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Homens evitam médicos para não serem vistos como ‘fracos’, diz pesquisadora americana

O ministro da Saúde, Ricardo Barros, provocou uma polêmica nesta semana ao afirmar que homens vão menos ao médico do que as mulheres porque trabalham mais.

Crenças sociais influenciam nas visitas dos homens ao médico, diz pesquisadora

Crenças sociais influenciam nas visitas dos homens ao médico, diz pesquisadora

Foto: Thinkstock

Sua declaração parece não ter fundamento na realidade. Dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) mostram que mulheres trabalham em média cinco horas a mais que os homens na semana, uma vez que costumam acumular a vida profissional com mais tarefas domésticas.

Pesquisas realizadas nos Estados Unidos – país onde homens também se consultam menos do que as mulheres – indicam que outro elemento está por trás dessa disparidade: o fator cultural que associa ao sexo masculino características como “bravura” e “autossuficiência”.

Educados para se mostrarem fortes, homens evitam o atendimento médico justamente por receio de serem vistos como fracos, disse à BBC Brasil uma das autoras desses estudos, Mary Himmelstein, pesquisadora da Universidade de Connecticut.

Em uma de suas pesquisas, ela questionou 491 pessoas, de ambos os sexos, sobre o quanto concordavam ou não com frases sobre o papel social de homens e mulheres, a importância da bravura e autossuficiência e a confiabilidade de médicos.

Além disso, os entrevistados também deram informações pessoais sobre com que frequência iam ao médico e quanto tempo costumavam demorar para ir se consultar quando se sentiam mal.

Cruzando esses dados, Himmelstein e a coautora do estudo Diana Sanchez concluíram que, quanto mais os entrevistados se identificavam com valores associados culturalmente à masculinidade (bravura e autossuficiência), mais eles tendiam a minimizar problemas de saúde e a evitar consultas médicas.

Mary Himmelstein pesquisou por que homens evitam ir ao médico
Mary Himmelstein pesquisou por que homens evitam ir ao médico

Foto: Divulgação

“Crenças tradicionais sobre os papéis sociais (de cada gênero) contribuem para a forma como nossa cultura constrói a masculinidade – isto é, as mensagens que recebemos sobre como os homens são, como deveriam ser e como devem agir”, explicou Himmelstein, em entrevista por email.

“No caso dos homens, essas crenças contribuem para a ideia de que, para ser um ‘bom homem’, é preciso ser duro, corajoso e absolutamente autossuficiente. O problema dessas crenças é que criam barreiras para pedir ajuda, mesmo em face de doenças e lesões”, acrescentou a pesquisadora.

Mulheres e bravura

A pesquisa mostrou ainda que mulheres que se identificavam com valores de bravura e autossuficiência também iam menos ao médico. No entanto, um número menor delas se associava a essas características.

Executivos com grande carga de trabalho procuram mais ajuda, diz pesquisadora
Executivos com grande carga de trabalho procuram mais ajuda, diz pesquisadora

Foto: Thinkstock

“A principal diferença é os homens têm um roteiro cultural dizendo que eles TÊM que agir dessa forma para que possam ser considerados homens. As mulheres não têm essa mesma pressão social para serem corajosas, resistentes, e autossuficientes”, observou.

“As mulheres são mais propensas a ir ao médico do que os homens e fazem mais perguntas quando estão lá. Potencialmente, grande parte da explicação para essas diferenças está relacionada com as mensagens culturais sobre masculinidade”, disse ainda.

A pesquisadora destacou também que, mesmo quando desconsideradas as consultas diretamente relacionadas ao gênero feminino, como visitas ao ginecologista e acompanhamento pré-natal, as estatísticas mostram que as mulheres vão ao médico com mais frequência que homens.

Questionada sobre haver evidência científica de que pessoas que trabalham mais se consultam com menos frequência, Himmelstein disse desconhecer informações nesse sentido.

Na realidade, a pesquisadora apontou que executivos com grande carga de trabalho, por exemplo, costumam frequentar mais médicos do que a média – com exceção daqueles que pontuam na pesquisa altos índices de “masculinidade”.

“Pessoas em altos cargos de gerência, que trabalham horas excessivas (ou seja, mais de 40 a 50 horas por semana) são mais propensas a visitar o médico, por isso não se pode argumentar que são as horas de trabalho que impedem as consultas”, afirmou.

