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Com gol de letra de argentino, Flamengo vence Atlético-PR e vira líder

MancuelloPelo menos até este domingo, o Flamengo é o novo líder do Brasileirão. O time carioca venceu o Atlético-PR por 1 a 0, na noite deste sábado (6), em Cariacica (ES), e vai dormir neste sábado na primeira colocação do Campeonato Nacional. O autor do golaço da vitória foi Mancuello, que fez de letra após chute de Fernandinho.

Com 34 pontos, a equipe do Rio de Janeiro ultrapassa Santos, Palmeiras e Corinthians, que têm 33 pontos, e Grêmio e Atlético-MG, que têm 32. Agora, o rubro-negro seca os adversários neste domingo e na segunda-feira para continuar como o melhor do país. Já o Atlético-PR desperdiça a chance de entrar no G4 e fica com 30 pontos na 7ª colocação.

Flamengo domina, mas Walter quase faz um golaço

O técnico Zé Ricardo optou por escalar um ataque reforçado, com Everton, Guerrero e Fernandinho. Alan Patrick foi para o banco. E deu certo. O Flamengo foi melhor durante todo o primeiro tempo: teve mais posse de bola, mais finalizações, mais escanteios… Mas ninguém assustou como Walter. O atacante do Atlético-PR percebeu Alex Muralha ligeiramente avançado e arriscou da intermediária em um belíssimo chute. A bola caiu na hora certa, mas acertou a trave esquerda do goleiro. Pelos flamenguistas, duas chances chamaram atenção: uma com Mancuello, em batida de falta, e outra de Rever, aproveitando cabeceio errado de Guerrero.

Pressão total flamenguista e golaço de Mancuello

“Vamos fazer de tudo para segurar os 15 minutos iniciais”. O torcedor que acompanha mais de perto aos jogos, sabe que a frase é quase uma marca registrada do futebol. E foi isso que o Atlético-PR fez nos primeiros 15 minutos. O Flamengo acelerou o ritmo e colocou os paranaenses para correr atrás da bola. Foram pelo menos cinco chances nos primeiros minutos, sendo uma delas com Guerrero com chance espetacular frente a frente com o goleiro Santos. No rebote do goleiro, o peruano até ensaiou um chapéu, mas não teve a mesma categoria na hora de finalizar a jogada. O gol saiu justamente um minuto depois: aos 16. Fernandinho chutou cruzado e Mancuello completou de letra para marcar um golaço.

Atlético-PR tenta responder, mas para na retranca flamenguista

Depois de garantir o primeiro gol do jogo, o Flamengo se retraiu e passou a jogar apenas com Guerrero à frente da linha do meio de campo na saída de bola do Atlético-PR. A estratégia deu certo e fez o time paranaense usar e abusar das bolas aéreas e chutes à distância. Lucas Fernandes, que entrou no segundo tempo, e Otávio tiveram as melhores chances.

Lucas Figueiredo / MOWA Press

Presidente ganha grito especial

As câmeras do PFC flagraram o presidente do Flamengo, Eduardo Bandeira de Mello, em momento de ídolo no estádio em Cariacica. Do seu camarote, durante o intervalo do primeiro para o segundo tempo, o dirigente recebia bandeiras e uniformes para dar autógrafo e ouviu a torcida puxar um canto que ficou eternizado para goleiros como Marcos e Rogério Ceni. “P… que p…, é o melhor presidente do Brasil, Bandeira!”. Alguns, é claro, aproveitaram o momento para brincar com o cartola e pedir até a saída de jogadores como Chiquinho.

Não foi dessa vez

Leandro Damião ficou no banco de reservas do Flamengo, mas não ganhou chances para entrar. Na hora da saída de Guerrero, o escolhido foi Felipe Vizeu. Diego, outro reforço que tem sua estreia esperada, ainda não esteve entre os relacionados. Alan Patrick viu Everton ganhar uma chance entre os titulares.

