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Tribunais de contas reagem a decisão que afeta Ficha Limpa

 

ficha limpaA decisão do STF (Supremo Tribunal Federal) de que apenas as Câmaras Municipais têm competência para julgar contas de prefeitos provocou reação dos tribunais de contas, que, em muitos casos, dividiam essa função com o Legislativo.

O novo entendimento afeta diretamente a aplicação da Lei da Ficha Limpa, que determina a inelegibilidade, por oito anos, de candidatos que tiveram suas contas rejeitadas devido a alguma irregularidade irreparável que possa ser enquadrada como ato de improbidade administrativa intencional.

Para o ex-juiz Márlon Reis, um dos criadores da lei, o julgamento da Câmara, que é político, vai acabar isentando os prefeitos que cometeram irregularidades nas contas públicas.

“É muito raro a Câmara rejeitar contas. Os vereadores estão submetidos aos prefeitos. Não analisam a questão técnica, a decisão depende se são oposição ou situação”, afirma à Folha.

“A decisão do Supremo libera aqueles que praticaram corrupção nas prefeituras e foram descobertos pelos tribunais de contas”, completa.

Marilda de Paula Silveira, doutora em direito público pela UFMG, discorda. “Não existe a fuga de inelegibilidade porque as contas não deixam de ser julgadas. Reconhece-se a validade de julgamento de um órgão diferente”, afirma.

O tribunal de contas, de qualquer maneira, é responsável por elaborar um parecer que orienta a Câmara.

Caso o parecer seja pela rejeição das contas, é preciso o voto de dois terços dos vereadores para derrubá-lo e reverter a decisão.

Silveira diz que não é possível fazer um juízo de valor sobre quem julga melhor, os tribunais ou o Legislativo.

“É uma questão de aplicação constitucional. A Constituição fez essa escolha de atribuir o julgamento político às contas de prefeito.”

EFEITO NAS ELEIÇÕES

Estudo realizado pela Faculdade de Direito da USP mostra que, nas eleições de 2012, a reprovação de contas foi o motivo que mais gerou inelegibilidade pelas regras da Ficha Limpa —149 casos entre 323 inelegibilidades reconhecidas pela Justiça Eleitoral no Estado de São Paulo.

De acordo com dados da Associação dos Membros dos Tribunais de Contas do Brasil (Atricon), cerca de 6.000 prefeitos e ex-prefeitos que tiveram suas contas rejeitadas pelos tribunais poderão escapar da inelegibilidade na eleição deste ano.

Isso porque, para esses gestores, a decisão de reprovar as contas veio dos tribunais e não da Casa Legislativa.

Mesmo sem a mudança, nem todos esses prefeitos e ex-prefeitos ficariam de fato inelegíveis –caberia à Justiça Eleitoral analisar em quais casos as contas foram rejeitadas por uma irregularidade grave.

Ainda segundo a Atricon, esses gestores respondem por ações de ressarcimento na ordem de R$ 3,5 bilhões.

“Se o Supremo diz que o tribunal não julga as contas, nosso entendimento é de que também não pode aplicar multas ou ressarcimentos. Ou seja, esse valor será perdoado”, diz Valdecir Pascoal, presidente da Atricon.

Para Silveira, o impacto da decisão do STF sobre a aplicação de penalidades pelos tribunais de contas ainda não foi esclarecido. É possível que, mesmo a Câmara tendo a palavra final, os prefeitos continuem submetidos a multas dos tribunais.

REAÇÃO

A Atricon e o MCCE (Movimento de Combate à Corrupção Eleitoral), de Reis, pretendem sensibilizar a população e os ministros do STF para tentar reverter a decisão –o que é improvável.

“Nem que seja um voto. A gente perdeu por um voto. A imunização dos prefeitos é um grande retrocesso”, afirma Pascoal.

“Tentaremos demonstrar ao STF que essa decisão fere o espírito da Lei da Ficha Limpa. Há suporte constitucional mais do que suficiente para se manter a lei tal como ela é”, afirma Reis.

Nesta semana, no julgamento de recursos do caso, o ministro Gilmar Mendeschegou a criticar a lei, dizendo que “foi feita por bêbados”. O colega Luís Roberto Barroso discordou: “Acho que a lei é boa, importante e sóbria”. O presidente da OAB, Claudio Lamachia, criticou a declaração de Mendes.