“Eu diria que a masculinidade tem um peso grande no hábito dos homens de evitar e adiar consultas médicas.”Guia lançado pelo Ministério da Saúde na quinta-feira

Guia lançado pelo Ministério da Saúde na quinta-feira

Foto: Elza Fiúza/ Agência Brasil

E esse fator tem outras consequências para a saúde deles, nota a pesquisadora. Estudos indicam que os valores associados à masculinidade também levam os homens a serem menos francos sobre os sintomas que estão sentindo, assim como contribuem para uma comunicação menor de lesões em atletas do sexo masculino.

“A masculinidade também está associada com a frequência menor de cuidados com a saúde, como ir ao dentista, usar protetor solar, comer frutas e vegetais e realizar autoexames de mama e testículo (para identificar câncer)”, exemplificou a pesquisadora.

Pedido de desculpas

A declaração polêmica de Ricardo Barros foi dada na quinta-feira, durante o lançamento de duas cartilhas do ministério com objetivo de ampliar o atendimento aos homens na rede de saúde.

“Eu acredito que é uma questão de hábito. Os homens trabalham mais, são os provedores da maioria das famílias e não acham tempo para a saúde preventiva. Isso precisa ser modificado. Nós queremos capturá-los para fazer os exames e cuidar da saúde. A meta destes guias é fazer que nossos servidores orientem os homens, que normalmente estão fora [de casa], trabalhando”, disse na ocasião.

Após a reação ruim a sua declaração, o ministro pediu desculpas nesta sexta-feira. Por meio de uma nota, disse que se referia ao número maior de homens no mercado de trabalho.

Ricardo Barros disse que homens vão menos ao médico porque trabalham mais
Ricardo Barros disse que homens vão menos ao médico porque trabalham mais

Foto: Elza Fiúza/ Agência Brasil

Citando dados do IBGE sobre pessoas de 16 anos ou mais que estão trabalhando, destacou que 53,7 milhões são homens e 39,7 milhões são mulheres.

“Conhecendo o quanto as mulheres trabalham, eu jamais diria que os homens trabalham mais que as mulheres. Quero deixar claro que eu me referia ao número de homens no mercado de trabalho, que ainda é maior”, afirmou.

Segundo outra pesquisa do IBGE, que leva em conta também o trabalho doméstico, os homens trabalham em média por semana 41,6 horas fora de casa e 10 horas com tarefas dentro dela. Já as mulheres usam em média 35,5 horas da sua semana no trabalho principal, mas perdem mais que o dobro do que eles em afazeres em casa (21,2 horas).

Isso dá uma diferença de cinco horas, indicando que mulheres trabalham 10% mais que os homens. Apesar disso, seus salários tendem a ser menores, mesmo quando possuem escolaridade equivalentes a de colegas masculinos.

Os dados do IBGE também mostram que têm crescido o número de domicílios chefiados por mulheres. Segundo o levantamento mais recente, de 2014, essa é a realidade de 39,8% das casas do país.

Outras críticas

A declaração de Barros não é a primeira relacionada a questões de gênero a atrair críticas dentro do governo interino de Michel Temer.

Em julho, o ministro das Relações Exteriores, José Serra, deu uma declaração polêmica sobre a presença das mulheres na política durante encontro com a chanceler mexicana, Claudia Ruiz Massieu, no México.

“Devo dizer, cara ministra, que o México, para os políticos homens no Brasil, é um perigo porque descobri que aqui quase a metade dos senadores são mulheres”, declarou Serra.

Todos os ministros do presidente interino são homens brancos, o que provocou uma série de críticas quando seu governo foi montado.

Depois disso, Temer nomeou mulheres para outros postos, como a presidência do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) e o comando da Secretaria de Direitos Humanos. Em entrevistas, minimizou a ausência de ministras afirmando que esses cargos também são muito importantes.

Terra

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Universidade americana inaugura secretariado em Guarabira, na PB

(Foto: Greice Targino / Nordeste1)
(Foto: Greice Targino / Nordeste1)

A Florida Christian University (FCU), instituição americana de ensino superior, inaugurou no último sábado (7) em Guarabira, o Secretariado para Assuntos Acadêmicos Internacionais (SAAI). A Universidade tem parcerias com a Universidade Estadual da Paraíba (UEPB), que assinou convênio com a FCU no dia 6. A instituição ainda negocia parceria com o Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia da Paraíba (IFPB).A universidade oferece cursos de mestrado e doutorado internacional em educação e as dissertações e teses podem ser defendidas aqui na Paraíba ou em outras cidades do Brasil, que tenham sede da FCU, ou nos Estados Unidos.