Agenda

Depois do jogo deste sábado, o Flamengo volta a entrar em campo pelo Brasileirão no próximo sábado (13), contra o Sport, na Ilha do Retiro, às 16h. O Atlético-PR, por sua vez, joga às 16h de domingo (14), na Arena da Baixada, contra o Palmeiras.

FICHA TÉCNICA
FLAMENGO 1 X 0 ATLÉTICO-PR
Local
: Kléber Andrade, Cariacica (ES)
Hora: 18h30 (de Brasília)
Árbitro: Emerson de Almeida Ferreira (MG)
Auxiliares: Guilherme Dias Camilo (MG) e Celso Luiz da Silva (MG)
Cartões amarelos: Pablo, Léo, Santos e Hernani (APR); Chiquinho e Willian Arão (FLA)
Gol: Mancuello, aos 16 minutos do 1º tempo

FLAMENGO: Alex Muralha; Pará, Réver, Rafael Vaz e Chiquinho; Márcio Araújo, Willian Arão e Mancuello (Cuellar); Fernandinho (Thiago Santos), Everton e Guerrero (Felipe Vizeu)
Técnico: Zé Ricardo

ATLÉTICO-PR: Santos; Léo, Paulo André, Thiago Heleno e Sidcley; Otávio, Hernani e Vinícius (Lucas Fernandes); Marcos Guilherme (Luciano Cabral), Pablo e Walter (André Lima)
Técnico: Paulo Autuori

Uol

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Jornalista argentino morre em batida durante perseguição policial em SP

O argentino Jorge "Topo" López participava da cobertura da Copa do Mundo (Reprodução / Twitter)
O argentino Jorge “Topo” López participava da cobertura da Copa do Mundo (Reprodução / Twitter)

O jornalista argentino Jorge “Topo” López, de 38 anos, morreu na madrugada desta quarta-feira, em São Paulo, quando o táxi em que ele se encontrava foi atingido por um veículo ocupado por bandidos que fugiam da Polícia Militar. Jorge estava no Brasil para participar da cobertura da Copa do Mundo para a rádio “La Red” e o jornal “Olé”, da Argentina, e o jornal “Sport”, da Espanha.

O taxista, que sofreu apenas uma lesão no ombro, contou à polícia que o jornalista argentino havia iniciado a corrida no Jardim Paulista, na zona oeste da capital, e seguia para o Hotel Bristol, em Guarulhos, onde estava hospedado. O acidente ocorreu no cruzamento da Avenida Tiradentes e a Rua Barão de Mauá, no centro de Guarulhos, por volta das 1h30 (de Brasília).

O táxi em que López estava foi atingido por um carro roubado que fugia de uma perseguição da PM. Após o choque, o táxi rodou e se chocou contra um poste. Com o impacto, o jornalista argentino, que estava no banco traseiro, foi arremessado para fora e morreu na hora. Os três ocupantes do veículo não sofreram ferimentos, e foram levados ao 1º DP de Guarulhos.

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O “Olé” divulgou uma nota lamentando a morte do jornalista, e disse que “o jornalismo inteiro está de luto”. A rádio “La Red” se disse comovida e em profunda dor por causa do acidente. A Associação de Futebol da Argentina (AFA) também manifestou luto e afirmou que se solidariza com os colegas de trabalho de Topo e com sua esposa, a também jornalista Veronica Brunati.

O técnico argentino Diego Simeone, do Atlético de Madrid, lamentou a morte do jornalista por meio das redes sociais. A esposa de López, Veronica Brunati, que também está no Brasil para a cobertura da Copa do Mundo, ficou sabendo do acidente por meio da publicação de Simeone, e se mostrou bastante chocada com a notícia.

– Não se foi apenas um grande jornalista, se foi também um amigo. Muita dor. Minhas condolências a Veronica Brunati e família. Descanse em paz, Jorge “Topo” López – escreveu Simeone.

– Diego, não me diga isso. Por favor, alguém me ligue – respondeu Veronica.

