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Altamiro Borges: O luxuoso banheiro de Joaquim Barbosa

(Foto: ABr/Arquivo)
(Foto: ABr/Arquivo)

Durante o midiático julgamento do chamado “mensalão do PT”, o ministro Joaquim Barbosa, presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), virou o novo herói dos falsos moralistas – que lembram os golpistas da velha UDN. Nas vésperas das eleições municipais, por motivos óbvios, ele foi a principal estrela da TV Globo. Também ganhou uma capa bajuladora da revista Veja. Vários “calunistas” da velha mídia chegaram a lançar seu nome para a disputa presidencial em 2014. Só que o mundo dá voltas e, aos poucos, o Batman – como foi apelidado por setores embasbacados da imprensa – vai tirando a máscara.

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Neste sábado, os jornalistas Rubens Valente e Andreza Matais, da Folha, revelaram que “o STF gastará R$ 90 mil para reformar, com material de ‘primeira qualidade, os quatro banheiros do apartamento funcional que o presidente da corte, Joaquim Barbosa, ocupará a partir de julho. O presidente do STF decidiu mudar do apartamento funcional que já ocupa na Asa Sul, em Brasília, para um mais amplo, de 523 metros quadrados, na mesma região. A futura residência do ministro, com cinco quartos, quatro salas, biblioteca e adega, era ocupada até o final do ano passado pelo ministro Ayres Britto, que se aposentou do STF em novembro.

Ainda segundo a reportagem, a obra prevê a aquisição de 23 peças em mármore e granito por R$ 15,5 mil. Um terço desse valor irá para uma prateleira e uma bancada. Assento e tampo dos quatro vasos sanitários custarão R$ 396 cada”. A própria Folha tucana, que sempre blindou o ministro, estranhou a luxuosa reforma do banheiro.

“Na presidência do STF e do CNJ, Barbosa adota um rigoroso discurso de contenção de despesas do Judiciário. Na semana passada, envolveu-se em polêmica com entidades de juízes, ao criticar gastos desnecessários com a criação de Tribunais Regionais Federais”, ironiza o artigo.

*Altamiro Borges é jornalista, secretário nacional de Questão da Mídia do PCdoB e presidente do Centro de Estudos de Mídia Barão de Itararé.

 

 

Altamiro Borges*, em seu blog

Love tenta, Borges consegue: Cruzeiro bate Flamengo por 1 a 0

Esteve longe de ser o melhor dos jogos do Cruzeiro ou o pior dos jogos do Flamengo. Mas fase é fase. Em uma tarde emblemática para a péssima maré rubro-negra, a Raposa contou com o oportunismo de Borges, seu novo centroavante, para vencer por 1 a 0 neste domingo, no estádio Independência. Os visitantes perderam gols inacreditáveis, especialmente com Vagner Love, e mantiveram a pressão sobre o técnico Joel Santana.

Foi uma partida equilibrada, de idas e vindas, ataques e respostas. E que rendeu um dos lances mais incríveis da temporada no futebol brasileiro. O Flamengo teve uma sequência de quatro tentativas, em poucos segundos, todas salvas ou pelo goleiro Fábio, ou pelos zagueiros, ou pelo travessão.

Mas não passou de um susto para o Cruzeiro. Com a vitória, o time de Celso Roth subiu para 20 pontos, na quarta colocação (ainda podendo cair para quinto). O Rubro-Negro, com 15, é o décimo.

A Raposa volta a campo na quarta-feira. Visita o Corinthians às 21h50m no Pacaembu. O Flamengo, um dia depois, recebe a Portuguesa.

Marllon do Flamengo e Borges do Bruzeiro (Foto: Paulo Fonseca / Futura Press)Borges dá vitória ao Cruzeiro no Independência (Foto: Paulo Fonseca / Futura Press)

Uma questão de centroavantes…

Vagner Love não teve chances de gol contra o Corinthians, na última rodada. Sequer uma conclusão. Nada, nada. Com um bocado de raciocínio lógico, o atacante do Flamengo lembrou que é impossível fazer gols sem ter a bola como companheira. A ressalva ao pensamento do camisa 99 veio quatro dias depois. No primeiro tempo do duelo com o Cruzeiro, Love teve a bola diante de si. Em vez de aliada, ela virou barreira. E do outro lado havia Borges…

Foram 45 minutos para mostrar como é importante esse tal de centroavante, objeto de desejo, quase de tara, para 11 entre cada dez treinadores. Eles decidem. Para o sim e para o não. No primeiro tempo no Independência, Borges decidiu para o sim. E Love para o não.

As chances do flamenguista foram mais vivas do que as do cruzeirense. Com nove minutos, ele já poderia ter marcado de cabeça, em belo passe de Adryan – dono de boas jogadas individuais na partida. A conclusão, porém, foi torta. Trinta minutos depois, ele desperdiçou a oportunidade mais clara do jogo – e certamente uma das mais gritantes de sua carreira. Recebeu na pequena área, frente a frente com Fábio. Teve tempo de dominar, olhar, pensar. E errar. Chutou em cima do goleiro.

Em um primeiro tempo equilibrado, com o Flamengo surpreendentemente capaz de tramar jogadas envolvendo mais de dois jogadores (algo tão raro na temporada), as falhas do atacante foram fatais. O Cruzeiro não foi para o vestiário com vantagem no intervalo por ter sido melhor, e sim por ter feito um gol – assim, simples e complexo ao mesmo tempo.

