Arquivo da tag: calote

Caixa Econômica dobra despesas para cobrir calote de empréstimos

banco-caixa-economica-federal_1Maior financiadora da habitação no país, a Caixa Econômica Federal teve uma rápida piora nos índices de inadimplência no início deste ano, o que levou o banco a duplicar as chamadas provisões para cobrir calotes. Diante da retração na economia, os atrasos acima de 90 dias saltaram de 2,63% para 2,86% do primeiro trimestre de 2014 para o mesmo período deste ano.

Na comparação com os últimos três meses do ano passado, o salto é ainda maior. Naquele período, a inadimplência estava em 2,56%. Segundo Marcio Percival, vice-presidente financeiro do banco, a expectativa é que a inadimplência oscile entre 2,5% e 3% ao longo deste ano.

ACOMPANHE O FOCANDO A NOTÍCIA NAS REDES SOCIAIS:

FACEBOOK                TWITTER                    INSTAGRAM

Para fazer frente à inadimplência crescente, o banco elevou as despesas para cobrir eventuais perdas nos empréstimos de R$ 2,5 bilhões para R$ 5 bilhões. Isso também ocorreu com o Banco do Brasil e os bancos privados, porém, em menor escala. Essas despesas também impediram o banco de apurar um lucro maior no período, o primeiro sob o comando da presidente Miriam Belchior. No primeiro trimestre, a Caixa teve ganho líquido de R$ 1,548 bilhão, 2,5% mais que em igual período de 2014.

O balanço do banco foi divulgado na quarta, após quase três semanas de atraso, devido a ajustes contábeis pedidos pelos auditores e pelo BC, conforme mostrou reportagem da Folha em 29 de maio. Oficialmente, o banco nega que os ajustes pedidos tenham sido além dos habituais nos balanços.

CRÉDITO IMOBILIÁRIO
Na habitação, principal negócio da Caixa, a inadimplência se manteve mais estável -oscilou de 1,93% para 1,97% do primeiro trimestre de 2014 para o primeiro trimestre deste ano. O empréstimo imobiliário tem atrasos historicamente baixos.
Por outro lado, os atrasos dispararam no crédito para empresas -passou de 2,7% para 4,26%, nessa comparação- e para o consumidor nas linhas fora da habitação -de 5,48% para 5,81%.

O banco prevê uma desaceleração forte nos empréstimos, que devem crescer menos de 14% neste ano. No ano passado, a expansão fora de 22,4% e, em 2013, de 36,8%.

 

DA FOLLHAPRESS

 

Crise faz aumentar calote no programa “Minha Casa Minha Vida”

casa-caixaO Minha Casa Minha Vida, maior programa habitacional do país, tem registrado uma alta da inadimplência, reflexo da queda na renda do trabalhador e do aumento do desemprego. Segundo dados do Ministério das Cidades, os atrasos acima de 90 dias, período a partir do qual o cliente é considerado inadimplente pelo sistema bancário, atingiram, em março, 21,8% dos financiamentos concedidos na faixa 1 do programa, destinada às famílias com renda mensal de até 1,6 mil reais. Em abril de 2014, eram 17,5%. Nas faixas 2 e 3, que inclui famílias com renda de até 5 mil reais, a inadimplência também subiu de 1,9% para 2,2% nesse intervalo. Os números foram publicados pelo jornalFolha de S. Paulo, nesta segunda-feira.

ACOMPANHE O FOCANDO A NOTÍCIA NAS REDES SOCIAIS:

FACEBOOK                TWITTER                    INSTAGRAM

O grupo da faixa 1 paga prestações mensais entre 25 e 80 reais mensais por um período de dez anos, valor que corresponde a 5% do imóvel. Nesse caso, o valor não pago pelo mutuário é bancado pelo Tesouro Nacional. Já nas faixas 2 e 3 as perdas são assumidas pelo banco que concedeu o empréstimo, como em qualquer financiamento imobiliário.

A alta dos atrasos entre mutuários levou a Caixa a suspender, em fevereiro, o programa Minha Casa Melhor, que disponibilizava uma linha para compra de móveis e eletrodomésticos com prestações de pouco mais de 100 reais. “As pessoas de menor renda são mais suscetíveis a mudanças na economia. Com o aumento do desemprego e a inflação elevada, a tendência é mais inadimplência até essas pessoas conseguirem ajustar o orçamento”, afirmou o presidente do Secovi-SP (sindicato de habitação), Flavio Amary.

