Arquivo da tag: acessibilidade

Maioria das escolas públicas não tem acessibilidade nem rede de esgoto

Vista Alegre do Alto (SP) é exceção no país: todas as escolas públicas têm acessibilidade, esgoto encanado, quadra, biblioteca e internet (Foto: Igor Savenhado/G1)
Vista Alegre do Alto (SP) é exceção no país: todas
as escolas públicas têm acessibilidade, esgoto
encanado, quadra, biblioteca e internet (Foto:
Igor Savenhado/G1)

Escolas sem acessibilidade, sem rede de esgoto, sem quadra de esportes e biblioteca, sem laboratórios de ciências e informática. Essa é a realidade de mais da metade dos colégios públicos do país, segundo dados do Censo Escolar 2013, realizado pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep).

Levantamento feito a pedido do G1 pela Fundação Lemann e pela Meritt, responsáveis pelo portal QEdu, mostra a desproporção entre as escolas públicas e privadas no que diz respeito à infraestrutura no Brasil. Na metade dos colégios públicos, por exemplo, não há acesso à internet. Já na rede particular, o número de escolas com computadores conectados chega a quase 90% (veja na página especial a comparação por cidade).

Os dados mostram que só 36% das escolas públicas têm esgoto encanado hoje – mais da metade delas contam apenas com uma fossa –, e 7% das instituições mantidas pelos governos não têm nenhum tipo de estrutura para lidar com os resíduos sólidos. Trata-se de uma enorme diferença em relação às particulares. Na rede privada, só 17% das escolas não contam com o serviço de esgoto encanado.

CURTA o FOCANDO A NOTÍCIA no Facebook

Para a secretária de Educação Básica do Ministério da Educação (MEC), Maria Beatriz Luce, os números do Censo expõem vários desafios no setor. “Os dados revelam claramente o contexto histórico-social do direito à educação e das responsabilidades e instrumentos da ação pública no setor. Mas eles não dizem respeito somente à educação, eles revelam as estruturas das desigualdades sociais no nosso país. Se há escolas que não têm esgoto nem internet, é provável que as residências no seu entorno também não tenham. Então é preciso tratar de uma política de desenvolvimento social por inteiro”, afirma.

Ernesto Martins Faria, coordenador de projetos da Fundação Lemann, diz que é preciso levar em conta que o contexto em que as redes privada e pública estão inseridas é completamente diferente. “A escola pública precisa atender crianças e jovens independentemente da região em que moram e das condições de sua localização, enquanto a escola privada existe quando há um interesse de um ofertante que vê uma demanda disposta a investir uma quantia financeira no ensino de seus filhos. Não por acaso são poucas as escolas privadas na rede rural”, diz.

A partir dos estudos na biblioteca, alunos do Ensino Médio decidiram formar um grupo de teatro (Foto: Igor Savenhado/G1)Vista Alegre do Alto (SP) é exceção no país: todas
as escolas públicas têm acessibilidade, esgoto
encanado, quadra, biblioteca e internet (Foto:
Igor Savenhado/G1)

Para ele, não é a defasagem em comparação com a rede privada que mostra a necessidade de a infraestrutura do ensino público melhorar. “A infraestrutura da rede pública precisa melhorar, pois boas condições para a aprendizagem são direitos dos alunos.”

Deficiências
Uma análise feita pelo G1 nos principais quesitos mostra, entretanto, que as deficiências não têm sido supridas ao longo dos anos. De 2010 a 2013, o percentual de escolas públicas com bibliotecas foi de 27% para 29%. Já a porcentagem de colégios com rede de esgoto subiu de 33% para 36% apenas.

Para Daniel Cara, coordenador da Campanha Nacional pelo Direito à Educação, há hoje dois desafios latentes: a aquisição de insumos infraestruturais e a manutenção deles. “No caso das escolas públicas, depende do orçamento público. Muitos estados e municípios não têm orçamento suficiente. Então é preciso apoio da União. Aliás, é isso o que diz a Constituição Federal e não é cumprido. Além disso, a União não pode se notabilizar por adquirir equipamentos e depois não colaborar com a manutenção dos mesmos. Não falo apenas deste governo, falo deste e de todos os anteriores”, diz.

