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Paiva Netto: A Caridade não é um sentimento de tolos 

Por ocasião do Dia Nacional do Voluntário, celebrado em 28/8, dedico-lhes trecho que inseri na nova edição de Jesus e a Cidadania do Espírito (2019), quanto ao significado do termo Caridade. São conceitos que tenho desenvolvido desde a década de 1960, convidando o(a) leitor(a) a refletir sobre essa ferramenta imprescindível, em minha opinião, para ajustar os mecanismos de uma sociedade ainda hoje regida pelo individualismo, seja no âmbito particular ou coletivo. Aliás, esse individualismo tem contribuído para levar muita gente à indiferença, à secura de Alma, isto é, à ausência da Solidariedade, da Fraternidade, da Generosidade nos relacionamentos humanos e sociais.

Aqui, algumas reflexões sobre o tema. Espero que apreciem:A Caridade não é um sentimento de tolos. É a misericordiosa estratégia de Deus que, aliada à Justiça Divina (que não é a violência que homens inescrupulosos têm como tal), estabelece nos corações a condição perfeita para que se governe, administre, empresarie, trabalhe, pregue, exerça a Ciência, elabore a Filosofia e se viva, com espírito de generosidade, a Religião.
Quando há Amor Fraterno, incontrastável empenho e consagrada competência, que se desenvolve com labor e zelo — desde a fixação de um simples prego na madeira (creia no seu valor próprio!) —, não existem limites para o alicerce de um mundo melhor.

Realizar o Bem voluntariamente é uma das mais belas páginas de Amor que o ser humano, ou seja, o Cidadão do Espírito, pode escrever. (…) A Caridade, aliada à Justiça e à Verdade Divinas, é o combustível das transformações profundas. Sua ação é sutil, mas eficaz. A Caridade é Deus, quando inequivocamente entendido como Amor, e não como vingança.
José de Paiva Netto ― Jornalista, radialista e escritor.
paivanetto@lbv.org.br — www.boavontade.com

 

 

Paiva Netto: A Caridade ilumina o Espírito

Há uma oração que desde o nome invoca um sentido de que todos necessitamos: Charitas, palavra latina que significa Caridade. Esse divino sentimento aprimora o convívio dos que buscam ver no semelhante algo além de um saco de carne ou fonte inesgotável de exploração.

A Caridade não é cativa da restritíssima acepção a que alguns a querem condenar. Defendo, há décadas, que se trata da mais elevada Política, porquanto constitui ferramenta imprescindível para ajustar os mecanismos de uma sociedade ainda hoje regida pelo individualismo oportunista. Ilumina o Espírito do cidadão. Ela inflama a coragem da gente. Por que perder a Esperança? A primeira vítima do desespero é o desesperado.

Vamos, então, elevar o pensamento a Deus. De autoria do Espírito Cáritas, a súplica foi psicografada na noite de Natal de 1873, por madame W. Krell, em Bordeaux, França, e publicada em Rayonnements de la Vie Spirituelle [Irradiações da Vida Espiritual].

Prece de Cáritas

Deus, nosso Pai,/ que sois todo Poder e Bondade,/ dai força àqueles que passam pela provação,/ dai luz àqueles que procuram a Verdade,/ ponde no coração do homem a Compaixão e a Caridade./ Deus!/ Dai ao viajor a estrela-guia,/ ao aflito, a consolação, ao doente, o repouso./ Induzi o culpado ao arrependimento./ Dai ao Espírito a Verdade,/ à criança, o guia,/ ao órfão, o pai./ Senhor! Que a Vossa Bondade se estenda sobre tudo o que criastes./ Piedade, Senhor,/ para aqueles que não Vos conhecem,/ esperança para aqueles que sofrem./ Que a Vossa Bondade permita/ aos Espíritos consoladores/ derramarem por toda a parte a Paz,/ a Esperança, a Fé!/ Ó Deus!/ Um raio, uma centelha do Vosso Amor/ pode iluminar a Terra,/ deixai-nos beber nas fontes/ dessa Bondade fecunda e infinita./ E todas as lágrimas secarão,/ todas as dores se acalmarão./ Um só coração, um só pensamento/ subirá até Vós,/ como um grito de reconhecimento e de Amor./ Como Moisés sobre a montanha,/ nós Vos esperamos com os braços abertos,/ Ó Bondade,/ Ó Beleza,/ Ó Perfeição. Nós queremos, de alguma sorte,/ merecer a Vossa misericórdia./ Deus!/ Dai-nos força,/ ajudai o nosso progresso/ a fim de subirmos até Vós;/ dai-nos a Caridade pura e a humildade;/ dai-nos a fé e a razão;/ dai-nos a simplicidade,/ Pai,/ que fará de nossas Almas/ o espelho onde se refletirá/ a Vossa Divina Imagem.

