Solânea 60 anos

Publicado em terça-feira, novembro 12, 2013 ·

artigonice

Lembro-me muito bem qual foi a minha primeira impressão na ‘volta pra casa’. Liberdade!

Depois de passar seis anos morando em São Paulo, meus pais, meus irmãos e eu voltamos para Solânea. Já se vão mais de 20 anos depois do retorno, mas eu consigo me lembrar exatamente como foi aquele dia.

A cidade parecia deserta perto daquele gigante paulista tão movimentado. A rua larga e sem muito movimento me fez dar de cara com a fachada da casa dos meus avós Manoel Balbino e Rita Maria da Conceição.

Era uma casa simples! A porta tinha a famosa janelinha, coisa inexistente na famosa ‘sampa’. Ao lado, o contraste… o janelão, que fazia entrar a brisa fria que arejava todo o quarto, escapava pelas frestas das portas e seguia pelos outros cômodos.

A sala de estar e de jantar se confundiam formando um grande corredor que dava para a cozinha espaçosa e, principalmente, para o melhor lugar da casa… o quintal. Ah, o quintal! Ali sim era o verdadeiro lugar para se viver a infância perfeita!

Simples como a casa dos meus avós era a minha amada Solânea. A Praça 26 de Novembro e a igreja matriz de Santo Antônio, à época, eram os maiores monumentos.

Ali bem pertinho ficava, e ainda fica, a escola Celso Cirne que ensinou tantos solanenses a escrever as primeiras letras.

Seguir por aquelas ruas vendo cada pedacinho desses lugares era como que viver a libertação. Em São Paulo isso não era possível, só podíamos sair acompanhado dos pais, afinal, a cidade já era violenta.

Simples era também a rua e a casa onde fui morar, onde cresci, onde vivi e onde ainda vivem meus pais. Muito diferente do que está hoje, as casas não tinham muros, não havia também calçamento. Água encanada? Uhh! Nem pensar!

A energia já havia sido instalada, mas ainda lembro da época em que tudo era iluminado por um lampião a gás.

Sem as características das grandes cidades, ela nos permitia correr por suas ruas horas a fio, até altas horas, sem preocupar nossos pais. Longe dos perigos das metrópoles nos era permitido ser livres, felizes, crianças de verdade.

Solânea mudou. Claro que mudou! A transformação é inevitável!

Mas, para mim ela não perdeu a essência. Continua sendo aquela de mais de 20 anos atrás que me fez sentir o sabor da liberdade.

É agora a jovem senhora prestes a completar 60 anos. Cresceu. Apareceu. Mas continua sendo a minha Solânea de tantas boas lembranças.

Parabéns!

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