Secretários de segurança do NE vão propor penas mais rígidas para a ‘gangue da dinamite’

Publicado em quarta-feira, setembro 7, 2016 ·

Teto do banco desabou com a explosão dos caixas e do cofre em Caaporã (Foto: Reprodução / TV Cabo Branco)
Teto do banco desabou com a explosão dos caixas e do cofre em Caaporã (Foto: Reprodução / TV Cabo Branco)

A facilidade que os bandidos que explodem bancos têm de voltar para as ruas, após serem presos, levou os secretários de Segurança  Pública dos nove estados do Nordeste a criar uma sugestão, que será enviada ao Congresso Nacional, para transformar o crime em ato de terrorismo e, com isso,  endurecer a pena. A decisão foi tomada em uma reunião ocorrida no fim de semana, em Fortaleza (CE).

O objetivo do encontro foi  debater estratégias de enfrentamento à onda de ataque a agências bancárias, que estão se tornando cada vez mais comuns na região.

No último domingo, o Jornal Correio trouxe uma reportagem,  sobre a impunidade, que as autoridades atribuem à legislação penal, afirmando que  as leis são tolerantes com os bandidos. A prova disso, é que somente 6,9% das pessoas que foram presas pela Polícia Militar em 2015 chegaram ao presídio.

Só furto qualificado. Para o secretário da Segurança Pública e Defesa Social da Paraíba, Cláudio Lima, o caso dos bandidos que explodem bancos é um exemplo clássico dessa situação. “Eles aterrorizam cidades, colocam em risco a vida dos moradores, intimidam, promovem tiroteio nas ruas e a lei penal brasileira classifica isso apenas como furto qualificado”, reclamou. A pena prevista pelo Código Penal para este crime é de dois a oito anos e multa, podendo ser revertida em sansão mais branda.

Segundo Lima, a brandura da legislação para esse tipo de crime estimula os bandidos e dificulta o trabalho das forças de segurança pública em combatê-lo.

Por isso, uma das propostas levantadas na reunião dos secretários do Nordeste foi pedir ao Congresso que transforme as explosões bancárias de furto qualificado em ato terrorista.

“Essa e outras sugestões irão dar origem a um documento, que será levado a Brasília pedindo, além de mudanças na lei, intervenções do Governo Federal que reforcem a segurança pública na nossa região”, acrescentou.

O Primeiro Comando. Uma conclusão a que os secretários chegaram, durante o encontro, a partir do cruzamento de informações dos serviços de inteligência de cada Estado, é que a facção criminosa PCC (Primeiro Comando da Capital), radicada no estado de São Paulo, estaria fortalecendo suas finanças no Nordeste, através das explosões bancárias.

“Sabemos que esse grupo tem uma influência muito forte dentro do sistema prisional do País e, de dentro das prisões, coordenam grande parte desses ataques. Isso aumenta a urgência de medidas eficazes contra os ataques a bancos, porque o crime organizado está se alimentando disso”, afirmou Claudio Lima.

Operações conjuntas. Segundo Claudio Lima, a partir da reunião foi iniciado o planejamento de uma série de operações conjuntas entre as polícias dos estados vizinhos, para prender grupos de assaltantes de bancos e especializados em outros crimes.

“Estamos em um período de troca de informações de inteligência, com detalhes que não podemos divulgar e o mais breve possível daremos início a uma série de ações nas divisas e dentro dos Estados”, disse.

Retomada do Consene. Em outro momento da reunião dos secretários, o grupo decidiu pela retomada das atividades do Conselho de Segurança do Nordeste (Consene), um órgão colegiado, formado por secretários de segurança, comandantes de polícias militares, delegados gerais e outros gestores de segurança.

O grupo está com as atividades paradas há dois anos. O secretário de Segurança da Bahia, Maurício Teles, foi eleito o presidente, para o mandado de recomeço. “Precisamos desse contato periódico, ainda mais em momentos como estes, para realinharmos as estratégias de enfrentamento ao crime”, comentou Claudio Lima.

 

Ainoã Geminiano /Correio da Paraiba

 

 

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