Na segunda (22), as entidades têm reunião com o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, para discutir medidas contra a determinação do Supremo.

Folha

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Síndrome do Pensamento Acelerado afeta quem trabalha muito e pode trazer sérios problemas

Reprodução/ TV Correio HD
Reprodução/ TV Correio HD

Paraibanos extremamente ativos na jornada diária já aparecem entre os que sofrem com a Síndrome do Pensamento Acelerado, um sintoma do Transtorno de Ansiedade, que pode comprometer a qualidade de vida.

Kéka é publicitária e relata que sofre do problema, inclusive com dificuldades para se desligar do trabalho, dormir ou aproveitar momentos de folga.

Ela fala que precisa da ajuda de aplicativos para ter sono e que, quando acha espaço, tira cinco minutos de pausa das atividades.

Especialistas afirmam que o problema é um dos males modernos e que precisa do diagnóstico de profissionais.

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portalcorreio

Depressão é a doença que mais afeta a qualidade de vida do brasileiro

depressãoVocê sabia que a depressão é a doença que mais afeta a qualidade de vida do brasileiro? Ela atrapalha o trabalho, os relacionamentos pessoais e até os cuidados com a saúde. Algumas doenças podem provocar e agravar a depressão. Mas a boa notícia é que 70% dos casos têm cura e os remédios estão cada vez mais avançados. Como diferenciar a depressão de tristeza e desânimo? O Bem Estar desta sexta-feira (27) falou sobre isso. Participaram do programa o consultor e psiquiatra Daniel Barros e a psicóloga Ana Merzel.

Enquanto na tristeza há relação do estado mental com algo que aconteceu, na depressão a tristeza é difusa, não tem causa específica e está presente em diferentes situações e momentos da vida do doente. Mas a doença tem cura. Medicamentos, psicoterapia e atividade física fazem parte do tratamento.

Os antidepressivos, como todos os remédios, têm um lado ruim. Em algumas pessoas podem reduzir a libido. Em casos graves de depressão, podem inicialmente aumentar o risco de suicídio. Nesses casos, é necessária a supervisão cuidadosa. Os remédios são uma boia para ajudar a pessoa a não afundar, mas também é preciso acompanhamento médico e muito exercício.  A escolha do psicólogo é muito importante. O paciente precisa se sentir confortável com o profissional.

Quem cuida do depressivo precisa ser compreensivo. A doença não depende só da força de vontade para ser combatida, mas do tratamento de alterações no funcionamento do cérebro.

Doenças interligadas
As doenças do coração podem provocar e até agravar a depressão. A depressão também pode agravar uma cardiopatia. Cerca de 30% dos pacientes operados do coração ficam deprimidos. De acordo com a médica Bellkiss Romano, do Incor, a depressão acontece porque as pessoas veem o coração como a máquina da vida.

Pensar que o coração está doente é imaginar que a vida está em risco. “O paciente entra num círculo vicioso. A depressão que agrava a patologia, a patologia vai fazer com que você se sinta menos potente, vai agravar a depressão. E você não quebra o ciclo.”

G1

 

Falta de preservativos na Venezuela afeta programas de prevenção à aids

camisinhasA escassez de preservativos afeta os programas de prevenção à aids na Venezuela e poderá comprometer as Metas do Milênio de combate à epidemia e à gravidez precoce, alertou hoje (6) o presidente da organização não governamental StopVIH, Jonhatan Rodríguez.

“Sem um preservativo, não podemos fazer nada. A Venezuela apresentou o terceiro maior índice de infeções de HIV por habitante da América do Sul, segundo dados da Organização das Nações Unidas em relatório correspondente a 2013. O país também tem uma das mais altas taxas de gravidez em adolescentes do continente”, disse.

De acordo com Jonhatan Rodríguez, a falta de preservativos afeta as campanhas oficiais e privadas de prevenção ao contágio da doença, porque impedem que seja colocada em prática uma das recomendações mais importantes, a prevenção.