Para Lauro Gonzalez, coordenador do Centro de Estudos em Microfinanças e Inclusão Financeira da Fundação Getúlio Vargas (FGV), o cenário econômico favorece a inadimplência, pois as famílias gastam mais água, luz e condomínio. Há também a perda de renda com emprego e inflação. Gonzalez aponta ainda falhas no programa. “Quando se cobra um valor muito inferior à capacidade de pagamento, a pessoa enxerga aquela obrigação como um compromisso menos importante”, diz sobre o valor cobrado na faixa 1.

 

Por: Blog do Gordinho

 

Justiça hipoteca sede da Petrobras para evitar calote bilionário da estatal

Para Ministério Público, ex-diretor da estatal favoreceu a Odebrecht em contrato milionário (Ricardo Moraes/Reuters)
Para Ministério Público, ex-diretor da estatal favoreceu a Odebrecht em contrato milionário (Ricardo Moraes/Reuters)

Está na hora de convocar um padre para benzer – ou exorcizar – a Petrobras. É uma bruxaria atrás da outra. Não bastasse o impacto da operação Lava Jato nas finanças da empresa, entre outros tantos problemas que vêm a público dia sim, outro também, a Petrobras teve sua sede hipotecada pela Justiça do Rio de Janeiro, em decisão tomada nesta quinta-feira (12). A hipoteca serve como forma de garantir o pagamento de uma dívida de R$ 935 milhões, causada por “conduta predatória” da estatal. Os oito mil funcionários da empresa, que estão sem norte, podem ficar sem teto. A estatal, naturalmente, pode e ainda vai recorrer da decisão.

O edifício hipotecado é a tradicional sede da estatal, localizada na Avenida Chile, no centro do Rio. Chamado de Edise, uma abreviação de Edifício Sede, o prédio inaugurado em 1974 foi construído por uma antiga parceira da Petrobras, a Odebrecht – agora investigada na Lava Jato. A sede que conta com 26 andares e jardins suspensos.

CURTA o FOCANDO A NOTÍCIA no Facebook

A derrota judicial é mais um capítulo da disputa que a Petrobras trava com a Refinaria Manguinhos, localizada no Rio de Janeiro. A refinaria cobra da Petrobras danos materiais pela política de preços da estatal.

A crise enfrentada pela Petrobras foi um dos argumentos utilizados pela juíza Kátia Torres, da 25ª Vara Cível do Rio de Janeiro, para determinar a hipoteca da sede da estatal. Na prática, a hipoteca significa que, em caso de calote, a sede poderia ser usada para o pagamento. “Além do julgado envolver expressiva condenação de valor líquido, os problemas financeiros enfrentados pela ré são públicos e notórios, impondo-se a adoção da medida constritiva com vistas à efetividade do processo”, diz a decisão da juíza.

A hipoteca judiciária é um desdobramento de outra decisão judicial, também da 25ª Vara Cível do Rio de Janeiro, tomada em novembro do ano passado. Na decisão inicial, a juíza Simone Chevrand determinou o pagamento de R$ 935 milhões à Refinaria Manguinhos, por danos materiais. “Além de ser fato notório que há controle de inflação pelo governo federal através da política de preços de combustíveis, tal grande ingerência à qual o réu está submetido é admitida pelo mesmo em sua contestação e o leva a praticar, sim, preços que inviabilizam a concorrência”, escreveu a juíza.

De acordo com a sentença, ficou comprovado o dano causado pela Petrobras. “É bem verdade que não cabe ao Judiciário, no âmbito do processo judicial, realizar discurso político partidário. O que lhe cabe é constatar que se o réu – movido por injunções políticas governamentais -, em sua atividade empresarial ocasiona danos a terceiros, deve indenizá-los. E por isto se adiantou que a solução da questão passa, na realidade, por aplicação de regra elementar de responsabilidade civil. Como demonstrado, a conduta predatória ocorreu e o dano restou comprovado”.

Procurada, a Petrobras não se pronunciou até o momento.