Costumo dizer que orar é viver a Lei de Deus a todo momento, porque fala ao coração, e este é a porta de Deus em nós.

José de Paiva Netto ― Jornalista, radialista e escritor.

paivanetto@lbv.org.br — www.boavontade.com

 

Paiva Netto: O Sol da Caridade, Jesus

Diante da imensidão dos Universos de Deus, os ideais de vaidade e de domínio humanos não possuem futuro.

Ao serem atravessadas as águas do “rio da morte”, desfazem-se as quimeras de uma Ciência quando sem entranhas, bem como os terrores de crenças quando carregadas de preconceitos e intolerâncias, além de todo espírito de concorrência desalmada e do conceito bélico, que separam as pátrias. Isso até que o Sol da Caridade, que é Jesus, espante as trevas da ignorância insolente e, abrindo a visão espiritual dos seres humanos, faça-os inferir que apenas o exercício das Divinas Leis da Fraternidade Ecumênica e da Solidariedade Social trará Paz à Terra. Nesse tempo, o ensino sublime do Evangelho-Apocalipse do Mestre Amado terá finalmente acalmado os corações, que encontrarão no Regaço de Deus o descanso para os seus Espíritos desorientados. É a época tão almejada por todos os missionários do Bem, momento em que a humanidade terá entendido que de nada adianta ilustrar a mente, se o coração for esquecido e que é delírio completo desejar o progresso da sociedade, se os princípios da confiança e do respeito forem avis rara nas relações interpessoais.

Admoesta o Professor Celeste: “De que adianta ao homem conquistar o mundo inteiro e perder a sua Alma?”

 (Boa Nova de Jesus, consoante Marcos, 8:36).

Fundamental e sábia reflexão do Rabi da Galileia, uma vez que não ansiamos percorrer caminhos equivocados, que inevitavelmente resultarão em retrocesso, em virtude de nossa indiferença ao conhecimento do Espírito — que não está jungido à religião ou à irreligião de quem quer que seja. Daí ser o lema da Legião da Boa Vontade (LBV), há tanto proclamado, promover Desenvolvimento Social, Solidário e Sustentável, Educação e Cultura, Arte e Esporte, com Espiritualidade Ecumênica, para que haja Consciência Socioambiental, Alimentação, Segurança, Saúde e Trabalho para todos, no despertar do Cidadão Planetário.

E aqui reforço a expressão Espiritualidade Ecumênica, porquanto esta é o berço dos mais generosos valores que nascem da Alma, a morada das emoções e do raciocínio iluminado pela intuição, a ambiência que abrange tudo o que transcende ao campo comum da matéria e provém da sensibilidade humana sublimada, a exemplo da Verdade, da Justiça, da Misericórdia, da Ética, da Honestidade, da Generosidade, do Amor Fraterno.

Ora, que as mais elevadas aspirações, que carregamos em nosso íntimo esclarecido, possam expandir os horizontes do pensamento e consigam com espírito de iniciativa e com criatividade enfrentar os graves desafios mundiais de nosso tempo, traduzindo-se em resultados efetivos que beneficiem toda a humanidade, que, unida, insiste em sobreviver às mais borrascosas situações.

 

José de Paiva Netto, jornalista, radialista e escritor.

                                                                                                                                                            paivanetto@lbv.org.br —www.boavontade.com

 

 

Cléo Pires doa 10% de seu salário para instituições de caridade

cleo-piresConhecida pelo seu trabalho de atriz em novelas da Globo e em filmes do cinema brasileiro, a atriz Cléo Pires se revelou também uma pessoa que gosta de praticar o bem.