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Para ajudar jovens a saber mais sobre o vírus da aids e prevenir novas infeções, a StopVIH trabalha na elaboração de um aplicativo para smartphones, que estará disponível em breve e gratuitamente para os sistemas Android, RIM (Blackberry) e Windows.

“O aplicativo permitirá que nossa contribuição à sociedade continue crescendo”, informou Rodríguez. Ele acrescentou que o aplicativo é desenvolvido pela própria ONG, com ajuda de profissionais de informática.

Os preservativos desapareceram das prateleiras de farmácias e demais estabelecimentos comerciais do país desde o fim de 2014. A principal queixa das empresas é a dificuldade de acesso a dólares para procedimentos de importação.

O problema é consequência do sistema de controle cambial em vigor, que impede a livre compra de moeda estrangeira no país, sendo necessário recorrer ao Estado para obter as autorizações.

Diante da situação, a StopVIH apelou ao Ministério de Saúde venezuelano para agilizar os procedimentos, de modo que as empresas consigam importar preservativos e “abastecer urgentemente as farmácias e os programas de prevenção de infeções por transmissão sexual”.

Na Venezuela, é cada vez mais difícil conseguir produtos essenciais como alguns medicamentos, leite, óleo, café, açúcar, margarina, papel higiênico ou outros produtos básicos de higiene. Diariamente, os supermercados registram filas de clientes à procura de produtos, que, muitas vezes, são levados antes de chegar às prateleiras.

Alguns cidadãos recorrem frequentemente a aplicativos de smartphones para saber aonde chegam produtos escassos e para avisar amigos de sua existência em determinado local. Para consegui-los, os venezuelanos perdem horas em filas de diferentes estabelecimentos comerciais.

 

Agência Lusa 

 

 

Chuva mata 9 no Paraná e afeta 55.659 pessoas no Estado

As fortes chuvas que atingem o estado do Paraná desde a madrugada de sábado já mataram nove pessoas e obrigaram outras 9.966 a abandonar suas casas, de acordo com informações divulgadas nesta segunda-feira pela Defesa Civil do Estado. Pelo menos 7.530 moradores do Estado estão desalojados e 2.436, desabrigados. Na manhã desta segunda, subiu para 86 o número de cidades afetadas. Uma criança está desaparecida na região dos Campos Gerais. No total, 55.659 pessoas foram atingidas e o maior número se concentra na capital, com 15.213 pessoas e 3.509 casas afetadas.

No início da noite deste domingo, o governador Beto Richa reuniu-se com a coordenação da Defesa Civil e a expectativa é que ainda nesta segunda possa ser anunciada a liberação emergencial de 840.000 reais do governo federal para auxiliar as vítimas e as operações de resgate. As mortes aconteceram em diferentes pontos do Estado: três em Guarapuava, uma mulher e o filho de nove meses em Medianeira, uma em Sulina, uma em Laranjeiras do Sul, uma em Campina do Simão e outra em Curitiba, todas no sábado.

Divulgação: Agência Estadual de Notícias do Paraná

 

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Município de Guarapuava está em situação de emergência por causa dos alagamentos

Entre as emergências, a Defesa Civil está coordenando três operações com aeronaves no Distrito de São Roque, em Marechal Cândido Rondon, onde 12 famílias estão ilhadas e não podem cruzar a área alagada, pois a água sobe de forma rápida. Além delas, outras pessoas estavam ilhadas em Cruz Machado e em São João do Triunfo.

Na capital, os bairros mais atingidos foram o Uberaba, Cajuru, Boqueirão, Tatuquara, Santa Felicidade e dez vilas da Cidade Industrial de Curitiba. Os municípios de Campo Largo, Cascavel, Cruz Machado, Mallet, Nova Laranjeiras, Pinhão, Reserva do Iguaçu e São Matheus do Sul que estavam sendo poupados pelas chuvas passaram a integrar a lista de cidades afetadas fortemente. Já o prefeito de Curitiba, Gustavo Fruet determinou no final de sábado, um estado de alerta na capital por causa da cheia dos rios Barigui e Belém, além do Rio São Lourenço.

