Ramalho Leite – Uma viagem improvisada

Publicado em segunda-feira, agosto 1, 2011 ·

ramalho

Quando durmo em Bananeiras e perco o sono, começo a contar aviões.Sim, porque aqui a minha insônia é chic.Eu não conto carneirinhos, como todo mundo. Acima do meu teto as aeronaves que se dirigem a Natal começam seus procedimentos de descida e as ouço muito bem para  contá-las até o dia amanhecer. Indo dormir cedo no domingo, a minha madrugada foi assim. Deu para me lembrar, também, de uma viagem improvisada mas com final feliz, que fiz há alguns anos, de avião.

Era uma segunda-feira  já tarde da noite quando batem à minha porta, em Fortaleza. Ao abrí-la deparei-me com o deputado Roberto Burity e o empresário Darcy Souza, sobrinho da deputada Chica Motta. (soube que foi operada e passa bem, graças!) Os dois se dizendo enviados do deputado Valdecir Amorim, nosso amigo comum, estavam alí para me levar ao interior do Piauí, onde ele me esperava com um grupo de investidores. Eram gaúchos interessados em comprar terra e plantar soja na área, precisando do apoio do Banco do Nordeste. Justifiquei que na terça-feira teria reunião de diretoria, não podendo me ausentar. Foi em vão. Resolvi minha presença com um substituto e parti para a aventura, já que o avião  que fretaram estava no aeroporto à minha espera.

Até passarmos pela estátua do Padre Cícero e reabastecer o pequeno avião em Juazeiro, não  houve problema de comunicação. As rádios do Ceará serviam de guia e orientavam o rumo a seguir. A partir de então, verifiquei que o piloto e seu co-piloto discutiam o rumo em uma mapa que abriram sobre as pernas. Meus companheiros de viagem dormiam como anjos depois de uma noitada no Piratas, único point a funcionar na noite de segunda -feira na terra de Iracema. Eu sofria o ar com pouca refrigeração e o medo de avião, que não me larga, confesso.

A adrenalina subiu alto quando constatei que a carta geográfica usada era da Revista Quatro Rodas, mais indicada para localizar estradas e hotéis.Um linha fora traçada em lápis tinta por sobre o mapa e terminava na cidade de Bom Jesus, nosso destino. Ponderei minha estranheza com o fato e reclamei ainda mais quando pela conversa dos dois, entendi que uma dava aula ao outro:

– Meu amigo, deixe para ensinar pilotagem a esse rapaz outro dia e em outra viagem.Principalmente, quando eu não estiver no seu avião!  Disse, assustado.

O piloto compreendeu meu receio e explicou que o mapa era  um bom indicador e funcionava a contento. Aguarde e vera, asseverou.

Tinha razão o comandante. Depois de umas duas horas de vôo avistamos as cabeceiras da pista de pouso onde lá embaixo, Valdecir me aguardava cercado por uns cem gaúchos desejosos de se fixar no Vale do Rio Gurguéia.

Um churrasco no estilo dos pampas estava sendo preparado e o pessoal técnico do BNB, também  acionado, estava a postos para ouvir as pretensões dos gaúchos.

Sai  da diretoria de credito rural do BNB em 1995. Soube alguns anos depois que os gaúchos levados por Valdecir Amorim ao Piaui compraram cerca de 90 mil hectares de terra e fincaram suas raízes no Vale plantando soja e desenvolvendo a agricultura regional.

Avaliei depois que a insistência de Valdecir em me levar ao seu encontro era para provar aos seus convidados que tinha prestigio junto ao Banco do Nordeste. Conseguiu! Mesmo me fazendo passar um grande susto com essa viagem improvisada mas de resultados futuros  satisfatórios.

RAMALHO LEITE

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