Em entrevista para o jornal O Dia, Cléo disse que doa 10% de todos os seus ganhos mensais para instituições de caridade, que ela preferiu não dizer quais.

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Cléo afirma que se sente bem vendo que está fazendo algo que realmente importa para o Brasil: “Tenho uma conta que se chama ‘conta fundação’. De todo dinheiro que ganho com venda de imóvel e trabalho, separo 10% para meus projetos sociais. Gosto de estar no mundo de uma forma construtiva. Ajudar de alguma forma é muito gratificante. Me sinto feliz por poder fazer isso na vida, me sinto existindo e sinto que realmente estou cumprindo um propósito e fazendo parte de algo maior. Isso para mim é muito importante. Todo mundo precisa de ajuda em vários momentos na vida: às vezes, é ajuda financeira, uma conversa, ajuda moral… Enfim, todos os tipos de ajuda. Sempre que eu posso trabalhar no mundo, me colocar dessa forma, me sinto uma vencedora. Sinto que estou fazendo algo que realmente importa e isso me faz muito feliz”.
A atriz também disse que pensa em criar sua própria fundação um dia, e que este dia está próximo: “Uma amiga abriu uma Oscip, que são ONGs criadas por iniciativa privada que obtêm um certificado emitido pelo poder público federal ao comprovar o cumprimento de certos requisitos, mas tenho um pouco de pé atrás com isso. Fiquei empolgada, de repente, vou abrir alguma coisa, sim. Tenho pensado nisso, em sair da conta bancária e fazer algo maior, talvez. Por enquanto, é apenas algo que eu penso. Não tem nada estruturado ainda, mas, de fato, está na minha tela mental e ocupa parte dos meus pensamentos”.

Atualmente, Cléo Pires está no Estados Unidos gravando o filme “Qualquer Gato Vira-Lata 2”, juntamente com Malvino Salvador e Dudu Azevedo.

Na Telinha

Bicheiros são acusados de desviar verba de instituições de caridade na Paraíba

paraiba-capReportagem publicada na edição deste domingo pelo Fantástico da Rede Globo, denunciou o desvio de verbas de instituições de caridades por parte de bicheiros. A Apai de Campina Grande, seria uma das entidades que deixou de receber dinheiro a que tinha direito.

Confira matéria na integra abaixo:

Muita gente já deve ter visto anúncios, propagandas de títulos de capitalização vendidos em nove estados. Quem participa do sorteio concorre a um monte de prêmios, como carros e casas.

Uma parte da arrecadação deve, por lei, ser destinada a instituições de caridade. Só que a Polícia Federal descobriu que milhões de reais estão sendo desviados, e não chegam a quem mais precisa.

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Dona Graça trabalha muito. De manhã até a noite.

“A gente recolhe material descartável em lojas, em hotel, restaurante, clínicas, hospitais”, explica Graça Cordeiro, presidente do Lar da Esperança.

E o dinheiro que recebe com a reciclagem não fica para ela, não. Há 25 anos, Dona Graça criou o Lar da Esperança, uma instituição de caridade em Teresina, Piauí. Ela cuida de 150 pessoas pobres que têm o vírus da aids.

Dona Graça: A gente sempre teve muita dificuldade. Falta aqui. Falta acolá. É consertar alguma coisa. Fazer outros reparos.
Fantástico: A gente vai acompanhar o dia da senhora hoje, hein?
Dona Graça: Está bom.

Mas será que o Lar da Esperança poderia ajudar mais gente? A Polícia Federal diz que sim. E não só essa entidade, várias outras!

O problema é que milhões de reais, que elas deveriam receber, estariam sendo desviados.

Fantástico: O que a senhora faria com esse dinheiro?
Dona Graça: Ah, eu ia investir aqui dentro. Eu ia terminar de fazer essa construção.

Os investigadores descobriram um escândalo: que quem está tirando dinheiro das instituições é um grupo de empresários, que vende títulos de capitalização. Esses títulos eram vendidos em nove estados e davam direito a participar de sorteios.

