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Homenagem a Ariano Suassuna gera impasse na ALPB

arianoO projeto de lei de autoria do deputado Jeová Campos (PSB) denominando de Palácio da Redenção ‘Ariano Suassuna’ a sede do Poder Executivo Estadual foi motivo de polêmica na sessão desta quarta-feira (29) na Assembleia Legislativa da Paraíba (ALPB).

Vários deputados se colocaram contrários à homenagem proposta ao escritor paraibano, alegando que a iniciativa mudaria a história da Paraíba, além de reacender a antiga rivalidade entre as famílias Dantas e Suassuna.

Os deputados Tovar Correia Lima (PSDB), Frei Anastácio (PT), Ricardo Barbosa (PSB), João Henrique (DEM) e Renato Gadelha (PSC) defenderam a retirada de pauta do projeto para que a Assembleia aprofunde a discussão sobre a matéria. “Suassuna merece o nome da maior escola da Paraíba talvez, de qualquer outra instituição, mas o Palácio da Redenção, não deveria sofrer mudança”, comentou Tovar.

 

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Apesar de não votar, o presidente Adriano Galdino (PSB) também sugeriu que a Ariano fosse feita outra homenagem. “Acho que o Palácio tem uma história, e Ariano Suassuna merece todas as honras, mas não devemos mudar a história da Paraíba de uma maneira não muito correta. Poderíamos homenagear Ariano de uma outra forma, pois o Palácio faz parte da história da Paraíba”, ressaltou Galdino.

O deputado Raniery Paulino (PMDB) usou a palavra para esclarecer que a homenagem não visa instituir a mudança no nome da sede do Poder Executivo, e sim apenas o acréscimo do nome do escritor e dramaturgo paraibano.

Após o pedido dos colegas, Jeová solicitou a retirada de pauta do projeto, mas cobrou que a matéria seja apreciada pela Casa posteriormente. “Mesmo que o projeto seja derrotado, espero que a Casa discuta e vote o projeto, para que ele não caia no esquecimento”, cobrou.

Alexandre Freire – MaisPB

Ariano Suassuna tem parada cardíaca e morre em Recife, depois de três dias na UTI

ariano-suassunaMorreu na tarde desta quarta-feira (23) o escritor e dramaturgo paraibano Ariano Suassuna. Ele estava internado no Real Hospital Português, em Recife, desde a segunda-feira (21), quando sofreu um acidente vascular cerebral (AVC) hemorrágico. Após a realização de um procedimento cirúrgico, Ariano Suassuna entrou em estado de coma. Esta foi a terceira internação do escritor em um ano. Ariano Suassuna sofreu uma parada cardíaca por volta das 17h40 desta quarta-feira.

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O velório do escritor deve ser realizado no Palácio do Campo das Princesas, em Pernambuco. De lá, o corpo do paraibano segue para cortejo em carro do Corpo de Bombeiros até o Cemitério Morada da Paz, onde será sepultado.

A última vez que Ariano Suassuna apareceu em público foi na sexta-feira (18). Ele concedeu uma aula-espetáculo no Festival de Inverno de Garanhuns, município localizado no Agreste pernambucano, a 228 km da capital Recife. No sábado (19), ele tirou fotos com fãs que participavam do evento.

Biografia 

Considerado um dos maiores escritores paraibanos de todos os tempos, Ariano Suassuna era filho do ex-governador João Suassuna. Um contador nato de histórias. E uma delas, que mais gostava de contar, era de que foi a única criança que circulou nua pelos corredores do Palácio da Redenção. Ariano nasceu dentro da sede do Governo do Estado da Paraíba.

Desse fato, derivou outra história. Ariano contava que, já adulto e escritor renomado, iria participar de uma solenidade no Palácio da Redenção numa época onde os homens só tinham acesso ao local vestidos de paletó e gravata. Desavisados, Ariano não estava de terno e foi barrado. E reagiu com bom humor, lembrando ao soldado da PM que fazia a guarda nos portões do Palácio: “Amigo, fique sabendo que eu já andei nu aí dentro”.

Ariano Vilar Suassuna nasceu em Nossa Senhora das Neves, hoje João Pessoa (PB), em 16 de junho de 1927, filho de Cássia Villar e João Suassuna. No ano seguinte, seu pai deixa o governo da Paraíba e a família passa a morar no sertão, na Fazenda Acauã.

Com a Revolução de 30, seu pai foi assassinado por motivos políticos no Rio de Janeiro e a família mudou-se para Taperoá, onde morou de 1933 a 1937. Nessa cidade, Ariano fez seus primeiros estudos e assistiu pela primeira vez a uma peça de mamulengos e a um desafio de viola, cujo caráter de “improvisação” seria uma das marcas registradas também da sua produção teatral.

A partir de 1942 passou a viver no Recife, onde terminou, em 1945, os estudos secundários no Ginásio Pernambucano e no Colégio Osvaldo Cruz. No ano seguinte iniciou a Faculdade de Direito, onde conheceu Hermilo Borba Filho. E, junto com ele, fundou o Teatro do Estudante de Pernambuco. Em 1947, escreveu sua primeira peça, ‘Uma Mulher Vestida de Sol’. Em 1948, sua peça ‘Cantam as Harpas de Sião’ (ou ‘O Desertor de Princesa’) foi montada pelo Teatro do Estudante de Pernambuco. Os ‘Homens de Barro’ foi montada no ano seguinte.

