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Fla pagará bicho de R$ 2 milhões por título e jogadores acertam divisão com funcionários

 Foto: Ivo Gonzalez / O Globo
Foto: Ivo Gonzalez / O Globo

No Flamengo, a união faz a força. Por decisão dos jogadores, a premiação pela conquista da Copa do Brasil, estabelecida em R$ 2 milhões, será dividida com todos do elenco, comissão técnica e também funcionários do Ninho do Urubu.

É uma vitória dupla dos líderes Chicão, Elias, Wallace e André Santos. O valor inicial de R$ 1 milhão dobrou e, com isso, criou-se uma atmosfera positiva no Centro de Treinamento em Vargem Grande.

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A divisão percentual dos R$ 2 milhões ainda será feita. Mas a tendência é que 70% fique com o grupo, e os 30% restantes para os demais. O técnico Jayme de Almeida e o auxiliar Cantarelle, assim como o diretor executivo Paulo Pelaipe, têm premiações diferentes.

Antes, a fatia para os jogadores recebia tratamento diferenciado de acordo com a produtividade, dependendo do número de partidas. Desta vez, 28 jogadores receberão a quantia. O valor ficará em torno de R$ 50 mil. As passagens de fase renderam ao grupo R$ 1,3 milhão.

Para a diretoria, a divisão é soma. E a atitude prova que os jogadores estão unidos, atrás do título. Em Curitiba, após o empate em 1 a 1 com o Atlético-PR, André Santos se atrasou para retornar ao hotel, depois de um jantar , e foi interpelado por companheiros, preocupados com a exposição mesmo que mínima.

Comandado por um ex-zagueiro — Jayme —, o Flamengo protege seus criticados, numa forma de união do elenco. A defesa de Carlos Eduardo é um dos sintomas do escudo rubro-negro.

— É jogador do meu time. Está jogando e estou satisfeito. Eles sabem o que precisa fazer para vencer, são parceiros em campo — afirmou.

Extra

Como o jogo do bicho usa escolas de samba cariocas para desviar recursos públicos e lavar dinheiro

Carro alegórico da Viradouro em 2010. A escola chegou em último lugar e amargou um rombo de R$ 2,5 milhões em suas contas (Foto: Custódio Coimbra/Ag. O Globo) Edson dos Santos é sócio majoritário de uma empresa com nome imponente, Alumilax Indústria e Comércio de Alumínio Ltda., voltada para fabricação e venda de metais. Basta, no entanto, localizar a casa de Edson para constatar que a pompa em torno de sua empresa se resume ao nome e ao objeto social. Edson, na verdade, é um laranja, morador da favela do Preventório, em Niterói, Rio de Janeiro. E a Alumilax não passa de uma empresa-fantasma. Edson e Alumilax são parte de um intrincado esquema montado pelo jogo do bicho para desviar recursos públicos ou lavar o dinheiro sujo que irriga o Carnaval carioca. Ou as duas coisas juntas. A reportagem de ÉPOCA teve acesso, com exclusividade, a um extenso levantamento feito pelo Ministério Público (MP) estadual do Rio de Janeiro sobre as contas das escolas de samba. Somente no Carnaval de 2010, foram identificadas 14 notas fiscais falsas, no valor total de R$ 1,25 milhão, emitidas por empresas de fachada ou já desativadas em favor das escolas de samba Mangueira, Imperatriz Leopoldinense, Mocidade Independente de Padre Miguel, União da Ilha do Governador e Viradouro. Entre esses papéis, estão quatro notas da Alumilax.
As escolas de samba do Rio de Janeiro são a engrenagem principal de uma indústria que movimenta cerca de R$ 1,5 bilhão por ano somente em gastos de turistas. A cada noite de desfile, 120 mil pessoas circulam pelo Sambódromo. Cada escola do Grupo Especial tem aproximadamente 4 mil integrantes. Para levar à avenida o “maior espetáculo da Terra”, o Carnaval do Rio incorporou vários elementos positivos do mundo dos negócios, como os patrocínios e o merchandising de empresas desejosas de associar suas marcas à folia pagã. Mas, por maior e mais caro que se torne a cada ano, o Carnaval do Rio ainda mantém práticas nefastas distantes do capitalismo benéfico que gera receita, impostos e empregos para o Rio de Janeiro e para o Brasil.
Notas fiscais falsas são comumente usadas para justificar despesas que não existiram. A mercadoria não foi vendida, o dinheiro não foi desembolsado, mas a transação foi registrada. Cria-se, assim, uma margem financeira artificial que pode ser usada para esquentar dinheiro ilícito, como os ganhos obtidos pelos donos do jogo do bicho. No caso descrito acima, seria como se os bicheiros recebessem um cheque de R$ 1,25 milhão para lavar dinheiro sujo nesse mesmo valor. O mesmo raciocínio vale para o desvio de dinheiro público. As escolas de samba simulam despesas a partir dos recursos recebidos da prefeitura, mas não desembolsam as quantias declaradas nas notas falsas. Dessa forma, podem destinar o dinheiro a outras finalidades que não o financiamento dos desfiles.