Os títulos eram vendidos geralmente na rua mesmo, por R$ 5 cada um.

A dona Graça, do Lar da Esperança, de Teresina, apostava na sorte: comprou mais de cem dessas cartelas.

Dona Graça: Quem sabe a gente leva um prêmio, que já ia servir.
Fantástico: A senhora ia investir tudo aqui?
Dona Graça: Com certeza porque aqui está precisando de muita coisa.

Esses títulos só podem vendidos se a metade do dinheiro arrecadado com a venda for para uma instituição de caridade.

No caso dos títulos suspeitos, os empresários escolheram o Instituto Ativa Brasil, de Belo Horizonte. Nas ruas, os vendedores confirmam:

Vendedora: Doado para o Instituto Ativa Brasil.
Fantástico: É instituição de caridade?
Vendedora: É.

Interessante é que eles reforçam que o dinheiro vai para uma instituição de caridade. É sempre assim.

Na TV, o mesmo discurso.

Comercial de TV: Você concorre a prêmios e cede os direitos de resgate ao Instituto Ativa Brasil. ‘Bahia dá sorte’, custa pouco sonhar.

A Polícia Federal afirma: a Ativa Brasil, na verdade, fazia parte da fraude. O instituto tinha que distribuir o dinheiro do título para pelo menos outras 26 entidades, em nove estados. Até mandava um pouco, para não chamar a atenção. Mas de acordo com as investigações, a maior parte do dinheiro era desviada.

“Fizeram todo esse esquema para que o dinheiro, na verdade, nem chegue ao destinatário final de forma completa, mas sim muito minguado”, ressalta Marcello Diniz Cordeiro, delegado da PF.

O Lar da Esperança, do Piauí, é uma das entidades que recebiam um pouquinho de dinheiro do Instituto Ativa.

A Dona Graça, que também comprava as cartelas, lembra que a ajuda para a instituição dela começou há três anos.

“Eles perguntaram se a gente tinha dificuldade. A gente falou que a nossa dificuldade eram as faturas de energia. Aí, eles pagaram todas as atrasadas”, diz Graça Cordeiro.

Em três anos, o Lar da Esperança recebeu R$ 72 mil do tal Instituto Ativa. R$ 2 mil por mês. Mas as investigações mostram que o repasse correto deveria ser 25 vezes maior. Ao todo, R$ 1,8 milhão.

Fantástico: É muito dinheiro?
Dona Graça: Eu não sei o que é isso. Eu não sei. Sinceramente eu não tenho ideia do que é R$ 1 milhão.
Fantástico: O que a senhora faria com esse dinheiro?
Dona Graça: Eu ia terminar de fazer essa construção. Arrumar essas portas, o forro, o telhado.

A única ambulância que existia para transportar os pacientes não tem maca, não tem banco. O assoalho todo enferrujado, com buraco. Os vidros estão quebrados. E a sirene, destruída. E mesmo que a gente tentasse entrar para dirigir o veículo, não tem como. A porta está emperrada, não abre.

Se recebesse o dinheiro certinho da ativa, Dona Graça também iria reformar a ambulância.

“Não fiz só sepultamento mas fui buscar gente no interior, levei gente pro hospital, para maternidade. Fez muita coisa boa. Medalha de honra ao mérito para essa ambulância”, afirma Graça Cordeiro.

A Polícia Federal fez as contas. Em um ano, cerca de 200 milhões de bilhetes do sorteio foram vendidos em nove estados. Sabe quanto dá isso? Cerca de R$ 1 bilhão.

R$ 500 milhões, a metade da arrecadação, deveriam ser repassados para as entidades assistenciais.

A Polícia Federal identificou todos os envolvidos na fraude: o presidente da Ativa e quatro empresários: os irmãos Hermes, Cláudio, Júlio e Gustavo Paschoal. Eles são os donos da empresa que vendia os títulos de capitalização.

A família Paschoal construiu um império em Pernambuco, formado por empresas, apartamentos em áreas nobres, e carros de luxo.

Segundo a polícia, eles também estão envolvidos com o jogo do bicho e máquinas caça-níqueis, na capital e no interior de Pernambuco.