 G1

Argentina tem menos de 24 horas para evitar o calote

cristina-kirchnerA Argentina corre contra o tempo para negociar um acordo com a justiça americana e evitar o calote de sua dívida. O país tem até meia-noite desta quarta-feira para efetuar o pagamento dos juros a seus credores. Caso não o faça, entrará em default e poderá ter seus bens confiscados no exterior, além de enormes restrições a crédito externo. A equipe econômica do governo Kirchner se dirigiu a Nova York na terça para negociar com Daniel Pollack, mediador escolhido pela justiça americana para solucionar o impasse. Contudo, até a madrugada desta quarta-feira, nada havia sido resolvido. O único avanço foi o encontro, pela primeira vez, entre o governo argentino e representantes dos fundos abutres. Porém, segundo comunicado de Pollack, nenhum acordo foi concluído. O mediador afirmou que espera que ambos voltem a conversar nesta quarta. Na equipe de negociadores da Argentina está o chefe de gabinete de Cristina Kirchner, Jorge Capitanich, que viajou a Nova York diretamente de Caracas, onde acompanhava Cristina na cúpula do Mercosul.

CURTA o FOCANDO A NOTÍCIA no Facebook

Dívida antiga – Nesta quarta-feira ocorrerá o segundo vencimento de uma parcela de 539 milhões de dólares relativos a juros que devem ser pagos a credores nos Estados Unidos. O governo Kirchner não pagou o montante no primeiro vencimento determinado pelo juiz Thomas Griesa, em 30 de junho. Griesa é o responsável pela decisão que obriga a Argentina a pagar não apenas os juros devidos aos credores, mas também os valores integrais referentes aos títulos detidos pelos chamados fundos abutres, que são detentores de bônus que não aceitaram a reestruturação da dívida argentina nos anos de 2005 e 2010 e, por isso, acionaram o país na justiça para receber montante total da dívida. A reestruturação se deu depois do calote de 2001 e impôs perdas aos investidores dos papéis do país. No caso dos credores da dívida reestruturada, as perdas foram da ordem de 40%. Os abutres, contudo, são fundos especializados em compra de títulos de países caloteiros, justamente para acioná-los na justiça e tentar receber o valor total.

O que são fundos abutres?

Fundo abutre é um jargão do mercado financeiro usado para classificar fundos de hedge que investem em papéis de países que deram calote — atuam, em especial, na América Latina e na África. Sua atuação é perfeitamente legítima. O termo abutre foi criado para diferenciá-los dos fundos convencionais, justamente por trabalharem como “agiotas” de países caloteiros, emprestando dinheiro em troca de “títulos podres”. São considerados pelo mercado uma espécie de ‘investidor de segunda linha’. Sua atuação consiste em comprar títulos da dívida de nações em default por valor irrisório para depois acionar o país na Justiça e tentar receber ganhos integrais. Os “abutres” compraram os papéis da dívida argentina por 48,7 milhões de dólares em 2001 e querem receber, hoje, cerca de 1 bilhão de dólares. A Argentina, por sua vez, tenta escapar do pagamento. O país teme que, caso aceite pagar os “abutres” integralmente, os 92% de credores que aceitaram a renegociação da dívida em 2005 e 2010 possam buscar na Justiça o direito de receber ganhos integrais. Neste caso, o pagamento poderia reduzir as reservas internacionais do país a praticamente zero. Outro agravante é que, devido ao histórico de calotes e decisões econômicas escandalosas do país, sua credibilidade para negociar com credores está fortemente abalada.

A Argentina se nega a efetuar o pagamento aos abutres porque teme que isso ative a cláusula “Rufo”, cuja sigla em inglês quer dizer “direitos sobre futuras ofertas”, colocada pelo próprio governo, que indica que a Argentina não poderá negar aos demais credores as mesmas condições dadas aos abutres. Com isso, o país pode abrir precedentes para que todos os credores entrem na justiça para receber o total da dívida. Com isso, poderia ter de desembolsar valor muito superior às suas próprias reservas internacionais, que estão na casa de 30 bilhões de dólares.

O governo argentino tentou efetuar o pagamento aos credores dos títulos reestruturados, mas o juiz Griesa bloqueou a transação, classificando-a de ilegal. Assim, enquanto não pagar os abutres, a Argentina não pode honrar seus compromissos com os demais credores. Em entrevista ao site de VEJA, Jay Newmann, gestor do fundo NML, o principal abutre, afirmou que ao longo de dez anos vem tentando se reunir, sem sucesso, com o governo argentino. Até seu primeiro encontro, nesta terça, a negativa vinha sendo constante e o governo exigia, segundo Newman, que os fundos aceitassem a proposta argentina de forma unilateral.