Os dados revelam claramente o contexto histórico-social do direito à educação e das responsabilidades e instrumentos da ação pública no setor. Mas eles não dizem respeito somente à educação, eles revelam as estruturas das desigualdades sociais no nosso país”
Maria Beatriz Luce, secretária de Educação Básica do Ministério da Educação

Existem hoje no país 38.835 escolas privadas e 151.871 escolas públicas, totalizando 190.706 instituições de ensino básico.

Discrepâncias
O percentual de escolas com biblioteca nas duas redes de ensino é um exemplo da discrepante oferta de serviços. Só 29% das públicas contam com o espaço. Já na rede privada, 59% das instituições possuem um espaço com acervo de livros para consulta.

Maria Beatriz diz que o problema nas instituições públicas é a falta de uma sala específica para tal fim. “Livros chegam a todas as escolas. O que às vezes não há é um espaço próprio. Algumas escolas rurais contam com apenas um ambiente, então não há nem espaço físico para uma biblioteca. O que a gente tem tentado fazer é colocar uma biblioteca dentro das salas de aula, para o aluno poder pegar o livro a qualquer hora. Há outros projetos interessantes, de bibliotecas ambulantes, por exemplo.”

Em relação à acessibilidade, tanto as escolas públicas quanto as privadas ficam devendo. Apenas 19% das públicas e 31% das privadas oferecem aos deficientes acesso adequado às suas dependências.

A maior parte das variáveis diz se a escola tem ou não tem alguma coisa, mas não diz nada sobre a qualidade. Assim, pode ser ainda que essas escolas que possuem maior disponibilidade de recursos também possuam infraestrutura de melhor qualidade, o que aumenta ainda mais a desigualdade nas condições de ensino”
Renan Pieri, pesquisador da Fundação Getúlio Vargas

A secretária de Educação Básica ressalta que, apesar do índice baixo, houve um aumento de 61% em três anos no número de escolas acessíveis. “É algo fantástico, porque mostra uma conscientização da sociedade, que há uma política de inclusão escolar, levando às escolas crianças que antigamente eram isoladas do convívio com outras.”

Em relação à internet nas escolas públicas, Maria Beatriz diz que a meta é que todas contem com o serviço, mas que há barreiras a transpor antes disso. “Às vezes não há nem eletricidade, que é o caso de muitas escolas rurais. Então o Ministério da Educação está trabalhando em um projeto com o Ministério de Minas e Energia para dar prioridade de acesso de energia, à medida em que as redes vão avançando pelo campo, às escolas”, diz, citando que em alguns colégios na Amazônia há iniciativas de acesso à web por meio de placas solares.

Quantidade x qualidade
Segundo o pesquisador Renan Pieri, da Fundação Getúlio Vargas (FGV), as escolas só precisam preencher no formulário do Censo se possuem ou não um equipamento e, por isso, os dados não revelam em que estado se encontram essas infraestruturas. “A maior parte das variáveis diz se a escola tem ou não tem alguma coisa, mas não diz nada sobre a qualidade. Assim, pode ser ainda que essas escolas que possuem maior disponibilidade de recursos também possuam infraestrutura de melhor qualidade, o que aumenta ainda mais a desigualdade nas condições de ensino”, afirma.

Sala de computação da escola estadual conta com 25 computadores, todos com acesso à internet (Foto: Igor Savenhago/G1)Metade das instituições de ensino básico tem
acesso à internet; nas privadas, índice chega
quase a 90% (Foto: Igor Savenhago/G1)

Dentro do próprio universo da rede pública, é possível perceber diferenças significativas tanto na oferta como na qualidade. Só 2% das escolas municipais têm um laboratório de ciências, por exemplo, contra 29% das estaduais e 72% das federais.

