Ramalho Leite – O Lobo e o Cordeiro

Publicado em segunda-feira, Janeiro 23, 2012 ·

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O Cordeiro bebia água, tranquilamente, em um riacho que corria em plano inclinado, quando avistou um pouco acima, o Lobo, que também saciava a sua sede e precisava matar a sua fome.O Cordeiro ainda tentou se esconder, mas o Lobo foi logo dizendo:

-Como você se atreve a sujar a minha água? O Cordeiro retrucou humilde:

-Senhor,como posso estar sujando a sua água se ela desce daí para cá…

-Não interessa! Retrucou o Lobo. Você andou falando mal de mim o ano passado…

=Mas no ano passado eu não havia  nascido… tremia o Cordeiro. E o Lobo cheio de razão:

-Se não foi você, pode ter sido seu irmão, seu pai, ou seu avô e eu preciso me vingar.

Partiu e devorou o Cordeiro.A fábula do francês La Fontaine, como todas as fábulas,conclui com uma lição que se cognominou de moral da história: “Infelizmente, a razão do mais forte sempre prevalece!”

Tomando posse como Ministro das Cidades, o paraibano Aguinaldo Veloso Borges conseguiu inverter a moral da história. O mais fraco venceu a prepotência dos mais fortes que, amparados no preconceito contra os que habitam essa parte do mapa do Brasil, teimam em não ceder espaços que consideram sua propriedade. Desta vez. o território do Lobo foi invadido e o Cordeiro venceu.

Depois de passar pelo pente fino dos órgãos de investigação e de apresentar justificativas para alguns procedimentos judiciais a que respondeu, o ministeriável foi acusado pela grande imprensa por ser herdeiro de uma história que remonta às Ligas Camponeses e a um trágico desenlace. Quando Aguinaldinho contava pouco mais de seis anos de idade, seu avô, líder do chamado Grupo da Várzea  foi responsabilizado pela morte do líder camponês João Pedro Teixeira.A Marcha das Margaridas resultaria também de uma ação criminosa da família do candidato a ministro. O neto teria sua vida pregressa tisnada pelos pecados atribuídos ao seu avô.

Como se não bastasse, o deputado foi acusado do crime imperdoável de trabalhar pelos municípios que o elegeram, carreando recursos do orçamento da Uniao para obras no interior da Paraíba.

Nunca é tarde para lembrar que o senador Humberto Lucena teve sua candidatura cassada  por conta da distribuição de pobres calendários com que brindava seus correligionários anualmente. A  mídia nunca o perdoou por ter saído da Paraíba para derrotar,para a presidência do Senado, o carioca Nelson Carneiro, membro do Conselho Diretor do então poderoso Jornal do Brasil.

Vencendo todos os obstáculos que colocaram à sua frente, o novo ministro assume com a confiança e principalmente a esperança de todos os paraibanos.Caro e jovem Ministro: que honre o nome da Paraíba e não se intimide. Você está onde está, pela parte que nos toca desse imenso latifúndio. Seria pior acusá-lo de dar as costas ao seu Estado e esquecer as necessidades da Paraíba. Amém!

RAMALHO LEITE (ramalholeite@uol.com.br)

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