Pelo Twitter, Diego Simeone lamentou a morte do jornalista argentino Jorge "Topo" López  (Foto: Reprodução / Twitter )Pelo Twitter, Diego Simeone lamentou a morte do jornalista argentino Jorge “Topo” López (Foto: Reprodução / Twitter )
A esposa de Jorge "Topo" López ficou sabendo da morte do jornalista por meio do Twitter (Foto: Reprodução / Twitter )A esposa de Jorge “Topo” López ficou sabendo da morte do jornalista por meio do Twitter (Foto: Reprodução / Twitter )

López é o segundo jornalista argentino vítima de um acidente automobilístico durante a Copa do Mundo no Brasil. Na madrugada do dia 2 de julho, Maria Soledad Fernandez, de 26 anos, morreu em um acidente enquanto viajava de São Paulo a Belo Horizonte. Ela deixava a capital paulista após participar da cobertura de Argentina x Suíça, na Arena Corinthians, para a DirecTV. O acidente ocorreu no km 619 da Rodovia Fernão Dias. O carro capotou e caiu em uma ribanceira. Maria morreu na hora, e os outros dois ocupantes do veículo tiveram apenas ferimentos leves.

Amigo de Messi

O argentino Jorge López mantinha uma relação de amizade com Lionel Messi. O jornalista, mais conhecido como Topo no meio esportivo, era responsável por fazer entrevistas com o craque do Barcelona para o “Olé”. Segundo o jornal argentino, Topo conheceu o jogador durante o período em que viveu em Barcelona, e se surpreendeu com o talento daquele que viria a se tornar o  grande astro da Alviceleste.

Ao notar que estava diante de um dos maiores talentos do futebol atual, Topo passou a entrevistar Messi com frequência, e uma relação de forte amizade surgiu entre os dois. Quando o jogador se consagrou como o melhor do mundo, o argentino era um dos repórteres mais próximos do craque. O camisa 10 demonstrava confiança e espontaneidade durante as entrevistas com López, e costumava falar abertamente sobre sua carreira com o jornalista e amigo.

Jorge "Topo" López entrevista o craque argentino Lionel Messi, em foto de 2009 (Foto: Reprodução / Twitter )Jorge “Topo” López entrevista o craque argentino Lionel Messi, em foto de 2009 (Foto: Reprodução / Twitter )
Por 

Carioca troca de casa com argentino por 15 dias para ‘fugir’ da Copa no Rio

elisaNa contramão de quase um milhão de turistas— estrangeiros e brasileiros — esperados em junho e julho no Rio, a assistente de fotografia Elisa de Paula está de saída da cidade. Disposta a fugir do clima de “carnaval fora de época” de uma Copa do Mundo e os prometidos protestos, ela anunciou em redes sociais a vontade de ir para Argentina. Ofereceu o quarto do apartamento que divide com três amigos na Zona Norte e, em troca, pediu abrigo do lado de lá do Rio da Prata. Depois de trocar alguns e-mails com o “hermano” Augustín Payva, fechou negócio e já está de malas prontas para Buenos Aires. Um ficará na casa do outro.

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“Vou fugir da Copa como fugi do carnaval. A cidade fica muito lotada e tudo fica caro”, diz.

Mas não foi só o desinteresse pelo futebol e o desejo de voltar ao país vizinho que motivaram a jovem de 24 anos. O caos nos aeroportos, o temor de protestos violentos (sobretudo da truculência policial, segundo ela) e a comoção nacional pelas ruas influenciaram a decisão.

De malas prontas: jovem de 23 anos promete não ver nenhum jogo da Copa. Mas espera encontrar argentinos contagiados pelo clima do Mundial (Foto: Gabriel Barreira/G1)De malas prontas: jovem de 23 anos promete não
assistir a jogos da Copa (Foto: Gabriel Barreira/G1)

Pela internet, ela mobilizou os amigos que fez na Argentina na primeira estada no país vizinho e começou a procura por algum aficcionado por futebol que quisesse aproveitar a Copa do Mundo em uma das cidades-sede. Depois de trocar alguns e-mails com o músico, teve certeza de que encontrou a pessoa certa — o saxofonista só precisou prometer que vai deixar de lado o instrumento musical quando estiver na casa.

