir testemunhas e resgatar documentos para reconstituir como os militares censuravam as publicações e perseguiam os jornalistas.

Com o acordo, o que o grupo descobrir será compartilhado com a comissão nacional. Acordos semelhantes foram feitos com dezenas de outras comissões paralelas à nacional.

A Fenaj calcula que ao menos 25 jornalistas foram mortos em vários Estados, majoritariamente em São Paulo e no Rio.

 

Folha

Entidade cria linha do tempo para acompanhar censura judicial contra jornalistas brasileiros

liberdade-de-imprensaUma linha do tempo organizada pelo Centro Knight para o Jornalismo nas Américas aponta que, somente em 2012, o Brasil registrou 16 casos onde os tribunais foram utilizados como um meio de censura contra os jornalistas, informou o blog Jornalismo nas Américas.

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Intitulada “Censura togada no Brasil”, a linha do tempo foi criada para identificar os casos de censura nos tribunais desde o início de 2012 e será atualizada regularmente. Segundo o blog, os números registrados “indicam uma verdadeira ameaça à liberdade de expressão e de informação no país”.
Grande parte das censuras judiciais buscam retirar conteúdos publicados por veículos informativos e são originadas por autoridades públicas. Esse tipo de censura contribuiu para a má colocação do Brasil no ranking de liberdade de imprensa organizado pela Repórteres sem Fronteiras, onde o país ocupou a 108ª posição, entre 179 países.
Portal IMPRENSA

Censura impediu morte de herói de novela para que ele não virasse mártir

Dina Sfat, Jardel Filho e Juca de Oliveira, personagens principais de "Fogo Sobre Terra" (1974)
Dina Sfat, Jardel Filho e Juca de Oliveira, personagens principais de “Fogo Sobre Terra” (1974)

Dentre as novelas de Janete Clair, “Fogo sobre Terra” (1974) foi uma das mais censuradas. Liberada apenas um ano depois de escrita, o folhetim sobre a construção de uma hidrelétrica ia contra os recentes investimentos da ditadura nesse tipo de matriz energética. Itaipu começaria a ser construída em janeiro de 1975 e causaria desapropriações além de desastres ambientais como a destruição do Parque Estadual de Sete Quedas, no noroeste do Paraná.

Os censores achavam que a trama se tornaria uma “conclamação à revolta”, especialmente por conta de seu protagonista, Pedro Azulão (Juca de Oliveira), um líder comunitário que queria evitar que a cidade fictícia de Divineia fosse inundada. A autora havia previsto para o último capítulo a cena da inundação em que o protagonista se deixaria morrer afogado pelas águas da barragem, mas a censura impediu com medo que ele virasse mártir.

“Em ‘Fogo sobre Terra’, a censura queria que a Janete não fizesse a inundação, pois consideravam a cena um estímulo à população para protestar contra a construção de novas represas. Mas não queriam registrar isso, pedindo que a alteração parecesse uma ideia da autora. Como não quiseram assumir a orientação, prosseguimos com a sinopse original”, contou o ex-superintendente de produção e programação da Globo, José Bonifácio de Oliveira Sobrinho, o Boni.

Pedro Azulão, portanto, acabou não morrendo. Nem a ideia inicial de Janete, que decidiu aplicar o mote à personagem Nara (Neuza Amaral), que se recusa a abandonar a cidade e é tragada pelas águas em sequência que, segundo os produtores, foi emocionante.

Janete também programara uma rebelião popular em Divineia, na qual Azulão sairia como herói. A censura enxergou no episódio uma apologia à guerrilha e obrigou a autora a puni-lo com prisão por seu ato.

“’Fogo sobre Terra’ teve problemas do início ao fim, o que obrigou Janete a reformular a novela algumas vezes (comprometendo a coesão da trama). Mesmo após 12 capítulos inutilizados, a censura foi impiedosa, mas a capacidade criativa de Janete Clair superou as incômodas interferências”, conta o autor e doutor em teledramaturgia brasileira e latino-americana pela USP, Mauro Alencar.

Quem dá mais detalhes sobre a perseguição a Pedro Azulão é seu intérprete, Juca de Oliveira, em entrevista exclusiva por e-mail. Leia:

UOL – Seu personagem era uma espécie de líder comunitário que a censura encarou como subversivo. Eles pedem diversas vezes para interferir no comportamento desse personagem. Você lembra exatamente o que teve que mudar ao interpretá-lo?