Santa Catarina – A região norte do Estado também foi prejudicada pelos temporais no final de semana. Nesta segunda, a chuva cessou e o nível dos rios começou a descer, mas os municípios da região ainda sofrem com os prejuízos. A última contagem da Defesa Civil Estadual é de 22 cidades prejudicadas com alagamentos e deslizamentos, que obrigaram 16.000 pessoas a saírem de casa. Ao todo, 450 pessoas perderam suas moradias.

A cidade de Guaramirim foi a mais prejudicada: 15.000 pessoas ficaram desalojadas. Na noite de domingo, o prefeito decretou estado de calamidade pública. Nesta segunda, as aulas da rede estadual estão suspensas em 10 cidades da região. As escolas estão sendo utilizadas como abrigo às famílias que tiveram que sair de casa.

Veja (Com Estadão Conteúdo)

Exclusão escolar no Brasil afeta mais negros e pobres

A baixa escolaridade dos pais e o racismo também são barreiras Robertus Pudyanto/Getty Images News
A baixa escolaridade dos pais e o racismo também são barreiras
Robertus Pudyanto/Getty Images News

Meninas e meninos negros e pobres são os mais afetados pela exclusão escolar no Brasil. A conclusão tem base no relatório “O Enfrentamento da Exclusão Escolar no Brasil”, elaborado pelo  Unicef  (Fundo das Nações Unidas para a Infância), em parceria com a Campanha Nacional pelo Direito à Educação.

De acordo com o relatório, a baixa escolaridade dos pais e o racismo também são barreiras que se destacam quando se fala do direito das crianças e jovens à educação.

Atraso escolar diminui desde 2006 e chega a 29,5%

 

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O material aponta ainda que o ensino infantil e o ensino médio são períodos estratégicos para trazer as crianças e os jovens para o ambiente escolar.

Destaca-se que 1,7 milhões dos jovens que estão fora da escola hoje têm entre 15 e 17 anos, idade em que se deve frequentar o ensino médio. O número representa 44,8% do total excluídos da educação no País durante a juventude.

O relatório foi apresentado na última semana, durante o 6º Fórum Nacional Extraordinário dos Dirigentes Municipais de Educação, realizado em Florianópolis (RS), pela Unidime (União Nacional dos Dirigentes Municipais Brasileiros).

 

R7

Falta de médicos afeta o interior

HospitalSe o acesso à saúde pública ainda é um dos maiores problemas enfrentados pela população no país, nos interiores e periferias a situação é mais dramática. Além da falta de hospitais e de unidades de saúde, locais mais afastados dos grandes centros em geral sofrem com outra dificuldade, a falta de médicos. O assunto voltou aos noticiários recentemente, depois de o governo federal anunciar sua intenção de trazer profissionais estrangeiros para trabalhar em áreas que carecem de mão de obra.

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Enquanto a iniciativa suscita discordâncias e críticas de entidades médicas contrárias à “importação” dos trabalhadores nos moldes propostos pelo Executivo, quem vive nos interiores tem de lidar com a ausência de profissionais.

Dados do Ministério da Saúde divulgados em junho mostram que, neste ano, 55% dos municípios brasileiros que solicitaram médicos junto ao Programa de Valorização da Atenção Básica (Provab) não conseguiram sequer um profissional.

Faltam médicos

A falta de médicos no interior, para o governo federal, é reflexo do número insuficiente de profissionais no Brasil. De acordo com o Ministério da Saúde, o país tem apenas 1,8 médico para cada mil brasileiros, índice abaixo do registrado em países latino-americanos como Cuba (6,39), Argentina (3,2) e México (2). Números do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) também apontam uma carência de profissionais. De acordo com o Caged, nos últimos dez anos, surgiram 147 mil vagas formais neste mercado contra 93 mil profissionais formados – um déficit de 54 mil médicos.

O presidente da Associação Brasileira de Municípios (ABM), Eduardo Tadeu Pereira, reclama da falta de profissionais. Segundo ele, é comum que as prefeituras ofereçam salários muito além de suas possibilidades financeiras para atrair profissionais e, mesmo assim, as vagas continuam em aberto.

“Temos exemplos de cidades que pagam até R$ 30 mil por mês para um médico e, mesmo assim, não conseguem contratar”, relata.

