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Barragem que abastece 6 municípios no Regional Brejo volta a sangrar; já Canafístula II pode entrar em colapso total

Com as chuvas na última semana, a barragem de São Salvador, localizada na cidade de Sapé, que tem capacidade de armazenar 12 milhões de metros cúbicos de água, voltou a sangrar neste final de semana. A sangria havia parado no mês passado e com a ocorrência de novas chuvas, sangra pela segunda vez no ano.

A barragem atende os municípios de Sapé, Sobrado, Mari, Mulungu, Gurinhém e Cajá/Caldas Brandão.

Enquanto já tem barragem sangrando, várias cidades do Regional do Brejo, segundo a Cagepa, estão em regime de racionamento e correm o risco de colapso se não houver recarga em barragens.

As cidades de Bananeiras, Solânea, Araruna e Cacimba de Dentro, abastecidas pela barragem de Canafístula 2, que encontra-se com pouco mais de 5% de sua capacidade, estão submetidas a racionamento, algumas delas tendo água somente três dias a cada duas semanas.

Belém, Caiçara, Logradouro, Pirpirituba, Sertãozinho, Duas Estradas, Serra da Raiz e Lagoa de Dentro, também estão em racionamento.

Ainda na região, as cidades de Dona Inês, Tacima, Riachão e Damião estão em colapso e são abastecidas através de carros pipa. A barragem de Jandaia, que atende os municípios, secou e ainda não recebeu recarga suficiente para voltar a operar.

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portal25horas

 

 

Energia eólica já abastece mais de 30% do Nordeste

energia eolicaO vento forte que não para de soprar fez da pequena Icaraí de Amontada, na costa oeste do Ceará, uma ilha de usinas eólicas Elas geram energia elétrica usando a força dos ventos. Ali, para qualquer lado que se olhe, modernas e gigantescas torres de quase 150 metros de altura – do tamanho de um prédio de 42 andares – destoam do cenário rústico da antiga vila de pescadores, com suas dunas, praias e lagoas. Reduto de atletas estrangeiros praticantes de kitesurf e windsurf, a comunidade, de 2,4 mil habitantes, entrou para a lista dos melhores ventos do Brasil e ajudou a elevar a participação da energia eólica para mais de 30% do consumo do Nordeste.

E  por causa da qualidade desse vento – forte e constante – que o Nordeste despontou como uma das maiores fronteiras eólica do mundo. Hoje, os parques em operação na região são responsáveis pelo abastecimento de boa parte da população local de 56 milhões de pessoas.

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Não é difícil entender a rápida expansão das eólicas no Brasil. Em 2008, com a crise internacional, o consumo mundial de energia despencou, paralisou uma série de projetos e deixou as fábricas ociosas. Em busca de demanda, elas desembarcaram no Brasil – onde o uso da energia crescia a taxas de dois dígitos – e derrubou o preço das eólicas, até então caras por aqui. A partir de 2009, com leilões dedicados à essa fonte de energia, os investimentos decolaram. De lá pra cá, o setor recebeu R$ 67 bilhões, segundo dados da Associação Brasileira de Energia Eólica (Abeeólica).

Esse montante colocou o País na 10ª posição entre as nações com maior capacidade instalada do mundo. Foi um grande avanço. Até 2008, a potência do parque eólico brasileiro era de 27 megawatts (MW). No mês passado, alcançou a marca de 9,7 mil MW, volume suficiente para abastecer mais de 45 milhões de habitantes. No total, são 5.141 turbinas instaladas Brasil afora. Cerca de 82% delas estão no Nordeste.

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Os moradores de Icaraí de Amontada ainda se fazem algumas perguntas. Questionam o impacto que as usinas podem causar à região no decorrer dos anos e não entendem por que continuam pagando uma conta de luz tão alta se os parques eólicos estão praticamente no seu quintal. “Deveríamos ter energia elétrica de graça”, afirma Raimunda Alves dos Santos, que paga R$ 180 por mês de luz.

Entre os moradores, essa é uma reclamação recorrente. É difícil compreender por que uma energia produzida com o vento – que é de graça – pode ser tão cara. Se eles fizessem essa pergunta às empresas geradoras, teriam como resposta uma explicação complexa, que envolve toda a estrutura do setor. “O Brasil funciona como um sistema único, a precificação é nacional e não regional”, diz a presidente da Associação Brasileira de Energia Eólica (Abeeólica), Elbia Gannoum.

Em outras palavras, significa dizer que todos os custos do setor são divididos entre todos os consumidores do País. Para a eólica começar a fazer diferença na conta de luz dos nordestinos, é necessário que ela ganhe participação não só na região, mas em todo o País.