Estiveram presentes, na inaguração, o Dr. Anthony Portigliatti, Reitor e Chanceler da Florida Christian University, o Dr. Ricardo Monteiro, Reitor da Universidade Livre do Brasil e embaixador da Florida Christian University, o Secretário de Educação de Guarabira, professor Raimundo Alves de Macedo e Pinheiro Neto, responsável pelo SAAI em Guarabira.

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O o Dr. Anthony Portigliatti, fala que a sociabilização do ensino é o objetivo da unidade da FCU em Guarabira , com a possibilidade de acesso à todos os profissionais da área de educação desta região que desejem a formação nos cursos de mestrado e doutorado em educação. Ouça o áudio da entrevista com o Canceler:

O Dr. Ricardo Monteiro, fala das expectativas da FCU em Guarabira, e a chegada da universidade com os cursos de mestrado e doutorado International em educação significa “uma nova era para a educação”, pois há no Brasil e em outros países uma disfunção social na qual a escola é do século XIX, os professores são século XX e os alunos do século XXI e é importante avançar nesse sentido. Ouça o Dr. Ricardo:

O Secretário de Educação de Guarabira, professor Raimundo Macedo diz que Guarabira cresce na preparação dos professores, há a formação em nível superior na cidade, mas não havia o mestrado e o doutorado. Guarabira e o alunado ganha com a chegada da FCU, pois a qualificação dos profissionais de educação é importante, significa o avanço nos processos educacionais. Ouça a entrevista com o secretário:

Pinheiro Neto,  responsável pelo SAAI em Guarabira, explica que a FCU é uma universidade americana com trinta anos de existência. Guarabira sendo uma cidade pólo é o local propício para a instalação da universidade que traz o mestrado e o doutorado internacional em educação.

As aulas terão início em abril, no Colégio Objetivo. Maiores informações e matrículas na Florida Christian University, Rua Quinze de Novembro, 43, sala 5.

Contatos pelos fones: 8744-7566  ou 9628- 3600.

Americana implanta terceiro seio para “espantar os homens”

americanaJasmine Tridevil, uma massagista americana de 21 anos, tem três peitos. Isso mesmo, você leu certo! Recentemente, ela disse ter passado por uma cirurgia plástica para implantar um terceiro peito e um mamilo extra também. E, para isso, ela desembolsou US$ 20 mil (aproximadamente R$ 47.200 mil). As informações são do site inglês The Huffington Post.

A jovem disse em entrevista à uma rádio local de Tampa, na Flórida, que procurou 50 cirurgiões antes que um deles aceitasse fazer o procedimento. “Foi muito difícil achar um médico porque isso é contra o código de ética. O especialista que fez minha cirurgia, exigiu uma cláusula de confidencialidade porque ficou com medo de ter problemas”, contou.

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Segundo Jasmine, que tatuou uma auréola no terceiro peito, espantar os homens foi o motivo de ter feito a cirurgia. “Fiz isso porque não queria mais ser atraente para os homens. Não quero mais namorar ninguém”, contou. E, completou: “a maioria dos caras acha o peito extra estranho e nojento, mas mesmo assim ainda posso me sentir bonita quando passo maquiagem e visto roupas bonitas”.

O resultado não agradou a família da massagista. “Minha mãe saiu correndo pela porta, ela não fala mais comigo e não deixa minha irmã conversar comigo também. Meu pai não está feliz, ele está com vergonha de mim, mas aceita o que fiz”, comentou.

Jasmine pode até ser a primeira mulher de três peitos na realidade, mas ela se inspirou no filme Total Recall (O Vingador do Futuro), estrelado por Arnold Schwarzenegger, para tomar a decisão. No cinema, a atriz canadense Kaitlyn Leeb usou uma prótese bem convincente no remake do longa em 2012 e até arriscou repetir a dose e aparecer com o “implante extra” no evento de lançamento do filme.

O sonho da jovem é ser celebridade e estrelar seu próprio reality show. Para isso, ela contratou uma equipe que tem registrado sua rotina e espera que sua vida seja retratada em programas de TV.

 

Terra

Ring Girl americana, Jessica Sutton tira foto nua para divulgar próximo evento do WSOF

Reprodução Twitter
Reprodução Twitter

A modelo e ring girl americana Jessica Sutton inovou para divulgar a próxima edição do WSOF (World Series of Fighting).

Para ajudar na divulgação da oitava edição do evento que acontece no próximo final de semana, Jessica postou uma foto completamente nua, apenas com as luvas da organização.

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O evento conta com a disputa de cinturão peso leve entre Rich Patishnock que substitui o brasileiro Gesias Cavalcante contra Justin Gaethje.

A edição também terá a estréia de Jorge Patino Macaco que encara Luis Palomino no evento.