Para o deputado Humberto Costa (PTPE), médico e ex-ministro da Saúde no governo Lula, a falta de médicos é uma realidade, causada em grande medida pelo corporativismo da categoria, que se mobilizou para restringir a formação de novos profissionais.

“Hoje a dificuldade é essa: se você se forma e no outro dia tem um salário à disposição de R$ 15 ou 20 mil onde mora, por que vai para o interior?”, exemplifica.

Precariedade

O Conselho Federal de Medicina (CFM), porém, defende que não há falta de profissionais, e sim uma má distribuição. O corregedor da entidade, José Fernando Maria Vinagre, lembra que a maioria dos profissionais está concentrada nas capitais, especialmente nas regiões Sul e Sudeste. A falta de profissionais no interior, para ele, é resultado da precariedade das condições de trabalho impostas aos médicos. Além da falta de garantias trabalhistas,Vinagre afirma que muitas prefeituras não têm cumprido o que foi acordado antes da contratação dos profissionais.

“O que estamos vendo na prática é que se oferece um salário alto, no primeiro mês se paga e aí começa a não pagar, atrasar ou a reduzir os salários inicialmente prometidos”, afirma.

A falta de infraestrutura é outro ponto. Segundo o corregedor do CFM, os médicos não se sentem atraídos para locais onde não conseguirão desenvolver as suas atividades de forma satisfatória.

“Não adianta só colocar ele [médico] lá e não ter recursos de laboratório para exames básicos ou um [aparelho de] Raio-X”, ilustra.

Para a médica e presidenta do Centro Brasileiro de Estudos da Saúde (Cebes), Ana Maria Costa, o principal problema é a falta de políticas públicas que consigam fixar o profissional no interior. Ela destaca que a Constituição Federal e a Lei Orgânica da Saúde determinam a construção de um plano de cargos e salários para estimular a presença de médicos no interior, mas tais medidas nunca se concretizaram.

A consequência disso, segundo ela, foi a criação de uma disputa entre as prefeituras do interior pela contratação dos profissionais. “Um prefeito paga casa, comida e R$ 20 mil. O município vizinho dá casa, comida, outros benefícios e paga R$ 22 mil. Isso cria uma competição perversa entre os municípios, e o médico não se fixa”, explica.

A fixação dos médicos no interior é necessária, segundo a médica, não apenas para garantir acesso universal, mas para que as políticas de atenção básica sejam plenamente executadas.

“A base da atenção básica é exatamente a ideia de que uma equipe de saúde tenha um vínculo profundo com a população e, para isso, é preciso de profissionais fixos naquele território”, afirma. 

Soluções

Para dar uma solução ao caso, o governo federal tem apostado em diversas iniciativas, como o Programa de Valorização da Atenção Básica, que paga uma bolsa mensal de R$ 8 mil a médicos recém- formados, além de  outros benefícios. Outra iniciativa anunciada é a criação de mais vagas em cursos de medicina e a abertura de escolas médicas no interior e nas periferias das grandes cidades.

Para o presidente da Associação Brasileira de Municípios (ABM), todas as soluções apresentadas pelo governo são bem-vindas. No entanto, Eduardo Tadeu Pereira destaca que a gravidade da situação não permite esperar soluções de médio prazo. Por isso, ele defende a vinda de médicos estrangeiros para atuarem em áreas hoje desassistidas.

“A população e as prefeituras não podem esperar. Então, em curtíssimo prazo, o governo tem que tomar uma atitude, que é chamar médicos internacionais”, afirma.

O deputado Cristovam Buarque (PDTDF) também aprova a ideia. “Sou totalmente favorável [à vinda de médicos estrangeiros]. Não temos que sacrificar a população pela ideia de que o médico tem que ser brasileiro”, avalia. 

Oposição

A medida, porém, vem enfrentando resistência de entidades médicas. Em diversas manifestações, o Conselho Federal de Medicina tem alertado sobre os “riscos” da vinda de profissionais estrangeiros, que poderiam comprometer a qualidade da saúde no país.

De acordo com o corregedor do Conselho, José Fernando Maria Vinagre, a entidade não é contrária à vinda dos profissionais, mas exige que eles se submetam ao Revalida, exame pelo qual têm de passar médicos formados no exterior para ter seu diploma reconhecido pelas leis brasileiras.