Foi interessante a participação de Ceará na vitória celeste nos 45 minutos iniciais. Com um meio-campo congestionado por muitos jogadores de marcação (Amaral, Luiz Antônio, Ibson e Renato Abreu no Flamengo, Leandro Guerreiro, Willian Magrão e Charles na Raposa), a equipe mineira soube explorar o lateral pela direita. Dos pés dele, saíram repetidos cruzamentos, ou com a bola rolando, ou com ela parada. O gol saiu assim.

Foi aos 44 minutos. Ceará, com espaço, olhou para a área e mandou a assistência. Borges, centroavante daqueles com perfeita noção de qual seu raio de ação, se antecipou e desviou. Fez o que Vagner Love tentou, mas não conseguiu.

Uma fase simbolizada em um lance

O placar obrigava o Flamengo a voltar mais incisivo no segundo tempo. Mas aconteceu o contrário. Em vez de tentar gastar o tempo, o Cruzeiro resolveu otimizá-lo – indo ao ataque. Os primeiros dez minutos da etapa final foram de predominância da equipe da casa, embora sem chances claras de gol.

Aos poucos, o Flamengo voltou a equilibrar o jogo. Ibson bateu rasteiro, de fora da área, e Fábio espalmou para escanteio. Adryan também teve boa chance, mas foi bloqueado pela defesa. Ciente do bom momento do time, Joel Santana, que já tinha chamado Camacho e Hernane para conversar, freou as trocas.

Hernane só entrou aos 25 minutos. E a substituição irritou a torcida. Em vez de tirar um dos meias (a atuação de Ibson dispensava adjetivos) ou Vagner Love, Joel preferiu sacar Adryan. Em seguida, substituiu Renato por Camacho.

A pressão dos visitantes aumentou. E chegou a seu supremo aos 33 minutos. Léo Moura entrou livre pela direita e mandou para a área. Rafael Donato cortou. A bola ficou viva. Vagner Love chutou, e Fábio defendeu. No rebote, Hernane mandou com o braço no travessão. Em novo rebote, Fábio voltou a abafar a conclusão de Vagner Love. Hernane ainda tentou mais uma vez, mas Marcelo Oliveira salvou. Impressionante.

Foi um sinal de que o Flamengo não faria o gol, não importava para quais santos rezasse. O lance resumiu a fase rubro-negra.

Globoesporte.com

Altamiro Borges: Datafolha mostra fragilidades de Serra

 

A pesquisa Datafolha divulgada neste final de semana deve ter feito soar o sinal de alerta no comando da campanha de José Serra à prefeitura da capital paulista. Ela mostra que o tucano empacou nos 30% das intenções de voto, o mesmo índice da sondagem anterior, o que é um péssimo sinal após a intensa exposição da sua imagem na mídia. Ela confirma ainda que o caudilho do PSDB mantém-se como um dos campeões em rejeição junto ao eleitorado, com 32% dos entrevistados afirmando que não votarão nele.

Para piorar o clima no ninho tucano, a pesquisa indica um leve crescimento da candidatura do ex-ministro Fernando Haddad, que subiu de 3% para 8% nas intenções de voto. O petista ainda terá que suar muito a camisa para viabilizar a sua ida ao segundo turno. Mas ele tem alguns trunfos. Celso Russomanno, do PRB, continua no segundo lugar nas sondagens, com 21%, mas não conta com tempo de televisão e estrutura para manter esta dianteira. A tendência é de queda. O mesmo ocorre com os demais postulantes.

A influência de Lula

O Datafolha também confirmou o prestígio de Lula, o que reaviva o debate sobre a sua capacidade de transferência de votos – já comprovada na eleição da presidenta Dilma Rousseff. O esforço do comando da campanha de Haddad, explicitado no “Programa do Ratinho”, do SBT, é colar a sua imagem junto à do ex-presidente. Apenas 19% dos entrevistados dizem saber que o petista é o candidato de Lula. Com o horário eleitoral gratuito de rádio e tevê, esta lacuna será superada rapidamente.

Segundo a própria Folha tucana, “Lula continua a ser o melhor cabo eleitoral entre os nomes pesquisados pelo Datafolha. Depois vêm o governador Geraldo Alckmin (PSDB), com 29%, e a presidente Dilma Rousseff (28%). Já o prefeito Gilberto Kassab (PSB) se mostra um ‘anticabo eleitoral’. Questionados, 43% dos entrevistados dizem que não votariam no candidato que tivesse o apoio do prefeito… Isso se reflete em outro dado pesquisado: 80% dos eleitores querem o próximo governo diferente do atual”.

Serra é Kassab; Kassab é Serra

Neste ponto é que se encontra a pior notícia para o eterno candidato. O tucano não terá como se descolar da péssima imagem do atual prefeito. Como ironiza o blogueiro Antônio Mello, “Serra é Kassab e Kassab é Serra”. Ele até relembra o discurso do ex-demo que poderá ser usado na campanha eleitoral. “Aprendi como governar São Paulo ao seu lado nos 15 meses em que você deixou sua marca na cidade e deixou as linhas mestras para os sete anos seguintes”, disse Kassab no ato que formalizou o apoio do PSD ao PSDB.

Se a estratégia de carimbar Kassab na testa careca de Serra der certo, o tucano terá enormes dificuldades na disputa. Ele ainda é o candidato com mais chances de vitória. Mas, é bom lembrar, a campanha ainda nem começou e suas fragilidades já são evidentes. Há sinais de fadiga no eleitorado paulistano, sempre tão conservador, mas que agora procura “algo novo”. A batalha promete fortes emoções e muitas escaramuças.

vermelho.org