Sem astros, Santos e São Paulo fazem clássico sofrível na Vila

Publicado em domingo, setembro 9, 2012 ·

O Santos não tinha Neymar, Paulo Henrique Ganso e Arouca, além de outros desfalques. O São Paulo não teve Lucas. E o clássico na Vila Belmiro também quase não teve futebol. O saldo para os 6.379 torcedores que decidiram fechar o feriado prolongado de Independência do Brasil foi um empate sem gols sofrível, pela 23ª rodada do Brasileirão.

Peixe e Tricolor abusaram dos erros. Ao todo foram 76 passes errados, sendo 38 do Santos e 38 do São Paulo, empatados até nos equívocos. Nem mesmo as surpresas de Muricy Ramalho e Ney Franco, usando três zagueiros dos dois lados, conseguiu mudar o rumo de uma partida sem apelo e pouco atrativa tecnicamente.

Mesmo tendo Denilson expulso no fim do jogo e sofrendo pressão do Peixe, que ficou com um a mais aos 37 minutos do segundo tempo, a impressão que ficou é de que o Tricolor poderia ter vencido fora de casa. Luis Fabiano, carrasco do Alvinegro, teve quatro chances, mas não conseguiu marcar em nenhuma.

Com o empate, o Peixe foi aos 27 pontos e se manteve na 14ª colocação, enquanto o São Paulo chegou aos 36 pontos e caiu para a sexta posição, perdendo o G4 de vista.

Agora, o Peixe recebe o Flamengo na próxima quarta-feira, às 22h, também na Vila Belmiro, enquanto o Tricolor vai a Minas Gerais enfrentar o Atlético-MG, no Estádio Independência , no mesmo dia e horário.

Surpresas e muitos erros

Muricy Ramalho e Ney Franco surpreenderam na formação dos dois times. O Santos não teve grandes novidades na escalação, mas o posicionamento da equipe em campo foi diferente: três zagueiros, com o volante Ewerton Páscoa recuado, formando linha defensiva com David Braz e Durval. O São paulo usou a mesma formação. Ney optou por Paulo Miranda no lugar de Paulo Assunção, e escolheu Casemiro para substituir o suspenso Maicon. A opção também serviu para dar mais proteção aos ofensivos laterais Douglas e Cortez.

Na prática, as mudanças representaram um visitante mais atuante no início. Em campo e nas arquibancadas. Minoria, a torcida do São Paulo fazia mais barulho. No gramado, o Tricolor assumiu postura de mandante e tomou conta da posse de bola, mas não criou boas chances, exceção feita a um ou outro susto protagonizado pela defesa santista. Susto que também ocorreu do lado são-paulino, quando Rafael Toloi bobeou na frente de André, mas o centroavante não conseguiu aproveitar, aos nove minutos.

Chance real de gol mesmo só aos 13 minutos. André, um dos melhores do Peixe, fez bom trabalho de pivô e achou Gerson Magrão. Com a 10 normalmente usada por Paulo Henrique Ganso, lesionado, ele jogou deu belo drible em Casemiro e soltou uma bomba de fora da área, por cima do gol de Rogério Ceni.

O problema é que os dois rivais erravam passes demais, travando a sequência das jogadas. Ao todo, foram 49 trocas de bola equivocadas na primeira etapa, sendo 25 do Santos e 24 do São Paulo. O argentino Pato Rodriguez, por exemplo, não conseguia acertar quase nenhuma jogada. Só ele errou seis passes, enquanto o líder no quesito do Tricolor foi Douglas, com quatro toques errados para companheiros.

A emoção só voltou ao clássico quando Luis Fabiano resolveu aparecer. Em duas chances, ele quase abriu o placar. Primeiro aproveitou sobra da zaga santista e emendou de primeira, mas parou em Rafael, aos 31. Depois, recebeu ótimo passe de Jadson, driblou Rafael, mas ficou sem ângulo e finalizou para fora, aos 37 minutos.

Ao menos no primeiro tempo, Neymar e Lucas, astros convocados pela Seleção, fizeram muita falta.

Mais erros e castigo para os torcedores

Muricy se irritou com os erros de Pato Rodriguez e o argentino ficou no vestiário da Vila Belmiro no intervalo. Na saída do primeiro tempo, aliás, o goleiro Rafael mostrou irritação com a postura do time e classificou a equipe como “perdida”. Victor Andrade, atacante de 16 anos, entrou no time, mas quem novamente chegou com perigo foi Luis Fabiano, pela terceira vez no clássico. O centroavante recebeu bom passe de Casemiro e finalizou de esquerda, mas Rafael evitou o gol, logo aos dois minutos.

O Santos, por sua vez, tinha dificuldade na saída de bola. Claramente a equipe sentiu falta de Arouca na transição das jogadas – o volante foi convocado por defender a Seleção. Assim como no primeiro tempo, os dois times seguiam abusando dos erros de passe. Em diversas oportunidades, os jogadores escolhiam o companheiro mais marcado para continuar os lances.

Quando o Tricolor acertava o pé, o alvo dos passes era sempre o mesmo: Luis Fabiano. Após escanteio cobrado pela direita, Jadson achou o camisa 9, que cabeceou para nova defesa de Rafael, aos 15 minutos. Àquela altura, atacante e goleiro já travavam um bom duelo pessoal. Foi a quarta chance perdida pelo goleador.

A resposta santista foi tão rápida quanto contundente. No contra-ataque, Felipe Anderson enfiou para Bruno Peres, que, com muita velocidade, foi até o fundo pela direita. No cruzamento em direção a André, a bola encontrou os pés de Rafael Toloi. Por muito pouco o defensor tricolor não faz contra, aos 16.

Ney Franco, então, teve de mexer no time, pois Rhodolfo sentiu lesão muscular, e deu lugar ao atacante Ademilson. A mudança forçada fez o Tricolor crescer ainda mais na partida e aumentar o volume de jogo. Ao ponto de criar três boas chances seguidas, com Jadson, duas vezes parado por Rafael, e Osvaldo, pela esquerda finalizando à direita do goleiro santista.

Muricy também mudou: substituiu Gerson Magrão por Bernardo, mas o meia não conseguiu produzir como se esperava. Ainda assim, em jogada bastante confusa e truncada, o Peixe ameaçou com André, que aproveitou sobra da zaga são-paulina e finalizou de esquerda para fora.

Ainda houve tempo para lance polêmico envolvendo Luis Fabiano e David Braz. Os dois se chocaram dentro da área. Os tricolores reclamaram pênalti, mas o árbitro Marcelo Aparecido de Souza não marcou nada. O volante Denilson chegou a ser expulso, depois de fazer falta em Bruno Peres e receber o segundo amarelo na partida. Ele foi o atleta mais violento do jogo, com quatro faltas.

Na sequência, o que se viu foram mais erros dos dois lados e o placar seguiu inalterado. Clássico sem o brilho dos craques e que foi um castigo para os pouco mais de seis mil torcedores que foram à Vila Belmiro.

Globoesporte.com

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