“Essa diferença também se manifesta geograficamente, sendo que as escolas rurais possuem disponibilidade de infraestrutura muito inferior às urbanas. Tal relação se explica pelo fato de parte significativa das escolas rurais serem municipais. A disponibilidade de infraestrutura em uma escola estadual está bem mais próxima da privada do que a municipal”, diz Pieri.

Segundo Ernesto Faria, da Fundação Lemann, os dados de infraestrutura escolar ilustram “dois Brasis”: o Brasil urbano e o Brasil rural. “O rural está em condições muito piores, e é preciso olhar mais para ele. Muitas comunidades rurais estão em áreas de infraestrutura precária, e os dados de rede de esgoto e acesso à internet são reflexo dos problemas locais”, diz o economista.

Maria Beatriz concorda que é preciso refletir sobre os dados levando em consideração a localização e as mantenedoras dos colégios. Segundo ela, uma leitura por outro viés mostra ainda que a educação infantil, com creches em estado crítico, é a que precisa de mais infraestrutura.

Os dados de infraestrutura escolar ilustram ‘dois Brasis’: o Brasil urbano e o Brasil rural. O rural está em condições muito piores, e é preciso olhar mais para ele”
Ernesto Martins Faria, coordenador de projetos da Fundação Lemann

“O que a gente tem feito para auxiliar os municípios é dar a eles um projeto arquitetônico básico de uma escola, com todas as especificações, com uma quadra de esportes ou espaço para recreação, salas adequadas. A prefeitura tem que entrar apenas com a área já terraplanada. Até empresas já qualificadas a gente tem para atender as demandas das localidades, que têm dificuldade de fazer um processo de licitação”, afirma a secretária do MEC. Segundo ela, há hoje 6,7 mil escolas de educação infantil em construção.

De acordo com os números do Censo, as escolas públicas (inclusive as rurais) só superam as particulares em um item: alimentação. Segundo os dados, 100% das escolas municipais, estaduais e federais fornecem uma refeição aos estudantes (ante 29% das privadas). Isso acontece, no entanto, porque a merenda escolar na rede pública é obrigatória por lei.

Índice de infraestrutura
O pesquisador Renan Pieri defende a criação de um índice de infraestrutura escolar, além de um para analisar a formação dos professores. “A ideia é sintetizar todas essas informações do Censo (só no caso do indicador de infraestrutura são mais de 25 variáveis) em indicadores simples que qualifiquem a divulgação dos índices de qualidade da educação. Assim, quando saírem a ANA [Avaliação Nacional de Alfabetização] ou o Ideb [Índice de Desenvolvimento da Educação Básica] será possível entender quais fatores explicam algumas escolas terem melhor desempenho que outras e separar o que é devido a diferenças de infraestrutura ou qualificação dos docentes e o que é devido às boas práticas e ideias inovadoras que os gestores têm adotado”, diz.

Alunos da escola municipal têm ouvem histórias uma vez por semana, diz pedagoga (Foto: Igor Savenhado/G1)
Percentual de bibliotecas nas duas redes de
ensino é discrepante (Foto: Igor Savenhado/G1)

O Censo Escolar é realizado todos os anos e coleta, além de dados sobre a infraestrutura dos estabelecimentos, números de matrículas e estatísticas de abandono e de rendimento escolar. Neste ano, o Inep iniciou a coleta no último dia 28. Ela deve ser feita até o dia 15 de agosto.

Segundo o instituto, as informações são utilizadas para traçar um panorama nacional da educação básica e servem de referência para a formulação de políticas públicas e execução de programas na área da educação, incluindo os de transferência de recursos públicos.

“É necessária uma política de cooperação federativa para combater as desigualdades, aprimorar as condições e induzir um padrão nacional de qualidade nas escolas, não importando se ela é privada, municipal, estadual ou federal”, afirma Maria Beatriz Luce. “O quadro não é satisfatório. Há uma insuficiência da estrutura, que evidencia o baixo valor secular dado à educação. Mas o MEC tem trabalho cada vez mais, investindo também na gestão da educação, com a qualificação de diretores e a formação de professores”, conclui.

