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Pecuarista investe em cabras como alternativa econômica para vencer crise e seca na Paraíba

Foto:Secom PB Criação de cabras no Cariri
Foto:Secom PB
Criação de cabras no Cariri

Num momento de crise em que as atividades agrícolas, assim como os demais setores, sofre retração, um criador da região do Cariri, uma das mais castigadas pela seca na Paraíba, vem se destacando por conseguir aumentar o rebanho de cabras e incrementar a produção agrícola.

O agricultor é Paulo Almir de Moraes e o sítio onde mora é o Pedra Lavrada, situado no município de São José dos Cordeiros, a 298 km de João Pessoa. O empenho no manejo das técnicas e os cuidados com a produção tem feito do lugar um exemplo a ser seguido.

 

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Tudo começou com um pequeno rebanho adquirido através de recursos do Plano Brasil sem Miséria. O agricultor preservou uma reserva estratégica de pastagem durante o período da estiagem, sabendo administrar os recursos hídricos que tinha disponíveis.

Em 2013, o produtor rural adquiriu oito cabras, fez a ampliação do curral e melhorou o aprisco. Hoje, ele já possui 27 animais e com perspectiva de aumento com muitas das fêmeas prenhas. “Nosso desejo é aumentar o plantel, criando mais cabras para produzir leite. A criação de cabra mudou a vida de minha família”, contou.

Além de criar cabra, seu Paulo Almir cultiva umbu como alternativa de renda para a família, através do projeto ‘Jardim Clonal’ recebeu mudas de umbu anão distribuídas pela Emater que beneficiam agricultores locais.

Convivência com o semiárido

O segredo para o sucesso do agropecuarista está na convivência com o semiárido. Ele guardou reservas de ração animal para o período mais crítico e usou criteriosamente os recursos hídricos de que dispunha na forma de pequena irrigação. A produção de palma resistente à cochonilha-do-carmim e o sogro foram os tipos de pastagens ideias para manter o rebanho bem nutrido.

Filho de criador de cabras, seu Paulo Almir contou que antes criava abelhas. Ele chegou a ter 20 colmeias, produzindo mel de ótima qualidade. A produção era vendida para cidades vizinhas, mas depois que estiagens prolongadas diminuíram a produção, ele resolveu voltar ao ramo que aprendeu no berço familiar.

Além da engorda de animais para o corte, ele produz também leite e comercializa no Programa de Aquisição de Alimentos (PAA). “Para conseguir trabalhar e criar no Cariri sem assistência técnica é difícil. Criar como antigamente, não é mais possível. Hoje a criação é mais rápida devido ao manejo adequado”, orienta, dando importância à assistência que recebeu dos órgãos governamentais que apoiam o produtor rural familiar, com a Emater.

Liderança

Paulo Almir é presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais do Município de São José dos Cordeiros e também é líder da comunidade onde mora, presidindo o Conselho Municipal do Desenvolvimento Rural Sustentável. Essa liderança lhe trouxe muito aprendizado, ao trocar experiências com outros produtores rurais.

O importante para ele é poder contribuir com o exemplo para o fortalecimento da agricultura familiar, mostrando que com ajuda técnica, empenho e dedicação se consegue progressos que são compensadores e além de tudo muito gratificantes.

Por Luciana Rodrigues

 

Polícia investiga morte de 14 cabras a tiros no Sertão

(Foto: Liberdade 96 FM)
(Foto: Liberdade 96 FM)

A Polícia Civil está investigando a morte de 14 cabras em uma fazenda próximo ao sítio Vale Verde, no município de Cajazeirinhas. O caso aconteceu no último dia 24 de outubro, mas a informação só foi divulgada nesta terça-feira (04).

De acordo com informações da Polícia Militar, os animais pertenciam ao bioquímico Antônio Pereira Filho, mais conhecido como “Pereirinha”, que mora na cidade de Pombal.

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O dono dos animais só percebeu o crime no fim da tarde, quando chegou em sua chácara que fica localizada às margens da BR-230, próximo à cidade de São Bentinho, e não encontrou os caprinos.

Momentos depois, ele foi até o sítio Vale Verde, em Cajazeirinhas, e encontrou os animais mortos com vários tiros de arma de fogo. O bioquímico afirmou que os animais estavam avaliados em cerca de R$ 10 mil e que têm suspeitas dos autores do crime.