Indiretamente, o próprio presidente da Liga Independente das Escolas de Samba do Rio (Liesa), Jorge Luiz Castanheira, admite práticas que se assemelham à lavagem de dinheiro. Numa audiência pública realizada pelo MP na última quarta-feira, para discutir a aplicação dos recursos públicos no Carnaval, Castanheira deu a entender que as escolas de samba compram material ao longo do ano com dinheiro não declarado. Somente depois de receber os repasses da prefeitura é que as escolas vão atrás de notas para justificar seus gastos. Ele só não disse de onde vem esse dinheiro que, num primeiro momento, financia as agremiações. “A verba deste ano só entrará para o exercício seguinte. Vamos receber em janeiro. Em janeiro, estamos a menos de um mês do Carnaval. Como é que eu consigo nota fiscal de ferro, de madeira, de tecidos, de tudo o que já está sendo comprado agora? Eu tenho de falar a verdade”, disse Castanheira, sem saber que havia um repórter de ÉPOCA na plateia. Procurado após a audiência, Castanheira disse que se expressou mal e que apenas defendeu a liberação do dinheiro da prefeitura com meses de antecedência ao Carnaval. Ele afirma que a Liesa está afastada dos contraventores do jogo do bicho e aberta à fiscalização. Castanheira disse, ainda, que as escolas é que deveriam falar sobre as notas falsas.
O MP é taxativo ao afirmar que o Carnaval é usado para lavar dinheiro sujo e recomenda que o Poder Público tome os devidos cuidados ao se envolver com a festa. “O fato notório de o jogo do bicho usar as escolas de samba para lavar dinheiro proveniente de atividades ilícitas torna mais interessante o uso de milhões repassados pela prefeitura do Rio de Janeiro para compras em estabelecimentos pertencentes a pessoas ligadas à contravenção”, escreveram os promotores do MP.
ÉPOCA revela em reportagem nesta semana esquema de desvio de recursos públicos e de lavagem de dinheiro do Carnaval carioca. Leia mais na revista que chega às bancas neste sábado (10).

Mangueira (Foto: Joel Silva/Folhapress)

OPIPOCO

Primeiro hospital público para bicho já pede socorro para atender a procura

Soterrado pelo excesso de demanda, o primeiro hospital veterinário totalmente gratuito de São Paulo, no Tatuapé, zona leste, já deixa casos graves sem tratamento adequado, segundo proprietários de animais que acorreram ao serviço.

Inaugurado há dois meses e uma semana, o hospital foi implantado pela Prefeitura de São Paulo, a partir de convênio com a Anclivepa-SP (Associação Nacional de Clínicos Veterinários de Pequenos Animais). Por mês, a prefeitura repassa R$ 600 mil para o hospital.

Luciana Aparecida Albino, 34, reclama: “Marcaram para esta quinta-feira a cirurgia para a extração do tumor de meu cachorro. Mas o médico não foi. Tão jovem o serviço, e já está parecendo o SUS”.

Ainda único hospital veterinário público de São Paulo (segundo o vereador Roberto Tripoli, do PV, a ideia é criar um em cada região da cidade), o do Tatuapé avisa logo na entrada: “Serviço gratuito, destinado prioritariamente a animais de abrigos e à população de baixa renda cadastrada em programas como o Bolsa Família”.

Para serem atendidos, 30 novos animais por dia, fora os casos de emergência, os acompanhantes humanos deles têm de ser aprovados no teste de pobreza, conduzido por assistente social.

O que seria uma forma de restringir a demanda -quem pode pagar que se dirija a veterinários privados- dá origem a um desfile dantesco de dores caninas e felinas.

“Já esperávamos que a procura fosse grande. Mas ninguém poderia imaginar que se materializaria aqui uma tamanha concentração de sofrimento”, disse à Folha o veterinário Renato Tartalia, 48, diretor do hospital.

“É que, se os donos são pobres, os animais são pobres ao quadrado”, teoriza a balconista Daniela Pedras, 32, dona de seis cães e três gatos.

Em vez de ração, são animais que comem restos de comida humana e sofrem, por isso, de dor de dente e gengivite, como humanos. Sem tratamento, os tumores já chegam supurados (ou quase). E os cachorros morrem de cinomose, apesar de haver vacina eficaz. Mas custa R$ 50, e os donos não têm.

Calcula-se que São Paulo abrigue algo como 4 milhões de cães e gatos, para uma população humana de 11,5 milhões de habitantes.

Não se sabe, porém, qual percentual desses animais vive “abaixo da linha de pobreza” ou em situação de risco.

Agora, pela primeira vez, com o hospital, aquilo que era um problema da vida privada ganha visibilidade.

“O que estamos vendo é uma catástrofe, que afeta tanto a vida de animais, quanto a de seus donos, que sofrem por eles”, diz o doutor Tartalia. “É preciso investir mais.”

Por mês, a meta é realizar 180 cirurgias e mil consultas. “Este hospital é o primeiro. Seria injusto, agora que ele existe para cuidar dos animais, responsabilizá-lo por todas as dores do mundo”, defende a protetora Solange dos Anjos Moura Leite, 56.

Folha.com