 

 

GE

Por que a invasão do Iraque foi o maior erro da história da política externa americana

bushEu estava lá. E esse lugar era onde se deve estar se você quiser ver os sinais do fim dos tempos para o império americano. Era o lugar para se estar se você quiser ver a loucura e, oh, sim, foi uma loucura, não filtrada através de uma mídia complacente e sonolenta que fez a política de guerra de Washington parecer, se não sensível, pelo menos sensata e séria o suficiente. Eu estava no Ground Zero, que era para ser a peça central de uma nova Pax Americana no Grande Oriente Médio.

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Não querendo estigmatizar, mas a invasão do Iraque acabou por ser uma piada. Não para os iraquianos, claro, e nem para os soldados americanos. E aqui a mais triste verdade de tudo: no dia 20 de março, que marca o décimo aniversário da invasão infernal, nós ainda não entendemos seu propósito. No caso de você querer ir para o cerne da questão, ao invadir o Iraque os Estados Unidos fizeram mais para desestabilizar o Oriente Médio do que nós poderiamos ter imaginado àquela altura. E nós – e muitos outros – iremos pagar o preço por isso por muito, muito tempo.

A loucura do Rei George
É fácil esquecer quão normal a loucura pareceu naquela época. Em 2009, quando eu cheguei no Iraque, já estávamos no momento do último suspiro da possibilidade de salvar algo que já podia ser entendido como o maior erro da história da politíca externa americana. Foi então que, como um oficial do Departamento de Estado designado para liderar duas equipes de reconstrução provincial no leste do Iraque, eu entrei pela primeira vez naquela fábrica de processamento de frango que ficava no meio do nada.

Até então, o plano de resconstrução americano estava afundando em rios de dinheiro mal gasto. No centro dos esforços americanos – pelo menos depois de os Estados Unidos abandonarem a ideia de um governo interino para o Iraque, e de que nossas tropas invasoras seriam recibidas com doces e flores como libertadores – nós não tinhamos conseguido reconstruir nada de significante. Primeiramente concebido como um Plano Marshall para o novo século americano, seis longos anos depois tudo tinha se desenvolvido em uma farça.

Na meu período de atuação, os Estados Unidos gastaram algo entorno de 2,2 milhões de doláres para construir uma enorme instalação no meio de nada. Ignorando a dura realidade dos iraquianos que nasceram e vendiam frangos ali há cerca de 2000 anos, os Estados Unidos decidiram financiar a construção de uma unidade central de processamento (tendo os iraquianos como gerentes de compras locais) que cortará os frangos com máquinas complexas trazidas de Chicago, empacotaria os peitos e asas em filme plástico e, em seguida, transportaria tudo para supermercados locais. Talvez tenha sido o calor do deserto, mas isso fazia sentido na época, e o plano foi apoiado pelo Exército, o Departamento de Estado e a Casa Branca.

Elegante na concepção, pelo menos para nós, mas não se conseguiu lidar com algumas deficiências simples, como a falta de energia elétrica regularmente, um sistema logístico para levar as frangos para a fábrica, capital de giro, e… mercearias. Como resultado disso, os reluzentes 2,2 milhões investidos na fábrica não processaram nenhum frango. Para usar algumas das palavras de ordem do momento, nada foi transformado, não qualificou ninguém, não estabilizou nem promoveu economicamente nenhum iraquiano. Ele apenas ficou lá vazio, escuro e não utilizado no meio do deserto. Como os frangos nós fomos depenados.

De acordo com a loucura da época, no entanto, o simples fato que a fábrica não ter cumprido nenhum de seus reais objetivos não significa que o projeto não foi um sucesso. Na verdade, a fábrica foi um sucesso na mídia dos EUA. Afinal, para cada visita monitorada, com fins de propaganda, à fábrica, meu grupo abastecia o local às pressas com frangos comprados, preparávamos as máquinas e faziamos uma apresentação fantasiosa.

No humor negro daquele momento, nós batizamos o lugar de Fábrica de Frango Potemkin. Entre visitas públicas e privadas, tudo ficava às escuras, apenas ressurgindo com o cantar do galo a cada manhã que alguma equipe de filmagem vinha para uma visita. Nossa fábrica foi, portanto, considerada um grande sucesso. Robert Ford, então na embaixada de Bagdá e agora embaixador dos EUA para a Síria, disse que sua visita foi o melhor dia que ele esteve no Iraque. O general Ray Odierno, então comandannte de todas as forças dos EUA no Iraque, enviou blogueiros e civis, que acompanhavam os militares, para ver o projeto da vitória. Algumas das propagandas proclamavam que “ensinando os iraquianos a florescer sozinhos dá a eles a capacidade de fornecer a sua própria estabilidade, sem necessidade de contar com os americanos”.