Juca de Oliveira – Meu personagem era um camponês, líder natural da sua gente, caipira, boiadero de Divineia, cidade fictícia do Mato Grosso. A ditadura da época tinha pavor de que se repetisse aqui a revolução cubana, um movimento a partir do campo, e via fantasmas em todas as cenas. O Pedro Azulão seria, no imaginário deles, um eventual modelo de Fidel a ser seguido pelos camponeses brasileiros. Uma enorme bobagem. Daí a frequente perseguição dos censores ao pobre Pedro. Vivíamos em pânico. Janete Clair se desdobrava pra aprovar cena por cena, argumentando, tentando convencer aquela gente de que Pedro Azulão era só um boiadeiro simplório apaixonado por sua terra e não um guerrilheiro comandado por Guevara. Um dia, em plena gravação, um assessor da Globo que estivera numa tumultuada reunião na censura entrou apavoradíssimo pelo estúdio aos gritos: “Tem que prender o Pedro Azulão! Pedro Azulão não pode continuar solto por aí!”. A fantasia se misturava à realidade. Não entendo onde a Janete, o Boni, o Avancini, encontraram forças pra continuar. Nós mesmos, os atores, estávamos permanentemente preparados para a prisão. Muitos adotavam o sábio conselho de Mário Lago: “Nunca deixa de ter no bolso sabonete, pasta e escova de dente, porque por lá a higiene é precaríssima…” Depois de tudo isso dá pra acreditar que ainda hoje tem uma meia dúzia de idiotas clamando pelo controle da liberdade de imprensa?

  • Arte/UOL

A novela retratava a construção de uma usina hidrelétrica e a consequente desapropriação de uma pequena cidade. Enquanto isso, era construída a hidrelétrica de Itaipu. Por que os militares viram paralelos com a realidade na novela?

Janete era, além de excepcional escritora, uma ambientalista. Já naquela época, décadas antes de Belo Monte, ela já prenunciava a tragédia das hidrelétricas sobre o homem e o meio ambiente. Não havia nada de político no conflito entre os dois irmãos, mas luta pela preservação ambiental.

Qual era o problema que a censura via na relação entre os personagens Pedro Azulão e Chica Martins [Dina Sfat]?

Chica era uma mulher livre, uma cabocla segura de si e independente. Os militares, além de terríveis reacionários, eram também moralistas e a visão deles sobre a mulher não comportava umaa personagem íntegra como aquela. Pra eles a mulher devia cuidar do tanque e do fogão e só!

Por que a Janete Clair chegou a mandar um documento aos censores reclamando das dificuldades em escrever “Fogo Sobre Terra”? Em que a história original mudou até o final?

Janete foi uma heroína. Brigou, lutou com todas as armas de que dispunha. A censura era tacanha, mas Janete, inteligentíssima, usava também de muita astúcia e quase sempre conseguia dribla-los. E acabava impondo a sua mensagem e a sua ideia absolutamente na íntegra.

O público percebia essas mudanças que ocorriam? Mesmo a novela sendo uma obra aberta, há certas mudanças que tiram o sentido da trama… Rolava muito isso?

Não, a luta contra a censura era uma luta de bastidores. Sabia-se da censura, mas não se conheciam os detalhes.

Os protagonistas das novelas da Janete Clair não eram necessariamente galãs. Eram homens, como dizia meu avô, “da lida”, ou seja, que trabalhavam na terra. Pedro Azulão (ao que parece) era um desses. Por que esse perfil do herói mudou?

COMO PESQUISAR SOBRE CENSURA?

  • Divulgação/Arquivo NacionalBasta marcar horário pelo fone 0/xx/61-3344-8242; o Arquivo Nacional fica no Setor de Indústrias Gráficas, Quadra 6, Lote 800, em Brasília

O protagonista é parte da história. Se a história se passa no campo, na lida, o protagonista deve ser o espelho dessa realidade. A sociedade muda. Em 1970, aproximadamente a metade da população vivia no campo. Hoje, no Estado de São Paulo, por exemplo, 94% da população vive nas cidades e apenas 6% no campo. Claro que a ambientação das novelas também segue essa contingência.

Nas novelas de hoje, quem manda são as mulheres, em especial as vilãs. Você acha que um Pedro Azulão faria sucesso hoje em dia?

O sucesso de um ou uma personagem depende do talento dos artistas envolvidos no processo de criação. Nada é previsível. A tentativa de repetir o sucesso, de copiar, dá sempre em desastre. Uma vilã ou uma freira, se houver verdadeiros talentos envolvidos, dará certo. Ao contrário, qualquer vilã afundará como um prego.

