Prass adota discurso de líder e diz que braçadeira da seleção é simbologia

Publicado em segunda-feira, julho 18, 2016 ·

imagem: CBF/Divulgação
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Favorito para ser o capitão do Brasil nos Jogos Olímpicos, o goleiro palmeirense Fernando Prass, 38 anos, foi o escolhido para falar no primeiro dia da seleção brasileira na Granja Comary. Jogador mais velho entre todos que os brasileiros que atuaram no futebol olímpico em todos os tempos, Prass falou como líder. Tratou questões psicológicas, falou sobre pressão e minimizou o assunto braçadeira de capitão.

“Não me passa pela cabeça ser ou não ser capitão”, resumiu Prass. “Sempre falei isso. Capitão é mera formalidade. Para assinar súmula, para representar no sorteio e com o árbitro durante a partida. Não tem função a mais. Não é por isso que tem que gritar, orientar, cobrar o cara. Sem essa faixa, nada te proíbe de ter as mesmas funções e responsabilidades. É muito mais uma simbologia que qualquer coisa”, afirmou Prass.

O goleiro comparou os dois lados de chegar à seleção dois anos após a derrota por 7 a 1 para a Alemanha. “Traz uma frustração de Copa, mas traz cinco títulos mundiais. É uma camisa que traz peso, mas coloca pressão. Tem os dois lados. Vamos filtrar e potencializar o que for positivo pra gente, vamos trabalhar no psicológico o que pode atrapalhar”, pediu ainda o ídolo do Palmeiras.

“O futebol evoluiu a tal ponto, me dizia um treinador em Portugal, que de tática já foi inventado quase tudo. Em termos físicos, absurdo o que se corre hoje. O jogador corria 7 quilômetros e hoje corre 13, 14. O que se pode evoluir e ainda é pouco explorado é a questão mental. É muito difícil trabalhar, é menos palpável, mais subjetiva”, opinou.

Confira o que mais disse Fernando Prass:

PAPEL DOS MAIS EXPERIENTES
Se cada um chegou aqui foi porque tinha que acontecer, não foi por acaso. O que pode se acrescentar é de cada jogador. A convivência diária, costumeira, traz coisas de cada um. Temos que conseguir transformar esses 18 em um grupo, e isso vamos tentar aqui. Os mais velhos têm mais experiência e conseguem ajudar em algumas situações que vivenciaram certas vezes, e o mais novo ainda não aprendeu.

LIDERAR NA SELEÇÃO
A liderança na seleção é como em qualquer equipe. Não tenho obrigação (de ser líder). Vai acontecer naturalmente, e daqui a pouco um menino de 18 anos pode assumir a liderança. É de qualquer pessoa, acontece naturalmente dentro da característica de cada um. O líder acham que fala mais, gesticula mais, mas já estive em alguns vestiários que o cara passava totalmente despercebido por quem estava de fora e era líder.

SENTIMENTO DE ESTREAR AOS 38 ANOS
Ainda tenho muita lenha pra queimar. Comparo a um casal tentando ter filhos desde cedo, que se esforça, não consegue, e depois de certo tempo, desencana daquilo e acaba conseguindo. Traz muito mais felicidade, até por ser uma coisa que foi pensada, trabalhada por muito tempo e vai gerando expectativa muito grande. Quanto maior o tempo, maior a felicidade. Sempre sonhei com seleção, mas a cada ano que passa fica mais difícil. Assim como dificuldades para se acrescentar com o tempo. Outras coisas vão agregando também.

PRESSÃO PODE SER FAVORÁVEL
Essa pressão é um estimulante. Vamos usar um diferencial a nosso favor. Esse diferencial quem vai criar é a gente com atuações, com entrega no campo, a gente pode fazer dessa Olimpíada em casa um trunfo para gente.

COBRANÇA OU OPORTUNIDADE
Se fosse campeão olímpico 10 vezes seria uma pressão enorme também. Sem hipocrisia, eu não encaro como pressão, mas como uma oportunidade por ser no Brasil e pelo grupo que se montou. Vejo um grupo de muita qualidade. No futebol, no papel, as coisas não se desenham.

RESQUÍCIOS DO 7 A 1
A questão emocional é obviamente muito importante, mas a gente não pode querer comparar porque são indivíduos diferentes. Não tem ninguém daquela Copa praticamente (só Neymar). São reações diferentes, outra situação psicológica, todos têm suas particularidades, e uma das coisas em particular é isso. Na convivência mais longa você consegue detectar alguma coisa no companheiro.

Uol

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