 

 

Thiago Reis e Ana Carolina Moreno

Abertas as inscrições para o 2º Prêmio Nacional de Acessibilidade na Web

InternetJá estão abertas as inscrições para o 2º Prêmio Nacional de Acessibilidade na Web. Qualquer um com mais de 18 anos, que possua projetos digitais voltados à inclusão de pessoas com deficiência, poderá participar. As inscrições são gratuitas e seguem até o dia 30 de setembro na página da premiação.

O objetivo é incentivar a criação de páginas acessíveis a pessoas com deficiência e dificuldade de navegação, além de homenagear e reconhecer boas práticas de acessibilidade. “Existem padrões e critérios que determinam se um sítio da web poderá ser compreendido por pessoas com deficiência. A nossa intenção é que esses critérios sejam adotados dentro e fora dos órgãos da administração pública”, salientou, a secretária de logística e tecnologia da informação do Ministério do Planejamento, Loreni Foresti.

CURTA o FOCANDO A NOTÍCIA no Facebook

Serão premiadas experiências em três categorias: Pessoas, Personalidades e Instituições; Projetos Web; e Aplicativos e Tecnologias Assistivas. A premiação máxima é de R$ 5 mil para os vencedores. O regulamento está disponível na página do prêmio.

O prêmio Todos@web é  uma parceria do Ministério do Planejamento, W3C Escritório Brasil,  Associação de Assistência à Criança Deficiente (AACD) e da Secretaria dos Direitos da Pessoa com Deficiência de São Paulo.

Sobre o Prêmio

 

O objetivo é promover nacionalmente a acessibilidade na web, de forma a conscientizar desenvolvedores e homenagear ações em prol do acesso de pessoas com deficiências na web.

 

Inclusão

Estima-se que 14,5% dos brasileiros tenham alguma deficiência física ou mental. Para que consigam viver com autonomia, como o restante da população, é preciso derrubar um conjunto de barreiras.

As novas políticas de inclusão vêm para promover mudanças integradas. Estão na pauta ações de prevenção e eliminação de toda forma de discriminação, exploração, violência e abuso contra a pessoa com deficiência, além de incentivos ao respeito pela autonomia e a equiparação de oportunidades.

Para saber mais acesse

 

Fonte:

Ministério do Planejamento

Pessoas com deficiência podem financiar mais produtos e serviços de acessibilidade

A relação de bens e serviços de acessibilidade que podem ser financiados por linha de crédito específica passou de 30 para 250 itens

Saltou de 30 para 250 o número de produtos de tecnologia assistiva possíveis de serem financiados com juros subsidiados. Os itens poderão ser adquiridos por meio de linha de crédito do Banco do Brasil e o texto da  portaria interministerial publicada sobre o assunto também define o limite de renda mensal (dez salários mínimos) para se ter acesso aos recursos.

O BB Crédito Acessibilidade conta com taxa de juros de 0,57% ao mês para quem recebe até cinco salários mínimos, ou 0,64% para quem recebe de seis a dez salários mínimos mensais. Para compra do bem ou serviço o financiamento pode ser de até 100% do valor, com limite máximo de até R$ 30 mil por pessoa e prestações debitadas diretamente na conta corrente. O prazo para quitação é de quatro a 60 meses e a primeira prestação pode ser paga em até 59 dias.

Podem contratar o financiamento clientes pessoas físicas, correntistas do banco, que possuírem limite de crédito disponível e renda mensal bruta de até dez salários mínimos por mês. A modalidade de financiamento pode ser utilizada tanto para uso próprio quanto para o uso de terceiros. Entre os produtos e serviços que podem ser adquiridos por meio da linha de crédito estão cadeiras de rodas, impressoras em Braille, andadores, mobiliário acessível e adaptações de veículos. Até o último dia 13 de abril, o BB já havia emprestado R$ 1,5 milhão para a compra de bens e serviços que facilitam a vida das pessoas com deficiência.