Na Argentina, os bancos locais lançaram a proposta de uma espécie de “vaquinha” para formar um fundo de garantias de 250 milhões de dólares como forma de ajudar o país a costurar um acordo com os abutres. Contudo, a proposta sequer chegou a ser considerada pelo governo, diz o jornal Clarín. No mercado argentino, a bolsa de valores mostra expectativa de um acordo, com o índice Merval encerrando em alta de 6,5% nesta terça.

Credores europeus – Temendo os efeitos do calote, credores europeus entraram nesta terça-feira com um pedido de emergência para a suspensão da execução da sentença que determina o pagamento aos credores do país. Os europeus pedem a suspensão do prazo por 90 dias ou até o início de janeiro de 2015, caso contrário consideram bem provável que a Argentina entre em default. O argumento é de que, com a suspensão, a Casa Rosada terá mais tempo para negociar formas de evitar um calote.

No mesmo documento, os credores da dívida em euro afirmam que abrem mão da chamada cláusula Rufo, que determina que as mesmas condições oferecidas aos fundos abutres precisam ser oferecidas aos agentes que aderiram às duas reestruturações da dívida do país, em 2005 e 2010. Esta cláusula é válida até o final de dezembro de 2014. Os detentores da dívida em euro afirmam que já entraram em contato com outros investidores interessados em também abrir mão da cláusula Rufo. Juntos, este grupo detêm 5,2 bilhões de euros da dívida do país, segundo o documento.

 

Vejo

Escolas privadas da Paraíba levam calote de até 30% de alunos com inadimplência

Reprodução/ Assessoria
Reprodução/ Assessoria

A rede privada de ensino da Paraíba começou o ano letivo de 2014 com um déficit de 30% no pagamento das mensalidades. Na maioria dos casos, as dívidas são compostas por famílias que decidem colocar os filhos no mesmo colégio e não conseguem arcar com os custos assinados em contrato.

A situação se agrava por que a escola fica impossibilitada de realizar a quitação de impostos e continuar mantendo os serviços de modo satisfatório aos estudantes. Para o presidente do Sindicato dos Estabelecimentos de Ensino Privado da Paraíba (Sinepe), Odésio Medeiros ocorre uma inconsistência na prestação de serviços. “Os colégios dão prioridade para a folha de pagamento dos funcionários mas existem outras necessidades como a limpeza dos ambientes, manutenção de água e energia elétrica. E além disso, o que entra ainda não é bastante para cobrir as dívidas existentes”, disse o presidente do Siepe, lembrando que o saldo devedor das escolas em 2013 foi de R$ 200 mil.

CURTA o FOCANDO A NOTÍCIA no Facebook

Outro dado alarmante é que os responsáveis pelos alunos têm informado dados incorretos às escolas, a fim de driblar o envio das dívidas aos serviços de proteção ao crédito. “Esgotadas as tentativas de negociação, as instituições de ensino remetem os dados ao Serasa ou a iniciam processo na justiça, para requerer os pagamentos. E é então que descobrimos que os pais dos alunos emitem cheques com assinaturas falsas e documentos com numeração trocada para evitar as cobranças”, destacou Odésio Medeiros.

Pela lei, as escolas da rede privada não podem restringir o acesso dos alunos as salas de aula por motivo de inadimplência. A solução adotada até o momento é não renovar as matrículas dos alunos com dívidas e anunciar até o mês de outubro de cada ano sobre as alterações nas tabelas das mensalidades que serão praticadas no ano posterior.

 

 

portalcorreio

TJPB investiga comarcas acusadas de envolvimento em ‘calote de consignados’

marcio muriloO corregedor-geral do Tribunal de Justiça da Paraíba (TJPB), desembargador Márcio Murilo da Cunha Ramos (foto), encaminhou nota a imprensa, na tarde desta quarta-feira (27), para esclarecer denúncias de supostas irregularidades, com excesso de concessão de liminares nas comarcas de Picuí e Barra de Santa Rosa, para estimular supostos calotes em empréstimos consignados no Estado, como foi denunciado ontem pela mídia nacional e local.

De acordo com matéria do Jornal Valor Econômico, as comarcas de Picuí e Barra de Santa Rosa têm mais de 6 mil ações revisionais de consignados. Os números são mencionados em um pedido de providências enviado ao Ministério Público pela Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) na Paraíba. De janeiro a setembro de 2012, foram 4.433 ações só em Picuí, segundo o documento.