A fábrica de frangos era uma história engraçada no começo, o tipo da piada interna que você precisa saber o que realmente ocorre pra entender. É, nós desperdiçamos algum dinheiro, mas 2,2 milhões de dólares é uma quantia pequena numa guerra que um dia irá custar trilhões. Realmente, ao final das contas, qual foi o prejuízo?

O dano foi este: nós queríamos deixar o Iraque (e o Afeganistão) estáveis para avançar nos objetivos americanos. Fizemos isso gastando nosso tempo e dinheiro em coisas obviamente inúteis, enquanto a maioria dos iraquianos não têm acesso a electricidade, água limpa, regular e assistência médica ou hospitalar. Como poderíamos ajudar a estabilizar o Iraque se nós agíamos como palhaços? Como um iraquiano me disse, “é como se eu estivesse pelado em uma sala com um grande chapéu na minha cabeça. Todo mundo entra e ajuda a botar flores e fitas no meu chapéu, mas ningúem parece reparar que eu estou pelado”.

Por volta de 2009, é claro, tudo isso deveria estar muito óbvio. Nós não estavamos mais dentro do sonho neoconservador de uma superpotência mundial incomparável, estávamos apenas atolados no que aconteceu neste sonho. Nós eramos uma fábrica de galinhas no deserto que ninguém queria.

Viagem no tempo para 2003
Aniversários são tempos de reflexão, em parte, porque é muitas vezes só retrospectivamente que reconhecemos os momentos mais significativos em nossas vidas. Por outro lado, em aniversários muitas vezes é difícil lembrar o que era tudo, realmente, quando tudo começou. Em meio ao caos do Oriente Médio hoje, é fácil, por exemplo, esquecer como as coisas pareciam no começo de 2003. O Afeganistão pareceu ter sido invadido e ocupado de forma rápida e limpa, de forma que os soviéticos (os britânicos, os gregos antigos…) jamais poderiam ter sonhado. O Irã estava assustado, vendo o poderoso exército americano na sua fronteira oriental e em breve na ocidental também, e estava pronto para negociar.

A maioria do resto do Oriente Médio foi enfiado em um longo sono com ditadores confiáveis o suficiente para manter a estabilidade. A Líbia era uma exceção, embora as previsões eram de que em pouco tempo Muammar Kadafi iria fazer algum tipo de acordo. E ele fez. Tudo o que era necessário era um golpe rápido no Iraque para estabelecer uma presença militar americana permanente no coração da Mesopotâmia. Nossas futuras guarnições militares lá, obviamente, supervisionariam as coisas, fornecendo os músculos necessários para derrubar todos os futuros elementos desestabilizadores. Isso fazia tanto sentido para a visão neoconservadora do começo da era Bush. A única coisa com a qual Washington não contava era que nós fossemos o primeiro elemento desestabilizante.

De fato, o grande plano estava se desintegrando até durante o período em que ele estava sendo sonhado. Com vontade de ter tudo em seus termos, a equipe de Bush perdeu uma oportunidade diplomática com o Irã que poderia ter feito o barulho de hoje desnecessário. Como parte do desastre, homens desesperados, blindados pela história, aumentaram o volume de medidas desesperadas: tortura, gulags secretos, dissimulações, uso de drones para assassinatos, e ações extraconstitucionais em casa. O mais frágil do acordos foi aparado para tentar salvar alguma coisa, incluindo ignorar a rede de proliferação nuclear paquistanesa A.Q Khan em troca de uma aproximação com Líbia, e uma foto brega da Condoleezza Rice com o Kadafi.

Dentro do Iraque, as forças do conflito sectário entre sunitas e xiitas foram desencadeadas pela invasão dos EUA. Isso, por sua vez, criou as condições para um confronto entre os Estados Unidos e o Irã dentro da política interna iraquiana, similar à crescente guerra na política interna do Líbano entre Israel e Irã.

Nada disso terminou. Hoje, de fato, a guerra na política interna desses países simplesmente achou um novo palco, a Síria, com várias forças usando “ajuda humanitária” para empurrar e impulsionar os seus alidados sunitas e xiitas.

Descontentando as expectativas neoconservadoras, o Irã emerge da década americana no Iraque economicamente mais poderoso, com o comércio não oficial entre os dois vizinhos sendo avaliado agora em cinco bilhões de dólares por ano, valor que continua crescendo. Nessa década, os Estados Unidos também conseguiram remover um dos contrapesos estratégicos do Irã, Saddam Hussein, substituindo-o por um governo dirigido por Nouri al-Malaki, que já encontraram apoio em Teerã.