Que novela que você fez ultimamente que vc acha que nunca seria aprovada na época da censura?

“Avenida Brasil”.

 

Uol

“Censura prévia a jornalistas brasileiros é herança do coronelismo”

“A concentração midiática é muito grande,” diz Hervieu. Foto: DW

A organização Repórteres Sem Fronteiras (RSF) apresentou, em seu recente relatório, um preocupante panorama da liberdade de imprensa no Brasil. O país consta entre as cinco nações mais perigosas do mundo para se exercer a profissão de jornalista. Somente em 2012, cinco profissionais foram assassinados – dois deles, ao que tudo indica, foram mortos por investigar casos de narcotráfico.

Em entrevista para a DW Brasil, Benoît Hervieu, diretor do escritório para as Américas da RSF, disse que a impunidade é um dos principais fatores para a onda de violência contra os profissionais do jornalismo no país, mas não o único.[bb]

Outro problema citado é a censura prévia por parte da Justiça, o que seria uma “herança do coronelismo brasileiro”. “Isso porque há uma ligação muito forte entre o poder judiciário estadual e os governadores, senadores, etc.”, frisou.

DW Brasil: Qual o balanço do relatório deste ano sobre a liberdade de imprensa no Brasil?

Benoît Hervieu: O número de mortos deste ano faz com que o Brasil seja considerado o segundo país mais perigoso do continente para o trabalho do jornalista, depois do México. Foram onze jornalistas assassinados no Brasil, sendo que cinco dos casos têm relação direta com a profissão. Dois desses jornalistas investigavam o narcotráfico na fronteira com o Paraguai, então estavam claramente expostos ao perigo. A cobertura das recentes operações contra o crime organizado às vésperas da Copa do Mundo e das Olimpíadas também expõe os jornalistas. Outra causa de mortes são as vinganças políticas. Muitos jornalistas no Brasil fazem militância política, e é difícil saber onde está o limite entre a atividade de jornalista e de político.

Quais são as regiões mais críticas?

Tradicionalmente são os Estados localizados no Norte e no Nordeste do Brasil, onde os jornalistas são expostos à insegurança, à presença do narcotráfico e a uma pressão política muito forte. Tudo isso faz com que seja difícil realizar o trabalho de forma independente e com as mínimas condições de segurança fora dos círculos tradicionais da imprensa, que é bastante poderosa, mas também bastante controlada.

A impunidade pode ser considerada um problema?

É um dos fatores, mas não o principal. A situação da impunidade no Brasil talvez seja menos grave do que em outros países onde os crimes não são investigados, como México, Honduras e Colômbia, por exemplo. O problema no Brasil é que, muitas vezes, os executores dos crimes são presos, porém, prender os autores intelectuais [mandantes] é muito mais difícil. Além do mais, a impunidade depende da região brasileira.

O governo tem feito progressos quanto à liberdade de imprensa no país?

Houve avanços durante os dois mandatos do ex-presidente Lula. E também a lei do acesso à informação, que é um fator muito importante. Eu diria que a principal questão no Brasil não é o problema da liberdade de imprensa ou de informação, mas os obstáculos da imprensa para informar. A concentração midiática é muito grande, e alguns veículos de imprensa da sociedade civil têm pouco espaço para se expressar.

Existe censura no país?

Sim. Uma questão muito frequente no Brasil é a censura prévia, isto é, quando um veículo de comunicação ou um blogueiro não podem publicar uma notícia contra um político, porque um juiz proibiu. Isso devido a uma ligação muito forte entre o poder judiciário estadual e governadores, senadores etc.

Esta é uma herança do coronelismo brasileiro. Muitos jornalistas me contaram que no Maranhão, por exemplo, falar mal da família Sarney é quase impossível. Se isso ocorrer, você terá que fechar o seu jornal ou vai sofrer censura dos juízes. Essa concentração local de poderes faz com que seja muito difícil existir um contrapoder por parte dos veículos de informação.

cartacapital

‘Agressões de Serra são uma forma de censura’, diz Sindicato dos Jornalistas

Candidato do PSDB em São Paulo acumula seis agressões em 20 dias contra profissionais de imprensa (Foto: Levi Bianco/Brazil Photo Press/Folhapress)

São Paulo – As recentes investidas de José Serra contra profissionais da imprensa são uma forma de censura, pois tentam impedir o trabalho dos jornalistas e a livre circulação da informação, avalia o presidente do Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Estado de São Paulo, José Augusto Camargo, sobre a postura hostil do candidato do PSDB à prefeitura de São Paulo frente às perguntas que lhe são dirigidas por repórteres de distintos meios de comunicação durante sua campanha.