Durante 15 dias, ela vai morar na casa do argentino, com o namorado e um amigo, e ele no quarto dela. Se alugasse o cômodo de sua casa e revertesse o lucro para a hospedagem durante a viagem, ela calcula, acabaria saindo no lucro. Mas não achou justo cobrar os preços excessivos cobrados pelo mercado imobiliário. “Ele ficou muito feliz com a troca. Estava louco para conhecer o Rio e não poderia vir se tivesse que pagar”, disse.

G1

 

Dom Aldo diz que ficou surpreso com escolha de papa Argentino

dom aldoO arcebispo da Paraíba, Dom Aldo Pagotto, declarou nesta quarta-feira (13) que recebeu com surpresa a escolha do cardeal argentino Jorge Mario Bergoglio como o novo papa da Igreja Católica. Após a renúncia de Bento 16, Dom Aldo tinha declarado que torcia por um papa do Brasil

A gente torce porque conhecemos Dom Odilo Scherer , que é um homem maravilhoso. Não falo em decepção, mas sim, em surpresa porque não há uma disputa, disse Dom Aldo, logo após a apresentação do papa.

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Dom Aldo considerou que escolha de uma papa da America Latina será muito bom para o Brasil já que valoriza o continente.

Tanto a Igreja dos Estados Unidos como a da América do Sul são novas, de 1492 pra cá. Uma igreja que ainda está na sua adolescência e tem, não obstante, uma perda enorme no número de fiéis católicos. No entanto, todas as chances que a igreja agora dialoga com o mundo, disse Dom Aldo.

De acordo com o arcebispo, a Igreja agora está muito mais próxima da caridade e do desenvolvimento humano.

É uma vocação que a igreja tem de ser educadora na fé e promotora do desenvolvimento. Que ela assim agora o faça nesses países emergentes como é o Brasil. Isso vai ser muito bom para a América Latina toda, contou.

Sobre a missão do novo líder da Igreja Católica, Dom Aldo disse que espera que Francisco I enfrente todos os malfeitos a serem enfrentados atualmente.

Que seja um homem com ele foi. De tomar posições. Que fala pouco, mas age muito porque a Igreja precisa agir mais na caridade, afirmou.

Dom Aldo não falou muito sobre as qualidades de Francisco I, mas disse que o novo pontífice por ser jesuíta é um homem muito bem preparado.

Ele escolheu um nome simples e me parece ser um homem maravilhoso porque é um jesuíta. Um jesuíta é preparado. É um homem que fala pouco e trabalha muito, finalizou.

Roberto Targino

Lei de Meios: governo argentino notifica grupo Clarín

O presidente da Autoridade Federal de Serviços de Comunicação Audiovisual da argentina (AFSCA), Martín Sabbatella, visitou nesta segunda-feira (17) a sede do grupo Clarín, acompanhado de uma escrivã. “Acaba de iniciar a transferência de ofício das licenças do grupo (que excedem os termos estabelecidos pela Lei de Meios)”, expressou Sabbatella. Por sua parte, o Clarín recorreu pela manhã da sentença do juiz Horacio Alfonso que declarou a constitucionalidade da Lei de Serviços de Comunicação Audiovisual e ordenou levantar a medida cautelar que favorecia o grupo midiático.[bb]

O que fizemos foi fazer a notificação do Grupo Clarín, informou Sabbatella aos jornalistas que o esperavam do lado de fora da sede da empresa. “Eles foram notificados e expuseram obviamente suas opiniões em ata”, acrescentou. O funcionário recordou que o processo de transferência de ofício durará cerca de 100 dias úteis a partir da notificação de hoje. “Depois vem todo o processo de classificação; a seleção das licenças e dos bens envolvidos no funcionamento das mesmas; depois o concurso, a adjudicação e a passagem da licença para o novo titular”, enumerou Sabbatella.