Viver sem Limite

O Plano Nacional dos Direitos da Pessoa com Deficiência – Viver sem Limite foi lançado pelo governo federal em novembro do ano passado com o objetivo de promover a cidadania, a autonomia e o fortalecimento da participação da pessoa com deficiência na sociedade, eliminando barreiras e permitindo o acesso aos bens e serviços disponíveis a toda a população. Desde então, o País tem promovido diversas ações estratégicas em educação, saúde, inclusão social e acessibilidade. Entre estas ações, está a criação da linha BB Crédito Acessibilidade em fevereiro deste ano.

Saiba mais sobre o Plano Viver sem Limite

Tecnologia assistiva

Finep Linha de crédito permitirá financiamento de mais itens de acessibilidade e tecnologia assistiva

  • Linha de crédito permitirá financiamento de mais itens de acessibilidade e tecnologia assistiva

O Viver sem Limite também irá investir em pesquisa e desenvolvimento de produtos de tecnologia assistiva no País. Para isso, foi inaugurado em julho deste ano o Centro Nacional de Referência em Tecnologia Assistiva (CNRTA), nas instalações do Centro de Tecnologia da Informação (CTI) Renato Archer, em Campinas, São Paulo. Vinte e nove núcleos interdisciplinares de inovação em tecnologia assistiva já foram habilitados para compor a rede orientada pelo CNRTA.

Esta rede realizará as pesquisas para o desenvolvimento de tecnologias que resultem em produtos a serem incorporados ao cotidiano das pessoas com deficiência e também financiar projetos cooperativos entre empresas brasileiras para o desenvolvimento de produtos e serviços que aumentem a autonomia e qualidade desta parcela da população. Foi criada uma linha de crédito da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) no valor de R$ 90 milhões para este fim, na qual já foram liberados R$ 11 milhões.

Fonte:

Secretaria de Direitos Humanos
Banco do Brasil
Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação
Portal Brasil

Acessibilidade: a batalha dos estudantes com deficiência nas universidades

A conquista de uma vaga em uma universidade pública é um sonho para muitos jovens brasileiros. Dominar o conteúdo exigido no vestibular, no entanto, pode não ser o principal desafio para que um aluno consiga ingressar em instituições de ensino superior. Segundo relatos de candidatos com deficiência, as dificuldades começam antes mesmo de chegar aos locais dos exames que, muitas vezes, não oferecem a acessibilidade necessária.

Outras barreiras podem estar embutidas nas próprias questões que os alunos devem resolver nas provas, como contou Maria das Graças Morais, 21 anos. A jovem, que tentou o vestibular da Universidade de Brasília (UnB) cinco vezes, coleciona relatos de problemas.

“Em uma das provas, uma questão deveria ser feita com base na observação da figura de uma bicicleta. Por incrível que pareça, na prova adaptada para o braille não havia a descrição da figura e na prova do ledor, que nos ajuda a saber o que está sendo pedido, também não havia a figura para que ele pudesse descrever o que estava vendo. Como eu poderia fazer aquela questão?”, questiona a jovem, que tem deficiência visual.

Dados do Censo da Educação Superior de 2010 apontam que em um universo de 6,3 milhões de estudantes matriculados em cursos de graduação, apenas 16.328 universitários são identificados como pessoas com deficiência. Desse número, 10.470 estão na rede privada. O dado mostra a realidade sobre a dificuldade de ingresso e permanência dos estudantes com deficiência no ensino superior no Brasil.

Ronan Alves Pereira é pai de Tomás Pereira, 20 anos, estudante cego do 5º semestre do curso de letras e tradução em inglês da UnB. Ele também acredita que o filho foi prejudicado por condições inadequadas nas provas da universidade. Em uma das vezes, o rapaz, que nasceu cego, fez o vestibular da instituição e foram identificados erros de grafia em enunciados e de transcrição para o braille.