CURTA o FOCANDO A NOTÍCIA no Facebook

NOTA DE ESCLARECIMENTO

O corregedor-geral do Tribunal de Justiça da Paraíba, desembargador Márcio Murilo da Cunha Ramos, no uso de suas atribuições e tendo em vista os fatos narrados pela imprensa nacional, sobre possíveis irregularidades no excesso de concessão de liminares nas comarcas de Picuí e Barra de Santa Rosa, RESOLVE esclarecer;

Desde a primeira semana que assumi esta gestão, em fevereiro último, determinei inspeção nas comarcas de Picuí e de Barra de Santa Rosa para apurar os fatos acima;

O tempo das inspeções nas referidas comarcas durou duas semanas e todos os dados colhidos, inclusive atas respectivas, instruem investigação em curso neste Órgão;

Esta Corregedoria-Geral está promovendo a sindicância dentro do prazo legal, respeitando todos os ritos, a ampla defesa e o contraditório;

Márcio Murilo da Cunha Ramos
Corregedor-geral de Justiça

OAB denuncia fraude em empréstimos consignados na Paraíba

Por trás da indústria de liminares que estimula o calote do crédito consignado estão advogados, supostas associações de funcionários públicos e correspondentes bancários, os chamados “pastinhas”, que oferecem o serviço por indicação e até mesmo pela internet.

Em Porto Alegre, por exemplo, o advogado que entra com a ação costuma ficar com 30% do novo empréstimo, enquanto o pastinha fica com 10%, mais a comissão recebida das instituições financeiras por cada contrato fechado. Há casos em que 50% do valor do novo empréstimo se destina a pagar pela fraude. A operação, porém, só funciona graças à anuência de alguns juízes, que concedem as liminares.

No interior da Paraíba, a 220 quilômetros de João Pessoa, o município de Picuí, com menos de 20 mil habitantes, recebeu mais de 5 mil ações revisionais de empréstimo consignado nos últimos dois anos. É como se um quarto de toda a população tivesse decidido entrar na Justiça para discutir os termos desse contrato financeiro.

Os números são mencionados em um pedido de providências enviado ao Ministério Público pela Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) na Paraíba, ao qual o Valor teve acesso. De janeiro a setembro de 2012, foram 4.433 ações só em Picuí, segundo o documento.

Situação semelhante ocorreu em Barra de Santa Rosa, no agreste paraibano. A pequena cidade, com 13 mil moradores, recebeu quase 1,3 mil ações revisionais de empréstimo consignado em 2011 – chegando a representar 75% do total de demandas distribuídas na comarca, de acordo com o documento da OAB.

O juiz titular em Picuí, Mário Lúcio Costa Araújo, respondia também como substituto em Barra de Santa Rosa durante a enxurrada de ações. As liminares foram concedidas sem citar as instituições financeiras para que pudessem se defender no caso, de acordo com o documento da OAB. “A expedição da carta citatória se dá, em regra, um mês após o cumprimento da medida, havendo, na maioria dos casos, indicação equivocada dos endereços dos réus”, diz o texto.

Até que o banco tome conhecimento da existência do processo, os autores têm tempo de sobra para tomar novos empréstimos.

Em alguns exemplos citados no pedido de providências, o ofício enviado pelo juiz ao órgão pagador para “limpar” a folha, liberando a margem consignável, foi expedido antes mesmo da liminar. Em outros, isso teria ocorrido em um momento anterior à própria distribuição do processo.

“Nos ofícios direcionados ao órgão pagador, os quais são assinados pelo próprio magistrado, há ordem expressa de que não haja comunicação acerca da referida liminar à instituição bancária demandada. Certamente tal orientação serve como meio de impedir que seja interposto recurso em tempo hábil”, diz a OAB.

Procurado pela reportagem, o juiz Mário Araújo confirma que concedeu “diversas liminares” para suspender o pagamento de parcelas do consignado, mas fala que derrubou as decisões ao verificar que os fatos “não correspondiam” ao que era sustentado no processo.

Tarde demais para os bancos: uma liminar derrubada, nesse caso, não recupera a dívida. “O grau de reversibilidade é nulo, ou seja, o prejuízo já foi consumado, pois os servidores já contraíram empréstimos em outros bancos”, explica o advogado Djalma Silva Júnior, consultor jurídico da Associação Brasileira de Bancos (ABBC).

O juiz Mário Araújo disse que “não tem conhecimento de fraude”, mas que “pode até ter sido enganado por advogados”. A reportagem teve acesso a diversas ações apresentadas em Picuí pelos advogados Moisés Duarte Chaves Almeida e José Dutra da Rosa Filho.