Em 2012, os irmãos foram condenados a 3 anos de cadeia. Ganharam o direito de recorrer em liberdade.

No Recife, o Fantástico foi a três pontos de venda do título de capitalização. Em todos, também dava para fazer uma fezinha no bicho.

“A única atividade exercida por eles hoje é a distribuição de títulos de capitalização, através do Pernambuco dá sorte, que é o nome de fantasia da empresa”, destaca Ademar Rigueira, advogado dos irmãos Paschoal.

Acusados de comandar o desvio do dinheiro, os Paschoal e o presidente do Instituto Ativa foram presos em uma operação da Polícia Federal, há 10 dias. R$ 350 mil em dinheiro vivo foram apreendidos. O advogado dos irmãos Paschoal nega a fraude.

“Essas pessoas não se apropriaram desse dinheiro nem deram outra destinação. A destinação foi as entidades que se beneficiaram com a filantropia do grupo ativa”, afirma Ademar Rigueira.

Segundo a polícia, o dinheiro que deveria ser doado para as instituições voltava para os irmãos Paschoal, seguia o seguinte esquema: os títulos eram vendidos e parte da arrecadação repassada para a Ativa Brasil.

O instituto pagava uma outra empresa para fazer a propaganda dos sorteios e gastava, com isso, quase todo o dinheiro que recebia.

O detalhe é que essa empresa de publicidade também pertence aos irmãos Paschoal.

“Não há nenhuma irregularidade nisso. E em nenhum momento, o grupo tentou que isso não fosse mostrado aos órgãos reguladores. Tudo estava demonstrado contabilmente e nos documentos apresentados”, explica o advogado dos irmãos Paschoal.

Para quem investiga o caso, nada justifica tanto gasto com publicidade e tão pouco dinheiro para as instituições de caridade.

“Se você tem uma previsão de despesa de divulgação, seria algo que iria interferir mas não alterar substancialmente o valor destinado as entidades. É muito dinheiro que está deixando de ir para as entidades e sendo gasto com divulgação”, afirma Cristiano Machado, analista da Superintendência de Seguros Privados.

“Eu ia melhorar a casa. Eu ia fazer esses quartos que estão precisando, quem sabe abrigar idosos”, diz Graça Cordeiro.

Além do Lar da Esperança, da Dona Graça, o Fantástico foi a outras entidades que deveriam receber o repasse dos títulos de capitalização.

Na Bahia, a Associação Obras Sociais Irmã Dulce, uma das mais importantes e conhecidas do Brasil, ganhava R$ 5 mil por mês da ativa. Segundo a Polícia Federal, deveria receber R$ 125 mil mensais.

Em Pernambuco, uma creche comunitária, que fica numa área carente do Recife, ganhava R$ 3 mil por mês. O certo seriam R$ 75 mil, diz a investigação.

Recentemente, como faltou dinheiro para pagar as professoras, 20 vagas tiveram que ser cortadas.

Na Paraíba, a Ativa também mandava R$ 3 mil por mês para a Apae, de Campina Grande. Para a Polícia Federal, nem perto do valor correto: R$ 75 mil.

Gabrielle tem 12 anos. Duas vezes por semana, ela e a mãe saem de Junco do Seridó, onde moram, e vão até Campina Grande, para fazer tratamento na Apae.

“Na Apae? É uma maravilha o tratamento. Ela não falava muito. Ela não falava nada. Hoje, ela está bem melhor”, lembra Marizete dos Santos, mãe de Gabrielle.

Gabrielle viaja 100 quilômetros em um micro-ônibus da prefeitura, que também leva doentes para hospitais. Contando ida e volta, são cinco horas na estrada. Para conseguir atender 400 pessoas, a Apae de Campina Grande gasta R$ 65 mil por mês.

Ou seja, se a ativa pagasse os R$ 75 mil, sobraria dinheiro e daria para atender mais pacientes.

“A gente teria um número muito maior. A gente tem um serviço como a fonoaudiologia que tem mais de 200 usuários esperando uma vaga”, afirma Waléria Queiroz, diretora da Apae.

O presidente da Ativa saiu da cadeia quinta-feira passada e vai responder em liberdade.