Enquanto isso, a Turquia está agora envolvida em uma guerra aberta com os curdos do norte do Iraque. A Turquia é, naturalmente, parte da Otan, então imagine o governo dos EUA sentado em silêncio enquanto a Alemanha bombardeava a Polônia. Para completar o círculo, o primeiro-ministro do Iraque advertiu recentemente que uma vitória dos rebeldes da Síria vai desencadear guerras sectárias em seu próprio país e vai criar um novo refúgio para a Al Qaeda, que iria desestabilizar ainda mais a região.

Enquanto isso, militarmente queimado, economicamente sofrendo com as guerras no Iraque e no Afeganistão e sem qualquer moral no Oriente Médio pós-Guantánamo e Abu Ghraib, os Estados Unidos sentam sobre suas próprias mãos, com a faísca regional do que veio a ser chamada de Primavera Árabe se apagando, para ser substituída por desestabilização ainda maior dentro da região. E mesmo assim Washington não parou de procurar a versão mais recente da (agora sem nome) guerra global contra o terror em regiões cada vez mais novas que precisam de desestabilização.

Tendo notado a facilidade com que o entorpecido público americano patrioticamente olhou para o outro lado, enquanto nossas guerras seguiram seus caminhos específicos para o desastre, nossos líderes nem sequer piscam mais ante a possibilidade de mandar caças americanos não tripulados e forças de operaçoes especiais para lugares cada vez mais distantes, notavelmente mais para dentro da África, criando das cinzas do Iraque uma versão do estado de guerra perpétua que George Orwell uma vez imaginou em seu romance não-utópico 1984.

Feliz aniversário
No décimo aniversário da Guerra do Iraque, o Iraque continua, em qualquer nível, um lugar perigoso e instável. Até mesmo o sempre otimista Departamento de Estado aconselha viajantes americanos que vão para o Iraque, posto que esses cidadãos “continuam correndo risco de serem sequestrados… porque grupos rebeldes, incluindo Al Qaeda, ainda estão ativos”, além de notar que “a norma do Departamento de Estado para negócios americanos no Iraque aconselha o uso de ‘Detalhes de Segurança'”.

Numa perspectiva mais ampla, o mundo está muito mais inseguro e perigoso do que estava em 2003. De fato, para o Departamento de Estado, que me enviou para o Iraque para testemunhar as leviandades do imperialismo, o mundo tornou-se ainda mais assustador. Em 2003, no momento infame do “missão cumprida”, só a embaixada em território afegão foi considerada “extremamente perigosa” na lista de embaixadas além-mar. Não muito mais tarde, ainda, Iraque e Paquistão foram adicionados nesta lista. Hoje, Iemêm e Líbia, antes seguros para embaixadas, agora estão categorizadas como “extremamente inseguras”.

Outros lugares antes considerados tranquilos para diplomatas e suas famílias, como Síria e Mali, foram esvaziadas e não contam com nenhuma presença diplomática americana. Até mesmo a sonolenta Tunísia, uma vez calma o bastante para que uma escola de árabe fosse estabelecida na embaixada, conta agora com uma equipe reduzidíssima com nenhum familiar residente. No Egito isso é oscilante.

Explicitamente o grande apologista da estrátegia adotada no Iraque, com a ausência de George W. Bush e dos altos funcionários de seu governo, o ex-primeiro-ministro britânico Tony Blair lembrou-nos recentemente de que há mais no horizonte. Admitindo que há “muito tempo desistiu de tentar persuadir as pessoas do Iraque que foi a decisão certa”, Blair acrescentou que novas crises estão se aproximando. “Você tem uma crise hoje na Síria, você tera uma outra no Irã em breve”, disse ele. “Estamos no meio dessa luta, que vai levar uma geração, e vai ser muito árduo e difícil. Mas acho que estaremos cometendo um erro, um erro profundo, se pensarmos que podemos ficar fora dessa luta”.

Pense nesse comentário como um aviso. Depois de algum modo ter transformado todo o Islã em um inimigo, Washington simplesmente atrelou-se a intermináveis crises nas quais não tem nenhuma chance de vencer. Nesse sentido, o Iraque não foi uma aberração, mas o auge histórico de um modo de pensar que agora está lentamente ruindo. Por décadas, os Estados Unidos terão uma força militar grande o suficiente para garantir que a nossa queda seja lenta, sangrenta, feia e relutante, embora inevitável. Um dia, porém, mesmo os caças não tribulados terão que aterrissar. Assim, feliz 10 anos de aniversário, Guerra do Iraque! Uma década depois da invasão, um caótico e instavél Oriente Médio é o legado não terminado da nossa invasão. Eu acho que o alvo da piada somos nós ao final, embora ninguém esteja rindo.