Ele observou ainda que “a lei é constitucional e está em pleno vigor porque o juiz Alfonso deixou para trás todas as medidas cautelares”. Sobre o recurso apresentado hoje pelo Clarín, disse que “não acreditamos que ele provoque nenhuma medida suspensiva” e reiterou que “hoje a lei está em plena vigência”.

O recurso do Clarín foi apresentado às 7h57min de hoje no Palácio dos Tribunais portenho. O juiz de primeira instância Horácio Alfonso recebeu o recurso e deverá resolver em menos de três dias se o aceita, para depois enviá-lo à Câmara Civil e Comercial Federal. Na última sexta-feira, Alfonso decidiu pela constitucionalidade dos artigos objetados pelo Clarín e ordenou a suspensão da medida cautelar que beneficiava o grupo e impedia a aplicação da cláusula de desinvestimento.

Na apresentação da manhã desta segunda-feira, o advogado do Clarín, Damián Cassino, recorreu da sentença em um breve documento e informou que a ampliação de fundamentos ocorrerá diante da Câmara, uma vez que se conceda o recurso. O juiz Alfonso deverá agora definir se concede o recurso com efeito suspensivo ou devolutivo em relação à medida cautelar que impedia a aplicação dos artigos da lei ao grupo Clarín.

Sobre isso, o subsecretário geral da Presidência, Gustavo López, assegurou que a lei de Meios “está plenamente vigente” e descartou que a apelação possa frear sua aplicação. “Por que o juiz vai suspender a aplicação dos artigos cuja vigência acaba de por em prática, já que revogou a medida cautelar?, perguntou-se o funcionário. Para López o único dado da realidade é que a lei foi declarada constitucional, que há uma sentença de primeira instância que é uma decisão de fundo, que era o que podia destravar tudo e de fato destravou ao revogar a medida cautelar”.

Carta Maior

Após receber ameaças, jornalista argentino fecha emissora de rádio

O jornalista argentino Daniel Polaczinski decidiu fechar a rádio da qual era dono após receber ameaças durante mais de um mês, informou o blog Jornalismo nas Américas. O radialista era proprietário da emissora há seis anos.
Segundo o Fórum de Jornalismo Argentino (Fopea, na sigla em espanhol), as ligações que Polaczinski recebia eram anônimas. No entanto, foi possível identificar uma delas, que vinha de Luis Daniel Kochen, presidente do Conselho Deliberativo Local.
Com isso, o jornalista denunciou Kochen, que, apesar de admitir que o telefone era seu, alega não ter feito as chamadas. Polaczinski não retirou as acusações.
Para o Fopea, as autoridades devem garantir o fim das ameaças e a segurança de Polaczinski e sua família para que assim o jornalista volte ao trabalho.
Portal IMPRENSA

Cannabrava: Governo argentino enfrenta grande monopólio de mídia

Jornal Clarín se recusa a cumprir Ley de Medios

Dia sete de dezembro de 2012, começa a ser aplicada na Argentina a “Ley de Medios” que está deixando em polvorosa as oligarquias e monopólios proprietários de meios em todo o mundo. Essa Lei, proposta pelo governo de Cristina Kirchner, foi amplamente discutida, aprovada pela Câmara dos Deputados que lhe adicionou mais de cem emendas e, seguidamente, foi ratificada pelo Senado e regulamentada pelo Judiciário. Apoiada também por sindicatos de trabalhadores e organizações sociais, passou por todos os trâmites legais de um regime democrático.

Na elaboração da proposta para a “Ley de Medios” foram observadas todas as normas que conformam o Sistema Internacional de Direitos Humanos e está sendo considerada por organismos das Nações Unidas, como a Unesco, como exemplo a ser seguido.

Essa lei substitui a vigente que foi imposta pelos governos militares autoritários. Cria o Conselho Federal de Comunicação Audiovisual, a Defensoria Pública e uma Comissão Bicameral de Controle. Em síntese, a Lei estabelece a proibição da propriedade cruzada de meios; uma mesma empresa não pode possuir rede de televisão aberta e rede a cabo; reduz de 24 para dez o limite de concessões de rádio e televisão para um mesmo proprietário.

