Recalls: 2014 já é o terceiro ano com maior quantidade de carros convocados

Publicado em domingo, agosto 31, 2014 ·

carrosApesar de ainda nem ter terminado, 2014 já supera o ano passado em quantidade de veículos atingidos por recalls e reforça a tendência de aumento deste número. Somente neste ano, foram convocadas 764.357 unidades por diversos tipos de falhas, quantidade que só é menor do que o total de convocados em 2008 e 2010. Destes, quase todos continuam circulando pelas ruas do país sem terem sido reparados, expondo motoristas, passageiros e pedestres a risco.

Conforme Autoesporte registrou em janeiro, o mercado automobilístico brasileiro vive uma tendência de aumento nos índices de recalls desde o ano passado. Em 2012, as montadoras convocaram 318.771 carros, o menor número desde 2007 (218.306 carros). De lá para cá, o número só aumentou: em 2013, o total mais do que dobrou e passou para 649.021 veículos, número já ultrapassado em 2014.

Quantidade de carros envolvidos em recalls por ano (Foto: Autoesporte)

A quantidade de unidades afetadas este ano só é inferior ao total registrado nos anos de 2008 e 2010, quando foram convocados 1.007.635 e 1.110.574, respectivamente, segundo dados do Procon. Vale ressaltar que os números de 2014 são referentes somente aos oito primeiros meses do ano, enquanto os outros contabilizam a totalidade dos recalls. Quando os semestres são analisados, os primeiros seis meses deste ano só não têm números piores do que os do primeiro semestre de 2010, ano que registrou recorde histórico. Foram 747.399 convocados agora, contra 787.888 no mesmo período de quatro anos atrás. (Confira no gráfico abaixo)

Quantidade de carros envolvidos em recalls por semestre (Foto: Autoesporte)

Para Maria Inês Dolci, coordenadora institucional do Proteste, a quantidade de carros que saem das linhas de produções com falhas é alarmante, assim como a baixa adesão aos reparos por parte dos consumidores. “O consumidor tem que atender o recall para garantir a própria segurança. Feito o reparo, o consumidor tem que guardar o comprovante de que o reparo foi realizado e quando o carro for vendido, tem que repassar esse documento para o novo proprietário”, explica.

Já o Ministério da Justiça avalia que os recalls são importantes ferramentas, que devem ser utilizadas pelos consumidores. Mas considera que o aumento de casos não é necessariamente alarmante. “O problema não é existir o recall, mas não ter o recall. O chamado não é ruim, o ruim é a empresa esconder o risco do consumidor”, explica Amaury Oliva, diretor do Departamento de Defesa e Proteção do Consumidor, da pasta.

Risco

Ainda mais alarmante do que o aumento no número de carros diagnosticados com falhas é a baixa porcentagem de motoristas que efetivamente realizaram o reparo. Segundo números oficializados até a publicação desta reportagem, somente 19.617 carros convocados em recalls neste ano compareceram às oficinas e foram consertados. O número representa cerca de 2,6% do total. O restante circula pelas ruas do país com falhas que representam riscos à saúde e segurança da população.

Segundo a Secretadia Nacional do Consumidor, também do Ministério da Justiça, o índice de adesão a recalls juntando todos os tipos de produtos (incluindo brinquedos, alimentos e outros) gira em torno de 60%. “Eu acho esse numero baixo, porque recall bom é recall que atende 100%. Mas, isso é um desafio no mundo inteiro”, avalia Oliva.

Para reverter o cenário de baixas adesões, o departamento de defesa do consumidor do Ministério da Justiça garante reforçar campanhas de conscientização da população. “Temos orientado os consumidores sobre a importância de atender um chamado, afinal o recall existe porque há um risco à integridade física do consumidor. É ruim, tem que parar um dia de trabalho para resolver, mas são casos que colocam em risco a saúde e a segurança do consumidor e dizem respeito à vida, e a vida ninguém consegue trazer de volta”, diz Oliva.

Falhas recorrentes

As falhas em airbags da empresa Takata, que fornece as bolsas infláveis de marcas como Toyota, Nissan e Honda, contribuíram com o aumento nos números citados. Mas, a maior parte dos carros convocados apresentou problemas no sistema de combustível. Segundo o órgão de defesa do consumidor, 255.746 carros apresentam alguma falha nestes componentes em 2014, ou cerca de 33% do total. Os sistemas de freios também foram responsáveis por mais defeitos do que os airbags, somando 187.127 casos ou 24% do total. Na terceira colocação vêm as bolsas infláveis, com 179.050 casos (23%).

Porcentagem de sistemas mais atingidos por defeitos nos sete primeiros meses de 2014 (Foto: Autoesporte)
A Chevrolet foi a montadora que mais realizou recalls no ano

A Chevrolet foi a montadora que mais carros teve que chamar de volta para realizar os reparos gratuitos. Somente em 2014, 281.333 unidades da montadora norte-americana no Brasil foram diagnosticadas com falhas. A Ford vem na sequência, com 176.881 carros, seguida por Toyota (123.517), Citroën (90.456) e Peugeot (42.663). Para Maria Inês, os órgãos de defesa do consumidor deveriam ficar atentos a casos de empresas que comunicam reiterados recalls, assim como as próprias companhias devem rever seus procedimentos. “Se há muitos recalls e a empresa não esta melhorando, alguma coisa está errada. Os órgãos fiscalizadores tem que penalizar essas montadoras que demoram em aceitar o recall. Elas deveriam ser punidas não só com multas, mas até com proibição de colocarem no mercado novos veículos enquanto não melhorarem o controle de qualidade”, afirma.

Mais cauteloso, Amaury Oliva, do DPDC, explica que a medida extrema está entre as possibilidades analisadas pelo órgão, mas outras penalidades são geralmente as aplicadas. “Várias empresas já foram multadas e toda empresa que demorar será sancionada. Nós podemos aplicar qualquer sanção do código, inclusive a suspensão de venda, que é prevista em lei. Agora, ela é avaliada com muita cautela porque muitas vezes o maior prejudicado é o maior consumidor”, explica.

Porcentagem de marcas que mais convocaram carros em recalls em 2014 (Foto: Autoesporte)
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