“Não concordamos que o médico venha e tenha seu título reconhecido de outra forma que não seja a criada pelo próprio governo, que é o Revalida”, esclarece.

Para a presidenta do Centro Brasileiro de Estudos da Saúde, a vinda dos médicos pode trazer resultados, mas apenas paliativos.

“Do ponto de vista político, nós precisamos avançar concretamente e criar soluções definitivas para a interiorização dos médicos no Brasil. [A vinda dos médicos estrangeiros] Resolve emergencialmente, mas não  resolve a questão do acesso em definitivo”, afirma.

A principal proposta do Conselho Federal de Medicina nesse sentido é o Programa de Interiorização do Médico Brasileiro. A iniciativa prevê a criação de uma carreira de Estado para médicos, enfermeiros e outros profissionais da área da saúde que atuam hoje no Sistema Único de Saúde (SUS). Segundo o corregedor  do CFM, o texto já foi enviado para análise à Presidência da República e ao Ministério da Saúde.

Foto: Elza Fiúza/ABr

Brasil de Fato

Mapa mostra como a injustiça ambiental afeta a saúde coletiva no país

Hoje há, pelo menos, 343 conflitos ambientais no Brasil com impacto na saúde coletiva. As populações mais atingidas são indígenas (33,67%), agricultores familiares (31,99%) e quilombolas (21,55%), em regiões rurais (60,85%), urbanas (30,99%) e em áreas com características não definidas (8,17%). Esses são alguns dos dados apresentados pelo Mapa da Injustiça Ambiental e Saúde no Brasil, elaborado pela Fiocruz e pela ONG Fase. Misto de espaço para denúncias e instrumento de monitoramento, o projeto sistematiza e traz a público – por meio de seu site – informações sobre casos de injustiça ambiental em todo o Brasil.

O mapa enfoca a relação entre essas injustiças ambientais e os problemas de saúde, adotando uma concepção ampliada de saúde. Ou seja: considera não apenas sua dimensão biomédica, mas questões relacionadas aos conflitos, à qualidade de vida, cultura, tradições e violência. Segundo o coordenador geral do projeto, o pesquisador da Escola Nacional de Saúde Pública (Ensp/Fiocruz) Marcelo Firpo, a questão essencial é o combate ao atual modelo de desenvolvimento que despreza os direitos humanos em favor de um produtivismo exacerbado. “Nenhum crescimento econômico deveria justificar assassinatos, qualquer tipo de violência ou a perda da qualidade de vida das populações, atingidas em seus territórios. Mas não é isso o que acontece”, critica. Além de Firpo, o mapa conta com a coordenadoria executiva de Tania Pacheco e outros pesquisadores que avaliam, sistematizam e revisam as informações antes de disponibilizá-las no site.

Selecionando conflitos sistematicamente denunciados pelas próprias populações, por movimentos sociais e pela Rede Brasileira de Justiça Ambiental desde o início de 2006, o mapa revela que a principal resultante do impacto ambiental sofrido pelas populações é a piora em sua qualidade de vida (79,8%). O segundo grave problema das comunidades é a violência, nas formas de ameaça (37,71%), coação física (15,82%), lesão corporal (12,12%) e assassinato (10,10%). Outros problemas de saúde também impactados significativamente em situações de injustiça ambiental são doenças não transmissíveis (40,07%) e insegurança alimentar (30,98%).

Violência e insalubridade

Firpo ressalta que os números da violência são essenciais na análise da interface entre saúde, ambiente, direitos humanos e democracia, demonstrando o quanto as populações que lutam por seu modo de vida e contra os interesses econômicos são atacadas. Quanto às doenças não transmissíveis, ele resgata o conceito de zonas de sacrifício ou infernais – do sociólogo americano Robert Bullard – e resume: “Por exemplo, pessoas passam a habitar áreas poluídas e sem a mínima infraestrutura próximas aos grandes empreendimentos, fábricas poluentes ou lixões em busca de empregos e sobrevivência, e acabam sofrendo pelo agravamento de doenças como câncer e problemas respiratórios.”