Coloca o dedo na ferida aberta de monopólios e oligarquias nunca antes contestados. A reunião da SIP (Sociedade Interamericana de Proprietários), recentemente realizada em São Paulo, traçou a estratégia de guerra a ser iniciada por todas as empresas filiadas para denunciar o que eles consideram “violação à liberdade de imprensa”. Os grandes monopólios midiáticos brasileiros já iniciaram a demonização de Cristina Kirchner e a tentativa de convencer a opinião pública de que um governo que se atreve a limitar a liberdade e a fonte de poder deles deve ser deposto.

Os inimigos de Cristina

A história dos meios de comunicação na Argentina tem origem comum à da mídia dos demais países do continente, porém, está marcada por fatos que a distingue dos demais. Fortes contingentes migratórios que povoaram o país no início do século XX, políticas educacionais inclusivas com escolas de qualidade e gratuita propiciaram uma sociedade ávida por leitura e informação.

Ilustra essa diferença com a sociedade brasileira, por exemplo, o fato de que em uma única Avenida de Buenos Aires, Corrientes, há mais livrarias do que em muitos Estados brasileiros. Lá o público de leitores foi sempre disputado por publicações de todo tipo, por jornais de grande tiragem e por um jornalismo de qualidade além de miríades de pequenos meios alternativos.

Projetos editoriais como o de La Opinión, que abrigou intelectuais de renome e foi massacrado pela ditadura, tiveram grande repercussão em todo o mundo. Os Cadernos do Terceiro Mundo nasceram em Buenos Aires em tempos de liberdade e democracia. E foi também durante as ditaduras que se formaram grandes conglomerados que hoje dominam o universo informativo.

Depois, no auge do liberalismo privatizante e entreguista de Menem e seus seguidores também as empresas e fundos de investimento resolveram investir seu capital na venda de informação. Se de um lado isso tem contribuído para maior concentração do capital, de outro, resulta em maior número de alternativas a disputar o público, gerando maior diversidade e liberdade de expressão. Em contrapartida, temos o pensamento único dos grandes grupos midiáticos.

Não pretendemos desenvolver aqui esse longo processo, mas sim dar alguns exemplos que serviram de paradigma para essa interpretação, mostrando resumidamente como se desenvolveram os principais meios que se dizem ameaçados pela legislação que democratiza a comunicação.

La Prensa

Fundado em 1889 foi durante algum tempo o jornal de maior circulação e peso político na Argentina. Em 1991 entrou em concordada e já passou por três proprietários até chegar ao que é hoje, um jornal sem importância. Seus dias de glória foram alcançados sob a direção de Alberto Gainza Paz (1899-1977), filho de tradicional e poderosa família de proprietários fundiários, que assumiu a direção em 1943. O jornal tinha a UPI (United Press International) como sócia. Com Perón no poder, o jornal sofreu intervenção de 1951 até 1956 quando foi devolvido à família e voltou a circular.

La Nación

O segundo diário mais importante da Argentina é o La Nación, que ocupou o lugar do velho La Prensa como principal jornal das oligarquias conservadoras, fundado em 1870 por Jorge Mitre. A família perdeu em 1990 o controle da empresa para a família Saguier que manteve Bartolomé Mitre na direção editorial com 10% das ações. O diário sobreviveu à crise dos anos 1990 e circula até hoje com expressiva tiragem. O controle acionário é exercido por Matilde Noble Mitre de Daguier. Voz corrente vincula a direção do jornal com o banco off shore Barton Corp. A empresa mantém um portal na web e edita a revista Gestión, em parceria com o Grupo HSM e as revistas Rolling Stone, Lugares, Ahora Mamá, El Jardín en la Argentina. Também participa da agência DyN e tinha cotas na empresa de papel jornal Papel Prensa juntamente com o Grupo Clarín.