Entre 1951 e 1952, volta a Sousa, para curar-se de uma doença pulmonar. Lá escreveu e montou Torturas de um coração. Em 1955, Auto da Compadecida o projetou em todo o país. Em 1962, o crítico teatral Sábato Magaldi diria que a peça é “o texto mais popular do moderno teatro brasileiro”. Sua obra mais conhecida, já foi montada exaustivamente por grupos de todo o país, além de ter sido adaptada para a televisão e para o cinema.

Em seguida, retorna a Recife, onde, até 1956, dedica-se à advocacia e ao teatro. Abandonou a advocacia para tornar-se professor de Estética na Universidade Federal de Pernambuco. No ano seguinte foi encenada a sua peça ‘O Casamento Suspeitoso’, em São Paulo, pela Cia. Sérgio Cardoso, e ‘O Santo e a Porca’; em 1958, foi encenada a sua peça ‘O Homem da Vaca’ e o ‘Poder da Fortuna’; em 1959, ‘A Pena e a Lei’, premiada dez anos depois no Festival Latino-Americano de Teatro.

Em 1959, em companhia de Hermilo Borba Filho, fundou o Teatro Popular do Nordeste, que montou em seguida a ‘Farsa da Boa Preguiça’ (1960) e ‘A Caseira e a Catarina’ (1962). No início dos anos 60, interrompeu sua bem-sucedida carreira de dramaturgo para dedicar-se às aulas de Estética na UFPE. Ali, em 1976, defende a tese de livre-docência ‘A Onça Castanha’ e a ‘Ilha Brasil: Uma Reflexão sobre a Cultura Brasileira’. Aposenta-se como professor em 1994.

Membro fundador do Conselho Federal de Cultura (1967); nomeado, pelo Reitor Murilo Guimarães, diretor do Departamento de Extensão Cultural da UFPE (1969). Ligado diretamente à cultura, iniciou em 1970, em Recife, o ‘Movimento Armorial’, interessado no desenvolvimento e no conhecimento das formas de expressão populares tradicionais. Convocou nomes expressivos da música para procurarem uma música erudita nordestina que viesse juntar-se ao movimento, lançado em Recife, em 18 de outubro de 1970, com o concerto ‘Três Séculos de Música Nordestina – do Barroco ao Armorial’ e com uma exposição de gravura, pintura e escultura. Secretário de Cultura do Estado de Pernambuco, no Governo Miguel Arraes (1994-1998).

Entre 1958-79, dedicou-se também à prosa de ficção, publicando o ‘Romance d’A Pedra do Reino’ e o ‘Príncipe do Sangue do Vai-e-Volta’ (1971) e ‘História d’O Rei Degolado nas Caatingas do Sertão’/’Ao Sol da Onça Caetana’ (1976), classificados por ele de “romance armorial-popular brasileiro”.

Ariano Suassuna construiu em São José do Belmonte (PE), onde ocorre a cavalgada inspirada no ‘Romance d’A Pedra do Reino’, um santuário ao ar livre, constituído de 16 esculturas de pedra, com 3,50 m de altura cada, dispostas em círculo, representando o sagrado e o profano. As três primeiras são imagens de Jesus Cristo, Nossa Senhora e São José, o padroeiro do município.

Em 2000, ele passou a integrar a lista de membros da Academia Paraibana de Letras e recebeu o título de Doutor Honoris Causa da Faculdade Federal do Rio Grande do Norte.

Em 2004, com o apoio da ABL, a Trinca Filmes produziu um documentário intitulado ‘O Sertão: Mundo de Ariano Suassuna’, dirigido por Douglas Machado e que foi exibido na Sala José de Alencar.

Ariano Suassuna, um dos maiores escritores do país, dizia sempre: “Você pode escrever sem erros ortográficos, mas ainda escrevendo com uma linguagem coloquial.”

 

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Quadro clinico de Ariano Suassuna piora e situação é considerada instável

Reprodução/ Agência Brasil
Reprodução/ Agência Brasil

O escritor Ariano Suassuna, de 87 anos, sofreu um AVC (Acidente Vascular Cerebral) hemorrágico e passou por uma cirurgia no Real Hospital Português, no Recife, em Pernambuco, na noite desta segunda-feira (21).

Segundo a assessoria de imprensa da unidade de saúde, o quadro dele é considerado grave. O boletim médico divulgado na noite desta terça-feira (22), indica que Ariano Suassuna permanece internado na UTI Neurológica do Real Hospital Português, em coma e respirando com ajuda de aparelhos. Houve um agravamento do quadro clínico e a situação é instável, com queda da pressão arterial e pressão intracraniana muito elevada.

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No ano passado, o escritor foi internado duas vezes. Em 21 de agosto, sentiu-se mal em casa e precisou ser hospitalizado. Os médicos diagnosticaram um infarto agudo do miocárdio de pequenas proporções. Inicialmente, ele foi encaminhado à unidade coronária, e, depois, transferido para um apartamento do hospital. Após seis dias, recebeu alta, com recomendação de muito repouso em casa e nenhuma visita.

Autor de “O auto da compadecida”, entre diversas outras obras, Ariano Suassuna nasceu em 16 de junho de 1927, em João Pessoa, e cresceu no Sertão paraibano. Mudou-se com a família para o Recife em 1942. Sua primeira peça, “Uma mulher vestida de sol”, ganhou o prêmio Nicolau Carlos Magno em 1948.

Tem contos e livros adaptados para a televisão e para o cinema. “O auto da compadecida” foi adaptado para a televisão em 1999, por Guel Arraes, enquanto “Romance d’a pedra do reino” e “O príncipe do sangue do vai-e-volta” deu origem à minissérie “A pedra do reino”, com direção de Luiz Fernando Carvalho, exibida na Rede Globo em 2007.

 

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