Em relação à insegurança alimentar, a questão é diretamente ligada à degradação ambiental e às transformações nos modos de vida locais. “As monoculturas de eucalipto, por exemplo, geram problemas de acesso à água e isso afeta outras culturas agrárias. No caso de populações tradicionais, como indígenas e quilombolas, a ruptura nos modos de vida não é apenas material, mas também simbólica”, exemplifica.

O projeto teve apoio inicial do Departamento de Saúde Ambiental e Saúde do Trabalhador do Ministério da Saúde e deverá continuar a ser apoiado, a partir do final deste ano, pela Secretaria de Gestão Estratégica e Participativa. Visite o site do Mapa e conheça detalhes sobre os conflitos ambientais no Brasil e seus impactos sobre a saúde coletiva.

revistaforum

Câncer de próstata afeta dois paraibanos por dia

Dois paraibanos iniciam, por dia, o tratamento contra o câncer de próstata no Hospital Napoleão Laureano, em João Pessoa. A estimativa é da instituição de saúde, que é referência nesse tipo de atendimento no Estado. Atualmente, são 600 pacientes com essa patologia, que fazem sessões de quimioterapia no hospital e a previsão é que esse número aumente em 10% a cada mês.

Se esse crescimento perdurar até o final deste ano, a Paraíba vai atingir a estimativa feita pelo Instituto Nacional do Câncer (Inca), que previu que o Estado terá 940 novos casos de câncer de próstata até dezembro de 2012.

Os especialistas alertam que a incidência será maior em homens com mais de 40 anos, que possuem alimentação rica em gordura e ingerem cafeína em excesso. Segundo o presidente da Sociedade Brasileira de Urologia, seção Paraíba, Everson Medeiros, a resistência em fazer os exames preventivos ainda é apontada como a principal causa do aumento da incidência da doença.

Ele explica que o homem, ao completar 40 anos, deve realizar o chamado exame de toque retal uma vez por ano. O especialista alerta que o procedimento é importante porque é capaz de detectar o início do desenvolvimento do tumor.

“Em estágio inicial, o câncer de próstata não apresenta sintomas, o que permite que a patologia fique despercebida durante muito tempo. Os primeiros sintomas só aparecem quando o câncer já está em estágio avançado”, detalhou.

Na Paraíba, outro motivo que favorece o aparecimento dos casos é a escassez da assistência de saúde. O único hospital de referência no tratamento da doença é o Napoleão Laureano, que funciona em João Pessoa. Pacientes de outras cidades precisam se deslocar até a capital para encontrar auxílio. Foi o que aconteceu com o pai da dona de casa Bernadete Lourdes da Silva.

A mulher estava ontem pela manhã no hospital, em busca de medicamentos para o pai, diagnosticado com câncer de próstata. Os dois moram no município de Ouro Velho, localizado na microrregião do Cariri Ocidental, a 329 quilômetros de João Pessoa. Apesar da distância, precisam enfrentar seis horas de viagens para realizar exames no Napoleão Laureano.

“Meu pai tem 82 anos e descobriu há pouco tempo que está com essa doença. A gente nunca desconfiou de nada, porque ele sempre pareceu ter muita doença. Foi um ‘baque’ para todos nós.

Graças a Deus, ele já está sendo medicado”, declarou.

Em estágio avançado, a doença causa dificuldade de urinar, dores nos ossos e perda de peso sem motivo aparente. “Quando o paciente chega com esses problemas no consultório, recomendamos que ele faça alguns exames que ajudam a descobrir se aquilo se trata de um câncer”, explica Everson Medeiros.

Entre as análises feitas, estão aquelas que detectam doenças sexualmente transmissíveis, a ultrassonografia e tomografia da próstata. “A predisposição genética é um dos fatores de incidência da doença. Por isso, os homens que tiveram pais ou avós com câncer de próstata, devem redobrar os cuidados, porque possuem mais chances de também desenvolver a doença”, advertiu o urologista.

Segundo o oncologista e diretor geral do Hospital Napoleão Laureano, João Simões, o tratamento é longo, desgastante e dura, em média, um ano. Em alguns casos, o paciente precisa se submeter a sessões de quimioterapia, que provoca diversos efeitos colaterais.

A boa notícia, no entanto, é que, se descoberto no início, a doença é totalmente curável.


FONTE: JP Online