“É importante salientar que todas essas tentativas de calar e impedir a imprensa de fazer seu trabalho precisam ser encaradas como uma forma de censura. Não é uma censura praticada pelo uso direto da violência, mas é censura, porque tenta impedir a livre circulação de informação”, define José Augusto Camargo. “Devemos entender isso pra que não achemos que se trata de apenas um chilique ou uma posição pessoal, um costume. Se entendermos que é uma maneira de impedir a circulação de informação, vamos dar a importância que merece. Se não, fica no folclore.”

Com um novo ato de hostilidade ontem contra uma repórter do portal de notícias UOL, José Serra soma seis agressões contra a imprensa em menos de 20 dias, todas ocorridas durante sua campanha para a prefeitura de São Paulo. A primeira da série ocorreu no dia 28 de setembro, quando o tucano chamou um repórter da RBA de “sem-vergonha” após ser questionado sobre seu plano de governo. Depois, ao analisar a repercussão negativa que teve a declaração de seu candidato, o PSDB divulgou nota acusando o profissional de ter sido enviado pelo PT para tumultuar a coletiva.

Na semana passada, dois repórteres da TVT foram ignorados pelo candidato do PSDB, em duas ocasiões diferentes, única e exclusivamente pelo fato de trabalharem para a emissora, sediada em São Bernardo do Campo, no ABC Paulista. Nesta semana, o tucano já foi agressivo com a reportagem da rádio CBN e, por duas vezes, com a profissional do UOL. Ou seja, foram três agressões em três dias. A tática é sempre a mesma: menosprezar a pergunta e vincular o jornalista ao PT.

Nesta entrevista, o presidente do Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Estado de São Paulo repudia a atitude de José Serra, explica que o papel do repórter não é fazer apenas perguntas que agradem aos candidatos e atenta para o perigo de a agressividade contra a imprensa se transformar numa política de governo.

Como o Sindicato dos Jornalistas tem recebido as sucessivas agressões de José Serra contra repórteres que cobrem o dia a dia de sua campanha?

É claro que a gente condena qualquer agressão e qualquer tentativa de impedir o trabalho da imprensa e de qualquer jornal. O trabalho do jornalista é confrontar. O repórter não está lá para agradar os candidatos, mas para levantar informações e repassá-las ao cidadão. Os políticos não podem achar que o repórter está lá para ajudar na campanha dele, perguntar o que ele quer e divulgar o que ele quer. A função do jornalista não é essa. O problema de José Serra é que ele não gosta muito de enfrentar o outro lado, e o jornalista, por dever de ofício, tem de oferecer o outro lado para o leitor refletir. Impedir que o jornalista faça isso é um absurdo. Essa posição é maluca e inimaginável para uma pessoa que é candidata e quer ocupar um cargo público. Ele tem de prestar satisfação à opinião pública. Seu comportamento é completamente anormal – e ele sabe disso. Acho que tem um pouco de destempero da parte dele.

Como você avalia o fato de Serra tentar desqualificar os jornalistas dizendo que trabalham para o PT?

É um recurso absurdo. Ele quer fugir do contraditório e evitar situações em que não se sente confortável. Mas é função do jornalista procurar o contraditório pra fazer suas matérias, e uma pessoa na posição dele deve responder. Chega a ser infantil.

Que tipo de medidas o Sindicato dos Jornalistas pretende tomar para combater essa situação?

O tipo de situação que ele está criando tem de ser alvo de crítica e protesto dos jornalistas, sindicatos e entidades que defendem liberdade de expressão. Ainda não é tão grave como o caso do coronel Telhada, que já parte para a agressão e violência contra um profissional da imprensa. A postura de Serra merece repúdio público da sociedade, protestos, e tem de ser alvo de ação política porque está obstruindo a livre circulação de ideias, o trabalho de profissionais. Sua atitude deve ser repudiada. Se a coisa degringolar para outro tipo de ação, aí sim podemos pensar numa medida mais crítica, e procurar a Justiça. No momento, parece que ainda não chegamos a esse ponto – e espero que não cheguemos.

Que riscos podem existir para a liberdade de imprensa se um candidato com esse tipo de postura agressiva contra os jornalistas assume a prefeitura de São Paulo?