MaisPB com Diário do Sertão

Com técnicas simples, PB torna-se líder na produção leiteira de cabras

cabras

O lajedo que se estende por cinco quilômetros é um dos cartões postais do município de Cabaceiras, no cariri paraibano.

A valorização das cabras na região ocorreu depois que o Sebrae, em parceria com a fundação Banco do Brasil e as prefeituras, criou o projeto Aprisco, presente nos nove estados do Nordeste. Na Paraíba, o trabalho arrebanhou 600 produtores ao longo dos últimos 10 anos e ao contrário dos outros estados, concentrou esforços na produção leiteira.

Historicamente, a criação comercial de caprinos no Nordeste sempre esteve voltada para a produção de carne. O leite, por muito tempo, foi considerado um produto secundário, pouco valorizado, e não foi nada fácil convencer o criador de que esse seria um aliado na composição da renda da pequena propriedade.

Gestor do projeto Aprisco na Paraíba, o veterinário Rodrigo Azevedo conta que hoje a Paraíba é considerada a maior produtora de leite de cabra do país. Todo o estado produz algo em torno de 14 mil litros de leite de cabra por dia e às vezes chega a picos de 18 mil litros.

Tamanha produção só se tornou possível graças à melhora nas características genéticas dos animais.
É em cima da moto, percorrendo as estradas rurais da região, que as informações sobre as boas práticas de manejo chegam até os criadores. Técnicos agrícolas, contratados do projeto Aprisco, passam o dia percorrendo as propriedades.

O trabalho do agente de desenvolvimento rural é visitar duas vezes por mês cada uma das 30 propriedades que estão na sua área de abrangência.

João Lázaro de faria, agente de desenvolvimento rural, explica que muitas dessas informações são básicas, como questão de higiene da ordenha, manejo alimentar e reprodutivo dos animais.

A sala de ordenha do criador Francisco Pereira atende hoje um rebanho de 30 cabras em lactação. Uma mudança importante que teve na propriedade é sobre a questão do reprodutor, que deve ficar a uma distância mínima da sala de ordenha e até mesmo das cabras que estão em lactação. Isso é necessário para evitar que o cheiro forte do bode, chamado pelos técnicos como “odor hircino”, passe para o leite.

Sobre a consanguinidade, é importante não haver cruzamento dos reprodutores com as filhas ou até mesmo com as netas porque isso faz perder qualidade tanto no animal quanto na produção leiteira.

O criador Aloísio Maracajá é um dos recém-chegados ao projeto Aprisco. Sem experiência na produção de cabra leiteira, ele teve que aprender o básico como, por exemplo, lavar as tetas das cabras antes da ordenha.

Já no início, Aloísio fez questão de apostar em animais de qualidade. Para tirar 10 litros de leite por dia, Aloísio não descuida da alimentação dos animais. Todos os dias, no cocho, fornece uma mistura de farelo de soja com farelo de algodão, além de palma ou capim. O trato gerou uma despesa de R$ 90 por mês no orçamento, mas ele garante que compensa.

A fartura de água do açude Epitácio Pessoa banha a propriedade do criador Alexandre Farias, em Cabaceiras. Ele é dono de uma das criações mais tecnificadas de cabra de leite da região.

Alexandre formou um rebanho de 150 cabeças, muitas delas puras, da raça pardo-alpina. Mecanizou a sala de ordenha para o trabalho que é feito duas vezes ao dia e com a ajuda da irrigação, mantém cinco hectares de capim tifton, verdinhos, que garantem o sucesso do pastejo rotacionado.

Em cinco anos, a produtividade média de cada cabra passou de um para dois litros de leite por dia. A estratégia para formar um rebanho assim foi apostar na genética de animais já adaptados à região.

Atualmente, a fazenda Malhada da Pedra tem 53 animais em lactação e tira pouco mais de 100 litros por dia. Com tudo o que foi investido, Alexandre diz que atualmente consegue um lucro de R$ 0,40 por litro de leite.

O principal comprador de todo o leite de cabra produzido na Paraíba é o programa Fome Zero, mantido com 80% de verbas do Governo Federal e 20% com recursos do próprio Estado.

Ainda em fase experimental, o excedente da produção tem virado derivados, como iogurtes, queijos e achocolatados.

Dentro do programa Fome Zero cada produtor pode entregar até 17 litros de leite por dia, que são distribuídos a gestantes, idosos e famílias carentes que tenham crianças.

Globo.com