Clarín

O Grupo Clarín é hoje o maior grupo de mídia da Argentina. Sua história se parece com a das organizações Globo do Brasil. Aqui foi a família Luce, (Robison e Clare Luce), milionários proprietários do Times e colaboradores da CIA que deram dinheiro a fundo perdido aos Marinho. Lá, foi a Goldman Sachs, cujo banco hoje tem 18% das ações da holding. O restante 82% está repartido entre Ernestina Herrera de Noble, Héctor Magneto, Lucio Pagliano e Jose Aranda.

A história desse grupo começou com o jornal diário Clarín, lançado em 1945 por Fernando Noble. Surgiu no vazio provocado por Perón ao expropriar La Prensa. Teve um grande crescimento a partir da década de 1970, época em que, favorecido pelas ditaduras, conseguiu o controle das fábricas de papel e de tintas – o escândalo da Papel Prensa. O grande salto se deu a partir dos anos 1990, quando ingressou no circuito de rádio e televisão, internet, produtoras e cinema. Em 1999, a Goldman Sachs, um dos maiores bancos de investimentos do planeta, adquiriu 18% do grupo, ao qual ingressou também a Disney e a Telefônica entre outras. Hoje integram o grupo cerca de 30 empresas dos mais diversos ramos.

Compõem o conglomerado de Clarín três das mais importantes emissoras de rádio (Radio Mitre, FM 100 e Gen FM); onze emissoras de televisão aberta Canal 13 (Artear SA), Señal Volver, Señal Magazine, Señal TN (Todo Noticias), Señal TyC Sports, Señal TyC Max, Canal 12 (Córdoba), Canal 7 (Bahía Blanca), TVC Pinamar, MTV Miramar, TSN Necochea; a maior rede de TV paga a Cabo e por satélite com cinco canais Multicanal, Supercanal, Trisa, Teledeportes, Direct TV (74% Hughes Entertainment; 20% Grupo Cisneros y 4% Grupo Clarín; as produtoras Pol-Ka, Patagonik Film Group, Internacional, sendo que desta participa a Disney; provedor de acesso à web; a Rádio Mitre e várias emissoras no interior. Também mantém na web mídias informativas multimídias e interativas. No portal Prima tem como sócio o banco Provincia e a Prima do Brasil.

Também controla os jornais de maior circulação Clarin, La Razón e Olé; Através da Cimeco, que tem 33,4% de capital espanhol, e importantes diários no interior: La Voz del Interior (Córdoba), Diário Los Andes (Mendoza). Controla também as revistas Viva, Gênios, Ñ, Elle Argentina, Elle Decoración, Elle Novias. A gráfica e distribuidora Impripost tem como sócia o grupo Techint.

Os grandes investimentos no setor de televisão foram viabilizados através de parcerias com grandes corporações transnacionais, como TyC, (TV esportiva) uma das grandes fabricantes e distribuidora mundial de peças e assessórios para indústria automotiva. Na Multicanal/Cablevisión, o grupo tem como sócia a Fintech Advisory, uma das grandes consultoras de negócios e investimentos com sede em Nova Iorque. Também o Grupo Vila, dedicado à hotelaria no mundo inteiro, está no negócio. Na Argentina, como no Brasil, a prevalência pelo lucro transformou a maioria dos canais de televisão, notadamente as TV por cabo, controlados pelos monopólios, em repetidoras de filmes produzidos nos Estados Unidos.


Na ilustração o poder do Grupo Clarín (fonte: http://mediosycomunicaciondeaca.wordpress.com/mapa-de-medios-en-argentina/)

Papel prensa

Uma das iniciativas mais recentes do governo de Cristina Kirchner foi a de encaminhar solução para o escabroso escândalo em torno da indústria de papel para jornal: “Papel Prensa”.