Em nota, o instituto disse que “não há irregularidades em relação ao repasse financeiro às entidades filantrópicas” e que “toda a movimentação está registrada nos livros contábeis, que se encontram à disposição das autoridades”.

Agora, a venda dos títulos de capitalização da família Paschoal foi proibida. A Justiça também bloqueou R$ 100 milhões que estavam em contas bancárias.

“É aquele pensamento de sempre querer ganhar mais, muito mais. Porque se ele fizesse tudo correto, ele iria ter a parte dele, como todo empresário honesto tem, e todos sairiam ganhando, inclusive os institutos de filantropia”, destaca Marcello Diniz Cordeiro, delegado da PF.

Dona Graça, aquela senhora que passa o dia recolhendo papelão para pagar as despesas da instituição que cuida de pessoas com aids, já decidiu o que fazer, caso receba o dinheiro que foi desviado. Ela quer ajudar mais gente ainda.

Fantástico: A senhora nem queria tudo para senhora?
Dona Graça: Que tal a gente ratear entre mais entidades? Tem muita gente boa, honesta, trabalhando. Nós temos muitos abrigos que estão precisando. Então seria uma coisa de se fazer um rateio entre todas.

Fantástico

Advogado de sacerdote condenado por abuso diz que ele vive de caridade

Julio César GrassiEm uma desesperada tentativa de melhorar sua imagem, o réu Julio César Grassi busca demonstrar que sua vida está marcada por uma austeridade monástica. Uma apresentação jurídica de seu advogado a qual tivemos acesso, diz sobre o sacerdote condenado: “Vive da caridade”.

Juan José Díaz afirmou em um documento ao Juizado Nacional de Primeira Instância no Contencioso Administrativo Federal N° 11, secretaria 21, que se propõe litigar sem gastos.

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Em transcrição respeitosa da sintaxe original: “A presente ação se baseia na condição de pessoa humilde e de escassos recursos econômicos de seu representado, o que motiva que se encontre frente à impossibilidade de enfrentar os gastos inerentes ao processo judicial”.

O representante do réu acrescenta: “Não se celebrou convênio de quota litis nos termos da lei de honorários, e que o Sr. Julio César Grassi não é proprietário de nenhum bem imóvel e/ou móvel registrável, nem é titular de contas correntes, caderneta de poupança, investimentos bancários, títulos ou ações”.

“Outrossim”, continua o escrito, e afirma: “Vive da caridade, já que não tem salário nem remuneração alguma como sacerdote católico apostólico romano congregado na diocese de Morón, província de Buenos Aires, sendo a atividade que lhe demanda mais tempo – além da própria missão sacerdotal – a de administrar a Fundação Felices Los Niños, dedicada à alimentação, cuidado, educação e contenção de crianças carentes com problemas de família ou com falta dela”.

Em junho de 2009 Grassi foi condenado por abuso sexual reiterado contra um menino que o expediente judicial chama simplesmente de “Gabriel”, para protegê-lo. A Câmara de Cassação da província de Buenos Aires ratificou a sentença, mas os defensores de Grassi recorreram à Suprema Corte bonaerense. Enquanto isso, Grassi estava livre. Tal como informou o jornal Página/12 no último dia 22 de abril, a Sala Um da Câmara de Apelações de Morón estabeleceu que corresponde “revogar o regime alternativo à prisão preventiva” e “proceder à detenção do citado”. Os camaristas Fabián Cardozo e Elisabet Miriam Fernández entenderam que Grassi violou as condições de liberdade restrita que gozava. Segundo o tribunal, está “comprovado, sem hesitação alguma, o descumprimento, por parte de Julio César Grassi, de sua obrigação de não referir-se publicamente a nenhuma das vítimas nem a qualquer outra pessoa intimamente ligada às mesmas”, irregularidade que Grassi teria cometido em uma entrevista na televisão.

Quando comentou a decisão dos camaristas ao Página/12, o advogado Juan Pablo Gallego disse que “o que esperamos como denunciantes, e o que esperam as vítimas, não só ‘Gabriel’, mas também os outros dois meninos que denunciaram Grassi e não foram escutados pela Justiça, é que o padre seja preso, porque já foi condenado duas vezes por pedofilia, e é incrível que continue em liberdade”. Gallego opinou que “por um delito menos grave, está na cadeia o goleiro Pablo Migliore”.

