Semana do Grito

Publicado em segunda-feira, setembro 12, 2016 ·

padre boscoA Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, CNBB- tem realizado, por um período de 22 anos, tem realizado o chamado Gritos dos Excluídos. Trata-se de um evento realizado pelas dioceses com a finalidade de reunir pessoas, que refletem a realidade local, sempre a partir do tema da vida. Cada diocese vai buscando a melhor forma de vivenciar esse momento todos os anos dentro da semana da pátria onde se relembra o grito da “independência. ” A igreja relembra que há outro grito que está sendo dado e que precisa ser escutado.

Vez por outra, se escuta algo sobre a esvaziamento a respeito do tema, no entanto, o conteúdo é algo sempre muito atual. A igreja é a defensora e a protagonista do tema da vida. Ela deve ser a voz de todas as pessoas que não podem gritar, e, se gritam, não são escutadas.

Todas as pastorais da igreja, sobretudo aquelas relacionadas com a exclusão, devem encontrar na igreja o acolhimento e o amparo. A igreja que tem como tarefa, continuar a missão do pastor. Por isso, ao longo desses 22 anos a mesma tem coordenado e conduzido a reflexão desse tema do grito, a vida em primeiro lugar, se referindo a um sistema que não se suporta por que mata e exclui.

O sistema social, econômico e político em que vivemos, cada vez mais difunde e aplaude uma cultura de exclusão e de morte das populações vulneráveis: crianças, negros, mulheres, populações ribeirinhas, etc.

Imaginar que temos a obrigação de aceitar a existência de um congresso nacional, onde se instala uma bancada da bala, por exemplo, é aceitar o que de mais grave existe para uma cultura democrática.

As mudanças que são divulgadas nas redes sociais como possíveis ações políticas do governo federal, atingem frontalmente a vida e a dignidade humanas. São medidas relacionadas com a saúde, educação, moradia, segurança, como momento de retrocesso para as populações mais humildes.

O que existe de mais greve é que tudo isso acontece com a conivência dos poderes constituídos, deixando assim a população sem alternativas para as garantias de seus direitos.

Os gritos inflamáveis que foram dados no congresso tinham como pano de fundo o combate à corrupção, no entanto, como se diz no popular, desculpem a expressão, o que existia era “a raposa cuidado do galinheiro”. Pelo que se noticia, praticamente toda a bancada envolvida com os mesmos esquemas desonestos. Nunca na história recente do nosso país, ficou tão visível a corrupção envolvendo figuras que talvez gozassem da nossa confiança.

Os fatos recentes serviram muito para pudéssemos ver a cara e a postura dos nossos representantes. No grito pelo “cumprimento” da constituição, acabaram mostrando a que vieram e a serviço de quem estão.

A igreja como instituição, assim como o povo de Deus, hoje tem uma clara leitura da realidade político-partidária.

A igreja a serviço de todos, a favor da vida, colaborando sempre com uma nova sociedade, continua a sua missão ao lado dos fracos e excluídos, seguindo os passos e os caminhos do seu fundador.

O grito pode até não contar a presença de tantas pessoas excluídas, mas será sempre um grito em nome deles e a favor de suas vidas. pebosco@gmail.com

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