Primeiro correspondente indiano na América do Sul fala de suas expectativas sobre o Brasil

Publicado em terça-feira, dezembro 4, 2012 ·

O primeiro correspondente de um veículo indiano na América do Sul acaba de instalar-se em São Paulo. Representando os jornais The Times of Índia e a Economic Times, Shobhan Saxena, vem interessado pelos temas que já têm atraído o interesse de outros veículos internacionais: os eventos esportivos e, sobretudo, o novo papel econômico do Brasil.
Saxena é formado em Ciências Políticas pela Universidade Jawaharlal Nehru e pós-graduado em comunicação de massa. Entrou pela primeira vez no The Times of India no ano de 1993. Considerado proporcionalmente o maior jornal de língua inglesa na Índia e no mundo, o Times tem 183 anos de idade e uma circulação de 4,5 milhões de exemplares diários.

Divulgação
Saxena acompanha sua esposa no lançamento do livro “Os Indianos”
O jornalista também trabalhou para o The Independent, em Londres, e foi correspondente do The Indian Express na cidade de Nova York. Em 2005, voltou para o Times. Saxena é casado com a jornalista brasileira Florência Costa, que foi correspondente de O Globo na Índia por seis anos e acaba de lançar o livro “Os Indianos”. À IMPRENSA, ele fala sobre o interesse da Índia no Brasil e suas expectativas em relação ao país.
IMPRENSA – Quais os interesses da imprensa indiana no Brasil?
Shobhan Saxena – O Brasil é um país muito importante neste momento. É um emergente como a Índia, tem problemas sociais e econômicos semelhantes. Por causa do crescente comércio entre os dois países, a mídia indiana passou a se interessar enormemente pelo Brasil. Também por causa da Copa do Mundo em 2014 e os Jogos Olímpicos em 2016, acho que o Brasil vai ficar sob o foco da mídia internacional nos próximos anos. Para você ter uma ideia do interesse por esses assuntos, o meu primeiro artigo enviado aqui do Brasil para a Índia foi sobre futebol. Mas além do futebol, vou escrever muito sobre políticas públicas, como programas sociais e planos de melhoria para a educação e matérias sobre a integração Índia e Brasil.
O que você tem lido do país nos últimos dias?
Jornais e livros como o de Ruy Castro (que tenho em inglês sob o título “Carnival under Fire”), e o livro de Jonnathan Page sobre o Brasil chamado “The Brazillians” (Os Brasileiros).
O que representa ser o primeiro jornalista da Índia em um país sul-americano?
Por muitos anos o Brasil e a América do Sul apenas significavam carnaval e futebol na Índia. Mas nos últimos 10 anos essa imagem tem mudado por causa do fortalecimento econômico do Brasil e outros países da região. Há um novo interesse na região. Os lugares turísticos são muitos exóticos para os viajantes globais indianos. A elite indiana cansou dos lugares batidos para tirar férias e quer conhecer novas fronteiras. Por causa da globalização e o crescente transação comercial da Índia com o Brasil e outros países da America do Sul é do interesse indiano olhar para esses países de forma positiva. Além disso, existem dezenas de companhias de software e farmacêuticas indianas por aqui.
Quais são as principais pautas do The Times of India em relação ao Brasil?
Negócios e comércio, ou seja, a econômica entre os dois países. Em segundo lugar, a cultura e o comportamento dos brasileiros porque há uma grande curiosidade dos Indianos com relação ao Brasil e aos brasileiros. Além disso, é claro, a política e as questões sociais. Há muita coisa em comum. A ideia é mostrar aos indianos um retrato do Brasil que eles nunca tiveram a oportunidade de ter porque nunca nenhum jornalista indiano trabalhou aqui.
Assim como acontece com a Índia, o Brasil também é tratado com estereótipos?
Até recentemente os indianos conheciam o Brasil apenas por causa do futebol, do carnaval, do samba e das praias. No imaginário indiano, os brasileiros apenas jogavam futebol, dançavam e iam à praia. Muito poucos sabem sobre o Brasil real, sobre a sua política, a sua pujança econômica e sobre o seu novo papel na política internacional. Desde 2004, quando o presidente Lula fez a sua primeira visita à Índia, os indianos começaram a conhecer mais e isso se intensificou porque o ex-presidente visitou a Índia mais três vezes. E nesse ano, a presidente Dilma Roussef esteve na Índia para o encontro do Bric´s. Na Índia tem um programa anti-pobreza inspirado pelo Bolsa Família e agora nesse momento o governo indiano começou a implementá-lo.
Quais as curiosidades que os indianos possuem sobre os brasileiros?
A maior curiosidade é sobre o futebol e por que os brasileiros são tão talentosos nesse esporte. Muitos perguntam o motivo disso, até porque nós indianos gostamos do futebol e sonhamos um dia nos classificarmos para competir na Copa do Mundo. Desde os tempos de Pelé, muitos indianos apóiam Brasil na Copa do Mundo porque nos anos 50 e 60, quando a Índia tinha um bom time de futebol, os indianos acostumavam a jogar de forma criativa e bonita, com passes e dribles.
Só futebol?
A segunda grande curiosidade dos indianos com relação ao Brasil é sobre o Carnaval. As coloridas festas de rua brasileiras que vemos nas cenas de TV se assemelham aos nossos festivais de rua, como o Holi, celebrado todos os anos no mês de março, quando os indianos vão para as ruas jogar cores um nos outros e dançar e beber para celebrar a chegada da primavera. Uma terceira curiosidade, hoje em dia, especialmente entre a elite bem informada como acadêmicos, jornalistas, empresários, ativistas sociais e burocratas do governo, é sobre o modelo de crescimento econômico brasileiro o sucesso das políticas públicas que diminuíram a pobreza no Brasil.
Você acha que será fácil negociar pautas sobre o Brasil com sua redação?
Sim, é fácil. A Índia tem uma vibrante mídia com uma imensa liberdade de expressão. Nos jornais indianos você acha todos os tipos de matérias de todas as perspectivas e sobre todas as questões porque a maioria dos jornais e revistas indianos não é guiada por visões ideológicas. No meu caso, eu já fui um editor por vários anos. Eu tenho uma boa idéia sobre os tipos de matérias que o The Times of India e o Economic Times publicam. Além disso, ambos os jornais estão muitíssimo interessados sobre a minha presença aqui no Brasil porque nós nunca tivemos matérias sobre o Brasil de uma perspectiva indiana.
Luiz Gustavo Pacete

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