Sem sentença como Grassi, o goleiro do San Lorenzo cumpre prisão preventiva desde 31 de março por suposto delito de encobrimento agravado em favor do torcedor do Boca Maximiliano Mazzaro.

Debate mundial
Em 2009 Grassi foi condenado há 15 anos pelo delito de corrupção de menores.

As atuações contra o réu argentino se produzem em meio a uma polêmica mundial sobre a pedofilia que recrudesceu depois da eleição do papa Francisco.

No dia 5 de abril, Francisco ordenou a Gerhard Ludwig Müller, prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, que atue “com decisão contra os casos de abusos sexuais”. Também o instruiu para que atue em apoio daqueles que no passado padeceram “semelhantes violências” inclusive quando haja processos contra os culpáveis.

Os escândalos se tornaram mais conhecidos desde 2000 e chegaram ao ponto que no último conclave de eleição papal o cardeal escocês Keith O’Brien tomou a decisão de não participar porque disse haver tido “comportamentos impróprios” com relação a quatro sacerdotes.

Depois da inauguração de seu pontificado, Jorge Mario Bergoglio nomeou um conselho de oito cardeais para assessorá-lo no governo da Igreja Católica: o italiano Giuseppe Bertello, os latino-americanos Oscar Andrés Rodríguez Madariaga, arcebispo de Tegucigalpa, e Francisco Javier Errázuriz Ossa, emérito de Santiago; o alemão Reinhard Marx, arcebispo de Munique; o arcebispo de Bombaim, Índia, Oswald Gracias; George Pell, cardeal de Sydney, Austrália; Laurent Monsengwo Pasinya, cardeal de Kinshasha, República Democrática do Congo; e o arcebispo de Boston, Estados Unidos, Sean Patrick O’Malley. O sacerdote e vaticanólogo estadunidense Thomas Reese disse que ele “tem um histórico muito bom de limpar casos de abusos sexuais nas três dioceses nas quais trabalhou nos Estados Unidos” e que “aparece como um homem santo em sua túnica franciscana”. O cardeal usou o dinheiro da arquidiocese de Boston para compensar as vítimas de pedofilia abusadas por sacerdotes e para lançar uma campanha pública de advertência e prevenção.

O debate mundial é cada vez mais cru e menos canônico. No domingo 17 de março, Página/12 publicou que a diocese de Quilmes foi condenada a pagar 155 mil pesos mais juros de 10 anos a uma pessoa abusada quando tinha 15 anos pelo sacerdote Rubén Pardo, já falecido. O bispo era nesse momento Luis Stockle, que só advertiu Pardo por violação do Sexto Mandamento, o que proíbe cometer “atos impuros”, e o transferiu de diocese.

Castigo
Grassi não perdeu ainda a condição sacerdotal, ao menos por enquanto, mas em troca ganhou a de réu.

Segundo a Real Academia Espanhola, réu é “pessoa que, por haver cometido culpa, merece castigo”. Também “demandado em juízo civil ou criminal”. Como adjetivo tem as acepções de “acusado” ou “culpado”.

O advogado de Grassi e encarregado de demonstrar sua extrema pobreza apresentou o documento à juíza no contencioso administrativo María José Sarmiento, a mesma que saltou para a fama quando, em janeiro de 2010, decidiu contra os decretos presidenciais que autorizavam tomar reservas do Banco Central. Naquele momento o jornalista do La Nación Adrián Ventura publicou um retrato dela no qual descrevia seu ambiente: “Nascida de uma mãe saltenha (da província de Salta), seu pai cordobês (da província de Córdoba) foi um coronel que, após ir para a reserva em 1973, prestou serviços para a SIDE (Secretaria de Inteligência do Estado) no exterior, e seu irmão é um capitão da reserva. Por isso passou sua infância em diferentes destinos, foi catequista em varias paróquias e se graduou como advogada na Universidade Católica Argentina (UCA), onde também integrou o coral”.

Tradução: Liborio Júnior

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