“É uma situação muito grave encontrar uma cadeia química incompleta ou sinais trocados em equações matemáticas: no lugar do sinal de adição, o de subtração. O resultado nunca daria certo”, conta Ronan.

No entendimento de Tomás, há precariedade no atendimento ao aluno com deficiência.“O atendimento ao aluno e à família das pessoas com deficiência é extremamente precário. Além disso, não há vontade política de tirar as barreiras. Os problemas são questionados, mas não temos solução. Nas respostas, a universidade é omissa, discriminadora”, argumenta o estudante, que lamenta por muitos amigos com deficiência que não conseguiram entrar na universidade como ele.

“Identificamos várias divergências na prova, foram sucessivos recursos e uma longa jornada até conseguir entrar na faculdade. Há vários colegas que não têm oportunidade ou conhecimento dos recursos e ficam pelo caminho”, destaca.

Depois de algumas tentativas, Tomás conseguiu entrar na universidade. Para garantir a vaga, contou com a ajuda do pai que checou item a item da prova tradicional com a prova aplicada ao filho, em braille. As dificuldades, no entanto, não acabaram. Ele teve de enfrentar a falta de estrutura para a locomoção dentro do campus.

“Ir ao banheiro, por exemplo, é muito complicado, pois não há identificação nas portas. Outro problema é conseguir mesa para colocar o teclado de braille, que é grande e não cabe em uma mesa comum. Nem todos os professores se dispõem a compartilhar a sua própria mesa comigo”, conta ele, que diariamente é obrigado a desviar de bebedores, cadeiras e outros obstáculos com auxílio de uma bengala. É ela que o ajuda a identificar, quando há piso tátil, o caminho para onde quer chegar.

Luiz Antônio Bichir Garcia, 25 anos, é calouro na UnB. Aluno do primeiro semestre de história, Garcia, que sofre de uma paralisia cerebral, precisa de estrutura adaptada para acompanhar as aulas. Ele é cadeirante, tem atrofia nas mãos, não lê e nem escreve. Conta com ajuda de sete tutores da universidade para gravar as aulas e os textos trabalhados pelos professores, além da locomoção pelo campus.

O pai do jovem, Luis Antônio Garcia, que o acompanha diariamente, diz que a estrutura não é adequada, mas acredita que há uma preocupação da instituição em avançar.

“O campus tem muitos problemas para o deslocamento de cadeirantes. As calçadas são esburacadas, as rampas de acesso são muito íngremes e os banheiros não são adequados. Mas a universidade oferece certo apoio aos estudantes e estamos otimistas. Acreditamos que, aos poucos, as coisas vão melhorar”, diz.

Agência Brasil

Vereador campinense luta pela construção de rampas para permitir a acessibilidade

 

 

O vereador Nelson Gomes que vem se destacando como um dos defensores de políticas em favor da melhoria da saúde pública e de benefícios para as pessoas portadoras de deficiência e os idosos propôs na Câmara Municipal que a Casa solicite ao prefeito do Município, Veneziano Vital do Rego, providências com urgência para determinar à Pasta responsável a construção de rampas nos passeios públicos da cidade.

                   

O presidente do Poder Legislativo disse que o objetivo é permitir condições de mobilização de pessoas portadoras de deficiência que se utiliza de cadeiras de rodas e de outras com problemas de saúde.

 

Afirmou que é preciso a construção de rampas nas calçadas para ampliar a acessibilidade de idosos, portadores de deficiência e pessoas com mobilidade reduzida. A cidade apresenta um grande contingente de pessoas que se encaixam nesse grupo.

Assessoria de Imprensa para o Focando a Notícia

João Pessoa é a única capital finalista em prêmio nacional de acessibilidade na web

 

O portal da Prefeitura Municipal de João Pessoa (PMJP) – www.joaopessoa.pb.gov.br está concorrendo à final do Prêmio Nacional de Acessibilidade na Web – Todos@Web, na categoria Governo/ instituições. A capital paraibana é a única do País a obter o reconhecimento. O prêmio avalia as facilidades de acesso nos sites e, de acordo com o diretor de ações multimídias da Secretaria de Comunicação (Secom), Eliseu Lins, o site da PMJP foi idealizado para garantir informação a todos os cidadãos.

