Recreio com cerca de 200 alunos é regado a álcool, sexo e drogas

Publicado em segunda-feira, setembro 19, 2011 ·

maconha-e-cachacaNas tardes de sexta-feira, a Quinta da Boa Vista, um dos cartões postais do Rio, vira cenário para o ‘recreio perigoso’ de cerca de 200 jovens, a maioria estudante de colégios públicos. Misturadas as ‘tribos’, eles brincam, namoram, tocam violão, jogam bola. Tudo seria igual ao que fazem no pátio da escola, não fossem alguns detalhes: longe dos olhos de pais e inspetores, a descontração em São Cristóvão é regada a álcool, drogas e sexo.

Tudo é permitido, apesar da presença da Guarda Municipal, que deveria impedir tais cenas. Durante três fins de semana, A reportagem flagrou imagens preocupantes: no dia 2, sexta-feira, os menores J. e B., de 15 e 17 anos, alcoolizados, passaram mal e precisaram de socorro dos bombeiros para deixar a Quinta.

“Meu pai é pastor da (igreja) Testemunhas de Jeová. Se ele souber, estou frito”, argumentava B. Outros colegas tentavam acalmá-lo. “Vamos no médico, depois eu te levo e seu pai não vai saber de nada”, consolou uma menina.

Por volta das 15h, os grupos de adolescentes, entre 12 e 17 anos, muitos com uniformes escolares, vão se aglomerando na pista que leva ao Museu Nacional. Levam bebidas destiladas, como cachaça e vodca, que são misturadas a refrigerantes ou consumidos puros. Com a chegada da noite, alguns vão para o gramado próximo ao lago, onde consomem também drogas.

Comerciantes da Quinta, que pediram anonimato, contam que os encontros não são recentes. “No ano passado, o problema maior era a presença de viciados em crack. Imagina o risco desses jovens, bêbados, convivendo com drogados? A prefeitura recolheu usuários. Mas esses garotos ficam bebendo e muitos são vistos ainda na manhã de sábado, ‘apagados’ no gramado”, relata X., 59 anos, que vende lanches perto do Zoológico.

Seis guardas para vigiar área de 15 mil metros quadrados

“Se eles fazem sexo, bebem e usam drogas discretamente, em lugares escuros, não temos como saber. Somos seis guardas para cuidar de mais de 15 mil metros quadrados de parque. Além disso, como há muitos casais homossexuais, quando chamamos a atenção dos mais assanhados, nos acusam de homofóbicos”, argumentou um guarda municipal.

Segundo relatos, já houve casos de menores levados a delegacias por desacato, mas, na semana seguinte, estavam de volta.

“O Samu (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência) veio buscar uma menina em coma alcoólico há duas semanas. Quando escurece, se você passar perto do coreto, verá sexo e drogas”, descreve Y., 46, que tem barraca no local.

Segundo comerciantes, uma viatura da PM faz ronda na Quinta, mas não aborda os menores. “Há anos, o problema mais grave eram os assaltos e isso melhorou com as rondas, mas esses meninos ficam bebendo e ninguém faz nada”, reclama outro vendedor.

GM fará levantamento

A Guarda Municipal (GM) confirmou que mantém seis guardas em esquema fixo na Quinta. Mas ressaltou que outros seis patrulham o parque em horários alternados.

“Nosso setor de Inteligência faz levantamento para identificar os horários em que os jovens ficam no local, com o objetivo de comunicar as escolas sobre a ocorrência. Assim, a Guarda poderá dar ciência aos responsáveis”, disse o comandante da 8ª Inspetoria, inspetor Antonio Eduardo Teixeira Martins.

Ainda de acordo com a Guarda Municipal, quando são abordados, os menores aparentam ter consumido álcool, porém, não foram flagrados consumindo bebida no local. Caso presenciem a prática de relações sexuais em público, os guardas são orientados a levá-los para a delegacia.

Apesar de afirmar que há equipes que realizam patrulhas a pé e motorizadas na Quinta , o comandante do 4º BPM (São Cristóvão), tenente-coronel Vinícius Mello, admitiu que não sabia do ‘recreio alucinógeno’ dos adolescentes.

“Eu não tinha conhecimento do fato, mas a denúncia é importante. Já estamos com equipes na rua para verificar o que está acontecendo”.

O Dia Online

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