A lei que criou a empresa é de 1969, promulgada por Onganía. Inaugurada em 1971, funcionou até 1975, sob o controle do banqueiro David Graiver (1941-1976). Em 1976, após a morte de Graiver, o governo militar obrigou a viúva a vender as ações para as empresas proprietárias dos jornais Clarín, La Nación y La Razón reservando uma parte para o Estado. Foi um escândalo na época. Com anterioridade a mídia havia desencadeado uma campanha de demonização de Graiver, com denúncias de que estaria envolvido com as guerrilhas montoneras. Quando da venda forçada das ações foram adquiridas por US$ 7 milhões.

Graiver possuía dois bancos na Argentina e em Nova York, um em Bruxelas e outro em Tel Aviv, além de numerosas empresas espalhadas pelo mundo. Serviu ao governo de Lanusse e depois ao de Cámpora. Com os judeus José Klein, no Chile o Edmond Safra no Brasil formava o tripé da “banca judia” na América. Ajudou substancialmente a Hector Timerman, editor de La Opinión e da La Tarde. Opinión, lançado em 1971, foi um dos mais importantes jornais do continente à época, abrigando jornalistas e intelectuais de projeção, cobrindo honestamente os fatos que conturbavam nossa América, até que foi expropriado pela ditadura em 1977. Essa mesma ditadura prendeu e torturou Timerman mantendo-o desaparecido até 1980, quando por pressão internacional deixaram-no livre para asilar-se em Israel.

A relação da família Graiver com os Montoneros começa em 1972 quando teve que pagar 200 milhões de pesos para que libertassem Isidoro, o filho mais jovem sequestrado. Acusado de ser gerente financeiro dos Montoneros, Graiver passou a residir com sua esposa, Lidia Papaleo de Graiver e filha Maria Sol em Nova York em 1974 e morreu no México em agosto de 1976 numa queda de avião de causa nunca esclarecida. Após sua morte, sua família foi presa e torturada pelos militares que ocupavam o poder e forçada a vender a empresa.

Desde então corre processo na Justiça argentina contestando não só o valor, mas o como foi feita a transação. Já no ano seguinte, 1977, a empresa estava sob intervenção. Mas, os governos e a própria justiça negligenciaram permitindo que o Grupo Clarín ficasse com o controle de fato da empresa e adquirisse papel de imprensa 58% mais barato que o valor de venda para os demais veículos.

Diante das pressões dos minoritários e das denúncias de uso abusivo em 2001, foi feito um novo acordo com os acionistas. Essa confusão se alastrou até 2010 quando em agosto o governo de Cristina decide por uma nova intervenção para que se esclareçam as denúncias e se resolva as querelas entre os acionistas. Em 2011, a Unidade Fiscal Federal (Tribunal de Justiça) de La Plata qualificou como crime de lesa humanidade os fatos que envolveram a transferência de ações de Papel Prensa entre 1076 e 1977. Osvaldo Papaleo lembra que Clarín comprou a empresa com a família Graiver sequestrada.

Toda essa história flagrada de fraudes, mentiras e golpes baixos, envolvendo personagens de obscura trajetória, de conluios com as ditaduras, parece ter chegado a um desfecho quando no início de 2012 Cristina autoriza desapropriar a empresa. Tal medida desperta o ódio e o medo das oligarquias midiáticas continentais que, vendo o exemplo vizinho temem ver contestadas também suas relações espúrias com a ditadura militar. O fato é que casos como o da Folha, acusada de ter emprestado carros para que policiais prendessem militantes da esquerda, e do Globo, que expandiu seu poderio nos anos de chumbo, não foram exceções entre os barões da mídia. Foram a regra. Dos que não têm limites. Dos que não querem regras.

*Paulo Cannabrava Filho é jornalista e diretor da revista Diálogos do Sul. Integrou a equipe dos Cadernos do Terceiro Mundo desde sua fundação em 1975 até a última edição em 2005.Trabalhou no Última Hora, de São Paulo, o Correio da Manhã, do Rio de Janeiro e Expresso de Lima, Peru. Foi correspondente da Prensa Latina e da France Press na América Latina e diretor regional da Interpress Service.

Paulo Cannabrava Filho*, no Diálogos do Sul