‘Quereremos tirar a política do armário’, diz candidato LGBT, que conta rotina de preconceito

Publicado em terça-feira, agosto 26, 2014 ·

renan-palmeira“Nós queremos tirar a política do armário”. Esta é a lógica apresentada pelo candidato a deputado federal, Renan Palmeira (Psol), sobre a necessidade de uma efetiva representação de Lésbicas, gays, bissexuais e transgêneros (LGBT) no legislativo brasileiro, seja nos estados, seja no Congresso Nacional.

 

Para Renan, presidente do Movimento do Espírito Lilás (Mel) e um dos mais combativos representantes da causa LGBT na Paraíba, a iniciativa de ter candidaturas no Estado que representem esta minoria é uma conquista na luta contra o conservadorismo.

 

 

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“Existe uma necessidade de termos representação nos espaços de poder. É importante ter, no Congresso Nacional, representantes da diversidade humana e social. O discurso de combate à homofobia precisa alcançar a nossa política”, declarou.

 

Política esta que ele considera “conservadora, machista, racista e homofóbica”, visto que, segundo sua visão, a maioria dos legisladores representam grupos como os evangélicos, os ruralistas e grandes empresas e bancos.

 

Para corroborar sua visão de política conservadora ele dá como exemplo o fato de que nenhum projeto em favor da causa LGBT foi aprovado no Congresso. “O casamento igualitário foi uma vitória que conseguimos por meio do Poder Judiciário. Então temos um poder comprometido com a causa LGBT e vemos os outros dois (legislativo e executivo), omissos, em silêncio, diante de nossa causa”, disse.

 

Esta realidade começou a mudar com a eleição de Jean Willys, deputado federal pelo Rio de Janeiro, o primeiro homossexual assumido a chegar ao Congresso. “Ele foi o primeiro. Seu legado é abrir as portas para nós sabermos que podemos lutar por nossos direitos. Ainda não avançamos muito, mas fortalecendo a bancada podemos obter grandes conquistas em favor da autoafirmação LGBT”, afirmou.

 

Preconceito é maior no interior – Renan não é o único candidato que defende a causa LGBT na Paraíba. A disputa para a Assembleia Legislativa tem dois outros nomes. Os empresários Fátima Santos (PSOL) e Augusto Diniz (PTB).

 

Augusto está acostumado a enfrentar o preconceito. Sua base política é em Manaíra, uma pequena cidade no Sertão Paraibano. “Enfrentei muita resistência desde sempre. É muito difícil encarar o preconceito, mas superei. A política foi a forma que encontrei para lutar”, disse o candidato.

 

Ele explicou que, desde sempre, por se tratar de uma cidade, pequena, sua candidatura não era olhada com bons olhos. “Enfrentei muitas dificuldades por se tratar de uma cidade pequena. O preconceito é muito mais arraigado. As pessoas olham torto, resistem à ideia de votar em alguém que defende bandeiras como a LGBT”, afirmou.

 

Ele não acredita ter potencial para vencer nestas eleições, mas não desiste da luta. “Acho que se chegasse a ganhar seria um acaso da vida. Nem tenho tanta esperança de ganhar. Apresentei meu nome mais por autonomia, representatividade. E Manaíra nunca teve um candidato a deputado. É muito importante nossa cidade ter uma candidatura e eu encarei este desafio, enquanto muitas pessoas que têm condições econômicas não o fez”, disse.

João Thiago

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