Com alguns raros projetos de Pequenas Centrais Hidrelétricas (PCH) em desenvolvimento no Estado de Pernambuco e sem potencial para grandes hidrelétricas, a vocação do Nordeste tem se inclinado cada vez mais para a energia eólica. Segundo Elbia Gannoum, até 2020, a participação da energia do vento na matriz elétrica brasileira vai saltar dos atuais 6% para 20% da capacidade instalada. No Nordeste, essa participação será ainda maior, de 30%. Em termos de consumo, a fonte será capaz de atender cerca de 70% da carga da região em alguns momentos do dia.

Nos próximos três anos, diz Elbia, o volume de investimentos em novos parques será de R$ 40,8 bilhões. Ela destaca que cada megawatt de eólica instalado cria 15 postos de trabalho em toda cadeia produtiva, desde o canteiro de obras até a fabricação de pás, aerogeradores e torres. Seguindo o cálculo da Abeeólica e considerando que entre 2017 e 2019 estão previstos mais 6,8 mil MW de potência, o setor pode gerar 102 mil postos de trabalho.

JCOnline

Projeto Cisternas nas Escolas abastece salas de aula com água e conhecimento

Apesar de ser um direito humano, o acesso à água ainda não é uma realidade garantida para todos/as. Foi pensando na situação das crianças e dos adolescentes que estudam em escolas no semiárido que a Articulação no Semi-Árido Brasileiro (ASA) desenvolveu o projeto Cisternas nas Escolas.

A iniciativa, realizada em parceria com o Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome (MDS), o Instituto Ambiental Brasil Sustentável (IABS) e a Agência Espanhola de Cooperação Internacional para o Desenvolvimento (Aecid), agora está em fase de prestação de contas. Durante dois anos, o projeto, desenvolvido dentro do Programa 1 Milhão de Cisternas (P1MC) da ASA, construiu cisternas em 843 escolas de nove estados do semiárido brasileiro.

De acordo com Jean Carlos Medeiros, coordenador do P1MC, 146 municípios foram contemplados e 56 mil pessoas, entre alunos/as, professores/as e funcionários/as foram beneficiadas com a iniciativa. Com as cisternas, a comunidade escolar agora tem água para beber e para preparar a merenda escolar. Cada cisterna, segundo Medeiros, tem capacidade para 52 mil litros de água.

Se antes os/as alunos/as precisavam levar garrafas com água para escola ou às vezes até mesmo deixavam de ter aulas por falta de água, agora não só têm o bem natural para consumir como também discutem o assunto em sala de aula.

“O projeto reforça a convivência com o semiárido, além das cisternas, desenvolveu materiais em que professores e alunos estavam representados. Algumas cartilhas foram utilizadas nas aulas de matemática, ciências e geografia para discutir recursos hídricos, uma educação contextualizada, que destaca a realidade local”, comenta o coordenador do P1CM.

Através de desenhos animados, por exemplo, as crianças aprendem sobre o ciclo da água, o direito à água potável, o uso racional do recurso natural, entre outros assuntos que são destaque na série Água, Vida e Alegria no Semiárido. Na avaliação de Medeiros, o projeto ainda conseguiu ir além. Isso porque, de acordo com ele, a construção das cisternas contribuiu para o diálogo entre comunidade e poder público.

“Em muitos locais o poder público foi responsável por melhorar a escola para receber a cisterna […], o que gerou uma expectativa na comunidade para dialogar mais com o poder público sobre as necessidades das escolas”, afirma, lembrando ainda que o projeto também gerou espaços de debates entre a própria comunidade escolar, como questões sobre o reabastecimento da cisterna no período de estiagem e os cuidados na época em que não há aulas. “Fortaleceu o controle social na escola e foi catalisador de outros processos, outros temas”, acrescenta.

Água nas escolas

A falta de água nas escolas ainda é problema comum na região semiárida. No relatório O Direito de Aprender – Potencializar avanços e reduzir desigualdades “Situação da Infância e da Adolescência Brasileira 2009”, o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), a partir de dados do Conselho Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional (Consea), destacou que, “das 37,6 mil escolas na zona rural da região, 28,3 mil não são abastecidas pela rede pública.”

O coordenador do P1MC da ASA, por sua vez, reforça que o acesso à água é um direito humano e que a organização realiza ações justamente para contribuir para a garantia desse direito. “É importante garantir o acesso à água não só às famílias, mas também aos filhos dos agricultores [que estão em sala de aula]”, considera.

Para mais informações, acesse: www.asabrasil.org.br

Adital