Tradução: Mailliw Serafim e Caio Sarack

cartamaior

Em João Pessoa, encontro debate integração latino-americana no contexto da crise mundial

 

Nesta quinta (22) e sexta-feira acontece em João Pessoa, na Paraíba, região Nordeste do Brasil, o Encontro sobre Integração Regional na América Latina, promovido pelo Programa Mercosul Social e Solidário (PMSS), plataforma de organizações da sociedade civil da Argentina, Brasil, Chile, Paraguai e Uruguai.

De acordo com Ana Patrícia Sampaio, coordenadora nacional do PMSS, a intenção é “aprofundar a capacidade das organizações e da sociedade acadêmica de conceituar e pensar estratégias tendo como perspectivas os processos de integração que estão se desenvolvendo na América Latina dentro do atual contexto de crise mundial”.

A coordenadora também lembrou a importância de este evento acontecer em uma cidade do Nordeste brasileiro. “O Encontro vai trazer o debate para as organizações de base de João Pessoa. Ele quer estimular a discussão sobre a integração latino-americana e despertar a sociedade civil para como está esse processo e como podem participar. Não é um processo de integração somente produtivo, econômico, é também cultural, social. Precisamos voltar a nos reagrupar”, destacou.

Estarão presentes no Encontro representantes de organizações sociais e ONGs dos países integrantes do Mercado Comum do Sul (Mercosul) e associados (Argentina, Brasil, Chile, Paraguai e Uruguai); acadêmicos de vários cursos, dos cursos de graduação e Pós-graduação em Ciências Sociais e Relações Internacionais das Universidades Estadual e Federal da Paraíba, além de estudiosos da área, entre outros.

Os/as interessados em participar podem fazer a inscrição amanhã, a partir das 8h no local do evento ou antecipadamente pelo telefone (83) 3341-2800.

Programação

A abertura do Encontro, amanhã, fica por conta do painel “Desafios políticos colocados pela Integração econômico-produtiva Latino-americana, no atual contexto de crise mundial”. Para Ana Patrícia, este momento será um dos mais ricos, já que vai abordar assuntos como arquitetura da integração econômica; conservação ambiental frente aos modelos de desenvolvimento e desafios no atual contexto de crise mundial. O painel será aberto ao público.

Pela tarde acontece o segundo painel com o tema “Integração Latino-Americana – Do sonho da Grande Nação, às experiências de integração desenvolvidas no final do século XX”, em que vão ser debatidas as contribuições do Mercosul ao regionalismo e a teoria política da integração regional e a integração como ferramenta política de segurança democrática na região.

Na sexta (23) acontece painel sobre “Integração Econômico-Produtiva”, para debater arquitetura da integração econômica – complementação econômico-produtiva – tensões, avanços e dificuldades; bens naturais e modelo de desenvolvimento regional e desafios no atual contexto de crise mundial.

Serviço

O Encontro será realizado no Imperial Hotel (Avenida Almirante Tamandaré, 612, Tambaú).Para mais informações ligue para +55 (83) 3341-2800.

Mais informações: http://www.mercosursocialsolidario.org/

Natasha Pitts / Adital
Focando a Notícia

Congresso Latino-Americano de Programação Neurolinguística terá presença de antropóloga americana

 

Judith DeLozier falará no Rio, em outubro, sobre novas experiências da programação neurolinguística

Como criar estratégias para prosperar, alcançar a excelência e outras abordagens que usam a sabedoria da mente, do corpo e da intuição serão temas da antropóloga americana Judith DeLozier no 10º Congresso Latino-Americano de Programação Neurolinguística (PNL). Promovido pelo Instituto de Neurolinguística Aplicada (INAp), ele ocorrerá entre os dias 25 e 27 de outubro, no Hotel Novo Mundo, no Flamengo, Rio de Janeiro.

Judith é codesenvolvedora e criadora de modelos e processos desde a concepção da PNL por John Grinder e Richard Bandler na década de 70, é autora de livros de referência, e é sócia de Robert Dilts na NLP University, nos Estados Unidos. A especialista falará sobre o passado, o presente e o futuro da área e ministrará o curso pré-congresso “PNL Generativa, a 3ª. Geração”.