As autoridades públicas têm de dar satisfação ao cidadão sobre suas atividades. Isso é um preceito constitucional. É obrigação do poder público prestar contas ao cidadão. Se um agente público se recusa ou procura prejudicar essa prestação de contas, que acontece pela imprensa, ele está prevaricando, porque não está cumprindo com sua função. Aí sim tem de ser alvo de uma sanção penal, inclusive, porque descumpre a lei e prescinde de prestar contas do que é público. Mas enquanto é candidato, tudo fica ainda no nível do protesto político contra a bobagem que ele está fazendo. É importante salientar que todas essas tentativas de calar e impedir a imprensa de trabalhar precisam ser encaradas como forma de censura, porque impede a circulação de informação. Devemos entender isso para que não achemos que se trata de apenas um chilique ou uma posição pessoal. Se entendermos que é uma maneira de impedir a circulação de informação, vamos dar a importância que merece. Se não fica no folclore. É necessário que as pessoas entendam a gravidade da situação.

redebrasilatual

Família de Lampião censura livro e quer ser indenizada por difamação

Na última quinta-feira (4/10), a família do cangaceiro mais famoso do Nordeste, Virgulino Ferreira, o Lampião, entrou com dois processos na Justiça contra o juiz aposentado Pedro de Morais, autor do livro censurado “Lampião, o Mata Sete”, informou O Estado de S. Paulo.

O livro afirma que o “Rei do Cangaço” era homossexual. A neta de Lampião, Vera Ferreira, pediu indenização de R$ 2 milhões nas duas ações, uma por danos morais e outra por Morais ter vendido os livros na II Bienal de Salvador, em 6 de novembro de 2011.

Crédito:Divulgação
Família contesta informação e quer indenização por danos morais
“Um dia antes, dia 5, vendi os livros nas principais livrarias da Bahia”, disse Morais. A decisão da Justiça proibindo o lançamento e a comercialização da obra só aconteceu no dia 25 de novembro de 2011. Morais afirmou que tem toda documentação da venda dos exemplares nas livrarias e apresentará a defesa na segunda-feira (8/10), na 13ª Vara Cível Aracaju.

Ele se disse perplexo porque a venda e o lançamento do livro continuam suspensos e processo sequer foi julgado pelos desembargadores.

Polêmica
Segundo o livro, o cangaceiro teria sido homossexual, Maria Bonita era adúltera e Expedita não era filha do homem mais temido do sertão. Em novembro passado, o advogado de Vera, Wilson Winnie, declarou que a publicação fere a honra da família de Lampião e que a ação na Justiça pretende impedir a circulação do livro de forma definitiva.
O juiz da 7ª Vara Cível de Aracaju, Aldo Albuquerque, expediu uma liminar proibindo o lançamento e a venda do livro. O processo está no Tribunal de Justiça de Sergipe.
Portal IMPRENSA

Tentativas de censura a jornalistas aumentam com a proximidade das eleições no Brasil

Faltando cerca de um mês para as eleições municipais no Brasil, as notícias de cerceamentos judiciais a jornais e blogs se multiplicam, informou o Blog Jornalismo nas Américas.


Organizações internacionais alertaram para o risco de censura togada. Em relatório divulgado no início de 2011, a Sociedade Interamericana de Imprensa (SIP) demonstrou preocupação com a “perseguição judicial” a jornalistas.Casos recentes
Na segunda-feira (3/9), o jornalista Fernando Conceição denunciou ter sido vítima de tentativa de censura do candidato a prefeito de Salvador, empresário Mário de Mello Kertész. O político foi à justiça exigir a retirada do blog do repórter de uma série de matérias publicadas no jornal A Tarde que denunciam um rombo de 200 milhões de dólares na prefeitura durante sua gestão.

O site Jornal Oeste também foi alvo da Justiça Eleitoral e ficou proibido de publicar matérias sobre as eleições em Cáceres, no interior do Mato Grosso, por supostamente dar tratamento prioritário a um candidato à prefeitura da cidade.
No último sábado (1/9), o blogueiro Tarso Cabral Violin denunciou em seu site a tentativa de censura do prefeito de Curitiba Luciano Ducci, que entrou com uma ação e conseguiu na justiça de duas multas que somam o valor de mais de R$ 100 mil ao blogueiro.
No Mato Grosso do Sul, agentes da Polícia Federal invadiram o jornal Correio do Estado, por determinação de uma juíza eleitoral para impedir a circulação da edição de quinta-feira (30/8) que, supostamente, continha resultados de uma pesquisa eleitoral. O episódio foi classificado como censura prévia ilegal pela Associação Nacional de Jornais (ANJ).
Portal IMPRENSA