Um dos processos tem como autora uma entidade denominada Associação Brasileira dos Funcionários Públicos Civis e Militares Ativos e Inativos (Abrasfup), que questionou, ao mesmo tempo, empréstimos tomados em 18 instituições financeiras: Santander, Matone, Paraná Banco , BGN, BMC, Industrial, Pecunia, BV Financeira, Daycoval, BicBanco, Cruzeiro do Sul, Fibra, Safra, Morada, Itaú, Capemisa, PanAmericano e Bonsucesso. Uma liminar foi concedida para suspender os descontos de contratos de todas essas instituições, e liberar a margem consignável de diversos beneficiários. Curiosamente, uma entidade sediada em Picuí reuniu associados de diversas regiões do país.

“Em algumas oportunidades, o autor realiza esses atos de forma consciente, e em muitas outras é iludido por atravessadores existentes no mercado”, diz o diretor jurídico do Banco Bonsucesso, Álvaro Loureiro.

Documentos obtidos pela reportagem demonstram que a Abrasfup foi criada em janeiro de 2012 e, em junho, começou a inscrever associados. No mês seguinte, passou a entrar com ações de empréstimo consignado. O advogado Moisés Duarte Chaves Almeida, assim como o responsável pela Abrasfup, não foram localizados para comentar o caso. O advogado José Dutra da Rosa Filho disse que não atua mais em nome da Abrasfup.

Segundo o documento da OAB, processos semelhantes foram apresentados pela Associação dos Servidores da Segurança do Poder Legislativo do Estado da Paraíba (Asspol) e pela Associação Nacional de Defesa dos Servidores Públicos (Andespub) na comarca de Caaporã, na região metropolitana de João Pessoa.

Da Redação
WSCOM Online

Senador tucano é processado na justiça por dar calote

Plenário do SenadoO líder da oposição no Senado, Mário Couto (PSDB-PA), está sendo processado na Justiça do Pará por ter passado três cheques sem fundo para adquirir uma lancha usada, no valor de R$ 80 mil.

Segundo o vendedor –um médico de Belém que diz ter comprado a embarcação em junho de 2011 no Rio–, a transação foi acertada com o senador no fim do mesmo ano.

CURTA o FOCANDO A NOTÍCIA no Facebook

Ambos gostam de pescar e se conheceram em Salinópolis (PA) por meio de amigos em comum. Segundo Albedy Bastos, vendedor da lancha, em meados de 2011 o senador lhe pediu a embarcação emprestada sob o argumento de que gostaria de comprá-la.

Couto continuou a usá-la outras vezes antes de efetuar a transação: “Até que liguei para o caseiro dele e mandei perguntar se ele ia comprar a lancha. Respondeu que sim”.

Folha

FESTA: Empresário acusa prefeitura de Cajazeiras de calote milionário

O empresário Tico Miudezas, da empresa Perfil, disse nesta terça-feira (30) ser vítima do que classificou de “esculhambação” da Prefeitura Municipal de Cajazeiras, que segundo o produtor cultural lhe deve mais de um milhão de Reais por shows promovidos na cidade e não pagos pela prefeitura.

“Eu estou quebrado. Tudo o que tinha foi embora, até meu crédito em Cajazeiras. Tudo porque caí em uma conversa bonita que não devia”, disse o empresário alegando falência pelo não recebimento do débito da prefeitura.

Tico afirmou que tem sofrido ameaças por mensagens telefônicas. “Eu posso morrer hoje, mas espero que a Justiça faça justiça”.

O empresário disse ainda que esta a disposição da Justiça, do Ministério Público e do Tribunal de Contas para apresentar as provas contra a prefeitura.

“Prefeito que tivesse vergonha na cara e que fosse responsável não fazia festa não”, disparou o empresário, afirmando que os débitos da prefeitura são desde a gestão do ex-prefeito Léo Abreu e chega a R$ 1.384.00.00 e que teria recebido apenas R$ 80 mil. Ele acusou o ‘Chamegão’ de superfaturamento.

Entre as bandas que realizaram shows na cidade estão Aviões do Forró e Garota Safada.

Entre as festas promovidas pelo empresário estão o carnaval de 2010, o São João de 2010 e a emancipação política de 2011.

MaisPB com Programa Rádio Vivo – Rádio Alto Piranhas