O Portal da PMJP foi desenvolvido seguindo as diretrizes da Web Content Accessibility Guidelines (WCAG), com o objetivo garantir o acesso de todo o seu conteúdo para todos os cidadãos, podendo ser acessado nos navegadores mais recentes, e com recursos para navegação via dispositivos móveis.

“Esta indicação ao prêmio é um reconhecimento ao nosso trabalho de prover as pessoas de informação com acesso fácil, inclusive as que têm algum tipo de deficiência ou necessidade especial”, diz Eliseu.

O portal foi desenvolvido pelos analistas Sérgio Vilar e Giseldo Oliveira, com apoio do coordenador da Divisão de Desenvolvimento de Mídias Sociais da Secom-JP, Flávio Mendes e de Eliseu Lins.

Sérgio Vilar destaca que o portal tem facilidades para pessoas com deficiência visual. “Temos recursos para aumentar a fonte dos textos, alterar o contraste da página, para ficar mais visível, e uma série de atalhos que facilitam o acesso”.

Segundo Sérgio, a versão para aparelhos de celular ou tablets é diferente da convencional, mais focada nas notícias e nos serviços, com um acesso mais prático. “É uma versão compacta”, sintetiza ele.

Redes sociais – Eliseu Lins ressalta haver uma grande resposta da população às redes sociais da PMJP. “O perfil do twitter @pmjp é o mais acessado proporcionalmente do Brasil, entre as capitais, e o segundo em números absolutos, considerando a quantidade de contatos com relação à população. Já o perfil do facebook, Pmjponline, ocupa a segunda posição nacional, de forma proporcional”.

Neste ano, o portal já recebeu um selo de reconhecimento do site dasilva.org, primeiro avaliador de acessibilidade em Português para websites.

O prêmio – A PMJP concorre ao prêmio Todos@Web com a Associação de Deficientes Visuais e Amigos (Adeva), Fundação Dorina Nowill para Cegos, Prefeitura de Rio das Ostras (RJ) e Programa Censo-Inclusão de Pessoas com Deficiência e Mobilidade Reduzida da Prefeitura de São Paulo.

O prêmio Todos@web é uma iniciativa do W3C Escritório Brasil, por determinação do Comitê Gestor da Internet, em parceria com a Secretaria de Logística e Tecnologia da Informação do Ministério do Planejamento e a Associação Brasileira das Agências Digitais (Abradi) e Secretaria dos Direitos da Pessoa com Deficiência, de São Paulo.

Haverá premiação em dinheiro para os três primeiros colocados, que varia de R$ 1,5 mil a R$ 5 mil. O projeto melhor colocado em cada categoria vai participar do evento internacional W4A – Web for All, durante a conferência WWW2013, da solenidade de entrega do troféu, no dia 14 de junho, e exposição dos trabalhos em publicação do W3C.br.

Ferramentas de Acessibilidade do site da PMJP

Teclas de Atalhos

Ctrl + Shift + A: Abre lista de atalhos
Ctrl + Shift + X: Alterna para versão contrastada
Ctrl + Shift + 1: Pula para conteúdo principal da página
Ctrl + Shift + 2: Página Inicial
Ctrl + Shift + 3: Notícias
Ctrl + Shift + 4: Contato

Versão Contrastada

 

Possibilita a melhoria da visualização do conteúdo para pessoas com dificuldade de leitura, ou daltônicos. Atalho: Ctrl + Shift + X.

Controle de Fontes

Dentro de cada página de conteúdo são encontrados os botões [A+] [A-] [A] que servem respectivamente para aumento do tamanho da fonte, diminuição do tamanho da fonte e  retorna para o tamanho padrão da fonte.

Secom-PMJP para o Focando a Notícia