Psicólogo indaga: perdemos a guerra contra o tráfico ou precisamos repensar o combate?

Publicado em sábado, junho 18, 2011 ·

maconhaA liberação da marcha maconha pelo Supremo Tribunal Federal tem trazido várias indagações para especialistas em ações de prevenção e combate as drogas em todo o país. Na Paraíba, o psicólogo Deusimar Wanderley Guedes chega a perguntar: “Perdemos a guerra contra o tráfico de drogas ou precisamos repensar as estratégias de combate?. Deusimar Guedes não acredita que a realização de “marchas da maconha”, defendendo a legalização da droga seria uma boa estratégia de combate as drogas. Para ele, o debate deve ser incentivado e cada cidadão e cidadã brasileiros devem ter oportunidade de expor o seu ponto de vista, “ mas acho que o fórum ideal para discussão dessa temática deve ser as universidades, as escolas, as câmaras municipais, a imprensa, mas não o meio da rua através de marchas eivadas de emoção e lideradas por pessoas na maioria das vezes sob os efeitos de drogas, onde crianças e adolescentes estarão como espectadores desinformados correndo o risco de serem influenciados de forma distorcida sobre os falsos e enganosos efeitos positivos das drogas”, comentou. Na opinião do psicólogo a conscientização acerca destas substâncias e dos possíveis e prováveis problemas orgânicos, familiares e sociais que estas poderão provocar aos seres humanos, e a sociedade como um todo precisa acontecer desde os primeiros anos de vida da criança, mas no local ideal e próprio obedecendo às condições peculiares de desenvolvimento destes seres em formação, “pois certamente a desinformação e o modelo social hoje vigente são os dois principais facilitadores para que seres humanos, especialmente adolescentes ingressem nas drogas, e conseqüentemente uma parcela significativa destes se torne dependente destas substâncias”, completou. Segundo Deusimar Guedes não há uma resposta segura ou fácil quando o assunto é droga, embora quase todas as pessoas possuam de pronto uma opinião formada. Mas de uma coisa podemos ter certeza, quanto mais bem informadas as pessoas são, mas difícil destas se tornarem dependentes das drogas, e estas informações têm que estar desvinculadas de valores morais, religiosos, econômicos, políticos etc. Para ele o uso indevido de drogas não pode ser visto como um aspecto isolado do comportamento, mas sim dentro de um contexto mais amplo de saúde pública. “Investimentos significativos através de campanhas educativas e informativas ininterruptas que obedeçam as realidades e desigualdades culturais de cada localidade precisam ser feitos”, defende. O psicólogo afirma que o poder de persuasão dos traficantes e dos próprios efeitos das drogas é muito grande e assim a sociedade precisa se preparar para responder com a mesma eficiência e capacidade de convencimento; e isto, só será possível se houver uma participação efetiva não só do poder público, mas da iniciativa privada e da sociedade organizada como um todo, em especial, dos pais, professores e educadores em geral. Deusimar Guedes destaca que dentre as maiores dificuldades vigentes atualmente em relação ao insucesso no enfrentamento deste problema da drogadição, estão: a falta de investimentos públicos na área preventiva-educativa, sendo assim necessário que se invista nesta vertente educativa, visando desestimular o consumo, com a mesma ênfase e montante financeiro que hoje se investe na repressão a oferta da droga; o modelo social consumista; a tolerância da sociedade; a facilidade do acesso a essas substâncias, e a omissão generalizada hoje reinante nos diversos segmentos sociais. Pois o que temos visto, é uma indignação social em estado de repouso, e é preciso que esta indignação seja instigada a se manifestar. “Assim sendo podemos afirmar, que, ou a sociedade acorda e resolve se unir e fazer frente ao uso indevido de drogas trazendo-o para níveis suportáveis, ou esta sociedade num futuro muito próximo irá soçobrar dominada pelo uso desenfreado e deletério destas substâncias”, alerta o psicólogo.

Paulo Cosme

Paraíba.com

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