A programação neurolinguística é utilizada no desenvolvimento humano, educação, definição e alcance de metas, terapia, coaching, vendas, comunicação e demais áreas ligadas ao comportamento. Ela analisa como o cérebro e a mente funcionam, além de avaliar como são criados os sentimentos, os pensamentos, os estados emocionais e como as pessoas podem direcionar e otimizar esse processo ao que desejam alcançar.

Presidido pelo especialista Jairo Mancilha e com a coordenação de Maíra Larangeira, entre os temas dessa décima edição do congresso estão: “PNL e Experiência Somática no Controle de Estresse e Traumas”, “PNL e Neurossemântica como Ferramentas de Autorrealização”, “A PNL que vem do Coração”, por exemplo.

Serviço:

10º Congresso Latino-Americano de Programação Neurolinguística

De 25 a 27 de outubro

Curso Pré-Congresso: “PNL Generativa, a 3ª. Geração”, com Judith DeLozier.

Hotel Novo Mundo, Flamengo, zona Sul do Rio de Janeiro.

Informações e inscrições: www.congressopnl.com.br e (21) 2551-7647.

Julia Medina para o Focando a Notícia

Metade da população latino-americana vive em cidades com menos de 500 mil habitantes

Nos últimos 50 anos, o número de centros urbanos cresceu mais que cinco vezes na América Latina e no Caribe e hoje a metade da população urbana na região (222 milhões de pessoas) vive em cidades com menos de 500 mil habitantes. De acordo com o relatório Estado das Cidades da América Latina e do Caribe, divulgado nesta terça (21) pelo Programa das Nações Unidas para os Assentamentos Humanos (ONU-Habitat), cerca de 14% dos habitantes da região estão nas megacidades (65 milhões). O êxodo rural perdeu força e as migrações ocorrem hoje, sobretudo entre centros urbanos. O crescimento populacional também tem caído, o que contribui para a queda do desemprego e da pobreza. Segundo o oficial principal de Assentamentos Humanos do ONU-Habitat, Erik Vittrup, essa oportunidade de tornar as cidades mais inclusivas e melhores para seus habitantes pode ser desperdiçada se não forem revistos os atuais modelos de crescimento e desenvolvimento nas cidades da região.
“Os modelos de crescimento das cidades nos anos 90 e anteriores não se adaptam aos desafios atuais. É ridículo que estejamos reproduzindo modelos de cidade focados na expansão horizontal. A vantagem de morar na cidade é a concentração urbana, da estrutura urbana, de serviços”.
Para o representante da ONU, a densidade demográfica reduz custos e impactos ambientais, além de estimular a criatividade e a cultura. Esses benefícios só podem ser sentidos se houver uma boa administração e planejamento urbano.
“Não precisamos de mais terras para uma cidade crescer. Ela pode crescer para cima, por exemplo”, disse. Ele citou também como alternativa o reaproveitamento das zonas centrais subaproveitadas, que já têm infraestrutura e equipamentos prontos.
Se em 1950 havia 320 cidades com pelo menos 20 mil habitantes, meio século depois o número passou para 2 mil. As metrópoles (com mais de 5 milhões de habitantes), que não existiam na América Latina e no Caribe em 1950, hoje somam oito na região: Cidade do México, São Paulo, Buenos Aires, Rio de Janeiro, Lima, Bogotá, Santiago e Belo Horizonte.
As cidades com maior densidade populacional são as que estão crescendo menos em termos populacionais desde a década de 1980 e, ao mesmo tempo, perdendo vantagens competitivas. Já as cidades com menos de 1 milhão de habitantes são as que mais têm crescido, mas também indicam movimento de queda.
O estudo mostra que a especulação imobiliária é um problema comum na maior parte dos países estudados e contribui para a expansão das periferias, do número de rodovias e centros comercias, além de condomínios fechados. Esse tipo de crescimento também estimula o uso de transportes individuais em detrimento da criação de um tecido urbano interconectado. As consequências são congestionamento, poluição e periferias que crescem desordenadamente, sem infraestrutura e sem meios de transporte adequados.
“Com isso, há aumento do preço do transporte, da energia, a degradação do meio ambiente, de dinheiro público que deveria estar sendo investido de outras formas, entre outros problemas”, citou Vittrup.
A pesquisa mostra ainda que o número de veículos individuais duplicou nos últimos dez anos, sem planejamento a longo prazo para lidar com os desafios da mobilidade urbana. O relatório elogia as iniciativas de alguns governos de resgatar as zonas centrais, criar ciclovias, mas lamenta que essas não sejam uma tendência.

Flávia Villela/Repórter da Agência Brasil
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